A experiência da Vanessa em Moçambique

Como exprimir por palavras uma vivência de tamanhos sentimentos?

Foi uma experiência mágica, uma oportunidade única, na qual conheci pessoas tão bonitas… É um lugar onde a gratidão e a humildade vivem em plena harmonia, onde as crianças nos trazem sonhos e onde a felicidade é um modo de vida e não um objetivo.

Em Mahungo conheci uma nova cultura que me ensinou a viver o presente, pois a felicidade existe no momento e não no futuro. Em Mahungo a minha família cresceu mais um pouco com pessoas incríveis.

Na escolinha as coisas acontecem muito devagar, é uma cultura onde o tempo é uma constante que ainda não está bem definida, ou seja ele simplesmente vai passando e as coisas acontecem ao seu ritmo como tiverem que acontecer. E assim se vive em paz e com tranquilidade e cada um aprende como consegue. É preciso motivação e incentivo para aquelas duas lindas professoras, que gostam tanto do que fazem e se complementam tão bem. A Lolinha faz uns bolos ótimos quando um menino faz anos e a Julia adora aprender coisas novas e praticá-las.

Aprendi com todas estas pessoas, que o amor resolve quase tudo na vida, viver com gratidão e com espírito de partilha é sem dúvida a forma mais digna de viver e que tudo na vida em todos os lugares acontece a seu tempo e tudo isto junto é a perfeita forma de felicidade.

Podia ficar a escrever durante horas que iria sempre faltar alguma coisa. São muitas as memórias dos que lá ficaram e uma única promessa. “Eu hei-de voltar”.

Kutsaca é “Estar Feliz”, e é só isto que faz sentido.

É um lugar de amor e paz, onde se contam histórias de força e de luta. Um lugar onde a humildade reina e todos são seus seguidoresm
É lá, onde o tempo não passa porque não existe, onde se vive o “agora” intensamente, porque na realidade não há passado nem futuro,
É lá, onde a felicidade é um modo de vida e não um objetivo, onde as crianças nos trazem sonhos, onde a gratidão é o que sentimos pelo próximo, onde vives dando o melhor de ti sem querer receber nada em troca,
É lá, onde ficam as memórias daqueles que por lá passam e trazem com eles memórias dos que lá ficam, onde o desapego tem presença obrigatória, onde uma trovoada é o espetáculo mais bonito das ruas e mesmo assim tem tanto de bonito como de ruim,
É lá, onde havemos de ter, onde havemos de ir, onde havemos de chegar, e nunca, mas mesmo nunca, tem problema.
É lá, que o amor resolve quase tudo!
É lá… lá looonge,
É Mahungo, é África ?

A experiência da Marta na Boavista, Cabo Verde

Ainda faltam as palavras para descrever tudo o que vivi o mês passado.

Desde o dia em que decidi embarcar nesta aventura até ao dia de partir foi um salto. De um momento para o outro, as malas estavam cheias. Cheias de medo, incerteza e insegurança. Mas também carregadas de muito para dar, de conhecimentos para partilhar e de esperança em tornar o mundo (de alguém) melhor!

Assim que aterrei em Boa Vista o ar parecia cortar a respiração. O sol queimava mais, a paisagem era seca e deserta, e tudo funcionava a um ritmo diferente. Percebi que estava fora da minha zona de conforto como nunca. Seguimos para o bairro onde íamos começar a trabalhar, o Bairro da Boa Esperança, ou Barraca, como é chamado. Por muito que tenha visto fotos e vídeos, é impossível ficar preparado para conhecer um sítio como este.

Caminhar pela primeira vez pelo bairro foi surreal. O ambiente era quente e húmido e os cheiros fortes. Ali não existe nada do que nos é dado como garantido: nem água canalizada, nem saneamento, nem electricidade. Lidar de perto com este tipo de pobreza foi mais difícil do que esperava. Mas rapidamente percebi que, mesmo assim, há música nas ruas. Que as pessoas se juntam, que jogam, que cantam e dançam, e que há sempre quem tenha um sorriso para oferecer.

Os primeiros dias na associação foram invadidos por um sentimento de frustração. Tinha a sensação de que nunca iria conseguir mudar aquela realidade e de que, no final, tudo continuaria igual. A organização e o ritmo são diferentes. Ter mais de 30 crianças numa sala tão pequena tornou difícil a realização das actividades como tinham sido pensadas. São crianças alegres, sonhadoras e criativas, mas muito energéticas e habituadas a não ter regras. Foi preciso entrar no ritmo, perceber a realidade em que vivem e aprender a lidar com isso. Aprendi que é preciso ser
flexível, estar disposto a adaptar os planos às condições, que nem sempre são favoráveis. É preciso não levar expectativas. É preciso não ter pena. É preciso ter muito amor e carinho para dar, sem preconceitos.

Trago comigo a imagem daquelas crianças a correr de braços abertos para nos receber. Foi assim que nos receberam todos os dias, como se fosse o primeiro. Foi por elas que fomos e foi com elas que aprendemos mais. É incrível a quantidade de amor que têm para dar. Com elas aprendi que não somos o que temos, somos o que damos. Aprendi que a felicidade está nas pequenas coisas. Aprendi que com quase nada se faz muito, e que precisamos de muito menos do que julgamos.

Voltei com o coração apertado porque hoje estou aqui, mas elas continuam lá. Mas voltei com a esperança de que tudo o que ofereci um dia vá fazer a diferença, mesmo que pequena :)

Resta a promessa de um dia lá voltar. A esse sítio que será para sempre especial. Onde deixei muito de mim, mas de onde trouxe ainda mais. Onde apesar de todas as carências se vive de uma maneira humilde, simples e feliz, sem stress.

 

A experiência da Cláudia na Ilha da Boavista, Cabo Verde

É tão difícil falar sobre algo que nos marcou tanto.

Quando decidi ir para a Boa Vista não sabia muito sobre o que ia encontrar, não fiz pesquisa, não queria ir com ideias predefinidas. Sabia apenas o que se ouve falar por aí. A verdade é que por muito que nos digam nada nos prepara para aquela realidade! O primeiro contacto é um choque, nada parece real. O Bairro da Boa Esperança ou “Barraca” parece um cenário de um filme. As condições ou falta de condições são assustadoras. No entanto depressa o choque é passado para segundo plano e completamente derrubado por sorrisos. Sorrisos tão genuínos! Apaixonei-me todos os dias pelos mesmos sorrisos. É um amor sem medida.

Foram 4 semanas, aprendi tanto. Aprendi a viver de maneira diferente. Aprendi que se não há é porque não faz falta. Aprendi que o Amor supera tudo. Aprendi que tudo é fácil. Mas sem dúvida que o mais difícil é a despedida.
Foram 4 semanas muito intensas, poderia escrever muito mais, mas nunca vou conseguir explicar o que se vive e se sente lá…

Fica a promessa de um regresso e a certeza que sou uma pessoa diferente.

A experiência do João no Tarrafal, Cabo Verde

Olá, eu sou o João. Antes de partir para esta nova aventura tinha receios, que penso serem transversais a qualquer voluntário e uma ansiedade de quem vai pisar uma terra e cultura desconhecidas. Assim que cheguei à Ilha de Santiago, mais concretamente ao Tarrafal, ainda atordoado por um voo atrasado, dei por mim a jogar futebol na praia com nativos. Um momento que recordo com carinho pela aceitação imediata por parte do povo cabo verdiano e pela simplicidade destes em acolherem uma pessoa de quem nada sabiam.

Mais do que eu ensinei àquelas crianças, ensinaram-me elas a mim valores tão básicos como a felicidade sem motivo aparente. Uma felicidade genuína construída com tão pouco, um prazer em viver a vida na sua simplicidade plena.
Aquilo que guardo em mim, não passa pela beleza natural da ilha (que é arrebatadora), mas sim a relação que criei com o Pitchitchu, o sorriso da Vanessa, o abraço da Solene, os silêncios do Elton e tudo aquilo que as outras crianças me ofereceram sem esperarem algo em troca, mas que seria impossível de enumerar.

Foram 32 dias que sinto que passaram a correr, num país onde tudo se passa tão devagar. Cheguei há um mês, mas não há um dia em que não sinta saudades destes momentos. Aconselho vivamente a que partam para um projeto que vos escolha, como este me escolheu a mim.

A experiência da Ana Sofia na Ilha da Boavista

Já estou de volta a Portugal e ainda não consegui mentalizar-me de que o último mês foi real. Quando há alguns anos atrás surgiu a vontade de fazer voluntariado fora do país, parecia-me algo muito longínquo até decidir começar a procurar mais sobre o assunto. No último ano o “bichinho” cresceu ainda mais e decidi que estava na altura de pôr em prática a ideia de há tantos anos! Foi então que encontrei a associação “Para Onde?” e tudo me começou a parecer bem mais simples e realmente possível. E desde o tomar a decisão até lá chegar, foi um pulo. Quando me apercebi já estava a aterrar na Ilha da Boavista, em Cabo Verde. Tentei preparar-me antes de ir para lá mas nunca conseguimos estar verdadeiramente preparados para o que se vive numa experiência destas.
Aquele primeiro dia foi um choque. Quando cheguei àquele bairro, parecia coisa saída de um filme. Demorei imenso tempo a cair na realidade e a perceber que realmente lá estava, que estava mesmo a viver aquilo! Só dois dias depois é que estivemos pela primeira vez com as crianças. Chegámos ao Jardim de Infância e fomos recebidas por mais de uma centena de crianças a gritarem “tia”, a abraçarem-nos e a tentarem subir por nós acima para nos darem beijinhos. Fomos tão bem recebidas! E o mais incrível é que todos os dias éramos recebidas como se fosse o nosso primeiro dia. Enchiam-nos o coração dia após dia. Mas nem tudo foi fácil. Uma realidade completamente diferente da nossa, condições bem diferentes das que estava habituada e tantas outras coisas com as quais tivemos que lidar. Levava imensas ideias que gostava de ter posto em prática e que rapidamente percebi que seriam impossíveis de concretizar, o que nos primeiros dias levou a uma certa frustação. Não é fácil manter aquelas crianças concentradas a fazer algo durante muito tempo seguido! Mas rapidamente isso se contornou, foram apenas alguns dias de adaptação até entrar no ritmo daquelas crianças com tanta energia e tanto amor para dar.

O ambiente daquele país é incrível, as pessoas são maravilhosas, são um povo fantástico! E a forma como levam a vida é invejável. Rapidamente fui contagiada pelo “No stress” que ali se vive. Uma tranquilidade inexplicável que me fez questionar o porquê de levarmos uma vida inteira a correr. Ali aprendi que é realmente tão fácil ser feliz.
Este regresso a casa foi das despedidas mais dolorosas pelas quais já passei. As lágrimas teimavam em correr sem que eu conseguisse ter mão nelas. São muitas pessoas que ficam para trás, muitos locais, muitos momentos. Um mês muito intenso de tantas recordações. Mas venho de coração cheio e com a certeza de que nestas ocasiões a típica frase do “recebemos bem mais do que aquilo que damos” é realmente verdade.

Não será nunca um adeus. Ainda nem tinha vindo embora e já estava a pensar no regresso. Ficou feita a promessa de que voltarei um dia ♡

A experiência da Catarina em Moçambique

Como sumarizar este intenso mês em poucas linhas?

Cheguei a Moçambique sem qualquer tipo de expecativas, vim de coração aberto como pediu a Susana. Fomos extraordinariamente bem recebidos na Aldeia de Mahungo, tanto por adultos como crianças. Fomos observadores durante as primeiras duas semanas, e a partir daí começámos a propor algumas mudanças em conjunto com as professoras. Tanto a Lolinha como a Júlia têm imensas ideias e são muito criativas, só precisam de alguém que puxe por elas como todos nós.

Desde o princípio que queria muito conhecer cada criança mais a fundo, mas a verdade é que 1 mês é muito pouco tempo. Quando elas já estavam a depositar alguma confiança em nós, viemos embora. Por isso recomendo a quem venha fazer um projecto deste género a ficar o maior tempo possível. Por um lado custa mais porque nos apegamos muito aos miúdos, mas por outro lado poder vê-los crescer e evoluir é muito gratificante.

Acho que acima de tudo, no pouco tempo que estive em Moçambique com a Escolinha Kutsaca, tirei muitas lições que secalhar noutro lado não teria retirado. Aprendi a ser mais paciente (a cultura africana é outra e as coisas acontecem a um ritmo diferente, consequência disso é a calma e leveza com que levam a vida), aprendi que devemos agradecer sempre por tudo o que temos e vivemos, aprendi que é possível ser-se muito feliz com pouco e aprendi a
dar valor às pequenas coisas que dantes menosprezava.

Tudo o que nos era pedido pelas crianças era que lhes déssemos um pouco de afecto e atenção, o pedido mais simples e honesto que pode haver. E foi o que tentámos fazer. No final o balanço é mais do que positivo. Espero continuar a acompanhar o crescimento dos miúdos e a evolução da Escolinha, mesmo que seja à distância. Porque todos eles têm agora um lugar no meu coração.

A experiência da Inês na Alemanha

Testemunho da Inês, que ajudou a preservar um memorial de um antigo campo de concentração na Alemanha:
“Queria só agradecer-vos mais uma vez pela extraordinária experiência que me proporcionaram! Foi de facto único sentir que, de alguma forma, estávamos a fazer a diferença. Num mundo tão conturbado como aquele em que vivemos hoje, é importante preservar o passado (por mais atroz que seja!) para construirmos um futuro melhor. Foi duro ser confrontada, na primeira pessoa, com toda a real barbárie que aconteceu na 2ª guerra mundial. Acredito que é na educação e informação das pessoas pela preservação destes espaços que se pode alicerçar um futuro sem preconceitos em que aprendamos a viver e respeitar as diferenças, sejam elas de ideologia, religião ou etnia! Temos definitivamente mais em comum do que as diferenças que nos possam separar! No próximo ano, lá estarei de novo!”

A experiência da Catarina e da Marta na Ilha da Boavista, CV

Há uma ilha em Cabo Verde feita de paisagens áridas, praias desertas, a perder de vista, rodeada de um mar cristalino e cálido. Há um tempo que não tem matéria, corre lento, e a pressa não tem nome de coisa alguma. Há gente que vive ao compasso da vida sem stress e é prova viva desse sentimento cabo-verdiano que se dá pelo nome de “morabeza”.

E podia ser assim o início da nossa história na ilha de BoaVista.

Aterramos no aeroporto de Rabil dia 2 Setembro. O calor colava-se ao corpo enquanto os nossos olhos tentavam captar tudo o que nos rodeava. O Lamine (presidente da associação) estava à nossa espera. Depois das primeiras palavras e de um abraço de motivação e confiança partimos para a nossa aventura.

Primeira paragem – o Bairro onde íamos trabalhar – Bairro da Boa Esperança (ou “ A Barraca”, como a maioria das pessoas lhe chama).

 

Custa respirar. Há um arrepio no corpo e um nó no estômago. O calor faz-se sentir cada vez mais e o cheiro nauseabundo, intensificado pelas chuvas, confronta-nos. Percorremos ruas de terra, com casas feitas de pedra, plástico e ferro. Ruas cheias de pessoas de diferentes nacionalidades, que imprimiam no olhar a esperança que dá nome ao bairro e nos saudavam com um “tudu dretu”, como sempre tivéssemos pertencido ali.

Há absurdos que doem quando damos de caras com realidades que não a nossa. Ficamos com uma espécie de vergonha muda dos recursos gigantescos que temos na nossa vida, muitos bem acima das necessidades e, mesmo assim, sentimo-nos sempre em falta. Ali tudo é escasso…a luz, a água, os saneamentos, as condições de saúde, a educação…tudo menos o amor, a gratidão e a esperança. É disso que o povo se alimenta, juntando aos temperos a alegria do funaná e da morna nas noites quentes no Grill Sirocco e no Café Kriola.

“O Xururuca”. Assim se chama o jardim-de-infância onde trabalhámos. O nome nasceu de uma história antiga, onde o mundo da fantasia e da imaginação ajudou uma criança a encontrar a alegria e o carinho que tornam o mundo um lugar melhor.

É isso que acontece no jardim, ou na casa, como as crianças lhe chamam…e sentem. Há imaginação, há sonho, há amor, há quem cuida com os recursos que tem para tornar a realidade um lugar melhor e feliz.

As crianças sorriem, abraçam, saltam e ecoam “tia, tia, tia” a toda a hora. Foram assim os nossos dias no jardim. Há um lado selvagem e livre no pé descalço daquelas crianças que torna a tarefa de mante-los numa sala, concentrados numa atividade, no mínimo, desafiador. Mas a frustração e cansaço dos primeiros dias de não conseguir concluir uma tarefa ou orientá-los como queríamos deu lugar ao folgo apaziguador dos abraços e das gargalhadas e ao lado positivo do desafio diário. Desporto, ATL de Leitura, Inglês, Teatro, Ciência, Artes plásticas, Culinária, Cinema preencheram as atividades, pelas salas dos 2 aos 5 anos.

O que ali vivemos e aprendemos juntas vai ficar nosso para sempre. Foi gostar sem preconceito, partilha sem arrogância e carinho sem caridade. Vai deixar aquela saudade doce que dá à esperança um nome sentido. Os beijos da Débora, a energia da Lalita, o “despacho” da Verónica, as tolices do Sandro, os sorrisos malandros e rasgados do Adilson e do Samuel, a doçura da Taissa e da Gabi (não cabem aqui todos) deram-nos mais do que aquilo que lhes conseguimos dar. Mais ainda. As professoras – a Sabrina, a Lezita, a Lucy, – o Lamine, o Para-Onde e todas as outras pessoas com as quais nos cruzamos deram-nos a oportunidade de nos superarmos e sermos melhores de uma forma divertida e genuína.

Não sabemos se um dia os nossos caminhos se irão voltar a cruzar … mas regressamos com a certeza que daquele lugar os maiores souvenirs que trouxemos foram os sorrisos com tanta coisa lá dentro, os abraços preenchidos e o íman que vamos colar no frigorífico são as memórias de um mês inesquecivelmente feliz.

A experiência da Filipa na Ilha da Boavista, Cabo Verde

O regresso foi bem mais doloroso que a partida.

Em Setembro embarcava na primeira experiência de voluntariado fora de Portugal. Os nervos de principiante iam tomando conta de mim desde o momento em que recebi a mensagem do Para Onde? “Foste aceite”.

O frenesim de partir era grande e acompanhado sempre de questões “e se”, “porque”, “como será” e de repente la tinha chegado a hora de partir em busca do desconhecido.

Entrei no avião rumo à ilha da Boa vista, 4h de ansiedade para pisar terra firme e começar a ser absorvida pela energia cabo-verdiana. Fiquei a trabalhar na associação ACUB que dá apoio a cerca de 150 crianças e as acolhe durante o dia e presta os cuidados necessários para que possam progredir por um futuro melhor. Fui recebida de braços abertos por todos e senti-me acarinhada cada dia que lá permaneci.

Confesso que o primeiro impacto com o bairro Boa Esperança ou “Barraca” como é carinhosamente conhecido é de respirar fundo e pensar como é que em pleno sec. XXI existem pessoas a viver em condições tão precárias, mas rapidamente esse pensamento se desvanece porque somos absorvidos por olhares doces e sorrisos rasgados por todo o lado, daqui e dali se ouve um “Bom dia”, “tud dret” ,”tia tia”.

Nestas 3 semanas tive o privilégio de trabalhar com crianças entre os 3 e 5 anos e que, como em qualquer outra parte do mundo querem brincar, estão no auge da sua energia. Por vezes conseguir captar atenções nem sempre é bem-sucedido, mas não desesperem não se sintam frustrados hoje não correu bem amanhã será certamente melhor, este é o lema que trago de lá! :)

Trago comigo milhares de recordações que jamais esquecerei, cada sorriso, cada abraço apertado. A experiência foi, sem margem para duvida, a melhor que já vivi. Um conselho para quem vai: Vão de coração cheio, despidos de preconceitos e ideias pré- concebidas. Apenas… vão! Espera-vos um povo caloroso, com um calor que só eles sabem oferecer.

A experiência da Inês em Arraial d’Ajuda, Brasil

Não podia ter escolhido melhor projecto. Superou as minhas expectativas. Arraial d’Ajuda é um lugar maravilhoso com paisagens lindas, tranquilo mas cheio de vida. A Associação é um projecto com pessoas incríveis que lutam diariamente para fazer deste espaço um lugar onde os sonhos são possíveis e da educação um direito de todas as crianças. Os valores baseados no amor, respeito e gentileza reflectem-se em tudo o que fazem e como se relacionam connosco e com as crianças. Fui super bem recebida e as crianças são mesmo o melhor exemplo do sucesso da associação com um enorme sentimento de gratidão e respeito para com aquele lugar e com as pessoas que dele fazem parte. Vim de coração cheio com todo o carinho que recebi.