A Experiência da Catarina na Alemanha

As crianças são a minha fraqueza! Sempre foram, quando andava no secundário fazia voluntariado durante o verão em escolas locais que precisavam de alguma ajuda na dinamização de atividades com crianças e participava como animadora em festas de aniversário de crianças pequenas. Quando entrei para a universidade toda esta atividade que amo profundamente e me enche o coração ficou em standby.

Com a ajuda do Para Onde consegui viver duas semanas de pura alegria onde pude juntar à minha paixão de trabalhar com crianças, o grande desafio de não perceber mais do que “Hallo! Wie geht es dir?”(Olá! Como estás?) do que elas falavam para mim. 

Quando cheguei à escola onde estive por duas semanas tentei perceber o tipo de trabalho que lá desenvolviam e como os trabalhos estavam organizados, foi aí que rapidamente percebi que estava a entrar num desafio maior do que pensava porque juntamente com a luta por entender o que as crianças me diziam teria de interagir com elas para que com a sua ajuda montássemos um espetáculo de circo que seria apresentado ao público no último dia que nós estivéssemos na escola. 

O nosso trabalho enquanto voluntários passou por todos os dias, de segunda a sexta das 8h45 às 15h30, sermos criativos na criação de atuações para o circo, decoração da escola e envolvimento das crianças nas tarefas e brincadeiras que pudessem de alguma forma surgir, para além de desenvolver atividades para que também elas se divertissem com o que nos tinha sido proposto. A minha tarefa passou também pelas pinturas faciais das cerca de 25 crianças que atuaram no espetáculo final e pela criação do material e preparação das crianças para a atuação de magia.

De alguma forma esta maravilhosa aventura correu melhor do que esperava, porque desde o segundo dia que aquelas crianças incríveis, por muitas dificuldades tivessem na comunicação connosco, não deixaram que estratégias faltassem para que nos entendêssemos mutuamente, desde gestos a falar devagarinho e com diferentes entoações, ou até mesmo a perguntarem as expressões em inglês para que conseguissem de forma autónoma falar connosco. Foi fabuloso ver a forma como progredimos em conjunto, nós voluntários a entende-los quando falavam em alemão e eles a começarem a falar inglês (coisa que quase não acontecia quando chegamos).

Foi uma experiência maravilhosa que me mostrou um pedacinho (por muito pequeno que seja) da realidade alemã e me ensinou que quando queremos muito uma coisa não há obstáculos, por muito grandes que sejam (como é caso da comunicação) que nos impeçam de termos uma conversa profunda com uma criança que está a precisar de apoio e compreensão. Foi difícil partir e vê-los chorar, mas como é natural ficaram para sempre guardados no meu coração, como pequenas pessoinhas que conseguiram mostrar-me um mundo mais fácil e colorido do que eu alguma vez esperei ver!

Uma experiência que vai marcar a minha vida e que não seria igual sem o apoio do Para Onde e dos coordenadores do workcamp (Frank e Stefanie), e muito menos, sem o grupo incrível de voluntários com quem partilhamos experiências, aspetos culturais e viagens durante os nossos tempos livres e as crianças maravilhosas que me mostraram e ensinaram muito mais do que eu lhes posso ter deixado…

Obrigada, Waldshule (Moers)!