A Experiência da Kátia em S. Vicente

Uma semana depois do meu regresso a Portugal falo-vos da minha experiência em São Vicente… Não sei bem como é que isto aconteceu, foi tão rápido!
O mundo do voluntariado não era novo para mim, mas o voluntariado internacional era um sonho que nunca pensei vir a realizar… Uma amiga falou-me do Para Onde? e da experiência que viveu e, sem saber bem como, um dia estava a pesquisar tudo o que havia sobre esta organização…
Da pesquisa ao envio do primeiro e-mail passaram-se minutos! Na resposta que me foi enviada, pouco tempo depois, tive a certeza absoluta do que tinha de fazer!
Porquê São Vicente? Não sei dizer… África sempre me fascinou e, talvez, o meu gosto musical pelas mornas e coladeiras, nomeadamente pela incrível Cesária Évora, tenham influenciado a minha decisão final…

Fui tranquila, sem criar grandes expectativas. Sabia, graças à experiência de voluntariado cá, que iria sempre receber mais do que aquilo que conseguiria dar… Não por não saber dar, mas porque quando fazemos o bem e damos de coração, estamos sujeitos e receber sempre mais! E não me enganei!

Porém, assim que entrei no avião, instalou-se um nervoso miudinho e uma série de questões começaram a surgir… Nunca tinha estado um mês longe de casa, da família e dos amigos. Não sabia o que ia encontrar. Como seriam as outras voluntárias? E se eu não me conseguisse adaptar? E se, e se, e se… Mas hoje, posso dizer que só tenho um arrependimento: Não ter ficado mais tempo!

As pessoas, a cultura, a comida, os cheiros, a paisagem, os sons, tudo era diferente daquilo que alguma vez tinha visto. E, para além de ser diferente, era muito melhor do que tudo aquilo que alguma vez vi!
O lema de Cabo Verde “No Stress” é, sem dúvida, o lema que todos nós deveríamos adoptar nas nossas vidas! E seríamos tão mais felizes se assim fosse, tal como eu fui durante este mês de Julho!

Não consigo encontrar palavras suficientes para descrever a morabeza com que nos receberam o Frei Silvino, a Miriam, a Sueli, as crianças dos centros (Krequinha, Pedra Rolada e R’bera Bote), os voluntários locais e a D. Filó (a melhor cozinheira de Cachupa e de Couscous do mundo e dona de uma coração gigante).

Regressei de mala mais leve mas de coração tão cheio! Grata por todas as memórias e por todos os momentos vividos nesta ilha!

Não poderia nunca terminar este testemunho sem referir as quatro voluntárias que me acompanharam nesta aventura: Inês, Ana, Diana e Joana! Vocês são as maiores! Obrigada 🙏🏼

Sei, com toda a certeza, que irei regressar! SonCent é sab! ❤

A Experiência da Larisa na Áustria

Waldhuttl foi um campo que me ofereceu uma experiência perene e inesquecivelmente enriquecedora. Entrei com uma mente aberta, pronta para recolher e processar todo o conhecimento possível acerca do projeto, de forma a ajudar as pessoas que este campo acolhia. Contudo, as partilhas de experiências de vida e saberes por parte dos voluntários e das pessoas que habitavam naquela casa viabilizou a absorção de mais informações vitais, de culturas gerais, futuramente necessárias. Achei maravilhoso aperceber-me que, a melhor forma de buscar a verdade e saber o que realmente acontece noutros países não é através dos jornais e revistas, mas sim através das pessoas que lá habitam, uma vez que estas são autênticas fontes de conhecimento. 

Confesso que, mergulhei em profundidade neste projeto, arregacei as mangas e trabalhei com um objetivo bem definido, de apoiar as pessoas que necessitavam. A minha ambição crescia e o meu coração aumentava à medida que eu comunicava com elas, que sorriam para mim, que me cumprimentavam e me chamavam pelo meu nome. O meu objetivo tornava-se mais nítido quando observava as crianças a brincarem ao final da tarde e os adultos a voltarem depois de um dia a trabalhar nas ruas a vender jornais ou a tocar para receber uns trocos. Apesar das dificuldades a que os adultos estão sujeitos, disfarçam um sorriso ou um riso perante os olhares lânguidos dos mais pequenos. 

O final de tarde iluminava-se com conversas profundas, risos, abraços, cânticos, olhares atentos e expressões alegres, onde tínhamos as montanhas e o som da natureza como pano de fundo. 

No workcamp entraram pessoas inexperientes, mas com uma grande vontade de trabalhar e de aprender. O trabalho desenvolveu-se rapidamente, sempre acompanhado de uma harmonia, eficácia e boa disposição arrebatadoras. Criámos uma unidade de trabalho inquebrável de tal modo que nem a frustração, cansaço ou frio conseguiam penetrar. Impressionante o que criamos quando temos somente a vontade e um conjunto de ferramentas na mão.

Estas duas semanas possibilitaram um maior desenvolvimento a todos os níveis e, ainda, uma maior flexibilidade para enfrentar os desafios quotidianos. Claro está que só podemos crescer emocionalmente, quando nos deparamos com dificuldades. Os obstáculos surgiram, mas quando facilmente contornáveis, revelavam-se pequenos incómodos, como por exemplo, não termos uma casa de banho ou chuveiro na segunda e última semana. Estes tornaram-se coisas secundárias quando comparadas às coisas básicas que fazem falta a imensas pessoas que nada ou quase nada possuem.

No último dia, as lágrimas surgiram ao despedir-me daquela experiência, daquelas pessoas que nos acolheram e aceitaram a nossa ajuda, dos coordenadores que tanto nos ensinaram e nos fizeram acreditar que somos capazes de tudo e da natureza que esteve sempre presente para nos reconfortar quando as saudades de casa apertavam. Os pequenos gestos contaram e fizeram a diferença neste campo para toda a gente envolvida.

Muito obrigada por me tornarem numa pessoa melhor e mais atenta!


A experiência da Sara na Eslovénia

“Hvala” (Obrigada), era tudo o que sabia quando o iniciei o campo. “Najlepša Hvala Rakičan” (Muito Obrigada Rakičan), foi uma das frases que lhes disse quando terminei o campo. Entre estas duas expressões, existem duas semanas que as separam, nas quais estive a trabalhar com cerca de 111 crianças dos 5 aos 14 anos eslovenas, a somar com cerca de 20 pessoas (4 delas voluntários, provenientes de Espanha e Rússia), num campo de voluntariado na Eslovénia, que tinha por base ensinar inglês.

Podia começar por dizer que a comida que ofereciam no campo era à base de fritos, que o meu estômago não reagiu bem. Que pela primeira vez, do grupo de voluntários, para além de ser a única portuguesa, era a mais velha, a única que já não vivia em casa dos pais e a que trabalha e estuda ao mesmo tempo. No entanto, gostaria também de dizer que isso não impediu absolutamente nada que esta experiência fosse incrível e que a recomendasse vivamente.

Duas semanas passadas, não num campo de voluntariado mas numa mansão, onde até cavalos havia, se respirava ar puro, me deslocava de bicicleta para todo lado, as pessoas eram tão simpáticas que dei por mim a estudar a sua língua durante o campo e a ter aulas diárias de esloveno. Admito que, não sei se foi por sorte ou por azar, mas que no segundo dia de atividades, fui a uma das salas onde estavam a decorrer para saber se precisavam de ajuda e a professora de pintura não sabia quem eu era, mas recebeu-me na sua aula (eu também não sabia que paralelamente às aulas de inglês, este campo também tinha aulas de pintura) e assim que lhe disse que era estrangeira, ficou toda contente porque podia praticar o inglês. E, durante estas duas semanas, ela não pode apenas praticar o inglês, mas como dei comigo, passados mais de 10 anos, a pegar num pincel e em tintas e a ter aulas de pintura. Surpreendentemente, os desenhos ficaram bonitos.

Certo que os meus conhecimentos sobre a língua eslovena eram muito muito limitados, porém, senti-me muito contente por estar ali, com aquelas pessoas e aqueles miúdos, naquela mansão, no “meio do nada”. Já me tinha esquecido do porquê de gostar tanto de arte, não por ver a minha mãe replicar quadros de Miró quando era mais pequena ou porque lhe pedia que me ensinasse, mas porque era um momento em que tinha liberdade para criar algo sem julgamentos ou limitações. Já me tinha esquecido do quão bom era andar de bicicleta sem horário de regresso a casa, da liberdade, da segurança em andar pela rua sozinha à noite. E por fim, que de facto também é bom ter por perto pessoas de sorriso largo; pessoas que não se importam de nos ensinar mais que uma expressão nova na sua língua e de a repetir uma série de vezes; pessoas tão diferentes e tão iguais a nós, que damos por nós a refletir sobre as nossas ações e que graças a isso, nos tornamos melhores.

Porque no fim de contas, é para isto que nos lançamos para o desconhecido, vimos “trabalhar de borla” para fora dos nossos países de origem, para Sermos Melhores. Sempre Melhores. Seres com um senso de Humanidade Maior. 

Rute, Santo Antão 🇨🇻

Sobre Santo Antão… nem sei por onde começar. Tantas pessoas, tantas experiências e tantos sentimentos num mês. Quando decidi entrar nesta aventura do voluntariado não tinha a mais pequena ideia do que me esperava e agora, não tenho dúvidas que escolhi o melhor sítio para o fazer. 

Os dias em Porto Novo começavam pela manhã no centro de Dia do Alto de São Tomé, onde fazíamos várias atividades com os nossos queridos idosos. Estas pessoas, pessoas de Cabo Verde e não só, jogaram, cantaram, dançaram, pintaram, brincaram connosco e mostraram-me que, de facto, a idade é só um número. A energia que todos eles tinham quando nos recebiam com o “Bom dia! Tá boazinha?” e os seus abraços apertadinhos, assim como os beijinhos das despedidas e o “até amanhã, se Deus quiser”, são momentos que nunca me irei esquecer. Estes serão para sempre os meus avós de Sintaton. 

Ao final da tarde encontravamo-nos com os nossos pestinhas no Espaço Jovem. Os miúdos mais queridos e traquinas que fizeram do meu mês em Santo Antão, o mais feliz da minha vida. Com eles fizemos jogos tradicionais, vimos filmes da nossa infância, conversamos, aprendemos a dançar (ou pelo menos tentámos) e recebemos muito carinho. No final, acompanhavam-nos até à porta de casa e faziam de tudo para que ficássemos mais um bocadinho com eles. 

Entre as atividades, conhecemos pessoas, passeámos pela ilha e vivemos o São João em toda a sua essência. Desde os desfiles aos concertos e à dança tradicional Colá SonJon, passando pela chegada do Santo a Porto Novo, foi fantástico poder participar em tudo isto. Definitivamente, Junho foi uma ótima escolha. 

Claro que nada disto seria o mesmo sem o apoio da Matilde e da SYnergia Cabo Verde. A eles um obrigada por toda a energia que dedicam ao projeto e por o partilharem connosco. Obrigada também ao Eduardo, à Sofia, à Tita e à Paula, que me acompanharam nesta aventura e que a tornaram ainda mais gratificante. 

Sinceramente, sei que recebi muito mais do que dei. Não por não saber dar, mas porque eles sabem melhor que eu. A generosidade e a amabilidade são características das pessoas de Santo Antão, e é por esta razão que é tão difícil deixar esta ilha. 

Obrigada Sintaton, Rute 

A Experiência da Adriana na Áustria

As palavras não chegam para contar tudo o que vivi nestas duas semanas. Foi uma experiência muito intensa. Arrebatadora. Muito aventureira. Muito rica em todos os aspetos. Houve mudanças na minha forma de ver as coisas. A dar valor ao principal. A trabalhar arduamente ajudando a comunidade que nos recebia. 

O convívio e as tarefas de ajuda viabilizou-me uma troca recíproca de conhecimento, empatia e a visão da realidade social e dos direitos das minorias sociais. Conhecer a comunidade e os restantes voluntários vai deixar para sempre uma saudade no meu coração com a vontade de os voltar a ver e reproduzir os nossos risos contagiantes e conversas. No final do dia, somos nós que realmente somos ajudados, que evoluímos e crescemos. O voluntariado é a forma mais enriquecedora e incrivelmente linda de aprender. Levo cada momento para sempre no meu coração. Aconselho a todos esta experiência.

A experiência da Diana em Zanzibar, Tanzânia

Integrar um projecto com estas características fazia há muito parte das minhas pretensões mais sonhadoras. Nunca pensei que fosse capaz. Até que um dia, e por meio de divulgação das oportunidades em aberto do “Para Onde”, surgiu a minha janela de oportunidade, o momento era o certo, o tempo seriam todos os meus dias de férias daquele ano, só faltava o “sim” da minha entidade empregadora, que não tardou a surgir. E parti.

Encontrei uma família Swahili, uma mama Africa, um papa Africa, a Maria, a Catarina, e a Isa (também elas voluntárias no mesmo projecto). Tudo era diferente, a língua, o tempo, os hábitos, os cheiros, as casas, as roupas. Não havia luxos, água quente ou comida em abundância. Havia sim, a cor de um oceano mais brilhante que já alguma vez vira.

A experiência de fazer voluntariado é certo, enriquece-nos, faz-nos repensar as nossas prioridades, relembra-nos o que é mais importante. Conhecemos pessoas, criamos laços. Tudo é intenso. Mas se tivesse que escolher uma palavra, diria que além de tudo, para mim, foi uma experiência Transformadora. Cresci muito, enquanto pessoa, enquanto filha, irmã, amiga. Aprendi tanto.

Os voluntários não mudam o Mundo, mas deixam a sua semente de modo que um dia estas crianças possam fazer a diferença nos seus países. Eu não mudei o mundo, ou Jambiani sequer, mas sempre que aparecíamos na nossa rua, ela enchia-se de crianças vindas de todos os cantos e recantos, a correr para o nosso colo. Espero que pelo menos elas tenham sentido essa diferença, porque elas são o Futuro. Eu não tenho dúvidas, sou uma pessoa muito melhor depois disto.

A Experiência da Clara na Guiné

Desde há muito tempo que tencionava ter uma experiência de voluntariado internacional com a única ressalva de que teria de ser num local onde fosse possível realmente ter algum impacto. A escolha da Guiné foi apenas um mero acaso. Hoje sei que foi o acaso mais bonito que podia ter e não podia estar mais feliz com essa escolha!

No entanto, nem tudo foi fácil. Falando da minha experiência, os primeiros dias foram dias difíceis: dias de adaptação, de alguma frustração e, às vezes, até de revolta. O choque de realidades existe e é algo que só se consegue estar preparado até se vivenciar. A pobreza, a falta de cuidados de saúde, a falta de escolaridade e uma lista de muitas outras coisas são, infelizmente, a realidade que se vivencia lá. E por muito que achemos que conseguimos ajudar e mudar tudo, é simplesmente impossível. E essa foi a primeira lição que aprendi na Guiné. Não é possível mudar o mundo, mas se for possível ajudar o mínimo ou fazer uma pessoa um bocadinho mais feliz então já valeu totalmente a pena!
A adaptação leva o seu tempo mas quando menos se espera já nos sentimos em casa. É uma mudança tão radical e tão repentina que é até difícil de explicar: num momento sentimo-nos estranhos, numa realidade completamente oposta à nossa, mas de um momento para o outro passa a ser a nossa realidade também.

Enquanto lá estive dei aulas à turma do 2º ano durante as manhãs com a professora Mariama e durante a tarde passava mais tempo a brincar com os nossos vizinhos e com os meninos do bairro. Durante este mês voltei a ser criança: ensinaram-me crioulo, dançamos, jogamos futebol, à macaca e a um monte de outras coisas, rimos, choramos e fomos muito, muito felizes. Tudo é um pretexto para brincadeira e é tão fácil ser feliz por lá!

A simplicidade com que vivem e a facilidade com que encaram a vida mesmo com todas as adversidades ensina-nos tanto… Na realidade, fui para lá para ensinar, mas foram eles que me ensinaram muito! Viver na Guiné é aprender que para se ser feliz não há barreiras, nem impedimentos; é aprender que o que realmente importa são as pequenas coisas; é dar valor ao que é realmente essencial e deixar de lado tudo o que é secundário; é dar o que se tem e o que não se tem; é sentirmo-nos um bocadinho em casa todos os dias. Durante este mês aprendi que não há limites para o amor e que não há nada mais bonito do que sermos autênticos e genuínos como só eles me mostraram ser. Durante este mês eu fui genuinamente feliz e sou tão grata por isso (e por tudo o que eles me ensinaram)! Não há como não ser feliz quando se está rodeada de pessoas tão incríveis e com um coração tão bom como o deles! São poucas as certezas que tenho, mas uma delas é que estes miúdos levo-os comigo para a vida! Não sei se eles algum dia vão saber o quão especiais são para mim e o quanto me marcaram em tão pouco tempo…

Voltar da Guiné foi muito, muito mais difícil do que alguma vez imaginei. Estar de volta a casa é ter o coração apertadinho e a transbordar de saudade todos os dias.

Obrigada a todos por terem feito desta a melhor experiência da minha vida! Obrigada do fundo do coração à Ana, Rosa e Maria Inês por terem sido uma companhia incrível; aos meus alunos e aos meus miúdos por me terem mostrado o quão fácil é ser feliz e por me encherem de amor de manhã à noite; aos amigos que fiz por lá e que levo comigo para a vida; ao Para Onde? por me ter permitido ter esta experiência.

Uma parte de mim ficou lá para sempre! Bissau, vemo-nos em breve! ☺


A experiência da Sofia na Bélgica

No dia 1 de Julho parti até à Bélgica com uma mochila recheada de botas, luvas e roupa impermeável para enfrentar o tempo instável, e zero expectativas. Era estranho partir para um país diferente para ir cultivar, já que em Portugal o que não faltam são terrenos baldios e um excelente clima, mas esta experiência era mais do que cultivar terrenos. Cheguei até Rinxensart onde se localiza a Quinta de Froidmont.

Quando entrei na quinta já estava um grande grupo de pessoas a almoçar, iriam ser os meus companheiros de aventura, tantos os voluntários como os estagiários que trabalhavam connosco. Estranhei um pouco a comida pois só havia saladas de vegetais, pão e manteiga. As refeições era predominantemente vegetarianas com os legumes colhidos da horta.

Os voluntários eram de vários países o András e a Anna vieram da Hungria, o Tim da Rússia, o Kamso do Burkina Faso e a Hyun era a nossa Campleader e era belga.
A nossa rotina era ir até a uma das hortas e lá os nossos professores davam-nos tarefas que podiam ser desde apanhar as frutas e legumes maduros, preparar o solo para semear ou plantar, debulhar favas e ervilhas etc… e normalmente interagíamos uns com os outros partilhávamos histórias, crenças, falávamos sobre o nosso país e a nossa cultura.

Todos os dias trabalhávamos com pessoas diferentes e interagíamos com os estagiários que muitas vezes só falavam francês, então tínhamos de nos esforçar um pouco mais para nos fazermos compreender. Saíamos para ir trabalhar às 8h30 e à tarde terminávamos o trabalho às 16h30. A partir desta hora tínhamos tempo livre para fazermos o que quiséssemos. Normalmente jogávamos jogos de tabuleiro e às cartas ou íamos visitar alguma cidade.

No fim de semana tínhamos mais tempo para explorar a cultura belga, visitámos Bruxelas, Bruges, Gante e Ostende.

Nesta experiência ganhei um grande respeito pelo trabalho dos agricultores especialmente aqueles que praticam uma agricultura biológica que exige muito trabalho manual. O convívio com os restantes voluntários deu-me uma visão diferente sobre o modo de vida noutros países. Apesar de serem uma excepção dentro da juventude húngara o András e a Anna são um exemplo a seguir. Tomam atenção ao modo de produção do que adquirem para que tenha um menor impacto para o planeta e que não apoie a exploração infantil ou a escravatura. O Tim mostrou-me que na Rússia não existe uma abundância tão grande como na Europa a nível alimentar, então ele fazia questão de andar sempre com um pedaço de queijo na mão e chocolate para barrar. Foi uma aventura muito enriquecedora, pude ganhar mais à vontade a falar uma língua estrangeira e a conviver com pessoas diferentes.

Obrigada Para Onde pelo apoio e formação e a toda a equipa da Quinta de Froidmont pela gentileza, disponibilidade e simpatia durante os 13 dias de voluntariado.


A Experiência da Marta na Ilha do Maio

São pouco mais das 14h40 do dia 1 de Julho, encontro-me no voo de ligação para o Porto, aproveitando para escrever o meu testemunho.

Durante as semanas que antecederam a partida, disse muitas vezes em tom de brincadeira: “A Marta que vai, não é a Marta que vem!”. E não é que é mesmo verdade!?

A escolha do Programa de Proteção da Tartaruga Marinha teve por base a realização de um sonho de infância e, sendo 2019 um ano de mudanças na minha vida, não havia altura mais indicada. Este programa não se baseia apenas na conservação e proteção do ambiente. É também um programa cultural e social, uma vez que os voluntários ficam a viver nas comunidades (projeto de “HomeStay”) criando laços, partilha de conhecimento e experiência, passando pelas mesmas dificuldades que os habitantes, ainda que em menor escala.

Durante 15 dias, fiquei em Morrinho, uma das 13 comunidades da ilha do Maio, e sabem que mais!? Nem tudo foi um mar de rosas… Nem tudo foi perfeito… Mas foram 15 dias do melhor que podia existir! Foram 15 dias que recordarei para sempre! E sim, parece um cliché usado por muitos voluntários, mas é a verdade: “Parti sem grandes expectativas, e regressei com o coração apertadinho e uma vontade enorme de voltar ao Maio.

Não sei se fiz a diferença na vida deles, mas eles nem imaginam a diferença que fizeram na minha. E hoje sou grata por cada abraço, cada carinho e cada lágrima. Sou grata pelas discussões futebolísticas durante a construção dos viveiros, ou pelas conversas sobre planetas e estrelas durante as patrulhas noturnas. Sou grata pelas festas no terraço ao final do dia, ou pelas vezes que madruguei para fazer os censos na praia. Sou grata pelos miminhos na mamã Ricardina, pelos miúdos gritando o meu nome ou pelas “picardias” com o meu líder de equipa. Sou grata por tudo, mas mesmo tudo o que vivi nestes 15 dias.

Obrigada por permitirem que eu fizesse parte deste projeto.

Hoje sei que não fui eu que escolhi o Morrinho. Foi o Morrinho que me escolheu a mim!

E não, isto não é uma despedida. Mas sim um “Até já!”

P.S. – E sim, a Marta que foi não é a Marta que regressou :)


Patrícia, Santo Antão 🇨🇻

Falar da minha experiência em Santo Antão… Enfim, como começar? Quando o nosso maior arrependimento é ter comprado uma viagem de regresso para Portugal, torna-se claro que a experiência não só foi magnífica e marcante mas também das mais felizes que tive na vida.

Os meus dias como voluntária consistiam nas manhãs passadas no Centro de Dia do Alto de S.Tomé, nas ocasionais idas ao ICCA (Instituto Caboverdiano da Criança e dos Adolescente) e nos finais de tarde com as crianças do Espaço Jovem. Levo um pouco de todas as pessoas que conheci nestas valências. Apenas uma semana passou e já sinto falta: do «Tud Drêt?» do senhor José, sempre bem-disposto, todas as manhãs; do jeito natural do senhor Victor para dançar, pintar, enfim, para tudo!; da Dona Ana que nunca se quer juntar às nossas atividades mas, no final, participa sempre em tudo com muita alegria; da delicadeza enorme do senhor Germano; do sorriso da Dona Isidra; das gargalhadas marotas da Nininha; etc.

Pelas tardes, parece que ainda oiço ao longe as correrias do nosso vizinho pequenino, o Karamu, sempre com os seus braços a balançar; as gargalhadas agudas da Sandji e da Edilana; as músicas a tocar na coluna do Ailton; os gritos «Oh Tiiita» do Alai ou os chamamentos queridos do Gerson. Cabo Verde deixa “sodade”. Guardo em mim memórias que não esquecerei. Tudo, sempre, com muita morabeza, uma amabilidade tão genuína e característica do povo caboverdiano.

De resto, que mais posso acrescentar? Escolhi o mês de Junho para ter esta experiência. Que decisão tão acertada! Nos voluntários de junho encontrei uma família. Dou graças todos os dias por ter conhecido a Sofia, o Eduardo, a Rute, a Paula e a nossa grande coordenadora, a Matilde, que se tornaram não só companheiros incansáveis de toda a experiência de voluntariado, como também amigos divertidos que certamente levarei para a vida toda. Para além disso, tive o privilégio de viver o «Son Jon», a época festiva mais esperada do ano inteiro, e vivenciar toda a cultura, desfiles, procissões e festas típicas deste São João de Santo Antão.

E o crioulo? Um dialecto tão doce e tão «sab»! Em Sintanton (nome que se dá a Santo Antão) aprendi uma expressão que levarei para a vida: «N’ crê ligria dum vida vivid» que significa «Eu quero alegria de uma vida vivida». E esta frase caracteriza tão bem a cultura caboverdiana e a sua maneira tão própria de viver. A arte de bem receber e bem tratar são típicas em Santo Antão. Nunca conheci um povo tão feliz e que faz a festa com tão pouco. Faz-nos refletir que o mais importante nas nossas vidas não são coisas materiais nem posses mas sim as experiências, os sentimentos, as pessoas que conhecemos e que nos são especiais.

Por fim, considero-me uma sortuda por tudo o que me aconteceu e tudo o que vivenciei. É bem verdade que recebi bem mais do que aquilo que dei e fica em mim um enorme desejo de voltar e ajudar quem realmente precisa e agradece por isso. <3