A experiência da Ana na Palestina

A “ficha” da aventura que estaria prestes a começar caiu na véspera, quando fiz a mala! O primeiro dia foi passado em Tel Aviv – uma cidade agitada, moderna, quente, jovem e apelativa. Sabia que a imagem desta cidade seria um forte contraste do que iria ver no dia seguinte. E se foi! Depois da viagem de shuttle até Jerusalém, de autocarro até Belém, e de táxi até ao local, foi um bom mergulho cultural. As cores, os sons, os movimentos, a arquitetura… era tudo tão peculiar! Bege, pedra, calor são algumas das palavras que melhor caracterizam a Palestina. O desafio principal era mesmo a língua… não a falada, a escrita! Não adiantava ter curiosidade em tentar decifrar o que estava escrito nos autocarros, nas placas informativas de rua ou de estabelecimentos comerciais.

O primeiro dia foi para conhecer o espaço, os voluntários, as crianças, as questões logísticas, e planear as duas semanas que estavam a começar. Logo aí, no primeiro dia, a cultura e o contexto falaram por si… o calor tórrido durante o dia, o árabe falado, o som dos minaretes ao longe, os hidratos de carbono que compõem grande parte da refeição, o hábito de beber chá, o vento gélido de final de tarde, os pores-do-sol cativantes mas acelerados, o som dos helicópteros e aviões militares a sobrevoar constantemente a zona… os vegetais (pepino, pimento e tomate) e as sementes que as crianças comiam como snack.

Ao todo eram cerca de 40 crianças. Fiquei com o grupo dos mais novos, com idades dos 5 aos 13 anos. Um grupo de quinze! Em alguns momentos, uma missão (quase) impossível! O facto dos mais pequenos não dominarem tanto o inglês, e de eu não dominar o árabe, foi um pequeno obstáculo – claramente ultrapassado com a ajuda das traduções dos mais velhos, e com as animadas aulas de árabe que tivemos.

Ter conhecido voluntários de vários países, ter contribuído para o desenvolvimento do projeto e das atividades, ter aprendido árabe, ter conhecido vários locais de interesse histórico/cultural, ter vivido duas semanas com as crianças e a população local e adotado alguns dos seus hábitos foram os principais privilégios e aquilo que trouxe na memória e em fotografias!

Aconselho aqueles que tenham interesse em conhecer outras culturas, e que tenham a esperança de poder vir a fazer a diferença na vida de alguém, façam voluntariado internacional. É 2 em 1: ajuda-se e, acima de tudo, aprende-se, cresce-se! Sou voluntária há mais de 15 anos, mas ainda não tinha feito voluntariado internacional! Este foi apenas o começo…