Ana Margarida, Guiné (Norte) 🇬🇼

Oohh São Domingos sabi!

2019 desenrolou-se um ano de carreira particularmente desagradável, até surgir a oportunidade certa para me inscrever num programa de voluntariado que há tanto tempo desejava fazer. A Guiné era um país que queria conhecer há algum tempo e quando vi que a “Para Onde” tinha programas para este país, não pesquisei mais nada.

Apesar de já ter uma experiência alargada de viagens a África, nunca tinha feito voluntariado internacional nem sabia muito bem como seria todo este processo. No fundo, sabia que queria ajudar no que fosse preciso mas não fazia ideia no que me estava a meter.

Quando me contactaram e me disseram que tinham vagas abertas para São Domingos ainda em 2019, não hesitei e o meu “SIM” foi imediato.

Quando recebi o email a dizer “aceite” fiquei tão feliz que ao mesmo tempo não sabia o que fazer. Comecei a questionar-me que atividades poderia eu fazer, como é que iriam ser as aulas quando a minha área nem sequer é educação, como é que eu iria ter imaginação para um mês inteiro com crianças, como é que eu iria ser recebida, etc. Um turbilhão de questões, pensamentos e sentimentos sem resposta.

Na chegada à Guiné tudo isso se desvaneceu. Foi tão fácil e natural lidar com tudo e com todos logo no primeiro dia em Bissau que não existem palavras suficientes para descrever.

Quando cheguei a São Domingos toda a gente me olhava a pensar o que estaria eu ali a fazer. Fui sendo apresentada e conhecendo tanta gente que em poucos dias toda a gente sabia o meu nome, todos me cumprimentavam e se metiam comigo por onde eu passasse. Fazíamos paródias na rua que punham outros tantos a olhar e a rir.

O povo guineense é sem dúvida dos povos mais amáveis e prestáveis que alguma vez conheci.

Na escola, todos os dias de manhã brincávamos no recreio e aprendíamos nas aulas, eu com eles e eles comigo.

Da parte da tarde tínhamos as aulas de apoio que eram muito importantes, não só para reforçar a aprendizagem dos alunos como para existir uma maior interação entre estas crianças, em vez de estarem em casa.

Foram dias muito cansativos e de desafios difíceis, principalmente pela falta de meios existentes no país. Mas no fim, é tão gratificante sentir que todos eles querem aprender connosco e que ensinamos alguma coisa que, por muito pouco que pareça, faz uma diferença enorme em todos eles.

Ensinei a escrever letras corretamente, ensinei jogos e músicas, fizemos desporto, desenvolvemos ações de limpeza na escola que sei que todas estas pequenas coisas ficaram com eles e que de alguma forma não se esquecerão de mim.

Muito me ensinaram estas crianças, estes professores, este povo! Um ensinamento que estará comigo para a vida.

A Guiné tornou-se uma segunda casa que vou continuar a visitar e a ajudar. São mais que amigos, são a minha família guineense. Só quem vai entende!

Guiné nha terra!

Rita, Santo Antão 🇨🇻

O novo ano ainda agora começou e não posso deixar passar em branco aquilo que foi o melhor do meu 2019. Já passaram 5 meses desde a minha experiência em Santo Antão e não há um único dia em que não pense naquelas pessoas e em tudo o que vivi.

Ir foi a melhor coisa que fiz na vida. O meu sonho de há tantos anos foi realizado em julho e escrevi o meu testemunho com atraso porque tenho tentado arranjar palavras para descrever tudo aquilo que senti e simplesmente não consigo, nem dá.

Em Santo Antão tive o melhor dos dois mundos: o voluntariado foi, sem dúvida, aquele que mais me encheu o coração, mas fico ainda mais feliz por saber que aproveitei cada minuto do meu tempo livre para passear e conhecer a ilha.

Uma das perguntas que mais me fizeram após voltar foi “Não te meteu impressão ver tanta pobreza?”. Não, na verdade eu não consegui ter pena nenhuma porque as pessoas lá são tão felizes com aquilo que têm. Aquelas pessoas levam a vida com uma simplicidade brutal, aproveitando tudo e mais alguma coisa para sorrir.

Os dias, apesar de nem todos terem sido fáceis, tinham sempre momentos que nos faziam sentir por inteiro: começávamos todas as manhãs pelo Centro de Dia do Alto de São Tomé, onde os idosos dançavam, faziam ginástica, pintavam, faziam pulseiras; por vezes íamos realizar depois atividades com as crianças do ICCA (Instituto Cabo-Verdiano de Apoio à Criança e Adolescente), que eram mais difíceis de conquistar mas que tinham uma mente muito aberta; e as tardes eram passadas no Espaço Jovem, onde parecia que tudo era possível.

A minha maior surpresa foram os idosos. Eu achava que só iriamos estar com eles uma ou duas vezes por semana, mas acabámos por estar todas as manhãs… e tão bom que foi. Eu nunca tinha visto aquela força de viver em lado nenhum. Eles fazem tudo e têm tanto gosto por aprender que não há explicação. Relembro-me bem de como era acordar e sentir aqueles abraços apertadinhos cheios de “Dormiram bem?”, “Os mosquitos picaram muito durante a noite?” assim que chegávamos ao pé deles.

Das coisas que me fazem mais falta é o barulho das crianças na rua, o estar em casa e ouvi-los a brincar, sabendo que a qualquer momento podem tocar à campainha ou gritar por nós à janela.

Avisam-nos desde cedo de que não vale a pena irmos para lá a achar que “vamos mudar o mundo” porque isso é impossível, e é mesmo, mas compensa tanto saber que lhes proporcionámos momentos que farão diferença na vida deles. No entanto, há outra coisa inegável: nós recebemos muito mais do que aquilo que damos. Aprendemos a relativizar os problemas, a viver com calma, a agradecer por tudo o que temos e a não termos imensas expectativas… tudo é melhor porque assim não há como desiludir.

É importante referir que o apoio da coordenadora, a Matilde, e da Para Onde foram essenciais para que tudo corresse bem e digo isto para nada temerem, caso estejam interessados em ir, mas com receio de alguma coisa. Antes, durante e após a viagem tivemos sempre a oportunidade de falar acerca do que achávamos estar certo e errado e todos se mostravam muito atenciosos.

Por fim, há histórias naquela ilha que nunca irei esquecer, momentos que vou continuar a sentir como se tivessem sido hoje e pessoas que nunca irão sair do meu coração. As despedidas, apesar de difíceis, foram despedidas felizes. Felizes e com a certeza de que um dia voltarei. É impossível não ser feliz ali.

Com muita sodade

Rita, São Tomé 🇸🇹

São Tomé… São Tomé sempre foi um destino que pretendia visitar e desde cedo que idealizei fazer voluntariado neste país. A minha inscrição foi inesperada e repentina. Num momento era apenas um sonho longe e difícil de ser alcançado, no momento seguinte estava a tornar-se real. Foram dois meses, dois meses muito intensos, com as condições a que não estamos habituados, muito calor e um desgaste físico e psicológico muito grande. No início não sabia se conseguiria aguentar, mas rapidamente mudei de ideias. Rapidamente percebi que nada disto importava quando olhava para aquelas crianças e percebia que tudo valia a pena. A minha experiência foi na fundação Novo Futuro onde, neste momento, vivem 14 crianças entre os 7 e os 17 anos. Além destas crianças e jovens, 5 crianças externas passam grande parte do dia na mesma.

De manhã estão apenas os dois mais velhos e as duas mais novas. É o momento de tirar dúvidas nos trabalhos de casa e ajudar no que é preciso.

Da parte da tarde, chegam os restantes e para além dos trabalhos de casa, ajudávamos no que fosse necessário, fazíamos atividades e aprendíamos muito uns com os outros. Os fins de semana, eram passados a fazer traquinices, a desenvolver atividades e a brincar. Os domingos (que saudades destes domingos) eram dia de praia, com chuva ou com sol, pois o sítio assim permite e porque é uma das coisas que mais gostam.

Foram dois meses que nunca serão esquecidos. Aprendi a ser melhor, a tentar fazer melhor e não esperar nada em troca, aprendi que somos uns privilegiados e que os nossos valores e prioridades andam um bocadinho trocados, aprendi que as coisas simples e inesperadas são as melhores e que ter planos é o pior dos planos. Aprendi que a vida vale muito a pena e que há tanto para aprender com aquelas crianças. Fiz amigos incríveis e conheci pessoas que merecem o melhor do mundo. Tenho saudades todos os dias, todos sem exceção. Saudades de acordar com a música alta, de ser “trançada”, de ouvir aquelas gargalhadas, dos abraços apertados, saudades da beleza daquele sítio e simplicidade daquelas pessoas.

A quem está com um pequeno bichinho para fazer voluntariado, aconselho a arriscar. Foi a melhor experiência que vivi e vale a pena, vale tanto a pena…

Catarina, São Tomé 🇸🇹

Passaram precisamente três semanas desde que voltei daquele pedaço mágico de Terra. É difícil descrever uma experiência que me marcou tanto como foi o caso desta. As palavras não parecem suficientes e parecem nunca descrever na totalidade os sentimentos e sensações associadas aos momentos que passamos juntos.

Continua a ser estranho acordar sem as músicas preferidas delas no volume máximo, sem o calor desta ilha tão verde e maravilhosa, sem abrir a janela e poder vê-los, cheios de energia, super preparados para um novo dia ou simplesmente sentir aquela casinha azul silenciosa (algo raro) e observar as meninas mais velhas a cuidar das suas roupas e das roupas dos mais pequenos, ver o espírito diário de entreajuda.

Os dias passam e as saudades apertam. Saudades das coisas mais simples, dos abraços de manhã, à tarde, à noite, ao chegar a casa, ao sair de casa…dos beijinhos, de me despedir com o “xaué” e de começar o dia com o “quero tranxá oxê”. De quando batiam à porta mil vezes só para dizer olá, fazer uma serenata ou só mesmo para conversar. Das descobertas, das brincadeiras, até do compasso de espera que precedia as horas de estudo e de quando ficavam rabugentos . De dizermos coisas sem sentido, dos passeios, das manhãs no mar, dos risos e dos desabafos, de os ter por perto!

Tentei aterrar neste país pelo qual já estava apaixonada, com a mente limpa, sem preocupações, sem expectativas. Mal pus um pé naquela que ia ser a nossa casa percebi de imediato a intensidade da experiência que me esperava. Apesar de já conhecer um pouco o país, a cultura, alguma da sua história e de saber as suas fragilidades, percebi naquele momento que não conhecia nada e mais do que isso, fui percebendo ao longo dos dias que ainda me estava a conhecer e quão incrível é a capacidade que o ser humano tem de se superar, de se adaptar e de se transformar e que é um processo que pode durar a vida toda.

Viver dois meses tão perto de quem dá valor a tão pouco mudou-me. Não se volta a ser a mesma pessoa. A vida sim, volta à normalidade. Voltei ao conforto, aos pequenos luxos, aos dias frenéticos , às distrações e afazeres diários mas um bocadinho de mim ficou lá em cada um deles e eles vieram todos comigo. Cada um com a sua personalidade, história de vida, com o seu carácter, com as suas inseguranças e medos e com os seus sonhos, mesmo que escondidos. Era nesse ponto que nos encontrávamos . Sabíamos que por mais passageira que fosse a minha estadia ali, por mais que não conseguíssemos expressar tudo o que queríamos, ou que nos irritássemos às vezes, o laço que nos unia mantinha-se forte. Estava lá sempre para eles, estavam lá sempre para mim! E tantas são as histórias que temos para contar! Espero ter deixado lá amor, afeto, espero que tenham percebido que nada é impossível, que se se esforçarem realmente podem ser o que quiserem, espero que continuem a plantar fora e dentro deles mesmos, bons sentimentos, de amizade, de respeito pela natureza e pelos animais, de honestidade e que confiem uns nos outros e neles próprios.

Não há um dia que não pense neles, não há um dia que não me lembre daqueles olhares brilhantes e sinceros e dos gestos simples de quem partilha o pouco que tem e que é tanto! Não há um único dia que não pense em São Tomé. Estarei para sempre grata por esta experiência e por tudo o que me ensinou.

Ana, Zanzibar 🇹🇿

Fecho 2019 com chave-d’ouro: regresso de Zanzibar com o coração maior e absolutamente rendida à comunidade de Maungani, aos voluntários locais, às crianças, ao tempo que corre e não passa, à intensidade com que nos entregamos. Durante 3 semanas fui a Ana do mangrove, a Ana que atravessava a estrada movimentada para ir à loja da frente, a Madam Ana que ensinava inglês, a Ana que lavava a roupa e a loiça no alguidar comum, a Ana que comia small-mango embrenhada no mato, a Ana que gritava kila kitu fresh quando ouvia o seu nome exultado pelas crianças, sereno na voz das mulheres ou cúmplice no sorriso dos companheiros. Fui a Ana no seu estado mais puro e livre. Que experiência transformadora e inesquecível, asante sana!

Madalena, Santo Antão 🇨🇻

Ainda agora era um sonho e agora está cumprido. É cliché, mas é também a mais pura das verdades, eu já não sou quem era antes de pôr os pés, a cabeça, o corpo todo, a alma e o coração em Santo  Antão.  Agora sou também a voluntária Madalena.

Circunstâncias da vida fizeram comprometer-me comigo mesma a não deixar para mais tarde o que podemos fazer já e resolvi arregaçar as mangas e contactar a Para Onde, onde me perdia sempre a ver  testemunhos e imagens de pessoas a fazer aquilo que eu queria fazer e nunca tinha “tempo”. Foi das melhores decisões que já tomei na vida, acho que o Universo se alinhou para me pôr em Santo Antão (não foi a minha primeira escolha), com estes colegas voluntários, com estes projectos, com estas pessoas com quem me cruzei.

No Espaço Jovem as crianças fazem-nos acreditar  que podemos fazer alguma diferença nas suas vidas, orientando, ajudando sem nunca interromper o percurso natural que terão que fazer . Os jogos, os debates, as discussões, as artes, a educação tudo me ficou preso na memória, mas os abraços…  ai os abraços, são o que nunca esquecerei, ficarão para sempre no meu coração.

No Centro de Dia somos acolhidos todas as manhãs como se fossemos da família, há beijos, risos, gargalhadas, anedotas, jogos, música, dança, bocas, conversas profundas, leituras com emoção e abraços quentes e fortes, sentidos; sempre os abraços.

Tudo o que pedem em troca é que não nos esqueçamos deles quando voltarmos para casa.

O projeto de ensino de crochet que levamos às crianças e aos idosos e que,  tanto eles como nós voluntários adoramos realizar são a prova que a idade é só um número, começando por mim que fui a 1ª voluntária avó em Santo Antão.

O projeto da Árvore dos Sonhos  foi avassalador para todos os voluntários,  todos nos emocionámos nalgum momento; o que seriam “só” umas fitinhas para pendurar numa árvore, cresceu  e  todos quiseram  escrever os seus sonhos e desejos nas fitas: voluntários, funcionários, responsáveis, crianças, jovens e idosos, todos. E os sonhos? Tão lindos, uns tão fáceis de alcançar, outros quase impossíveis, uns leves e alegres e outros tão pesados e dolorosos.

Santo Antão foi a minha 1ª vez no voluntariado e deu-me tudo o que eu esperava e mais ainda; deu-me  sol, mar, terra, verde, pessoas, conexão, alegria e amor, muito, muito amor.

Márcia, Guiné-Bissau 🇬🇼

Como explicar os dois meses mais incríveis da minha vida? Lembro-me que na semana antes de ir, só pensava que não estava preparada, não queria ir. Mal sabia eu que me estava a preparar para a melhor e mais difícil aventura da minha vida.

É uma realidade completamente diferente da que sempre vivi e isso é que fez com que esta experiência fosse tão rica e muito melhor do que sempre imaginei.

A primeira semana na Guiné foi sem dúvida a mais complicada, tudo era estranho. Muito calor, condições difíceis, mas temos sempre pessoas que nos ajudam na adaptação.

Durante a manhã estávamos na escola, a acompanhar as turmas da primária. Trabalhar na escola é complicado, são turmas com imensos alunos e por vezes as crianças são difíceis de controlar. No entanto era sempre tão gratificante quando percebíamos que eles aprendiam qualquer coisa de novo connosco. Ali, valorizam a presença dos voluntários e o intuito da nossa missão.

À tarde, estávamos com os miúdos do bairro a brincar com eles. Jogamos à bola, ao jogo do lencinho, à macaca, corridas com sacos, cantávamos, tudo o que os miúdos quisessem fazer. E sentia-me sempre tão bem com eles, sentia que estava em casa, que ali era o lugar certo para estar.

Apesar das condições em que vivem, das dificuldades que passam, o povo guineense, e em especial as pessoas do Bairro Militar, estavam sempre com um sorriso na cara, sempre prontos a ajudar-nos no que precisássemos. É um povo generoso, se for preciso partilham o que têm connosco e isto foi das coisas que mais me marcou na Guiné.

Ouvir coisas como “a Márcia agora é guineense” deixavam-me tão feliz, fazia-me sentir que o meu propósito na Guiné estava a ser cumprido, as pessoas do bairro onde vivi já me consideravam como uma deles. Porque era mesmo assim que eu me sentia. Passar na rua do bairro onde estávamos a viver e toda a gente nos cumprimentar, toda a gente saber o nosso nome, faz-nos sentir que estamos em casa, que pertencemos ali.

Passei dois meses na Guiné-Bissau com o intuito de ajudar no que fosse preciso, mas sinto que de certa forma foi a Guiné que me ajudou. Fiz novos amigos, saí da minha zona de conforto, superei os desafios que me foram apresentados, conheci este país incrível, com pessoas ainda mais incríveis, e tão bom que foi!

Fui embora, mas com a certeza de que vou voltar. A Guiné é a minha casa também e as pessoas que me acolheram no bairro são família.

Milene, Santo Antão 🇨🇻

Posso dizer que 2019 foi o ano! O ano em que realizei o sonho de prestar voluntariado internacional. Inicialmente ninguém acreditava que a “menina” era capaz de partir assim, sozinha, acho que nem eu mesma acreditava ser capaz. Superei-me, entrei nesta aventura e sem dúvida foi a melhor decisão da minha vida!

Foram 3 semanas intensas, que me marcaram de uma maneira inexplicável, é algo que só quem vive uma experiência destas consegue sentir e compreender.

Escrever este testemunho é estar com as lágrimas nos olhos e o coração apertadinho de tanta Sodade daquela Terra Sab, dos idosos, das crianças, das cartas de amor logo pela manhã, da música, da dança, do crioulo, da praia, das paisagens, dos finais de dia todos abraçados a ir para casa, das noites na rua a dançar feitos loucos…

No dia de chegada a Santo Antão fui logo conhecer o Espaço Jovem e posso dizer que foi amor à primeira vista o que senti por aquelas crianças que me vieram logo abraçar e encher de beijos, mesmo sem me conhecerem, ainda me arrepio ao recordar este momento fantástico, todas as dúvidas que tinha desapareceram e percebi que a partir dali só podiam acontecer coisas boas.

Desenvolvemos diversas atividades tanto no Centro de Dia como no Espaço Jovem, no entanto eu parti para Porto Novo com um projeto pessoal a desenvolver, dar aulas de Ballet à comunidade. Dançávamos com sapatilhas de dança, chinela ou até mesmo pé descalço, mas sempre ouvi dizer que o importante é fazer o que se gosta, e como eu gostei de desenvolver este projeto… o entusiasmo em aprender e toda a felicidade no espetáculo final, deram-me a certeza de objetivo cumprido.

Com esta experiência aprendi a viver devagarinho, a relativizar os problemas, a agradecer mais por tudo o que tenho. Aquelas gentes são tão mais ricas e fortes que nós, mesmo perante todas as adversidades têm sempre um sorriso no rosto, um abraço amigo, uma palavra a dar, sem esperar nada em troca, são felizes com pouco e pobres de nós que nem sabemos a sorte que temos.

No dia da despedida o Alay e a Sandji ofereceram-me um livro deles, “O Principezinho” que fala de amor e de que o essencial é invisível aos olhos; é muito isso que o voluntariado nos transmite, com pouco se faz muito e que “Juntos é melhor”, não são bens materiais que nos definem ou nos tornam melhores, mas sim o amor que depositamos em cada coisa que fazemos.

É tão simples ser feliz naquele lugar mágico, uma parte de mim ficou com cada um daqueles que me cruzei, mas vim de coração cheio e mais rica por tudo o que vivi. Queria que todas as pessoas sentissem o que eu senti… por isso se sentes, não hesites! 

Lua, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Embarquei nesta viagem às escuras e voltei cheia de luz. Na verdade, não existem palavras que consigam descrever tudo o que vivi em Arraial d’Ajuda.

Passei o meu dia de aniversário em viagem para poder chegar ao destino, que posso dizer, com toda a certeza, que marcou a minha vida.

Arraial é uma pequena vila cheia de energia. As pessoas são simpáticas, há felicidade em todos os cantos e tudo isto é contagiante. Eu fiquei um mês, que passou a correr, mas, ao mesmo tempo, com tudo o que lá vivi, pareceu uma vida inteira. Sinto que saí de lá com uma família.

A Associação Filhos do Céu acolheu-me com o maior carinho possível. Eu fiquei com a turma da manhã e da tarde dos 4 aos 6 anos, porque a professora estava de férias, mas há muitas outras turmas desde a creche até às oficinas dos adolescentes. Na sala de aula, normalmente, as crianças começavam por realizar uma atividade e depois podiam brincar à vontade.  Todos os dias acontecia algo diferente, sempre atividades a acontecer, passeios, aulas especiais, etc. Nem sempre é fácil lidar com crianças, mas todos os dias eu saía da associação com um sorriso na cara. Aquelas crianças cheias de energia deram-me muito, talvez até mais do que eu lhes dei e, por isso, estou-lhes eternamente grata.

Antes de entrar nesta aventura, li bastantes testemunhos e não conseguia compreender bem a típica frase “voltei com o coração cheio”. Para mim, era apenas algo que toda a gente dizia, mas agora sei que é um sentimento muito específico. Para o poderem sentir, aconselho que saiam da vossa zona de conforto, é espetacular.

Posso dizer que chorei quando cheguei a Portugal e que todos os dias sinto um aperto no coração. Foi uma experiência mais que incrível.

Obrigada a todas as pessoas que contribuíram para que esta viagem tivesse sido tão emocionante e obrigada à Para Onde? por proporcionar estas oportunidades únicas!

Daniela, Santo Antão 🇨🇻

Não é fácil transmitir por palavras, sentimentos e emoções que são quase inexplicáveis e que foram vividos nesta experiência tão enriquecedora e gratificante. Saí de Santo Antão, mas Santo Antão não saiu de mim. Levo muito desse lugar especial, feito de pessoas fantásticas e beleza natural, mas também espero ter deixado lá um pouco de mim.
É o que acontece quando um lugar especial se torna parte de nós…

O tempo passa sempre demasiado depressa e as duas semanas que estive em Porto Novo voaram! O trabalho desenvolvido no espaço jovem com as crianças e adolescentes é desafiante e de grande importância para a comunidade desta faixa etária. Neste lugar são realizadas diversas atividades que visam contribuir para a formação de bons cidadãos e jovens mais conscientes, bem como atividades que proporcionam desafogo de dificuldades emocionais e sentimentos agressivos, fortalecendo sentimentos positivos.

Por outro lado, o trabalho no centro de dia com os idosos é igualmente gratificante, impossível de não gostar e de não esperar ansiosamente por lhes dar os bons dias, todas as manhãs. As dinâmicas desenvolvidas abrangem várias áreas, desde o estímulo físico (dança, ginástica, etc.) ao intelectual/emocional (memória, concentração, meditação, sentimentos, etc.). Na verdade, é importante proporcionar momentos de convivência, lazer e alegria, pois estas pessoas ainda estão cheias de vida e têm muito que viver e divertir-se… “a vida é p’ra viver”… 

O meu coração já está apertadinho por esta maravilhosa experiência chegar ao fim mas, em simultâneo, está mais rico e grato por tudo o que vivi, senti, ensinei e aprendi! OBRIGADA a todos os que fizeram parte desta aventura. Que a alegria de ser, de existir, de viver, seja sempre o melhor caminho!