A experiência do Romeu em S. Tomé e Príncipe

“Agora depois dos 30 é que te lembraste de fazer voluntariado? Já não tens idade para isso” “Tiveste um desgosto de amor?” “Já não precisas disso para o teu curriculum” “Andas com crises existenciais?” “Deves pensar que chegas lá e vais salvar o mundo…”

Estas são as citações que fui ouvindo até embarcar rumo a São Tomé e Príncipe no passado dia 28 de abril, onde, durante quase dois meses, estive a desenvolver atividades e dar apoio numa associação com 47 crianças na região da Mesquita, São Tomé.

E não, nenhuma dessas citações, no meu entender, deviam representar o voluntariado e as suas motivações. No meu caso, sempre tive algum interesse pelos projetos de voluntariado e sobre quem decide partilhar o seu tempo com outras pessoas e comunidades, sem esperar um cheque em troca.

Até agora nunca tinha tido a oportunidade ou determinação suficiente para o fazer mas após alguns anos de trabalho em diversos países e empresas, após diversas viagens de férias como mais um simples turista no meio de tantos outros, decidi que este ano iria ser diferente. Este ano iria tirar um período de férias alargado (ser freelancer permite essa flexibilidade) e deixar de ser turista para viver uma experiência de voluntariado. E que experiência!

Não recebemos um cheque no fim do mês, não recebemos as comodidades de um turista, recebemos muito mais que isso. Recebemos uma lição de vida, uma experiência social, emocional, cultural, que dificilmente conseguiríamos de outra forma.

Em São Tomé e com aquelas as 47 crianças todos os dias eram lições de vida e de esperança. É um país com enormes desigualdades, com graves problemas sociais e de desenvolvimento, mas as crianças em nada refletem isso! São criativas, dinâmicas, assertivas, dedicadas, engenhosas e inteligentes.

Após trabalhares com elas apercebes-te disso facilmente, muitas das vezes só é necessário dar os estímulos certos. Tive a oportunidade de assistir a muitos exemplos: desde construção de guitarras e papagaios com “lixo”, craques no jogo das damas, xadrez, jogo do 24, experiência de química, eletricidade, tudo isto de forma praticamente autónoma, apenas foi necessário “dar a conhecer”.

Não salvei o mundo, não resolvi os problemas sociais de São Tomé, mas tive a oportunidade de educar, partilhar conhecimentos e expandir os horizontes destes meninos. Quanto melhor nos prepararmos para esta aventura, quantas mais ideias, motivação, alegria, atividades, levarmos, mais valor acrescentado podemos transmitir. Nós, voluntários, podemos não salvar o mundo, mas se cada um de nós educar e motivar uma criança ou adulto, são eles que o vão fazer.

O voluntariado foi uma experiência que escolhi viver e que certamente irei repetir, em São Tomé ou na rua aqui ao lado! É um modo de vida que podemos escolher adotar.

“Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas”