A Experiência do Luís na Guiné


A Guiné-Bissau é um pequeno País com cerca de 1.800.000 habitantes que após uma guerra de libertação com o colonialismo Português conquistou a independência, em Setembro de 1974. Desde então, inúmeras vicissitudes têm contribuído para o enorme atraso económico e social que a sua população vive nos dias de hoje.

A instabilidade política e governativa consequência de 20 golpes de estado desde a data de independência, sendo que dezasseis deles não foram bem sucedidos, são a principal causa dos graves problemas que hoje grassam no País colocando-o entre os mais pobres do Mundo.

Grande parte da população, cerca de 26%, sofre grave situação de insegurança alimentar e desnutrição e, desde 2017, este valor tem tendência para aumentar. Como consequência  existem fortes índices de anemia nas mulheres em idade reprodutiva e nas crianças com efeitos directos no atraso do desenvolvimento.

O Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário III prevê que 90% do orçamento da saúde seja financiado por apoio externo e população não confia no sistema.  Patologias como a tuberculose, malária e febre amarela contribuem para que a esperança de vida não ultrapasse os 58,2 anos.

A corrupção é uma doença endémica que atinge os governantes, o funcionalismo público e as autoridades policiais colocando a Guiné na posição 170 entre os 180 países mais corruptos do Mundo o que acentua a pobreza instalada, agrava as desigualdades, atinge os direitos humanos e fragiliza as instituições do Estado.

A Educação no ensino básico é em grande parte garantida pela iniciativa de privados e não sendo obrigatória 23% das crianças estão fora do sistema educativo. No ensino estatal a falta de pagamento aos professores que passam meses sem receber dá origem a greves ininterruptas que originam que das quinze unidades curriculares previstas no ensino básico, apenas três ou quatro são cumpridas.

Apesar de ter decorrido em Abril último em Bubaque o  V Congresso da Educação Ambiental dos PALOP e Galiza, actualmente  mais de 90% dos guineenses cozinham a carvão, a recolha do lixo é limitada e a sua eliminação é feita por incineração sem qualquer tratamento provocando enorme poluição ambiental.

O corte ilegal de árvores e a destruição da floresta determinam alterações climáticas significativas reduzindo em volume e tempo a época das chuvas com consequências negativas na produção agrícola.

A actividade piscatória está controlada por embarcações estrangeiras que através do arrasto selvagem delapidam os recursos piscícolas do País.

Neste cenário, um povo maravilhoso, resiliente e solidário tem de sobreviver e conhecendo as suas dificuldades e dos seus irmãos partilham com generosidade o arroz da refeição familiar com qualquer um que chegue mesmo se desconhecido.

Os mais jovens, inspirados pelo sociólogo guineense Miguel Barros, têm consciência critica dos problemas do País e dialogam sobre as suas origens e como ultrapassa-los, outros já sem esperança optam pela viagem da emigração, por vezes uma aventura fatal.

No dia a dia têm de se divertir. A festa é um lenitivo que os anima para o dia seguinte e os faz esquecer as dificuldades por isso gostam de brincar, conviver e arranjar pretexto para soltar a alegria que reside muito no fundo dos seus corações.

Aos voluntários cabe a grande responsabilidade de lhes levar o que mais falta lhes faz e não são apenas bens materiais.

É necessário transmitir aos Guineenses uma mensagem inspiradora e de confiança no seu potencial, incentivá-los a não descurarem a educação que é única via que os libertará e a garantia do seu futuro, a terem orgulho na Pátria que libertaram e capacidade para fazerem dela um lar confortável para a família Guineense.

Cabe aos voluntários dar um exemplo de trabalho, organização e rigor e transmitir aos guineenses que sem estes valores e sem o empenho pessoal de todos eles os seus objectivos nunca serão atingidos.

Foi para isto que fui voluntário na Guiné-Bissau, pois acredito no potencial e capacidades dos Guineenses, na sua generosidade, na sua alegria que pode transformar um trabalho árduo num divertimento.

Com humanidade, solidariedade e um grande sorriso é mais fácil transformar o Mundo.

Se fosse fácil, não seriamos corajosamente voluntários, seriamos apenas turistas.



A Experiência da Leonor e da Sílvia na Guiné-Bissau

“-Kuma ki bu mansi?”- É a expressão mais ouvida todas as manhãs na Guiné-Bissau, em que nos perguntam, traduzindo, como é que amanhecemos. A nossa resposta: mansi dirito.

Já passou quase um mês desde que regressamos e ainda é difícil explicar o que sentimos. Desde cedo que tínhamos muita vontade de fazer voluntariado em África, mas hoje temos a certeza que não poderíamos ter escolhido outro país senão a Guiné-Bissau.

Ficamos muito ligadas ao povo guineense: são pessoas verdadeiramente felizes. São tão generosos que o pouco que têm ainda é repartido connosco, estando sempre preocupados e prontos a ajudar, só para nos verem bem.

São pessoas pouco exigentes, não precisam de muito para estarem bem. Lá não há fome, não há tristeza, não dorme ninguém na rua… Podem dormir 20 pessoas na mesma casa, mas ninguém fica lá fora. Passamos em frente à casa do vizinho e oferecem sempre comida do prato deles. Não podemos chamar “pobre” a um povo tão feliz e tão humilde. E estes lemas de vida ensinam-nos muito, aprendemos muito mais com eles do que eles connosco. Aprendemos também a ser mais pacientes, mais tolerantes, a dar muito mais valor ao essencial… Percebemos que, apesar dos poucos recursos e da pobreza, este povo é muito rico em espírito, que é o que realmente importa!

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O facto da nossa casa ser ao lado da escola onde dávamos aulas, formações e organizávamos atividades foi um privilégio gigante: criámos uma ligação muito forte entre as crianças da escola e também com os vizinhos do bairro Plak I. Não é fácil ensinar quando nem a nossa língua entendem bem, não é fácil captar a atenção de todos, não é fácil impor respeito, mas todo o esforço é recompensado em cada sorriso genuíno ou em cada abraço apertado.

Já temos saudades! Saudades dos 32 graus noite e dia, saudades do arroz com peixe, saudades das mangas e cajus, saudades dos banhos frios, dos porcos e das galinhas que passaram a ser os nossos vizinhos mais barulhentos, saudades das músicas, das danças, das brincadeiras e dos jogos, saudades de tudo. Saudades que apertam e que nos fazem querer voltar, o mais rápido possível!

Como se costuma dizer: “são as pessoas que fazem o lugar” e foi esta comunidade que tornou a nossa experiência mais fácil e mais rica. Para além dos nativos, também o Luís e a Ana, os voluntários que fizeram parte desta nossa aventura, foram imprescindíveis! Os treinos e as histórias do Luís, e as peripécias e gargalhadas com a Ana fazem-nos falta!

Estamos habituados a ouvir que é uma sociedade completamente diferente, um choque cultural muito grande e ficamos convencidos de como é essa realidade. Mas não, é  sempre diferente do que imaginamos, só estando lá é que percebemos e experienciamos a verdadeira realidade. Mesmo depois de se ler todos os testemunhos, depois de se ouvir todas as histórias contadas sobre a Guiné, continuamos a achar que estar “in loco” é uma realidade única e totalmente diferente. Por isso só há uma maneira de sentir tudo isto: IR!

Não sabemos como teria sido a experiência noutro país, a única certeza que temos é que voltaríamos a fazer tudo igual.

Guiné-Bissau Sabi!


A Experiência da Sarah na Guatemala

Faz um mês desde que voltei da Guatemala, um país incrível que me encantou completamente. Fazer voluntariado noutro país, é uma sorte de poder realizar ao mesmo tempo 2 coisas maravilhosas: Viajar e ajudar quem mais precisa. Fazer voluntariado na Guatemala, foi uma das melhores experiências da minha vida, experiência que vou guardar para sempre com muito carinho! Para começar, o local: a clínica é situada num lugar apenas rodeado por natureza, florestas e lugares encantadores (rios, cascatas, etc.) para descobrir. Uma verdadeira paz de espírito. Foi ótimo trocar por uns dias a correria e o barulho da cidade, pela calma e o silêncio da natureza. A nível profissional, foi ótimo poder transmitir conhecimentos e ajudar pessoas que dispõem de pouca (ou quase nenhuma) informação em termos de saúde, e mais especificamente no meu caso, sobre nutrição. Todos os pacientes eram encantadores. Apesar do meu espanhol estar longe de ser perfeito, nunca ninguém me julgou por isso, nem por ser de outro país, bem pelo contrário, todos nos agradeciam imenso pelo nosso trabalho. Para além de ter trabalhado na clínica, onde dei várias consultas de nutrição, tive também a oportunidade de dar aulas na escolinha ao lado, onde falei sobre equilíbrio alimentar. Foi ótima a forma como fui recebida pelas crianças, que foram super receptivas e interessadas em receber informação e aprender!

As pessoas são incríveis. Todas as palavras de agradecimento, de incentivo, todos os sorrisos, me deram mais vontade de continuar a fazer voluntariado pelo mundo, e me relembravam todos os dias o quão importante é ajudarmos o próximo, sempre que pudermos.

A nível pessoal foi igualmente enriquecedor. Conhecer uma cultura diferente, colaborar com colegas vindos de vários países, ajudou-me imenso a melhorar a minha capacidade de adaptação.

Para terminar, se tiverem a oportunidade, não hesitem em ir uns dias mais cedo ou tirar uns dias no final para viajar pelo país, que tem lugares e cidades lindas para descobrir.

Muito obrigada “Para Onde”, por me terem dado a oportunidade de realizar esta experiência incrível!


A Experiência da Sílvia em S. Vicente

Já se passou algum tempo, mas na verdade é sempre difícil transmitir e definir a grandiosidade de uma experiência de tamanhos sentimentos… Melhor que ler estas palavras, é VIVER e SENTIR a magia de cada momento!

Cabo Verde, ilha de S. Vicente, foi o local que escolhi para plantar a semente do voluntariado. Sem dúvida que cada dia que passa cresce a vontade de estar, sentir e, essencialmente, de voltar.

Não há palavras para descrever o encanto desta ilha, desta cultura e, acima de tudo, dos sorrisos verdadeiros e encantadores destas crianças. Um paraíso onde a gratidão e a humildade vivem em plena harmonia, onde as crianças sonham e onde a felicidade é um modo de vida e não um objetivo.

Estas crianças tornavam os meus dias especiais, pois cada sorriso me encantou e cada abraço me conquistou. Todos os dias eram um novo desafio… poder ajudar, colaborar, ensinar, educar e acima de tudo valorizar os seus saberes e competências.

Todos os voluntários partem com boa vontade, mas com algumas incertezas. Serei capaz? Irei me adaptar? Serei útil? Tantas são as questões que nos invadem o pensamento. Encontrei as minhas respostas no caloroso acolhimento, na simplicidade das pessoas, e em tão poucos dias, acreditem que já nos sentimos “na nossa casa”.

Voltar não foi fácil, não consegui conter as lágrimas porque quando o sentimento é puro, a saudade é verdadeira. Regressei com o coração a transbordar de felicidade, e com uma GRANDE CERTEZA que dei muito pouco para o IMENSO que recebi.

A SAUDADE É IMENSA, mas os bons momentos estão sempre presentes e o que me conforta é a certeza que irei voltar.

Esta experiência tornou-se mágica porque foi vivida e partilhada com pessoas incríveis.

Cabo Verde é AMOR!

S. Vicente para sempre no Coração!


A experiência da Madalena em S. Tomé e Príncipe

Desde sempre que gostava de fazer voluntariado, em especial num sitio em África, e como São Tomé dentro das várias opções de programas, era o local onde tinha mais curiosidade, foi o escolhido, outros locais também seriam bem vindos, mas a escolha tinha de ser feita… Então tive o privilégio de puder conhecer esta maravilhosa ilha e as pessoas que nela habitam.

Foi um mês muito intenso e especial, que voltava a repetir sem dúvidas nenhumas, era voltar a Portugal dizer Olá e no dia a seguir ir outra vez. Sempre me senti em casa em São Tomé, porque para além de falarmos a mesma língua, as pessoas são genuínas e humildes, e fui muito bem acolhida.

Quando se regressa de uma experiência destas, que nos permite explorar nós próprios e explorar também as outras pessoas e outra cultura, quando regressamos ao nosso local de origem não sabemos muito bem no que pensar, um vez que a experiencia foi muito intensa e enriquecedora, desde a mudança do clima, cultura, os insetos (mosquitos, que tanto gostaram de mim) e alimentação.

Esta experiência permitiu refletir de que como o modo que vivemos pode ser tão diferente de lugar para lugar, e não é pior nem melhor é apenas diferente, uma vez que, em tudo o que é diferente tem coisas boas e outras menos boas, como tudo na vida. Considero que o modo como os santomenses vivem é muito positivo ao nível das relações humanas, pois vivem as coisas com mais intensidade e despreocupação, dentro do espírito leve leve, já para não falar que no mundo ocidental as tecnologias minam e interferem na forma como nos relacionamos com os outros, cria uma barreira que ali não existe, as pessoas agem de forma natural e vivem tal como são. Outra coisa que para os ocidentais é banal é ter eletricidade e água durante todos os dias sem sentir falta dela, e por isso temos tendência a desvalorizar estas pequenas grandes coisas, ali quando não há a água, há luz ou vice versa, e muitas vezes não há as duas coisa, e quando não há por exemplo luz algo frequente. Quando a eletricidade voltava as crianças faziam uma “festa”, a dizer “Energia voltou!”, algo que demonstra muito bem como valorizam as pequenas coisas. Posso afirmar sem margem para dúvidas que os melhores momentos com as crianças foram quando não existia luz, outra coisa quase improvável de acontecer por aqui no mundo ocidente, uma vez que brincávamos na rua (macaquinho do chinês, jogo das cadeiras com palmas ou musica de telemóvel ou simplesmente ficar a ver as estrelas ou até a contar histórias), pois a lua iluminava um pouco e existia luz na rua (solar), brincávamos sem limites, pois só a felicidade interessa naquele momento.

Trouxe comigo, na minha bagagem, muitos momentos que não vou esquecer e que já estão bem guardados no meu coração, pois só de pensar neles fico com um sorriso na cara.

Posso dizer que tenho um sonho realizado, mais com esta experiência, tive a certeza que gostaria de voltar a sonhar São Tomé ou noutro local, mesmo com a quantidade de picadelas de mosquitos que levei, digo que vale a pena porque é sinal que estive naquela lugar incrível. Com isto quero deixa também um agradecimento especial a equipa do Para Onde, por terem acompanhado esta experiencia e terem contribuído para que esta fique sempre no coração.

A frase sempre inspiradora é “sigam os vossos sonhos”, se querem mesmo fazer uma coisa, de uma maneira ou de outra vão conseguir fazê-lo, e não digam querer e poder é diferente, é mas quando se quer uma coisa mais tarde ou mais cedo vamos poder, “poder”.

Madalena Rodrigues, São Tomé e Príncipe Março 2019

A Experiência do Luís em S. Vicente

Eu sou o Luís e venho contar-vos um pouco de como foi a minha experiência de voluntariado em São Vicente, Cabo Verde, de Janeiro a Março de 2019. Não sei porquê Cabo Verde… acho que o nome do projecto simplesmente me interessou. Graças ao Para Onde foi fácil para mim conseguir vaga neste magnífico projecto de voluntariado. Fazer voluntariado em África era um sonho que já tinha há mais de um ano, pois eu queria realmente conhecer realidades diferentes, estando integrado na comunidade, e queria oferecer a ajuda que eu pudesse. De facto, apesar de todos os receios e medos que tinha, o que não faltou foi a minha integração na comunidade.

No aeroporto, fomos logo recebidos pelo Frei Silvino, presidente do Espaço Jovem, um senhor que era uma inspiração na sua simplicidade e feitos. Ele era o pai de muitos jovens na ilha, tendo ajudado a desviar muitos deles de más vidas, resolveu conflitos entre gangs da ilha, ajudou pessoas a montar negócios e já colocou quase 70 jovens de novo a estudar na escola!

O Espaço Jovem tem dois centros, a meia hora a pé de distância (ah lá andávamos praticamente sempre a pé), o da Pedra Rolada e o da Krequinha. Cada um de nós, voluntários, íamos rodando entre os dois, pois foi nisso que concordámos. Por estes centros passavam cerca de 150 crianças por dia e o nosso trabalho principal era ajudá-las com os TPC e a escola em geral. Todos os dias, 2h de manhã e de tarde, era o que fazíamos, para além de fazermos às vezes outras actividades, como foi o caso de danças, aulas de culinária, gincanas, idas à praia, concursos de talentos, etc. Ah e o que nunca faltava em cada dia eram montes de abraços e beijinhos, mal as crianças nos viam a chegar ao longe. Para além disso, eu dava explicações de inglês de 9º ano nalgumas horas de almoço e à tarde dava aulas de inglês de 5º ano ou aulas de matemática de 7º, pelo que os dias eram sempre preenchidos.

Os miúdos, apesar de muitas vezes preguiçosos, barulhentos e reguilas, eram muito queridos. Mesmo na rua, mal nos viam, vinham sempre dar um abraço que sabia sempre bem, e eram mesmo muito carinhosos e simples. Costumavam muito andar descalços mesmo no meio das pedras e eram crianças que sabiam o valor da partilha; nunca tínhamos de ralhar quando lhes pedíamos para emprestarem ou partilharem algo.
No centro da Pedra Rolada, como era o que estava menos desenvolvido, ajudámos bastante na questão da organização e remodelação do espaço. Foi incrível ver como o modo de funcionamento daquele centro foi melhorando, pouco e pouco, com o empenho de todos. Para além disso, foi incrível ver como, com a nossa pequena ajuda, muitas crianças iam de facto melhorando na escola e algumas iam subindo de facto as notas. É a prova de como dando o bom o exemplo e dando o mais pequeno apoio que seja, se pode fazer a diferença na vida duma criança.

Outra coisa incrível foi poder viver como um local vive em Cabo Verde, todos vivem uma vida Suav na Nav (no stress) e as pessoas eram mesmo muito simpáticas e gostavam de ajudar (maneira de ser que lá se chama morabeza) – na rua toda a gente dizia “bom dia”. Fizemos muitos bons amigos locais, que nos ensinaram a dançar e a falar crioulo. Nos fins de semana, costumávamos ir fazer caminhadas, carregávamos lenha, água e comida e cozinhávamos o almoço no meio das montanhas. Enquanto lá estivemos, estávamos completamente integrados e conheci pessoas muito muito especiais.

Durante esta viagem, que era para ser de 2 meses mas acabou por ser de 3, aprendi muitas lições de vida, em grande parte lições de simplicidade e de partilha. Vi muita alegria em muitos sorrisos, experiências e pessoas. Irei lá voltar em breve, de certeza!

Espero que isto te faça querer ir a São Vicente para conheceres o magnífico espaço, as lindas crianças e as incríveis pessoas de lá! :)

A Experiência da Donzília no Tarrafal

Olá, eu sou a Donzília e cheguei recentemente do Tarrafal, Ilha de Santiago, onde estive durante 2 meses a viver a minha primeira experiência de voluntariado internacional. Sempre tive vontade de ter uma experiência de voluntariado fora de Portugal e com uma realidade social bastante diferente da que conheço, no entanto achava sempre que era bastante complicado, mas com a ajuda do Para Onde? o que era complicado passou a muito fácil.

Quando comecei a ver os programas de voluntariado internacional no Para Onde?, a única condição que coloquei a mim própria foi a de que iria para um país onde a língua portuguesa também fosse falada, escolhi a Ilha de Santiago mas não sabia muito sobre o que ia encontrar, mas isso não importa porque o melhor mesmo é ir com a expectativa abaixo de zero, assim aproveitamos muito melhor cada momento.

Antes de partir para esta aventura tinha receios, quem não tem? Será que vai correr bem? Vou gostar? Vou me adaptar? E se acontece alguma coisa? Estou tão longe de casa! Dúvidas essas que penso serem transversais a qualquer voluntário misturadas com um pouco de ansiedade de quem vai para uma terra desconhecida, mas depois tudo passa e o que era desconhecido passa a ser a realidade do teu dia-a-dia.

O dia começa cedo, mas não importa, porque vais receber logo pela manhã imensos sorrisos, inicialmente, pelos meninos do jardim, uma vez que apanhamos o mesmo carro e depois por todos os outros meninos da Delta, que vão entrando para o carro que já vai cheio, mas onde existe sempre espaço para mais uma criança e por todos os outros que já se encontram à nossa espera na Delta. Acabámos de chegar e agora é tempo de perceber quem tem treinos e quem tem trabalhos para fazer. Quem tiver trabalhos, tem de ir para a sala de estudo.

Já todos fizeram os trabalhos, então agora é hora de ir brincar, jogar à bola, fazer um desenho ou de imaginar alguma coisa para fazer na Sala de Artes, vamos fazer um mealheiro com uma lata, um porquinho com uma garrafa, um comboio com copos de iogurte ou porque não fazermos um avião? Existem tantas coisas que podem ser feitas, apenas precisamos de um pouco de imaginação. Aprendemos que com tão pouco conseguimos fazer tantas coisas!

Aproxima-se a hora de almoço, e por isso descemos até ao centro, acompanhados sempre pelos meninos que moram perto do caminho que fazemos, uma vez que também eles vão para casa almoçar para depois irem para a Escola. Já almoçámos e lá estamos nós novamente a espera do carro, agora sem os sorrisos dos meninos do Jardim, mas com um carro cheio de outros meninos reguilas.

De regresso à Delta, é tempo de ajudar estes meninos reguilas que, cada um à sua maneira, ocupa um lugar muito especial no nosso coração! Depois de estar tudo concluído, é hora de regressar ao centro do Tarrafal com o sentimento de mais um dia cumprido e com mais histórias para guardar dos momentos que vivemos.

Fica aqui um bocadinho do que se passa no dia-a-dia na Delta, com tantas outras coisas que não consigo enumerar, ficam estas, principalmente da sala de estudos e da sala de artes porque foi onde eu passei mais tempo durante a minha experiência.

Antes de candidatar-me a este programa, tentei perceber pelos testemunhos dos outros voluntários aquilo que sentiram e viveram nas suas experiências para ficar com uma ideia do que ia encontrar. Hoje percebo que cada pessoa vive esta experiência de uma maneira e intensidade diferentes.

Por isso, se ainda estás indeciso acerca do que fazer, e estás a ler este testemunho para tentar eliminar alguns dos teus receios, não penses mais: vai… vai e pronto, porque certamente vais adorar como eu adorei, é uma experiência inesquecível!

Segue para esta aventura com o coração cheio de boa vontade e garanto-te que vais voltar com o coração a transbordar de felicidade, porque aquilo que recebemos é muito maior do que aquilo que damos.

A Experiência da Sofia no Tarrafal

Quando decidi fazer voluntariado internacional, nunca pensei escrever um texto a falar sobre minha experiência, porque achei que as pessoas que não viveram o que nós voluntários vivemos, não iam entender o porquê de nos envolvermos e gostarmos tanto. No entanto, foi tudo vivido de uma forma tão genuína e intensa, que vale a tentativa de transcrever para palavras o que eu senti. Espero que sirva como um incentivo às pessoas que sempre quiseram ter uma experiência como esta, mas que, por alguma razão, falta-lhes a coragem.

Foram 2 meses e para quem nunca fez algo do género, parece muito tempo, mas na verdade, é pouquíssimo. Sabe a tanto e a tão pouco ao mesmo tempo, que no fim só existem duas opções: ficar mais tempo ou lá voltar um dia.

O receio inicial é inevitável, o medo do desconhecido é uma caraterística comum a qualquer ser humano. Medo dos desafios que vamos enfrentar, medo de não se adaptar, de não se conseguir relacionar, medo de que o nosso trabalho não tenha o impacto que pretendemos e outros mais medos que vão surgindo à medida que o dia de ir se aproxima. São pensamentos que passam pela cabeça de quem embarca numa aventura como esta pela primeira vez.

Claro que não é tudo fácil, mas são os desafios que ajudam a experiência a ser inesquecível. O coração dói cada vez que nos deparamos com algumas condições em que algumas crianças vivem e é frustrante ver que muitas pessoas lutam para ter uma vida melhor, mas não conseguem porque não têm meios para isso. Pior ainda, é saber que por mais que queiras ajudar, não consegues fazer muito mais do que já fazes.

No entanto é isso que os torna diferentes de qualquer outro povo, são muito felizes com o pouco que têm e mesmo assim são os primeiros a ajudar os outros. Aquele espírito incomparável de entreajuda e de dar sem estar à espera de receber, faz-me admirá-los imenso. Dizem que as pessoas que fazem voluntariado recebem mais do que aquilo que dão, e eu não entendia bem o que queriam dizer com isto, até ter ido para Cabo Verde disposta a dar 100% de mim, e mesmo assim, acabei por receber muito mais do que aquilo que dei.

A palavra ‘Morabeza’ descreve bem o povo Cabo Verdiano, descreve a sua simplicidade, a sua gentileza e a sua pureza no modo de viver. São pessoas muito simples e é uma simplicidade tão bonita que te muda sem tu te aperceberes. Acho que qualquer pessoa que faça voluntariado em Cabo Verde, traz parte daquele povo em si. Nunca me senti tão bem recebida e posso, sem dúvida, dizer que o Tarrafal se tornou na minha segunda casa.

Cada minuto passado com as crianças e com os locais vale ouro, e quando voltas à realidade, percebes quão extraordinário e marcante foi conviver com eles. Ainda nem passaram 48 horas desde que voltei e já tenho saudades de estar com as crianças, de as ouvir a cantar e dançar, de fingir que estava chateada numa tentativa de os fazer comportar-se, da dores de cabeça por eles causadas, das atividades organizadas, dos fins-de-semana na praia, das jantaradas, da cachupa tradicional, da caipirinha com grogue, das pessoas, do país, de tudo.

Tive a sorte de embarcar nesta experiência com o Para Onde, que foram, desde o início, inigualáveis. Tive também a oportunidade de conhecer pessoas locais que não vou esquecer e outros voluntários que se tornaram numa família. Graças a todos eles a minha experiência alcançou um nível para além do incrível.

Voltei, mas parte de mim ficou no Tarrafal. Trouxe comigo as memórias no cérebro, as pessoas no coração e o espírito de Cabo Verde na forma como encaro a vida, e, mais que isso tudo, trouxe comigo o enorme desejo de voltar.


A experiência da Vera em Santo Antão, Cabo Verde

Ora.. vamos lá falar de uma das coisas que, para mim, fazia mais que sentido realizar na minha vida: era fazer voluntariado. Foram apenas 2 semanas, mas foram 2 semanas em que todos os dias foram intensos e todos eles vividos de forma especial. Eu tive a sorte de poder juntar duas das coisas que eu queria mesmo fazer: conhecer Cabo Verde e fazer voluntariado com crianças. Já faz algum tempo que esse desejo começou a estar presente na minha cabeça, mas nessa altura tudo parecia tão longínquo e impossível de ser realizado. Passou a ser um dos meus sonhos que eu queria mesmo realizar de qualquer forma e, essa oportunidade finalmente apareceu. Cabo Verde é um país encantador, com pessoas maravilhosas, bonitas e simples, lá elas fazem com que tudo pareça tão fácil. Foi uma viagem que me marcou, especialmente por me ter cruzado com pessoas tão boas, genuínas e com um coração de ouro. Já estava tudo a ser tão bom, até que conheci os idosos e as crianças que durante essas 2 semanas eu ia acompanhar e aí é que fiquei completamente apaixonada, gostava de os ter trazido a todos. Eu sou completamente apaixonada por crianças, porque para mim elas são a representação física do que eu entendo por amor e autenticidade. Elas são exactamente o que o mundo precisa, são portadoras de uma extrema sabedoria, mesmo sem saberem. Fizemos muitas actividades com os idosos e miúdos, foi uma experiência super positiva tanto para mim como para eles evidentemente, mas com isso sinto que aprimorei o meu lado criativo.

O facto de estar todos os dias com eles a brincar, fez-me reviver muitos momentos da minha infância e isso trouxe-me muita alegria. O impactante desta viagem foi ter-me permitido percepcionar o mundo de uma forma diferente, aquilo é uma realidade crua aos meus olhos, mas por outro é uma realidade que enche o coração e que me faz ter muita esperança no futuro. Trago muitas recordações no meu coração e muitas pessoas que fizeram os meus dias valerem a pena, e não trocava nada pelo que passei, foi incrível. Gostava que este testemunho não fosse apenas um testemunho, que pudesse servir para alguém que tenha este bichinho de fazer o bem sem saber a quem, que impulsionasse alguém a fazê-lo. Sinto que todos nós temos algo para partilhar, que todos somos missionários nesta vida, que estamos no mundo com um propósito e eu vou continuar a espalhar o meu por qualquer lado que passe.
Vera Costa, Cabo Verde 2019

A experiência da Patrícia no Tarrafal

Um dia li que a “saudade é o amor que fica” e sabia que em algum momento da minha vida esta frase ia fazer mais sentido do que nunca. Eis o momento. Fazer voluntariado é uma das muitas formas do amor. De dar e de receber. E é sobretudo isto que podes esperar do Tarrafal e que o Tarrafal espera de ti. AMOR às 07h30 da manhã enquanto esperas pelo carro rodeado das crianças do jardim que depois de uma noite bem dormida chegam com a energia que com a tua idade já não vais conseguir ter, AMOR às 09h30 quando os meninos da escola enchem a sala de estudos com inúmeros trabalhos de casa e sem material escolar para os conseguir fazer, AMOR à hora de almoço quando passas no mercado, no tatá ou no parque das merendas para decidires que comida ainda não estás assim tão farto de comer, AMOR às 15h quando estás na Delta e tens que cantar e dançar porque sabes que isso os vai envolver, AMOR quando voltas para casa e encontras na rua as pessoas que já estás habituado a ver, AMOR enquanto descansas e sentes que foi mais um dia a valer. AMOR, AMOR, AMOR!! E em dois meses é isto que fica naqueles com que te cruzaste e sobretudo é isto que fica em ti. E se ainda estás com vontade de me perguntar se vale a pena só te posso dizer que tudo é uma questão do quanto tu amas e se achares que não dominas este dom de amar, vai e aprende. 

Eu sou a Patricia Bronze e tenho o Tarrafal a dançar no meu coração.