Mariana, São Tomé e Príncipe 🇸🇹

Dia 01 de agosto de 2021, embarquei naquela que foi a maior e a melhor aventura da minha vida.  Se embarquei feliz, regressei ainda mais feliz. Sobre São Tomé teria inúmeras coisas que  escrever, mas aquilo que irei guardar para sempre na minha memória e no meu coração são as  pessoas. As pessoas que desde o 1º dia fizeram com que me sentisse em casa e pertencesse à  família. As pessoas que me acolheram com a sua alegria, gentileza e pureza. 

Das crianças e jovens de Guadalupe e da Roça Agostinho Neto, guardo os seus sorrisos  contagiantes e abraços bem apertados com que me recebiam todos os dias. Guardo a  espontaneidade, ingenuidade e alegria de ser criança. Guardo a rebeldia, impulsividade e empatia  de ser adolescente. Guardo as conversas, as brincadeiras, as relações que criem com cada um  deles. 

Guardo na memória o abraço do Gilson e do Sandro. Os poemas da Analú. As conversas com a  Kate, a Milena, a Teca e a Ré. O jantar de arroz de coco do Ray. Guardo inúmeras memórias e  sentimentos. 

Guardo ainda na memória os meus 5 companheiros desta aventura: a Bia, o Bruno, a Cidália, a  Madalena e o Tomás com os quais partilhei momentos de alegria, tristeza, ansiedade, frustração,  gratidão. E a Nica que desde o início nos integrou na comunidade e nos fez sentir de São Tomé.  Foi com todas estas e muitas outras pessoas que passei o meu mês de agosto. Um mês de muitas  aprendizagens, ensinamentos e desafios. Um mês que me colocou à prova e desafiou os meus  limites de adaptação, empatia e flexibilidade. Um mês que me permitiu alargar horizontes e sair  da minha zona de conforto. Um mês que me fez refletir sobre o quão díspar são as oportunidades,  experiências e vidas de acordo com o país em que vivemos. Um mês que me fez compreender  que não somos mais do que as nossas próprias circunstâncias.

Em São Tomé aprendi a relativizar os meus problemas e inquietações. Aprendi a cuidar mais do  outro. A dar e a receber mais. Aprendi a valorizar o que realmente importa. Aprendi a ser mais  “leve-leve”! 

Se tal como eu, tens o sonho de participar num projeto de voluntariado internacional, agarra a  oportunidade! Será uma experiência inesquecível que te deixará uma enorme saudade e vontade  de regressar. Confia na Kêlê e na Para Onde? e voa bem alto!

Andreia, Santo Antão 🇨🇻

Até ao último momento, a incerteza de poder viajar era o mais real que existia. O que viajava comigo era demasiado pesado para suportar sozinha e noutro país, mas o dia chegou e a felicidade de realizar mais uma vez este sonho era possível.

Santo Antão foste o lugar que necessitava, fosse a minha recuperação. Ensinaste-me a olhar para dentro e a amar-me. Aqui mora o “fca dret”, o bom dia, o sorriso leve, o olhar doce e os maiores corações que já vi. O tempo passa rápido e o calor é intenso. Não há falta de manga (que se como com casca), grogue, mel de cana, cachupa, alegria, amor e sorrisos rasgados. Ensina-nos a amar as pequenas coisas, que a simplicidade existe em qualquer lugar, a amar a sabedoria e as palavras sábias dos idosos e a pureza e ingenuidade das crianças.

Foi aqui que me esqueci do que me perseguia, a minha ansiedade e de tudo o que os últimos meses foram. Aproveitei cada dia como se fosse o último, os abraços e carinho que todas aquelas crianças e idosos me proporcionaram e os momentos inesquecíveis que levo comigo.

Obrigada às paisagens mais verdes e bonitas de Cabo Verde, obrigada por fazeres parte da minha história e por me tornares mais forte e sair de coração completo.
“Vida ê p vivê durent vida”
Regressei com a promessa da um até já, com Soded.

Lívia, Guiné-Bissau 🇬🇼

Escolher a Guiné-Bissau foi um mero acaso, embarquei sem pesquisa feita e à espera de encontrar qualquer coisa, foi então no momento que aterrei em Bissau que me apercebi da escolha que tinha feito, e não podia ter escolhido melhor.

Esta viagem foi uma experiência irreal, aconteceu de tudo, coisas boas, coisas más e sobretudo coisas memoráveis. Não há palavras mesmo para descrever o que senti na Guiné nem o que estou a sentir agora, apenas que me apaixonei por Bissau (apesar de me tirar muito sono). Pensava que o mais difícil ia ser a adaptação ao modo de vida de uma sociedade tão diferente da minha, mas o mais difícil foi mesmo dizer adeus a todas as pessoas que passaram por estes momentos comigo.

Amigos que ficam para a vida, crianças que ficam como irmãs ou irmãos mais novos de quem vou sempre cuidar e proteger, e uma família que me acolheu como se fosse um deles.

Já se passaram duas semanas desde que voltei mas sinto que uma parte de mim ainda está lá.

Recorrendo aos típicos clichês, eles ofereceram-me muito mais do que eu consegui dar, não há outras palavras para descrever se não estas mesmo.

Aprendi lições de vida por coisas que observei, conversas que ouvi, discussões que tive, tanto com as pessoas da escola Humberto Braima Sambú, como com os nossos vizinho e, não menos importante, com a Mercedes, a Joana e o Rodrigo, que me acompanharam nesta aventura de guerreiros.

Agradeço à Para Onde por me ter proporcionado esta oportunidade que levarei sempre no coração, e à Guiné-Bissau em geral porque, em cada rua que passava, com cada pessoa que falava, aprendi coisas que nunca na minha vida vou esquecer, obrigada por este acaso incrível nha Guiné ❤️

Mariana e Catarina, Moçambique 🇲🇿

Quando decidimos embarcar nesta aventura, o nosso objetivo era expandir horizontes, ajudar pessoas e conhecer uma nova cultura. Escolhemos o projeto na Vila de Marracuene, pelo facto de o programa de voluntariado apoiar o desenvolvimento social e cultural da comunidade local. Para além disso, queríamos fazer parte do grupo de pessoas capaz de tornar o mundo num lugar mais justo e melhor.
Como fomos de mente aberta e sem expetativas ficámos surpreendidas com as instalações do centro. As crianças e os funcionários receberam-nos de braços abertos, com muito amor e carinho.
Na primeira semana, fizemos um horário com uma das professoras do centro e apoiámos crianças desde o primeiro ao décimo segundo ano, nas mais variadas áreas. Acordávamos por volta das 6h30 e, por volta das 7h30, as crianças chegavam ao centro. Um facto interessante é que antes de se dirigirem às salas, os jovens juntavam-se numa sala e cantavam para agradecer mais um dia.


A seguir, íamos para as salas onde as ajudávamos a fazer os trabalhos de casa e os exercícios das disciplinas que tinham mais dificuldades. Após uma hora, tocava o sino e íamos matabichar (tomar o pequeno-almoço). De seguida, voltávamos para as salas e continuávamos a fazer os trabalhos.
Na hora de almoço, juntávamo-nos no refeitório. Antes de iniciarem a refeição, elas agradeciam a Deus pela comida que tinham no prato. Quando terminavam, iam brincar para o pátio. Música e dança estavam sempre presentes a toda a hora.

Voltávamo-nos a focar no estudo por volta das 13h30min. Depois das 15h, algumas crianças regressavam logo para casa, enquanto outras ficavam mais um pouco no centro para brincar.
Nos nossos tempos livres aproveitávamos para passear pela vila, íamos a casa de algumas crianças para conhecer os seus ambientes familiares e para lavar a roupa. Sim, aprendemos a lavar a roupa à mão! Aos fins de semana, como tínhamos um casal amigo moçambicano, eles levavam-nos para a cidade de Maputo. Na capital, aproveitámos para passear e conhecer um pouco mais a cultura moçambicana.
Quando fazemos uma retroespectativa, apercebemo-nos que todos os dias aprendíamos algo de novo. Apesar disso, partilhar com o outro foi a que prevaleceu durante toda a nossa missão. Aprendemos, também, a valorizar tudo o que tínhamos à frente, como por exemplo comida, roupa e oportunidades para aprender. Enquanto pessoas, achamos que somos mais compreensivas, pacientes, sabemos partilhar o que temos, mesmo que seja pouco, tornamo-nos mais abertas a novos desafios e com vontade de marcar a diferença na vida das pessoas.

Quando nos perguntam que dicas ou conselhos damos, dizemos sempre que tanto um como o outro variam de pessoa para pessoa. Mas, para nós, é importante as pessoas irem de mente aberta e sem expectativas. Recetividade e paciência também são fundamentais para te dares a conhecer e aprenderes a cultura e a realidade deles. Por fim, as pessoas que querem fazer voluntariado devem estar sempre prontas a ajudar e nunca esperem que vos digam o que fazer, façam por iniciativa própria.

Catarina, São Tomé e Príncipe 🇸🇹

Já voltei há 2 semanas de São Tomé e continuo sem palavras para esse mês tão especial! Julho, vais ficar para sempre na minha memória.

Comecei a tratar de tudo para embarcar nesta aventura em janeiro e desde o início que correu tudo bem! Todos da Para Onde? e da Kêlê foram super esclarecedores e ajudaram muito com todas as dúvidas e incertezas! Um obrigada nunca será suficiente às minhas queridas “mães” da Kêlê que assim que aterrei em São Tomé foram impecáveis e fizeram com que eu fizesse parte da família da roça Agostinho Neto e de Guadalupe.

Tivemos oportunidade de trabalhar com os miúdos quer na parte de apoio escolar, quer também em atividades extracurriculares e vê-los a brincar e a aprender deixa qualquer coração derretido!

Vou ficar para sempre agradecida pela oportunidade de ter vivido esta experiência, pelo quanto aprendi e pelo que sei que também lá deixei, por todos os amigos que fiz e pelo quanto cresci! Não houve um único momento em 31 dias que eu me sentisse triste, decepcionada ou cansada e a memória da felicidade constante é o que me alenta a alma até voltar!

Todas as atividades que preparamos com todos os miúdos, a forma como eles nos receberam e acolheram, as paisagens maravilhosas, o ritmo e as danças, as tardes e noites de convívio na roça, os sabores maravilhosos, as amizades que vão ficar, fizeram de São Tomé a minha Casa!

O regresso está para breve e sem dúvida que se é para voltar, é com a Kêlê, com a ajuda da Para Onde!

Carolina, Algarve 🇵🇹

O Campo de Voluntariado na Lura – “Aprender Naturalmente” foi para mim uma experiência que ficará para sempre guardada no meu coração. Para ser sincera, inicialmente poucas expectativas tinha criado para esta semana e dúvidas relativas ao meu futuro desempenho não faltavam, visto que até então nunca tinha lidado com crianças desta forma. Não sabia se me iria dar bem com as crianças, se elas iriam gostar de mim, se iria ser divertida, se iria
conseguir impor respeito… Enfim, quando entrei pelos portões da quinta, digamos que eram poucos os receios que tinha.

No entanto, estes receios foram desaparecendo nos primeiros dias e deram lugar a um entusiasmo puro pelo dia seguinte. Começávamos o dia, normalmente, por atividades mais direcionadas ao campo. Para o final da manhã, quando já estávamos extasiadas, era hora de ir para a piscina com as crianças. E que bem que sabia!


Comíamos sempre as refeições juntamente com elas, para ajudar no que fosse preciso e para dar o exemplo quando a sopa era menos apetitosa que o costume… A tarde era geralmente passada a fazer alguma atividade criativa com as crianças que as educadoras (a Sara e a Adriana) tinham definido previamente, seguida de muita brincadeira, lanche e
com o final do dia a acabar sempre muito fresquinho pela piscina! Estes dias felizes levaram-me a nutrir um carinho especial por todos os miúdos que só aumentava com o passar dos dias, a ter grande admiração pela Sara e pela sua forma de viver a vida, e a agradecer a maravilhosa equipa de voluntários da qual fazia parte!


Tanto o trabalho no campo como o cuidar das crianças não era pêra doce, no entanto o à vontade e a confiança que a Sara nos transmitia tornava tudo mais fácil. Digo com segurança que me senti como em casa durante esta semana. O maior desafio foi, sem dúvida, despedirmo-nos das crianças. Uma semana soube a pouco, saí com vontade de mais! “Aprender Naturalmente” e as pessoas que fizeram parte dele inspiraram-me! Se tinha entrado neste Campo cheia de receios, a saída foi feita com uma única certeza: a de que este não será o meu último contacto com voluntariado!

Inês, São Vicente 🇨🇻

Quando a Joana me pediu o testemunho da minha experiência em São Vicente, fiquei um pouco assustada porque não é fácil meter em palavras e num texto corrido tudo aquilo que vivi lá, tenho medo até de não me expressar bem. Eu embarquei nesta experiência numa altura da minha vida em que não me sentia bem comigo, e onde achei que precisava de sair por uns tempos, encontrar de novo a Inês que era, cheguei a São Vicente sem expetativas e sinceramente sem grande noção para onde ia.

Hoje São Vicente é família, quando me falavam de Cabo Verde sempre associavam a grandes praias, ao calor arrebatador, mas eu descobri que o melhor de Cabo Verde são as pessoas, a leveza e alegria de viver daquela gente é contagiante, por um momento eu esqueci a nossa pressa e ansiedade de viver e passei a aproveitar cada dia como se fosse o último, o amanhã é amanhã, vamos viver o hoje, e isso é de certo das melhores coisas que trouxe comigo.

Morabeza a palavra que não pode ser explicada é algo parecido com a nossa Saudade, algo que só pode ser sentido, um modo de vida, se é meu também é teu e se é teu é de todos nós, haverá sempre mais um lugar e caberá sempre mais alguém, algo parecido com a gentileza, mas muito mais forte, e eu sinto me uma sortuda por ter percebido o real significado desta palavra.

«Soncent ê special, ka tem ote igual»  já a Jenifer Solidade diz e tem toda a razão.

Mariana, Áustria 🇦🇹

Depois de um ano de confinamento senti mais que nunca a vontade de me aventurar e sair da minha zona de conforto.
Participar num voluntariado esteve sempre presente na minha lista de coisas a fazer. Quando li a descrição do campo de trabalho da escola Waldorf na Áustria tive imediatamente a ideia de que era a oportunidade perfeita. A junção de dois dos meus temas prediletos de estudo, a História e a Pedagogia levaram-me à candidatura.

Quando fui aceite não tinha noção da importância da experiência que estava prestes a viver. O grupo com quem partilhei três semanas de trabalho, estudo e risadas foi fundamental para que possa afirmar hoje que a decisão que tomei foi a certa. A partilha da cultura, valores e experiências inspirou-me e apenas conseguiu fazer crescer ainda mais a minha vontade de conhecer o mundo e ajudar a mudá-lo para melhor. Nos fins de semana pudemos explorar Viena e ainda alguns outros locais aconselhados pela comunidade local.
O trabalho que fizemos passou pela renovação e restauro de alguns locais da escola tal como alguma jardinagem. No fim ver alguns desses processos a chegar à sua conclusão e aperceber-me das efetivas melhorias concretizadas na condição da escola foi gratificante.

Hoje ficam as saudades de todos os envolvidos e do espaço tão agradável que é a escola Waldorf.

Ana Luiza, Santo Antão 🇨🇻

Ah Santo Antão!
A própria sonoridade da sua palavra já carrega muito amor.
E é desse amor que nosso coração sai completo.
É de uma tamanha intensidade que provavelmente palavras não saberiam explicar.
É onde o sorriso é leve, o olhar é doce e o coração é puro.
Onde a alegria de um pequeno sorriso pode mudar o seu dia.
Onde mora o amor e a magia.
Onde todo mundo te dá bom dia.
Onde pouco se tem e onde muito se dá.

Em Santo Antão, a sua companhia é suficiente; a sua presença faz nascer um sorriso; e o seu abraço é super concorrido.
É onde se sente verdadeiramente o tempo, as horas e os minutos.
É onde se conhece um novo amor, uma nova família e uma nova casa.
É onde te mostra um pouco mais de amor pelas pequenas coisas.

O voluntariado me ensinou a olhar para os mais pequenos detalhes.
Olhar para o lado, olhar para dentro, e principalmente olhar nos olhos.
Provavelmente, Santo Antão também me ensinou a amar.
Amar a sabedoria dos idosos; a pureza das crianças; e a resiliência dos adultos.
Além de me ensinar a amar meu caminho, meu passado e meu futuro.
E me mostrar que é desse amor que se gera frutos.
É desse amor que se constrói sem muros.
É desse amor que se vai longe.
E muito longe.

Obrigada Santo Antão.
Obrigada por fazer parte da minha história.
Obrigada por me fazer amar o tempo.
Obrigada por me ensinar a sorrir com os olhos.
E, principalmente, obrigada por me fazer mais forte.

Ana Luiza Motta

Vanessa, Santo Antão 🇨🇻

Não é fácil colocar em palavras toda esta experiência em Santo Antão, todas as pessoas, todos os momentos, todas as lições. Fui incrivelmente bem recebida em Porto Novo, pelos coordenadores do projeto, pelas pessoas locais, com toda a simplicidade e alegria que são mais que suficientes para o dia-a-dia.

O tempo corre de forma diferente, as preocupações são outras, e a felicidade está estampada no rosto de um idoso só porque chegamos ou de um miúdo quando brincamos com um simples tubo de bolas de sabão ou umas tintas.

Claro que é duro quando se para e pensa na realidade e condições, e acontecia-me sobretudo com as crianças e quando via o material escolar delas, para mim era aquele momento. Mas sabia que não dá para resolver os problemas do mundo, dá sim para fazer uma pequeníssima diferença no mundo delas naquele dia ou naquele momento, e era para isso que lá estava.

Não tenho dúvidas que foi a experiência de uma vida, que levo cada um deles comigo, e espero conseguir ser melhor. Tenho a certeza que a mim me deram imenso.

Sodede é uma das palavras que trago comigo