Joana, Guadalupe (S. Tomé e Príncipe) 🇸🇹

Intensidade que envolve os sentidos! Esta frase retrata na perfeição a minha vida nestes últimos dois meses! Viver em São Tomé e Príncipe foi de uma intensidade inexplicável! Fui com a missão de dar, partilhar, ensinar e voltei com o coração a transbordar de ensinamentos, amor, carinho e simplicidade! Nunca 60 dias foram tão repletos de aventuras, histórias, vivências e aprendizagens! Nunca em 60 dias me rendi por completo a um país que me conquistou pelas suas gentes, cultura, paisagens e beleza natural! Nunca em 60 dias fiz amizades para a vida e partilhei tanto com estranhos que se tornaram família! Pessoas essas de quem eu gosto muito! Outrora 60 dias eram meros dois meses, mas estes não! Estes assemelharam-se a muito mais… E ao mesmo tempo soube a tão pouco… Sabe sempre a pouco!

Em 60 dias, fui “professora” , explicadora, conselheira, fonte de abraços, beijinhos e miminhos, colo, aconchego; também dei um bocadinho de mim como terapeuta; fui exploradora; irreverente e corajosa; audaz e criativa – Uma Joana diferente daquela que aterrou em Guadalupe, uma Joana que agora depois de experienciar esta envolvência dos sentidos … Quer ser mais, melhor! Quer dar mais e cuidar mais … Porque cuidar será sempre sinónimo de amar na sua forma mais pura e simples. E amor foi sem dúvida a palavra do dia … durante 60 dias.

Carolina, Santo Antão 🇨🇻

(A vida em) Santo Antão, a ilha mais verde de Cabo Verde.

Sintanton. Terra de grogue, calor e morabeza. Terra de amor. Terra de soded. Terra que me deu tantas pessoas boas e dias bonitos, os mais bonitos do meu 2021.

Já faz alguns meses que regressei desta aventura, mas ainda antes desta acabar já sabia que Santo Antão iria ser sempre casa e que as saudades iriam ser mais que muitas. Não me enganei. 

Assim que cheguei a Porto Novo rendi-me de imediato à ilha e às suas pessoas. Santo Antão vai desde as paisagens mais verdes ao mar mais azul. Aqui o tempo passa mais rápido e o calor é imenso. Não há falta de manga, nem de simpatia. As crianças são mais livres e os idosos mais felizes. 

Nesta ilha, ensinam-nos que não precisamos de muito para se ser feliz e que a simplicidade e a alegria chegam para nos fazer o dia. Em Santo Antão ensinam-nos que “a vida ê p vivê durent a vida” e que a manga se come com casca. 

Em Santo Antão somos recebidos todos os dias de braços abertos, com o amor das crianças e dos idosos, expresso através de abraços, beijos e palavras bonitas. É onde perdemos a noção do tempo e onde nos ensinam o verdadeiro significado de aproveitar o lugar e o momento presente. 

Santo Antão é ir à mercearia comprar bananas, e sair de lá com mangas oferecidas pelo senhor João. É sair de casa e ter um monte de crianças à nossa porta. Santo Antão é o mar mais salgado e o sol mais forte. Aqui o coração fica mais quentinho e a alma mais preenchida. O sorriso é mais feliz e os abraços mais sentidos. Sintanton ensina-nos a não ter pressa e que “depôs de sebe morre cá nada”.

A vida em Santo Antão é assim, leve e bonita. Quando acabávamos o voluntariado íamos para a praia “”descansar””, mas assim que chegávamos tínhamos uma turma de pequenotes à nossa espera, prontos para dar banhos de bar, para jogar às cartas, à bola ou ao elástico. Energia não faltava, àquelas crianças de coração grande e sorriso rasgado. 

A ti, Sintanton, que és uma ilha de gente boa, agradeço-te por me teres recebido tão bem, por me abraçares e por me acolheres como se fosse tua. Obrigada por me teres dado e ensinado tanto. Obrigada por teres sido casa durante dois meses. E obrigada por me teres mostrado o que é realmente a Morabeza. 

Com a água quente do mar, a cachupa pela manhã, as paisagens mais bonitas e as pessoas mais simpáticas, “Cabo Verde compensa o que não tem com aquilo que tem”. Há uns tempos ouvi esta frase, e não podia ter feito mais sentido. 

Fica dret Sintanton. Que eu prometo voltar. 

Inês, Zanzibar 🇹🇿

Há 10 anos que tinha o sonho de fazer voluntariado em África e foi com a Para Onde que nasceu a confiança e coragem para o fazer!
Rumo a Zanzibar, sem expectativas, posso dizer que foi a experiência mais desafiante da minha vida e, provavelmente, também a mais gratificante. Fui com a missão de promover a educação numa escola com 60 crianças dos 3 aos 7 anos onde, desde o primeiro dia fui incluída em todas as actividades, desde dar contributo nas aulas, ajudar na hora do lanche, brincar nos intervalos e acompanha-las na saída da escola. Tudo em mim foi desafiado. Desde a resiliência, a tolerância, o respeito por outras culturas, a aceitação da diferença, a empatia e até a comunicação, sobretudo a não verbal, visto ter de lidar com crianças que quase não sabiam inglês. Dei ainda um novo sentido ao estado de felicidade, porque nunca na vida vi sorrisos tão espontâneos e genuínos como naquelas crianças. Posso dizer, com toda a certeza, que trouxe muito mais do que o que levei… Recebi muito mais do que o que dei
Asante sana

Inês

Margarida, Zanzibar 🇹🇿

Fui para Zanzibar durante 1 mês a acreditar que seria suficiente e que teria imensas saudades de casa e, 1 semana depois de voltar, consigo garantir que 1 mês não é de todo o suficiente, mas, sinceramente, acho que nunca existiria tempo suficiente para viver tudo o que Zanzibar tem para nos dar. 

Na formação pré-partida ensinam-nos a ir sem expetativas, mas, apesar de ser muito importante é, também, muito difícil ir sem qualquer expectativa e, acreditem, as minhas expetativas foram todas superadas. 

Fui para Zanzibar com uma mala cheia de coisas materiais e volto de lá com uma mala cheia de memórias, aprendizagens e crescimentos. Aprendi a respeitar muito mais as diferenças, aprendi a aceitar sem julgamentos, a ser muito mais resiliente e, acima de tudo, aprendi muito mais do que aquilo que ensinei. 

Na escola fazemos de tudo, apoiamos os professores com as turmas nas aulas, mas também brincamos muito nos intervalos com as crianças, temos a oportunidade de estar presentes na hora da refeição da manhã e auxiliar também nesse sentido e, posteriormente, apoiar no regresso a casa. 

Para além disto tive a oportunidade de participar na distribuição de arroz pela aldeia e, sinto que essa foi uma oportunidade que me fez alargar muito a minha visão da vida porque, nessa altura tive a oportunidade de perceber realmente em que condições é que a população e, particularmente, as crianças da escola viviam e, acreditem, nunca se está preparado para algumas realidades pelo simples facto de serem completamente diferentes daquela que estamos habituados. 

As pessoas da organização apoiaram-me em tudo e, mais do que isso, tornaram-se uma família para mim.  

No último dia que parti escrevi num mural, que existe na casa dos voluntários dedicado a antigos voluntários que: “nós nunca pensamos que a última vez é a última vez. Pensamos que teremos sempre mais, que temos para sempre, mas não temos. Por isso o meu conselho é: aproveitem os pôr do sol, os amigos, os sorrisos e as experiências”. 

Aquelas crianças e todo o povo de Zanzibar ficaram com o meu coração e sei que ficarão com o de todos que abraçarem esta experiência. Sei que um dia vou voltar! 

Mariana, São Vicente 🇨🇻

Sempre fiz voluntariado em Portugal, contudo ter tido esta experiência de voluntariado internacional em S. Vicente marcou-me bastante. Permitiu-me ter acesso a realidades muito diferentes das que estava habituada e a olhar para a cultura e o desenvolvimento de Cabo Verde com outros olhos e compreensão. A Nô bai, cujo lema é “Vamos!” – “Vamos para o terreno”, “Vamos fazer a diferença” – é uma inspiração. Em 3 anos e com zero recursos conseguiram/conseguem tocar em tanta gente e fazer a diferença, pois mais do que dinheiro, as pessoas precisam de tempo e de dedicação, sendo isso a grande conquista da Nô bai. Com o sentimento agridoce de ter voltado, uma coisa que me conforta, é que a Nô bai, os voluntários locais e os seguintes voluntários internacionais, continuarão lá com a mesma força de sempre para ajudar aquela maravilhosa comunidade!

Sara, São Vicente 🇨🇻

Foram 4 as semanas que passei em São Vicente. Recordo o nervoso e ansiedade inicial de quem abraça uma experiencia nunca antes vivida. Esse sentimentos dissiparam-se um bocadinho ao aterrar no aeroporto de Cesária Évora e sentir o calor daquele país. Senti que estava onde devia estar! Recordo também a receção calorosa da voluntarias que já estavam em São Vicente que me fez sentir logo em casa e bem acolhida. Sinto que foi um privilégio poder contactar com uma realidade completamente diferente da minha, estando sob a alçada da No Bai, que me permitiu integrar em projetos que envolviam apoio escolar a adolescentes, ocupação de tempos livres de idosos, rastreios de saúde da população local, proteção de tartarugas, entre outros. Esta experiência permitiu-me refletir sobre a minha vida e a relativizar tanta coisa…! Fez-me dar valor ao que realmente importa, e espero não me esquecer nunca disso. Foi com o coração cheio que regressei a Portugal. Até um dia destes, Soncente!

Diogo, Santo Antão 🇨🇻

O meu sonho começou a 1 de setembro de 2021….

Aqui sorri, aqui fui feliz, aqui senti amor, aqui senti a vida, aqui fui grato, aqui aprendi a ser pessoa, aqui aprendi apreciar o tempo, aqui cultivei Esperança.

Sintonton minha terra, minha casa, minha terra de soded. Grato por ter sido tão bem acolhido por aquela boa gente, ficam as memórias, os sorrisos gravadas na mente. Sintonton viverás eternamente na minha memória, até que eu seja pó e ir com o vento.

“ Vive e passa séb é nos lema
Na alegria e harmonia
Assim no tá vive”

Leonor, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

Quase um mês depois de ter chegado de uma das maiores aventuras da minha vida, ainda não consigo exprimir em palavras tudo o que senti e vivi em São Tomé. Foi no meio da pandemia que decidi embarcar nessa aventura, e digo com todas certezas, que voltaria a fazê-lo.
Foi um mês muito intenso no país do Leve-Leve, onde só havia espaço para sorrisos e abraços, mãos dadas e “doce doce”. A simplicidade de quem pouco tem, e a grandeza que transportam no coração, emocionam quem passa por lá. Nunca vão haver palavras suficientes para transmitirem o que vi, o que vivi, e o que senti.

Ajudamos e demos apoio escolar a crianças e jovens de Guadalupe, mas fui eu quem mais aprendi, pois levarei ensinamentos e lições de vida comigo para sempre. O dia-a-dia era cheio de animação e gargalhadas, as crianças preenchem a alma de qualquer um. Houveram muitos momentos bons e muitas aventuras, a bondade do povo, a magia de São Tomé, a vontade de levar em frente todos os ensinamentos que nos dão e o apoio dos outros voluntários, fizeram qualquer desafio ser superado da forma mais leve possível.

Houve muito amor, muitos abraços, muitas contas de matemática, muitas brincadeiras, muito peixe com arroz, muita papaia diretamente da árvore e muita banana (principalmente “Pala Pala”).

Na terra dos cabelos trançados, agradeço cada boleia que apanhei, cada fruta que recebi, cada sorriso e abraço que retribui, cada cantoria e brincadeira, cada mergulho no mar quente, cada pessoa que conheci e agradeço, principalmente, a tudo que aprendi!
Valeu cada minuto e as saudades já apertam!

Vou acabar como comecei: é difícil expressar em palavras tudo o que vivenciei no país do Leve-Leve. Até já 🇸🇹

Com amor,
Leonor

Joana, Peru 🇵🇪

Há mais de 10 anos que queria fazer voluntariado. Há mais de 10 anos que queria fazer voluntariado com crianças. Por razões e desculpas que não interessam para este testemunho, esse sonho foi sendo adiado. Até 2021. Em março decidi que ia embarcar nesta aventura. Talvez por obra do destino, vi uma story da Para Onde? sobre este projeto no Peru e naquele segundo senti que era ali que tinha de estar. Não há uma explicação lógica, mas a minha intuição disse-me que era este o caminho que devia seguir. Desde aí foi um passo até me organizar, contactar a Para Onde? e no final de setembro estava a partir para a América Latina.

Nunca duvidei que esta experiência ia ser das mais bonitas e enriquecedoras da minha vida, mas nunca imaginei o amor e felicidade que ia sentir todos os dias, nunca! Desde o primeiro dia que me senti em casa e quando alguém me perguntava: “Como está a correr, como estás?”, só conseguia dizer: “Estou tão feliz!”. E estava mesmo, porque estava rodeada de amor puro e almas bonitas. O projeto foi criado por um casal peruano em 2013 e desde aí que se dedicam a apoiar crianças e famílias desfavorecidas que vivem num dos bairros mais pobres da América Latina. A ONG tem uma escola onde as crianças e jovens podem receber a educação e apoio que lhes falta por parte do governo. Mas muito mais do que uma escola, Hilo Rojo é uma família, que se cuida e protege incondicionalmente.

Os meus meninos são os maiores e dão os melhores abraços do mundo! Aprendi tanto com eles. Aprendi a valorizar as coisas simples da vida e o que realmente importa. Tudo o resto é secundário. Aprendi a ter mais paciência, a acreditar mais em mim e a perceber a sorte que tenho de me ter cruzado com pessoas tão especiais, que são a minha nova família. Às minhas companheiras de aventura, obrigada de coração por todo o vosso apoio, carinho e partilha. Por todos os sorrisos e lágrimas, pela vossa entrega e dedicação. Não teria sido o mesmo sem vocês, só juntas faria sentido.

Ser voluntário é dar, mas é receber mais. Não há nada que pague o sorriso de uma criança simplesmente por ter alguém que lhes dá atenção e carinho. Alguém que está presente. E é só isso que podemos fazer, dar o nosso melhor, ouvi-los e respeitá-los. E no final do dia, a sorte grande sai-nos a nós!
Quero que mais pessoas vivam a experiência de amor e partilha que eu tive a sorte de viver em Trujillo na Hilo Rojo, por isso olhem para estes sorrisos e digam-me que não querem ir já no próximo avião? 
Não esperem 10 anos como eu e sigam os vossos sonhos! É tão bom 🙂  E eles precisam tanto de nós! ❤️

Joana, Islândia 🇮🇸

A minha experiência no projeto de voluntariado na Islândia é um exemplo de como um campo de curta duração pode ser tão marcante, diversificado e dinâmico.
O projeto em que me inscrevi entusiasticamente teve a duração de 10 dias, que souberam a pouco, mas que me trouxeram tanto!
Logo na primeira noite, as fugidias e mágicas auroras boreais presentearam-nos com uma festa de boas vindas com um céu pintado de várias cores a parecer uma tela criada pelos melhores artistas.

Este foi o incentivo perfeito para tudo o que viria a vivenciar nesta terra fria que me deixou com o coração quente, pelas suas paisagens infinitas, belas, áridas, vulcânicas e tão camaleónicas, dependendo do clima nesse dia. Pode estar ventoso, sol, a nevar, a chover e às vezes termos tudo isso no mesmo dia!

A Islândia é uma caixinha de surpresas! E que melhor país para aprendermos e partilharmos também uma maior e mais ativa consciência ambiental e ecológica? E aliar essa vertente ao aprofundamento dos nossos conhecimentos em fotografia?
Foi a junção perfeita de Fotografia e Preocupação Ambiental num país que abarca e retrata tão bem ambos os campos! De destacar a solidária campanha da “Family Aids” em que separamos e distribuímos cabazes com alimentos para famílias desfavorecidas.

De louvar também os vários workshops de fotografia que realizamos, com exercícios práticos e em paisagens já de si tão fotogénicas.

Certa de que repetiria esta enriquecedora experiência, espero que este testemunho vos incentive a abarcar em novas aventuras, com novos estímulos, a se ser melhor cidadão e pessoas mais tolerantes, com maior consciência ambiental e multicultural!

E agora quando me perguntam “Para Onde?”, após estes inesquecíveis dias, de imediato responderei – “Para Onde?” não sei, mas seguramente será com a “Para Onde?”.

Como me escreveu uma das camp leaders “Good things come to people who wait, but better things come to those who go out and get them!”