A experiência da Maria Inês na Tailândia

De Portugal à Tailândia – a rotina de uma ilha

 

Fora da rede, um barco transporta 12 novos voluntários, para a terra onde o tempo pára e a beleza das pequenas coisas prevalece. São 7 horas e desperto para uma nova realidade para encontrar o desconhecido, um paraíso no meio do Índico que mascara uma vivência dura sobre o pacífico isolamento.

O dia começa na escola com o tilintar do sino patriota, somos surpreendidos por um grupo de crianças dos 3 aos 15 e ambos tentamos uma tímida aproximação. A rotina da religião muçulmana, pausada pelas horas da refeição e da aprendizagem.

 

A primeira semana constrói-se sob o ritmo do dia-a-dia, o beber da cultura de uma comunidade em que nada se perde e tudo se transforma. Cada objecto não é apenas uma forma física, representa algo muito maior, um sapato não é um sapato, um sorriso não é o mesmo se não o desfrutarmos com as pessoas a quem cuidamos e com as quais aprendemos.

O balanço da sala de aula e das lições de inglês, começa a tomar forma. Ao princípio foi complicado conquistar a confiança dos membros da escola, contornar os momentos de impotência perante situações nas quais os professores não dão o devido acompanhamento às crianças e por vezes não facilitam a nossa intervenção. A barreira linguística que dificulta o confronto com outras maneiras de estar e lidar com os problemas sociais e ambientais.

A relação entre o grupo de voluntários foi feita de altos e baixos, devido às diferentes noções de entrega que cada membro tinha para com o projecto. O que importa retirar é a simbiose da experiência, o coabitar com o outro e o respeito pela tradição. A partilha no ensino e na aprendizagem para que no momento de entrega à comunidade, todas as dúvidas e inquietudes se reduzam a pó perante a simplicidade dos sorrisos e o contribuir para a evolução das crianças.

 

Compreender um sistema de ensino com muitas falhas mas ter a capacidade para acreditar na mudança de atitudes e perspectivas, a importância que duas semanas têm e podem ecoar para que muitos momentos como este se possam repetir. Por mais que o trabalho feito seja importante na mente dos voluntários que regressam , nunca vai ser suficiente para quem fica.

Todos os pedaços da ilha me lembram saudade, desde a beleza das pequenas coisas, aos momentos de caricatos de convivência com a fauna e a flora, entre folhas de côco e dragões do komodo. Os cheiros coloridos, o arroz três vezes por dia, as canções em inglês, som da vida em cada gargalhada no recreio.

Por estas razões e muitas mais um grande, Kop-Kun-Kah (obrigada)

– A-NGHUN, A-PENG, NOYNA, MIX, FAHANA

YEMMA, PAUSSAN, KAMPEEH, ATUI, Daniela, Tatiana, MOOI e tantos outros…