Ana, S. Vicente 🇨🇻

“O dia em que conseguir colocar em palavras o que foi para mim o mês de Julho irei fazê-lo”, tem sido o meu discurso quando me questionam sobre a experiência. Será que é agora? Não sei, mas vou tentar. 

Aos 13 anos, em território cabo verdiano, disse que um dia iria voltar e para fazer voluntariado! Assim o fiz! Nove anos depois, sim! Mas cumpri o prometido!

A escolha foi então S.Vicente, com a fantástica ajuda da equipa do “Para Onde?” que faz parte da minha vida já de há dois anos para cá.

Foi no dia da chegada que fui logo avisada sobre a magia que aquela ilha tinha, a magia que apaixonava as pessoas que a visitavam. A magia que marcava de tal forma essas mesmas pessoas na sua estadia que as despedidas eram sempre acompanhadas de um “até já!”! 

Fui logo contagiada por essa magia nos primeiros dias, sabem? Adotei o pé descalço, depois, as tranças no cabelo e desde o primeiro segundo naquele cantinho de paraíso adotei o sorriso na cara, reflexo de pura felicidade! 

E o que tornou tão mágico este mês? Posso enumerar algumas coisas que para mim fizeram toda a diferença… 

A comunidade, a “Morabeza” que todos falam, é pura verdade meus amigos! Em poucos dias já nos sentíamos em casa, o bom dia quando nos cruzávamos com alguém na rua nunca faltava a senhora do café e a senhora da mercearia já nos conheciam o vizinho do lado já fazia parte do nosso dia a dia (de tal forma que foi o chefe da grelha no nosso último jantar lá), até o taxista era nosso amigo e claro, sem esquecer a D.Filó que nos abriu as portas de casa desde o primeiro dia e rapidamente nos sentou à mesa a provar as suas belas iguarias. 

Alguns pózinhos mágicos vieram também diretamente de Portugal, as quatro alminhas que partilharam comigo esta experiência e que a tornaram ainda mais especial, não esquecendo todas as outras pessoas que connosco alinharam nas loucuras nos mostraram como Soncent é sab demais e connosco também fizeram história! 

Uma outra pessoa que deu também um toque de magia ao meu mês, o Frei Silvino, um senhor digno de se tirar o chapéu com um coração gigante, alma cabo verdiana e também dono de um abraço que para mim vai ficar sempre gravado na memória. 

Em relação a ele tenho que falar na grande causa da minha ida para este destino mágico, o Espaço Jovem, constituído pelos centros da Craquinha, Pedra rolada e Ribeira Bote, cada um tão especial à sua maneira. Foi aqui onde passei a maior parte do meu mês, onde tive a oportunidade de conviver e aprender com pessoas que têm um enorme talento com crianças e principalmente que amam verdadeiramente o que fazem.

Onde recebi uma quantidade infinita de miminhos, abraços e penteados variados. Onde ri, brinquei dancei (ou tentei) mas também onde me desafiei… 

Desafiei a minha fraca memória ao tentar decorar o nome das crianças que passaram por mim… 

Desafiei a minha coordenação ao “tentar” aprender com as crianças as mil coreografias de ritmos africanos… 

Mas principalmente desafiei o meu coração na hora da “despedida” e confesso que ele ainda está apertadinho.

Por isso tal como me fizeram, aqui fica o aviso, futuros voluntários preparem-se para se apaixonarem, preparem-se para viver uma experiência incrível, preparem-se para distribuir e receber muito amor e claro preparem-se para ser contagiados também pela magia! Pois quem vai terá sempre que voltar. 

Dei por mim no aeroporto no dia da partida a ver voos para o próximo verão, acho que com isto digo tudo, não é?