Diogo, Santo Antão 🇨🇻

O meu sonho começou a 1 de setembro de 2021….

Aqui sorri, aqui fui feliz, aqui senti amor, aqui senti a vida, aqui fui grato, aqui aprendi a ser pessoa, aqui aprendi apreciar o tempo, aqui cultivei Esperança.

Sintonton minha terra, minha casa, minha terra de soded. Grato por ter sido tão bem acolhido por aquela boa gente, ficam as memórias, os sorrisos gravadas na mente. Sintonton viverás eternamente na minha memória, até que eu seja pó e ir com o vento.

“ Vive e passa séb é nos lema
Na alegria e harmonia
Assim no tá vive”

Leonor, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

Quase um mês depois de ter chegado de uma das maiores aventuras da minha vida, ainda não consigo exprimir em palavras tudo o que senti e vivi em São Tomé. Foi no meio da pandemia que decidi embarcar nessa aventura, e digo com todas certezas, que voltaria a fazê-lo.
Foi um mês muito intenso no país do Leve-Leve, onde só havia espaço para sorrisos e abraços, mãos dadas e “doce doce”. A simplicidade de quem pouco tem, e a grandeza que transportam no coração, emocionam quem passa por lá. Nunca vão haver palavras suficientes para transmitirem o que vi, o que vivi, e o que senti.

Ajudamos e demos apoio escolar a crianças e jovens de Guadalupe, mas fui eu quem mais aprendi, pois levarei ensinamentos e lições de vida comigo para sempre. O dia-a-dia era cheio de animação e gargalhadas, as crianças preenchem a alma de qualquer um. Houveram muitos momentos bons e muitas aventuras, a bondade do povo, a magia de São Tomé, a vontade de levar em frente todos os ensinamentos que nos dão e o apoio dos outros voluntários, fizeram qualquer desafio ser superado da forma mais leve possível.

Houve muito amor, muitos abraços, muitas contas de matemática, muitas brincadeiras, muito peixe com arroz, muita papaia diretamente da árvore e muita banana (principalmente “Pala Pala”).

Na terra dos cabelos trançados, agradeço cada boleia que apanhei, cada fruta que recebi, cada sorriso e abraço que retribui, cada cantoria e brincadeira, cada mergulho no mar quente, cada pessoa que conheci e agradeço, principalmente, a tudo que aprendi!
Valeu cada minuto e as saudades já apertam!

Vou acabar como comecei: é difícil expressar em palavras tudo o que vivenciei no país do Leve-Leve. Até já 🇸🇹

Com amor,
Leonor

Joana, Peru 🇵🇪

Há mais de 10 anos que queria fazer voluntariado. Há mais de 10 anos que queria fazer voluntariado com crianças. Por razões e desculpas que não interessam para este testemunho, esse sonho foi sendo adiado. Até 2021. Em março decidi que ia embarcar nesta aventura. Talvez por obra do destino, vi uma story da Para Onde? sobre este projeto no Peru e naquele segundo senti que era ali que tinha de estar. Não há uma explicação lógica, mas a minha intuição disse-me que era este o caminho que devia seguir. Desde aí foi um passo até me organizar, contactar a Para Onde? e no final de setembro estava a partir para a América Latina.

Nunca duvidei que esta experiência ia ser das mais bonitas e enriquecedoras da minha vida, mas nunca imaginei o amor e felicidade que ia sentir todos os dias, nunca! Desde o primeiro dia que me senti em casa e quando alguém me perguntava: “Como está a correr, como estás?”, só conseguia dizer: “Estou tão feliz!”. E estava mesmo, porque estava rodeada de amor puro e almas bonitas. O projeto foi criado por um casal peruano em 2013 e desde aí que se dedicam a apoiar crianças e famílias desfavorecidas que vivem num dos bairros mais pobres da América Latina. A ONG tem uma escola onde as crianças e jovens podem receber a educação e apoio que lhes falta por parte do governo. Mas muito mais do que uma escola, Hilo Rojo é uma família, que se cuida e protege incondicionalmente.

Os meus meninos são os maiores e dão os melhores abraços do mundo! Aprendi tanto com eles. Aprendi a valorizar as coisas simples da vida e o que realmente importa. Tudo o resto é secundário. Aprendi a ter mais paciência, a acreditar mais em mim e a perceber a sorte que tenho de me ter cruzado com pessoas tão especiais, que são a minha nova família. Às minhas companheiras de aventura, obrigada de coração por todo o vosso apoio, carinho e partilha. Por todos os sorrisos e lágrimas, pela vossa entrega e dedicação. Não teria sido o mesmo sem vocês, só juntas faria sentido.

Ser voluntário é dar, mas é receber mais. Não há nada que pague o sorriso de uma criança simplesmente por ter alguém que lhes dá atenção e carinho. Alguém que está presente. E é só isso que podemos fazer, dar o nosso melhor, ouvi-los e respeitá-los. E no final do dia, a sorte grande sai-nos a nós!
Quero que mais pessoas vivam a experiência de amor e partilha que eu tive a sorte de viver em Trujillo na Hilo Rojo, por isso olhem para estes sorrisos e digam-me que não querem ir já no próximo avião? 
Não esperem 10 anos como eu e sigam os vossos sonhos! É tão bom 🙂  E eles precisam tanto de nós! ❤️

Joana, Islândia 🇮🇸

A minha experiência no projeto de voluntariado na Islândia é um exemplo de como um campo de curta duração pode ser tão marcante, diversificado e dinâmico.
O projeto em que me inscrevi entusiasticamente teve a duração de 10 dias, que souberam a pouco, mas que me trouxeram tanto!
Logo na primeira noite, as fugidias e mágicas auroras boreais presentearam-nos com uma festa de boas vindas com um céu pintado de várias cores a parecer uma tela criada pelos melhores artistas.

Este foi o incentivo perfeito para tudo o que viria a vivenciar nesta terra fria que me deixou com o coração quente, pelas suas paisagens infinitas, belas, áridas, vulcânicas e tão camaleónicas, dependendo do clima nesse dia. Pode estar ventoso, sol, a nevar, a chover e às vezes termos tudo isso no mesmo dia!

A Islândia é uma caixinha de surpresas! E que melhor país para aprendermos e partilharmos também uma maior e mais ativa consciência ambiental e ecológica? E aliar essa vertente ao aprofundamento dos nossos conhecimentos em fotografia?
Foi a junção perfeita de Fotografia e Preocupação Ambiental num país que abarca e retrata tão bem ambos os campos! De destacar a solidária campanha da “Family Aids” em que separamos e distribuímos cabazes com alimentos para famílias desfavorecidas.

De louvar também os vários workshops de fotografia que realizamos, com exercícios práticos e em paisagens já de si tão fotogénicas.

Certa de que repetiria esta enriquecedora experiência, espero que este testemunho vos incentive a abarcar em novas aventuras, com novos estímulos, a se ser melhor cidadão e pessoas mais tolerantes, com maior consciência ambiental e multicultural!

E agora quando me perguntam “Para Onde?”, após estes inesquecíveis dias, de imediato responderei – “Para Onde?” não sei, mas seguramente será com a “Para Onde?”.

Como me escreveu uma das camp leaders “Good things come to people who wait, but better things come to those who go out and get them!”

Mafalda, Guatemala 🇬🇹

Em setembro de 2021 cumpri um sonho antigo e fui em missão de voluntariado médico na Guatemala, graças à “ParaOnde?”. A ONG que me acolheu chama-se Health and Help e tem duas clínicas: uma na Guatemala e outra na Nicarágua. Fui durante um mês para a clínica da Guatemala. Lá, as acomodações são adjacentes à clínica, pelo que se torna muito prático pois as deslocações são mínimas.

A clínica localiza-se numa zona rural, no meio da montanha, onde não há estradas alcatroadas e a cidade mais próxima é Momostenango. Daí, há que apanhar um género de táxi 4×4 para chegar às instalações. A população residente no local, está assim, deslocada dos centros urbanos, sendo mais difícil o acesso às estruturas de saúde. Nesse sentido, a existência da clínica naquela localização faz a diferença para dezenas de pessoas diariamente. 

Durante a maioria do tempo que estive na clínica, a equipa era eu com mais duas colegas médicas: de nacionalidade argentina – que tinha acabado a faculdade de medicina há poucos meses -, e russa – que estava no 1º ano do internato de infecciologia. Estas colegas estavam na clínica há 3 meses e foi mesmo importante terem-me acolhido tão bem e explicado tudo sobre as particularidade do trabalho no local. A restante equipa era constituída por 4 enfermeiros: o Bruno, a Mariana, a Beatriz (enfermeiros portugueses) e o José (técnico de enfermagem guatemalteco). A coordenadora da clínica e a administrativa eram ambas russas. A equipa foi sempre muito unida, com um forte espírito de entre-ajuda. Cabia a uma pessoa por dia a confeção das refeições e a outra pessoa a lavagem da loiça. As tarefas domésticas eram repartidas por todos e uma vez por semana íamos ao mercado comprar comida, sempre vegetariana. 

Um dia normal na clínica consistia em: pelas 7h30 tomávamos o pequeno-almoço que era bem reforçado, para dar energia para uma manhã de trabalho. Variava entre papas de aveia, frijoles, pão e ovos, com algumas variantes dependendo da apetência culinária dos voluntários. Às 8h abria a clínica, os enfermeiros entregavam as senhas por ordem de chegada e faziam a triagem, questionando os sintomas e registando os sinais vitais. Nós, médicas, atendíamos os doentes por ordem de triagem. Os exames de diagnóstico eram escassos, pelo que a história clínica e a anamnese eram as nossas principais armas diagnósticas. Tínhamos suficiente medicação disponível, pois todos os voluntários levam 16 quilos de medicação necessária, a pedido da ONG. Por volta das 12h almoçávamos em equipa. Às 13h retomávamos os atendimentos, até às 16h. Fora desse horário só se atendiam urgências. O resto da tarde dedicavamo-nos a fazer algo que fosse necessário pela clínica (bricolage, limpezas, organizar medicação…) e por duas vezes organizámos atividades de promoção para a saúde: uma palestra sobre sexualidade com adolescentes de uma escola e uma atividade de primeiros socorros dirigida ao staff de uma piscina da comunidade.

Pelas 19h jantávamos e ao serão privilegiávamos o convívio. Os momentos das refeições e de convívio foram marcantes pela partilha de experiências entre todos, o apoio que dávamos uns aos outros ao discutir casos que nos tinham marcado mais. Houve muitos casos que me marcaram, mas o que mais me marcou foi o pequeno Brandon, de 6 anos, que foi trazido a meio da noite pelos pais porque tinha caído e fez uma ferida grande na testa. Suturei, com a ajuda da Beatriz, e o menino, apesar de assustado, manteve-se sempre imóvel e muito colaborante. A coragem do Brandon tocou-me muito. Reparámos que ele tinha uma postura assimétrica e observei a escoliose mais grave que vi em toda a minha vida profissional. Os pais disseram que o menino tinha sido seguido em pediatria num médico privado mas que lhe tinha sido dada alta com a indicação de que para se curar deveria ser operado nos Estados Unidos e os pais recusaram pois não tinham capacidade económica para tal. Senti-me determinada em ajudar o menino e tentei mobilizar recursos, junto com a Beatriz e restantes colegas. Contudo, os pais não mostraram recetividade em colaborar conosco para ajudar a resolver a situação, pelo que tivemos que respeitar e aceitar. Custou-me bastante ver um menino de 6 anos com uma doença que no nosso país seria facilmente tratável, com todo o tratamento comparticipado pelo Estado e com apoios para os pais cuidarem dele na sua recuperação, assim como tratamentos de fisioterapia e acompanhamento a longo prazo. As desigualdades entre países são notórias e isso é mais um motivo para dedicar o nosso trabalho durante o tempo que é possível a estas populações carenciadas.

Noutras situações foi possível verdadeiramente fazer a diferença: como num caso de um rapaz de 19 anos que recorreu por diarreia com sangue e que, após uma difícil marcha diagnóstica, se concluiu que afinal era uma leucemia. Foi internado no Hospital e recebeu tratamento. Há poucos dias soube que tinha tido alta e fiquei verdadeiramente feliz com a notícia. 

Na área médica, sabemos que a nossa expectativa tem que se limitar a dar o nosso melhor, sem mais expectativas, pois nem sempre os resultados dependem só de nós. E dando o nosso melhor conseguimos fazer a diferença com alguns doentes. Guardo com muito carinho e saudade todos os momentos que vivi. A entre-ajuda, as aprendizagens com os colegas, a partilha de experiências, a reflexão em equipa e o contacto com as pessoas de uma cultura totalmente distinta. Aprender a aceitar a diferença; a respeitar aspetos culturais que muitas vezes interferem com os cuidados médicos; a promover a saúde em vez de focar só na doença, pois esses ensinos são os que no futuro farão a diferença. E finalmente, os sorrisos de agradecimento no final da consulta – esses ficam para sempre. 

Mafalda, São Vicente 🇨🇻

Tenho 52 anos, sou casada e 3 filhos. Sou publicitária, tenho uma vida louca e senti que precisava de uma mudança na vida. Candidatei-me ao programa de São Vicente por não conhecer nada nem ninguém e, em menos de 1 mês, lá estava eu a caminho desta aventura, sem saber o que ia encontrar. 

Foi um mês inesquecível, um privilégio enorme poder estar com aquele povo incrível. Eu a achar que ia dar um pouco de mim e no final fui eu que recebi. Recebi sorrisos e abraços contagiantes. Recebi uma alegria enorme e uma amizade sem fronteiras. Aprendi que os cabo verdianos são um povo que têm pouco mas que dão tanto. E dão nas pequenas coisas da vida: a jogar damas com o Sr. António, a pintar as unhas dos pés da D. Camila, a dar apoio escolar aos adolescentes, a brincar com as crianças ou a conversar com os voluntários locais.

Com eles aprendi a ser melhor, a viver com mais alegria e a ter tempo para os outros. A outra lição que aprendi é que é sempre altura de parar e de mudar. Não podemos achar que somos demasiado velhos ou demasiado novos para o fazer. Apesar de eu ser bastante mais velha do que as restantes voluntárias, elas acolheram-me como amiga e fizeram-me sentir em casa.  Agradeço por isso do fundo do coração às minhas amigas voluntárias que, de uma forma única e especial, me ajudaram a que esta experiência se tornasse inesquecível.

Agradeço também à Rosa e ao Alex de Cabo Verde e a todos os voluntários locais que dão o seu tempo e que nos ajudam a sermos melhores no nosso trabalho de voluntariado.

Já estou em Portugal mas deixei parte do meu coração em São Vicente.

Obrigada Para Onde? e até já. Tenho a certeza que irei voltar.

Maria, Santo Antão 🇨🇻

Um mês e poucos dias depois de regressar do meu novo lugar favorito e dos melhores dias da minha vida… E este testemunho sai tardio, porque os tempos cá, em Portugal, são outros, a correria do dia-a-dia domina. Lá não! Em Santo Antão, o “No stress” guia-nos de dia para dia. Aprendemos a aproveitar cada minuto, a saborear a vida e a olhar os outros com tempo! Aprendemos o que é a simplicidade, a leveza e a bondade, a cada hora que passa!

Entrei nesta experiência com o objetivo de ser feliz todos os dias e, assim, passar parte dessa felicidade para aqueles que se cruzavam comigo. 
E fui feliz! Muito! Todos os dias! 
Porque diariamente recebi carinho, alegria, bondade, amor e gratidão. Desde o sol e o mar à cachupa e à Kriola, das crianças e idosos com quem estávamos todos os dias às pessoas que passavam na rua, das noites na praia às manhãs de muito calor, desde as boleias inesperadas às caminhadas descobrindo pequenos paraísos. 
Sim! Fui Feliz! 

Graças a Sintonton, às pessoas, aos lugares, às paisagens, aos voluntários, aos pequenos reguilas e aos sábios idosos! 
Uma só ilha, tanta coisa bonita, que mudou a minha vida. Deixei lá um pedacinho de mim, com aquela gente boa. Todos os dias dei parte da minha felicidade e do meu amor. Acredito ter feito diferença na vida de tantos… mas a certeza eu tenho, que na minha fizeram tanta mas tanta diferença!

Obrigada a esta Terra d’ Soded, à Morabeza de Cabo Verde e a todos aqueles que trouxe no meu coração.
“Vive e passa séb é nos lemaNa alegria e harmoniaAssim no tá vive”
Só me resta a certeza de que irei voltar, a este meu novo lugar favorito. Sintonton no coração.
Maria.

Renata, Guiné-Bissau 🇬🇼

Quase 6 meses depois do regresso da experiência que mudou a minha vida, sinto-me finalmente preparada para falar sobre os meses de voluntariado na Escola Privada Humberto Braima Sambú. 

Viajei para a Guiné-Bissau em março de 2021, com 2 malas de porão e uma mochila carregada de medo, ansiedade e nervoso miudinho para conhecer a África que tanto sonhei. Viajar em tempos de COVID-19 deu ainda mais emoção a todo o processo e deu-me a certeza de que, por muitas dúvidas que eu tivesse, o momento certo tinha chegado. Entre documentos, autorizações, vistos e testes, persisti e insisti tanto que não havia outra forma se não ir com tudo o que eu tinha para dar.

Aterrar na Guiné-Bissau, sentir toda a sua temperatura, humidade, cheiros, calor humano, mudou tudo para mim. As cores, os lugares, as comidas, as pessoas, tudo é diferente, mas de uma forma única e totalmente inesperada para mim. Viajar sem expectativas é praticamente impossível, e comigo levava as piores por ter tanto medo do desconhecido. Sonhei tanto com o momento em que me ia sentir preparada para realizar voluntariado, que quando esse momento chegou, temi e questionei tudo. Mas se há algo que posso afirmar com toda a certeza para todos os que leem este texto e têm as mesmas dúvidas, é que não há como a “minha” Guiné.  

De todos os sítios no mundo onde já estive, a Guiné-Bissau é o único que me faz sentir mais perto de casa. A forma como as pessoas nos recebem, o quanto querem aprender connosco, tudo o que oferecem, mesmo quando não têm quase nada, é algo que muda a nossa visão da realidade. A Guiné é um país onde falta tudo, mas onde as pessoas vivem como se tudo fosse abundante. 

Foram dois meses intensos, de momentos incríveis e de algumas experiências difíceis, mas sempre com a certeza de que a decisão de fazer voluntariado na Guiné-Bissau foi a melhor decisão. Por esse mesmo motivo, decidi mudar a minha vida e vim para a Guiné-Bissau trabalhar, porque quero contribuir para a mudança deste país que me deu tanto e tem tanto para oferecer. A Guiné-Bissau é mar de possibilidades, recheado de aventuras, paisagens e pessoas bonitas, e eu só agradeço por poder ter vivido tudo isto.

Aurora, Marracuene 🇲🇿

Em Outubro decidi embarcar numa grande aventura, a qual me é difícil descrever, pois não tenho palavras para exprimir todo o amor e carinho com que fui recebida e se prolongou durante a minha estadia em Moçambique. Foi um mês cheio de ensinamentos, aprendizagens e sobretudo de muitas aventuras. Embarquei nesta aventura com dois colegas a Margarida e o João que sem dúvida foram um grande apoio.

Trabalhamos com crianças de 1ºano até ao 12ºano a dar apoio escolar. Às 7h30min as crianças reúnem-se numa sala para cantarem o bom dia e agradecerem a Deus por mais um dia. De seguida dirigem-se ás salas para começarem as aulas.

Depois de terminadas as aulas, aproveitávamos para ir até a vila de Marracuene para fazer algumas compras e conhecer a vila, aproveitávamos também para visitar a casa e família de alguns miúdos e assim e explorar um pouco mais a cultura Moçambicana. Ao fim-de-semana aproveitávamos para passear, conhecer a cidade de Maputo e
conhecer as praias.

Sem dúvida que foi uma experiência única e uma lição de vida. Aquelas crianças, aquelas pessoas, aqueles sorrisos cheios de felicidade e aqueles abraços inexplicáveis que ficarão para sempre na minha memória.

Obrigado Moçambique por me ensinares a valorizar e a agradecer as coisas simples da vida, e por tornares uma pessoa melhor e mais feliz!
Obrigado Para Onde pela oportunidade!

Marlene, Guiné-Bissau 🇬🇼

Participar num projeto de voluntariado em África estava no topo da lista dos meus sonhos. Mas por circunstâncias da vida, ainda não tinha sido realizado. 2021 estava a começar e com ele começavam as dúvidas sobre qual seria o meu presente de aniversário para este ano. 

VOLUNTARIADO NA GUINÉ BISSAU? Sim. Sim. Sim. E neste sim, estava eu longe de saber ou sequer imaginar que estava quase a me oferecer o presente mais bonito da minha vida. 

Contactei a “Para onde?” e em Outubro saí com as malas feitas em direção a Bissau. 

Bissau. A cidade que me “fez sentir tudo de todas as maneiras”. Onde tudo foi tão difícil, mas onde tudo foi tão fácil também. 

Nos primeiros dias tinha o meu olhar focado em todas as direções, em toda a informação que vinha da janela deste mundo tão diferente do meu. Desde a terra laranja forte, aos panos de pente tão coloridos, aos toca-toca azuis e amarelos, ao “N´sta drito”, à atmosfera de alegria, aos sorrisos tão genuínos, tão simples e tão bonitos num mundo onde, aparentemente, parecia faltar tudo. Num mundo onde aprendi a saber viver com menos, e o quanto “saber viver com menos” é tão importante.

Rostos, Culturas, estados de alma… confundiram os meus sentidos desde o primeiro dia. Os dias bons e os dias maus culminaram numa incerteza entre: o “quero viver aqui mais meses” e o “sinto falta do meu conforto”. 

Saí de Portugal com a ideia de podia ir lá ensinar e deixar alguma coisa, mas fui só aprender muito e receber muito. Queria muito conseguir retribuir o tanto que aprendi e recebi.

Sou muito agradecida por todas as oportunidades que a vida já me deu e muito agradecida a todos que a vida colocou no meu caminho. Muito agradecida à “Para onde?”

Agradecida por poder ter estado nos lugares que tive  e o contraste com o modo de vida que tenho. 

Neste intenso mês de Outubro, intensifiquei o meu poder de encaixe num mundo tão diferente do meu mundo; intensifiquei o meu conhecimento profundo e o controle sobre a minha carapaça emocional. 

E toda a abundância de amor, carinho, doçura e sorrisos que recebi alimentaram abundantemente os sentimentos que tento que guiem sempre a minha vida e quem eu sou: bondade, compaixão e empatia. 

Obrigada “Para onde?”.

Obrigada Guiné- Bissau. 

Obrigada família e amigos.