A experiência da Ana Margarida na Tailândia

Faz hoje um mês que acabou o meu voluntariado na Tailândia. Um mês!! Nem posso acreditar… Já passou mais tempo desde que voltei do que o tempo que lá estive. Mas ainda estou lá. Ainda estou naqueles sorrisos, naqueles abraços, naquelas palavras que nunca compreendi. Para mim, para a Paula, para a Íris e para o Yago esta foi uma experiência muito especial. Mergulhámos de cabeça numa cultura maravilhosa e fomos tão felizes nela…

Fomos recebidos no aeroporto pela nossa coordenadora da DaLaa (a associação que nos recebeu), pela Diretora da Escola Watphothawat e por uma das suas professoras. Desde o primeiro momento que as palavras foram de inclusão e gratidão como nunca vimos, que os sorrisos foram luminosos e que os seus braços estiveram sempre abertos para nós.

Quando chegámos à escola fomos recebidos por gritos de excitação das crianças pela presença de “farangs” – nunca antes vistos naquela zona da Tailândia. “Farang”: é esse o nome que nos dão. Aos brancos. E em momento algum sentimos que era uma palavra feia ou depreciativa. Muito pelo contrário – era uma palavra que descrevia pessoas “boas” que tinham vindo de longe para os ajudar. Sempre olharam para nós desta forma: com uma admiração da qual nunca nos achámos merecedores. Como estavam eles enganados quando pensaram que éramos nós as pessoas especiais que os iríamos ajudar! Não fazem ideia do quanto nos ajudaram a nós!! Não fazem ideia do quanto nos tornaram pessoas mais sensíveis e humanas, mais felizes e mais gratas.

Fomos para a Watphothawat School para dar aulas de Inglês. E demos!!! Mas recebemos tão tão mais… Mostraram-nos tudo: de dentro para fora, como se quer. Mostraram-nos os seus corações e a força da qual são feitos. Depois de nos conquistarem com o que são, mostraram-nos o que têm: as comidas, as paisagens, as tradições…

Ensinaram-nos a curvar perante Buda, ensinaram-nos a comer frutas que não sabíamos sequer os nomes, ensinaram-nos a entoação correta ao dizermos “Sawadee kah” (olá). Ensinaram-nos que as mesas servem para pousar os objetos porque onde se come é no chão!! Ensinaram-nos que não se toca nas cabeças das outras pessoas em sinal de respeito mas que se abraça com o corpo todo! Ensinaram-nos que mais importante que as palavras que dizemos, é a forma como as dizemos…

Nunca entendemos nada do que aquelas crianças disseram. Mas sabemos que gostam de nós como só as crianças sabem gostar. Nunca soubemos dizer aos “velhos” da aldeia a admiração e o respeito que por eles temos. Mas não temos a mínima dúvida que eles o sabem, que o sentem e que o vão sempre recordar.

A Tailândia é um mundo diferente – as pessoas são diferentes, a energia é diferente. Na Tailândia as pessoas são felizes com Nada! São felizes de pés descalços e roupas velhas. São felizes sem telemóveis de última geração e 300 canais de televisão. São felizes mesmo quando chove porque sabem que logo de seguida vai fazer sol!! São MESMO felizes!! E sinto que nós trouxemos essa felicidade connosco.

Nós fomos muito felizes na Tailândia!! E enquanto soubermos viver a Tailândia dentro de nós, sei que vamos sempre olhar para as nossas vidas com uma perspectiva diferente, com uma gratidão diferente. Eles mudaram as nossas vidas, com aquela forma simples de ser e de amar as suas próprias vidas.

Ainda hoje recebemos mensagens daqueles miúdos – e graúdos – todos os dias a dizer “I Love You” – há lá coisa mais importante para se ensinar alguém a dizer?! – e sabemos que ficámos lá. Ficámos nos corações e nas memórias daquelas pessoas. Sabemos que também os tocámos de uma forma muito especial e que de alguma forma, fizemos a diferença!

Já se passou um mês e ainda lá estamos. Sei que vamos lá ficar enquanto aquelas pessoas lá estiverem.

Fomos de Lisboa para Phatthalung para dar aulas de Inglês. E demos!! Mas eles deram-nos muito mais…