A experiência da Ana em S. Vicente, Cabo Verde

Eu ainda não estou em mim!

Ainda não consegui perceber se o que sinto é o suposto “normal” após algo tão grandioso, ou se é demais. Tenho os meus sentimentos à flor da pele, o que me faz querer apanhar um avião e voltar para a ilha! Aquela que me ensinou a ter momentos de felicidade plena, aquela que me ensinou a viver, aquela que, apesar das dificuldades, me ensinou que “para todo o problema existe uma solução, se não existir é porque não é problema”. Aquela com que me identifico e me fez acreditar que afinal existe um mundo que também é meu. Aquela PARA ONDE eu quero voltar o mais breve possível.

Aquelas crianças ensinaram-me o que é a partilha genuína, recordaram-me o que é brincar sempre de pé descalço, fizeram-me perceber que irei ser uma criança eterna.

Aquelas pessoas.. Ai as pessoas! Inseriram-me na sua cultura, no seu dia-a-dia e nas suas vidas. Mostraram-me como é viver como uma típica cabo-verdiana e a sentir a vida como tal.

A música a cada canto do nosso bairro, o bom dia sempre que saía de casa, os almoços na praia da Laginha, o caminho comprido para a Pedra Rolada que se tornava curto ao pensarmos no que iamos fazer com as crianças e que tínhamos o Maxi e a Simone à nossa espera com o sorriso do costume. O Centro da Craquinha, a Tranquilidade da Sueli, a energia da Sara e a bondade do Frei.. São coisas que estão dentro do meu coração e que quero voltar a tê-las, porque descobri finalmente, que existe um mundo para mim… ESTE!

Obrigada Para Onde por isto. Foi a melhor coisa que eu fiz, porque nunca me senti tão feliz durante tanto tempo, em toda a minha vida ♥️