Inês, Santo Antão 🇨🇻

Primeira experiência de voluntariado internacional. Pediram-me para ir sem expectativas. Talvez pelo receio de nós, voluntários, não nos adaptarmos a uma nova cultura, não nos identificarmos com um estilo de vida tão distinto, não aguentarmos uma realidade tão pesada. A verdade é que foi obviamente impossível não criar expectativas, estando eu prestes a realizar um dos meus maiores sonhos. Expectativas estas que foram facilmente superadas…

Tal como todos os voluntários, encontro uma grande dificuldade em expressar por palavras tudo o que experienciei, senti e vivi durante este mês. Nunca conseguirei fazer jus ao que realmente foi esta experiência de vida.

Chegada a Santo Antão. Que ligação tão intensa desde esse primeiro instante. Sem nunca ter ido a Cabo Verde, parecia já ter lá estado. Parecia já ter vivido nesta ilha, que já teria sido o meu lar, talvez.

Apaixonada por este lugar, crescia o meu amor a cada dia que passava, tal como o meu desejo de lá ficar…Era notável que me sentia feliz. Verdadeiramente feliz. Apercebi-me, em variadas ocasiões, tão simples como estar a caminhar na rua, que estava a sorrir. Carregava, todo o dia, um sorriso de orelha a orelha, involuntário, porém totalmente justificável.

Muito tenho que agradecer à população de Porto Novo, que me fez reluzir desta felicidade. 
Continham uma vontade tão grande de dar, sem pretender algo em troca.
Um povo tão orgulhoso das suas raízes, tão grato.
Um povo tão sábio, tão genuíno.
Tão simples e com tanta vida.
Tão descomplicado e respeitador.

“Somos pobres, mas ricos de coração”, era a frase que muitas vezes ouvia quando me convidavam para entrar nas suas casas e me ofereciam tudo o que conseguiam. Derretida com a gentileza destas famílias. “Morabeza” é a arte de bem receber. E que expressão mais adequada. As saídas de casa eram acompanhadas do típico “Bom dia”, ” boa tarde”, do “ta bom?” e do “tud dret?”. Dos acenos entusiasmados do outro lado da rua, que me aqueciam o coração.

Em Santo Antão, encontrei a paz. Vivia em mim uma paz interior, há muito abafada. Encontrei motivação para me levantar todos os dias. Encontrei conforto para me deitar todas as noites. Encontrei um rumo. Uma vocação. Experienciei novamente o amor. Um amor gigante, sem fim. Desigual a todos os outros. Um amor puro que quero levar comigo sempre. Um amor que quero conseguir transmitir por onde quer que passe daqui para a frente.

Fiquei com o coração nas mãos com algumas histórias que ouvi, com algumas situações a que assisti. Queria dar-lhes TUDO de mim. Sei que dei tudo o que estava ao meu alcance na altura, mas ainda ficou tanto por dar. Tanto por começar e tanto por terminar. Vou voltar. Não é uma promessa, é uma certeza.

Quero recordar para sempre as gargalhadas da Vovó, a cumplicidade da D. Rosa e da Camila, a tranquilidade do Sr. João, o humor da Nininha, a sabedoria do Sr. Zeca e do Sr. Gregório, os pinchos do Marvin, as danças do Alay e da Sandji, os assobios do Karamu, os abraços do Elton, a inocência do Ricky e da Paolla. Sintanton, OBRIGADA. Bo ha ficado com meu coração.
E Sr. Germano, D. Maria Teresa, D. Isabel, Jack, Sr. Vitor, D. Alzira, Sr. Ernesto, que me pediram especificamente para nunca me esquecer deles, juntamente com o meu Edi, o Júnior, o meu Bruno, a Silvania e a Edilana, difícil vai ser não me lembrar de bzot. De bzot e de todos os restantes. Penso todos dias em vocês, nha família. Até breve <3

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