A experiência da Marta nos EUA

Tentar imaginar uma atividade de voluntariado num dos países mais desenvolvidos do mundo pode ser um desafio difícil, uma ideia quase descabida. Tratando-se de uma primeira experiência, procurei algo que me pareceu dentro da zona de conforto. Sem saber bem o que esperar e com algumas dúvidas quanto à relevância do meu papel, parti expectante mas algo receosa. Num flashforward para o final da história: não poderia ter sido mais recompensador.

Fui recebida, juntamente com outros 5 voluntários internacionais, por um grupo de pessoas extraordinárias, lutadoras, bondosas, tolerantes, incansáveis. No bairro de JP, em Boston, a comunidade é composta por variadíssimas etnias e origens. Existem várias escolas bilingues (inglês-espanhol), onde crianças e adolescentes lutam para encontrar o seu lugar na (cada vez menos receptiva?) sociedade americana.

Em parte do tempo, trabalhámos em escolas e bibliotecas públicas com o objetivo de promover a consciencialização para temas de natureza social e ambiental, utilizando a arte e a expressão plástica como linguagem.

Mas a atividade principal, consistiu nos preparativos para o Wake Up The Earth Festival – um pequeno festival comunitário que surgiu há 40 anos, como celebração pelo impedimento da construção de uma auto-estrada que atravessaria a cidade. Atualmente, grande parte das pessoas locais participam de diversas formas: como artistas, como ativistas, como vendedores, como parte de organizações sem fins lucrativos, ou apenas como espectadores.

O nosso papel consistiu essencialmente em ajudar com todas as questões logísticas, pintura e preparação de banners, sinalizações e decoração – tudo feito à mão, ao mais baixo custo e da forma mais sustentável possível. Ao mesmo tempo, a partilha cultural foi cada vez mais intensa, rica e instrutiva, proporcionada pela variedade do grupo e por todos os que nos receberam nas suas casas.

Foi o 40º aniversário do festival, organizado pela Spontaneous Celebrations. A fundadora, Femke, é uma inspiração para todos os que se cruzam no seu caminho, por ter criado uma instituição tão importante para a formação de tantos e para o desenvolvimento da zona. Continua (aos 76 anos) ativamente a procurar formas de ajudar e fazer mais pelos outros. A criatividade da Roxana, a inteligência da Zafiro, o humor do Mark, o talento da Stone, os métodos da Rosalva, a adaptação da Anne Marie (a mais recente na equipa)… A dedicação e eficiência de todos. Conhecer pessoas assim, é sempre inspirador, mas partilhar com elas tantos momentos e experiências é muito mais rico. Fazemos pouquíssimo pelo mundo e uns pelos outros, na nossa rotina atarefada. Não é suficiente. Agora, a minha missão é encontrar uma forma de dar o meu contributo, regularmente. Se não for longe, perto, se não for muito, algo, se não for do outro lado do atlântico, na minha comunidade, tal como o fazem estes meus novos ídolos.

Obrigada, Volunteers for Peace!
E muito obrigada, Para Onde! – Inês e Marta, o vosso apoio e presença foram exemplares e tão importantes.