A experiência da Raquel na Islândia

Em Setembro embarquei numa nova experiência com o apoio do “Para Onde?” na Islândia. Por duas semanas, fiquei alojada num workcamp onde trabalhávamos sobretudo com plantas e tudo o que envolvia o seu cuidado: regar, plantar espécies, tirar ervas daninhas, colectar sementes, entre muitas outras coisas. Apesar do trabalho ser por vezes duro, era bastante gratificante ver o fruto do nosso trabalho e da nossa ajuda.

No fim do trabalho, tínhamos sempre tempo para visitar a Islândia e conseguimos realizar várias excursões.
Todas as pessoas com quem contactei foram sempre muito acolhedoras e o meu grupo era bastante unido e divertido.

Em suma, foi uma experiência fantástica em que conheci novas pessoas, novas culturas e um novo país de uma forma diferente e única. Foi, sem dúvida, uma experiência que quero repetir, quem sabe, noutros sítios!

A experiência do Paulo na Ilha de Santiago, Cabo Verde

Nem sei por onde começar!!!
A minha vontade de ir a Cabo Verde ja vinha desde de há muito (sentia um chamamento que estava difícil de ignorar) e este ano tive a possibilidade de viajar para lá, marcando uma viagem para um mês e meio. Sempre tive uma grande vontade de fazer voluntariado e decidi procurar, para juntar o útil ao agradável, e deparei-me com a página do Para Onde?, onde existia um programa para a cidade do Tarrafal, na ilha de Santiago… passei à prática, mandei a minha candidatura e a boa notícia chegou passado uns dias – “Aceite”!

O dia chegou e lá fui eu para Cabo Verde começando esta experiência em São Vicente onde me apaixonei logo por aquele povo caloroso, de sorriso fácil e de uma abertura sem igual! Foram dias inesquecíveis… passado duas semanas voei para Santiago, passando por cima do arquipélago e vendo as ilhas a passar e a me relembrar o quão bom foram aqueles dias em Mindelo (sem saber que o melhor ainda estava para vir).

Cheguei ao Tarrafal onde fui recebido de braços abertos! Vinha maravilhado pelas paisagens do caminho da cidade da Praia para o Tarrafal e fiquei ainda mais quando cheguei àquela baía de águas transparentes, areia branca e coqueiros para nos proteger do sol! Chegou o dia e às 7:30 da manhã estava de pé com uma grande excitação, interior, pois aquela hora da manhã não tenho muita força!

Fomos para a associação, recolhendo meia dúzia de crianças que aproveitam todos os dias a “boleia” e vão para a associação com os voluntários. Fiquei logo apaixonado por aquele meia dúzia, derreti-me quando vi os 33 “pikinotes” do jardim de infância que era onde ia ficar durante aquele mês! Aqueles sorrisos iam ser o meu café, pois a força que me faltava por serem 8 da manhã passava a um sorriso de orelha a orelha a cada chegada à associação!

Foram semanas únicas, de uma grande aprendizagem onde o que me marcou mais foi o sentido de partilha que aquelas crianças de 4/5 anos (e aquele povo) têm… aquilo não se aprende, aquilo já nasce com eles, é emocionante de se ver! Nunca houve um dia em que não me apetecesse ir “trabalhar”… lavar lençóis, limpar colchões, preparar as mesas para o lanche, pintar com eles, arrumar brinquedos, ler histórias, dar raspanetes, separar brigas, dar cambalhotas, mandá-los ao ar, fazer as minhas costas de escorrega, ir à casa de banho a correr quando estavam lá mais do que dois pois já estavam a inventar alguma das suas e muito, muito mais!

 

O dia menos esperado estava a chegar e eu já sofria com isso… o que fiz? Adiei o meu vou e fiquei lá mais 2 semanas…iam ser mais 2 semanas a dar e a receber amor, mas o dia menos esperado ainda estava lá e eu sem poder fazer mais nada… e ele chegou! A despedida dos pikinotes nem vale a pena dizer que foi um pranto, com a promessa que, mais cedo ou mais tarde, iria voltar nem que fosse um dia para os rever. A despedida da cidade também não foi muito agradável, partindo a olhar para trás até deixar de a ver e sempre a espreitar entre os montes da Serra da Malagueta para ver se conseguia ter uma última visão do Tarrafal que me fez sentir em casa naquele mês e meio!

Voltei para Portugal de coração cheio, mas só uma parte, pois tinha lá deixado um pedaço do coração nas mãos daquelas crianças! Contei as histórias, mostrei as fotos, falei (e ainda falo) dizeres deles, danço as músicas que ouvia lá, acordo com eles no pensamento e tenho o sentimento de saudade que dói… mas vai deixar de doer pois no próximo mês estou de partida por mais 2 meses de voluntariado e de procura de trabalho para ficar lá, fazer lá a minha vida, junto daquele povo, junto dos meus pikinotes, junto de CABO VERDE!

Obrigado ao Para Onde?, obrigado à organização local, obrigado às voluntárias, obrigado à Mariana, obrigado a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram nestes 2 meses! Gratidão é o que eu sinto neste momento… OBRIGADO!

A experiência do Helton na Bélgica

Acabo de regressar de um período de 15 dias de voluntariado em Bruxelas, através da associação Para Onde. Durante este tempo organizei e participei em atividades com crianças desfavorecidas, filhas de imigrantes. Participei na organização de ateliers, aulas de dança, saídas e jogos pela cidade (parques, piscina, praia e museu) e de um workshop de Capoeira.

 

A minha experiência em Bruxelas foi um grande “mergulho” cultural que irá, com certeza, contribuir para a minha formação pessoal e que alimentou imenso a minha motivação para continuar a ser voluntário. Pude viver com pessoas voluntárias provenientes de países e culturas diferentes, o que acabou por colocar à prova a minha capacidade de adaptação, tolerância e flexibilidade. Para além disso, partilhamos momentos bastante agradáveis, incluindo um “jantar multi-cultural” e um passeio pela cidade utilizando bicicletas providenciadas pela associação de acolhimento (o que foi uma experiência bastante engraçada).

A nível burocrático não tive qualquer problema, os membros das associações, tanto de envio (Para Onde) como de acolhimento, foram sempre simpáticos e disponíveis e o programa correspondeu ao que foi comunicado na Folha de Informação.

Para além de ter adorado a alegria e simplicidade das crianças, apreciei imenso a forma de trabalhar dos coordenadores permanentes da instituição de acolhimento. Todos os voluntários tiveram a oportunidade de dar a sua opinião e o seu contributo em todas as actividades desenvolvidas e o dias terminaram, na maioria das vezes, com uma avaliação. Estou feliz por ter embarcado nesta aventura sobretudo porque parti com a certeza de que contribui para a felicidade daquelas crianças, mesmo que durante apenas 15 dias.

Por fim, aproveito para agradecer aos membros da Para Onde por todo o apoio e simpatia.

Obrigado,
Helton Sanches

A experiência do João na Polónia

O meu nome é João Bacalhau, tenho 18 anos e sou aluno de Economia da Universidade Católica Portuguesa. Este verão decidi aventurar-me sozinho numa experiência de voluntariado no estrangeiro que marcou a minha vida. Parecem cliché estas palavras, mas são verdadeiras, sempre tive o desejo e a ambição de fazer voluntariado, poder dar um pouco de mim aos outros, a uma causa, poder fazer minimamente a diferença se é que isso é possível.

E assim tentei, inscrevi-me no Para Onde e escolhi um projeto que se enquadrasse com os meus objetivos, valores, propósitos e disponibilidade. Estive duas semanas na Polónia, a cerca de meia hora de Varsóvia, em Spisaka, num projeto chamado “Stokrotka”. Antes de vos falar mais sobre este projeto, quero salientar que o Para Onde sempre me deu o total apoio, em termos de logística, de tomada de decisões, de preparação, ou qualquer outra dúvida, estiveram sempre disponíveis e interessados.

Como referi, foi a primeira vez que fui para um projeto desta dimensão sozinho, portanto devem imaginar a ansiedade, o nervosismo, as altas expectativas, tudo isto tem de ser bem gerido e controlado, mas não custa nada e só agradeço ter escolhido este projeto porque regressei a Portugal com uma nova família.

O projeto consistia maioritariamente em organizar atividades desportivas, artísticas e culturais para crianças, ensinar-lhes inglês, envolvermo-nos com elas de modo a conhecer a sua realidade e dar a conhecer a nossa. Mas estas crianças eram especiais, todas são, mas estas foram as que estiveram comigo e as que pude ajudar, desde ciganas, a algumas com deficiências psicomotoras, a outras com graves problemas com pais alcoólicos ou toxicodependentes, crianças que só precisavam de mais atenção e cuidado.

Partilhei uma casa com sete pessoas que não conhecia de lado nenhum, de várias nacionalidades, vivi 24h sobre 24 horas com elas e como vos disse, tornaram-se amigos que levo para a vida. Foi uma mistura de culturas muito
enriquecedora, uma aprendizagem global fantástica.

A conjugação de uma cidade linda, barata, rica historicamente, com um grupo de jovens de diferentes idades, países, mentalidade, foi algo inenarrável. O sorriso daquelas crianças e aquele choro do último dia em que fomos embora são inexplicáveis mas de uma dimensão emocional incrível. Voltei a Portugal de coração cheio e com vontade de fazer muito mais.

Se tiverem oportunidade façam voluntariado!

A experiência da Andreia em Itália

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Pensar em voluntariado é pensar em aventura e desconforto; é sair da rotina e esquecer o que já conhecemos e sabemos. Spessa é uma localidade esquecida, numa Itália muito rural e pequena, sem apoios, envelhecida.

Apesar de a Lombardia ser a região mais rica de Itália e de esta localidade se encontrar a uma hora de Milão, a disparidade não podia ser maior. Esqueçam o luxo, a acessibilidade, as lojas de renome. Spessa tem como ex-libris o rio Po e o Ostello e Centro Culturale Artemista. O governo não investe na cultura e, se o faz, fà-lo com restrições que são difíceis de aceitar, sobretudo quando se quer ser fiel àquilo em que se acredita e à arte, sem malabarismos nem artimanhas.

O Ostello e Centro Culturale Artemista é gerido pela Elisa e pelo Mauro, dois jovens corajosos que acolhem pedacinhos do mundo na pacata Spessa, colocando-a no mapa. Aprenderam a fazer de tudo um pouco e ensinam tudo aquilo que aprenderam: os voluntários pintam, raspam paredes, arrumam, tapam buracos, limpam… O trabalho é muito, mas a satisfação de o ver feito compensa o esforço e a roupa suja.

Trabalhamos cerca de 6h diárias (mais nos últimos dias, dada a vontade de deixar tudo bonito), cozinhamos, passeamos, conhecemos Pavia, mergulhámos no Trebbia, gravamos músicas no estúdio Artemista, dissemos adeus. Foram duas semanas muito preenchidas, animadas e exigentes, no que toca ao empenho e trabalho dos voluntários. Duas semanas que serviram para nos lembrar que, ainda que difícil, é sempre recompensador lutar por aquilo que nos move e que nunca é desperdiçado o tempo gasto a planear e a arquitetar o que se sonhou.

A Elisa e o Mauro procuram criar uma Spessa melhor, multicultural, culta, rica em valores que alguns já esqueceram; procuram a magia que só existe em quem, com fé, vê que é possível ir mais além.

A experiência da Beatriz na Ilha da Boavista, CV

Hoje saí da Boavista com as lágrimas nos olhos e coração tão apertado, como nunca pensei que fosse possível. Uma despedida tão difícil que tornou mais forte a minha vontade de voltar. Cheguei a esta ilha como uma estranha, mas hoje saí como local. Saí da Boavista, mas uma parte de mim ficará sempre neste lugar. 

Faltam as palavras para descrever tudo o que vivi e senti, mas ficam as memórias  guardadas para sempre e as imensas saudades de  cada momento vivido.

Levo daqui os sorrisos, o carinho, a energia e a felicidade contagiante das crianças, das minhas crianças.  Levo comigo a simpatia e generosidade de todos que com quem me cruzei e que tornaram este mês inesquecível. Levo daqui a simplicidade  e tranquilidade, o espírito “no stress” tão característico deste lugar onde tudo tem o seu tempo e o mar e o sol se encontram todos os dias, tornando o que já é maravilhoso ainda melhor.

 Levo comigo Cabo verde, em especial a ilha da Boavista. Saio com a certeza de que mudei o meu mundo e com a esperança de ter mudado um pouco o mundo de mais alguém.  Ago tanbem mi e um bocadin de bubista . Ta leva es ilha na nha coracao 

A experiência da Ana na Ilha da Boavista, CV

Dependendo das características pessoais de cada um, todos iremos com expectativas diferentes para uma mesma realidade. As minhas expectativas foram tanto superadas como, em alguns casos, frustradas. Faz parte. Lidámos com crianças carentes de muita coisa, mas ricas em muitas outras. E assim somos todos, em todo o lado – é aquilo que concluímos. Embora já o tenhamos visto em filmes e documentários, há imagens que não nos transmitem a mesma força quando vistas apenas numa tela. Ter contacto directo com a pobreza, num primeiro momento, pode ser mais chocante do que esperávamos. Mas depois acabamos por nos habituar, quando nos apercebemos que não existe uma infelicidade latente, muito pelo contrário – existe muita alegria! Talvez seja do povo em si, talvez seja do clima – rimos muito mais do que chorámos!

O primeiro contacto com o bairro e com as condições em que vivem aquelas famílias deu-me um frio na espinha, mas como o passar do tempo conseguimos adaptar-nos a esse paralelo. Crianças são crianças em todo o lado. Com mais ou com menos coisas, são alegres, são sonhadoras, são brincalhonas, têm um mundo próprio construído de forma independente das questões e diferenças sociais. Essa noção virá mais tarde. Mas embora haja essa similitude entre todas as crianças do mundo, também existem diferenças. Tanto eu como as minhas companheiras de aventura, tínhamos alinhadas várias actividades que acabaram por não acontecer da forma que esperávamos. É difícil sentar estes miúdos por mais de três minutos, é difícil que prestem atenção e se interessem por determinadas coisas. É notório a pouca prática de estudo, de interiorização e de memorização. É um trabalho árduo organizá-los em grupos, atribuir tarefas, transmitir alguns conhecimentos. São miúdos que vão à escola, muitos já sabem falar e escrever português, mas também estão muito habituados a andar pelas ruas, a serem retirados das actividades escolares para afazeres domésticos ou para cuidar dos irmãos ou primos mais novos, etc. A escola é uma obrigatoriedade pouco obrigatória, por assim dizer, havendo muitos que desistem a meio. Existe também uma preguiça, possivelmente de cariz cultural, que os leva a ser mais leves, pouco disciplinados e muito libertos. E tudo isto é um desafio, não necessariamente negativo.

A forma como está organizada a associação e as infraestruturas oferecidas ainda precisam de muitas melhorias. Eram demasiados miúdos para salas tão pequenas; eram idades demasiado díspares para haver uma homogeneidade nas actividades. Mas tudo a seu tempo… De qualquer forma… o Amor é uma coisa tão universal, que não olha a cores, não olha a etnias, não olha a estratos sociais…! Fomos recebidas sempre de braços abertos e sorrisos rasgados, mesmo por aqueles que no dia anterior tinham levado com algum sermão por se terem portado mal. Lá vinham eles a correr, uns mais extrovertidos que outros, e a gritar “As professoras chegaram!”. Era vê-los a surgir dos vários pontos do bairro, de sorriso aperaltado, e com vontade de dar abraços. Queriam brincar, queriam ir à praia, queriam aprender coisas!

Para embarcar numa missão destas é preciso ter uma forte capacidade de não sentir pena. Nem pena deles por viverem de forma mais humilde, nem pena de nós por nem sempre conseguirmos concretizar o idealizado. É preciso ter noção que a nossa fórmula para a felicidade não é necessariamente a correcta. A felicidade é uma riqueza intrínseca a cada um. É preciso ter noção que a educação é outra, que a energia é outra… e há que valorizá-la e respeitá-la. Contudo, isso não quer dizer que devemos compactuar com a manutenção da pobreza. Sim, é preciso levar ajuda, sim, é preciso levar conhecimento, sim, é preciso que todas as pessoas tenham mais acesso a boa alimentação, a água potável, as condições de vida mais dignas. Sim, estes miúdos merecem viver em casas com chão e telhados, com água canalizada e com acesso a serviços de saúde mais eficazes. Não devemos sentir pena, porque precisamos de transmitir confiança e alegria (e receber o mesmo em troca), mas a ajuda internacional tem sido, efectivamente, a maior fonte de criação de oportunidades para estas crianças.

Sabemos que o turismo é a principal fonte de rendimento, mas não com as proporções justas. O turismo rende milhões, mas os trabalhadores ganham muito pouco e vivem mal. As roupas que usam, o material escolar, etc, são, em grande parte, fruto de doações. Mas é difícil atribuir culpas… E não sou eu, em tão pouco tempo, que tenho as repostas para muita coisa.

Aquilo que sei com toda a certeza é que vale a pena… Vale a pena viajar, vale a pena conhecer o mundo e as pessoas que vivem nele, vale a pena sorrir e abraçar, vale a pena conversar e brincar, vale a pena desconstruir preconceitos, vale a pena lutar pelo bem comum.

Agradecemos o apoio dado pelo Lamine e pelo Júnior. Agradecemos muito à Organização Não Governamental MarAlliance (Cintia Lima e Zeddy) pela oportunidade que nos deram, a nós e aos miúdos, de ir até ao mar e fazer snorkling, assim como as aulas teóricas dadas onde ensinaram muita coisa sobre a biodiversidade marinha de Cabo Verde e como protegê-la. Sem eles, tinha sido tudo muito diferente!

A experiência da Joana em Arraial d’Ajuda, Brasil

Um sonho que vivia em mim há muito tempo, a maior aventura da minha vida e que finalmente consegui realizar, quando decidi tinha a certeza que ia dar mais sentido à minha vida e à pessoa que sou.

Estava explosivamente calma, expectante, curiosa, receosa q.b., desejosa, muito ansiosa por viver este mês muito intensamente. E de repente tinha tudo tratado, caminhava para a AFC em Arraial d’Ajuda (do outro lado do oceano), o sonho tornava-se real e sem dar conta passou o mês mais intenso da minha vida.

Um mês em que pretendia colorir o mundo das crianças da AFC, mas um mês em que foram as crianças e os adultos desta associação que me ensinaram tanto e me trouxeram tantas coisas boas à minha vida. Uma experiência única vivida numa nova realidade para mim, uma associação que engloba um conjunto de pessoas focadas no bem-estar das crianças, crianças que têm na AFC uma segunda casa (ou até a primeira casa), onde há tempo para serem muito amadas, tempo para educar, tempo para brincar e aprender, tempo para ser criança, mesmo que por detrás de cada sorriso estejam vidas extremamente complicadas.

Que grande sorte a minha, o tema do mês foi a amizade, numa associação em que se sente amor por todo o lado, é fácil sentir-se a amizade e foi lá que vi os sorrisos mais genuínos de toda a minha vida. Na hora de apoiar o dia-a-dia da AFC, podemos dar apoio à maravilhosa Anita na cozinha, aos educadores nas aulas, na realização do espaço para teatro de biblioteca ou em dinamizar atividades para as crianças. E aí, é hora de colocar o sotaque do Brasil!

Jogos, atividades de expressão plástica, músicas (quase cantadas em português), leitura, pintura da parede de entrada da AFC e dinâmicas que nos permitem criar laços para a vida.


Na hora da despedida com a melodia do mês (no meu caso) “Trem-bala” de Ana Vilela, fica a certeza que estas crianças e educadores da AFC marcaram a minha vida para todo o sempre e em cada abraço fica a certeza dos laços criados, do amor partilhado e a cada lágrima a saudade que já se sente.

A AFC recebeu-me de braços abertos, senti e sinto-me parte. Ficam para toda a vida os abraços apertados que senti de cada um. AFC, um AMOR que nunca vi igual!

A experiência da Ana na Ilha de Santiago, CV

O Tarrafal foi o destino.

Fi-lo para encontrar novos corações e para descobrir ainda mais sobre mim e sobre o mundo. A verdade é que as emoções ainda estão bem despertas e as palavras nunca irão descrever tudo o que o Tarrafal me deu e o que tive o prazer de viver.

Fui para o Tarrafal sem explicações concretas e lógicas. Fui porque senti que tinha de o fazer, de conhecer uma cultura de sentimentos à flor da pele, de encontrar sorrisos apaixonantes, abraços quentes e reconfortantes e de descobrir a verdadeira definição de Amor e Partilha. Fui para conhecer o povo da ‘alegria em pessoa’, o povo dos pikinotis, o povo do funaná e do cotxi po, da cachupa, do futebol de pés descalços, das tranças, da música, das caracas e da festa, do grogo e do pontxi, das fresquinhas, das mangas e das papaias. O povo do Tarrafal.

 

Que bom que foi poder conhecer os sorrisos mais puros e autênticos e sentir os abraços mais sentidos e especiais. Poder dar e receber, aprender e ensinar. Poder disfrutar das ruas do Tarrafal e sentir-me tão segura e tão em casa. Poder dançar e cantar como se não houvesse amanhã. Poder aprender a dar mais valor às estrelas e à lua, ao mar e à vida.

Mesmo guardando uma satisfação inexplicável depois desta minha experiência, não escondo o desejo que tenho de prolongar a mesma por tempo indeterminado. Obrigada à Associação do Tarrafal e à Associação Para Onde por me terem dado a oportunidade de viver um mês de amor e alegria infindável. Um obrigada do tamanho do mundo a todos os que tive o prazer de conhecer e de criar laços inacreditavelmente intensos. Obrigada João, Miguel, Ana, Inês, Laura, Zlatan e Mariana, por me terem proporcionado momentos para a vida.   E obrigada, com o coração a transbordar amor e com um brilho nos olhos inexplicável, aos meus pikinotis. Foram, sem dúvida alguma, dos melhores corações que já conheci.

Fica o desejo de um dia lá voltar e poder abraçar tudo outra vez.

 

A experiência da Gilda na Tanzânia

Só tens duas semanas de férias? Não importa, em 2 semanas podes fazer muito para ajudar os outros. A minha experiência na Tanzânia demonstrou que não é preciso falarmos todos a mesma língua, o que nos liga é a vontade de ajudar que nos vai no coração e que permite a um grupo de jovens tornar, num curto espaço de tempo, a vida de alguém melhor. Recuperámos 2 salas numa escola primária, não é muito não, mas viemos embora com a certeza que  turmas vão aprender ali melhor e tornarem-se melhores alunos.

 

 

 

É certo que mudar dá medo, mas devemos ter muito mais medo de ficar no mesmo lugar a pensar no que se poderia fazer para tornar aquele metro quadrado melhor, mais confortável. Apesar de todas as contradições possíveis que te podem e vão aparecer, como perceber que a barreira linguística não é assim tão importante, tu podes fazer a diferença em pouco tempo!