Ana, S. Vicente 🇨🇻

“O dia em que conseguir colocar em palavras o que foi para mim o mês de Julho irei fazê-lo”, tem sido o meu discurso quando me questionam sobre a experiência. Será que é agora? Não sei, mas vou tentar. 

Aos 13 anos, em território cabo verdiano, disse que um dia iria voltar e para fazer voluntariado! Assim o fiz! Nove anos depois, sim! Mas cumpri o prometido!

A escolha foi então S.Vicente, com a fantástica ajuda da equipa do “Para Onde?” que faz parte da minha vida já de há dois anos para cá.

Foi no dia da chegada que fui logo avisada sobre a magia que aquela ilha tinha, a magia que apaixonava as pessoas que a visitavam. A magia que marcava de tal forma essas mesmas pessoas na sua estadia que as despedidas eram sempre acompanhadas de um “até já!”! 

Fui logo contagiada por essa magia nos primeiros dias, sabem? Adotei o pé descalço, depois, as tranças no cabelo e desde o primeiro segundo naquele cantinho de paraíso adotei o sorriso na cara, reflexo de pura felicidade! 

E o que tornou tão mágico este mês? Posso enumerar algumas coisas que para mim fizeram toda a diferença… 

A comunidade, a “Morabeza” que todos falam, é pura verdade meus amigos! Em poucos dias já nos sentíamos em casa, o bom dia quando nos cruzávamos com alguém na rua nunca faltava a senhora do café e a senhora da mercearia já nos conheciam o vizinho do lado já fazia parte do nosso dia a dia (de tal forma que foi o chefe da grelha no nosso último jantar lá), até o taxista era nosso amigo e claro, sem esquecer a D.Filó que nos abriu as portas de casa desde o primeiro dia e rapidamente nos sentou à mesa a provar as suas belas iguarias. 

Alguns pózinhos mágicos vieram também diretamente de Portugal, as quatro alminhas que partilharam comigo esta experiência e que a tornaram ainda mais especial, não esquecendo todas as outras pessoas que connosco alinharam nas loucuras nos mostraram como Soncent é sab demais e connosco também fizeram história! 

Uma outra pessoa que deu também um toque de magia ao meu mês, o Frei Silvino, um senhor digno de se tirar o chapéu com um coração gigante, alma cabo verdiana e também dono de um abraço que para mim vai ficar sempre gravado na memória. 

Em relação a ele tenho que falar na grande causa da minha ida para este destino mágico, o Espaço Jovem, constituído pelos centros da Craquinha, Pedra rolada e Ribeira Bote, cada um tão especial à sua maneira. Foi aqui onde passei a maior parte do meu mês, onde tive a oportunidade de conviver e aprender com pessoas que têm um enorme talento com crianças e principalmente que amam verdadeiramente o que fazem.

Onde recebi uma quantidade infinita de miminhos, abraços e penteados variados. Onde ri, brinquei dancei (ou tentei) mas também onde me desafiei… 

Desafiei a minha fraca memória ao tentar decorar o nome das crianças que passaram por mim… 

Desafiei a minha coordenação ao “tentar” aprender com as crianças as mil coreografias de ritmos africanos… 

Mas principalmente desafiei o meu coração na hora da “despedida” e confesso que ele ainda está apertadinho.

Por isso tal como me fizeram, aqui fica o aviso, futuros voluntários preparem-se para se apaixonarem, preparem-se para viver uma experiência incrível, preparem-se para distribuir e receber muito amor e claro preparem-se para ser contagiados também pela magia! Pois quem vai terá sempre que voltar. 

Dei por mim no aeroporto no dia da partida a ver voos para o próximo verão, acho que com isto digo tudo, não é?


Marisa, Alemanha 🇩🇪

Há exatamente 10 dias voltei de uma das experiências mais marcantes da minha vida e agora estou sentada em frente ao computador a tentar resumir tudo o que vivi, e tenho a dizer que não é fácil. Há sempre alguma coisa que fica por dizer e há sentimentos e sensações difíceis de expressar por palavras, parece que elas não fazem jus ao que vivi.
Mas vamos lá. No dia 22 de julho parti para Berlim. Tinha-me proposto passar os próximos 13 dias num Centro Social e Desportivo Feminino de seu nome Kreafithaus, e que eu dias mais tarde passaria a chamar “casa”. Éramos 10 voluntários, 9 nacionalidades diferentes e estávamos ali todos reunidos para apoiar um projeto cujo principal objetivo é derrubar a força dos estereótipos de género. O espaço acolhe raparigas e jovens adolescentes vindas de todos os contextos sociais e culturais, e é um lugar onde elas podem passar o seu tempo livre a realizar as mais diversas atividades, desenvolvendo tanto as suas capacidades desportivas como artísticas e mais importante ainda, um lugar onde elas podem ser aquilo que quiserem, independentemente das experiências passadas ou das ideias pré-concebidas já tão enraizadas na sociedade. É um sítio que as relembra que elas têm o seu valor, e que não há um género superior a outro, não há atividades designadas apenas para homens ou apenas para mulheres.
Por si só, revejo-me bastante nos ideais deste projeto e no momento da escolha do campo de voluntariado não tive dúvidas de que queria dar o meu contributo nesta área.

Estava preparada para arregaçar as mangas, e foi literalmente o que aconteceu. Como voluntários, o nosso papel na Kreafithaus era essencialmente dar uma nova vida ao espaço, torná-lo mais agradável para as jovens que passam ali os seus dias. As tarefas passavam pela reconstrução de uma área de lazer no jardim, pela renovação do local de compostagem e do local onde se encontrava a parede de escalada, e por último, pela elaboração de um hotel para insetos. Quando dei por mim, estava a cortar madeira, fazer buracos e aplicar pregos usando ferramentas que eu nunca me imaginei a utilizar, de forma a construir bancos de jardim. Muitas foram as vezes em que chegava ao final do dia completamente sarapintada de tinta verde fruto de manhãs a pintar cercas, ou com a cara cheia de pó e os braços cansados, resultado de tardes a carregar pás de terra. Mas de todas as vezes, quando me deitava na minha cama improvisada, estava feliz, muito feliz. E é engraçado estar a recordar estes momentos e sentir uma explosão de alegria vinda do peito.

Nos tempos livres aproveitávamos para explorar Berlim ao máximo, chegámos mesmo a participar no “Berlin Pride” e foi incrível estar a marchar ao lado de pessoas tão seguras de si e tão livres na expressão do seu ser.
Ficam ainda na memória os jantares prolongados, os serões de jogos, as melodias da guitarra nos fins de tarde, horas intermináveis a dançar, as conversas nos dormitórios, os passeios, as aventuras inesperadas e as gargalhadas que enchiam o nosso quotidiano, e que de certa forma nos tornavam mais cúmplices a cada dia. Foram dias de uma constante troca de ideias e aprendizagens, que travei com pessoas que carregam bagagens culturais e de vida diferentes das minhas, pessoas a que agora chamo de amigas e das quais foi tão difícil dizer um “até já”.

Já ansiava por uma experiência destas há muito tempo, e como não consigo desviar-me de frases cliché ao escrever este texto, atrevo-me a dizer que nunca me soube tão bem sair da minha zona de conforto.
Para concluir, quero dizer que a partir do momento em que se regressa a casa após uma experiência como esta, temos a certeza que vamos voltar a partir, mais tarde ou mais cedo, para embarcar numa outra aventura. Voltamos com o desejo de dar mais, aprender mais, conhecer mais e viver mais.

Margarida, Finlândia 🇫🇮

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Sempre tive vontade de fazer voluntariado na área em que me estou a formar: património. Não só para contribuir de alguma forma para algo que é tão importante para mim e para várias pessoas, mas também para aprender alguma coisa além da teoria que nos é ensinada na faculdade. Com esta experiência aprendi muito, não só sobre culturas, mas sobre histórias de vida, gratidão e sobre entreajuda, companheirismo e amizade.

Os três primeiros dias de voluntariado foram passados a pintar e limpar o observatório local, onde fomos recebidos sempre com muita simpatia e gratidão por parte dos senhores da Associação de Astronomia que, apesar do pouco inglês que falavam, procuravam sempre uma forma de comunicar connosco e ensinar-nos.

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Os dias seguintes foram passados no museu local que reconstituía uma casa típica finlandesa do século XVIII. No primeiro dia, foi-nos feita uma visita guiada e nos dias seguintes pintámos, limpámos, lavámos os tapetes em tanques tradicionais e traduzimos os guiões para as nossas respectivas línguas.

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As tarefas terminavam por volta das 16h30 e às 17h íamos jantar. A seguir, existia sempre alguma actividade nova a experimentar. Andar e correr em troncos no lago, sauna e nadar no lago com uma temperatura de 7ºC, saltar e dançar com ‘sapatos esquisitos’, floorball no meio do refeitório até às três da manhã… não importava se éramos bons ou não, tudo era feito com muito humor e diversão.

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Durante estes dez dias do projecto “Local communities and culture in Evijärvi” senti que contribui de algum modo para preservar patrimónios locais importantes para as pessoas de Evijärvi, mas sobretudo que conheci pessoas e culturas de todos os cantos do mundo e a cumplicidade que criámos fez com que esta experiência fosse inesquecível!

A Experiência da Catarina na Alemanha

As crianças são a minha fraqueza! Sempre foram, quando andava no secundário fazia voluntariado durante o verão em escolas locais que precisavam de alguma ajuda na dinamização de atividades com crianças e participava como animadora em festas de aniversário de crianças pequenas. Quando entrei para a universidade toda esta atividade que amo profundamente e me enche o coração ficou em standby.

Com a ajuda do Para Onde consegui viver duas semanas de pura alegria onde pude juntar à minha paixão de trabalhar com crianças, o grande desafio de não perceber mais do que “Hallo! Wie geht es dir?”(Olá! Como estás?) do que elas falavam para mim. 

Quando cheguei à escola onde estive por duas semanas tentei perceber o tipo de trabalho que lá desenvolviam e como os trabalhos estavam organizados, foi aí que rapidamente percebi que estava a entrar num desafio maior do que pensava porque juntamente com a luta por entender o que as crianças me diziam teria de interagir com elas para que com a sua ajuda montássemos um espetáculo de circo que seria apresentado ao público no último dia que nós estivéssemos na escola. 

O nosso trabalho enquanto voluntários passou por todos os dias, de segunda a sexta das 8h45 às 15h30, sermos criativos na criação de atuações para o circo, decoração da escola e envolvimento das crianças nas tarefas e brincadeiras que pudessem de alguma forma surgir, para além de desenvolver atividades para que também elas se divertissem com o que nos tinha sido proposto. A minha tarefa passou também pelas pinturas faciais das cerca de 25 crianças que atuaram no espetáculo final e pela criação do material e preparação das crianças para a atuação de magia.

De alguma forma esta maravilhosa aventura correu melhor do que esperava, porque desde o segundo dia que aquelas crianças incríveis, por muitas dificuldades tivessem na comunicação connosco, não deixaram que estratégias faltassem para que nos entendêssemos mutuamente, desde gestos a falar devagarinho e com diferentes entoações, ou até mesmo a perguntarem as expressões em inglês para que conseguissem de forma autónoma falar connosco. Foi fabuloso ver a forma como progredimos em conjunto, nós voluntários a entende-los quando falavam em alemão e eles a começarem a falar inglês (coisa que quase não acontecia quando chegamos).

Foi uma experiência maravilhosa que me mostrou um pedacinho (por muito pequeno que seja) da realidade alemã e me ensinou que quando queremos muito uma coisa não há obstáculos, por muito grandes que sejam (como é caso da comunicação) que nos impeçam de termos uma conversa profunda com uma criança que está a precisar de apoio e compreensão. Foi difícil partir e vê-los chorar, mas como é natural ficaram para sempre guardados no meu coração, como pequenas pessoinhas que conseguiram mostrar-me um mundo mais fácil e colorido do que eu alguma vez esperei ver!

Uma experiência que vai marcar a minha vida e que não seria igual sem o apoio do Para Onde e dos coordenadores do workcamp (Frank e Stefanie), e muito menos, sem o grupo incrível de voluntários com quem partilhamos experiências, aspetos culturais e viagens durante os nossos tempos livres e as crianças maravilhosas que me mostraram e ensinaram muito mais do que eu lhes posso ter deixado…

Obrigada, Waldshule (Moers)!

A experiência da Sara em Moçambique

Fazer um testemunho de um voluntariado não é tarefa fácil. Nunca ninguém vai conseguir transmitir aquilo que aprendeu, aquilo que viveu… Sempre me disseram para vir sem expectativas, realmente, ainda bem que me disseram isso, porque por mais que esperasse por alguma coisa, nunca ia ser nada semelhante àquilo que eu vivi. Foi das experiências mais únicas que tive na vida, mesmo já tendo morado fora do país e mesmo já tendo feito voluntariado antes. Várias pessoas me perguntam diariamente: valeu a pena? E mais uma vez o “SIM, VALEU” não transmite o quanto valeu verdadeiramente.

Conhecer este país, viver esta realidade muda-nos de uma forma que nem nós conseguimos perceber bem, mas faz-nos um bem danado. Se cada um tivesse uma experiência destas na vida, as pessoas eram bem mais felizes e mais gratas pela vida no geral. Fazer voluntariado em África sempre foi dos meus sonhos mais ambiciosos, porque para mim o importante não é mudar o mundo, é dar um pouco de mim e saber que mudei o mundo de uma pessoa em particular. Mal eu sabia o que me esperava, muito mais do que mudar a vida de alguém em particular foram eles que me mudaram a mim, foram eles que me fizeram bem, foram eles que me fizeram feliz até em dias que a saudade de casa apertava um bocadinho mais.

Muitos me disseram que ia encontrar muita pobreza, muita miséria, mas quando me diziam que as pessoas conseguiam ser felizes, mesmo assim, eu não conseguia perceber. Hoje eu percebo. Aprendi tanto e ganhei tanto neste mês que se, por um lado, passou a correr, por outro, parece que passei meses aqui.

Neste mês, fui fazer aquilo que mais gosto de fazer e que é a minha profissão: fisioterapia. Fazer voluntariado em África, na minha área de trabalho e com crianças? Não podia pedir mais. Em julho, saí de Portugal com o objetivo de melhorar um pouco a funcionalidade e autonomia das crianças da Cooperativa Luana Semeia Sorrisos, responsável por ajudar mães cujos filhos têm deficiência.

Trabalhar com crianças com deficiência é gratificante em qualquer parte do mundo, porque estas crianças dão-nos tanto amor que nem nós conseguimos retribui-lo com tanta intensidade. Mas trabalhar com crianças com deficiência num país onde estas crianças infelizmente ainda são escondidas em casa e, mesmo assim, receber este amor é a maior felicidade que alguma pessoa poderá alguma vez sentir e é a maior lição que podemos tirar disto tudo.

Neste mês aprendi tanto, aprendi com as minhas crianças que amor é amor independentemente das limitações, aprendi com as minhas mães que a força, às vezes, vem de onde menos imaginamos e que temos que lutar pelos nossos meninos, não importa como nem contra quem, aprendi com desconhecidos que a vida nestes países definitivamente não é fácil, mas há tantas coisas boas, mesmo assim, na nossa vida e o segredo é saber olhar bem para elas. Neste mês vim para dar um pouco do que sei, um pouco do meu trabalho e do que poderia oferecer e recebi muito mais do que alguma vez algum paciente meu me poderá pagar e aqui está a resposta a todos os que me perguntaram “a sério, vais trabalhar de graça?”.

A Experiência da Kátia em S. Vicente

Uma semana depois do meu regresso a Portugal falo-vos da minha experiência em São Vicente… Não sei bem como é que isto aconteceu, foi tão rápido!
O mundo do voluntariado não era novo para mim, mas o voluntariado internacional era um sonho que nunca pensei vir a realizar… Uma amiga falou-me do Para Onde? e da experiência que viveu e, sem saber bem como, um dia estava a pesquisar tudo o que havia sobre esta organização…
Da pesquisa ao envio do primeiro e-mail passaram-se minutos! Na resposta que me foi enviada, pouco tempo depois, tive a certeza absoluta do que tinha de fazer!
Porquê São Vicente? Não sei dizer… África sempre me fascinou e, talvez, o meu gosto musical pelas mornas e coladeiras, nomeadamente pela incrível Cesária Évora, tenham influenciado a minha decisão final…

Fui tranquila, sem criar grandes expectativas. Sabia, graças à experiência de voluntariado cá, que iria sempre receber mais do que aquilo que conseguiria dar… Não por não saber dar, mas porque quando fazemos o bem e damos de coração, estamos sujeitos e receber sempre mais! E não me enganei!

Porém, assim que entrei no avião, instalou-se um nervoso miudinho e uma série de questões começaram a surgir… Nunca tinha estado um mês longe de casa, da família e dos amigos. Não sabia o que ia encontrar. Como seriam as outras voluntárias? E se eu não me conseguisse adaptar? E se, e se, e se… Mas hoje, posso dizer que só tenho um arrependimento: Não ter ficado mais tempo!

As pessoas, a cultura, a comida, os cheiros, a paisagem, os sons, tudo era diferente daquilo que alguma vez tinha visto. E, para além de ser diferente, era muito melhor do que tudo aquilo que alguma vez vi!
O lema de Cabo Verde “No Stress” é, sem dúvida, o lema que todos nós deveríamos adoptar nas nossas vidas! E seríamos tão mais felizes se assim fosse, tal como eu fui durante este mês de Julho!

Não consigo encontrar palavras suficientes para descrever a morabeza com que nos receberam o Frei Silvino, a Miriam, a Sueli, as crianças dos centros (Krequinha, Pedra Rolada e R’bera Bote), os voluntários locais e a D. Filó (a melhor cozinheira de Cachupa e de Couscous do mundo e dona de uma coração gigante).

Regressei de mala mais leve mas de coração tão cheio! Grata por todas as memórias e por todos os momentos vividos nesta ilha!

Não poderia nunca terminar este testemunho sem referir as quatro voluntárias que me acompanharam nesta aventura: Inês, Ana, Diana e Joana! Vocês são as maiores! Obrigada 🙏🏼

Sei, com toda a certeza, que irei regressar! SonCent é sab! ❤

A Experiência da Larisa na Áustria

Waldhuttl foi um campo que me ofereceu uma experiência perene e inesquecivelmente enriquecedora. Entrei com uma mente aberta, pronta para recolher e processar todo o conhecimento possível acerca do projeto, de forma a ajudar as pessoas que este campo acolhia. Contudo, as partilhas de experiências de vida e saberes por parte dos voluntários e das pessoas que habitavam naquela casa viabilizou a absorção de mais informações vitais, de culturas gerais, futuramente necessárias. Achei maravilhoso aperceber-me que, a melhor forma de buscar a verdade e saber o que realmente acontece noutros países não é através dos jornais e revistas, mas sim através das pessoas que lá habitam, uma vez que estas são autênticas fontes de conhecimento. 

Confesso que, mergulhei em profundidade neste projeto, arregacei as mangas e trabalhei com um objetivo bem definido, de apoiar as pessoas que necessitavam. A minha ambição crescia e o meu coração aumentava à medida que eu comunicava com elas, que sorriam para mim, que me cumprimentavam e me chamavam pelo meu nome. O meu objetivo tornava-se mais nítido quando observava as crianças a brincarem ao final da tarde e os adultos a voltarem depois de um dia a trabalhar nas ruas a vender jornais ou a tocar para receber uns trocos. Apesar das dificuldades a que os adultos estão sujeitos, disfarçam um sorriso ou um riso perante os olhares lânguidos dos mais pequenos. 

O final de tarde iluminava-se com conversas profundas, risos, abraços, cânticos, olhares atentos e expressões alegres, onde tínhamos as montanhas e o som da natureza como pano de fundo. 

No workcamp entraram pessoas inexperientes, mas com uma grande vontade de trabalhar e de aprender. O trabalho desenvolveu-se rapidamente, sempre acompanhado de uma harmonia, eficácia e boa disposição arrebatadoras. Criámos uma unidade de trabalho inquebrável de tal modo que nem a frustração, cansaço ou frio conseguiam penetrar. Impressionante o que criamos quando temos somente a vontade e um conjunto de ferramentas na mão.

Estas duas semanas possibilitaram um maior desenvolvimento a todos os níveis e, ainda, uma maior flexibilidade para enfrentar os desafios quotidianos. Claro está que só podemos crescer emocionalmente, quando nos deparamos com dificuldades. Os obstáculos surgiram, mas quando facilmente contornáveis, revelavam-se pequenos incómodos, como por exemplo, não termos uma casa de banho ou chuveiro na segunda e última semana. Estes tornaram-se coisas secundárias quando comparadas às coisas básicas que fazem falta a imensas pessoas que nada ou quase nada possuem.

No último dia, as lágrimas surgiram ao despedir-me daquela experiência, daquelas pessoas que nos acolheram e aceitaram a nossa ajuda, dos coordenadores que tanto nos ensinaram e nos fizeram acreditar que somos capazes de tudo e da natureza que esteve sempre presente para nos reconfortar quando as saudades de casa apertavam. Os pequenos gestos contaram e fizeram a diferença neste campo para toda a gente envolvida.

Muito obrigada por me tornarem numa pessoa melhor e mais atenta!


A experiência da Sara na Eslovénia

“Hvala” (Obrigada), era tudo o que sabia quando o iniciei o campo. “Najlepša Hvala Rakičan” (Muito Obrigada Rakičan), foi uma das frases que lhes disse quando terminei o campo. Entre estas duas expressões, existem duas semanas que as separam, nas quais estive a trabalhar com cerca de 111 crianças dos 5 aos 14 anos eslovenas, a somar com cerca de 20 pessoas (4 delas voluntários, provenientes de Espanha e Rússia), num campo de voluntariado na Eslovénia, que tinha por base ensinar inglês.

Podia começar por dizer que a comida que ofereciam no campo era à base de fritos, que o meu estômago não reagiu bem. Que pela primeira vez, do grupo de voluntários, para além de ser a única portuguesa, era a mais velha, a única que já não vivia em casa dos pais e a que trabalha e estuda ao mesmo tempo. No entanto, gostaria também de dizer que isso não impediu absolutamente nada que esta experiência fosse incrível e que a recomendasse vivamente.

Duas semanas passadas, não num campo de voluntariado mas numa mansão, onde até cavalos havia, se respirava ar puro, me deslocava de bicicleta para todo lado, as pessoas eram tão simpáticas que dei por mim a estudar a sua língua durante o campo e a ter aulas diárias de esloveno. Admito que, não sei se foi por sorte ou por azar, mas que no segundo dia de atividades, fui a uma das salas onde estavam a decorrer para saber se precisavam de ajuda e a professora de pintura não sabia quem eu era, mas recebeu-me na sua aula (eu também não sabia que paralelamente às aulas de inglês, este campo também tinha aulas de pintura) e assim que lhe disse que era estrangeira, ficou toda contente porque podia praticar o inglês. E, durante estas duas semanas, ela não pode apenas praticar o inglês, mas como dei comigo, passados mais de 10 anos, a pegar num pincel e em tintas e a ter aulas de pintura. Surpreendentemente, os desenhos ficaram bonitos.

Certo que os meus conhecimentos sobre a língua eslovena eram muito muito limitados, porém, senti-me muito contente por estar ali, com aquelas pessoas e aqueles miúdos, naquela mansão, no “meio do nada”. Já me tinha esquecido do porquê de gostar tanto de arte, não por ver a minha mãe replicar quadros de Miró quando era mais pequena ou porque lhe pedia que me ensinasse, mas porque era um momento em que tinha liberdade para criar algo sem julgamentos ou limitações. Já me tinha esquecido do quão bom era andar de bicicleta sem horário de regresso a casa, da liberdade, da segurança em andar pela rua sozinha à noite. E por fim, que de facto também é bom ter por perto pessoas de sorriso largo; pessoas que não se importam de nos ensinar mais que uma expressão nova na sua língua e de a repetir uma série de vezes; pessoas tão diferentes e tão iguais a nós, que damos por nós a refletir sobre as nossas ações e que graças a isso, nos tornamos melhores.

Porque no fim de contas, é para isto que nos lançamos para o desconhecido, vimos “trabalhar de borla” para fora dos nossos países de origem, para Sermos Melhores. Sempre Melhores. Seres com um senso de Humanidade Maior. 

Rute, Santo Antão 🇨🇻

Sobre Santo Antão… nem sei por onde começar. Tantas pessoas, tantas experiências e tantos sentimentos num mês. Quando decidi entrar nesta aventura do voluntariado não tinha a mais pequena ideia do que me esperava e agora, não tenho dúvidas que escolhi o melhor sítio para o fazer. 

Os dias em Porto Novo começavam pela manhã no centro de Dia do Alto de São Tomé, onde fazíamos várias atividades com os nossos queridos idosos. Estas pessoas, pessoas de Cabo Verde e não só, jogaram, cantaram, dançaram, pintaram, brincaram connosco e mostraram-me que, de facto, a idade é só um número. A energia que todos eles tinham quando nos recebiam com o “Bom dia! Tá boazinha?” e os seus abraços apertadinhos, assim como os beijinhos das despedidas e o “até amanhã, se Deus quiser”, são momentos que nunca me irei esquecer. Estes serão para sempre os meus avós de Sintaton. 

Ao final da tarde encontravamo-nos com os nossos pestinhas no Espaço Jovem. Os miúdos mais queridos e traquinas que fizeram do meu mês em Santo Antão, o mais feliz da minha vida. Com eles fizemos jogos tradicionais, vimos filmes da nossa infância, conversamos, aprendemos a dançar (ou pelo menos tentámos) e recebemos muito carinho. No final, acompanhavam-nos até à porta de casa e faziam de tudo para que ficássemos mais um bocadinho com eles. 

Entre as atividades, conhecemos pessoas, passeámos pela ilha e vivemos o São João em toda a sua essência. Desde os desfiles aos concertos e à dança tradicional Colá SonJon, passando pela chegada do Santo a Porto Novo, foi fantástico poder participar em tudo isto. Definitivamente, Junho foi uma ótima escolha. 

Claro que nada disto seria o mesmo sem o apoio da Matilde e da SYnergia Cabo Verde. A eles um obrigada por toda a energia que dedicam ao projeto e por o partilharem connosco. Obrigada também ao Eduardo, à Sofia, à Tita e à Paula, que me acompanharam nesta aventura e que a tornaram ainda mais gratificante. 

Sinceramente, sei que recebi muito mais do que dei. Não por não saber dar, mas porque eles sabem melhor que eu. A generosidade e a amabilidade são características das pessoas de Santo Antão, e é por esta razão que é tão difícil deixar esta ilha. 

Obrigada Sintaton, Rute 

A Experiência da Adriana na Áustria

As palavras não chegam para contar tudo o que vivi nestas duas semanas. Foi uma experiência muito intensa. Arrebatadora. Muito aventureira. Muito rica em todos os aspetos. Houve mudanças na minha forma de ver as coisas. A dar valor ao principal. A trabalhar arduamente ajudando a comunidade que nos recebia. 

O convívio e as tarefas de ajuda viabilizou-me uma troca recíproca de conhecimento, empatia e a visão da realidade social e dos direitos das minorias sociais. Conhecer a comunidade e os restantes voluntários vai deixar para sempre uma saudade no meu coração com a vontade de os voltar a ver e reproduzir os nossos risos contagiantes e conversas. No final do dia, somos nós que realmente somos ajudados, que evoluímos e crescemos. O voluntariado é a forma mais enriquecedora e incrivelmente linda de aprender. Levo cada momento para sempre no meu coração. Aconselho a todos esta experiência.