Joana, Moçambique 🇲🇿

Preparem-se para ouvir uma frase cliché: Esta experiência mudou a minha vida! Antes de ir já calculava que seria uma experiência extremamente marcante, mas não tinha noção daquilo que ia mudar efetivamente em mim.

Em Lisboa eu acordo cedo, amaldiçoo a minha sorte por ter de me levantar, por ter de entrar nos transportes, por ter de ir trabalhar, sinto-me cansada mal acordo. Em Moçambique eu acordava ainda mais cedo, por volta das 6h30, passava uma hora no autocarro até às Mahotas (onde fica situada a Cooperativa) – um autocarro mil vezes mais lotado que os de Lisboa (sim, não imaginava que fosse possível) – e chegava à Cooperativa com um sorriso na cara, sendo tipicamente recebida com fortes abraços por parte daqueles pequenotes lindos.

O dia era longo, mas estranhamente não sentia o cansaço, havia cansaço, mas era de um tipo diferente. As crianças estavam sempre felizes, as pessoas com quem nos cruzávamos e falávamos na rua estavam sempre felizes e estranhamente nós também estávamos sempre felizes.

É uma realidade dura, não vos vou mentir, às vezes perguntava a mim mesma como é que aquelas pessoas conseguiam aguentar, principalmente como um sorriso na cara. Ter a oportunidade de estar com aquelas pessoas maravilhosas, de ajudar, de falar com elas sobre as suas preocupações, sobre a sua visão acerca da situação do país é verdadeiramente uma experiência indescritível.

Não pensem que é igual a outra viagem qualquer, porque não é. É extremamente mais gratificante e enriquecedor, não só porque tens a oportunidade de ajudar como também porque tens a possibilidade de aprender muito mais. Ir a um país e ficar em hotéis em zonas turísticas não tem nada que ver com a aprendizagem que vão conseguir ter ali.

Foi verdadeiramente uma experiência que mudou a minha forma de olhar para a vida, porque às vezes estamos tão confinados no nosso “mundinho”, na nossa rotina, que nos esquecemos que há literalmente um mundo inteiro lá fora para descobrir! Há tantas oportunidades, há tanta coisa que podemos estar a fazer que não vale a pena resignarmo-nos com uma rotina que não nos faz felizes.

Acreditem que recebemos muito mais com esta experiência do que damos (mais uma frase cliché, perdoem-me).

Gostava de agradecer à “Para Onde?” por tornar isto possível, à Cooperativa Luana Semeia Sorrisos por nos acolher tão maravilhosamente e a todas as pessoas que me encheram a coração durante este mês.