A experiência da Inês em Moçambique

Quando planeei o voluntariado, achei que um mês era muito tempo, afinal de contas era a minha primeira viagem para fora da Europa, a primeira viagem para uma cultura diferente, a primeira viagem sozinha. Que ingénua… um mês passou num abrir e fechar de olhos!

No início nem tudo foi um mar de rosas: tinha medo das lagartixas; na maior parte do tempo as pessoas falavam changana (em vez de português) e eu ficava a olhar para elas como um burro a olhar para um palácio; tinha medo de ir à cidade sozinha; andar de transportes era sempre uma aventura surreal (nunca mais me vou queixar do metro de Lisboa); e os tempos livres eram um bocado enfadonhos por não ter companhia. Contudo, depois da primeira semana, tudo isto começou a mudar. Comecei a sentir-me parte da equipa, com funções e objetivos específicos. Conheci pessoas inesquecíveis (tanto crianças, como colegas de trabalho e vizinhos) e deparei-me com histórias de vida inacreditáveis. Era divertidíssimo aprender changana com as crianças, era tão fácil que só decorei 3 palavras, mas elas não desanimavam com o meu fracasso.

Não posso deixar de mencionar o dia em que cozinhei doce de mandioca, pois o sucesso deste doce exigiu o envolvimento de muitos vizinhos e de muita aprendizagem. Vi pela primeira vez um jovem a subir a um coqueiro, aprendi a fazer leite de coco, aprendi a preparar a mandioca e aprendi a preparar o doce. Tudo isto enquanto comíamos côco, conversávamos, ríamos, cantávamos e tocávamos guitarra. Foi um dia especial para mim.

Assim, fica a saudade de ouvir as pessoas a falarem e a cantarem em changana, mesmo sem conseguir perceber nada; a saudade de ter uma história para contar de cada vez que ia à cidade; a saudade de terminar o dia sentada num muro a conversar com os vizinhos; a saudade de brincar com as crianças; a saudade de me mexerem no cabelo; a saudade das grandes caminhadas que começava sozinha e acabava com uma multidão; a saudade de toda a equipa da fundação e de todas as crianças!

Agora só penso: quando será que vou conseguir voltar?