A experiência da Madalena em S. Tomé e Príncipe

Desde sempre que gostava de fazer voluntariado, em especial num sitio em África, e como São Tomé dentro das várias opções de programas, era o local onde tinha mais curiosidade, foi o escolhido, outros locais também seriam bem vindos, mas a escolha tinha de ser feita… Então tive o privilégio de puder conhecer esta maravilhosa ilha e as pessoas que nela habitam.

Foi um mês muito intenso e especial, que voltava a repetir sem dúvidas nenhumas, era voltar a Portugal dizer Olá e no dia a seguir ir outra vez. Sempre me senti em casa em São Tomé, porque para além de falarmos a mesma língua, as pessoas são genuínas e humildes, e fui muito bem acolhida.

Quando se regressa de uma experiência destas, que nos permite explorar nós próprios e explorar também as outras pessoas e outra cultura, quando regressamos ao nosso local de origem não sabemos muito bem no que pensar, um vez que a experiencia foi muito intensa e enriquecedora, desde a mudança do clima, cultura, os insetos (mosquitos, que tanto gostaram de mim) e alimentação.

Esta experiência permitiu refletir de que como o modo que vivemos pode ser tão diferente de lugar para lugar, e não é pior nem melhor é apenas diferente, uma vez que, em tudo o que é diferente tem coisas boas e outras menos boas, como tudo na vida. Considero que o modo como os santomenses vivem é muito positivo ao nível das relações humanas, pois vivem as coisas com mais intensidade e despreocupação, dentro do espírito leve leve, já para não falar que no mundo ocidental as tecnologias minam e interferem na forma como nos relacionamos com os outros, cria uma barreira que ali não existe, as pessoas agem de forma natural e vivem tal como são. Outra coisa que para os ocidentais é banal é ter eletricidade e água durante todos os dias sem sentir falta dela, e por isso temos tendência a desvalorizar estas pequenas grandes coisas, ali quando não há a água, há luz ou vice versa, e muitas vezes não há as duas coisa, e quando não há por exemplo luz algo frequente. Quando a eletricidade voltava as crianças faziam uma “festa”, a dizer “Energia voltou!”, algo que demonstra muito bem como valorizam as pequenas coisas. Posso afirmar sem margem para dúvidas que os melhores momentos com as crianças foram quando não existia luz, outra coisa quase improvável de acontecer por aqui no mundo ocidente, uma vez que brincávamos na rua (macaquinho do chinês, jogo das cadeiras com palmas ou musica de telemóvel ou simplesmente ficar a ver as estrelas ou até a contar histórias), pois a lua iluminava um pouco e existia luz na rua (solar), brincávamos sem limites, pois só a felicidade interessa naquele momento.

Trouxe comigo, na minha bagagem, muitos momentos que não vou esquecer e que já estão bem guardados no meu coração, pois só de pensar neles fico com um sorriso na cara.

Posso dizer que tenho um sonho realizado, mais com esta experiência, tive a certeza que gostaria de voltar a sonhar São Tomé ou noutro local, mesmo com a quantidade de picadelas de mosquitos que levei, digo que vale a pena porque é sinal que estive naquela lugar incrível. Com isto quero deixa também um agradecimento especial a equipa do Para Onde, por terem acompanhado esta experiencia e terem contribuído para que esta fique sempre no coração.

A frase sempre inspiradora é “sigam os vossos sonhos”, se querem mesmo fazer uma coisa, de uma maneira ou de outra vão conseguir fazê-lo, e não digam querer e poder é diferente, é mas quando se quer uma coisa mais tarde ou mais cedo vamos poder, “poder”.

Madalena Rodrigues, São Tomé e Príncipe Março 2019