Mafalda, Guatemala 🇬🇹

Em setembro de 2021 cumpri um sonho antigo e fui em missão de voluntariado médico na Guatemala, graças à “ParaOnde?”. A ONG que me acolheu chama-se Health and Help e tem duas clínicas: uma na Guatemala e outra na Nicarágua. Fui durante um mês para a clínica da Guatemala. Lá, as acomodações são adjacentes à clínica, pelo que se torna muito prático pois as deslocações são mínimas.

A clínica localiza-se numa zona rural, no meio da montanha, onde não há estradas alcatroadas e a cidade mais próxima é Momostenango. Daí, há que apanhar um género de táxi 4×4 para chegar às instalações. A população residente no local, está assim, deslocada dos centros urbanos, sendo mais difícil o acesso às estruturas de saúde. Nesse sentido, a existência da clínica naquela localização faz a diferença para dezenas de pessoas diariamente. 

Durante a maioria do tempo que estive na clínica, a equipa era eu com mais duas colegas médicas: de nacionalidade argentina – que tinha acabado a faculdade de medicina há poucos meses -, e russa – que estava no 1º ano do internato de infecciologia. Estas colegas estavam na clínica há 3 meses e foi mesmo importante terem-me acolhido tão bem e explicado tudo sobre as particularidade do trabalho no local. A restante equipa era constituída por 4 enfermeiros: o Bruno, a Mariana, a Beatriz (enfermeiros portugueses) e o José (técnico de enfermagem guatemalteco). A coordenadora da clínica e a administrativa eram ambas russas. A equipa foi sempre muito unida, com um forte espírito de entre-ajuda. Cabia a uma pessoa por dia a confeção das refeições e a outra pessoa a lavagem da loiça. As tarefas domésticas eram repartidas por todos e uma vez por semana íamos ao mercado comprar comida, sempre vegetariana. 

Um dia normal na clínica consistia em: pelas 7h30 tomávamos o pequeno-almoço que era bem reforçado, para dar energia para uma manhã de trabalho. Variava entre papas de aveia, frijoles, pão e ovos, com algumas variantes dependendo da apetência culinária dos voluntários. Às 8h abria a clínica, os enfermeiros entregavam as senhas por ordem de chegada e faziam a triagem, questionando os sintomas e registando os sinais vitais. Nós, médicas, atendíamos os doentes por ordem de triagem. Os exames de diagnóstico eram escassos, pelo que a história clínica e a anamnese eram as nossas principais armas diagnósticas. Tínhamos suficiente medicação disponível, pois todos os voluntários levam 16 quilos de medicação necessária, a pedido da ONG. Por volta das 12h almoçávamos em equipa. Às 13h retomávamos os atendimentos, até às 16h. Fora desse horário só se atendiam urgências. O resto da tarde dedicavamo-nos a fazer algo que fosse necessário pela clínica (bricolage, limpezas, organizar medicação…) e por duas vezes organizámos atividades de promoção para a saúde: uma palestra sobre sexualidade com adolescentes de uma escola e uma atividade de primeiros socorros dirigida ao staff de uma piscina da comunidade.

Pelas 19h jantávamos e ao serão privilegiávamos o convívio. Os momentos das refeições e de convívio foram marcantes pela partilha de experiências entre todos, o apoio que dávamos uns aos outros ao discutir casos que nos tinham marcado mais. Houve muitos casos que me marcaram, mas o que mais me marcou foi o pequeno Brandon, de 6 anos, que foi trazido a meio da noite pelos pais porque tinha caído e fez uma ferida grande na testa. Suturei, com a ajuda da Beatriz, e o menino, apesar de assustado, manteve-se sempre imóvel e muito colaborante. A coragem do Brandon tocou-me muito. Reparámos que ele tinha uma postura assimétrica e observei a escoliose mais grave que vi em toda a minha vida profissional. Os pais disseram que o menino tinha sido seguido em pediatria num médico privado mas que lhe tinha sido dada alta com a indicação de que para se curar deveria ser operado nos Estados Unidos e os pais recusaram pois não tinham capacidade económica para tal. Senti-me determinada em ajudar o menino e tentei mobilizar recursos, junto com a Beatriz e restantes colegas. Contudo, os pais não mostraram recetividade em colaborar conosco para ajudar a resolver a situação, pelo que tivemos que respeitar e aceitar. Custou-me bastante ver um menino de 6 anos com uma doença que no nosso país seria facilmente tratável, com todo o tratamento comparticipado pelo Estado e com apoios para os pais cuidarem dele na sua recuperação, assim como tratamentos de fisioterapia e acompanhamento a longo prazo. As desigualdades entre países são notórias e isso é mais um motivo para dedicar o nosso trabalho durante o tempo que é possível a estas populações carenciadas.

Noutras situações foi possível verdadeiramente fazer a diferença: como num caso de um rapaz de 19 anos que recorreu por diarreia com sangue e que, após uma difícil marcha diagnóstica, se concluiu que afinal era uma leucemia. Foi internado no Hospital e recebeu tratamento. Há poucos dias soube que tinha tido alta e fiquei verdadeiramente feliz com a notícia. 

Na área médica, sabemos que a nossa expectativa tem que se limitar a dar o nosso melhor, sem mais expectativas, pois nem sempre os resultados dependem só de nós. E dando o nosso melhor conseguimos fazer a diferença com alguns doentes. Guardo com muito carinho e saudade todos os momentos que vivi. A entre-ajuda, as aprendizagens com os colegas, a partilha de experiências, a reflexão em equipa e o contacto com as pessoas de uma cultura totalmente distinta. Aprender a aceitar a diferença; a respeitar aspetos culturais que muitas vezes interferem com os cuidados médicos; a promover a saúde em vez de focar só na doença, pois esses ensinos são os que no futuro farão a diferença. E finalmente, os sorrisos de agradecimento no final da consulta – esses ficam para sempre. 

Mafalda, São Vicente 🇨🇻

Tenho 52 anos, sou casada e 3 filhos. Sou publicitária, tenho uma vida louca e senti que precisava de uma mudança na vida. Candidatei-me ao programa de São Vicente por não conhecer nada nem ninguém e, em menos de 1 mês, lá estava eu a caminho desta aventura, sem saber o que ia encontrar. 

Foi um mês inesquecível, um privilégio enorme poder estar com aquele povo incrível. Eu a achar que ia dar um pouco de mim e no final fui eu que recebi. Recebi sorrisos e abraços contagiantes. Recebi uma alegria enorme e uma amizade sem fronteiras. Aprendi que os cabo verdianos são um povo que têm pouco mas que dão tanto. E dão nas pequenas coisas da vida: a jogar damas com o Sr. António, a pintar as unhas dos pés da D. Camila, a dar apoio escolar aos adolescentes, a brincar com as crianças ou a conversar com os voluntários locais.

Com eles aprendi a ser melhor, a viver com mais alegria e a ter tempo para os outros. A outra lição que aprendi é que é sempre altura de parar e de mudar. Não podemos achar que somos demasiado velhos ou demasiado novos para o fazer. Apesar de eu ser bastante mais velha do que as restantes voluntárias, elas acolheram-me como amiga e fizeram-me sentir em casa.  Agradeço por isso do fundo do coração às minhas amigas voluntárias que, de uma forma única e especial, me ajudaram a que esta experiência se tornasse inesquecível.

Agradeço também à Rosa e ao Alex de Cabo Verde e a todos os voluntários locais que dão o seu tempo e que nos ajudam a sermos melhores no nosso trabalho de voluntariado.

Já estou em Portugal mas deixei parte do meu coração em São Vicente.

Obrigada Para Onde? e até já. Tenho a certeza que irei voltar.

Maria, Santo Antão 🇨🇻

Um mês e poucos dias depois de regressar do meu novo lugar favorito e dos melhores dias da minha vida… E este testemunho sai tardio, porque os tempos cá, em Portugal, são outros, a correria do dia-a-dia domina. Lá não! Em Santo Antão, o “No stress” guia-nos de dia para dia. Aprendemos a aproveitar cada minuto, a saborear a vida e a olhar os outros com tempo! Aprendemos o que é a simplicidade, a leveza e a bondade, a cada hora que passa!

Entrei nesta experiência com o objetivo de ser feliz todos os dias e, assim, passar parte dessa felicidade para aqueles que se cruzavam comigo. 
E fui feliz! Muito! Todos os dias! 
Porque diariamente recebi carinho, alegria, bondade, amor e gratidão. Desde o sol e o mar à cachupa e à Kriola, das crianças e idosos com quem estávamos todos os dias às pessoas que passavam na rua, das noites na praia às manhãs de muito calor, desde as boleias inesperadas às caminhadas descobrindo pequenos paraísos. 
Sim! Fui Feliz! 

Graças a Sintonton, às pessoas, aos lugares, às paisagens, aos voluntários, aos pequenos reguilas e aos sábios idosos! 
Uma só ilha, tanta coisa bonita, que mudou a minha vida. Deixei lá um pedacinho de mim, com aquela gente boa. Todos os dias dei parte da minha felicidade e do meu amor. Acredito ter feito diferença na vida de tantos… mas a certeza eu tenho, que na minha fizeram tanta mas tanta diferença!

Obrigada a esta Terra d’ Soded, à Morabeza de Cabo Verde e a todos aqueles que trouxe no meu coração.
“Vive e passa séb é nos lemaNa alegria e harmoniaAssim no tá vive”
Só me resta a certeza de que irei voltar, a este meu novo lugar favorito. Sintonton no coração.
Maria.

Renata, Guiné-Bissau 🇬🇼

Quase 6 meses depois do regresso da experiência que mudou a minha vida, sinto-me finalmente preparada para falar sobre os meses de voluntariado na Escola Privada Humberto Braima Sambú. 

Viajei para a Guiné-Bissau em março de 2021, com 2 malas de porão e uma mochila carregada de medo, ansiedade e nervoso miudinho para conhecer a África que tanto sonhei. Viajar em tempos de COVID-19 deu ainda mais emoção a todo o processo e deu-me a certeza de que, por muitas dúvidas que eu tivesse, o momento certo tinha chegado. Entre documentos, autorizações, vistos e testes, persisti e insisti tanto que não havia outra forma se não ir com tudo o que eu tinha para dar.

Aterrar na Guiné-Bissau, sentir toda a sua temperatura, humidade, cheiros, calor humano, mudou tudo para mim. As cores, os lugares, as comidas, as pessoas, tudo é diferente, mas de uma forma única e totalmente inesperada para mim. Viajar sem expectativas é praticamente impossível, e comigo levava as piores por ter tanto medo do desconhecido. Sonhei tanto com o momento em que me ia sentir preparada para realizar voluntariado, que quando esse momento chegou, temi e questionei tudo. Mas se há algo que posso afirmar com toda a certeza para todos os que leem este texto e têm as mesmas dúvidas, é que não há como a “minha” Guiné.  

De todos os sítios no mundo onde já estive, a Guiné-Bissau é o único que me faz sentir mais perto de casa. A forma como as pessoas nos recebem, o quanto querem aprender connosco, tudo o que oferecem, mesmo quando não têm quase nada, é algo que muda a nossa visão da realidade. A Guiné é um país onde falta tudo, mas onde as pessoas vivem como se tudo fosse abundante. 

Foram dois meses intensos, de momentos incríveis e de algumas experiências difíceis, mas sempre com a certeza de que a decisão de fazer voluntariado na Guiné-Bissau foi a melhor decisão. Por esse mesmo motivo, decidi mudar a minha vida e vim para a Guiné-Bissau trabalhar, porque quero contribuir para a mudança deste país que me deu tanto e tem tanto para oferecer. A Guiné-Bissau é mar de possibilidades, recheado de aventuras, paisagens e pessoas bonitas, e eu só agradeço por poder ter vivido tudo isto.

Aurora, Marracuene 🇲🇿

Em Outubro decidi embarcar numa grande aventura, a qual me é difícil descrever, pois não tenho palavras para exprimir todo o amor e carinho com que fui recebida e se prolongou durante a minha estadia em Moçambique. Foi um mês cheio de ensinamentos, aprendizagens e sobretudo de muitas aventuras. Embarquei nesta aventura com dois colegas a Margarida e o João que sem dúvida foram um grande apoio.

Trabalhamos com crianças de 1ºano até ao 12ºano a dar apoio escolar. Às 7h30min as crianças reúnem-se numa sala para cantarem o bom dia e agradecerem a Deus por mais um dia. De seguida dirigem-se ás salas para começarem as aulas.

Depois de terminadas as aulas, aproveitávamos para ir até a vila de Marracuene para fazer algumas compras e conhecer a vila, aproveitávamos também para visitar a casa e família de alguns miúdos e assim e explorar um pouco mais a cultura Moçambicana. Ao fim-de-semana aproveitávamos para passear, conhecer a cidade de Maputo e
conhecer as praias.

Sem dúvida que foi uma experiência única e uma lição de vida. Aquelas crianças, aquelas pessoas, aqueles sorrisos cheios de felicidade e aqueles abraços inexplicáveis que ficarão para sempre na minha memória.

Obrigado Moçambique por me ensinares a valorizar e a agradecer as coisas simples da vida, e por tornares uma pessoa melhor e mais feliz!
Obrigado Para Onde pela oportunidade!

Marlene, Guiné-Bissau 🇬🇼

Participar num projeto de voluntariado em África estava no topo da lista dos meus sonhos. Mas por circunstâncias da vida, ainda não tinha sido realizado. 2021 estava a começar e com ele começavam as dúvidas sobre qual seria o meu presente de aniversário para este ano. 

VOLUNTARIADO NA GUINÉ BISSAU? Sim. Sim. Sim. E neste sim, estava eu longe de saber ou sequer imaginar que estava quase a me oferecer o presente mais bonito da minha vida. 

Contactei a “Para onde?” e em Outubro saí com as malas feitas em direção a Bissau. 

Bissau. A cidade que me “fez sentir tudo de todas as maneiras”. Onde tudo foi tão difícil, mas onde tudo foi tão fácil também. 

Nos primeiros dias tinha o meu olhar focado em todas as direções, em toda a informação que vinha da janela deste mundo tão diferente do meu. Desde a terra laranja forte, aos panos de pente tão coloridos, aos toca-toca azuis e amarelos, ao “N´sta drito”, à atmosfera de alegria, aos sorrisos tão genuínos, tão simples e tão bonitos num mundo onde, aparentemente, parecia faltar tudo. Num mundo onde aprendi a saber viver com menos, e o quanto “saber viver com menos” é tão importante.

Rostos, Culturas, estados de alma… confundiram os meus sentidos desde o primeiro dia. Os dias bons e os dias maus culminaram numa incerteza entre: o “quero viver aqui mais meses” e o “sinto falta do meu conforto”. 

Saí de Portugal com a ideia de podia ir lá ensinar e deixar alguma coisa, mas fui só aprender muito e receber muito. Queria muito conseguir retribuir o tanto que aprendi e recebi.

Sou muito agradecida por todas as oportunidades que a vida já me deu e muito agradecida a todos que a vida colocou no meu caminho. Muito agradecida à “Para onde?”

Agradecida por poder ter estado nos lugares que tive  e o contraste com o modo de vida que tenho. 

Neste intenso mês de Outubro, intensifiquei o meu poder de encaixe num mundo tão diferente do meu mundo; intensifiquei o meu conhecimento profundo e o controle sobre a minha carapaça emocional. 

E toda a abundância de amor, carinho, doçura e sorrisos que recebi alimentaram abundantemente os sentimentos que tento que guiem sempre a minha vida e quem eu sou: bondade, compaixão e empatia. 

Obrigada “Para onde?”.

Obrigada Guiné- Bissau. 

Obrigada família e amigos. 

Inês, Santo Antão 🇨🇻

Primeira experiência de voluntariado internacional. Pediram-me para ir sem expectativas. Talvez pelo receio de nós, voluntários, não nos adaptarmos a uma nova cultura, não nos identificarmos com um estilo de vida tão distinto, não aguentarmos uma realidade tão pesada. A verdade é que foi obviamente impossível não criar expectativas, estando eu prestes a realizar um dos meus maiores sonhos. Expectativas estas que foram facilmente superadas…

Tal como todos os voluntários, encontro uma grande dificuldade em expressar por palavras tudo o que experienciei, senti e vivi durante este mês. Nunca conseguirei fazer jus ao que realmente foi esta experiência de vida.

Chegada a Santo Antão. Que ligação tão intensa desde esse primeiro instante. Sem nunca ter ido a Cabo Verde, parecia já ter lá estado. Parecia já ter vivido nesta ilha, que já teria sido o meu lar, talvez.

Apaixonada por este lugar, crescia o meu amor a cada dia que passava, tal como o meu desejo de lá ficar…Era notável que me sentia feliz. Verdadeiramente feliz. Apercebi-me, em variadas ocasiões, tão simples como estar a caminhar na rua, que estava a sorrir. Carregava, todo o dia, um sorriso de orelha a orelha, involuntário, porém totalmente justificável.

Muito tenho que agradecer à população de Porto Novo, que me fez reluzir desta felicidade. 
Continham uma vontade tão grande de dar, sem pretender algo em troca.
Um povo tão orgulhoso das suas raízes, tão grato.
Um povo tão sábio, tão genuíno.
Tão simples e com tanta vida.
Tão descomplicado e respeitador.

“Somos pobres, mas ricos de coração”, era a frase que muitas vezes ouvia quando me convidavam para entrar nas suas casas e me ofereciam tudo o que conseguiam. Derretida com a gentileza destas famílias. “Morabeza” é a arte de bem receber. E que expressão mais adequada. As saídas de casa eram acompanhadas do típico “Bom dia”, ” boa tarde”, do “ta bom?” e do “tud dret?”. Dos acenos entusiasmados do outro lado da rua, que me aqueciam o coração.

Em Santo Antão, encontrei a paz. Vivia em mim uma paz interior, há muito abafada. Encontrei motivação para me levantar todos os dias. Encontrei conforto para me deitar todas as noites. Encontrei um rumo. Uma vocação. Experienciei novamente o amor. Um amor gigante, sem fim. Desigual a todos os outros. Um amor puro que quero levar comigo sempre. Um amor que quero conseguir transmitir por onde quer que passe daqui para a frente.

Fiquei com o coração nas mãos com algumas histórias que ouvi, com algumas situações a que assisti. Queria dar-lhes TUDO de mim. Sei que dei tudo o que estava ao meu alcance na altura, mas ainda ficou tanto por dar. Tanto por começar e tanto por terminar. Vou voltar. Não é uma promessa, é uma certeza.

Quero recordar para sempre as gargalhadas da Vovó, a cumplicidade da D. Rosa e da Camila, a tranquilidade do Sr. João, o humor da Nininha, a sabedoria do Sr. Zeca e do Sr. Gregório, os pinchos do Marvin, as danças do Alay e da Sandji, os assobios do Karamu, os abraços do Elton, a inocência do Ricky e da Paolla. Sintanton, OBRIGADA. Bo ha ficado com meu coração.
E Sr. Germano, D. Maria Teresa, D. Isabel, Jack, Sr. Vitor, D. Alzira, Sr. Ernesto, que me pediram especificamente para nunca me esquecer deles, juntamente com o meu Edi, o Júnior, o meu Bruno, a Silvania e a Edilana, difícil vai ser não me lembrar de bzot. De bzot e de todos os restantes. Penso todos dias em vocês, nha família. Até breve <3

Marta, Guiné-Bissau 🇬🇼

Testemunhar a minha experiência de voluntariado na Guiné-Bissau,  não é fácil,  escrever o que vivi é não ter palavras para definir o carinho e a felicidade que senti neste país tão acolhedor. Guiné, não foi a minha primeira opção para voluntariado, mas devido ao “covid19” a minha primeira opção foi adiada e quando foi para remarcar , senti que a Guiné fazia sentido pelo contexto e tarefas.

Assim que cheguei, percebi logo que é um povo que recebe com tudo mesmo nós achando que eles têm pouco,  porque agora sim, vejo que têm o mais importante a leveza da vida,  tratam-nos como família,  fizeram sentir-me em casa, a sua alegria e simplicidade conquistaram-me.

Estava inserida numa escola privada “Humberto Braima Sambu”, onde o professor Humberto tem um coração do tamanho do mundo, porque nem todos têm possibilidades económicas para andar na escola e o professor tentar chegar a todos e que todos tenham a oportunidade de estudar, são o futuro do país. Como voluntária, fomos fazendo atividades como, ler, desenhar, pintar,  jogos, leitura e ajudando nas matrículas enquanto o ano escolar não começava, conseguimos dar seguimento ao posto sanitário que irá ajudar alunos e a comunidade. Vou guardar para sempre o chegar a escola e as crianças virem a correr em nossa direcção de braços abertos e com o maior sorriso e perguntarem-nos “e hoje que vamos fazer, pintar, desenhar, brincar…” é de encher o coração.

Guiné-Bissau é esquecer a nossa pressa europeia e viver a tranquilidade e a felicidade contagiante, são um povo doce mesmo com a falta de oportunidades que têm, são um povo resiliente. Quando se para para pensar na realidade e condições do país,  faz-me ainda mais ter orgulho neles, são uns corajosos.
Foi um mês inesquecível, onde venho com o coração cheio de alegria e mais determinada a que acabem com estas desigualdades, porque somos todos iguais mas como privilégios diferentes.
Obrigada Para Onde?  e à comunidade Guineense tornaram me uma melhor pessoa, mais feliz. 💛

Mariana, São Tomé e Príncipe 🇸🇹

Dia 01 de agosto de 2021, embarquei naquela que foi a maior e a melhor aventura da minha vida.  Se embarquei feliz, regressei ainda mais feliz. Sobre São Tomé teria inúmeras coisas que  escrever, mas aquilo que irei guardar para sempre na minha memória e no meu coração são as  pessoas. As pessoas que desde o 1º dia fizeram com que me sentisse em casa e pertencesse à  família. As pessoas que me acolheram com a sua alegria, gentileza e pureza. 

Das crianças e jovens de Guadalupe e da Roça Agostinho Neto, guardo os seus sorrisos  contagiantes e abraços bem apertados com que me recebiam todos os dias. Guardo a  espontaneidade, ingenuidade e alegria de ser criança. Guardo a rebeldia, impulsividade e empatia  de ser adolescente. Guardo as conversas, as brincadeiras, as relações que criem com cada um  deles. 

Guardo na memória o abraço do Gilson e do Sandro. Os poemas da Analú. As conversas com a  Kate, a Milena, a Teca e a Ré. O jantar de arroz de coco do Ray. Guardo inúmeras memórias e  sentimentos. 

Guardo ainda na memória os meus 5 companheiros desta aventura: a Bia, o Bruno, a Cidália, a  Madalena e o Tomás com os quais partilhei momentos de alegria, tristeza, ansiedade, frustração,  gratidão. E a Nica que desde o início nos integrou na comunidade e nos fez sentir de São Tomé.  Foi com todas estas e muitas outras pessoas que passei o meu mês de agosto. Um mês de muitas  aprendizagens, ensinamentos e desafios. Um mês que me colocou à prova e desafiou os meus  limites de adaptação, empatia e flexibilidade. Um mês que me permitiu alargar horizontes e sair  da minha zona de conforto. Um mês que me fez refletir sobre o quão díspar são as oportunidades,  experiências e vidas de acordo com o país em que vivemos. Um mês que me fez compreender  que não somos mais do que as nossas próprias circunstâncias.

Em São Tomé aprendi a relativizar os meus problemas e inquietações. Aprendi a cuidar mais do  outro. A dar e a receber mais. Aprendi a valorizar o que realmente importa. Aprendi a ser mais  “leve-leve”! 

Se tal como eu, tens o sonho de participar num projeto de voluntariado internacional, agarra a  oportunidade! Será uma experiência inesquecível que te deixará uma enorme saudade e vontade  de regressar. Confia na Kêlê e na Para Onde? e voa bem alto!

Andreia, Santo Antão 🇨🇻

Até ao último momento, a incerteza de poder viajar era o mais real que existia. O que viajava comigo era demasiado pesado para suportar sozinha e noutro país, mas o dia chegou e a felicidade de realizar mais uma vez este sonho era possível.

Santo Antão foste o lugar que necessitava, fosse a minha recuperação. Ensinaste-me a olhar para dentro e a amar-me. Aqui mora o “fca dret”, o bom dia, o sorriso leve, o olhar doce e os maiores corações que já vi. O tempo passa rápido e o calor é intenso. Não há falta de manga (que se como com casca), grogue, mel de cana, cachupa, alegria, amor e sorrisos rasgados. Ensina-nos a amar as pequenas coisas, que a simplicidade existe em qualquer lugar, a amar a sabedoria e as palavras sábias dos idosos e a pureza e ingenuidade das crianças.

Foi aqui que me esqueci do que me perseguia, a minha ansiedade e de tudo o que os últimos meses foram. Aproveitei cada dia como se fosse o último, os abraços e carinho que todas aquelas crianças e idosos me proporcionaram e os momentos inesquecíveis que levo comigo.

Obrigada às paisagens mais verdes e bonitas de Cabo Verde, obrigada por fazeres parte da minha história e por me tornares mais forte e sair de coração completo.
“Vida ê p vivê durent vida”
Regressei com a promessa da um até já, com Soded.