A experiência da Ana em Zanzibar

Chegou ao fim…

Voluntariado é ter capacidade de adaptação e vontade de descobrir. É assumir a aventura.  É perceber que o tempo pode ter várias dimensões e que é preciso estar disponível para dar, mas também para receber. É sair da zona de conforto – e perceber que até te dás bem por lá. É a possibilidade de te reinventares em situações desconhecidas. É perceber que é preciso pouco para fazer alguém sorrir – e nem é necessário falar a mesma língua. É estar rodeada de crianças que são de sorriso fácil e que agradecem o tempo que passas com elas. É saber aproveitar o aqui e agora – e também tu estares grata por isso. É querer aproveitar ao máximo, mas ao mesmo tempo praticar o desapego. É querer partilhar tudo isto com quem te incentivou a vir. É perceber que existem outras realidades, bem distantes das nossas. É adoptar o ritmo pole pole. É conhecer outros sons e outros sabores. É poder apreciar um céu estrelado e paisagens com novas cores. É fechar os olhos, sentir o vento a bater na cara e desfrutar de uma nova sensação de liberdade. É mambos e jambos, palmeiras e praias, coco, melancia e banana, chapatis e dala-dalas. É perceber que dentro do caos existe a organização e dentro da pobreza também é possível encontrar o paraíso.

Mas voluntariado também é ter de aprender rapidamente a gostar de novas comidas e conformar com o “arroz nosso de cada dia”. É ter de lavar a roupa à mão e os pratos no alguidar. É ter de levar a garrafa de água sempre que se quer lavar os dentes. É não descansar tanto quanto se gostaria. É viver com e como os locais. É ter dor nas costas causadas pelo colchão (ou pela ausência dele) e usar galochas todas as manhãs. É esperar numa fila de 8 para tomar banho (de água fria). É viajar num dala-dala com mais 30 pessoas. É conviver com outros hábitos e outras culturas – e ainda assim saber colocar os próprios limites. É fazer uma mala apenas com o essencial (e perceber que, ainda assim, mais coisas podiam ter ficado para trás). É simplificar. É preparar aulas e cativar os miúdos. É tentar não ser picuinhas. É perceber e valorizar o facto de, na tua sociedade, ser mulher não condiciona em nada a tua vida. É procurar o teu espaço e tempo no meio da confusão. É (re)aprender a todo o momento a dar valor às pequenas coisas da vida.

Mas, ao fim de 3 semanas, o voluntariado também traz consigo as saudades de casa e daqueles que ficaram do outro lado do mundo. É tempo de regressar – de coração bem cheio!
Obrigada Zanzibar!