Ana Luiza, Santo Antão 🇨🇻

Ah Santo Antão!
A própria sonoridade da sua palavra já carrega muito amor.
E é desse amor que nosso coração sai completo.
É de uma tamanha intensidade que provavelmente palavras não saberiam explicar.
É onde o sorriso é leve, o olhar é doce e o coração é puro.
Onde a alegria de um pequeno sorriso pode mudar o seu dia.
Onde mora o amor e a magia.
Onde todo mundo te dá bom dia.
Onde pouco se tem e onde muito se dá.

Em Santo Antão, a sua companhia é suficiente; a sua presença faz nascer um sorriso; e o seu abraço é super concorrido.
É onde se sente verdadeiramente o tempo, as horas e os minutos.
É onde se conhece um novo amor, uma nova família e uma nova casa.
É onde te mostra um pouco mais de amor pelas pequenas coisas.

O voluntariado me ensinou a olhar para os mais pequenos detalhes.
Olhar para o lado, olhar para dentro, e principalmente olhar nos olhos.
Provavelmente, Santo Antão também me ensinou a amar.
Amar a sabedoria dos idosos; a pureza das crianças; e a resiliência dos adultos.
Além de me ensinar a amar meu caminho, meu passado e meu futuro.
E me mostrar que é desse amor que se gera frutos.
É desse amor que se constrói sem muros.
É desse amor que se vai longe.
E muito longe.

Obrigada Santo Antão.
Obrigada por fazer parte da minha história.
Obrigada por me fazer amar o tempo.
Obrigada por me ensinar a sorrir com os olhos.
E, principalmente, obrigada por me fazer mais forte.

Ana Luiza Motta

Vanessa, Santo Antão 🇨🇻

Não é fácil colocar em palavras toda esta experiência em Santo Antão, todas as pessoas, todos os momentos, todas as lições. Fui incrivelmente bem recebida em Porto Novo, pelos coordenadores do projeto, pelas pessoas locais, com toda a simplicidade e alegria que são mais que suficientes para o dia-a-dia.

O tempo corre de forma diferente, as preocupações são outras, e a felicidade está estampada no rosto de um idoso só porque chegamos ou de um miúdo quando brincamos com um simples tubo de bolas de sabão ou umas tintas.

Claro que é duro quando se para e pensa na realidade e condições, e acontecia-me sobretudo com as crianças e quando via o material escolar delas, para mim era aquele momento. Mas sabia que não dá para resolver os problemas do mundo, dá sim para fazer uma pequeníssima diferença no mundo delas naquele dia ou naquele momento, e era para isso que lá estava.

Não tenho dúvidas que foi a experiência de uma vida, que levo cada um deles comigo, e espero conseguir ser melhor. Tenho a certeza que a mim me deram imenso.

Sodede é uma das palavras que trago comigo

Marco, Santiago 🇨🇻

É difícil colocar por palavras o impacto que esta experiência teve em mim…
A alegria, as amizades, o sentido de comunidade…
A vila do Tarrafal tem esse efeito nas pessoas, o processo de integração é instantâneo ! Existe um esforço comum entre todos os tarrafalenses para te fazer sentir em casa e nesse conforto familiar vivi estes últimos 2 meses. 

Lembro-me vivamente do meu primeiro dia na Delta Cultura.
Um lugar colorido, no topo de uma colina com vista para o monte Graciosa. Lembro-me de chegar e ver caras tímidas e envergonhadas e outras entusiasmadas e ansiosas por partilhar as primeiras palavras. 

“De onde és?”
“Como te chamas?”
“Porque é que o teu cabelo é tão fininho?”
É tão fácil criar uma relação com aquelas crianças, é tudo tão genuíno, tão natural.
Ver as crianças a perderem, lentamente, a timidez, ensinar os primeiros acordes de guitarra, os primeiros jogos de futebol, faz tudo parte dos primeiros passos para construir amizades e laços muito fortes.

São crianças tão generosas, parece que constantemente recebo mais delas do que elas de mim …
Sinto que a experiência de fazer voluntariado é algo que toda a gente deveria sentir, sinto que se ganha uma visão mais ampla do mundo, com mais empatia e tolerância, visão essa que me irá acompanhar para o resto da vida.

Espero poder voltar e que o regresso seja rápido, não há um dia em que não pense naquelas caras alegres, tímidas, extrovertidas mas sobretudo felizes.

Voltei para Portugal mas deixei o coração em Cabo Verde

Sodade di nhos

Bárbara, Santiago 🇨🇻

É difícil encontrar palavras que descrevam a experiência que passei, sempre que me recordo vêm ao de cima emoções muito fortes e boas.

Parece que foi ontem que estou a sair do aeroporto e me encontro as três e meia da manhã com duas caras sorridentes que me esperavam para seguirmos numa mega carrinha de caixa aberta rumo ao Tarrafal.

O Tarrafal tem um encanto especial, e por isso toda a gente que lá mora é especial também. Eu pensava que ia embarcar numa experiência para dar de mim mas trouxe muito mais do que aquilo que imaginava.
O meu voluntariado foi na Delta Cultura, um centro educativo que visa acabar com a pobreza e exclusão social através da educação. Na Delta as crianças são felizes, brincam, dançam, cantam, jogam a bola, estudam, pintam, correm, sobem as árvores, dão cambalhotas, passam o dia a apanhar gafanhotos, enfim… fazem muitas coisas que as tornam mais felizes. São crianças humildes que com nada conseguem fazer tudo.


É impossível descrever a forma como fui recebida, todo o carinho e amor que me deram.
É também impossível esquecer os costumes, a língua, a boa disposição, a boa música, a cachupa, a caipirinha, a kriola e todos os amigos que lá fiz.


Fazer voluntariado é dar e receber.
Hoje sou outra pessoa, mais feliz!! ☺

Maria, Alenquer 🇵🇹

Conheci a Para Onde? através das redes sociais e do meu desejo ardente de ter uma experiência de voluntariado internacional. (In)Felizmente o tão aclamado COVID veio trocar as voltas, e o distanciamento conduziu-me até ao Alão Radical. A minha paixão por animais e crianças levou a que aceitasse o desafio desta experiência em território nacional, e posso dizer que não podia ter sido melhor! Desde a chegada à quinta, com o desafio de saber os nomes de todos os animais e a sua respetiva história (não é tarefa fácil, acreditem), a passar pela equipa de resgate e salvamento de um peru, aos desafios constantes das 15 crianças (todas com idades diferentes) até à dolorosa despedida, foram 10 dias cheios, intensos e a transbordar de alegria e boa disposição. A energia extraordinária e contagiante da Carla, a alegria e paciência do Sr. Simões com as crianças, e toda a harmonia do espaço fez com que a Marta, o Diogo, a Joana e eu criássemos um espírito de grupo brutal, que tanto nos ajudou a viver aqueles dias com um olhar diferente. Para mim, esta experiência foi exatamente aquilo que precisava no momento. Confesso que fiquei reticente por ser um projeto nacional, mas foi muito mais do que estava à espera. Foi abraçar um projeto com que me identificasse, sem levar pedras na mochila. Assumir um compromisso sem pensar demasiado, sem calcular prós e contras, simplesmente ir. E estar lá com tudo aquilo que sou e absorver cada segundo. Aprendi que a super organização não é tudo, e que às vezes mais vale deixar fluir e saborear o momento. Passado um mês, e com o coração cheio, continuo cheia de saudades da Pepa, do Heitor, do querido Snow, do meu Jeremias (Strogonof para os amigos), das tostas mistas do Ruben acompanhadas por chicletes do Diogo, do Gin, da Carla cheia de vida e, claro, dos meus companheiros de campo! Mil obrigadas a todos os que proporcionaram esta experiência, e principalmente, à Para Onde?. Não tenho palavras para descrever o meu agradecimento! Vocês são espetaculares! Vieram mostrar que não é preciso passar fronteiras para ter uma experiência de voluntariado. Obrigada a todos!

Luís, Colares 🇵🇹

Há momentos de espontaneidade que podem valer muito! Um deles foi sem dúvida aquele em que me voluntariei através da Para Onde? para ajudar num projeto cujo título me cativou logo: “PLANTAR PARA O FUTURO”. Achei que é algo que realmente precisamos de fazer, cada vez mais… Pensar a longo prazo e plantar, não só num sentido literal mas também em todos os outros aspetos da nossa vida, é a chave para cumprir os propósitos que são todos os dias defendidos na Quinta dos 7 Nomes e assim concretizar um futuro para nós e para as gerações vindouras.  E é com todos estes valores e com toda esta espontaneidade que se iniciou uma grande aventura de duas semanas com momentos incríveis, pessoas fenomenais e valiosas aprendizagens.  

Ainda antes de chegar à Quinta dos 7 Nomes conheci a Maria, coordenadora do voluntariado, uma pessoa super comunicativa, competente e aventureira, tornou-se uma grande amiga. Chegados e já com a tour feita pela Joana, responsável pela quinta, e uma pessoa super amável, conheci o Francisco que ia ser o meu parceiro voluntário. Com ele passei bons e intensos momentos em que ajudámos no que era necessário, apenas pelo prazer de contribuir para a manutenção de algo que queríamos que continuasse a gerar valor. Ao longo do tempo fomos conhecendo outras pessoas que nos ensinaram muito, que nos fizeram rir até rebentar e que essencialmente no seu conjunto nos mostraram espontaneamente como “PLANTAR PARA O FUTURO”.

Descobri que é bom não termos expectativas, desta forma deixar que tudo nos surpreenda, saber lidar com as situações no momento, abraçar a diferença e o inesperado mantendo uma perspetiva otimista mas realista das coisas. Isto foi a chave para nos ajudar a fazer sempre o melhor trabalho que conseguimos em cada momento. Assim alimentamos os animais, plantamos alface, courgette, beterraba…Limpamos e arranjamos o terreno os caminhos e os espaços comuns, pintamos de forma criativa, colocamos a lona e loteamos a zona de camping, aprendemos a fazer pão, cavámos a terra, preparámos a sala de aulas, compusemos o lago e ainda levámos o Bacon “Porco lindo” a passear. Sinto que fizemos a diferença, deixámos a Quinta dos 7 Nomes com a certeza de ter contribuído de forma positiva.

Para fazer a diferença não temos obrigatoriamente que sair do nosso país, onde vivemos também há pessoas a precisar de ajuda e projetos incríveis como este que precisam de voluntários com vontade de fazer o melhor por eles apenas esperando sair com a frase “Missão cumprida” nas suas cabeças. Foi tudo isto e “coisas que não se escrevem” que vivi com a experiência que a Para Onde? me proporcionou!

António, São Vicente 🇨🇻

Fazer voluntariado é algo que passa pela cabeça de muita gente, sim, certo e sabido que muita gente já pensou, pelo menos uma vez na vida, nessa hipótese; todavia, passar da teoria à prática vai uma distância grande. Esse caminho grande deve ser percorrido individualmente, por cada um, e, na altura certa, a oportunidade há de aparecer. A mim aparece-me a Para Onde. Depois, apareceu-me a cidade do Mindelo em Cabo Verde.

A experiência em si, a minha, claro está, porque cada um tem uma visão distinta de uma mesma situação, foi maravilhosa. É verdade, começou ainda antes de sair de Lisboa e só acabou quando aterrei, passados mais de dois meses, outra vez, em Lisboa. Este tipo de aventuras tem um bocadinho de tudo e, é precisamente nesses pequenos bocados, que está o sumo da situação equacionada à posteriori, de uma forma geral. Desde os dias sem água (poucos), aos dias sem gás (dois dias), passando pelas crianças, os centros de apoio escolar, o Frei, os muitos amigos que por lá fiz, tudo, mas mesmo tudo, são parte integrante deste meu voluntariado.

Aprendemos nas situações menos expectáveis e foi essa a grande lição que daqui levei. Quem tiver a oportunidade de ir, vá! Vá, porque da vida pouco levamos, e são experiências destas que nos fazem mais humanos e mais conhecedores de nós mesmos e das nossas capacidades.

Se houve maus momentos ? Claro que houve, mas quando é que não os há; digo, houve e ainda bem que os houve, porque foi aí, precisamente, que o aprendizado foi maior. Aprendi com crianças de 10 anos, aprendi com pessoas mais idosas, aprendi com pessoas da minha idade e, sobretudo, aprendi com um povo que não precisa de muito para sorrir.

Nunca me vou esquecer do que por lá passei e dos amigos que por lá fiz, isso é certo. E já sabem, depois do primeiro voluntariado, a probabilidade de lá sair com vontade redobrada para fazer um segundo, é muito, mas mesmo muito grande. Obrigado a todos aqueles que fizeram parte destes dois meses que voaram, por um lado, e que se arrastaram, no sentido positivo, por outro. 

Francisca, São Vicente 🇨🇻

A minha experiência em Cabo Verde com a ajuda da Para Onde foi simplesmente inesquecível.

Escolhi a ilha de S. Vicente. Para ser sincera nunca tinha pensado muito em fazer voluntariado mas sempre fui de experimentar coisas novas, por isso decidi embarcar na aventura.

Quando cheguei à ilha estava muito nervosa. Foi um misto de entusiasmo pelo caminho que ali tinha começado e do medo do desconhecido.

O nosso querido amigo Maxi, que estava logo à minha espera no aeroporto para me encaminhar, levou-me à casa dos voluntários. Aí conheci as outras voluntárias, que me receberam com grandes sorrisos na cara e me mostraram a casa, que tinha condições melhores do que eu esperava.

A partir daí, começou uma jornada incrível, uma maratona de emoções, das experiências mais bonitas da minha vida. Fizemos parte das atividades do projeto “Nô Bai” do Espaço Jovem, onde ajudámos as pessoas da comunidade, pintando casas e cuidando das crianças. As crianças eram bastante receptivas a todas as atividades que propúnhamos, corriam todas as manhas para saltar para cima de nós com abraços e beijinhos, e eram muito espertalhonas. Ensinámos-lhes muitas coisas- organizámos atividades diversas como workshops de inglês, formação de primeiros socorros, jogos de geografia, matemática e português, onde ouviam, atentamente, com os olhinhos a brilhar e muito concentrados. Para meu espanto, eles também me ensinaram muitas coisas. Fizeram-me refletir sobre a vida, sobre a minha infância, e ensinaram-me o quão fácil o amor e o carinho se pode tornar.

Aprendi a ser feliz com coisas simples, com momentos, com sorrisos. Aprendi a viver a vida com mais calma, com mais ternura e carinho pelos outros. Quando voltei a Portugal, com a cabeça nas nuvens e o coração cheio, já não estava habituada ao ritmo de vida e à falta de “morabeza”. Estava plena e mais relaxada que nunca, cheia de amor para dar e paz interior.

Todas as pessoas nos receberam bem. Só tenho a agradecer a toda a gente: desde ao Espaço Jovem, à Para Onde, às pessoas incríveis que nos ajudaram e às crianças. Tivemos também a oportunidade de conhecer a lindíssima ilha de Santo Antão, que fica a 40 minutos de barco do Mindelo, onde fomos igualmente bem recebidas pelos voluntários da Para Onde que lá se encontravam e demos passeios muito bonitos.

Às vezes era difícil, não vou mentir. Concretizámos tarefas trabalhosas, onde nos era exigida muita dedicação e paciência. Vão sempre existir, onde quer que se esteja no mundo, crianças mais complicadas que outras, e nesta situação cabe-nos a nós tentar compreendê-las e manter as turmas organizadas, com um bom ambiente de trabalho. Há dias em que temos de ser mais duros, e outros em que corre tudo às mil maravilhas, mas no final tudo compensa, tudo melhora ao ver a felicidade das crianças, e torna-se muito gratificante quando vemos progressos na sua aprendizagem.

Recomendo altamente esta experiência a qualquer pessoa que tenha a oportunidade, proporcionou-me um grande sentido de concretização e vai ajudar qualquer um a encontrar-se na vida.

Tenho muitas saudades de todos os amigos que lá fizemos, das crianças, do trabalho, daquelas praias lindas e do incomparável estilo de vida de Soncent. Esta ilha terá sempre um lugar muito especial no meu coração. Eternamente apaixonada!

Rafaela, São Vicente 🇨🇻

Posso dizer que não havia melhor forma de começar 2020, senão realizando a minha vontade de participar num voluntariado internacional. Parti para uma derradeira aventura e assim cheguei à ilha de São Vicente, apercebi-me que era ali que começava a minha oportunidade de fazer a diferença, era ali que começava a experiência da minha vida!

Foi um mês intenso tornando-se quase impossível de descrever o que ali vivi, apenas quem tem oportunidade de experienciar algo tão inexplicável é capaz de compreender todos os momentos que passei que me alimentaram a alma e os cincos sentidos que regressaram a Portugal mais ricos, com novos sabores, sons, cheiros, texturas e paisagens.

Fui recebida com todo o carinho pelas pessoas do Espaço Jovem e pelas minhas colegas, mas confesso que o medo de falhar, de não marcar a diferença e de ser apenas mais uma estavam então presentes, fizeram parte das mil e uma emoções que ali vivi. Tornaram-se paixão, partilha e amor assim que, conheci aquelas crianças que tornam tudo o que experienciamos mais bonito com os seus beijinhos de bom dia, a alegria estampada no rosto de cada um deles quando chegávamos pela manhã, a gratidão e confiança dos pais e a proatividade que levei comigo.

Desenvolvemos inúmeras atividades nos três centros do Espaço Jovem como quando preparámos umas máscaras para o Carnaval, ou quando viemos para a rua fazer corridas de batata e jogos tradicionais. O que importou foi tornar a aprendizagem destes meninos mais divertida e motivadora.

Contudo era importantíssimo para mim partilhar noções básicas de saúde, visto ser esta a minha formação, tendo então realizado o workshop “SOS o que fazer?”, tendo superado as minhas expectativas pela adesão de toda a comunidade.

Com esta experiência aprendi a por em prática o lema deles Depos de sab, morrê ka nada, aproveitando cada momento, devagarinho e a relativizar os nossos problemas, porque na verdade, aquela gente é tão melhor que nós, oferecem o que têm, um ombro amigo, um beijinho, um sorriso, sem pedir nada em troca, sendo felizes como o pouco que têm.

Fiquei com um bocadinho de cada pessoa com quem me cruzei, mas tenho a certeza que cada um deles também ficou com um bocadinho meu. É disso que é feito o voluntariado, de partilha, de amor, que com pouco podemos fazer muito, que os bens materiais são aquilo que menos importa, porque não nos definem, mas sim a intenção e a dedicação que colocamos em cada coisa que fazemos.

Escrever este testemunho é estar com lágrimas nos olhos e um nó na garganta com a tamanha Sodade de Soncent, uma Terra Sab que conquista o coração de qualquer um.

Juliana, Ilha do Maio 🇨🇻

O meu nome é Juliana, Ju para os amigos e Jô para amigos que fiz no Maio.

Andava à procura de uma aventura, à procura de algo que me pudesse fazer crescer, tanto a nível pessoal, como a nível profissional. Estava a acabar o meu curso e precisava de uma aventura. Fiz algumas pesquisas na internet e encontrei a “Para Onde” e o Programa de Proteção de Tartarugas Marinhas, na Ilha do Maio. Não precisei de procurar mais, tinha encontrado exatamente o que procurava.

Quando embarquei nesta aventura, não embarquei sozinha, fui com a Inês, colega da faculdade e amiga para o resto da vida. Preparámos a viagem com a antecedência necessária. E, em outubro de 2019, viajámos rumo à Ilha do Maio. Minutos depois de chegarmos ao Maio, esperava-nos um imenso tubarão baleia, que nadava perto do local em que desembarcámos. Não poderíamos ter sido recebidas de melhor forma. Percebemos, desde logo, que o Maio era especial.

Ficámos instaladas na casa de uma família local, no Morro. Tivemos imensa sorte com a família que nos acolheu. As condições não são, definitivamente, iguais às que temos em Portugal, no conforto das nossas casas. No entanto, os encontros inesperados com ratinhos, baratas e lagartos do tamanho de crocodilos são hoje histórias hilariantes para contar. O facto de sermos recebidos pelas famílias locais é, sem dúvida, uma das mais-valias deste programa, uma vez que nos permite perceber realmente como é que as pessoas vivem e em que condições.

Quanto ao trabalho de voluntariado em si, quando chegámos à época de desova já tinha terminado, apesar de nos terem criado a ilusão de que ainda poderíamos ver uma ou outra tartaruga a desovar, assumimos logo que isso não iria acontecer. Apesar de termos ficado um pouco desiludidas, decidimos ir na mesma. E, o que tenho para vos dizer, é que não me arrependo nada desta decisão.

Não participámos nas patrulhas noturnas, uma vez que estas já tinham terminado, mas de resto, fizemos um pouco de tudo. Preparámos palestras e atividades para as crianças da comunidade sobre a importância de reutilizar os materiais, ajudámos a abrir os últimos ninhos do viveiro da Vila e aprendemos um bocadinho sobre aves, numa saída com o grupo responsável.

E querem que vos diga quando é que eu soube que valeu a pena? Quando, numa das primeiras ao viveiro da Vila, abrimos os ninhos e vi a primeira tartaruga bebé. Não sei descrever em palavras o que senti, mas foi mágico.

Passaram sensivelmente cinco meses desde que voltei e tenho muitas saudades do Maio. Saudades de ter como despertador as vacas a mugir, as galinhas a cacarejar e os porcos a correr pelas ruas. Saudades de chegar a casa e ter as crianças à espera para nos ensinarem mais um jogo ou canção. Saudades dos fins de tarde a ver as tartaruguinhas partirem em direção ao mar e, sobretudo, saudades da paz e calmaria que senti naquele pequeno paraíso.

O Maio é especial e trouxe de lá a certeza que quero voltar.