Ana, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Olhando para trás e refletindo acerca da minha experiência como voluntaria na Associação Filhos do Céu (AFC), em Arraial D’Ajuda, um cantinho maravilhoso da Bahia, é difícil expressar tudo aquilo que vi e senti. Como é que posso descrever por palavras os sorrisos doces das crianças? Ou os abraços calorosos dos colaboradores que me trataram como se fizesse parte da família? Como descrever o sabor maravilhoso da comida que lá era confecionada com tanto amor? Ou do leite condensado nas tapiocas e nos churros? Como expressar o cansaço que sentíamos acumulado à sexta feira e a alegria de voltar à segunda (sem parar uma hora no fim de semana)? Como explicar que em poucos dias já nos sentíamos em casa a passear na rua da Broadway ou do Mucugê? Ou que andávamos de mototaxi com as compras como verdadeiras locais?

Esta aventura marcou-me definitivamente e não foi devido à falta de eletricidade ou de água, não foi pelos mais diversos bichos que me visitaram no quarto, não foi pela chuva que fazia do percurso que percorria a pé para a organização um riacho lamacento e muito menos pelas dezenas de picadas de insetos que tinha pelo corpo. Esta aventura marcou-me pela (dura) realidade em que estas crianças vivem e por, mesmo assim, serem capazes de amar, perdoar, ajudar o próximo e, sem saberem, ensinar todos aqueles que por lá passam.

Ser voluntária na AFC é ser educadora, árbitra em jogos de futebol e de “queimado”, é cortar legumes, limpar as salas, dar castigos, ralhar e dizer que não. É sujar-se, matar baratas e separar brigas. Ser voluntária na AFC é dar amor, ouvir, aconselhar, abraçar. É dar mimo e colo, é ser paciente, imaginativo, otimista e nunca desistir. É estar presente e atenta. É fazer de tudo para que cada criança se sinta única e especial. Porque efetivamente, cada uma das 150 crianças que por lá passam diariamente o são, à sua maneira.

Diariamente fui presenteada com uma nova história, com uma nova aventura. Todos os dias recebia abraços, beijos e pequenas mensagens que me faziam sentir em casa. Que me mostravam, mesmo sem querer, que era ali o meu lugar. Que não havia nenhum outro sítio onde eu pudesse ou quisesse estar.

Esta experiência tornou-se ainda mais completa a partir do momento em que conheci mais 4 maravilhosos seres humanos que, tal como eu, decidiram embarcar rumo a Arraial. Não podia pedir melhores companheiras nesta viagem. Foram dias e noites onde rimos, conversamos, cozinhamos, dançamos (ou tentámos) e nos aventuramos por quilómetros e quilómetros de praias paradisíacas sem fim. Criamos histórias e memórias para a vida, as quais – por ser melhor não as partilhar neste testemunho – estão guardadas num cantinho muito especial do meu coração.

Hoje, sinto-me grata. Sou uma sortuda por ter vivido esta experiência e me ter cruzado com todas estas pessoas que me marcaram e levam um pouco de mim. Venho embora com já com saudade e com uma imensa vontade de voltar um dia.

Bianca, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

A verdade é que as palavras são tantas e tão poucas para descrever tudo o que vivi e senti durante aquela que posso dizer ser “a melhor experiência da minha vida”.

Dia 31 de julho aterrei em Porto Seguro e, de coração aberto, mergulhei nesta aventura. No litoral do estado da Bahia, encontrava-se Arraial d’Ajuda, a vila que se tornou a minha casa durante o mês de agosto. O mês mais cheio de sempre mas o que mais rápido passou. O mês mais intenso e gratificante que tive mas o que mais desejava que não acabasse.

Todos os dias começavam bem cedo mas nunca sem vontade de sair da cama. Os abraços e beijos das crianças da AFC e o “Bom dia” sorridente de todos recarregavam todas as energias que pensávamos não ter. Era tão bom chegar, sentir todo aquele ambiente animado e ouvir todas aquelas vozes “Bom dia tia”, “Hoje vem para a minha sala?”, “Oiiiii Pro”…

Todos os pequenos gestos e momentos tornaram-se mágicos e ficarão para sempre guardados no meu coração. Toda a cultura e costumes diferentes dos meus (incríveis), todas as palavras e expressões que aprendi (a dizer e a não dizer), todas as músicas que tentei aprender a dançar (mas sem sucesso), todas as histórias que conheci (e que guardarei para sempre) e todos os obstáculos que foram aparecendo (e sendo ultrapassados) tornaram esta aventura muito muito especial.

Ser voluntário junto de todas as crianças da AFC é ser tudo. É ensinar mas também aprender, é dar mimo mas também estar de braços abertos para o receber, é ensinar o simples “Desculpa”, “Por favor” e “Obrigado” mas ser o primeiro a dar o exemplo. É estar junto de todos, ajudar na cozinha, brincar na creche, desenhar e escrever nas salas, jogar e dançar no salão e na quadra. E o coração gigante de todas aquelas crianças, os seus olhares, sorrisos, abraços e beijinhos, pedidos de atenção e de ajuda, desenhos, cócegas e palavras mágicas (“Titia, te amo”, “Não vá embora Pro”) são as memórias mais valiosas que poderia (e que trouxe) desta experiência.

No entanto, nada seria igual se não estivessem do meu lado mais quatro raparigas. Quatro raparigas diferentes mas com o mesmo objetivo. Objetivo esse que nos uniu e que fez com que sentíssemos que nos conhecíamos desde sempre. Foram tantas as emoções, as aventuras, as histórias, as gargalhadas, as limpezas a fundo, os sustos e descobertas de pequenos seres “inesperados”, as cantorias e tentativas de dança, a vontade constante de ir comprar leite condensado, brigadeiro, coxinhas, churros, tapiocas, açaí… Sem dúvida que elas tornaram esta experiência ainda mais única e especial.

É impossível ir e voltar da mesma maneira. Agosto foi o MÊS. O mês que me transformou, me ajudou a ver o mundo com outros olhos, me ensinou a valorizar ainda mais as pequenas coisas, a largar o que não é indispensável, a viver intensamente todos os momentos, a descontrair perante as adversidades, a sorrir perante a vida. Agosto foi o mês que me ensinou a AGRADECER. E agradeço a esta vila por me ter feito crescer, agradeço a todos os profissionais e voluntários da AFC por me terem acolhido e feito sentir em casa em todos os momentos e agradeço a todas as crianças por me terem ensinado tanto e por me terem enchido o coração de amor e vontade de voltar. Agosto foi o mês em que fui eu, em que tentei dar o melhor de mim e em que fui, verdadeiramente, feliz.

E SIM! A vontade de voltar é gigante. Para Arraial e para a AFC é apenas um “Até Já”. 

Diana, Estónia 🇪🇪

Como começar… Nem sei, honestamente… Acho que a primeira coisa foi decidir que queria fazer voluntariado no estrangeiro. Falei com imensas pessoas e fiquei a conhecer a “Para Onde?” através de uma amiga minha. Acho que isso me deu alguma segurança, só o facto de saber que alguém que eu conheço e em quem confio já tinha viajado sob a “tutela” e organização desta associação, tranquilizou-me. Este ano quis começar com algo mais pequeno, por isso, procurei ações de voluntariado de curta duração, procurei algo na Europa, mas que tivesse a ver com crianças e foi assim que encontrei “English in the Camp”, em Tallinn, durante 10 dias. Quando vi essa oportunidade, soube que era esse o programa que gostava de fazer: ensinar inglês a crianças dos 6 aos 10 anos. Posto isto, a parte mais complicada chegou, tive de escrever muitos textos e tive de responder a muitas perguntas, algumas delas até considerei difíceis, porque por vezes é difícil passar para “papel” aquilo que é sentido, mas, paulatinamente, escrevi e preenchi tudo o que era necessário, enviei e fiquei muito ansiosa à espera da resposta. Foi algo muito rápido e ao fim de poucos dias, o Manel mandou-me um mail a dizer que fui aceite. A partir daí foi preciso organizar tudo, incluindo a data da formação que tem de ser feita antes de a aventura começar. Vou ser muito sincera, quando me foi dito que a formação tinha uma duração de quatro horas, o meu primeiro pensamento foi: “Meu Deus, tanto tempo!!! Como assim quatro horas para dizer tão pouco?”. Não podia estar mais enganada. Antes de mais, as quatro horas passaram a voar e além de divertida, a verdade é que, mesmo num campo de curta duração como foi o meu, dei uso a praticamente todos os conselhos que me foram dados! Tudo se revelou, de facto, tal como o Manel e a Joana instruíram, e chegaram mesmo a acontecer situações que eles expuseram durante a formação.

Avançando para o derradeiro momento, a viagem e os 10 fantásticos dias:

Confesso que, mesmo já tendo trabalhado com crianças, estava um pouco assustada, mas tão empolgada. Foi a primeira vez que viajei para tão longe sozinha e no momento em que cheguei ao aeroporto, procurei também por quem me ia buscar. Ao fim de pouco tempo encontrámo-nos e primeiro foi-me complicado perceber o sotaque inglês do querido rapaz Artjom, mas depressa me habituei. Levou-me à escola onde eu e a outra voluntária íamos ficar e pouco tempo depois, ela também chegou. Conversámos as duas um pouco, fizemos planos sobre o que visitar nos tempos livres e preparámos tudo para o dia seguinte. Na manhã seguinte, chegou a Jelena, que nos deu umas boas-vindas calorosas, e conhecemos também a Kärt, outra professora voluntária que ia ajudar no campo. A partir daí, começaram a chegar imensas crianças, todas de uma vez e o barulho, alegria e diversão explodiram na sala! Foi um momento que me marcou, o primeiro dia de chegada de todas as crianças ao campo. Tentei aprender o nome delas rapidamente, o que não foi uma tarefa propriamente fácil, já que o próprio dialeto e fonética é todo ele muito diferente do português, mas a verdade é que acabei por encontrar palavras portuguesas muito parecidas a palavras russas; a palavras estonianas, nem tanto, mas as crianças e as professoras ensinavam-me russo e eu ensinava-lhes português. Tenho de admitir que elas se saíram muito melhor do que eu em pronunciar palavras em português, em comparação com as minhas tentativas de pronunciar frases completas e corretas em russo ou estoniano! O campo funcionava de uma maneira sistemática e simples: de manhã as crianças tinham jogos que fomentavam o espírito de equipa e o inter-relacionamento, sendo que esses jogos eram a nossa principal tarefa (isto é, dos voluntários). Da parte da tarde, íamos sempre visitar algo, fazer jogos, íamos passear a jardins, fazíamos workshops e também preparávamos a peça de teatro que as crianças iam apresentar aos pais, no final do campo.

Nas folgas que tivemos, ao fim-de-semana, e no final de cada tarde, eu e a Nastya (a voluntária muuuuito querida com quem partilhei esta experiência) fomos conhecer a cidade, desde a belíssima parte velha da cidade até uma das maiores cascatas da Estónia – a cascata de Jägala -, sendo que pudemos contar com a ajuda da família da Olga, a responsável pelo campo, para nos levarem a alguns sítios que eram mais distantes ou de mais difícil acesso. Assim, foi possível assimilar toda uma diferente cultura, numa cidade lindíssima, que é de facto, tão diferente de Portugal, desde as ruas, à gastronomia (um pequeno à parte que me marcou: na Estónia não comem alface, e eu que não gosto desse tal legume verde, mas ao fim de 10 dias sem ele, acho que desenvolvi uma certa simpatia por essas folhas verdes), da moda à arquitetura, que é simplesmente lindíssima e do próprio ambiente que criam as pessoas que vivem em Tallinn, à meteorologia, que é louca, mas tão gira de vivenciar – num momento está tanto sol que é preciso procurar uma sombra, como ao fim de 10 minutos está a chover e um vento que obriga até a pôr um cachecol em torno do pescoço.

Saí desta cidade e deste campo com uma nova experiência vivida, com novas amizades, com um novo trabalho desenvolvido junto de crianças fantásticas e que se esforçaram imenso para concretizar uma peça de teatro de um nível de inglês requerido bastante elevado! Senti-me tão orgulhosa delas no final e tão comovida quando se despediram de mim com um abraço apertado. Espero que um dia se lembrem deste campo de verão, não necessariamente de mim, mas de tudo o que vivenciaram, de tudo o que rimos, do quanto se divertiram, o que visitaram, e claro, o que aprenderam. Eu saí com uma nova visão sobre a educação, desenvolvi uma grande aptidão: ter paciência, e sem dúvida que acima de tudo, diverti-me muito!

P.S.: Os meus mais sinceros agradecimentos por todo o apoio tanto do Manel como da Joana, porque foram duas pessoas que estiveram a acompanhar toda a experiência, desde o momento em que me candidatei até regressar à nação. Foram sempre muito atenciosos e estiveram sempre atentos ao que eu precisava, e se estava sempre tudo bem, incluindo os momentos de levantar voo e aterrar em solo estrangeiro!

Susana, Ilha do Maio 🇨🇻

Chegada a Portugal mas com o coração e o pensamento, ainda, no Maio. Foi ir sem expectativa e sem história e regressar com um sorriso rasgado e a alma preenchida.

Fui, de facto, muito feliz no Maio. A minha missão era ambiental através da proteção das tartarugas, mas naquela ilha de terra castanha e água turquesa eu encontrei uma felicidade indiscritível. Encontrei amor, carinho, histórias para contar, amigos para a vida.

No Maio aprendi a valorizar as pequenas coisas e os grandes gestos. Aprendi a beleza da natureza e a amizade do ser humano. Aprendi que, no final das contas, a infraestrutura onde dormes ou comes não importa.

Deixam de importar os banhos de copo, as portas fechadas por pedras ou os buracos no teto. Começas a valorizar o amor, a compreensão e o apoio que sentes dentro daquela que passa a ser a tua segunda casa.

Deixa de importar se dormes na areia ou se te assustas com o barulho das ondas, porque acima de ti está o céu estrelado mais bonito que alguma vez pudeste ver, e ao teu lado desova um animal extraordinariamente maravilhoso que te ensina a apreciar um processo calmo e instintivamente programado.

O Maio é um lugar mágico. É cor, paz e alegria. É liberdade. É sonho. É gente de falas fáceis. É gente de gestos bonitos.

No Maio deixei um pouco de mim, e trouxe comigo muito de lá. Obrigada, Maio, por me teres dado a oportunidade de te conhecer. Prometo que volto em breve. 💙

Isabel e Inês, Espanha 🇪🇸

Hola, que tal? Bem, vamos contar-vos a nossa experiência em Tarragona, Espanha. Antes de mais, o nosso nome é Inês e Isabel.

Tudo começou porque eu, Isabel, chateei a Inês para fazer voluntariado internacional. Esta ideia adveio de uma amiga que fez voluntariado através da Para Onde?. Felizmente ela adorou a ideia e lá fomos nós conhecer o desconhecido. O nosso campo de voluntariado consistiu num festival “La iMAGInada”, onde ajudámos na organização do mesmo. Vamos ser sinceras, inicialmente, não querendo desfazer o propósito do campo de voluntariado, estávamos um pouco reticentes, não se tratava de ajuda humanitária. Mas, decidimos viver esta aventura, sendo que foi o nosso primeiro campo de voluntariado.

Tudo mudou a partir do momento em que conhecemos os restantes voluntários internacionais, a organização e a forma como aquelas pessoas viviam para aquele festival. Um festival completamente diferente do que estávamos habituadas, onde a cultura dança com a diversidade e o convívio entre as pessoas. Um local seguro para famílias, amigos e desconhecidos, com espaço para adultos, crianças e idosos, onde toda a gente desinibia-se de qualquer preconceito.

No início foi difícil a adaptação ao ambiente desconhecido longe de casa, que desapareceu a partir do momento em que todos nos começámos a conhecer melhor. A experiência de convivermos com pessoas desconhecidas com hábitos e culturas completamente diferentes não foi, de todo, um obstáculo, tínhamos um grupo muito acolhedor, divertido e todos nos demos muito bem.

A organização do festival foi espetacular connosco, pessoas humildes que estavam sempre preocupadas com o nosso bem estar. O calor era muito, o trabalho também, mas tudo recompensou a partir do momento em que vimos tudo pronto para o festival. Foi um enorme orgulho ver as pessoas a elogiar o nosso trabalho como equipa! Nos dias do festival ajudámos no bar, na cantina, com as crianças, e a montar e desmontar os fóruns onde existiam workshops durante o dia.

Os Camp Leaders foram bastante prestáveis connosco, tudo o que decidiam pediam-nos a opinião e estavam sempre prontos a ajudar caso nós precisássemos de alguma coisa.

Por outro lado também foi espetacular o facto de termos tido tempo livre para ir à praia, passear pelas ruas lindíssimas de Tarragona e termos tido direito a uma visita pelos pontos turísticos da cidade.

Resumindo, valeu muito a pena! Temos a certeza que nunca nos iremos esquecer de cada um deles e da primeira grande experiência de voluntariado das nossas vidas.

Andreia, Caraíva 🇧🇷

Os pés acabaram de pisar Portugal, as emoções um turbilhão, mas o coração ainda sobrevoa Caraíva. No dia 30 de Julho embarquei naquela que seria a melhor experiência da minha vida. Neste dia não sabia o que esperar, tudo era novidade, mas quando vi aquele pequeno paraíso, percebi que tinha tudo para dar certo.

Os dias começavam com a paisagem mais bonita do mundo. Tudo virou rotina… o café da manhã cheio de cor, alegria e vida; a caminhada até à ONG e toda a receção por parte daquelas crianças incríveis. Abraços apertados e genuínos, sorrisos, “Eu gosto de você”, “Não vá embora”, “Vem para a minha aula” e assim foram passados os dias mais incríveis.

As pessoas, a cultura, as tradições…era tudo tão mágico.

Nunca fui tão eu e nunca me senti tão livre, nunca andei tanto tempo de pé descalço e nunca comi tanta fruta e tapioca. Agradeço cada momento, cada mergulho no rio e no mar, cada pôr-do-sol e cada céu mais estrelado. Agradeço às 43 horas sem eletricidade, aos indetermináveis dias de chuva, à falta de gás e água fria, a cada animal mais estranho que encontrávamos no quarto, cada susto que apanhei e a tudo o que não me fez falta. Nem todos os dias foram fáceis, mas claro que a experiência não seria a mesma se tudo fosse perfeito.

Caraíva é isto… é não sabermos o que esperar, é viver da forma mais genuína e simples, é não ter regra, é confiar no que há para vir, mas uma coisa é certa, existirá sempre um “Bom dia”, um sorriso rasgado, um abraço apertado e a energia contagiante que nos faz sentir em casa.

É impossível sair deste lugar sem uma visão diferente da vida. Não da deles, mas da nossa. Estas crianças ensinam-nos mais do que alguém pode imaginar, que é bem verdade a frase que a “felicidade está nas pequenas coisas”. Basta música, dança, lápis, uma bola, árvores e biri-biri para os seus olhos brilharem. Os pulos de alegria quando a energia volta e quando não havia, tudo continuava e o improviso reina. Ensinam-nos a ser gratos, a confiar e agradecer por tudo o que temos e somos.

Ser voluntário é ser um pouco de tudo, fomos mães e titias, ouvimos e contamos histórias, brincamos, damos abraços, arrancamos sorrisos, limpamos lágrimas, curamos feridas, damos colo e carinho, ensinamos a respeitar , a pedir desculpa e a dar a mão.

“Tudo fica melhor quando estamos com as pessoas certas” é das frases que mais me marcou. “Era uma vez” 4 raparigas, 4 personalidades distintas, 4 pontos do país e 1 sonho em comum. Com a luz destas miúdas tudo ficou mais bonito e mágico. Desde as grandes risadas, sotaques, expressões estranhas, cantorias, cumplicidade, tatuagens, apoio e muitas histórias para recordar. Uma coisa é certa, hoje somos grandes amigas e agradeço por terem tornado esta experiência ainda mais especial.

Agora de lágrimas no rosto e coração apertado levo grandes memórias desta pequena vila, das mil aventuras, de todas as pessoas que me cruzei nas ruas de areia, dos desenhos que recebi e das crianças que se tornaram uma segunda família.

Um gigante obrigado a este fim maravilhoso, que me permitirá ter um começo ainda mais bonito. Obrigada Caraíva, fui a pessoa mais feliz deste mundo e até um dia, pois sei que a porta estará sempre aberta. Parte do que parte fica…

Rita, Itália 🇮🇹

O meu interesse pelo voluntariado foi despertado por uma professora, e desde então sempre foi um dos meus objetivos poder fazer uma ação de voluntariado. Apesar de me imaginar num programa com crianças, quando comecei a pesquisar um pouco mais no site da ‘Para Onde?’, apercebi-me da variedade de programas que existiam aqui na Europa, e decidi tentar!

O escolhido foi Itália, na Casa Chiaravalle, em Milão; o foco deste campo é o de ajudar na integração de migrantes provenientes de diversos pontos do Mundo. A cooperativa advoga por um ambiente mais sustentável, tendo espaços dedicados à agricultura; o nosso projeto era maioritariamente de carpintaria e jardinagem, onde construímos uma mini “casa” de galinhas, e ajudámos em trabalhos de limpeza do espaço.

Apesar de não ser um campo que muita gente imagina (incluindo-me nessa categoria), adorei a experiência, e pretendo repetir. Uma experiência que me permitiu conhecer pessoas de culturas, personalidades e feitios diferentes, possibilitou testar os meus limites e capacidades.

Termino esta experiência com um olhar mais positivo do Mundo, das minhas capacidades, e que irá influenciar certamente a forma como conduzirei futuros projetos ou empregos. Agradeço desde já à equipa do Para Onde, mas também aos coordenadores em Itália, e a todos os novos amigos que tive o prazer de conhecer. Obrigada!

André, Suíça 🇨🇭

Como primeira experiência de voluntariado internacional decidi participar num workcamp em Ticino na Suíça. Este campo suscitou um grande interesse em mim, por ser numa zona montanhosa, remota, e envolver trabalho ao ar livre.

O facto de ser um projeto que envolve a participação de voluntários de diversos pontos do mundo, levou a que a experiência também fosse bastante enriquecedora tanto na troca de aspectos culturais de cada voluntário, como na partilha de vivências e conhecimentos entre todos.

As atividades neste campo foram diversas e com elas sentimos mesmo que estamos a ajudar a comunidade local e a estabelecer novas competências num ambiente diferente. A quinta tem condições que hoje em dia consideramos bastante “básicas”, isto é, a eletricidade é escassa, não há rede móvel, a água chegou a faltar enquanto lá estivemos e tomar um duche é apenas possível com água a uma amena temperatura de 10ºC!  

Éramos no total 15 voluntários de 8 nacionalidades diferentes. No campo havia também alguns membros que passavam férias e ajudavam no trabalho, sendo também voluntários. As tarefas realizadas na quinta iam desde a obtenção de alimento para o gado (palha) à criação de muros de sustentação com rochas nas encostas que circundam a quinta. Estes muros iriam suportar tanques de 1300 litros, nos quais seria armazenada água. Estes tanques foram transportados pelos voluntários em terreno bastante inclinado, o que dificultou a tarefa. Felizmente terminámos a tempo e conseguimos colocar os 5 tanques no sítio pretendido.

Os voluntários foram divididos em 3 grupos de 5 elementos, que iam de forma rotativa ajudando a cozinheira, Béa, na preparação das refeições e na lavagem da loiça. Esta divisão permitiu que toda a gente trabalhasse nas diversas tarefas e também aumentou a eficiência. Achei bastante positiva a colocação dos voluntários que já se conheciam em grupos diferentes!

O trabalho era exigente, mas divertido, dado que o ambiente era sempre de brincadeira. A motivação dos voluntários era visível e ficou bem patente o avanço no curto espaço de tempo que lá estivemos. Chegámos mesmo a exceder as expectativas do presidente do Alpe Loasa no que toca ao trabalho feito.

Após o almoço, tinhamos um período de descanso em que os voluntários podiam optar por repousar, jogar jogos de tabuleiro ou cartas. Estas oportunidades foram excelentes para conviver. Também fizemos algumas caminhadas em redor da quinta, e chegámos a ir até ao Monte Bisbino onde comemos um gelado no restaurante aí presente. Outros voluntários optaram por ir até ao rio onde puderam nadar e apreciar a natureza.

No geral, gostei bastante de ter participado nesta iniciativa, e irei considerar participar novamente!

Laura e Catarina, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

A nossa viagem teve como destino São Tomé. A nossa viagem não foi um mar de rosas. São Tomé não é um paraíso e viver nesta cidade é ultrapassar todos os dias o que achamos ser um limite, é ter estômago e sangue frio, é fazer a diferença mais vezes do fechar os olhos, é crescer e é viver na realidade que muitos desconhecem. As paisagens ditas paradisíacas não ultrapassam o resto. Na cidade há lixo, há sujidade entranhada no ar, há pessoas e animais maltratados, há preconceito, interesse e uma normalidade, no meio de tudo, estranha para quem vem de um país onde nada disto acontece. Há quem lhe chame cultura, nós chamamos-lhe uma paragem no tempo.

O que nos levou até lá foram 10 crianças internas e 3 externas (perdendo a conta aos que todos os dias iam aparecendo) e foquemo-nos nisso. Estas crianças foram a nossa casa durante 1 mês e, olhando agora para trás e metendo a cabeça no lugar, um bocadinho do nosso refúgio do dia-a-dia. Estas crianças ensinaram-nos mais do que alguém pode imaginar e pode parecer um cliché, uma frase dita por quase toda a gente que faz voluntariado mas a verdade é que ensinaram-nos que a verdadeira felicidade está nas coisas mais pequenas e simples. Que basta haver música e dança para arrancar sorrisos, que os olhos brilham quando se ouve falar em chocapic e que um copo de leite de manhã (quando há) aquece a alma. Que os pulos de alegria genuínos acontecem quando a energia volta e quando não há a vida continua, as rotinas mantém-se e o improviso acontece. Ensinaram-nos a agradecer, todos os dias pela sorte que temos e não sabemos.

Ser voluntário não passa só por fazer atividades que ocupem e proporcionem aprendizagens e visões do mundo diferentes. Essa parte é fulcral mas ser voluntário é ser um bocadinho de tudo, ouvimos e contámos histórias, demos abraços, arrancámos sorrisos e limpámos lágrimas, demos colo, amor e carinho, curámos feridas, fizemos bolachas e pizzas, ensinámos a respeitar, a falar em vez de gritar e bater, tivemos conversas informais sobre tudo e mais alguma coisa, protegemos o ambiente, deitámo-nos a ver estrelas, aprendemos a lavar a roupa à mão.

Hoje ficam as saudades de acordar com o barulho da vassoura e do machado a cortar lenha, o bater à porta de 5 em 5 minutos, os beijinhos cheios de baba e os abraços que quase nos esmagavam. Hoje tudo o que trazemos são as lembranças e o coração apertado de saudades. Deixámos um bocadinho de nós e trouxemos um bocadinho de todos. Obrigado São Tomé por nos teres dado estes miúdos incríveis ♥

Sérgio, Ilha do Maio 🇨🇻

Eu tive um sonho de realizar uma missão de voluntariado em África, em Moçambique. Teria de ser um voluntariado de longa duração para melhor me inteirar das necessidades da comunidade e de toda a envolvente. Quando me reformei, comecei a compreender que esse sonho seria possível. Com a ajuda da minha sobrinha Catarina Vieira – a Caty, para mim -, que fez voluntariado em Zanzibar, na Tanzânia, inscrevi-me num programa de longa duração em Moçambique. Acontece que, devido à especificidade do projeto, não pude dar o meu contributo. Queria retribuir de uma maneira singela tudo o quanto esse país maravilhoso me deu nesses dezassete anos inolvidáveis em que vivi toda a minha infância e adolescência.

A Para Onde? – Voluntariado Internacional, reconhecendo a minha grande paixão por África, orientou-me para Cabo Verde. E, assim, aderi ao programa das tartarugas marinhas, na Ilha do Maio. Este novo projeto, que a Para Onde abraçou, teve início a 15 de junho e vai terminar em novembro. Inscrevi-me para os meses de junho a agosto, num total de sessenta dias.

Quando chego à Ilha do Maio, a 19 de junho, a FMB – Fundação Maio Biodiversidade, levou-me até à aldeia do Morro, a cerca de cinco quilómetros da Cidade de Porto Inglês, mais conhecida por Vila. Era aqui, no Morro, na casa dos meus pais adotivos, o Paulo e a Vanda, que iria morar até agosto, numa experiência que se revelou memorável.

Uma hora depois da chegada, o Edinho, um dos guardas marítimos, foi à minha casa e perguntou-me se pretendia ir com ele fazer o censo que estava previsto iniciar-se, dali a minutos, nas praias do Morro e que teria uma duração de hora e meia. Assim começou uma amizade para a vida.

O 1º censo com o Edinho no dia da chegada
O primeiro rasto a 20 de junho

A época das patrulhas noturnas para a monitorização das tartarugas marinhas, foi inaugurada a 30 de junho e vai decorrer até ao final de novembro. O horário das patrulhas é das 20h às 6 da manhã. Mas, normalmente, terminam pelas sete ou oito horas. É muito tempo a patrulhar e torna-se demasiado cansativo. Mas é reconfortante todo aquele convívio e camaradagem que se instala em cada um de nós quando a noite cai. O silêncio do luar, a agitação do mar e a espuma das ondas que nos afaga a alma, convida- nos à introspeção. São momentos únicos que a noite nos transporta para além de nós próprios.

A primeira desova, a 23 de junho

À medida que ia melhorando a minha experiência com as tartarugas, ia-se acentuando o desejo de conhecer todas as pessoas do Morro. Queria entrar em cada uma das casas e conhecer as famílias, os seus nomes de igreja e de casa, as suas idades, a escolaridade e as suas profissões. Ver o seu modo de vida, para melhor perceber das suas carências, das suas dificuldades. Trazia uma mala cheia de coisas úteis que a Paula, a minha esposa, fez ao longo de um mês para oferecer às pessoas da aldeia onde ficasse a morar. Na outra mala, a minha roupa era para deixar a quem mais necessitasse. Regressaria apenas com a roupa do corpo e uma muda. Nada mais! E assim foi.

Por isso, para que a distribuição das malas fosse destinada aos mais carenciados, idealizei um censo às pessoas do Morro. Comecei por fotografar as ruas e cada uma das casas, dando-lhes números para as melhor identificar. Depois, fui tocando a cada porta e passei a conhecer o seu interior, as suas vidas. Este projeto teve o apoio dos meus pais adotivos – a Vanda e o Paulo – e contou com a ajuda de várias pessoas, entre locais e voluntárias, com especial evidência para a Ana Rosário. Todos, e cada um à sua maneira, colaboraram para o edificar deste projeto que me encheu de orgulho. Pedi a todas as voluntárias portuguesas que passaram pela nossa casa para contribuírem para o avolumar da mala. E todas deixaram roupas que tornaram felizes mais pessoas do Morro. Obrigado a todas.

O que começou por ser uma missão de voluntariado para trabalhar com as tartarugas, tornou-se numa missão de conhecimento das pessoas do Morro. Esta metamorfose que se foi construindo, transformou-me sobremaneira. As tartarugas são importantes. Mas, mais importante, são as pessoas. As pessoas da minha aldeia. As pessoas do Morro. Chamar as pessoas pelo seu nome passou a ser uma obstinação. Conheci as cento e oitenta e duas pessoas. Sinto que cumpri uma missão para com essas pessoas. Fui um deles. Sou um deles!

A Leonor e o Nelito (na foto), a escolherem a praia para a limpeza, no Sábado. É uma das atividades mais importantes na Ilha do Maio. A sensibilização das pessoas, faz-se porta-a-porta, e as comunidades locais são chamadas a ajudar na limpeza para se consciencializarem dos perigos que o amontoar de resíduos nas areias das praias provoca no ecossistema das tartarugas marinhas. No período em que lá estive, deram à costa três tartarugas mortas. Duas fêmeas e um macho. Tinham engolido corda de sisal e ficado asfixiadas. É uma pena que ainda haja tanta falta de cuidado e, porque não dizê-lo, tanta falta de respeito!

Participei no projeto da Rota Gastronómica, da Ilha do Maio, que teve a liderança da Ana Rosário, voluntária portuguesa, e do João Varela, o Eco Guia da FMB. Foi gratificante saber que, no final de Agosto, já será possível realizar esta rota turística de primordial importância para o Maio.

Ajudei a FMB no carregamento de dados da observação de pássaros nas áreas protegidas, dos anos de 2017 e 2018. Era o mínimo que poderia fazer, quando a Sara me fez o pedido para a atualização dos dados observados. Agora, já será possível o estudo analítico e estatístico da evolução dos pássaros nas áreas protegidas da Ilha do Maio.

O João Varela com um peixe acabado de pescar
Praiona, uma das bonitas praias da ilha

O grupo GAS Tagus – a Rosa, a Ana, a Lúria, o Dani, a Maria e o guia Agostinho – que há quatro anos faz atividades sociais na aldeia do Morro, sabendo da minha pretensão de subir ao ponto mais alto da Ilha, convidou-me para ver o nascer do sol do alto do Monte Penoso. Obrigado por esse domingo maravilhoso.

Pôr-do-sol no Morro, visto do terraço da minha casa
A lagoa do Morro
Nascer-do-sol na subida ao ponto mais alto da ilha
O início da parte final da subida ao Monte Penoso

Comecei a escrever um diário em 2 de outubro de 2018, com a minha candidatura ao voluntariado de Moçambique. Depois de vicissitudes várias, recebo, finalmente, a 31 de outubro, a confirmação da FMB de que fui aceite no programa de longa duração para a Ilha do Maio, em Cabo Verde.

Para que não me esquecesse de nada, ia anotando os acontecimentos mais relevantes que antecederam a partida para Cabo Verde. Durante a missão de voluntariado, todos os dias atualizava o meu bloco A5. Agora, ao relê-lo, sinto que foi uma experiência a todos os títulos notável. Quantas lágrimas já caíram por momentos tão sublimes. E as que ainda irão cair…!

Pela experiência sentida, como voluntário sénior, digo que é importante a vivência e a convivência com outros voluntários mais jovens. Esta simbiose entre a experiência, a maturidade e a sabedoria, por um lado, e a audácia, jovialidade e a irreverência, por outro, fazem o equilíbrio que muitas vezes é necessário nas mais variadas situações de voluntariado.

Estas sete semanas proporcionaram o convívio com seis voluntárias, sendo uma delas cabo-verdiana e as outras portuguesas. Todas elas jovens e cada uma com a sua personalidade. Umas mais senhoras de si, outras mais carentes mas, todas elas, empreendedoras e dispostas a tudo fazer para se integrarem no seio da comunidade, de modo a cumprirem com os objetivos do voluntariado a que se propuseram.

Como mais velho e com uma existência de mais de dezassete anos em Moçambique, penso que ajudei a que essa integração fosse mais facilitada. Era, no fundo, o mínimo que se me exigia.

No meu caso particular, a voz do voluntário sénior é mais compreendida, é mais alcançável e é mais aceite, quer junto das comunidades locais, quer junto dos outros voluntários mais jovens. A experiência vivida ao longo de quarenta e dois anos de trabalho e nas inúmeras viagens realizadas pelos cinco continentes, trouxeram uma espécie de liderança natural para a comunidade, com especial relevância para os guardas marítimos com quem tive o privilégio de trabalhar nas longas noites na proteção das tartarugas marinhas. Foram deles as maiores apreensões com as escalas e com as folgas. Foram deles as chamadas de atenção para as relações humanas que se deterioravam. Foram eles que elegeram a minha voz. Fiquei demasiado envolvido nas suas preocupações e estou-lhes grato por isso. A nada me refutei, nem poderia fazê-lo. Por isso a nossa relação foi tão especial. Afinal, passei a ser também um deles. Passei a ser também um guarda marítimo.

Através de contactos vários com a FMB, fui dando conta de algumas situações que se estavam a passar com a líder e os guardas marítimos. Eu próprio fui testemunha de algumas delas e também suportei a sua sobranceria e a falta de respeito. Por isso, abandonei o programa das tartarugas mais cedo que o previsto. Foi pena. A FMB fez algumas reuniões e as relações humanas foi uma das vertentes que mais melhorou. Não consegui diluir todos os problemas, mas a minha persistência contribuiu para uma progressiva melhoria no relacionamento entre todos os que fazíamos patrulhas.

Para que conste, não guardo mágoa alguma. O sonho concretizou-se. A experiência tornou-se inolvidável. Daquelas que reservarei para sempre num lugar distinto das minhas memórias. Foram os cinquenta dias mais importantes da minha vida. Venho diferente. Diria mesmo, muito diferente. Para melhor. Passei a dar mais valor às coisas que são realmente importantes. Nós, por aqui, continuamos nas nossas superficialidades que não nos levam a lugar algum. Até para o ano, no Morro.

Os preparativos, na véspera, para a despedida, com o Boba, o Edinho e o Gilson

Em prol da grande amizade que se construiu entre nós, os guardas marítimos fizeram-me uma festa de despedida na praia, durante todo o dia. Mas a festa começou no dia anterior, à noite, quando me pediram que fizesse uma última patrulha com eles para assim passarem a noite comigo. Não tenho palavras para descrever esses maravilhosos dias de cinco e seis de agosto, véspera da minha partida. Brincámos, mergulhámos, nadámos, comemos, bebemos, cantámos, dançámos e também chorámos. Chorei muito. Nunca assisti a uma demonstração de amizade como esta.

Os grandes mentores da festa: o Boba, a Inês (tesoureira), o Edinho e o Gilson

Queria agradecer às pessoas responsáveis do FMB e a toda a sua estrutura, todo o apoio que me proporcionaram nesta missão de voluntariado. São elas: O Leno, a Andreia e a Janete, na foto, e ainda, a Sara, a Raquel, a Jocelina, o Jairson, o Denis, o Nelito e o João Varela. A todos o meu muito obrigado.

O pequeno-almoço na praia, a ser preparado com todo o requinte, pelo Edinho

Obrigado Edinho. O maior de todos. A amizade que temos vai perdurar pela vida. Agarrou- me a 19 de junho e só me largou a 7 de agosto, na minha partida. Levei-te comigo e sei que continuo aí presente. Os momentos que passámos juntos nas patrulhas foram tão tocantes que jamais os esquecerei.

O Boba e a caipirinha improvisada

Obrigado Boba, muito falador mas amigo do peito. Obrigado Gilson, sempre bem-disposto e pronto a ajudar. Obrigado Omar, o benjamim dos guardas. Obrigado David. Obrigado Diego. Obrigado Dino. Todos foram importantes nestas sete semanas. Sem vocês, nada disto seria possível. Nada disto fazia sentido. Eternamente grato.

A cachupa, na praia, confecionada pela Vanda

A Vanda, ou melhor, a Cândida, de seu nome de igreja, a minha mãe adotiva, prontificou-se a confecionar a cachupa para o almoço na praia. Os seus dotes de cozinheira ficaram bem patentes na limpeza da grande panela que serviu o repasto.

A esta hora da tarde, o discernimento já não era muito
Na nossa casa, com os meus pais adotivos, a Vanda e o Paulo

Obrigado Vanda. Obrigado Paulo. Os meus papás adotivos, no Morro. Estas sete semanas serão guardadas num cantinho muito especial do meu coração. Obrigado por tudo. Para o ano, cá estarei.

Acima, fica o testemunho da grande camaradagem que permanentemente vivemos entre nós. Numa camisola que guardarei para sempre, os guardas marítimos e algumas das pessoas que mais me foram queridas nestas sete semanas, escreveram o seu nome.

A alma esvazia-se, o corpo levita e o coração esvai-se. Obrigado por estes 50 dias maravilhosos.