A experiência da Catarina e da Mariana na Bélgica

Sempre quisemos ter uma experiência de voluntariado internacional e quando vimos a possibilidade para este projeto, decidimos arriscar.

No início, estávamos sem muitas expectativas: apenas tínhamos em mente que íamos encontrar outras culturas, que as pessoas iam ser diferentes e que tínhamos de fazer qualquer coisa para as tentar fazer esquecer a realidade em que viviam.

Assim que chegámos ao centro, sentimos um baque tão grande de desconhecido com uma mistura de alegria em podermos fazer a diferença, que nem imaginávamos o poder da transformação que íamos ter.

Assim que pousámos as nossas coisas, a nossa zona de conforto deixou de ser algo natural e o poder da transformação começou: da nossa, da daquelas pessoas, da do centro, de tudo.

Nos primeiros dois dias, ainda sentíamos alguns olhares de desconfiança, mas a capacidade do ser humano em situações alheias ao seu padrão normal é tão grande que a convivência foi aumentando e a ligação com aquelas pessoas foi evoluindo de uma forma avassaladora.

De dia para dia, tudo se ia tornando mais intenso com as atividades, as brincadeiras, as conversas, a interajuda, as risadas, as músicas cantadas em uníssono, a aprendizagem de novas línguas, costumes e culturas… A vontade de queremos ter o máximo de tempo para aproveitar cada segundo era uma constante que a privação de sono ou a necessidade de descansar deixaram de ser problemas.

Nunca nos passou pela cabeça trazer amigos e pessoas muito queridas no coração, com histórias de arrepiar e de cortar a respiração.

Ao mesmo tempo, nunca tínhamos sentido a força gigante de povos que viram as suas cidades e os seus países serem destruídos pela guerra, as suas famílias levadas, o seu dia-a-dia transformado num pesadelo até conseguirem encontrar um porto de abrigo…

Muitas vezes, à noite, ficávamos sentados no átrio do centro, horas a fio, com o coração acelerado e a alma arrepiada, a ouvir coisas que ninguém merece ter como história de vida. Mas também sentíamos força, coragem e determinação que não sonhávamos que pudesse existir.

E assim fizemos um reset às pessoas que éramos antes desta ação de voluntariado e às pessoas que somos hoje. Porque sabemos que há um antes e um depois. Porque descrevemos esta experiência com várias frases, sentimentos e emoções, mas a nossa frase preferida: “só sabe quem lá está, quem vive aquele dia-a-dia” é a melhor definição que poderíamos ter.

Fomos numa experiência de voluntariado e hoje sabemos que fizemos a diferença, principalmente nas pessoas que somos hoje. Não foi bom. Foi único!