A Experiência da Francisca na Guiné

Por semanas compridas mas nunca iguais, por um calor insuportável a todas as horas do dia. Por uma casa que é só paredes e teto e pelo crioulo que não percebia. Pela água que não sai da torneira mas que cai do céu à maluca e pelo atum que já não posso ver à frente. Por tudo o que não tive durante este mês e por tudo o que percebi que não faz falta nenhuma.

Por um quinze de setembro sem as minhas pessoas, por formas diferentes de pensar e ensinar, pela lei da selva que é isto tudo e por aquilo que tentámos mudar.

Pelos mini sustos que apanhei e por voltar viva e inteira, por uma grande amiga que alinhou nesta loucura e por outra que ganhei pelo meio. Por termos feito tudo o que estava ao nosso alcance e pela certeza de que ficamos neles para sempre.

Pelo sentido de família desta gente, por olhos que brilham com um presente e por miúdos que não mereciam viver assim.

Pelos que querem ser pilotos de aviões para ir dar um saltinho a Lisboa e pelas que querem ser doutoras para curar este mundo maluco que anda a passar mal.

Pelo que perdi por ter vindo, pelo que ganhei quando vim, pelo semestre que já parece perdido e pelas saudades que tenho da minha terrinha.

Por ter sido o início de qualquer coisa e por ter percebido que quero ver mais mundo.

Pelos que choraram e me puseram a chorar, mesmo sabendo que quem vem quase nunca é para ficar.

Pelos onze que aparecem aqui e por todos os outros que não couberam.

Por isto e por tudo o que falta contar, fica a promessa, querida Guiné: um dia hei de voltar.