A experiência da Mara na Indonésia

Regressar a casa é voltar pouco a pouco a esta nossa realidade tão privilegiada e contar a toda a família, a todos os amigos sobre esta experiência fantástica e assim tentar perceber o impacto que estas crianças, que todas as pessoas que conheci pelo caminho tiveram em mim.

Foi a primeira vez que fiz uma viajem tão grande, que fiquei tanto tempo longe da família e amigos, mas nunca me senti sozinha. Fomos acolhidos por esta família de voluntários locais incríveis, que nos contam as suas histórias de vida impressionantes com um sorriso no rosto, por aquela ilha quente, bela e cheia de contraste. E depois fomos recebidos pelo mais caloroso dos abraços das crianças do mercado: “Anak Pasar”. Deambulam pelo mercado no tempo depois da escola (aquelas que vão à escola) enquanto os pais trabalham o dia inteiro, ali no meio do peixe, da fruta, do lixo…. Conhecem o mercado como a palma da mão, para alguns é tudo o que conhecem no mundo. Por isso nos receberam com tanto carinho, com tanto encanto no olhar, representamos o desconhecido, o que habita no imaginário. Tocam-nos no cabelo e na pele, existe fascinação no mais pequeno gesto, mostram o sorriso largo ao mínimo que dizemos, cantamos e dançamos músicas que nunca ouviram, pedem a minha máquina e tiram as fotos mais incríveis sem se aperceberem, porque têm o olhar mais puro do mundo! Não falamos a mesma língua, mas isso nunca foi uma barreira intransponível: os laços que criamos durante estas duas semanas foram suficientes para nos entendermos, os gestos, o carinho e os sorrisos foram sempre suficientes.

Nunca tive a ilusão de pensar que iria mudar a vida daquelas crianças, não depende de mim do pouco tempo lhes que dediquei, mas no dia que me despedi delas ali soube que lhes deixei muito amor, e que definitivamente trouxe muito comigo. Nunca vou esquecer cada olhar, cada risada contagiante, vou levá-los sempre comigo!

É para repetir??” perguntam os meus amigos depois de ouvirem o meu testemunho emocionado, e eu digo que sim, que isto de conhecer outras formas de vida é viciante e que toda a gente devia viver um choque cultural assim uma vez na vida, que trouxe o mais puro dos carinhos, que fiz amizades sinceras, que tudo o que sinto agora é saudade… e se deixou saudade foi porque valeu a pena!

A experiência da Mariana na Sérvia

Porquê a Sérvia? Foi a pergunta que mais me fizeram dias antes de partir, e eu lá explicava que não era pelo país em si, mas sim pela experiência que o projeto me iria proporcionar. Beehive of Friendship conquistou-me desde o primeiro momento que li as guidelines do projeto.

Quando cheguei a Belgrado sentia um misto de emoções, por um lado estava insegura, era só eu e a minha mochila num país novo com uma língua completamente diferente, por outro estava mais feliz que nunca.
Ainda em Belgrado conheci as voluntárias que iam estar comigo no campo, e juntas partimos para Begečka Jama. Acabadas de chegar conhecemos os voluntários Sérvios que nos iam acompanhar, deram-nos as boas vindas e deixaram-nos super à vontade. Percebi logo que o que tinha lido sobre os Sérvios serem muito hospitaleiros era totalmente verdade.

A primeira semana foi passada a montar tendas, uma cozinha exterior, trampolins e a deixar tudo pronto para a chegada das crianças. A pouco e pouco a Mariana envergonhada começou a desaparecer, o Inglês começou a soar a Português e comecei a sentir-me em casa. Entre gargalhadas, idas à água e conversas infinitas, o trabalho de montagem passou a correr e num piscar de olhos as crianças já tinham chegado.

Com a chegada das crianças, a minha felicidade foi amplificada, eram 70 sorrisos da Sérvia, da Macedónia e do Kosovo a correr pelo parque. Apesar da grande maioria não falar inglês, não foi preciso muito para encontrarmos novas formas de comunicar. Com elas aprendi o poder do sorriso, do abraço e do olhar e as mensagens que estes pequenos gestos podem transmitir. Durante a semana acordávamos às 7h, passávamos o dia com as crianças, entre aulas de natação, voleibol, basquetebol, refeições e vários workshops, de fotografia, cinema e culinária. O dia terminava com a Candle Night, onde eram partilhados os melhores momentos e se tocava guitarra. Dentes lavados e laku noć desejada, era hora do convívio dos voluntários. Todos à mesa, conversávamos noite dentro como se fossemos amigos de infância, se me sentia em casa? SIM!

 

A semana passou e o dia das crianças voltarem para casa chegou, com muitas lágrimas à mistura. Mais uma vez sentia um misto de emoções. Estava triste com a partida, mas muito feliz, com um sentimento de dever cumprido e muita vontade de voltar no próximo Verão.

Os últimos dias foram passados a desmontar o campo, a conviver e a pouco e pouco os voluntários iam regressando a casa. Como acabámos mais cedo que o previsto ainda ficámos uma noite em Novi Sad, fomos sair e foi aí que percebi que a Sérvia não era mais um simples país da Europa, mas sim um país que agora guarda uma parte de mim e do qual eu guardo também uma parte, um país onde tenho amigos que vou guardar para a vida.

A ti que estás a ler isto, vai. Não tenhas medo. Não interessa onde ou quando, apenas vai. Vai ser uma das melhores experiências da tua vida, confia.

A experiência das Ritas em Tarragona, Espanha

Olá a todos! Nós somos as Ritas. Acabámos de regressar de Tarragona onde fizemos o nosso campo de voluntariado a ajudar num festival sobre a liberdade de expressão chamado “La iMAGInada”.

Passámos 12 dias incríveis que na realidade achamos um pouco impossível conseguir transpor para palavras tudo aquilo que sentimos e a saudade que Tarragona, as pessoas e estes dias vão deixar para sempre no nosso coração.

 

Ficámos alojados numa escola local, a cerca de 2 minutos da praia, onde dormíamos e cozinhávamos todos juntos. Fomos atacadas incansavelmente por mosquitos e outros insectos, mas até isso se tornou numa brincadeira, a contar quem é que tinha mais picadas. O nosso trabalho antes do festival consistiu em montar os cenários e ajudar na decoração. Durante o festival estávamos divididos por grupos com 4 tarefas diferentes, “Barra grande” (bar grande), “Barra petita” (bar pequeno), catering ou “Petita iMAGInada” (actividades com crianças), e íamos alternando. No final e com uma lágrima no canto do olho, tivemos de desmontar tudo e deixar o local como antes. Mas estes 12 dias foram muito mais do que tudo isto, foram muitas gargalhadas, roupas pintadas com spray, idas à praia, sorrisos das crianças e dos adultos a divertirem-se no festival, deixarmo-nos envolver pela energia que se sente no Camp de Mart que tanto nos faz vibrar como nos transmite uma calma indescritível, comer pizza e beber cerveja sentados em escada na “calle” no centro de Tarragona, provar todos os sabores dos gelados existentes na melhor gelataria, assistir às festas de Sant Magi, vibrar com os Castelleres a serem construídos a 5 metros de distância, visitar os vários monumentos romanos da cidade, fazer novos amigos, partilhar experiências, criar muitas e boas novas memórias.

O nosso grupo de voluntários internacionais foi como uma família, apesar de termos mais afinidades com uma ou outra pessoa, como é normal, trabalhamos sempre todos juntos para o mesmo objectivo comum. É espantoso como, apesar da variedade de nacionalidades, línguas, culturas e idades, ali, naquele momento tudo se esbate e todas as nossas forças confluem na mesma direcção, deixando para trás preconceitos e diferenças. Toda a organização do festival é composta por voluntários cheios de garra e ideias fantásticas. Talvez por sermos portuguesas, tivemos uma grande afinidade com o pessoal da organização, o que nos permitiu conhecer ainda melhor a cultura catalã.

O mais difícil de tudo foi mesmo apanharmos o autocarro de volta para o aeroporto, acho que hesitamos umas poucas vezes! Porém, há uma certeza que as duas temos: em breve voltaremos a Tarragona, para o ano, se tudo nos permitir, lá estaremos para o festival e queremos repetir a experiência como voluntárias internacionais noutro sítio! E se alguém estiver a ler isto de forma a se convencer a ir, não pensem duas vezes. A parte mais fácil é essa, voltar será sempre a mais difícil!

As duas fizemos Erasmus e temos a sensação que esta experiência foi uma espécie de Erasmus em formato pequeno. Muito mais curto, mas também MUITO mais intenso! Foi a melhor loucura que fiz nos últimos tempos e bem-dita a hora em que enviamos a nossa carta de motivação!!! E por falar em dias intensos, pedimos emprestada uma frase do nosso grande Pessoa que explica mais ou menos o sentimento dos dias passados na “La iMAGINada”:
“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

 

A experiência da Isabel, Susana e João na Hungria

E assim chegou ao fim a nossa participação no projeto do SCI: “Teaching and Renovation with Children”, que decorreu entre 6 e 18 de Agosto de 2017, na Aldeia de Crianças SOS de Kecskemét, na Hungria.

As Aldeias de Crianças SOS dedicam-se a apoiar crianças órfãs, abandonadas, ou cujas famílias não lhes podem dar os devidos cuidados. Cumprindo a visão de que cada criança deve pertencer a uma família e crescer com amor, respeito e segurança, estas Aldeias promovem o bem-estar das crianças acolhidas, a aprendizagem de valores e a partilha de responsabilidades, elementos essenciais na construção dos seus futuros, proporcionando-lhes a oportunidade de crescerem no seio de uma família.
A Aldeia onde estivemos não é exceção e nós sentimos mesmo que contribuímos para o cumprimento desses objetivos, durante a nossa estadia lá. O principal objetivo do projeto foi demonstrar às crianças e aos jovens com quem partilhámos o dia-a-dia a importância do trabalho individual e em equipa e o real valor do trabalho realizado, nomeadamente na limpeza e cuidados dos jardins e espaços exteriores da Aldeia, assim como de alguns edifícios, como a biblioteca ou o espaço comunitário comum. Para além disso, tivemos oportunidade de planear, dinamizar e participar em várias atividades de tempos livres com as crianças e os jovens, dentro e fora do espaço da Aldeia.
Aqui ficam os nossos testemunhos individuais:
“É difícil exprimir por palavras as emoções, experiências e aprendizagens daquelas semanas. Quando fui não sabia bem para o que ia nem o que esperar, mas voltei de coração cheio. Fomos muito bem recebidos por toda a gente na Aldeia e senti que estava num ambiente de entreajuda, partilha e cumplicidade. Cada dia era um desafio mas nunca estávamos sozinhos e tínhamos o exemplo de pessoas incríveis que trabalham diariamente para dar estabilidade e a melhor infância possível àquelas crianças. O grupo de voluntários era fantástico e foi muito interessante conhecer pessoas de diferentes continentes e as suas culturas. Todos tivemos oportunidade de participar, dar sugestões e dinamizar as atividades e correu sempre muito bem. Com as crianças e jovens foi também muito fácil criar laços, ainda que não falássemos a mesma língua. Fizeram de nós família e deram-nos tudo o que tinham. Senti-me sempre em casa, com muito amor à minha volta e com vontade de dar o melhor de mim. O difícil foi ter de vir embora… Se estiveres a pensar fazer voluntariado, não penses demasiado e arrisca! Vai valer muito a pena!”

Isabel Felício

 

“Após completar 18 anos, percebi que tinha gosto em fazer voluntariado, fora do país, alargando os meus horizontes. Ingressei no campo de voluntariado das SOSchildren’s Villages em Kecskemét, Hungria. No meio de voluntários de todas as partes do mundo e entre crianças que nos receberam de braços abertos, os dias preenchidos passaram rapidamente. O programa chegou ao fim. Ficaram para trás momentos de cultura, diversão, e tristeza na partida. Quando cheguei a Portugal realizei que parte de mim ficou na Hungria e que isso é ser voluntário. É entregar-me por inteiro às crianças e voluntários que estiveram comigo durante as duas semanas. Já tinha tido experiências divertidas, com programas incríveis. Mas esta foi diferente. Para além da diversão momentânea, das gargalhadas e brincadeiras, há um trabalho que foi feito e não terminou nas duas semanas em que lá estivemos. É fantástico perceber o impacto obtido. Mas por outro lado, fazer voluntariado não é apenas dar. Isso é uma ilusão. Eu, em duas semanas recebi tanto ou mais do que tinha para oferecer. Tanto dos outros voluntários como das crianças, que numa atitude altruísta se entregaram igualmente a nós. Num balanço final, fica o sentimento de missão cumprida e desenvolvimento interpessoal. Fica a vontade de voltar, de apoiar e ser apoiado.”

João Verdelho

 

“Esta experiência foi tudo e ainda mais do que eu estava à espera. O grupo de voluntários/as era incrível, todos/as deram o seu melhor e correu tudo muito bem. Os momentos de trabalho e partilha foram enriquecedores e fiquei fascinada por ter conhecido e ter tido oportunidade de trabalhar com pessoas tão jovens, já com experiências de vida tão ricas e com tanto para oferecer. Na Aldeia toda a gente nos recebeu de braços abertos. As pessoas que lá trabalham são super dedicadas às crianças e senti que a dedicação delas se estendeu também a nós, por isso me senti sempre muito querida e integrada. Querida, senti-me também pelas crianças. Deixei lá tudo… mas trouxe imenso… Tanto que não cabe no meu coração, nem consigo traduzir adequadamente em palavras. Estou mesmo muito feliz por ter tomado esta decisão! Obrigada!”

Susana Casimiro

A experiência da Filipa na Polónia

Que oportunidade esta que vocês me deram…! Confesso que pensava que me fosse custar mais habituar a isto. Em poucas horas, senti-me em casa. E em família, como dizemos entre nós, voluntários. Esta foi a casa que escolhi durante estas semanas e, mesmo que esta não tenha sido a família escolhida por mim, não me podia ter calhado sorte maior. Não temos boa internet (nem nos 5 minutos em que a consigo apanhar por dia), não temos um bom colchão (não temos colchão, sequer), não podemos falar a nossa língua. Aqueles poucos minutos diários online servem para dizer aos meus que está tudo bem e que estou a adorar cada segundo; e, mesmo que o sítio em que durmamos não seja nada confortável, nem isso supera o sorriso com que tenho adormecido e acordado. E nem a falta de café que sinto (não sabem, mas por dia, tomava mais que uma mão cheia deles) supera a falta que disto vou sentir. Somos 7 voluntários; vim para a Polónia mas, para além dela, também levo comigo um bocadinho de Espanha, Itália, Rússia… “Porquê a Polónia?” Foi a pergunta que mais ouvi nos dias antes de chegar. Porque não?

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 Um sorriso é preciso a qualquer altura, em qualquer lugar e a qualquer pessoa. E as 40 pessoas, incluindo cada criança, que conheci sorriram desde o início. Ainda nem daqui saí e já quero muito voltar… eu pensava que sabia (mas no fundo nem sabia para o que vinha) o quão bom poderia vir a ser esta experiência. Não há melhor forma de viajar, conhecer o país, as pessoas, cultura, comida, ou mesmo a nós próprios. Não há forma melhor de ajudar e aprender (já aprendi tanto…). As crianças são incríveis, e é incrível também a forma como elas nos ensinam mais do que a maior parte dos adultos. As equipas de voluntários e da organização colocaram-me à vontade desde o início e, desde o início percebi que havia coisas que não iam ser nada fáceis. Nem todas as crianças falam inglês; aliás, poucas falam. Mas, nem essa barreira me afastou deles. Há gestos que falam e sorrisos também. Aprendi que o melhor presente que podemos dar a alguém é o nosso tempo; o segundo é o nosso sorriso. E se os juntarmos, fazemos uma musica perfeita. Vim para longe, com o meu tempo num bolso e o sorriso no outro.

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Convosco, aprendi a não adiar os meus sonhos.

(Espero que esta não tenha sido das últimas vezes que falamos. Sei que não. Obrigada por tudo, por acompanharem e sobretudo por quererem acompanhar cada passo de quem, como eu, se aventura desta maneira. Todos deviam fazê-lo pelo menos uma vez na vida.).

A experiência da Joana na Indonésia

No projecto Street Literacy, na Indonésia, fomos catapultados para uma realidade paralela: crianças brincam na rua, entregues umas às outras, enquanto os pais tentam ganhar sustento a trabalhar no mercado. Algumas não têm possibilidades de ir à escola.

Foi para elas que o projecto nasceu, para as incentivarmos a investirem nos estudos e a terem sonhos para o futuro. No fim, também a comunidade e as crianças que iam à escola acabaram por se envolver no projecto e aprendemos mais todos juntos. Os voluntários locais, com quem vivemos na ilha, são eles mesmos defensores da liberdade e activistas. Não poderíamos ter tido mais sorte com todas as pessoas com quem nos cruzámos durante estas duas semanas.

O facto de Ternate ser uma ilha pequena, longe de pontos turísticos, ajudou a que nos sentíssemos acolhidos e permitiu-nos focar a 100%. As paisagens lindíssimas também ajudaram. Para quem estiver a pensar fazer parte deste projecto no futuro, recomendo que descartem todas as expectativas e estejam prontos para se adaptarem ao que surgir, que pode ser maravilhoso.





A experiência do João na Alemanha

As palavras são escassas, mas as lembranças são infinitas, durante duas semanas, para ser exato, quinze dias, aquelas pessoas que, numa fase inicial, eram simplesmente desconhecidos tornaram se numa espécie de família, comíamos, trabalhávamos, conversávamos, dormíamos… Nos primeiros dias sou sincero, senti o desconforto de habitar e conviver com pessoas de diferentes culturas, foi algo que me deixou um pouco de “pé atrás”, mas com o passar dos dias e com melhor conhecimento das personagens ao meu redor foi se tornando algo natural e espontâneo.

Lembro-me do à vontade ser tão grande que por momentos parecia que éramos todos amigos de infância e que falávamos na mesma língua, que, para ser honesto, foi dos aspetos que eu mais temia, sabia perfeitamente que o meu inglês era algo muito macarrónico e por vezes até de difícil compreensão, mas o importante é o espírito aberto de abraçar aquilo tudo e a necessidade de ajudar os outros, afinal de tudo és um voluntário lá, e orgulha-te disso! Com isso, todos nós fazíamos o esforço de compreender e ajudar até na comunicação e foi isso que me fez abrir e ser eu mesmo durante aquele período.

Mas perguntam vocês agora, como é a historia lá do trabalho no campo?

Aos meus olhos o trabalho era tão dissolvido nas risadas e conversas entre nós que é difícil para mim apontar momentos de grande esforço ou cansaço, por outro lado, posso falar do trabalho final, que isso sim fica connosco e é algo de orgulho pessoal e coletivo. Deixar para trás a nossa marca de trabalho é algo único e satisfatório na vida de um voluntário, já que é essa a nossa maior responsabilidade, ver os sorrisos, os agradecimentos e o bem-estar nas vidas das pessoas que estamos a ajudar, no final são esses mesmos sentimentos que te vão encher o coração.

Só quando estamos no desconforto é que aprendemos a lidar com os nossos problemas de forma individual e pessoal. Esses mesmo são o coabitar com pessoas desconhecidas, as saudades da famílias e amigos, os diferentes sabores das refeições, as acomodações, a higiene pessoal e coletiva e, sem duvida, a falta de tudo de bom do nosso amado lar. Isto tudo pode assustar uma pessoa à primeira vista, ainda mais uma pessoa como eu, que conta com a ajuda da mãe para tudo, mesmo tudo!

Mas pela primeira vez na minha vida não pensei em nada, que acrescento já é algo raro da minha parte, apenas disse para mim mesmo, aqui vou eu! E a prova disso é que em 4 dias ficou tudo tratado e aproveito, mais uma vez, para agradecer à organização pela forma fácil e rápida que trataram do meu processo.

Enfrentar os medos é algo que mais cedo ou mais tarde vamos ter de fazer.

Mas vocês voltam a perguntar, com toda razão, mais uma vez:

Isso é tudo muito bonito, mas voltavas a passar por tudo isso? Queres voltar a repetir a experiencia de voluntariado?

Isso é uma pergunta muito simples ao meu ver, SIM! Não existe melhor experiência para ti próprio. Eu só imagino a contribuição para a minha realização pessoal e laboral que estes conhecimentos possibilitam, conhecimentos esses que foram e serão adquiridos através do voluntariado. Concretamente nesta aventura, aprendi muito sobre outras culturas e vivi uma vida de campo, algo simples e natural ao lado de pessoas humildes que do campo tiravam a comida que era posta na mesa onde nos juntávamos todos os dias. Aprendi mais sobre a natureza e alguns aspetos vitalícios para a sua prevenção e proteção, tive os mais diversos workshops, desde fazer pomadas caseiras até domesticar cavalos, tudo isto e mais, sem acrescentar as coisas que conheci sobre mim mesmo.

Regresso a Portugal com uma nova mentalidade e com novas metas e isso é algo que faz uma pessoa crescer. Por isso, digo sem hesitar, um claro e simples SIM, aprendi isto tudo num só campo, porquê parar agora? Se posso continuar esta subida de conhecimento pessoal e de novas aptidões, o caminho certo é o voluntariado!

A experiência da Beatriz na Finlândia

O campo teve lugar na Peace Station (Rauhanasema), uma ex-estação de comboio com muitos anos e muita história, que não foi originalmente construída em Pasila mas que foi transportada para lá posteriormente, e em que funcionam hoje várias organizações que trabalham para a Paz a vários níveis, sendo uma delas a KVT, que organizou este campo. Quando cheguei, fui conhecendo ao longo do dia o resto das voluntárias que iam viver comigo durante os 10 dias seguintes. Os outros voluntários eram refugiados/asylum seekers e viviam perto, então não ficaram a dormir connosco na estação. Só os conheci no segundo dia. Vínhamos de 10 países diferentes ao todo – Finlândia, Portugal, Espanha, Rússia, República Checa, Japão, Iraque, Afeganistão, Congo e Uganda. E havia mais duas voluntárias portuguesas que eu não fazia ideia que iam!

O campo dividiu-se em duas tarefas/actividades principais: restaurar as cadeiras e mesas da estação, que tinham mais de 30 anos, e os workshops de macramê e craftivism dados pelos Concreatives, o colectivo de artistas que colaborou connosco durante o campo, com o objectivo de criar uma peça de street art em macramê com o tema da Paz para expor junto à estação. Além disso, visitámos imensos sítios incríveis em grupo – a que dificilmente chegaria se estivesse a viajar sozinha – e conhecemos ainda mais pessoas da KVT que nos falaram sobre peace work e que nos fizeram partilhar e debater algumas ideias sobre o tema.

Senti que foi um pouquinho difícil quebrar o gelo no início porque o grupo com quem ia ficar a ”morar” na Peace Station eram só raparigas e eram todas um pouco tímidas. Eu considero que sou uma ”tímida ao contrário”: sou muito extrovertida, falo logo muito e noto que isso também é um mecanismo de defesa meu, por não me sentir confortável com o silêncio ou com o desconforto dos outros. Em relação ao resto dos voluntários, alguns nem falavam inglês, então como tinha uma grande expectativa de criar um espírito de grupo muito forte desde o início, senti-me um bocadinho deslocada nos primeiros dias. Para mim é importante contar isto porque acho que todas estas coisas são experiências e fazem parte do que é fazer voluntariado – às vezes encontramos pessoas que são diferentes de nós ou tínhamos alguma expectativa que não é logo correspondida ou que às vezes não é correspondida de todo. Mas isso não faz mal nenhum – aliás, todas as experiências são aprendizagens e o mais importante é concentrarmo-nos em trabalhar o melhor possível e fazer o que podemos para ultrapassar estas situações e/ou as eventuais diferenças que notemos entre as pessoas. E como era esperado, esta sensação de desconforto acabou por desaparecer naturalmente.

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Um dos dias mais especiais e de que me lembro com mais saudades foi um dia mais ou menos a meio do campo, em que depois do trabalho do dia fomos a Lapinlahden Lahde – uma espécie de LxFactory de Helsínquia junto ao mar que antes era um hospital psiquiátrico e agora é mais ou menos um centro artístico – tem uma cafetaria vegan, vários espaços para artistas que os queiram alugar e usar como atelier/espaço para expor, um museu que reúne algumas peças e memórias do hospital e estão abertos para receber todo e qualquer projecto artístico ou de voluntariado. Como todo e qualquer espaço na Finlândia, tem também uma sauna (sim, a Peace Station também tinha!) e depois de lá irmos, fizemos um churrasco ao pé do mar e ainda fomos até à praia passear e fazer jogos. Estivemos lá até às 11h da noite (que lá ainda são ”da tarde”) e estava um ambiente incrível entre todos, rimos mais do que falámos e foi quando comecei a ter mais pena dos dias estarem a passar tão rápido!

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Ao longo do campo fomos tendo jantares típicos de cada país, em que os voluntários cozinhavam uns para os outros e ouvíamos música tradicional. Comi coisas óptimas todos os dias – arroz árabe, chamuças iraquianas, sushi, salada (realmente) russa e outras mil coisas! Como só podiam ser pratos vegetarianos, para nós portuguesas foi um bocadinho difícil pensar nalguma coisa – mas além da nossa quiche e a massa que não eram lá muito portuguesas (mas estavam óptimas), ainda bebemos um vinho do Alentejo que levei com muito carinho, pusemos a Carminho a tocar e distribuímos imensos brindes giros de cortiça que a Beatriz e a Maria (as outras portuguesas) levaram de Santa Maria da Feira :)
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Apesar de já ter feito voluntariado internacional, cada experiência é uma experiência e esta foi muito diferente do que eu já tinha feito. O ano passado estive num campo de refugiados – havia tarefas para cumprir, sítios onde estar, coisas que comprar, arrumar, separar e, sobretudo, pessoas que dependiam do nosso trabalho todos os dias. Durante esse tempo tentei fazer sempre um esforço para nunca adoptar uma posição ”superior” ou condescendente em relação às pessoas que estava a ajudar. Vi há pouco tempo uma TED Talk de uma imigrante da Jordânia chamada Luma Mufleh, que dizia “don’t ever think people are beneath you or that you have nothing to learn from others” e isso traduziu muito o que tenho retirado destas minhas vivências, apesar de terem sido tão diferentes. Desta vez conheci refugiados que eram voluntários como eu e isso aproximou-nos muito mais e de uma forma diferente. Conheci um rapaz afegão que enquanto ia de barco da Turquia para a Grécia, teve de saltar para a água e ajudar a levar o barco porque ele tinha deixado de funcionar. Agora, na Finlândia, participa em muitas manifestações pacíficas contra deportações injustas e até está na organização de algumas deles, o que muitas vezes lhe traz problemas com a polícia, mas não o impede de continuar a agir. Conheci também um rapaz iraquiano cujo pai foi morto no Iraque há dois anos, em plena rua, num dia normal, por razão nenhuma. Não escrevo sobre estas coisas para fazer com que as pessoas se sintam mal, mas para tentar explicar o impacto que elas tiveram em mim, especialmente por me ter tornado amiga de quem passou por elas (pessoas por acaso muito sorridentes e com corações maiores que elas).

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Algures durante o campo fizemos um workshop com o tema da migração/interculturalidade, em que nos dividimos em três grupos: cada um tinha de criar uma aldeia em barro, com várias casas e estruturas, seguindo instruções e regras diferentes sobre a forma das casas, a distância entre elas, símbolos, comportamentos dos habitantes, etc. A meio do jogo, um dos membros de cada aldeia tinha que mover a sua casa para outra aldeia e tentar adaptar-se às suas regras, enquanto os habitantes locais tinham de se esforçar por integrá-lo; isso passava por exemplo por ter de adaptar as formas da casas, os símbolos que representavam cada aldeia/habitante, etc. Foi muito giro ver como cada grupo reagiu a esta segunda parte e as mudanças que se geraram no jogo, todas positivas apesar das circunstâncias. Por um lado é tudo simbólico, mas por outro é um exercício curioso e importante que nos faz procurar mais formas de receber sem discriminar, de integrar sem nos impormos, e que ainda agora me faz pensar.

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O campo tinha um objectivo final comum, prático, mas fez com que conseguíssemos uma coisa que transcendeu esse objectivo; foi um veículo para que nos conhecêssemos melhor, aprendêssemos mais uns sobre os outros, sobre as nossas histórias pessoais e contextos culturais, quem somos e como é que fomos ali parar. Foi um exercício de partilha e aprendizagem sobre a Paz – vivê-la para conseguir transmiti-la, e aprender a transmiti-la através de uma forma específica de arte. No final do campo decorámos algumas cancelas junto à Peace Station e também alguns postes com a palavra ”Peace”. Só tive pena que não tivéssemos conseguido criar e expor ainda mais, mas o tempo não estica e a chuva nem sempre foi nossa amiga… Mas acredito muito na arte e no artesanato como formas de activismo e de transmitir mensagens e ideias e este campo motivou-me muito a trazer para ”casa” tudo o que aprendi e a por isso em prática na minha cidade e comunidade – o que aprendi a fazer e o que aprendi a pensar.

De repente, estás a conviver diariamente com pessoas de 10 países diferentes e isso é motivo de alegria, de celebração, de partilha e de amor. É motivo de curiosidade e não de hostilidade. E percebes que as pessoas (e ”as pessoas” também sou eu) precisam disto, de ter menos pena, menos medo e ter mais consideração, mais empatia. Mais amor. E dás por ti a ficar amiga de pessoas com quem mal falaste por não saberem bem inglês, mas percebes que com o coração aberto e boa vontade, o inglês não é assim tão importante. Como um dos voluntários disse quando o campo acabou, ”I couldn’t speak your language but I totally understood you by heart language” (e isto disse-me o Google tradutor).

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A experiência da Catarina na Alemanha

Duas semanas que passaram a correr! Nunca teria imaginado ou conseguido sonhar o mundo novo que encontrei quando cheguei. Tive a oportunidade de participar no workcamp “system change not climate change” em Coburg, Alemanha.

Sem dúvida uma das melhores experiências que podia ter tido! Pela primeira vez que viajei e não me senti uma turista mas sim parte de uma realidade e do quotidiano de alguém, possibilitando-me estar perto dos moradores e aprender os seus costumes e hábitos.

Éramos 14 voluntários de 10 nacionalidades diferentes juntos numa casa a dormir, a cozinhar, a trabalhar e a passar tempo juntos como nunca tinha visto. Todos tão diferentes mas com um propósito em comum que fizeram com que a experiência resulta-se na perfeição.

O tempo no workcamp foi dividido em tempo passado no jardim comunitário -Unser bunter Garten- onde ajudámos a completar uma casa para ferramentas (com outros usos) e a construir uma cerca de origem.

Depois tínhamos a parte dos estudos, onde realizámos workshops e discutíamos sobre temas variados de ecologia e sustentabilidade. No tempo livre tivemos oportunidade de visitar a cidade e redondezas bem como ir a outras cidades que estavam a desenvolver projectos semelhantes ao nosso (“transition-Town”) em Bamberg e a Bedheim.

Adorava poder pedir ao tempo que voltasse atrás e me deixasse recordar o que vivi nesta família, os segredos que partilhámos e as histórias que trocámos. Só eles sabem o quanto vivemos nestas duas semanas, o encanto de tudo que nos rodeava, o brilho do nosso trabalho e os luares que partilhámos, certamente levarei sempre comigo esta memória.

A experiência da Ana na Tailândia

Pois bem, a experiência não poderia ser mais positiva! Por tudo, pela forma como estava organizado o campo de voluntariado, pela forma como fomos recebidos pela comunidade.  A certa altura sentia-me parte integrante da comunidade, e essa sensação foi das mais enriquecedoras que algumas vez senti. Trouxe toda a experiência no meu  coração, mas sem duvida as pessoas da comunidade e as crianças ficaram para sempre! Com a certeza que irei acompanhar e voltar um dia!

Percebi que este tipo de experiências nada têm a ver com o dar, e sim com o receber. Isso sim, modifica algo em nós. A simplicidade com que dão atira-nos para um lugar leve onde se anda de sorriso rasgado! São emoções e  vivências que todas as pessoas deveriam experienciar! Sem qualquer tipo de excepção! Foi a primeira, para mim, mas agora nunca mais vou conseguir viver sem isto! Vou repetir sem qualquer dúvida!

Um dos episódios que mais me marcou: fomos convidados para a festa de aniversário de uma criança que vinha com frequência ao nosso centro. Nunca tinha tido uma festa de anos, e a nossa Leader questionou se poderíamos colaborar com o nosso budget para a festinha! Claro que todos concordamos! Estava aldeia em peso! Toda a gente feliz, miúdos e graúdos! Entretanto durante essa tarde, antes da festinha, como costumava cantar uma música que a   Bem Bem (nome da menina) adorava, lembrei-me de fazer um pequeno teatro. Utilizei apenas uma folha, pedi ajuda as outras crianças e com casca de fruta, ganchos de cabelo e elásticos fiz as duas personagens! Depois pensei que gostava de oferecer algo, mas não tínhamos acesso a nada! Eu tinha um peluche que a minha filhota me pediu para levar para me lembrar dela! Então pensei, quando regressar compro outro para lhe dar, este vai para a Bem Bem, será por uma boa causa, por isso ela irá compreender!

 

E assim , a meio da festa, lá fiz o meu teatrinho, e no final ofereci o peluche à pequena  Bem Bem!!!! Foi o êxtase, nunca tinham tido nenhuma festa assim e nunca ninguém da aldeia tinha tido um peluche! Escusado será dizer que os olhares de gratidão invadiram o meu coração! Foi um momento mágico!

Mas não fica por aqui…. Entretanto aparece uma chuva de fireflies que eu nunca tinha visto! As crianças ficaram surpresas pela minha cara de felicidade ao ver aquilo! Então foram tentar apanhar um para colocar na mão. E lá conseguiram ☺

Tudo que dás, recebes de volta ?