A experiência da Elodie em Cabo Verde

O momento mais difícil: a decisão. Dizem que é preciso coragem para deixar tudo para trás e partir rumo a um país desconhecido. Comigo, foi tudo muito espontâneo e a decisão não foi assim tão difícil. Confesso que não levava muitas expectativas na bagagem, mas sim cadernos, lápis, livros, algumas roupinhas para doar. Sabia que não ia ser fácil, mas também tinha a certeza que a experiência na ilha da Boa Vista me iria marcar para o resto da vida.

Num ambiente amplamente dísparo, entre os turistas provenientes dos resorts luxuosos e a situação precária de uma população com cerca de 6.000 habitantes a viver em condições nenhumas, o sorriso das crianças foi o meu grande aliado. Na verdade, foi pelas crianças que fui, é pelas crianças que continuarei ligada àquela terra.

A creche social do Bairro da Boa Esperança que acolhe diariamente, de Segunda a Sábado, cerca de 150 menininhos e menininhas dos 2 aos 5 anos, é fundamental para a contribuição de uma sociedade que se espera um pouco mais justa, informada e estruturada. O desafio foi esse mesmo, nos desligarmos de uma realidade confortável do mundo “ocidental” e nos adaptarmos, todos os dias, às características muito especiais daquele país, daquele bairro, daquela creche, daquelas pessoas. Tudo é vivido intensamente quando se faz voluntariado mas todos os minutos do projeto valeram a pena.

Ajudar uma criança a ir à casa de banho, é vitória. Ajudar uma criança a comer sozinha, é vitória. Ajudar uma criança a contar até 10, é vitória. Ajudar uma criança a saber dizer “Obrigado”, é vitória. Um passo de cada vez, pelas pequenas conquistas.

Um coração que volta a Portugal cheio de boas recordações, sorrisos sinceros e esperança no futuro.