A experiência da Diana em Zanzibar, Tanzânia

Integrar um projecto com estas características fazia há muito parte das minhas pretensões mais sonhadoras. Nunca pensei que fosse capaz. Até que um dia, e por meio de divulgação das oportunidades em aberto do “Para Onde”, surgiu a minha janela de oportunidade, o momento era o certo, o tempo seriam todos os meus dias de férias daquele ano, só faltava o “sim” da minha entidade empregadora, que não tardou a surgir. E parti.

Encontrei uma família Swahili, uma mama Africa, um papa Africa, a Maria, a Catarina, e a Isa (também elas voluntárias no mesmo projecto). Tudo era diferente, a língua, o tempo, os hábitos, os cheiros, as casas, as roupas. Não havia luxos, água quente ou comida em abundância. Havia sim, a cor de um oceano mais brilhante que já alguma vez vira.

A experiência de fazer voluntariado é certo, enriquece-nos, faz-nos repensar as nossas prioridades, relembra-nos o que é mais importante. Conhecemos pessoas, criamos laços. Tudo é intenso. Mas se tivesse que escolher uma palavra, diria que além de tudo, para mim, foi uma experiência Transformadora. Cresci muito, enquanto pessoa, enquanto filha, irmã, amiga. Aprendi tanto.

Os voluntários não mudam o Mundo, mas deixam a sua semente de modo que um dia estas crianças possam fazer a diferença nos seus países. Eu não mudei o mundo, ou Jambiani sequer, mas sempre que aparecíamos na nossa rua, ela enchia-se de crianças vindas de todos os cantos e recantos, a correr para o nosso colo. Espero que pelo menos elas tenham sentido essa diferença, porque elas são o Futuro. Eu não tenho dúvidas, sou uma pessoa muito melhor depois disto.

A Experiência da Clara na Guiné

Desde há muito tempo que tencionava ter uma experiência de voluntariado internacional com a única ressalva de que teria de ser num local onde fosse possível realmente ter algum impacto. A escolha da Guiné foi apenas um mero acaso. Hoje sei que foi o acaso mais bonito que podia ter e não podia estar mais feliz com essa escolha!

No entanto, nem tudo foi fácil. Falando da minha experiência, os primeiros dias foram dias difíceis: dias de adaptação, de alguma frustração e, às vezes, até de revolta. O choque de realidades existe e é algo que só se consegue estar preparado até se vivenciar. A pobreza, a falta de cuidados de saúde, a falta de escolaridade e uma lista de muitas outras coisas são, infelizmente, a realidade que se vivencia lá. E por muito que achemos que conseguimos ajudar e mudar tudo, é simplesmente impossível. E essa foi a primeira lição que aprendi na Guiné. Não é possível mudar o mundo, mas se for possível ajudar o mínimo ou fazer uma pessoa um bocadinho mais feliz então já valeu totalmente a pena!
A adaptação leva o seu tempo mas quando menos se espera já nos sentimos em casa. É uma mudança tão radical e tão repentina que é até difícil de explicar: num momento sentimo-nos estranhos, numa realidade completamente oposta à nossa, mas de um momento para o outro passa a ser a nossa realidade também.

Enquanto lá estive dei aulas à turma do 2º ano durante as manhãs com a professora Mariama e durante a tarde passava mais tempo a brincar com os nossos vizinhos e com os meninos do bairro. Durante este mês voltei a ser criança: ensinaram-me crioulo, dançamos, jogamos futebol, à macaca e a um monte de outras coisas, rimos, choramos e fomos muito, muito felizes. Tudo é um pretexto para brincadeira e é tão fácil ser feliz por lá!

A simplicidade com que vivem e a facilidade com que encaram a vida mesmo com todas as adversidades ensina-nos tanto… Na realidade, fui para lá para ensinar, mas foram eles que me ensinaram muito! Viver na Guiné é aprender que para se ser feliz não há barreiras, nem impedimentos; é aprender que o que realmente importa são as pequenas coisas; é dar valor ao que é realmente essencial e deixar de lado tudo o que é secundário; é dar o que se tem e o que não se tem; é sentirmo-nos um bocadinho em casa todos os dias. Durante este mês aprendi que não há limites para o amor e que não há nada mais bonito do que sermos autênticos e genuínos como só eles me mostraram ser. Durante este mês eu fui genuinamente feliz e sou tão grata por isso (e por tudo o que eles me ensinaram)! Não há como não ser feliz quando se está rodeada de pessoas tão incríveis e com um coração tão bom como o deles! São poucas as certezas que tenho, mas uma delas é que estes miúdos levo-os comigo para a vida! Não sei se eles algum dia vão saber o quão especiais são para mim e o quanto me marcaram em tão pouco tempo…

Voltar da Guiné foi muito, muito mais difícil do que alguma vez imaginei. Estar de volta a casa é ter o coração apertadinho e a transbordar de saudade todos os dias.

Obrigada a todos por terem feito desta a melhor experiência da minha vida! Obrigada do fundo do coração à Ana, Rosa e Maria Inês por terem sido uma companhia incrível; aos meus alunos e aos meus miúdos por me terem mostrado o quão fácil é ser feliz e por me encherem de amor de manhã à noite; aos amigos que fiz por lá e que levo comigo para a vida; ao Para Onde? por me ter permitido ter esta experiência.

Uma parte de mim ficou lá para sempre! Bissau, vemo-nos em breve! ☺


A experiência da Sofia na Bélgica

No dia 1 de Julho parti até à Bélgica com uma mochila recheada de botas, luvas e roupa impermeável para enfrentar o tempo instável, e zero expectativas. Era estranho partir para um país diferente para ir cultivar, já que em Portugal o que não faltam são terrenos baldios e um excelente clima, mas esta experiência era mais do que cultivar terrenos. Cheguei até Rinxensart onde se localiza a Quinta de Froidmont.

Quando entrei na quinta já estava um grande grupo de pessoas a almoçar, iriam ser os meus companheiros de aventura, tantos os voluntários como os estagiários que trabalhavam connosco. Estranhei um pouco a comida pois só havia saladas de vegetais, pão e manteiga. As refeições era predominantemente vegetarianas com os legumes colhidos da horta.

Os voluntários eram de vários países o András e a Anna vieram da Hungria, o Tim da Rússia, o Kamso do Burkina Faso e a Hyun era a nossa Campleader e era belga.
A nossa rotina era ir até a uma das hortas e lá os nossos professores davam-nos tarefas que podiam ser desde apanhar as frutas e legumes maduros, preparar o solo para semear ou plantar, debulhar favas e ervilhas etc… e normalmente interagíamos uns com os outros partilhávamos histórias, crenças, falávamos sobre o nosso país e a nossa cultura.

Todos os dias trabalhávamos com pessoas diferentes e interagíamos com os estagiários que muitas vezes só falavam francês, então tínhamos de nos esforçar um pouco mais para nos fazermos compreender. Saíamos para ir trabalhar às 8h30 e à tarde terminávamos o trabalho às 16h30. A partir desta hora tínhamos tempo livre para fazermos o que quiséssemos. Normalmente jogávamos jogos de tabuleiro e às cartas ou íamos visitar alguma cidade.

No fim de semana tínhamos mais tempo para explorar a cultura belga, visitámos Bruxelas, Bruges, Gante e Ostende.

Nesta experiência ganhei um grande respeito pelo trabalho dos agricultores especialmente aqueles que praticam uma agricultura biológica que exige muito trabalho manual. O convívio com os restantes voluntários deu-me uma visão diferente sobre o modo de vida noutros países. Apesar de serem uma excepção dentro da juventude húngara o András e a Anna são um exemplo a seguir. Tomam atenção ao modo de produção do que adquirem para que tenha um menor impacto para o planeta e que não apoie a exploração infantil ou a escravatura. O Tim mostrou-me que na Rússia não existe uma abundância tão grande como na Europa a nível alimentar, então ele fazia questão de andar sempre com um pedaço de queijo na mão e chocolate para barrar. Foi uma aventura muito enriquecedora, pude ganhar mais à vontade a falar uma língua estrangeira e a conviver com pessoas diferentes.

Obrigada Para Onde pelo apoio e formação e a toda a equipa da Quinta de Froidmont pela gentileza, disponibilidade e simpatia durante os 13 dias de voluntariado.


A Experiência da Marta na Ilha do Maio

São pouco mais das 14h40 do dia 1 de Julho, encontro-me no voo de ligação para o Porto, aproveitando para escrever o meu testemunho.

Durante as semanas que antecederam a partida, disse muitas vezes em tom de brincadeira: “A Marta que vai, não é a Marta que vem!”. E não é que é mesmo verdade!?

A escolha do Programa de Proteção da Tartaruga Marinha teve por base a realização de um sonho de infância e, sendo 2019 um ano de mudanças na minha vida, não havia altura mais indicada. Este programa não se baseia apenas na conservação e proteção do ambiente. É também um programa cultural e social, uma vez que os voluntários ficam a viver nas comunidades (projeto de “HomeStay”) criando laços, partilha de conhecimento e experiência, passando pelas mesmas dificuldades que os habitantes, ainda que em menor escala.

Durante 15 dias, fiquei em Morrinho, uma das 13 comunidades da ilha do Maio, e sabem que mais!? Nem tudo foi um mar de rosas… Nem tudo foi perfeito… Mas foram 15 dias do melhor que podia existir! Foram 15 dias que recordarei para sempre! E sim, parece um cliché usado por muitos voluntários, mas é a verdade: “Parti sem grandes expectativas, e regressei com o coração apertadinho e uma vontade enorme de voltar ao Maio.

Não sei se fiz a diferença na vida deles, mas eles nem imaginam a diferença que fizeram na minha. E hoje sou grata por cada abraço, cada carinho e cada lágrima. Sou grata pelas discussões futebolísticas durante a construção dos viveiros, ou pelas conversas sobre planetas e estrelas durante as patrulhas noturnas. Sou grata pelas festas no terraço ao final do dia, ou pelas vezes que madruguei para fazer os censos na praia. Sou grata pelos miminhos na mamã Ricardina, pelos miúdos gritando o meu nome ou pelas “picardias” com o meu líder de equipa. Sou grata por tudo, mas mesmo tudo o que vivi nestes 15 dias.

Obrigada por permitirem que eu fizesse parte deste projeto.

Hoje sei que não fui eu que escolhi o Morrinho. Foi o Morrinho que me escolheu a mim!

E não, isto não é uma despedida. Mas sim um “Até já!”

P.S. – E sim, a Marta que foi não é a Marta que regressou :)


Patrícia, Santo Antão 🇨🇻

Falar da minha experiência em Santo Antão… Enfim, como começar? Quando o nosso maior arrependimento é ter comprado uma viagem de regresso para Portugal, torna-se claro que a experiência não só foi magnífica e marcante mas também das mais felizes que tive na vida.

Os meus dias como voluntária consistiam nas manhãs passadas no Centro de Dia do Alto de S.Tomé, nas ocasionais idas ao ICCA (Instituto Caboverdiano da Criança e dos Adolescente) e nos finais de tarde com as crianças do Espaço Jovem. Levo um pouco de todas as pessoas que conheci nestas valências. Apenas uma semana passou e já sinto falta: do «Tud Drêt?» do senhor José, sempre bem-disposto, todas as manhãs; do jeito natural do senhor Victor para dançar, pintar, enfim, para tudo!; da Dona Ana que nunca se quer juntar às nossas atividades mas, no final, participa sempre em tudo com muita alegria; da delicadeza enorme do senhor Germano; do sorriso da Dona Isidra; das gargalhadas marotas da Nininha; etc.

Pelas tardes, parece que ainda oiço ao longe as correrias do nosso vizinho pequenino, o Karamu, sempre com os seus braços a balançar; as gargalhadas agudas da Sandji e da Edilana; as músicas a tocar na coluna do Ailton; os gritos «Oh Tiiita» do Alai ou os chamamentos queridos do Gerson. Cabo Verde deixa “sodade”. Guardo em mim memórias que não esquecerei. Tudo, sempre, com muita morabeza, uma amabilidade tão genuína e característica do povo caboverdiano.

De resto, que mais posso acrescentar? Escolhi o mês de Junho para ter esta experiência. Que decisão tão acertada! Nos voluntários de junho encontrei uma família. Dou graças todos os dias por ter conhecido a Sofia, o Eduardo, a Rute, a Paula e a nossa grande coordenadora, a Matilde, que se tornaram não só companheiros incansáveis de toda a experiência de voluntariado, como também amigos divertidos que certamente levarei para a vida toda. Para além disso, tive o privilégio de viver o «Son Jon», a época festiva mais esperada do ano inteiro, e vivenciar toda a cultura, desfiles, procissões e festas típicas deste São João de Santo Antão.

E o crioulo? Um dialecto tão doce e tão «sab»! Em Sintanton (nome que se dá a Santo Antão) aprendi uma expressão que levarei para a vida: «N’ crê ligria dum vida vivid» que significa «Eu quero alegria de uma vida vivida». E esta frase caracteriza tão bem a cultura caboverdiana e a sua maneira tão própria de viver. A arte de bem receber e bem tratar são típicas em Santo Antão. Nunca conheci um povo tão feliz e que faz a festa com tão pouco. Faz-nos refletir que o mais importante nas nossas vidas não são coisas materiais nem posses mas sim as experiências, os sentimentos, as pessoas que conhecemos e que nos são especiais.

Por fim, considero-me uma sortuda por tudo o que me aconteceu e tudo o que vivenciei. É bem verdade que recebi bem mais do que aquilo que dei e fica em mim um enorme desejo de voltar e ajudar quem realmente precisa e agradece por isso. <3

A Experiência da Rosarlette na Guiné

Guiné-Bissau, lugar por onde entrei pela primeira vez na África, num espaço sonhado e pintado de forma intuitiva em meus quadros. Lugar onde se tem acolhida sincera, consideração e respeito, troca de afeto, simplicidade e de onde trago saudade de tudo e de todos.

A Guiné, como a África, vai além do que livros, noticiários ou informações de terceiros possam dar. A África tem que ser vivida para depois ser narrada e sentida dentro de quem tiver essa oportunidade de vivenciá-la.

É um bombardeio de imagens, reflexões, conhecimento e reconhecimento que nos deixam atordoados, quando retornamos para nossos lares fora desse continente misterioso, místico e que guarda tantas interrogações, tantas carências, tanta riqueza cultural e natural.

Me senti na Bahia em alguns momentos, é um povo que se sente irmanado com o Brasil e tem todos os motivos para assim sentir.

Guiné-Bissau, guarda muitos problemas sociais e políticos, mas é constituída de um povo forte, resistente, resiliente, que apesar de todas as adversidades tem sempre um sorriso estampado no rosto, crianças que brincam de ser crianças, apesar das referências negativas dos meios de comunicação e de alguns adultos com formação desestruturada socialmente.

Como artista plástica e professora, tive o prazer e a oportunidade de dar aulas de pintura e desenho para os adolescentes e de desfrutar momentos interessantes de arte com as crianças, que sempre estiveram à nossa volta trazendo seu carinho e alegria.

Desfrutar dessa experiência foi muito mais interessante por estar acompanhada de voluntárias muito queridas, parceiras que agora fazem parte da minha história de vida, como também acolher amizades guineenses que marcaram momentos importantes durante esse voluntariado e que também ficarão eternizadas comigo.

Se valeu a pena? Claro, sem dúvida!!!!! Agora só fica muita saudade e a vontade de fazer tudo outra vez.

A experiência do Guilherme em Zanzibar

No dia 8 de Junho, meti a mochila às costas e embarquei numa longa jornada até à ilha de Zanzibar, tendo a minha estadia durado cerca de 3 semanas. Durante este tempo, tinha como missão ajudar a preservar o ecossistema plantando mangais e ensinar inglês a crianças, tendo ainda havido tempo para limpar uma praia.

Assim que se sai do aeroporto, deparamo-nos com a maior qualidade desta ilha: a simpatia das pessoas. Fui recebido com um “Hakuna Matata, welcome to Zanzibar”. E toda esta amabilidade se prolongou por toda a minha estadia. Sem exceção, todas as pessoas com que interagi tiveram uma simpatia extrema, fazendo com que me sentisse em casa, mas o que mais me tocou no coração foi durante as minhas viagens de bicicleta haver imensas crianças a dizer-me “hello”. 

Um dos meus objetivos pessoais para esta aventura era apreender uma cultura completamente nova, e sem sombra de dúvidas este foi cumprido! Fui acolhido por uma família em sua casa e aí fiquei hospedado durante as 3 semanas, portanto tive contacto permanente com a cultura local 24/7. O primeiro choque que temos é na comida, especialmente para quem está habituado a comer carne, pois as refeições eram maioritariamente arroz com feijão, fruta e chá. No entanto, foi extremamente enriquecedor aprender mais sobre a religião muçulmana e poder conhecer os seus hábitos diários e conhecer a riquíssima história da ilha e todos os povos que influenciaram a sua cultura: árabe, inglês, francês, indiano e português.

Relativamente à minha missão enquanto voluntário, começando pela proteção do ecossistema, estou muito satisfeito com o trabalho desenvolvido e com os objetivos atingidos: foram plantados cerca de 200 mangais por dia!! Quanto às aulas de inglês, sinto que fiz o meu melhor ao desempenhar o papel de professor e transmitir conhecimentos às crianças sobre a língua inglesa. Nos dias que foram dedicados à limpeza da praia, foi extremamente reconfortante olhar para um sítio que outrora estava cheio de garrafas, latas, etc, e neste momento ser um areal limpo.

Foi uma aventura que me proporcionou novas experiências, conhecer uma nova realidade e uma nova cultura, mas principalmente, uma aventura que me fez crescer!

Quero agradecer ao Para Onde? que foi graças a eles que esta aventura se concretizou, à ZAYDO e a todos os amigos que fiz em Zanzibar pela forma que me trataram e me acolheram e aos meus amigos e família por todo o apoio e força que me deram!

Voltei de coração cheio!    

A Experiência da Michelle na Guatemala

Pouco mais de um mês depois do meu regresso, ganhei coragem para pôr por palavras (ou tentar, pelo menos) a experiência incrível que vivi em Maio de 2019. E que mês tão bonito que foi! Cheguei sozinha àquela pequenina aldeia de Chuinajtajuyup e sai com amigos novos, novas aprendizagens e, sobretudo, com o coração feliz e mais cheio que nunca. Entrei como uma estranha naquela aldeia e sai de lá cheia de amor, até porque desde o meu primeiro dia fui acolhida de uma forma super calorosa, pela clínica e por todos os habitantes locais. Pareceu tão fácil integrar-me lá que nem a barreira linguística foi um drama. Tudo se faz, com mais calma, sem esta azáfama louca do quotidiano a que estamos tão habituados.

Aprendi bastante, tanto a nível profissional como pessoal. Vi casos clínicos que provavelmente nunca veria em Portugal. Aprendi a ouvir mais, a compreender que o que não é um problema para mim pode ser uma dificuldade para o outro. Estive realmente a prestar cuidados na comunidade, como tanto falamos durante os nossos cursos. Conheci as famílias e já sabia os nomes das crianças. Soube o problema de cada um e tentei tratá-los com o melhor que posso dar de mim. Quem me ouvir falar sobre o projeto de voluntariado que integrei, vai concerteza pensar que foi perfeito, tanto pelo pelo amor com que atualmente recordo aquele lugar mágico como pela leveza das fotografias. Mas não foi. Não foi perfeito porque me deparei com situações que me deixaram triste e frustrada, porque chorei mesmo quando não podia,  porque o trabalho na comunidade não é tão fácil como muitos julgam. Vivemos dias sem eletricidade, encontramos insectos cujo nome nem sabia, gerimos todas as tarefas domésticas entre nós e o estilo de vida é completamente diferente ao qual eu estou tão habituada. Mas, no final de contas, só não foi perfeito porque não pude ficar lá mais tempo!

Independentemente de todas as adversidades, sorri todos os dias. Senti-me uma pessoa livre. Senti-me tão, mas tão realizada por ter provocado algum impacto e mudança, mesmo que tenha sido em mínimos pormenores, aqueles que, normalmente, nem reparamos por estarmos tão fechados na nossa própria bolha. Nunca lhes vou conseguir agradecer o facto de me terem ajudado a tornar uma melhor enfermeira e, sobretudo, uma melhor pessoa. De resto, as paisagens lindas que vi, as reflexões que fiz, tudo o que aquela comunidade me ensinou, mesmo sem se aperceberem, vou guardar em mim para sempre. Sinto que este texto não reflete nem metade do que vivi, mas realmente há coisas que são inexplicáveis por palavras.
No final disto, acredito que tenha mudado a vida de alguém. Mas não fui só eu, a Guatemala também mudou a minha vida, sem dúvida.

A experiência da Sofia na ilha de Santo Antão

Olá a tod@s!

Quando cheguei a Portugal e toda a gente me perguntava “Então? Gostaste? Como correu?” a minha resposta era sempre a mesma: “Nem sei por onde começar…!”. Por isso, começo este testemunho dizendo que as palavras são poucas, muito poucas, para descrever cada momento vivido e emoção guardada.

Cheguei a Santo Antão de coração tranquilo, com vontade de aprender e de partilhar. Queria conhecer um pouco da cultura local, e desde cedo percebi que a cultura cabo-verdiana se sente a toda a hora: na simpatia e bem receber de todas as pessoas que conheci, no calor do tempo e dos abraços, na música e dança em cada esquina, no criolo que lentamente fui “apanhando”, nos banhos de mar revitalizantes, nos sabores diferentes mas ao mesmo tempo tão familiares… em todo o lado fui recebida de braços abertos, e rapidamente me senti em casa!

Tive ainda oportunidade de conhecer um pouco a ilha e os seus contrastes, desde o seu verde tropical, às paisagens mais áridas. Mas a beleza de Santo Antão está na simplicidade das coisas, na vida leve e alegre, no viver tranquilo com muito pouco e com muito pouco fazer festa!

Como profissional da área social e comunitária, o contacto com contextos de pobreza não era novidade para mim. Contudo, as diferenças culturais que encontrei foram reveladoras de uma forma de estar e de viver completamente diferente daquilo que conhecia, mesmo do meu contexto profissional. 

Um dia “normal” de voluntariado no Projeto SYnergia Cabo Verde começava com atividades de manhã, com os idosos do Centro de Dia do Alto de São Tomé. Confesso que este foi a valência do projeto que mais me surpreendeu: desde a receção calorosa por parte dos idosos, à disponibilidade para participar, partilhar as suas histórias, memórias e batalhas. Tocaram-me o coração. 

Depois de uma pausa longa de almoço, que por vezes é preenchida a preparar atividades, outras vezes com uma breve visita ao mar, da parte da tarde recebíamos as crianças e jovens no Espaço Jovem. É aqui que deixamos toda a nossa energia e paciência! É também aqui que recebemos os sorrisos mais sinceros, os abraços mais apertados, os risos mais espontâneos e verdadeiros.

Além das atividades habituais, tive a oportunidade de desenvolver um pequeno projeto fotográfico com base na metodologia photovoice, com um grupo de crianças em risco. O objetivo foi dar voz às crianças, através da fotografia, e partilhar com a comunidade os seus desejos de mudança. Foi maravilhoso ver a exposição fotográfica montada, mas o que mais me encheu o coração foi saber que todo o processo foi construído por estas crianças, detentoras de um potencial (artístico e pessoal) incrível!

Fui ainda “desafiada” pela Câmara Municipal de Porto Novo a dinamizar três workshops: um sobre sexualidade e violência no namoro para alunos do 7º ano; outro sobre direitos humanos para alunos do 12º; e um sobre igualdade de género e violência baseada no género dirigida a mulheres da comunidade. Destaco isto, porque não posso deixar de dar os parabéns ao projeto SYnergia, e a todos os voluntários enviados pelo Para Onde, pelo trabalho desenvolvido e pela confiança construída junto das instituições. Algumas iniciativas e ideias dos voluntários só são concretizadas e bem-sucedidas se houver o apoio e compromisso do poder local, e os laços visivelmente já criados com a comunidade. É bom perceber que toda a gente conhece o projeto, e reconhece e valoriza o trabalho desenvolvido pelos voluntários!

Senti, em cada atividade que desenvolvi, que aquilo estava de facto a ser uma mais-valia para alguém. Recebi sorrisos, abraços, atenção e reconhecimento. Não há pagamento para isso!

Foi pouco o tempo que estive em Santo Antão. Fiz voluntariado duas semanas, foi o tempo possível, tendo em conta os constrangimentos de conciliar este sonho antigo com um trabalho que encaro com muita dedicação e responsabilidade. Ainda assim, foi possível contribuir de alguma forma, dar um pouco de mim, e receber muito da experiência!

Acredito que voltei um ser humano um pouco melhor. Trouxe comigo aprendizagens, memórias, amigos e até novas rotinas.

Queridas pessoas que sentem este desejo que se aventurarem no voluntariado internacional: juntem-se a nós! Nunca é tarde. E se não conseguirem fazer exatamente o que querem ou como querem (seja pelo período de tempo, pelo sítio, o orçamento, etc.), adaptem, peçam ajuda ao Para Onde para encontrar a melhor alternativa, deixem as desculpas e medos de lado. Acreditem, poderá não ser perfeito, mas vai certamente ser compensador e transformador. 

Sodade de Sintanton

A experiência da Joana no Camboja

Cheguei num Domingo a Portugal com a sensação de missão cumprida. As minhas últimas duas semanas foram a experiência mais incrível que já tive na minha vida. Não irei esquecer aquilo que fiz. Decidi ir para o Camboja ensinar inglês a crianças e jovens que pouco ou nada têm. 

A realidade deles é tão diferente da minha que isso fez-me perceber que não é preciso muito para se ser feliz. A felicidade vem sem dúvida de dentro de cada um de nós. Não interessa a forma como nos vestimos, ou o que temos, apenas interessa estarmos bem. Foram dias de muita aprendizagem e de desenvolvimento pessoal. Nunca pensei vir tão mudada desta viagem, a verdade é que vim e sinto-me uma sortuda por ter vivido como eles e nas condições deles. O primeiro impacto é um choque, pois nada tem a ver com aquilo que estamos realmente habituados, no entanto no momento a seguir parece que já é uma realidade natural para nós. Ir sem expectativas é a melhor opção, afinal a vida consegue mesmo surpreender. Eu fui com a mente aberta e preparada para ver um pouco de tudo. E dei-me muito bem assim. Tive ainda a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas com grandes corações e tão apaixonadas pelo voluntariado como eu. Foi espectacular! Fazer amizades nunca foi tão fácil, afinal todos temos o mesmo propósito e todos queremos o mesmo, ajudar quem precisa.

Os dias nunca eram iguais. À sexta-feira fazíamos jogos com as crianças sobre a matéria que tinham aprendido durante a semana. Era sempre o dia mais esperado por eles. Outra das coisas que mais me marcou foi o respeito que as crianças tinham por nós voluntários. Sempre foram muito educados para connosco e eu admirei-os ainda mais por isso. 

Se tivesse que repetir a experiência, repetia sem qualquer dúvida. E aconselho a todas as pessoas a experienciar o voluntariado pelo menos uma vez na vida, não se irão arrepender.