Nicole, Ilha do Maio 🇨🇻

2019 foi um ano de grandes mudanças! Comecei o ano à procura de programas de voluntariado seguros onde me pudesse inscrever em voluntariado num país africano e me sentisse mais segura através da organização. Foi então que encontrei a “Para Onde” e digo, foi a melhor decisão da minha vida foi ter-me inscrito.

Depois de várias pesquisas de diferentes programas de voluntariado, o que me captou mais foi em Cabo Verde, a Ilha do Maio, para o programa de desenvolvimento social.

Foi então que me inscrevi para o mês de outubro mais a minha amiga Catarina.

Foi tudo incrível, desde o primeiro dia em que chegámos até ao último dia em que fomos embora.

Fomos as duas sem expectativas e acho que foi por causa disso que adorámos cada momento, até as baratas à noite na casa tornou a nossa experiência ainda mais especial.

É uma grande experiência ir de voluntariado para a ilha do Maio. Não existem voos diretos para lá, e o barco está sempre a mudar os dias e as horas em que vai para a ilha. Então, de repente, pensamos que vamos para a ilha na quarta-feira e afinal já só vamos na sexta.

Posso dizer que o mês passou a correr. Todos os dias fizemos montes de coisas diferentes, e logo na segunda noite o líder das patrulhas das tartarugas foi ter a nossa casa perguntar se podíamos ir patrulhar com eles. E assim fomos. É uma maravilha conhecer o mundo das tartarugas, é lindo e muito especial. Fez da nossa experiência ainda mais enriquecedora.

Quando não fazíamos as patrulhas à noite, organizávamos atividades de desenvolvimento com as crianças. A primeira atividade que fizemos foi com o reaproveitamento dos plásticos. Cada criança trouxe um garrafão de plástico de casa e fizemos os nossos próprios vasinhos onde plantámos uma planta com fins medicinais, a Echinacea.

Muitas das crianças só tinham escola de manhã, enquanto que outras só tinham escola de tarde. Então tínhamos sempre crianças connosco a toda a hora. E às 19 horas, quando já estavam todos na Ribeira Dom João, vinham todos para a casa onde estávamos. Chegámos a fazer sessão de maquilhagem com as miúdas lindíssimas.

O que eu acho mais incrível em tudo é que na ilha do Maio é tudo muito seguro. É uma ilha muito pequena em que quase todos se conhecem, e na nossa aldeia as crianças andavam na rua a brincar ate às 22 horas da noite sem perigos nenhuns na rua. As portas das casas estavam sempre abertas e entravam e saíam quando queriam. É uma comunidade espetacular que te acolhe de braços abertos.

Fizemos também uma visita de estudo com as crianças aos viveiros, organizámos sessões de cinema, e ainda fizemos um caixote do lixo com pneus para o campo da bola.

LIXO CA TA PAPIA MAS TA POLUI – O LIXO NÃO FALA MAS POLUI

A nossa Ramisinha, recebeu-nos de braços abertos e todos os dias tínhamos pãozinho quentinho para comer ao pequeno almoço, que era a melhor coisa que podíamos ter recebido.

Foi a melhor experiência de vida que eu tive e a melhor decisão de todas. Cheguei a Portugal com o meu coração preenchido de todas as formas e foi muito difícil despedir. Quando me despedi, desatei a chorar. Eu sabia que ia chorar, só não pensei que ia ser a primeira de todas. Tive de ir para o quarto tentar controlar as lágrimas que me caíam. Imaginar ter de dizer adeus às minhas princesas e aos meus meninos do coração, custou-me muito.

Sinto que não damos valor a nada do que temos. Temos sempre a ganância de ter mais e mais, e olho para a vida que tive lá durante um mês e eles, com tão pouco, são mais felizes do que nós. Passam os dias e as horas a ouvir música, a dançar, a conviver. A música para os Cabo Verdianos faz parte da maneira deles viverem e preenche cada momento.

Deixámos na Ribeira Dom João um pedaço grande do nosso coração e uma família com os braços abertos para nos receber. E haveremos de lá voltar, a matar as saudades com a nossa maravilhosa família.