A experiência da Ana na Índia

28 de Fevereiro de 2018, estava uma pilha de nervos. As dúvidas em relação à partida começaram a aparecer e os “e se’s” não me saiam da cabeça. “E se” acontecer alguma coisa? Estarei sozinha… “E se” eu me perder? “E se” eu não conseguir chegar ao Hostel? “E se” eu não conseguir atingir os objetivos a que me comprometi? “E se” eu não estiver à altura? “E se”? “E se”? No fundo acho que tinha medo de sentir saudades de casa.

Depois de mais de 12h de viagem, cheguei ao país que sempre sonhei conhecer!
Estava sozinha, do outro lado do mundo. O primeiro impacto foi duro. Muito duro. Um murro no estômago que nunca pensei levar. Uma realidade completamente diferente da minha. Lixo por todas as bermas, todos os cantos. Mendigos, velhinhos abandonados ao acaso, sozinhos…

Nos primeiros dias aconteceram logo muitos contratempos que acho que tornaram a viagem muito mais arrebatadora, mas as pessoas são as mais genuínas que conheci! Há sempre uma mão (mais que uma na verdade) estendida pronta a ajudar! Nunca se está sozinha nem triste na Índia!

Visitei algumas escolas e só posso dizer que foi a experiência mais forte e feliz que tive até hoje! Aquelas crianças, quase não têm as condições básicas, mas são felizes, muito felizes e agradecidas com o pouco que lhes é oferecido. Têm um olhar especial, puro.

Só dá vontade de ficar, ajudá-las a crescer, aprender com elas que podemos ser felizes com tão pouco. E eu fui tão feliz na índia!! Uma simples música é uma diversão, um jogo, mais básico que seja é uma alegria.

Um mês é muito pouco. Quero muito voltar ao país mais alucinante que conheci, que tão bem me soube receber e só tenho a agradecer ao Para Onde? pela oportunidade fantástica, pois, graças a vocês realizei um dos meus grandes sonhos: visitar a Índia.

31 de Março de 2018, os “E se’s” voltaram… “E se” eu não for embora? “E se” eu ficar e for muito feliz cá? “E se” eu ficar e puder ajudar mais cá que em “casa”? E é tão bom quando isto acontece, pois só vem confirmar que a viagem foi fantástica.

Acho que todos devemos “deixar o mundo um pouco melhor do que aquilo que encontramos” (B.P.) e é por isso que não quero ficar por aqui. Foi o meu segundo programa de voluntariado internacional, mas ainda há muito para fazer!

Não podemos mudar o mundo, mas “Tu tens que dar um pouco mais do que tens, tens de deixar um pouco mais do que há. És um grãozinho de uma praia maior, e deves dar tudo o que tens de melhor.”