A experiência da Marta e do Samuel em Santo Antão

A nossa lua de mel: o mais importante não é o destino, mas “a viagem”!

Somos pessoas do mundo e das viagens, adoramos explorar outras culturas e ver o mundo de perto, tal e qual como ele é. E para a nossa lua de mel? Uma lua de mel “normal” sempre esteve fora de questão. Não sabemos bem como surgiu esta ideia, mas de repente decidimos “trocar os resorts de pulseira por uma experiência com tudo incluído”.

Escolhemos o tema do nosso casamento com base nas semanas que estaríamos em Santo Antão: Multiplicar Sorrisos. Envolvemos os nossos amigos e familiares nesta aventura e conseguimos levar para Cabo Verde duas malas cheias de material escolar.

Chegámos a Santo Antão pelo mar, sem um mar de expectativas. Chegámos e fomos procurando assimilar tudo o que nos iam oferecendo.

Todos os dias de manhã, os idosos do Centro de Dia do Alto de São Tomé aguardavam a nossa chegada. O calor e o amor com que nos recebiam tornou-se cada vez mais quente ao longo dos dias. Os voluntários tentam proporcionar diariamente a estes idosos algum tempo de qualidade e descontração, mas somos nós que saímos mais ricos, quando ouvimos as suas histórias de vida e quando nos mostram que a beleza está na simplicidade das coisas.

O ambiente em casa aos poucos foi-se tornando familiar. Ao jantar, reunidos à mesa, cada um “dava graças” a três coisas que tivessem acontecido durante o dia. Um hábito maravilhoso que trouxemos connosco para a nossa vida. É incrível como até mesmo em dias mais calmos, há sempre algo a agradecer. Mas neste dia a dia na ilha era fácil, era a vida a acontecer e muito a agradecer.

Os dias corriam entre a visita aos idosos, a preparação de todas as actividades e por vezes um mergulho no mar da Praia do Armazém. Posto isto, todos os dias às 17h30 vinha o maior desafio, desenvolver e aplicar actividades lúdico-pedagógicas para crianças entre os 3 e os 14 anos. Um dos objetivos atuais da Synergia Cabo Verde é atrair mais adolescentes e jovens (a partir dos 14 anos), uma vez que actualmente são as crianças que dominam o espaço e o nosso coração.

Criar e desenvolver actividades para crianças com idades tão díspares não é fácil, mas com calma e alma, fica mais fácil. No Espaço Jovem há aulas de karaté (parceria com uma pessoa local), há jogos tradicionais, há o “jogo da latinha”, há a fila para saltar à corda, há muitas “folias” para fazer desenhos, podemos “brincar” com pasta de papel, moldar plasticina e dar asas à imaginação num teatro de sombras. A praia é destino para brincadeira na areia e jogos à beira-mar. No Espaço Jovem procuramos promover a leitura através do desenvolvimento constante do espaço comum de leitura, a nossa biblioteca. Houve pintura de t-shirts, aquela que viria a ser “a t-shirt do Espaço Jovem”. Todos os dias havia um novo desafio, uma nova conquista. Todos os dias levamos um sorriso novo para casa. Na maior parte dos dias somos surpreendidos, por um abraço, por um “esculpa” (desculpa), por uma flor, por palavras que nos comovem e por gestos que não esperamos.

Partimos mais ricos, levamos connosco uma experiência de vida que nos vai marcar para sempre. Tivemos o privilégio de conhecer o coração de Cabo Verde, a essência dos cabo-verdianos e uma cultura autêntica e única. Passaram cerca de duas semanas depois de termos deixado a nossa ilha, os nossos miúdos, os nossos idosos e a nossa família de “Sintanton”. Guardamos cada um deles num lugar muito especial e assim conseguimos trazê-los connosco para a nossa vida, para os nossos dias.

Costumamos entrar em tudo o que fazemos com todo o nosso coração, e por isso, o nosso coração ficou na Ilha de Santo Antão.