A Experiência da Sandra no Quénia

Já há muito tempo que queria fazer voluntariado internacional, pareceu-me esta a melhor altura da minha vida para o fazer. De todos os programas de voluntariado disponíveis para o meu período de férias, houve um que me captou a atenção: Kiburanga. Sabia que ia ser difícil, cultura diferente, condições de conforto mínimas, mas, ainda assim, decidi arriscar. E ainda bem que o fiz. Quando cheguei a Nairobi (já com a minha companheira de viagem, a Leonor, também portuguesa mas que só conheci no Dubai enquanto fazíamos escala), pensei: “Sandra, no que te foste meter?’’. Nairobi é uma cidade muito confusa, muita gente, muito trânsito que nem sempre é controlado. Para Kiburanga, partimos na manhã seguinte. Foram 9h de viagem em que se via a densidade populacional a diminuir, e a beleza natural a aumentar. Quando chegámos a Kiburanga, estava muita gente da comunidade reunida junto à escola para nos receber, muitas crianças, e um grupo de pessoas já com alguma idade a com música e dança típicas da região, foi um bocadinho arrepiante. As crianças guiaram-nos até ao nosso campo. Assim que cheguei, encontrei a Catarina. A Catarina é uma autêntica rockstar. Esteve neste projeto em 2017 e decidiu criar uma associação em Portugal (Associação Simba – Children’s Rights) para que fosse possível construir um orfanato em Kiburanga. Uma das nossas atividades para o projeto acabou por ser ajudar na sua construção (quando viemos embora, já estava praticamente concluído).
Nos dias que se seguiram, além da construção do orfanato, as atividades passavam pela distribuição de roupas, fabrico de tijolos, atividades com crianças, pintura da escola, e visitas domicilárias (home visits), onde pudemos ver como as pessoas vivem, como são as suas casas e quais são as suas histórias. Realmente, Kiburanga é especial. A vida daquela terra, o ritmo que se ouve, a alegria que existe sempre, o pôr-do-sol mais bonito, o céu mais estrelado, aquela gente que precisa de tanto, mas que não sente falta de nada. É um sítio que nos deixa com um misto de sentimentos enorme, principalmente na hora da despedida.
Sentimos que fazemos pouco, que nunca vai ser suficiente. Mas como alguém muito experiente um dia me disse: “Por muito que nos custe não conseguiremos mudar o mundo. Apenas podemos dar pequenos, honrosos e valiosos contributos.” Kiburanga foi a experiência mais bonita que já tive, a parte difícil foi deixá-la.
(Na verdade, acho que nunca deixei.)

Distribuição de roupas