A Experiência da Marta na Ilha do Maio

São pouco mais das 14h40 do dia 1 de Julho, encontro-me no voo de ligação para o Porto, aproveitando para escrever o meu testemunho.

Durante as semanas que antecederam a partida, disse muitas vezes em tom de brincadeira: “A Marta que vai, não é a Marta que vem!”. E não é que é mesmo verdade!?

A escolha do Programa de Proteção da Tartaruga Marinha teve por base a realização de um sonho de infância e, sendo 2019 um ano de mudanças na minha vida, não havia altura mais indicada. Este programa não se baseia apenas na conservação e proteção do ambiente. É também um programa cultural e social, uma vez que os voluntários ficam a viver nas comunidades (projeto de “HomeStay”) criando laços, partilha de conhecimento e experiência, passando pelas mesmas dificuldades que os habitantes, ainda que em menor escala.

Durante 15 dias, fiquei em Morrinho, uma das 13 comunidades da ilha do Maio, e sabem que mais!? Nem tudo foi um mar de rosas… Nem tudo foi perfeito… Mas foram 15 dias do melhor que podia existir! Foram 15 dias que recordarei para sempre! E sim, parece um cliché usado por muitos voluntários, mas é a verdade: “Parti sem grandes expectativas, e regressei com o coração apertadinho e uma vontade enorme de voltar ao Maio.

Não sei se fiz a diferença na vida deles, mas eles nem imaginam a diferença que fizeram na minha. E hoje sou grata por cada abraço, cada carinho e cada lágrima. Sou grata pelas discussões futebolísticas durante a construção dos viveiros, ou pelas conversas sobre planetas e estrelas durante as patrulhas noturnas. Sou grata pelas festas no terraço ao final do dia, ou pelas vezes que madruguei para fazer os censos na praia. Sou grata pelos miminhos na mamã Ricardina, pelos miúdos gritando o meu nome ou pelas “picardias” com o meu líder de equipa. Sou grata por tudo, mas mesmo tudo o que vivi nestes 15 dias.

Obrigada por permitirem que eu fizesse parte deste projeto.

Hoje sei que não fui eu que escolhi o Morrinho. Foi o Morrinho que me escolheu a mim!

E não, isto não é uma despedida. Mas sim um “Até já!”

P.S. – E sim, a Marta que foi não é a Marta que regressou :)