Rita, Moçambique 🇲🇿

Todos os dias pensava de que forma esta experiência que iria ali viver ia mudar a minha vida como tanta gente o afirma como tão certo. Por vezes, cheguei até a duvidar que fosse possível acontecer, vamos inundados em expectativas e vivemos sempre o receio de não serem cumpridas. Tudo mudou quando conheci o Simeão, a mãe do Simeão, a Joana, a Emília, a Cleide, a Lucrécia todas as outras mães e tantos outros “culpados”.

Todo o amor que tem para oferecer e toda a alegria contagiante que vivem no meio de tanta dificuldade é profundamente especial. Hoje sou incapaz de não me emocionar a contar todas as histórias que vivi com eles. Parece exagerado mas acreditem que não é, é o sentimento mais verdadeiro que já pude experienciar, capaz de mudar qualquer pessoa.

Tive muitos receios, afinal era apenas uma estudante de fisioterapia que ainda nem a licenciatura tinha terminado e que queria um desafio, queria sair da sua zona de conforto. Ir para África foi sem dúvida a decisão mais certa que alguma vez tomei, mesmo lutando contra todos aqueles chatos e pobres de espírito que criticavam esta escolha. Se essa vontade te persegue  acredita que o resultado vai ser extraordinário.

O desafio de andar de chapa, de provar os melhores amendoins e cajus do mercado ou mesmo perder-me no bairro das Mahotas foram experiências inesquecíveis. Acompanhar a deficiência de uma perspectiva completamente nova, lidando com outras mentalidades, algumas injustiças e tentado combatê-las fez-me crescer e aprender muito.

Trabalhar na cooperativa foram dias muito cansativos mas realmente felizes, todos aqueles sorrisos nos enchiam o coração. Como é que é possível sermos felizes com tão pouco e às vezes passando por tanta dificuldade? Ter a oportunidade de conhecer aquelas histórias, tudo o que aquelas mães sofreram foi duro, mas de alguma forma dava mais sentido à nossa missão, acreditávamos que era possível fazer a diferença.

“Kanimambo” é sem dúvida o sentimento que fica, apenas as pessoas que vivem esta intensa experiência é que conseguem perceber o seu significado. É um obrigado, sem dúvida, porque eu tentei melhorar um bocadinho o mundo mas aquelas crianças mudaram o meu!

Ana, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Olhando para trás e refletindo acerca da minha experiência como voluntaria na Associação Filhos do Céu (AFC), em Arraial D’Ajuda, um cantinho maravilhoso da Bahia, é difícil expressar tudo aquilo que vi e senti. Como é que posso descrever por palavras os sorrisos doces das crianças? Ou os abraços calorosos dos colaboradores que me trataram como se fizesse parte da família? Como descrever o sabor maravilhoso da comida que lá era confecionada com tanto amor? Ou do leite condensado nas tapiocas e nos churros? Como expressar o cansaço que sentíamos acumulado à sexta feira e a alegria de voltar à segunda (sem parar uma hora no fim de semana)? Como explicar que em poucos dias já nos sentíamos em casa a passear na rua da Broadway ou do Mucugê? Ou que andávamos de mototaxi com as compras como verdadeiras locais?

Esta aventura marcou-me definitivamente e não foi devido à falta de eletricidade ou de água, não foi pelos mais diversos bichos que me visitaram no quarto, não foi pela chuva que fazia do percurso que percorria a pé para a organização um riacho lamacento e muito menos pelas dezenas de picadas de insetos que tinha pelo corpo. Esta aventura marcou-me pela (dura) realidade em que estas crianças vivem e por, mesmo assim, serem capazes de amar, perdoar, ajudar o próximo e, sem saberem, ensinar todos aqueles que por lá passam.

Ser voluntária na AFC é ser educadora, árbitra em jogos de futebol e de “queimado”, é cortar legumes, limpar as salas, dar castigos, ralhar e dizer que não. É sujar-se, matar baratas e separar brigas. Ser voluntária na AFC é dar amor, ouvir, aconselhar, abraçar. É dar mimo e colo, é ser paciente, imaginativo, otimista e nunca desistir. É estar presente e atenta. É fazer de tudo para que cada criança se sinta única e especial. Porque efetivamente, cada uma das 150 crianças que por lá passam diariamente o são, à sua maneira.

Diariamente fui presenteada com uma nova história, com uma nova aventura. Todos os dias recebia abraços, beijos e pequenas mensagens que me faziam sentir em casa. Que me mostravam, mesmo sem querer, que era ali o meu lugar. Que não havia nenhum outro sítio onde eu pudesse ou quisesse estar.

Esta experiência tornou-se ainda mais completa a partir do momento em que conheci mais 4 maravilhosos seres humanos que, tal como eu, decidiram embarcar rumo a Arraial. Não podia pedir melhores companheiras nesta viagem. Foram dias e noites onde rimos, conversamos, cozinhamos, dançamos (ou tentámos) e nos aventuramos por quilómetros e quilómetros de praias paradisíacas sem fim. Criamos histórias e memórias para a vida, as quais – por ser melhor não as partilhar neste testemunho – estão guardadas num cantinho muito especial do meu coração.

Hoje, sinto-me grata. Sou uma sortuda por ter vivido esta experiência e me ter cruzado com todas estas pessoas que me marcaram e levam um pouco de mim. Venho embora com já com saudade e com uma imensa vontade de voltar um dia.

Bianca, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

A verdade é que as palavras são tantas e tão poucas para descrever tudo o que vivi e senti durante aquela que posso dizer ser “a melhor experiência da minha vida”.

Dia 31 de julho aterrei em Porto Seguro e, de coração aberto, mergulhei nesta aventura. No litoral do estado da Bahia, encontrava-se Arraial d’Ajuda, a vila que se tornou a minha casa durante o mês de agosto. O mês mais cheio de sempre mas o que mais rápido passou. O mês mais intenso e gratificante que tive mas o que mais desejava que não acabasse.

Todos os dias começavam bem cedo mas nunca sem vontade de sair da cama. Os abraços e beijos das crianças da AFC e o “Bom dia” sorridente de todos recarregavam todas as energias que pensávamos não ter. Era tão bom chegar, sentir todo aquele ambiente animado e ouvir todas aquelas vozes “Bom dia tia”, “Hoje vem para a minha sala?”, “Oiiiii Pro”…

Todos os pequenos gestos e momentos tornaram-se mágicos e ficarão para sempre guardados no meu coração. Toda a cultura e costumes diferentes dos meus (incríveis), todas as palavras e expressões que aprendi (a dizer e a não dizer), todas as músicas que tentei aprender a dançar (mas sem sucesso), todas as histórias que conheci (e que guardarei para sempre) e todos os obstáculos que foram aparecendo (e sendo ultrapassados) tornaram esta aventura muito muito especial.

Ser voluntário junto de todas as crianças da AFC é ser tudo. É ensinar mas também aprender, é dar mimo mas também estar de braços abertos para o receber, é ensinar o simples “Desculpa”, “Por favor” e “Obrigado” mas ser o primeiro a dar o exemplo. É estar junto de todos, ajudar na cozinha, brincar na creche, desenhar e escrever nas salas, jogar e dançar no salão e na quadra. E o coração gigante de todas aquelas crianças, os seus olhares, sorrisos, abraços e beijinhos, pedidos de atenção e de ajuda, desenhos, cócegas e palavras mágicas (“Titia, te amo”, “Não vá embora Pro”) são as memórias mais valiosas que poderia (e que trouxe) desta experiência.

No entanto, nada seria igual se não estivessem do meu lado mais quatro raparigas. Quatro raparigas diferentes mas com o mesmo objetivo. Objetivo esse que nos uniu e que fez com que sentíssemos que nos conhecíamos desde sempre. Foram tantas as emoções, as aventuras, as histórias, as gargalhadas, as limpezas a fundo, os sustos e descobertas de pequenos seres “inesperados”, as cantorias e tentativas de dança, a vontade constante de ir comprar leite condensado, brigadeiro, coxinhas, churros, tapiocas, açaí… Sem dúvida que elas tornaram esta experiência ainda mais única e especial.

É impossível ir e voltar da mesma maneira. Agosto foi o MÊS. O mês que me transformou, me ajudou a ver o mundo com outros olhos, me ensinou a valorizar ainda mais as pequenas coisas, a largar o que não é indispensável, a viver intensamente todos os momentos, a descontrair perante as adversidades, a sorrir perante a vida. Agosto foi o mês que me ensinou a AGRADECER. E agradeço a esta vila por me ter feito crescer, agradeço a todos os profissionais e voluntários da AFC por me terem acolhido e feito sentir em casa em todos os momentos e agradeço a todas as crianças por me terem ensinado tanto e por me terem enchido o coração de amor e vontade de voltar. Agosto foi o mês em que fui eu, em que tentei dar o melhor de mim e em que fui, verdadeiramente, feliz.

E SIM! A vontade de voltar é gigante. Para Arraial e para a AFC é apenas um “Até Já”. 

Diana, Estónia 🇪🇪

Como começar… Nem sei, honestamente… Acho que a primeira coisa foi decidir que queria fazer voluntariado no estrangeiro. Falei com imensas pessoas e fiquei a conhecer a “Para Onde?” através de uma amiga minha. Acho que isso me deu alguma segurança, só o facto de saber que alguém que eu conheço e em quem confio já tinha viajado sob a “tutela” e organização desta associação, tranquilizou-me. Este ano quis começar com algo mais pequeno, por isso, procurei ações de voluntariado de curta duração, procurei algo na Europa, mas que tivesse a ver com crianças e foi assim que encontrei “English in the Camp”, em Tallinn, durante 10 dias. Quando vi essa oportunidade, soube que era esse o programa que gostava de fazer: ensinar inglês a crianças dos 6 aos 10 anos. Posto isto, a parte mais complicada chegou, tive de escrever muitos textos e tive de responder a muitas perguntas, algumas delas até considerei difíceis, porque por vezes é difícil passar para “papel” aquilo que é sentido, mas, paulatinamente, escrevi e preenchi tudo o que era necessário, enviei e fiquei muito ansiosa à espera da resposta. Foi algo muito rápido e ao fim de poucos dias, o Manel mandou-me um mail a dizer que fui aceite. A partir daí foi preciso organizar tudo, incluindo a data da formação que tem de ser feita antes de a aventura começar. Vou ser muito sincera, quando me foi dito que a formação tinha uma duração de quatro horas, o meu primeiro pensamento foi: “Meu Deus, tanto tempo!!! Como assim quatro horas para dizer tão pouco?”. Não podia estar mais enganada. Antes de mais, as quatro horas passaram a voar e além de divertida, a verdade é que, mesmo num campo de curta duração como foi o meu, dei uso a praticamente todos os conselhos que me foram dados! Tudo se revelou, de facto, tal como o Manel e a Joana instruíram, e chegaram mesmo a acontecer situações que eles expuseram durante a formação.

Avançando para o derradeiro momento, a viagem e os 10 fantásticos dias:

Confesso que, mesmo já tendo trabalhado com crianças, estava um pouco assustada, mas tão empolgada. Foi a primeira vez que viajei para tão longe sozinha e no momento em que cheguei ao aeroporto, procurei também por quem me ia buscar. Ao fim de pouco tempo encontrámo-nos e primeiro foi-me complicado perceber o sotaque inglês do querido rapaz Artjom, mas depressa me habituei. Levou-me à escola onde eu e a outra voluntária íamos ficar e pouco tempo depois, ela também chegou. Conversámos as duas um pouco, fizemos planos sobre o que visitar nos tempos livres e preparámos tudo para o dia seguinte. Na manhã seguinte, chegou a Jelena, que nos deu umas boas-vindas calorosas, e conhecemos também a Kärt, outra professora voluntária que ia ajudar no campo. A partir daí, começaram a chegar imensas crianças, todas de uma vez e o barulho, alegria e diversão explodiram na sala! Foi um momento que me marcou, o primeiro dia de chegada de todas as crianças ao campo. Tentei aprender o nome delas rapidamente, o que não foi uma tarefa propriamente fácil, já que o próprio dialeto e fonética é todo ele muito diferente do português, mas a verdade é que acabei por encontrar palavras portuguesas muito parecidas a palavras russas; a palavras estonianas, nem tanto, mas as crianças e as professoras ensinavam-me russo e eu ensinava-lhes português. Tenho de admitir que elas se saíram muito melhor do que eu em pronunciar palavras em português, em comparação com as minhas tentativas de pronunciar frases completas e corretas em russo ou estoniano! O campo funcionava de uma maneira sistemática e simples: de manhã as crianças tinham jogos que fomentavam o espírito de equipa e o inter-relacionamento, sendo que esses jogos eram a nossa principal tarefa (isto é, dos voluntários). Da parte da tarde, íamos sempre visitar algo, fazer jogos, íamos passear a jardins, fazíamos workshops e também preparávamos a peça de teatro que as crianças iam apresentar aos pais, no final do campo.

Nas folgas que tivemos, ao fim-de-semana, e no final de cada tarde, eu e a Nastya (a voluntária muuuuito querida com quem partilhei esta experiência) fomos conhecer a cidade, desde a belíssima parte velha da cidade até uma das maiores cascatas da Estónia – a cascata de Jägala -, sendo que pudemos contar com a ajuda da família da Olga, a responsável pelo campo, para nos levarem a alguns sítios que eram mais distantes ou de mais difícil acesso. Assim, foi possível assimilar toda uma diferente cultura, numa cidade lindíssima, que é de facto, tão diferente de Portugal, desde as ruas, à gastronomia (um pequeno à parte que me marcou: na Estónia não comem alface, e eu que não gosto desse tal legume verde, mas ao fim de 10 dias sem ele, acho que desenvolvi uma certa simpatia por essas folhas verdes), da moda à arquitetura, que é simplesmente lindíssima e do próprio ambiente que criam as pessoas que vivem em Tallinn, à meteorologia, que é louca, mas tão gira de vivenciar – num momento está tanto sol que é preciso procurar uma sombra, como ao fim de 10 minutos está a chover e um vento que obriga até a pôr um cachecol em torno do pescoço.

Saí desta cidade e deste campo com uma nova experiência vivida, com novas amizades, com um novo trabalho desenvolvido junto de crianças fantásticas e que se esforçaram imenso para concretizar uma peça de teatro de um nível de inglês requerido bastante elevado! Senti-me tão orgulhosa delas no final e tão comovida quando se despediram de mim com um abraço apertado. Espero que um dia se lembrem deste campo de verão, não necessariamente de mim, mas de tudo o que vivenciaram, de tudo o que rimos, do quanto se divertiram, o que visitaram, e claro, o que aprenderam. Eu saí com uma nova visão sobre a educação, desenvolvi uma grande aptidão: ter paciência, e sem dúvida que acima de tudo, diverti-me muito!

P.S.: Os meus mais sinceros agradecimentos por todo o apoio tanto do Manel como da Joana, porque foram duas pessoas que estiveram a acompanhar toda a experiência, desde o momento em que me candidatei até regressar à nação. Foram sempre muito atenciosos e estiveram sempre atentos ao que eu precisava, e se estava sempre tudo bem, incluindo os momentos de levantar voo e aterrar em solo estrangeiro!

Susana, Ilha do Maio 🇨🇻

Chegada a Portugal mas com o coração e o pensamento, ainda, no Maio. Foi ir sem expectativa e sem história e regressar com um sorriso rasgado e a alma preenchida.

Fui, de facto, muito feliz no Maio. A minha missão era ambiental através da proteção das tartarugas, mas naquela ilha de terra castanha e água turquesa eu encontrei uma felicidade indiscritível. Encontrei amor, carinho, histórias para contar, amigos para a vida.

No Maio aprendi a valorizar as pequenas coisas e os grandes gestos. Aprendi a beleza da natureza e a amizade do ser humano. Aprendi que, no final das contas, a infraestrutura onde dormes ou comes não importa.

Deixam de importar os banhos de copo, as portas fechadas por pedras ou os buracos no teto. Começas a valorizar o amor, a compreensão e o apoio que sentes dentro daquela que passa a ser a tua segunda casa.

Deixa de importar se dormes na areia ou se te assustas com o barulho das ondas, porque acima de ti está o céu estrelado mais bonito que alguma vez pudeste ver, e ao teu lado desova um animal extraordinariamente maravilhoso que te ensina a apreciar um processo calmo e instintivamente programado.

O Maio é um lugar mágico. É cor, paz e alegria. É liberdade. É sonho. É gente de falas fáceis. É gente de gestos bonitos.

No Maio deixei um pouco de mim, e trouxe comigo muito de lá. Obrigada, Maio, por me teres dado a oportunidade de te conhecer. Prometo que volto em breve. 💙

Isabel e Inês, Espanha 🇪🇸

Hola, que tal? Bem, vamos contar-vos a nossa experiência em Tarragona, Espanha. Antes de mais, o nosso nome é Inês e Isabel.

Tudo começou porque eu, Isabel, chateei a Inês para fazer voluntariado internacional. Esta ideia adveio de uma amiga que fez voluntariado através da Para Onde?. Felizmente ela adorou a ideia e lá fomos nós conhecer o desconhecido. O nosso campo de voluntariado consistiu num festival “La iMAGInada”, onde ajudámos na organização do mesmo. Vamos ser sinceras, inicialmente, não querendo desfazer o propósito do campo de voluntariado, estávamos um pouco reticentes, não se tratava de ajuda humanitária. Mas, decidimos viver esta aventura, sendo que foi o nosso primeiro campo de voluntariado.

Tudo mudou a partir do momento em que conhecemos os restantes voluntários internacionais, a organização e a forma como aquelas pessoas viviam para aquele festival. Um festival completamente diferente do que estávamos habituadas, onde a cultura dança com a diversidade e o convívio entre as pessoas. Um local seguro para famílias, amigos e desconhecidos, com espaço para adultos, crianças e idosos, onde toda a gente desinibia-se de qualquer preconceito.

No início foi difícil a adaptação ao ambiente desconhecido longe de casa, que desapareceu a partir do momento em que todos nos começámos a conhecer melhor. A experiência de convivermos com pessoas desconhecidas com hábitos e culturas completamente diferentes não foi, de todo, um obstáculo, tínhamos um grupo muito acolhedor, divertido e todos nos demos muito bem.

A organização do festival foi espetacular connosco, pessoas humildes que estavam sempre preocupadas com o nosso bem estar. O calor era muito, o trabalho também, mas tudo recompensou a partir do momento em que vimos tudo pronto para o festival. Foi um enorme orgulho ver as pessoas a elogiar o nosso trabalho como equipa! Nos dias do festival ajudámos no bar, na cantina, com as crianças, e a montar e desmontar os fóruns onde existiam workshops durante o dia.

Os Camp Leaders foram bastante prestáveis connosco, tudo o que decidiam pediam-nos a opinião e estavam sempre prontos a ajudar caso nós precisássemos de alguma coisa.

Por outro lado também foi espetacular o facto de termos tido tempo livre para ir à praia, passear pelas ruas lindíssimas de Tarragona e termos tido direito a uma visita pelos pontos turísticos da cidade.

Resumindo, valeu muito a pena! Temos a certeza que nunca nos iremos esquecer de cada um deles e da primeira grande experiência de voluntariado das nossas vidas.

Andreia, Caraíva 🇧🇷

Os pés acabaram de pisar Portugal, as emoções um turbilhão, mas o coração ainda sobrevoa Caraíva. No dia 30 de Julho embarquei naquela que seria a melhor experiência da minha vida. Neste dia não sabia o que esperar, tudo era novidade, mas quando vi aquele pequeno paraíso, percebi que tinha tudo para dar certo.

Os dias começavam com a paisagem mais bonita do mundo. Tudo virou rotina… o café da manhã cheio de cor, alegria e vida; a caminhada até à ONG e toda a receção por parte daquelas crianças incríveis. Abraços apertados e genuínos, sorrisos, “Eu gosto de você”, “Não vá embora”, “Vem para a minha aula” e assim foram passados os dias mais incríveis.

As pessoas, a cultura, as tradições…era tudo tão mágico.

Nunca fui tão eu e nunca me senti tão livre, nunca andei tanto tempo de pé descalço e nunca comi tanta fruta e tapioca. Agradeço cada momento, cada mergulho no rio e no mar, cada pôr-do-sol e cada céu mais estrelado. Agradeço às 43 horas sem eletricidade, aos indetermináveis dias de chuva, à falta de gás e água fria, a cada animal mais estranho que encontrávamos no quarto, cada susto que apanhei e a tudo o que não me fez falta. Nem todos os dias foram fáceis, mas claro que a experiência não seria a mesma se tudo fosse perfeito.

Caraíva é isto… é não sabermos o que esperar, é viver da forma mais genuína e simples, é não ter regra, é confiar no que há para vir, mas uma coisa é certa, existirá sempre um “Bom dia”, um sorriso rasgado, um abraço apertado e a energia contagiante que nos faz sentir em casa.

É impossível sair deste lugar sem uma visão diferente da vida. Não da deles, mas da nossa. Estas crianças ensinam-nos mais do que alguém pode imaginar, que é bem verdade a frase que a “felicidade está nas pequenas coisas”. Basta música, dança, lápis, uma bola, árvores e biri-biri para os seus olhos brilharem. Os pulos de alegria quando a energia volta e quando não havia, tudo continuava e o improviso reina. Ensinam-nos a ser gratos, a confiar e agradecer por tudo o que temos e somos.

Ser voluntário é ser um pouco de tudo, fomos mães e titias, ouvimos e contamos histórias, brincamos, damos abraços, arrancamos sorrisos, limpamos lágrimas, curamos feridas, damos colo e carinho, ensinamos a respeitar , a pedir desculpa e a dar a mão.

“Tudo fica melhor quando estamos com as pessoas certas” é das frases que mais me marcou. “Era uma vez” 4 raparigas, 4 personalidades distintas, 4 pontos do país e 1 sonho em comum. Com a luz destas miúdas tudo ficou mais bonito e mágico. Desde as grandes risadas, sotaques, expressões estranhas, cantorias, cumplicidade, tatuagens, apoio e muitas histórias para recordar. Uma coisa é certa, hoje somos grandes amigas e agradeço por terem tornado esta experiência ainda mais especial.

Agora de lágrimas no rosto e coração apertado levo grandes memórias desta pequena vila, das mil aventuras, de todas as pessoas que me cruzei nas ruas de areia, dos desenhos que recebi e das crianças que se tornaram uma segunda família.

Um gigante obrigado a este fim maravilhoso, que me permitirá ter um começo ainda mais bonito. Obrigada Caraíva, fui a pessoa mais feliz deste mundo e até um dia, pois sei que a porta estará sempre aberta. Parte do que parte fica…

Rita, Itália 🇮🇹

O meu interesse pelo voluntariado foi despertado por uma professora, e desde então sempre foi um dos meus objetivos poder fazer uma ação de voluntariado. Apesar de me imaginar num programa com crianças, quando comecei a pesquisar um pouco mais no site da ‘Para Onde?’, apercebi-me da variedade de programas que existiam aqui na Europa, e decidi tentar!

O escolhido foi Itália, na Casa Chiaravalle, em Milão; o foco deste campo é o de ajudar na integração de migrantes provenientes de diversos pontos do Mundo. A cooperativa advoga por um ambiente mais sustentável, tendo espaços dedicados à agricultura; o nosso projeto era maioritariamente de carpintaria e jardinagem, onde construímos uma mini “casa” de galinhas, e ajudámos em trabalhos de limpeza do espaço.

Apesar de não ser um campo que muita gente imagina (incluindo-me nessa categoria), adorei a experiência, e pretendo repetir. Uma experiência que me permitiu conhecer pessoas de culturas, personalidades e feitios diferentes, possibilitou testar os meus limites e capacidades.

Termino esta experiência com um olhar mais positivo do Mundo, das minhas capacidades, e que irá influenciar certamente a forma como conduzirei futuros projetos ou empregos. Agradeço desde já à equipa do Para Onde, mas também aos coordenadores em Itália, e a todos os novos amigos que tive o prazer de conhecer. Obrigada!

André, Suíça 🇨🇭

Como primeira experiência de voluntariado internacional decidi participar num workcamp em Ticino na Suíça. Este campo suscitou um grande interesse em mim, por ser numa zona montanhosa, remota, e envolver trabalho ao ar livre.

O facto de ser um projeto que envolve a participação de voluntários de diversos pontos do mundo, levou a que a experiência também fosse bastante enriquecedora tanto na troca de aspectos culturais de cada voluntário, como na partilha de vivências e conhecimentos entre todos.

As atividades neste campo foram diversas e com elas sentimos mesmo que estamos a ajudar a comunidade local e a estabelecer novas competências num ambiente diferente. A quinta tem condições que hoje em dia consideramos bastante “básicas”, isto é, a eletricidade é escassa, não há rede móvel, a água chegou a faltar enquanto lá estivemos e tomar um duche é apenas possível com água a uma amena temperatura de 10ºC!  

Éramos no total 15 voluntários de 8 nacionalidades diferentes. No campo havia também alguns membros que passavam férias e ajudavam no trabalho, sendo também voluntários. As tarefas realizadas na quinta iam desde a obtenção de alimento para o gado (palha) à criação de muros de sustentação com rochas nas encostas que circundam a quinta. Estes muros iriam suportar tanques de 1300 litros, nos quais seria armazenada água. Estes tanques foram transportados pelos voluntários em terreno bastante inclinado, o que dificultou a tarefa. Felizmente terminámos a tempo e conseguimos colocar os 5 tanques no sítio pretendido.

Os voluntários foram divididos em 3 grupos de 5 elementos, que iam de forma rotativa ajudando a cozinheira, Béa, na preparação das refeições e na lavagem da loiça. Esta divisão permitiu que toda a gente trabalhasse nas diversas tarefas e também aumentou a eficiência. Achei bastante positiva a colocação dos voluntários que já se conheciam em grupos diferentes!

O trabalho era exigente, mas divertido, dado que o ambiente era sempre de brincadeira. A motivação dos voluntários era visível e ficou bem patente o avanço no curto espaço de tempo que lá estivemos. Chegámos mesmo a exceder as expectativas do presidente do Alpe Loasa no que toca ao trabalho feito.

Após o almoço, tinhamos um período de descanso em que os voluntários podiam optar por repousar, jogar jogos de tabuleiro ou cartas. Estas oportunidades foram excelentes para conviver. Também fizemos algumas caminhadas em redor da quinta, e chegámos a ir até ao Monte Bisbino onde comemos um gelado no restaurante aí presente. Outros voluntários optaram por ir até ao rio onde puderam nadar e apreciar a natureza.

No geral, gostei bastante de ter participado nesta iniciativa, e irei considerar participar novamente!

Laura e Catarina, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

A nossa viagem teve como destino São Tomé. A nossa viagem não foi um mar de rosas. São Tomé não é um paraíso e viver nesta cidade é ultrapassar todos os dias o que achamos ser um limite, é ter estômago e sangue frio, é fazer a diferença mais vezes do fechar os olhos, é crescer e é viver na realidade que muitos desconhecem. As paisagens ditas paradisíacas não ultrapassam o resto. Na cidade há lixo, há sujidade entranhada no ar, há pessoas e animais maltratados, há preconceito, interesse e uma normalidade, no meio de tudo, estranha para quem vem de um país onde nada disto acontece. Há quem lhe chame cultura, nós chamamos-lhe uma paragem no tempo.

O que nos levou até lá foram 10 crianças internas e 3 externas (perdendo a conta aos que todos os dias iam aparecendo) e foquemo-nos nisso. Estas crianças foram a nossa casa durante 1 mês e, olhando agora para trás e metendo a cabeça no lugar, um bocadinho do nosso refúgio do dia-a-dia. Estas crianças ensinaram-nos mais do que alguém pode imaginar e pode parecer um cliché, uma frase dita por quase toda a gente que faz voluntariado mas a verdade é que ensinaram-nos que a verdadeira felicidade está nas coisas mais pequenas e simples. Que basta haver música e dança para arrancar sorrisos, que os olhos brilham quando se ouve falar em chocapic e que um copo de leite de manhã (quando há) aquece a alma. Que os pulos de alegria genuínos acontecem quando a energia volta e quando não há a vida continua, as rotinas mantém-se e o improviso acontece. Ensinaram-nos a agradecer, todos os dias pela sorte que temos e não sabemos.

Ser voluntário não passa só por fazer atividades que ocupem e proporcionem aprendizagens e visões do mundo diferentes. Essa parte é fulcral mas ser voluntário é ser um bocadinho de tudo, ouvimos e contámos histórias, demos abraços, arrancámos sorrisos e limpámos lágrimas, demos colo, amor e carinho, curámos feridas, fizemos bolachas e pizzas, ensinámos a respeitar, a falar em vez de gritar e bater, tivemos conversas informais sobre tudo e mais alguma coisa, protegemos o ambiente, deitámo-nos a ver estrelas, aprendemos a lavar a roupa à mão.

Hoje ficam as saudades de acordar com o barulho da vassoura e do machado a cortar lenha, o bater à porta de 5 em 5 minutos, os beijinhos cheios de baba e os abraços que quase nos esmagavam. Hoje tudo o que trazemos são as lembranças e o coração apertado de saudades. Deixámos um bocadinho de nós e trouxemos um bocadinho de todos. Obrigado São Tomé por nos teres dado estes miúdos incríveis ♥