A Experiência da Leonor e da Sílvia na Guiné-Bissau

“-Kuma ki bu mansi?”- É a expressão mais ouvida todas as manhãs na Guiné-Bissau, em que nos perguntam, traduzindo, como é que amanhecemos. A nossa resposta: mansi dirito.

Já passou quase um mês desde que regressamos e ainda é difícil explicar o que sentimos. Desde cedo que tínhamos muita vontade de fazer voluntariado em África, mas hoje temos a certeza que não poderíamos ter escolhido outro país senão a Guiné-Bissau.

Ficamos muito ligadas ao povo guineense: são pessoas verdadeiramente felizes. São tão generosos que o pouco que têm ainda é repartido connosco, estando sempre preocupados e prontos a ajudar, só para nos verem bem.

São pessoas pouco exigentes, não precisam de muito para estarem bem. Lá não há fome, não há tristeza, não dorme ninguém na rua… Podem dormir 20 pessoas na mesma casa, mas ninguém fica lá fora. Passamos em frente à casa do vizinho e oferecem sempre comida do prato deles. Não podemos chamar “pobre” a um povo tão feliz e tão humilde. E estes lemas de vida ensinam-nos muito, aprendemos muito mais com eles do que eles connosco. Aprendemos também a ser mais pacientes, mais tolerantes, a dar muito mais valor ao essencial… Percebemos que, apesar dos poucos recursos e da pobreza, este povo é muito rico em espírito, que é o que realmente importa!

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O facto da nossa casa ser ao lado da escola onde dávamos aulas, formações e organizávamos atividades foi um privilégio gigante: criámos uma ligação muito forte entre as crianças da escola e também com os vizinhos do bairro Plak I. Não é fácil ensinar quando nem a nossa língua entendem bem, não é fácil captar a atenção de todos, não é fácil impor respeito, mas todo o esforço é recompensado em cada sorriso genuíno ou em cada abraço apertado.

Já temos saudades! Saudades dos 32 graus noite e dia, saudades do arroz com peixe, saudades das mangas e cajus, saudades dos banhos frios, dos porcos e das galinhas que passaram a ser os nossos vizinhos mais barulhentos, saudades das músicas, das danças, das brincadeiras e dos jogos, saudades de tudo. Saudades que apertam e que nos fazem querer voltar, o mais rápido possível!

Como se costuma dizer: “são as pessoas que fazem o lugar” e foi esta comunidade que tornou a nossa experiência mais fácil e mais rica. Para além dos nativos, também o Luís e a Ana, os voluntários que fizeram parte desta nossa aventura, foram imprescindíveis! Os treinos e as histórias do Luís, e as peripécias e gargalhadas com a Ana fazem-nos falta!

Estamos habituados a ouvir que é uma sociedade completamente diferente, um choque cultural muito grande e ficamos convencidos de como é essa realidade. Mas não, é  sempre diferente do que imaginamos, só estando lá é que percebemos e experienciamos a verdadeira realidade. Mesmo depois de se ler todos os testemunhos, depois de se ouvir todas as histórias contadas sobre a Guiné, continuamos a achar que estar “in loco” é uma realidade única e totalmente diferente. Por isso só há uma maneira de sentir tudo isto: IR!

Não sabemos como teria sido a experiência noutro país, a única certeza que temos é que voltaríamos a fazer tudo igual.

Guiné-Bissau Sabi!