A Experiência da Larisa na Áustria

Waldhuttl foi um campo que me ofereceu uma experiência perene e inesquecivelmente enriquecedora. Entrei com uma mente aberta, pronta para recolher e processar todo o conhecimento possível acerca do projeto, de forma a ajudar as pessoas que este campo acolhia. Contudo, as partilhas de experiências de vida e saberes por parte dos voluntários e das pessoas que habitavam naquela casa viabilizou a absorção de mais informações vitais, de culturas gerais, futuramente necessárias. Achei maravilhoso aperceber-me que, a melhor forma de buscar a verdade e saber o que realmente acontece noutros países não é através dos jornais e revistas, mas sim através das pessoas que lá habitam, uma vez que estas são autênticas fontes de conhecimento. 

Confesso que, mergulhei em profundidade neste projeto, arregacei as mangas e trabalhei com um objetivo bem definido, de apoiar as pessoas que necessitavam. A minha ambição crescia e o meu coração aumentava à medida que eu comunicava com elas, que sorriam para mim, que me cumprimentavam e me chamavam pelo meu nome. O meu objetivo tornava-se mais nítido quando observava as crianças a brincarem ao final da tarde e os adultos a voltarem depois de um dia a trabalhar nas ruas a vender jornais ou a tocar para receber uns trocos. Apesar das dificuldades a que os adultos estão sujeitos, disfarçam um sorriso ou um riso perante os olhares lânguidos dos mais pequenos. 

O final de tarde iluminava-se com conversas profundas, risos, abraços, cânticos, olhares atentos e expressões alegres, onde tínhamos as montanhas e o som da natureza como pano de fundo. 

No workcamp entraram pessoas inexperientes, mas com uma grande vontade de trabalhar e de aprender. O trabalho desenvolveu-se rapidamente, sempre acompanhado de uma harmonia, eficácia e boa disposição arrebatadoras. Criámos uma unidade de trabalho inquebrável de tal modo que nem a frustração, cansaço ou frio conseguiam penetrar. Impressionante o que criamos quando temos somente a vontade e um conjunto de ferramentas na mão.

Estas duas semanas possibilitaram um maior desenvolvimento a todos os níveis e, ainda, uma maior flexibilidade para enfrentar os desafios quotidianos. Claro está que só podemos crescer emocionalmente, quando nos deparamos com dificuldades. Os obstáculos surgiram, mas quando facilmente contornáveis, revelavam-se pequenos incómodos, como por exemplo, não termos uma casa de banho ou chuveiro na segunda e última semana. Estes tornaram-se coisas secundárias quando comparadas às coisas básicas que fazem falta a imensas pessoas que nada ou quase nada possuem.

No último dia, as lágrimas surgiram ao despedir-me daquela experiência, daquelas pessoas que nos acolheram e aceitaram a nossa ajuda, dos coordenadores que tanto nos ensinaram e nos fizeram acreditar que somos capazes de tudo e da natureza que esteve sempre presente para nos reconfortar quando as saudades de casa apertavam. Os pequenos gestos contaram e fizeram a diferença neste campo para toda a gente envolvida.

Muito obrigada por me tornarem numa pessoa melhor e mais atenta!