A Experiência do Luís em S. Vicente

Eu sou o Luís e venho contar-vos um pouco de como foi a minha experiência de voluntariado em São Vicente, Cabo Verde, de Janeiro a Março de 2019. Não sei porquê Cabo Verde… acho que o nome do projecto simplesmente me interessou. Graças ao Para Onde foi fácil para mim conseguir vaga neste magnífico projecto de voluntariado. Fazer voluntariado em África era um sonho que já tinha há mais de um ano, pois eu queria realmente conhecer realidades diferentes, estando integrado na comunidade, e queria oferecer a ajuda que eu pudesse. De facto, apesar de todos os receios e medos que tinha, o que não faltou foi a minha integração na comunidade.

No aeroporto, fomos logo recebidos pelo Frei Silvino, presidente do Espaço Jovem, um senhor que era uma inspiração na sua simplicidade e feitos. Ele era o pai de muitos jovens na ilha, tendo ajudado a desviar muitos deles de más vidas, resolveu conflitos entre gangs da ilha, ajudou pessoas a montar negócios e já colocou quase 70 jovens de novo a estudar na escola!

O Espaço Jovem tem dois centros, a meia hora a pé de distância (ah lá andávamos praticamente sempre a pé), o da Pedra Rolada e o da Krequinha. Cada um de nós, voluntários, íamos rodando entre os dois, pois foi nisso que concordámos. Por estes centros passavam cerca de 150 crianças por dia e o nosso trabalho principal era ajudá-las com os TPC e a escola em geral. Todos os dias, 2h de manhã e de tarde, era o que fazíamos, para além de fazermos às vezes outras actividades, como foi o caso de danças, aulas de culinária, gincanas, idas à praia, concursos de talentos, etc. Ah e o que nunca faltava em cada dia eram montes de abraços e beijinhos, mal as crianças nos viam a chegar ao longe. Para além disso, eu dava explicações de inglês de 9º ano nalgumas horas de almoço e à tarde dava aulas de inglês de 5º ano ou aulas de matemática de 7º, pelo que os dias eram sempre preenchidos.

Os miúdos, apesar de muitas vezes preguiçosos, barulhentos e reguilas, eram muito queridos. Mesmo na rua, mal nos viam, vinham sempre dar um abraço que sabia sempre bem, e eram mesmo muito carinhosos e simples. Costumavam muito andar descalços mesmo no meio das pedras e eram crianças que sabiam o valor da partilha; nunca tínhamos de ralhar quando lhes pedíamos para emprestarem ou partilharem algo.
No centro da Pedra Rolada, como era o que estava menos desenvolvido, ajudámos bastante na questão da organização e remodelação do espaço. Foi incrível ver como o modo de funcionamento daquele centro foi melhorando, pouco e pouco, com o empenho de todos. Para além disso, foi incrível ver como, com a nossa pequena ajuda, muitas crianças iam de facto melhorando na escola e algumas iam subindo de facto as notas. É a prova de como dando o bom o exemplo e dando o mais pequeno apoio que seja, se pode fazer a diferença na vida duma criança.

Outra coisa incrível foi poder viver como um local vive em Cabo Verde, todos vivem uma vida Suav na Nav (no stress) e as pessoas eram mesmo muito simpáticas e gostavam de ajudar (maneira de ser que lá se chama morabeza) – na rua toda a gente dizia “bom dia”. Fizemos muitos bons amigos locais, que nos ensinaram a dançar e a falar crioulo. Nos fins de semana, costumávamos ir fazer caminhadas, carregávamos lenha, água e comida e cozinhávamos o almoço no meio das montanhas. Enquanto lá estivemos, estávamos completamente integrados e conheci pessoas muito muito especiais.

Durante esta viagem, que era para ser de 2 meses mas acabou por ser de 3, aprendi muitas lições de vida, em grande parte lições de simplicidade e de partilha. Vi muita alegria em muitos sorrisos, experiências e pessoas. Irei lá voltar em breve, de certeza!

Espero que isto te faça querer ir a São Vicente para conheceres o magnífico espaço, as lindas crianças e as incríveis pessoas de lá! :)