Inês, São Vicente 🇨🇻

No dia 30 de outubro comecei a minha aventura na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Sempre que me perguntam acerca da minha experiência, não consigo encontrar palavras para descrever o que vivi durante aquele mês. Por isso, escrever este testemunho é mais um desafio.

Durante o mês de novembro, acordava cedo para apanhar um autocarro ou caminhar até ao Centro da Pedra Rolada. E quando chegava lá, era impossível o meu coração não explodir de gratidão e felicidade. Todos os dias, os meus meninos abraçavam-me, davam-me beijinhos ou mexiam no meu cabelo.

Quando decidi partir nesta aventura, não sabia muito bem o que esperar. E acabei por viver uma das melhores experiências da minha vida com as crianças e com todas as pessoas à minha volta, que me ensinaram a valorizar ainda mais as coisas simples da vida. Gostava de poder dizer que lhes dei tanto como me deram a mim, mas é impossível.

Todos os dias penso na sorte que tive em encontrar aquilo que muitas pessoas procuram uma vida inteira – a gratidão e a felicidade nas pequenas coisas.

O maior desafio foi, sem dúvida, o adeus. O adeus à música, à cultura, à comida, aos meus meninos, às pessoas maravilhosas que cruzaram o meu caminho. O adeus a esta ilha mágica. Vá, o até já… <3


Bárbara, Xai-Xai 🇲🇿

No dia 27 de setembro embarquei numa viagem rumo à praia de Xai-Xai com a expectativa de que ia finalmente realizar o sonho de uma vida. Acreditava que iria receber muito mais do que alguma vez poderia dar. Mas o que encontrei na Khanimambo foi muito mais do que poderia imaginar… Os sorrisos, os abraços calorosos, as gargalhadas, a dança e alegria constantes, o carinho genuíno que recebi todos os dias são impossíveis de descrever.

A Khanimambo é uma organização da comunidade e para a comunidade, orgulhosa das seus costumes e tradições e, ainda assim, moderna, defensora da igualdade, que assenta na empatia e inclusão, que abraça e promove a diferença. Agora, passados 2 meses, regresso com um sentimento de pertença a uma grande família e com a certeza de que vou voltar… Obrigada :)

Raquel, Santo Antão 🇨🇻

Em Outubro de 2019, cumpri um sonho! Desde sempre que ansiava cumprir este desejo, o partir em missão, prestar voluntariado internacional… e foi aí, em início de 2019 que entrei em contacto com a Para Onde?. Perante as inúmeras oportunidades, o destino ao qual me candidatei, sem hesitar, foi Santo Antão, Cabo Verde. E que escolha! Mal sabia eu o que me esperava! :)

Não sabia para onde ia. Fui de coração aberto. De espírito livre. Sem qualquer expectativa e… A cultura, as paisagens e lugares únicos, o crioulo, a dança, as interações entre eles… tudo me marcou!

Pediram-me para dar o testemunho desta experiência. E aqui estou… a escrever-vos no primeiro sábado em que cheguei a Portugal. Cinco dias depois de ter descolado da ilha que me conquistou. É algo que ainda não consigo gerir. Escrevo-vos com as emoções bem à flor da pele. Ainda com o coração a fervilhar! É bom este sentir. Este sentir por inteiro! Mas ao mesmo tempo, não saber como vais minimizar as saudades que tens daqueles meninos, daquelas gentes com quem te cruzaste. De forma tão intensa!

As duas semanas em Santo Antão, foram vividas numa bolha de amor. Chegada à ilha, depois de sentir a azáfama no cais, dos muitos que esperam pelos visitantes, foi dia de apresentações e reunião para programar as actividades semanais. Tudo era estipulado com critério.

Logo pela manhã, iniciar as atividades no centro de dia, no Alto de São Tomé. De seguida íamos para o “Espaço Jovem” para desenvolver atividades com os meninos do ICCA (Instituto Cabo-Verdiano de Apoio à Criança e Adolescente). À tarde, íamos novamente para o “Espaço Jovem”, para desenvolver mais atividades com os meninos do Espaço. Ao final do dia, no regresso a casa, os meninos acompanhavam-nos, para assim puderem estar mais um tempinho connosco. E que bem que sabia essa procura! Despidos de qualquer materialismo, ali trocávamos mais afetos, mais experiências, mais uma músiquinha de Cabo Verde, mais uma dança… e as horas voavam…

Na última semana, teve inicio a 2ª edição do Kriol Urban Fest, um Festival Multidisciplinar Artístico e Cultural Urbano, que decorre em Porto Novo. Que festival bonito! Com imenso potencial para crescer. Nessa semana, para além das actividades no Centro de Dia e Espaço Jovem, tínhamos o festival, com diversos espectáculos artísticos e culturais durante a noite. Ver aquelas risadas contagiantes, ao assistirem ao espectáculo do Tufão e Donovan, aos olhares atentos para as acrobacias do Mika Paprica, que nos deixaram a todos de boca aberta, foi completamente maravilhoso.

Durante o dia e por turnos, incluído no festival, tivemos oportunidade de pintar as fachadas das casas no Bairro da Covada, contribuindo assim, para o embelezamento daquele bairro. Que, devido à grande carência económica, a maioria das fachadas não se encontram pintadas, estão em bruto. E foi gratificante pertencer a esta iniciativa! Foram muitas horas a trabalhar lado-a-lado. A partilhar experiências, afetos, conquistas, derrotas, desabafos, foi toda ela uma imensidão de partilha.

Ali, tive oportunidade de explorar culturas, mentalidades e realidades que de outra forma não teria. Era acordar e viver numa partilha diária que preenchia. Os filmes dizem-nos muitas vezes que felicidade é encontrar alguém especial… e eu tive a sorte porque encontrei muitos ‘alguéns’ especiais todos os dias!

Saudades do meu querido Gerson ao me ensinar a “calibrar” os olhos, para os abrir debaixo do mar :D Saudades de ele ir bater à porta e ali ficarmos a conversar. Saudades de me ir buscar para dar um mergulho no Cais. Sinto que conheci cada cantinho deles! A minha sobrinha Ellen, a mais estilosa de sempre! :) Saudades!… Saudades!

Há lugares que permanecemos lá, embora tenhamos partido. Continuem a fazer-nos felizes!! OBRIGADA! Até sempre meu Sintanton! A Alentejana, hoje é mais feliz por vos conhecer! Obrigada Synergia Cabo Verde e Para Onde!

Beatriz, Espanha 🇪🇸

Olá a todos, estou aqui para apresentar a minha experiência à cidade de Barcelona, que foi magnífica!

Tudo começou com a minha primeira vez a andar de avião – foi uma experiência nova que adorei desfrutar. Quando cheguei a Barcelona encontrei uma senhora, chamada Júlia, que era muito simpática. No caminho para o “trem”, estivemos a falar acerca de algumas coisas sobre o voluntariado e sobre o grupo do voluntários. Inicialmente estava com receio e com medo, porque era tudo novo para mim, mas então pensei que tinha que esquecer isso, porque estava numa cidade nova e tinha que aproveitar. Depois do “trem”, fomos apanhar o metro para levarmos as minhas malas a casa, onde ia residir por aquela semana. A casa ficava no bairro gótico e chamava-se Carrer de la Princesa.

Depois deste percurso, fomos ter com o grupo de voluntários, que estava presente numa fábrica abandonada. Esta fábrica foi reutilizada para vários tipos de propósitos. Também tinha um pouco de receio do que eles iriam achar de mim, mas foram todos muito simpáticos. Os voluntários eram a Maria que estava encarregue pelo nosso grupo e que era de Espanha, a Besa que era da Sérvia, a Anna que era da Rússia, a Celesta que era da Alemanha, a Marina que era dos Estados Unidos, e o Alalnnk que era do México. Foram uns amigos muito especiais, e agora guardamos uma ligação muito próxima.

Esta experiência foi espetacular. O primeiro dia ainda foi difícil, mas melhorou, e adoraria ter ficado mais tempo. Conheci muitos edifícios que nunca pensei conhecer. As tarefas de voluntariado basearam-se em levar cadeiras e mesas e montar em várias partes da fábrica, e ajudar no que fosse preciso. Depois desmontámos tudo muito rápido, foi fácil. Almoçávamos em restaurantes, e comi comidas novas que me chamaram muito a atenção e me surpreenderam. Esta experiência fez-me crescer e  ver que nem tudo é um mar de rosas. Por exemplo, presenciei manifestações na cidade (nas quais havia confrontos entre a polícia e os manifestantes).

Queria agradecer por esta experiência, nunca pensei que fosse realizar o meu sonho, mas com a vossa ajuda consegui, muito obrigada. Estou mesmo muito agradecida, conseguiram fazer uma menina de 16 anos muito feliz e conhecer amigos verdadeiros.

Nicole, Ilha do Maio 🇨🇻

2019 foi um ano de grandes mudanças! Comecei o ano à procura de programas de voluntariado seguros onde me pudesse inscrever em voluntariado num país africano e me sentisse mais segura através da organização. Foi então que encontrei a “Para Onde” e digo, foi a melhor decisão da minha vida foi ter-me inscrito.

Depois de várias pesquisas de diferentes programas de voluntariado, o que me captou mais foi em Cabo Verde, a Ilha do Maio, para o programa de desenvolvimento social.

Foi então que me inscrevi para o mês de outubro mais a minha amiga Catarina.

Foi tudo incrível, desde o primeiro dia em que chegámos até ao último dia em que fomos embora.

Fomos as duas sem expectativas e acho que foi por causa disso que adorámos cada momento, até as baratas à noite na casa tornou a nossa experiência ainda mais especial.

É uma grande experiência ir de voluntariado para a ilha do Maio. Não existem voos diretos para lá, e o barco está sempre a mudar os dias e as horas em que vai para a ilha. Então, de repente, pensamos que vamos para a ilha na quarta-feira e afinal já só vamos na sexta.

Posso dizer que o mês passou a correr. Todos os dias fizemos montes de coisas diferentes, e logo na segunda noite o líder das patrulhas das tartarugas foi ter a nossa casa perguntar se podíamos ir patrulhar com eles. E assim fomos. É uma maravilha conhecer o mundo das tartarugas, é lindo e muito especial. Fez da nossa experiência ainda mais enriquecedora.

Quando não fazíamos as patrulhas à noite, organizávamos atividades de desenvolvimento com as crianças. A primeira atividade que fizemos foi com o reaproveitamento dos plásticos. Cada criança trouxe um garrafão de plástico de casa e fizemos os nossos próprios vasinhos onde plantámos uma planta com fins medicinais, a Echinacea.

Muitas das crianças só tinham escola de manhã, enquanto que outras só tinham escola de tarde. Então tínhamos sempre crianças connosco a toda a hora. E às 19 horas, quando já estavam todos na Ribeira Dom João, vinham todos para a casa onde estávamos. Chegámos a fazer sessão de maquilhagem com as miúdas lindíssimas.

O que eu acho mais incrível em tudo é que na ilha do Maio é tudo muito seguro. É uma ilha muito pequena em que quase todos se conhecem, e na nossa aldeia as crianças andavam na rua a brincar ate às 22 horas da noite sem perigos nenhuns na rua. As portas das casas estavam sempre abertas e entravam e saíam quando queriam. É uma comunidade espetacular que te acolhe de braços abertos.

Fizemos também uma visita de estudo com as crianças aos viveiros, organizámos sessões de cinema, e ainda fizemos um caixote do lixo com pneus para o campo da bola.

LIXO CA TA PAPIA MAS TA POLUI – O LIXO NÃO FALA MAS POLUI

A nossa Ramisinha, recebeu-nos de braços abertos e todos os dias tínhamos pãozinho quentinho para comer ao pequeno almoço, que era a melhor coisa que podíamos ter recebido.

Foi a melhor experiência de vida que eu tive e a melhor decisão de todas. Cheguei a Portugal com o meu coração preenchido de todas as formas e foi muito difícil despedir. Quando me despedi, desatei a chorar. Eu sabia que ia chorar, só não pensei que ia ser a primeira de todas. Tive de ir para o quarto tentar controlar as lágrimas que me caíam. Imaginar ter de dizer adeus às minhas princesas e aos meus meninos do coração, custou-me muito.

Sinto que não damos valor a nada do que temos. Temos sempre a ganância de ter mais e mais, e olho para a vida que tive lá durante um mês e eles, com tão pouco, são mais felizes do que nós. Passam os dias e as horas a ouvir música, a dançar, a conviver. A música para os Cabo Verdianos faz parte da maneira deles viverem e preenche cada momento.

Deixámos na Ribeira Dom João um pedaço grande do nosso coração e uma família com os braços abertos para nos receber. E haveremos de lá voltar, a matar as saudades com a nossa maravilhosa família.

Lícia, Suíça 🇨🇭

Se tivesse de definir a minha experiência de voluntariado numa palavra, seria de plenitude. Plenitude pela paz que estar lá me trouxe: naquela zona rural da Suíça, entre montes e campos, com as crianças, com os outros voluntários. Foi a concretização de uma vontade antiga, ver-me naquele lugar. Saber que contribuía com mais um passo para algo que sempre me foi importante: manter uma participação ativa na comunidade, remando por diversas causas. Fazê-lo com crianças, numa situação fragilizada, fez todo o sentido. 

Les Reussilles

Participei no projecto de voluntariado do SCI com crianças refugiadas, em Tramelan (Suíça). Neste, dinamizámos atividades de Teatro e Circo para as crianças do centro de refugiados – também aberto às de nacionalidade suíça – com o propósito de promover a integração social.

Vários voluntários

Éramos oito voluntários de nacionalidades diferentes. Eu, como a única portuguesa, e os restantes de Espanha, Suíça, Eslovénia, Holanda, Alemanha e Bélgica. A experiência cultural é muito interessante, uma vez que acabámos por partilhar muito das nossas origens. Quer seja na ementa para o jantar, o que mais gostamos de fazer, como cumprimentamos os outros, há sempre um bocadinho de nós que remonta de onde viemos. Apesar das inúmeras diferenças, tínhamos um propósito comum que nos unia: dar àquelas crianças atividades estimulantes, que as divertissem e integrassem.

Atividades de bricolagem

Tivemos, na primeira semana, várias dinâmicas em grupo que nos permitiram desenvolver a sensibilidade pedagógica, a criatividade, a capacidade de liderança e a criação de laços entre equipa. Foram também vários os momentos dedicados à explicação dos casos de migração e asilo, a ouvir testemunhos de refugiados e a perceber o contexto político e, consequentemente, a luta pela paz e pelos direitos humanos que tentamos trilhar. Foi uma primeira semana de preparação teórica e prática para a segunda semana e a verdadeira concretização do projecto.

Atividades de acrobática

Para além de outras, como teatro e jogos de grupo, ficou definido que eu estaria na monitorização de atividades de circo – o tecido. Gostei particularmente de estar responsável por essa parte, porque me permitiu aliar a atividade física (a minha área profissional) ao projecto de voluntariado. Há a procura, por parte dos organizadores, de perceber os nossos pontos fortes e atribuir-nos tarefas mediante aquilo em que somos mais eficazes e produtivos. Cada um de nós esteve sempre à vontade para ajustar funções e assumir liderança somente naquilo em que nos sentíamos verdadeiramente confortáveis a fazer: tudo em prol das crianças e do que as permitia usufruir melhor das atividades.

Espaço onde foram dinamizadas as atividades com crianças

Apesar de nem todas as crianças falarem francês, todos se compreendiam. Quer fosse em francês, inglês ou por gestos, todos estavam incluídos nas brincadeiras, todos eram amigos e queriam jogar. Eram só crianças que se querem divertir, saltar, fazer acrobacias, malabarismo e cambalhotas; que são criativas e que gostam de ir à escola, que gostam de aprender. É uma missão que está longe de acabar, é certo, mas pelo menos sei que as crianças com quem estive estão um passinho mais integradas na comunidade de Tramelan. E foi bonito conhecer cada uma delas, decifrar as peculiaridades de cada uma. Foi aconchegante envolvê-las nos muitos abraços que me deram.

Paisagem de Tramelan

Expectamos sempre antes da partida, é inevitável. Como serão os que estarão connosco, qual será a receptividade das crianças, se estaremos à altura. É inevitável não criar expectativas, sonhar com o que nos trará a nossa ida. Pensamos nas mil variáveis que podem acontecer mas, garanto-vos, surgirão sempre momentos fora do roteiro: e quase sempre bons. Bem me avisaram que esta seria uma experiência que levaria para a vida, de tão inesquecível. E se foi!

Inês, Santo Antão 🇨🇻

O ano de 2019 será sempre lembrado pelas felizes memórias que guardo comigo depois da minha primeira experiência de voluntariado internacional.

Na minha infância, em férias com família,  tive a oportunidade de conhecer Cabo Verde. Já naquela época fiquei tão fascinada que, na hora de decidir qual o destino para me prestar a esta iniciativa de voluntariado, não surgiram dúvidas nem receios: Porto Novo, na ilha de Santo Antão, Cabo Verde. 

Se antes da partida estava ansiosa e expectante, depois de lá estar sentia, em cada pessoa, em cada família, em cada experiência, uma enorme vontade de conhecer mais, saber mais, provar mais, partilhar mais. A ilha tem lugares e paisagens deslumbrantes, a língua é contagiante, a cultura única e especial. As pessoas recebem-nos com abraços calorosos, sorrisos rasgados e beijos, muitos beijos, o que nos leva a sentir, de imediato, um conforto e um sentimento de pertença enormes. 

Apesar dos poucos recursos e das circunstâncias com que lidam no quotidiano, percebi que recebem os voluntários e as suas iniciativas com grande estima, reconhecimento e, sempre, com grande vontade de colaborar e ajudar. 

No projeto que integrámos , os nossos campos de atuação incidiram no “Espaço Jovem” – espaço destinado às crianças e  adolescentes – e no “Centro de Dia” que presta acompanhamento a um grupo de idosos. Enquanto voluntários tivemos a possibilidade de desenvolver diversas atividades, pensadas e partilhadas no sentido de se mostrarem produtivas e enriquecedoras, tanto para os jovens, como para os idosos.

Com a dinamização das atividades para estas duas faixas etárias pretendíamos, essencialmente: a ocupação de tempos livres com temáticas úteis e ajustadas; a aquisição de competências por via da criatividade e da aprendizagem; a partilha de ideias, opiniões e preocupações; a promoção da sensibilidade para as questões ambientais, da saúde, da família, da educação, entre outros. 

Esta experiência permitiu-me aprender que voluntariado é uma relação de troca permanente, de afetos, de atenção, de experiências e resulta numa enorme aprendizagem e crescimento que, estou certa, me acompanharão sempre, enquanto pessoa. Porto Novo ensinou-me serenidade e valorização do que tenho e do que sou, deu-me fins de tarde na Praia d’Armazém, levou-me até pessoas admiráveis e ensinou-me a “fcá dret”. A pior parte desta experiência? A sodade que deixa. 

Cíntia, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Experiência magnífica. O primeiro adjetivo que posso usar para sintetizar as cinco semanas que passei em Arraial d’Ajuda é mesmo esse: magníficas. Demorei um pouco até cair na realidade, que estou de volta, porém, agora olho para trás e vejo que essas semanas intensas me marcaram e irão sempre contribuir para o meu futuro.

Não tinha expectativas e a única certeza que ia comigo é que queria ajudar de alguma forma, tendo em conta que fazer voluntariado já era desejado há muito por mim, porém não só ajudei como voltei diferente e por mais que tente explicar a quem cá ficou é inimaginável o carinho que senti, o amor, a inocência e a sensação de estar em casa.

Os beijinhos, os abraços, os pedidos “titia, baby shark”, “titia quero voar”, “cadê seu cachorro”, são pequenos gestos que fizeram parte do dia-a-dia e que têm mais importância do que parece. Fiquei, maioritariamente, a acompanhar a creche e não poderia ter “calhado” melhor, os pequeninos já com personalidade vincada reforçam que o essencial não é material, que a felicidade e as risadas mais sinceras não vêm com o que se tem mas com o que se é e recordo todos os risos dos “bebés” com um sorriso na cara e com vontade de apanhar um avião e abraça-los. Voltaria a escolher Arraial d’Ajuda e o calor brasileiro SEM DÚVIDA!

“Titia seu lugar é aqui”. É mesmo, por mais que me sinta agradecida, por mais que se tente explicar, as crianças da Filhos do Céu farão sempre parte de mim e o desejo de voltar é cada vez maior. 

Beatriz, Santo Antão 🇨🇻

Em setembro de 2019 cumpri um sonho antigo. Estive um mês em Cabo Verde, na ilha de Santo Antão a fazer voluntariado. Um mês que passou tão rápido que pareceram duas semanas.

Pedem-nos, no fim, para escrevermos sobre a nossa experiência. E estou a tentar, há semanas que estou a tentar. Mas sempre que escrevo tenho a sensação que nunca consigo transmitir verdadeiramente tudo aquilo que vivi e senti naqueles 30 dias.

Santo Antão é um lugar maravilhoso, simples e calmo que se entranha em nós: a ilha, a língua, a cultura, as pessoas. No primeiro dia senti-me logo em casa e quaisquer dúvidas que ainda pudesse ter desaparecem no momento em que cheguei.

O projeto que nos acolhe (Synergia Cabo Verde) desenvolve atividades com um grupo de crianças, mas também com um grupo de idosos e aos voluntários é dada toda a liberdade para participar e contribuir para o plano de atividades.

Os nossos dias eram então divididos entre o Centro de Dia e o “Espaço Jovem”. Em ambos os locais eramos sempre recebidas de braços abertos, tanto pelos idosos que estavam sempre dispostos a distribuir beijos e abraços como pelas crianças que tanto amor têm para oferecer. A verdade é que recebemos o dobro daquilo que damos.

A simplicidade de todas as coisas foi o que mais me surpreendeu. A facilidade com que estas pessoas se entregam é simplesmente indescritível. São pessoas que dão sem esperar nada em troca, que nos tratam como família, onde se criam laços fortes mesmo num período de tempo tão curto.

Se querem enveredar por uma experiência como esta, não pensem duas vezes, não se vão arrepender. O meu maior arrependimento foi não ter ficado mais tempo.

Catarina, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

São Tomé e Príncipe foi o lugar que escolhi para realizar o meu sonho de criança. Na minha infância sonhava com o dia em que iria para África fazer voluntariado e imaginava-me com as crianças ao colo e a brincar. Setembro foi o mês em que o sonho se tornou realidade.

Esta foi sem dúvida a experiência mais feliz da minha vida. Quando à noite me deitava conseguia sentir o meu coração cheio de amor. Viver num lar com crianças é puder ter a oportunidade de as acompanhar desde que acordam até que vão dormir. É acordar com a animação da música nas colunas e nas vozes das miúdas e é ir deitar depois de contar e “renovar” a história de adormecer e de receber abracinhos e beijinhos de “boa noite”. É ser conselheira, enfermeira, amiga, mãezinha e irmã. É criar laços que ficaram para sempre e perceber a felicidade e o amor incondicional.

Para mim voluntariado é partilha, mas sem dúvida que aquilo que cada criança me dava era muito mais do que aquilo que tinha para lhes oferecer. Ensinam-nos que a vida é mais simples do que aquilo que os nossos olhos veem e que qualquer obstáculo é rapidamente resolvido. Como eles dizem, “eles são rijos”, e é mesmo verdade! Gerem as tarefas da casa, constroem os seus brinquedos, organizam as suas brincadeiras, cantam alto, sorriem com brilho nos olhos e são felizes!

Termino esta experiência mais agradecida, feliz, “leve-leve” e com o coração muito mais cheio!

Se tens dúvidas se deverias fazer voluntariado, então já não há dúvidas. Fá-lo. A realidade consegue superar tudo aquilo que imaginas.