A experiência da Cris em S. Vicente

Olá! Eu sou a Cristina e tenho 25 anos. Decidi fazer voluntariado em Cabo Verde na ilha de São Vicente, e se soubesse que ia ser o que foi não teria ficado apenas um mês! Foi uma experiência muitoooo boa! Comer peixinho do bom quase todos os dias, lidar com pessoas tão simples e tão tranquilas, conhecer os voluntários locais e portugueses que estavam na mesma aventura que eu, aliás foi com eles que vivi durante um mês. Criaram-se óptimas amizades!

Todos os dias havia um menino que ia para o centro mas que fazia questão de parar pelo caminho em nossa casa para tocar à campainha e dar-nos os bons dias. Sendo que, apenas dez minutos depois, iríamos estar juntos na associação. São pequenas coisas que tornam a experiência tão mágica. Gostei muito de conviver com estas crianças,  elas são tão boas, é abraços e beijinhos tudo o que eu gosto eheh. Depois estão sempre a tocar nos cabelos e, quando damos conta, já temos trancinhas pelo cabelo todo. Aquelas meninas tão meigas e aqueles rapazes tão rebeldes, mas todos perfeitos. Não esquecerei nenhum sorriso. Fiquei muito grata pela experiência e só tenho a agradecer ao Para Onde. Voltarei um dia. São Vicente no meu ♡

A Experiência da Beatriz na Islândia

Chamo-me Beatriz Vitorino e fiz voluntariado de curta duração na Islândia. Durante o processo pré-viagem fui extremamente bem acompanhada, foram-me esclarecidas todas as dúvidas e houve sempre disponibilidade para que fossem colocadas as mesmas. Foi inclusivamente dado o contacto de outros ex-voluntários para que pudesse contacta-los o que foi muito útil! Integrei um “learning camp” o que se traduz por um campo em que não há trabalho voluntário mas sim aprendizagem sobre um tema e partilha. No meu caso o campo era sobre fotografia e tinha um professor de fotografia Belga que nos lecionava workshops.

Durante o campo de voluntariado devo realçar a oportunidade e preocupação que a associação tem, para com os voluntários, no sentido em que nos são disponibilizadas excursões que podemos integrar para conhecer e explorar a ilha. Poder conhecer a ilha foi de facto importante para poder pôr em prática os conhecimentos adquiridos nos workshops sobre fotografia. Noto que o objetivo da associação é promover a multiculturalidade, no meu projecto estavam envolvidas 12 pessoas de 9 nacionalidade diferentes. Somos incentivados à partilha e tolerância uns com os outros! Durante o campo fui contactada várias vezes pelo “Para Onde?” para que pudesse dar feedback acerca de como estava a progredir a experiência. Fui muito bem acompanhada! Em jeito de balanço final posso dizer que gostei muito e foi um excelente oportunidade de aprendizagem! Aconselho Irem! :D

A experiência da Cristina no Brasil

Olá, sou a Cristina, a ideia de fazer voluntariado internacional era uma coisa que sempre quis fazer. Confesso que para mim torna-se muito difícil resumir em palavras o turbilhão de emoções que estou a sentir neste momento, são diversas as aprendizagens, as experiências e as lembranças.

Para quem está a ler o meu testemunho e nunca teve uma experiência como eu tive, arrisquem, façam voluntariado internacional, pois provavelmente será algo que farão apenas uma vez nas vossas vidas. Na minha opinião se todos nós tivéssemos esta oportunidade talvez seríamos menos descomplicados e teríamos outra visão mais realista do mundo, pois sair da nossa realidade, da nossa zona de conforto e puder conhecer e vivenciar outras realidades, leva-nos a valorizar as pequenas coisas, que por vezes para nós são problemas e na verdade não o são.

Comecei 2019 em grande, 8 de Janeiro de 2019 o grande dia chegou, a felicidade e o receio de partir para tão longe da minha zona de conforto e sozinha, era assustador, pois deixei tudo para trás, e apenas fui. Mas voluntariado é isso é arriscar, é ser aventureiro, e hoje digo-vos foi a melhor aventura da minha vida e voltaria a repetir sem dúvida alguma.

Após um dia de viagem de mochila às costas com apenas o necessário, o cansaço, a ansiedade e o receio era cada vez mais notório, cheguei a Arraial d´Ajuda onde iria ficar 1 mês.

No meu primeiro dia na Associação fui recebida da melhor forma, conheci as coordenadoras da Associação, que são uns amores. A simpatia do povo brasileiro, em geral, é impossível não nos fazer sentir em casa deixaram-me muito a vontade para fazer e perguntar o que quisesse e fez com que sentisse que fazia parte também da família, que é a Associação Filhos do Céu.

A AFC é uma associação com crianças e jovens dos 0 aos 18 anos, mais de 130 no total, com o objetivo de promover a educação e bem-estar das crianças e adolescentes de Arraial d’Ajuda, no estado da Bahia, Brasil. Muitas estão a tempo inteiro na creche, outras vão ao espaço para participarem numa grande variedade de atividades: capoeira, Inglês, jiu jitsu, reforço escolar, artesanato, artes (origami, colagem, pintura, reciclagem…), brinquedoteca, biblioteca, leitura, conhecimentos gerais. A AFC situa-se no Bairro de São Pedro um dos bairros mais carenciados de Arraial D´Ajuda, onde a mesma faz um trabalho incrível, onde são transmitidos valores, no sentido de mudar o Mundo aos poucos, começando por exemplo, pelo nosso bairro, a nossa região, uma vez que é claramente visível a existência de uma desigualdade de uma sociedade com escassos meios para vingar de outra forma senão pela corrupção e/ou actividades ilegais.

Como explicar toda aquela simplicidade? É uma felicidade fácil que só se sente e não se explica O meu quotidiano durante 1 mês foi trabalhar maioritariamente com as crianças da creche. O trabalho com os miúdos foi incrível, muito cansativo, mas muito gratificante. Cada criança que conheci tem a sua história, e mais que ensinar, aprendi muito com cada um deles. Uma dessas aprendizagens foi que o ser humano para ser feliz não precisa de muito, a felicidade está nos pequenos gestos e não se explica sente-se.

Cada sorriso, cada gargalhada, cada abraço e cada beijo daquelas crianças são o retrato e a imagem do povo brasileiro que transporto comigo para todo o lado.

É cliché afirmar-se que o voluntariado é muitos mais que dar e receber, mas é verdade, e todos os dias tinha a prova disso, quando chegava a AFC e as crianças corriam ao meu encontro e me abraçavam por ter chegado, enche-nos o coração de facto.

Um mês parece muito, mas não é, e sei que nesse mesmo mês não consegui mudar o mundo, não o consegui tornar mais justo, mas tenho a certeza que como estas crianças conseguiram mudar a minha vida para sempre eu ajudei a que elas estivessem um mês diferente e deixei a minha “marca”. Restam as saudades, as memórias maravilhosas, os laços criados e fica o desejo gigantesco de voltar.

Quero agradecer ao “Para Onde”, pela oportunidade maravilhosa de realizar um dos meus sonhos, e à família AFC, que tive a sorte de conhecer, obrigada por tudo, por todo o carinho, os sorrisos, as histórias.

A Experiência da Rita em Itália

Em conversa com uma amiga, percebemos as duas que nada melhor que o voluntariado para sair daqui e fazer algo que nos preenchesse realmente. 

Verão de 2018, estava desempregada e procurava alguma coisa que me fizesse sentir realizada. Queria viajar durante algum tempo, mas não podia gastar muito dinheiro. Não queria só as típicas férias de verão, até porque “férias” já eu tinha a mais. 

Pesquisei várias associações e foi aí que encontrei o Para Onde. Havia imensos destinos à escolha e programas de curta ou longa duração, com projetos ligados a todo o tipo de causas. Difícil foi escolher… 

Comecei a procurar só na Europa, até porque os custos da viagem não estão incluídos, e foi assim que descobri um campo de férias, em Bérgamo (Itália), com um grupo de crianças refugiadas do Sahara Ocidental.  

Precisavam de voluntários para organizar atividades lúdicas e visitas na região, para que os mais pequenos pudessem desfrutar de um verão agradável, longe do calor do deserto. 

O grupo de nove crianças passou mais de um mês em vários locais de Itália, onde receberam cuidados médicos e muito amor. 

Arrisquei, fiz a candidatura juntamente com a minha amiga, e foi assim que começaram as duas semanas mais felizes do meu verão.

Mal chegamos, conhecemos vários voluntários de Itália, da associação Mauja Sahrawi, que luta para que a região do Sahara seja livre, e para que estas crianças e as suas famílias deixem de viver na incerteza, entre campos de refugiados. 

Chegaram, ainda, mais duas voluntárias internacionais, uma da Sérvia e outra do México.

Ficamos a viver nas instalações de uma escola, onde tínhamos todas as condições básicas que precisávamos, e até tivemos direito a um cozinheiro que nos fazia os melhores pratos italianos (que é só a minha comida favorita do planeta…) 

Fomos tão bem recebidas por todos e partilhámos tantas horas do dia juntos que, rapidamente, acabamos por nos sentir uma verdadeira família. Falávamos italiano, espanhol, português, inglês e até árabe, por vezes tudo na mesma conversa (no final dei por mim a falar para a minha amiga em todas as línguas menos a nossa, de tão baralhadas que ficávamos…) 

As próprias crianças, que só sabiam árabe, acabaram por nos ensinar algumas expressões e aprenderam também um bocadinho de italiano. Ao inicio foi um desafio comunicar com elas, mas percebemos que nem sempre eram precisas palavras. 

Aqueles miúdos, que vivem uma realidade tão diferente da nossa durante o resto do ano, mostraram-nos que podem sim ser felizes com o mínimo. Ver o entusiasmo delas a comer uma pizza ou um gelado, a brincar com os animais, ou a tomar banho no chafariz no meio da rua, e perceber o quão generosos eram connosco foi o melhor de toda a experiência. 

Partilhavam tudo connosco, todos os dias nos agradeciam com um sorriso (nem que fosse por lhes dar a mão a atravessar a rua ou apertar um cordão), e tinham sempre um abraço e um beijo para nos dar. 

As meninas, cada vez que nos viam a arranjar de manhã, faziam questão de dizer o quão bonitas éramos (mesmo que tivéssemos dormido uma hora e com olheiras até ao chão) e o quanto gostavam da nossa roupa ou do nosso cabelo. “Bella” e “grazie” eram as palavras que mais vezes ouvimos. 

Gestos tão simples, que na correria da nossa vida nos passam ao lado, mas que tem o poder de transformar qualquer dia. 

Se alguma vez ponderarem fazer voluntariado e tiverem essa oportunidade, não hesitem e façam a mala. Mesmo que vão sozinhos, garanto-vos que vão sair de lá com o coração cheio e com memórias para a vida.

A Experiência da Sofia em Cabo Verde

Demorei para conseguir escrever este texto. É que estas missões deixam-nos assim. Do avesso. Com as emoções à flor da pele.

O meu mês de Novembro foi passado no pequeno paraíso a que os São Vicentinos têm o prazer de chamar de casa, e que, embora a minha estadia lá tenha sido curta, já me sinto no direito de lhes roubar um pouco dela. Afinal, a nossa casa é onde habita o nosso coração, não é? Uma parte do meu habita agora lá.
Desde o momento em que aterrei em São Vicente e pus os pés fora do avião que me apaixonei por aquela ilha. É que o ar de São Vicente é abafado, tão quente quanto os corações dos que nele habitam. No bom criolo, Son Cent é sab! Sab pra caga!!! E sente-se em todos os cantos! Transborda energia positiva e boas vibrações através de sorrisos calorosos, gestos simples e ações genuínas. E tudo é vivido com muito calma… “Nô stress” é a resposta! “Suav na Nav” era o lema da nossa casa. Com eles aprendi a viver devagarinho. A vida devagarinho tem outra beleza, que nos passa ao lado quando temos pressa de viver.
Durante esse mês dividi o meu tempo entre o Espaço Jovem da Ribeira de Craquinha e da Pedra Rolada. Espaços diferentes com crianças com necessidades e contextos diferentes, mas a ternura, os sorrisos, a pureza das
suas almas e a vontade de aprender era a mesma. Em ambos os centros dei apoio escolar, acompanhei crianças com necessidades reforçadas, participei em dinâmicas educativas e dei aulas de inglês aos mais crescidos. Os cabo verdianos são um povo muito quente, muito físico, muito do toque e as suas crianças não são excepção… Enfim, não sabem estar quietas! Estou a falar de crianças que, para serem afastadas das ruas, passam os seus dias em salas de aulas. De manhã têm aulas. À tarde, explicações. Se não tem aulas de manhã, tem explicações à tarde. E ao final da tarde, depois do sol se pôr, algumas ainda caminham a pé para mais uma hora de aula de inglês. Muitas vão com fome para o centro. Muitas outras sabemos que não têm a estrutura familiar que precisam E MERECEM…


Admito que fui para São Vicente com expectativas irrealistas e, por vezes, me senti frustada por sentir que não estava a conseguir fazer tudo o que pretendia e principalmente o que achava justo. O que achava que aquelas crianças mereciam e, por isso, muitas vezes terminei o dia a questionar-me sobre qual a verdadeira diferença que estava a fazer nas suas vidas. Até reler uma citação que tinha anotado antes de partir da Madre Teresa de Calcutá: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”
Posso não ter enchido o mar de São Vicente, transformado vidas, mudado o mundo, mas sei que deixei a minha gota. Conseguem imaginar a dimensão desse mar se todos deixássemos a nossa gota?!
Aprendi tanto durante este mês.

Com os pequenos heróis que acompanhei, e que me aqueceram o coração com os sorrisos mais doces e os abraços mais apertados, aprendi a valorizar ainda mais os pequenos grandes gestos. Os que valem realmente a pena. Não me irei esquecer das flores matinais, do caminho de mãos dadas para o centro, dos jogos de futebol, dos momentos divertidos que criámos juntos que acabaram sendo momentos de aprendizagem, das cartas e dos desenhos onde me chamavam de professora (e eu gostava tanto!).
Aprendi muito também com os voluntários e elementos da comunidade que fazem estes projectos acontecerem e com quem tive o prazer de trabalhar e de hoje chamar de amigos.
Voltar a Portugal não foi fácil. De repente aquilo que já tinha virado rotina, aquelas pessoas que me acolheram como se fosse ficar para sempre já não estavam mais lá. E custa. Mas é porque o sentimento foi puro, foi genuíno. Fiz as amizades mais bonitas e mais descomplicadas em São Vicente. Agora entendo a Cesária. Sinto a sua “sôdade”. Sôdade de quem lá deixei e sôdade de quem lá era. Uma versão mais simples, mais livre e mais pura de mim, que vou cultivar e regar para não perder mais.
É humana, a maior riqueza de Cabo Verde.
Obrigada Son Cent, nha cretcheu *


A Experiência da Diana em Itália

Em Setembro deste ano resolvi embarcar na minha primeira experiência de voluntariado internacional. O destino era a Città dell´Utopia em Roma. Pensei várias vezes se deveria fazê-lo, seria a altura certa? Seria o projeto ideal? Confesso que tinha algum receio, mas felizmente a vontade de participar numa experiência diferente e em algo que fizesse sentido foram mais fortes. E lá fui eu com destino a Roma. A Città dell´Utopia está localizada nos arredores de Roma, e trata-se de uma oficina cultural e social, na qual são desenvolvidas um conjunto de atividades que permite unir toda a comunidade, apesar das diferenças. Também acolhe temporariamente pessoas que estejam a precisar de abrigo e ajuda. O projeto no qual ia participar tinha a duração de uma semana e tinha como tema o Yoga como estilo de vida. As atividades tinham como base as aulas de Yoga, mas também a manutenção e o melhoramento das condições das instalações da instituição. Participamos nos trabalhos de manutenção do jardim e limpeza e organização dos espaços comuns da casa. Mas mais importante do que o contributo que demos para este projeto, foi tudo o que aprendemos para evoluirmos e para sermos melhores pessoas nas nossas vidas e para com os outros. As aulas de yoga foram extremamente ricas, porque mais do que posições e técnicas de respiração, aprendemos a sentir mais e a sermos nós próprios sem medos. Aprendemos que devemos viver o momento, sem ansiedade e a ser gratos por tudo o que nos acontece, o bom, que nos deixa feliz e o mau porque nos permite crescer e evoluir. E que podemos sempre recomeçar independentemente do momento em que nos encontramos.

Para além disso foi absolutamente fantástica a oportunidade de aprender a viver em comunidade, com pessoas de diferentes nacionalidades, como Áustria, Itália, Rússia, Coreia do Sul, etc. a dormir em camaratas, a cozinhar refeições para todo o grupo com um orçamento reduzido, o que apelava à nossa criatividade e capacidade de improviso constantes. A comunicação também era um desafio, pois as aulas eram em italiano e entre todos os voluntários era o inglês que dominava. Tive a sorte de ter comigo outra voluntária portuguesa, a Inês, a participar neste projeto a quem agradeço toda a camaradagem e ajuda durante esta semana. Se em algum momento tiverem dúvidas em participar num projeto deste género, digo: vão, mesmo com medo e com borboletas na barriga, porque vale muito a pena. Independentemente da cultura, do projeto, da idade (havia um voluntário na casa dos 50 anos a participar), arrisquem, coloquem-se fora  da vossa zona de conforto. Porque por mais que possam dar, vão receber muito mais e vão regressar às vossas casas e às vossas vidas muito mais ricos do que quando partiram.

A experiência da Raquel no Peru

Carta aberta ao próximo voluntário(a),

Já passou mais de um mês desde que regressei do Peru, foram cerca de 3 meses intensos, e escrever sobre uma experiência que vivemos, vimos, e sentimos, sendo ela de longa duração, nunca foi tarefa fácil. Como descreves tudo aquilo que viveste em 2, 3, 4 meses? Sabendo que o principal objectivo aqui é partilhar contigo, um testemunho em primeira mão. Tive tempo para chorar, para rir, para me magoar, para sarar, para pensar e para não pensar em nada. Já deves ter reparado que me estou a dirigir a ti. Sim, a ti e a todos aqueles que se comprometeram a fazer algo de diferente nas suas vidas, nas vidas de outros. Este testemunho é para ti que procuras aquele pedaço de coragem que falta, da inspiração necessária para largares o que tens e partir. Vou ser o mais sincera possível, cada experiência é única e por mais coisas que leias, vai ser sempre diferente no final. Porque quem faz a experiência és tu, e todos aqueles que encontras no caminho. Se estás com dúvidas, vai! Eu fiz mil e um planos, vi 500 páginas de voluntariado, fiz contas à vida, à carteira, ao tempo que tinha e que não tinha, mas no final, aceitei o desafio. Já te imaginaste a pegar numa mochila e atravessar um oceano e um país sozinho/a? Se já, este é o lugar certo para ti.

Estive dois meses e meio no Peru, na cidade de Trujillo, na costa norte do país. Uma cidade que não vive do turismo, e como tal, sentes isso na rotina diária da cidade, no tráfico intenso dos táxis ou na falta de um café que te serve um expresso todos os dias, as infra-estruturas desorganizadas e na escola. Este lugar para onde te diriges diariamente, fica situado no distrito de Florencia de Mora, e só os teus próprios olhos podem descrever aquilo que encontras, mas posso-te garantir, que à falta de estradas e ordem neste bairro de longas estradas de terra batida e das milhentas estórias que ouvi sobre este lugar, senti-me sempre muito segura e bem recebida. Todos os dias eram diferentes, e todos os dias te levantas com a única motivação de que vais ensinar 80 crianças por dia. Elas, são realmente o foco deste projecto, são o melhor do mundo como se diz por aí, e saberes que estás a fazer o melhor que podes para que no mínimo eles possam sonhar um bocadinho mais além daquelas paredes, é o melhor presente que podes guardar na tua bagagem de regresso. Todos os dias são uma aprendizagem, para eles e para ti. O desafio a que te propões de lhes ensinar inglês, acaba por ser muito mais do que ensinar apenas uma língua. É o tempo gasto com eles, a atenção e a partilha de valores.

Descrever o que se vive num projecto de voluntariado, por palavras, imagens, por sentimentos ou como lhe quisermos chamar, é uma injustiça muito grande. Por mais testemunhos que possas ler, nunca vai chegar à realidade que é. Cada experiência, seja ela positiva ou negativa, é uma aprendizagem. Ser voluntário é um sentimento de pertença a um lugar e ao mesmo tempo, de um lugar que nos transforma. Na forma de se estar, de se pensar e viver.

Quando surgiu a ideia de fazer parte de um projecto de voluntariado, a minha prioridade era procurar um apoio em Portugal, neste caso a Para Onde? foi essencial nesta ponte. O carinho, a dedicação, a motivação e a segurança que te dá em TODO o caminho, foi fulcral para me sentir segura. Tinha muito medo do tipo de projecto que me esperava. Se era real ou não, se era válido, útil e realmente necessário. Se não seria mais um daqueles projectos de turismo, onde a única coisa que importante no final é ficares com uma foto para recordação. Nada disto aconteceu no final, isso posso-te garantir, mas tudo depende da tua forma de estar. Fui com muitas expectativas, e a expectativa pode ser o teu pior inimigo, porque acaba sempre por ser de uma forma totalmente diferente daquela que imaginaste, mas garanto-te que se fores com a mentalidade de dar, aquilo que puderes dar e que está ao teu alcance, se fores desprendido de todos os teus hábitos, se fores com a tua mente aberta, se fores tu próprio no estado mais puro e sincero, vai correr tudo bem.

Não te vou falar das estórias incríveis que viverás no caminho, da colega com quem partilhas o quarto que se torna uma irmã, da possibilidade de descobrires um país pelas tuas próprias mãos, dos lugares incríveis e de cortar a respiração que vais ver com os teus próprios olhos, da ligação que este país tem com a terra, com a mãe natureza, a “Pachamama” no seu estado mais puro, das 50 crianças que diariamente correm para te abraçar pela admiração que têm por ti e por fazeres parte do dia delas, pelo professor que nunca opinou sobre nada desde a tua chegada, mas no final vem ter contigo e te dá um abraço como forma de agradecimento. Pelas pessoas que largam tudo no seu país e dedicam o seu tempo a uma causa. Por tudo isto e muito mais, não te vou falar do quão feliz estou por ter tomado esta decisão e embarcado nesta aventura de fazer parte de algo.

Num mundo que hoje parece virado ao contrário, onde caminhamos numa direcção errada na luta pelos direitos humanos, sabemos que não vamos mudar o mundo, mas saíres da tua zona de conforto para, pelo menos “deixares o mundo um pouco melhor do que o encontraste”, é a melhor decisão que podes tomar.

Se tudo isto não te chegar, deixo-te aqui com os meus últimos recursos:

A experiência da Ana em Zanzibar

“É tanta luz aqui que até parece claridade

É tanto amigo aqui que até parece que é verdade

É tanta coisa aqui que até parece não há custo”…

Nos 1ºs dias, nas minhas tentativas de escrita… saiu-me isto:

…”Já me apaixonei sim! Aqui, sinto me! Talvez seja o início de uma paixão e por isso ferve muito.. é tanta coisa aqui! :) Ainda tenho muito tempo para perceber esta paixão, e quem sabe virar amor!? Não sei ainda bem o que dizer ou descrever.. é tanta coisa aqui! :)”..

O tempo passou, já lá vão 3 meses e meio. E, esta experiencia de Voluntariado internacional de longa duração foi… Forte! Fois… Tanto!

No primeiro mês, foram mais de 6 escolas visitadas, nelas.. várias turmas! Tantas crianças me passaram pelas “mãos”. Foi incrivelmente enriquecedor! Forte! Fortaleceu! Os sorrisos, nenhum se estranhou e todos se entranharam em mim. Sorrisos grandes, simples e sem motivo de ser… só de sentir!

Com a permissão do líder da vila, e uma “aprovada aceitação” do grupo de mulheres, desenvolvi durante os 2 meses e meio, atividades, 2x por semana, com mães e bebes (massagem para bebes/gravidas e outras relacionadas…). Nunca serei suficientemente capaz de descrever tudo o que aprendi ali. Tudo o que senti e o quão forte cresci! Espero, guardar dentro de mim, para sempre, o sentimento que agora carrego!

No 2º mês, atividades com a comunidade. Crianças, professores, taxistas e.. “condutores”! Criamos com as crianças, uma serie de atividades lúdicas. Entre elas, um teatro de fantoches, abrangendo o tema da segurança rodoviária. Foram semanas, de uma exaustão e cansaço tão gratificante, que terminou num festival, em que eles foram umas estrelas e brilharam tanto, que ainda hoje essa luz ofusca em mim! Tenho tanto orgulho neles! Sedentos de aprender, sedentos de brilhar.. simplesmente porque sim! Guardo-os em mim!

Senti e aprendi que…

Quanto mais dás.. mais leve e livre tu és!

Quando vives com “pouco”… ganhas tempo para o, tanto!

Tanto! Que são as pessoas, os lugares, os olhares, o toque! A conversa! O sorriso! O abraço! O beijo! A música! A dança!

O som do nada…! A serena luminosidade do nascer do dia! O incrível lusco-fusco, que te dá a certeza de um novo amanhecer!

A cor! A clareza! O cheiro, e o sabor! A natureza! Podes fechar os olhos… sentir-te leve e levitar! Flutuar no imaginário da beleza das coisas, das crianças, das mulheres daquele lugar, que enroladas em tanta cor, só mostram o olhar!

O sentimento do teu EU! É tanto! És leve ali, voas para onde quiseres, e sempre sorris no fim!

Consegues perceber isto? Consegues voar? És assim tão leve? Livre e solto? Sabes sorrir de olhos fechados? Experimenta dar… carregar menos peso! Andar descalço, fechar os olhos e sorrir, ser leve e… voar!

Conseguem sentir o que vos escrevo?

Anda cá e vê! Chega perto, e fica!.. e depois diz me como é!

Senti e aprendi a viver, de uma forma simplesmente forte! Que o resultado final foi, um sentimento de leveza, simplicidade, e uma incrível liberdade! Daquelas coisas que não se explica. Mas que me marcou! Não havia caminho para fugir. Tinhas que ficar! África é forte! E marcou…! Tanto!

Sou muito grata por tudo o que esta experiencia me proporcionou.

Sou hoje, muito mais rica do que era, e com muito menos! E a sensação é.. muito boa! :)

..”É tanto tempo aqui que até parece não há pressa

É tanta pressa aqui que até parece não há tempo

É tanto excesso aqui que até parece não há falta

É tanto muro aqui que até parece que é seguro

Tanto, tanto

Na embriaguez de encanto

É tanto “tanto faz”

Que ninguém sabe quem fez

Mundo gira mundo

Mundo vagabundo

Não olhe senão vês”..

Obrigada, Jambiani, Zanzibar, Tanzânia!

Até já…

A experiência da Joana na Tailândia

Passou mais de um mês desde que terminei a minha experiência de voluntariado internacional de curta duração na Tailândia e parece incrível a forma como este sentimento que é plantado dentro de nós perdura durante tanto tempo. É como uma sementinha que fica, o trabalho agora é fazê-la sempre crescer. A minha passagem pela Dalaa international Volunteers for Social Development Association e por aquele pequeno e encantador arquipélago que é Koh Bulon tinha como objetivo o ensino não formal de inglês a crianças de duas ilhas deste arquipélago: Bulon Lay e Bulon Don com 34 e 80 crianças respectivamente, com idades compreendidas entre os 6 e os 15 anos.

É maravilhosa a forma como os locais recebem aqueles que chamam de “Farang” (pessoas de cor branca) cumprimentando sempre com um sorriso nos lábios e um gesto amistoso de mãos juntas ao peito com um caloroso “sawadd di kaa” que significa “olá”, oferecendo comida, ensinando os seus costumes. Ensinaram-nos como fazer aquela comida picante mas muito boa, que andar de pés descalços principalmente dentro de casa ou em espaços comuns como escolas e lojas é uma crença que devemos respeitar e que é normal a simbiose com toda aquela bicharada. Foi de facto um prazer poder viver naquele paraíso…

E o melhor de tudo, a cumplicidade que aquelas crianças criaram connosco num tão curto espaço de tempo. Nunca me vou esquecer dos sorrisos, das flores, dos abraços, das brincadeiras e dos momentos de aprendizagem que criámos todos juntos: crianças, professores, locais e voluntários. Aprendi tanta coisa que me atrevo a dizer que recebi tanto ou mais do que aquilo que dei. A simplicidade daquele povo e a forma como vivemos lá demonstra que não precisamos de muito para ser felizes. A forma como as crianças se entregavam a nós fez-me perceber que não falar a mesma língua não é um obstáculo porque as brincadeiras e os carinhos são universais. O ensino é muito diferente do nosso, muitas coisas ficam por aprender no entanto reina o convívio e a aprendizagem de um estilo de vida local e de actividades práticas adaptadas ao dia a dia da população.

Questionava muitas vezes qual a real diferença que fizemos na vida daquelas crianças num tempo tão reduzido e de que forma aquilo que ensinámos iria ser útil no futuro, mas na festa de despedida uma mãe disse-nos que aquelas crianças estavam muito mais felizes enquanto lá estivemos…Lembrei-me da formação pré partida, da Joana e do Manel dizerem que não iriamos mudar o mundo mas que com certeza iriamos fazer a diferença na vida daqueles com quem nos cruzaríamos nesta aventura e assim foi, tão verdade!! A eles também o meu muito obrigada por todo o apoio ao longo do processo , foram incansáveis. Todos aqueles com quem me cruzei ao longo desta aventura fizeram-me perceber que nada acontece por acaso e a todos aqueles que me apoiaram nos momentos de medos e ânsias antes da partida o meu mais sincero obrigada. E para o grupo Dalaa e para as crianças daquele arquipélago um grande “kob kun kaa” que é como quem diz “Obrigada” foi sem dúvida uma experiência que levo para o resto da minha vida. “Living together, learning together, working together”.

A Experiência da Maria em Caraíva, Brasil

O Natal está mesmo, mesmo a chegar!!! E a pergunta que mais ouvimos nesta altura do ano é “O que é que mais desejas para este Natal?”. Este ano a minha resposta a esta pergunta é imediata. O que eu mais desejo para este natal (e para o novo ano) é poder voltar a Caraíva, poder voltar a abraçar todos aqueles que deixei lá e que se tornaram tão importantes para mim.
Estive em Caraíva dois meses (Agosto e Setembro) a fazer voluntariado na ONG Caraíva Viva. Caraíva é um pequeno paraíso no Sul da Bahia que, desde o primeiro momento, me fez perceber que eu estava no melhor lugar do mundo e era ali que eu viver aquela que seria a experiência mais incrível da minha vida. E, assim foi… em Caraíva, vivi os dias mais felizes que alguma vez tive. Foram dias intensos, mas sempre repletos de momentos que nos enchem o coração. Durante o tempo em que lá estive, apaixonei-me por cada uma das crianças que se cruzaram no meu caminho, fiquei rendida à simplicidade e alegria delas… era tão bom partilhar os meus dias com crianças tão especiais como elas, a brincar ou a ajudá-las a aprender.

A Caraíva Viva é uma ONG com crianças dos 4 aos 17 anos que tem como princípio promover a educação através das artes e da cultura, oferecendo aos alunos um conjunto variado de oficinas onde eles podem aprender ao mesmo tempo que se divertem. O nosso trabalho, enquanto voluntários, passa muito por auxiliar as aulas de leitura, escrita, artes e música e, por vezes, as de dança e capoeira.
Desde o primeiro dia em que cheguei à ONG, senti que esta minha experiência ia correr bem… as crianças eram muito simpáticas connosco e queriam estar sempre ao nosso lado. E, foi isto que aconteceu ao longo dos dois meses… todas as crianças queriam a nossa companhia e queriam brincar connosco. Gostavam imenso de brincar às cabeleireiras e aos restaurantes, de montar puzzles, de nos oferecerem desenhos (vim com uma capa carregada de desenhos que guardo para a vida) e de tirar fotografias ou gravar vídeos com os nossos telemóveis (“pro, pode-me emprestar o seu celular?” foi das frases que eu mais ouvi ao longo daqueles dois meses). Essencialmente, aquilo que estas crianças mais queriam era sentir que nós lhes dávamos carinho e atenção. Apesar de lhes ter dado todo o carinho e atenção que consegui, sinto, verdadeiramente, que recebi muito mais que aquilo que dei. Sei que este é o clichê mais usado quando se fala em voluntariado, mas, agora posso dizer, que é o mais verdadeiro também! Foram dois meses repletos de abraços bons, sorrisos contagiantes e beijinhos deliciosos… dois meses em que o meu coração ficou repleto de tanto amor. Ouvir um “pro, gosto muito de você” ou receber desenhos que diziam “eu te amo” era das melhores coisas do mundo <3

Nestes dois meses, percebi que não é preciso muito para se ser feliz… eu fui muito feliz mesmo com os pés sujos de areia, mesmo quando o banho era com água fria, mesmo quando estava toda picada pelos mosquitos… e fui muito feliz porque estava num sítio maravilhoso com pessoas fantásticas. Todas as pessoas que conhecemos foram incríveis connosco, não só os coordenadores e professores da ONG, como, também, as outras pessoas da vila.
Antes de ir para Caraíva, quando andei a tentar conhecer um pouquinho mais deste lugar, encontrei esta frase: “Em Caraíva a vida fica mais leve, mais bonita e com outra vibração!”. E, agora, que já lá estive posso dizer que isto é muito verdade. Aquela vila é sinónimo de beleza, alegria e simpatia todos os dias, todo o dia e, por isso, é impossível que a nossa vida não fique mais leve, mais bonita e com outra vibração… é impossível não sermos felizes em Caraíva.
Agora, só me resta esperar que um dia possa voltar a ser feliz em Caraíva… que um dia os meus pés possam voltar a tocar naquela areia… que os meus olhos possam voltar a ver aquela vila cheia de cores… e que o meu colo possa voltar a receber aquelas crianças que, em tão pouco tempo, se tornaram tão importantes para mim!