A experiência do Diogo e da Inês em Hong Kong

Esta foi a nossa primeira experiência num campo de voluntariado internacional e como tal os dias anteriores foram de grande ansiedade e nervosismo, ao mesmo tempo combinados com o otimismo de ir conhecer uma nova realidade, a qual nos era completamente desconhecia.

Foram 10 dias em Hong Kong, num programa que visava promover a socialização, cidadania e difusão de culturas a crianças dos 12 aos 16 anos de 7 diferentes escolas locais, através de atividades como a “biblioteca humana”, “ice breaking games” e workshops organizados pelos voluntários. Para isto, integrámos uma equipa de 8 voluntários internacionais e 2 voluntários locais, onde o trabalho árduo, entreajuda e bom ambiente fez com que o tempo tenha passado rápido.

Este projeto organizado pelo SCI Hong Kong, surgiu no contexto de consequências negativas do sistema escolar chinês, onde apesar de as crianças serem alunos muito empenhados e esforçados, a competitividade é levada a um nível extremo e irracional, o que resulta em significativas dificuldades de socialização, ao nível de extrema timidez, dificuldades em contactar com novas pessoas e de fazer amigos. Consequentemente, a taxa de suicídio infantil é extremamente elevada, sendo que o campo visava o divertimento e o alívio da pressão a que os adolescentes desta sociedade estão sujeitos.

Apesar da sua timidez, após colocarmos as crianças à vontade e fazermos alguma conversa com elas, estas eram bastante simpáticas e mostravam muita curiosidade sobre o nosso país, fazendo perguntas como: “no vosso país é assim tão quente durante o verão?”, “vocês conhecem o Cristiano Ronaldo?”, “gostam da nossa comida? o que é que vocês comem?”.

Assim, foi uma experiência única nas nossas vidas, um desafio bem sucedido, no sentido que acreditamos ter feito a diferença na vida deles através das atividades que desenvolvemos e do feedback que recebemos das crianças, ao mesmo tempo que este projeto fez a diferença na nossa vida ao termos trabalhado com voluntários de todo o mundo, conhecido vários locais de interesse histórico, religioso e cultural, aprendido algumas palavras de Mandarim e Cantonês (idiomas falados na China e Hong Kong respetivamente) e termos tido o prazer de cozinhar para todos os intervenientes do campo, uma sobremesa tão típica do nosso país como é o arroz doce e consequentemente ouvir as suas opiniões interessantes, dada a elevada discrepância gastronómica das culturas envolvidas.