A experiência da Liliana no Tarrafal

To build a home…
Construir uma casa, sonhos e sorrisos no Tarrafal.

Demorei a escrever os meus relatos sobre a minha primeira experiência de voluntariado internacional porque queria guardar tudo só para mim, quase num acto de egoísmo. Queria perceber o que, de facto, tinham sido estes meses na minha vida. Depois de quatro meses em Portugal, todos os dias, a minha vontade continua a ser só uma: voltar (sempre) e contrariar a máxima que diz que não devemos voltar aos sítios onde já fomos felizes.

20 de Outubro de 2017. O dia em que chegou a tão esperada resposta com a certeza que ia dar o salto na realização de mais um sonho. Desde esse dia até ao final do ano foi o tempo de tratar de tudo o que era necessário. Meses a trabalhar em triplo para, monetariamente, conseguir suportar o tempo que ia estar fora, semanas a despedir-me do conforto de casa e a vacinar-me de momentos com os meus para que as saudades fossem atenuadas antecipadamente – e não fosse eu uma saudosista por natureza. Estava de corpo em 2017, mas de coração apertado em 2018 numa contagem decrescente que parecia teimar em passar à velocidade de um caracol.

Eu, que olho para a passagem de ano como algo bom pelo poder do recomeço, recordo essa especialmente como um verdadeiro momento de viragem. Deixei os meus trabalhos em stand-by, fechei para sempre a porta da casa onde vivia há seis anos e arrumei objectos e vivências numa bagagem. Arrumei a casa e o coração e fechei tudo com a vontade incessante que tenho em ser feliz. Nessa noite, entre lágrimas de felicidade e conquista, num abraço apertado, uma amiga dizia-me “É agora, está tudo a dar certo!” e quem faz parte de nós não se engana. E foi assim. E deu certo.

Lembro-me bem do momento em que cheguei ao aeroporto e deixei Portugal para trás. A felicidade e o receio iam de mãos dadas, mas a minha sede de viver equilibrava os sentimentos. Era eu, um passaporte renovado e uma mochila de 17kilos de bagagem de pouca roupa e muito material para tentar colorir os sonhos daqueles miúdos. Era eu a sair da minha zona de conforto e a partir sozinha na aventura da minha vida.

Aterrei na Cidade da Praia de noite. O cansaço de um dia agitado tomou conta de mim e só no dia seguinte descobri a cidade. O gesto tão imediato de entrar no táxi, colocar o cinto e ele não existir foi logo índice de que tinha mudado de País, mas Portugal continuava presente nos relatos de futebol sobre o Benfica que ecoavam na rádio, em sotaque bem português. Da Praia até ao Tarrafal são cerca de 70km, entre curvas e contracurvas fica uma hora e meia de viagem de uma ponta da Ilha à outra.

As primeiras impressões ao chegar ao Tarrafal foram passando por vários níveis durante o dia. Inicialmente, quando estava no carro para a Delta Cultura (a associação onde ia ser voluntária), tudo era muito melhor do que as imagens que tinha na cabeça. Por outro lado, no caminho da Delta para a casa onde ia ficar com os outros voluntários, o coração começava a ficar mais pequenino com o caos. Muitas ruas em terra batida, passeios inexistentes, muitos animais feridos a comerem lixo, a maioria das casas sem a construção estar terminada… uma cidade tão pequena e com pólos tão distintos foi o que pensei naquele momento.

A chegada à Delta Cultura foi o mais esperado, mas, também, o mais assustador porque muitas crianças pareciam tímidas e a não querer que nós, voluntários portugueses, que, entretanto, conheci, estivéssemos lá, mas… no meio disto tudo, um miúdo correu para os meus braços, saltou para o meu colo e deu-me um beijo na testa como se já tivesse saudades minhas, antes, sequer, de me conhecer. Abraçamo-nos e foi o Leo que me fez pensar “Estás na missão certa, miúda.” O arrepio que, logo ali, senti, não se exprime em palavras. Ainda a propósito dos nomes, e a título de curiosidade, já era difícil memorizar um nome, quanto mais dois, porque os miúdos têm dois nomes, o nome e o nominho, que são o nome de igreja e nome de casa, respectivamente.

No instante em que cheguei saltou-me à vista a organização do espaço, que achei fenomenal por não ser um único edifício, mas sim várias salas que se dispõem em volta de um pátio que grita liberdade para os miúdos. Assim sendo, a associação está dividida: o jardim, para os mais pequeninos, a sala de informática, a sala de estudo, os balneários, a sala de artes, a sala de música, a sala de línguas e o recreio exterior onde também se localiza o campo de futebol ajudado a construir pela FIFA no âmbito do projecto Futebol for Hope.

A Delta Cultura é uma associação com crianças dos 4 aos 17 anos e tem como princípio promover a educação não tradicional, partindo de uma ideologia assente na liberdade. Desde cedo que a criança é ensinada a ter poder de escolher qual a actividade que quer fazer, a sala onde quer estar, e decidir com a consciência de que qualquer atitude tem uma consequência para o seu futuro e se, por exemplo, não fizer os trabalhos de casa de uma forma livre, será responsabilizada na medida em que ficará de castigo na escola, ou seja, tentam incutir nas crianças uma educação de liberdade, mas com responsabilidade. A escolaridade é obrigatória e, por isso, as crianças estão na Delta conforme os seus horários escolares. Metade tem aulas de manhã e está na Delta da parte da tarde e a outra metade funciona no esquema contrário.

No decorrer da experiência, algumas pessoas perguntavam-me se a pobreza me fazia confusão, mas, sinceramente, os meus olhos não viam essa pobreza que as pessoas têm como imagem de uma África pura. Talvez seja chocante para um Europeu as crianças andarem descalças, mas eu vejo isso como uma despreocupação, uma leveza, não como pobreza. Muitas vezes os miúdos chegam à Delta e descalçam-se porque é assim que se sentem bem, a sentirem a Terra, a serem livres. Ali, a nossa prioridade, enquanto voluntários, não é actuar na tão falada “pobreza porque é África”, mas sim actuar na educação e na formação das crianças. Essa é a maior fragilidade e onde, talvez, possamos ser mais úteis.

O meu trabalho na Delta Cultura foi muito diverso e não focado só num ponto específico. Apesar disso, onde passava a maior parte dos meus dias era na Sala de Artes, que era da minha responsabilidade. Organizava actividades, workshops ou simplesmente tomava conta de quem estivesse na sala livremente a fazer algo, assim como organizar material, lavar e limpar a sala no final de cada dia. Por vezes, as actividades eram transpostas para o exterior e aí fazíamos jogos lúdicos, concursos de dança e um sem fim de actividades.

No tempo em que estive na Delta, um dos temas principais foi a igualdade de género. Desta forma, foi convidada uma enfermeira para dar uma palestra sobre esta temática e, nós, tentámos que as actividades que estávamos a organizar fossem de encontro a este assunto. Similarmente à enfermeira, organizamos um debate em que falamos sobre as nossas profissões. Para explicarmos o tema de uma forma mais eficaz e atractiva, optamos por fazer um cartaz, com alguns famosos com profissões ditas do sexo oposto ao deles, e deixamos os miúdos pintar as mãos com tintas e depois marcar o cartaz.

Com esta ideia pretendíamos que os miúdos percebessem que as mãos podem ser todas de cor diferente, mas todas iguais, independentemente do nosso género, raça, profissão ou idade. Nesta actividade o que me tocou mais foi quando fomos lavar as mãos e a tinta não estava a sair bem e as miúdas já estavam quase a chorar com medo, a dizer que os pais lhes iam bater se chegassem a casa assim. Fiquei tão preocupada que só pensava em tirar-lhes aquilo rapidamente das mãos e pensei em como, de facto, a educação é tão diferente daquela que eu tive.

As crianças acham tudo isto muito esquisito e não percebem muito bem que todos nós temos os mesmos direitos, assim como deveres, independentemente do nosso género, apesar do Gilson repetir vezes sem conta: “Trabajo é trabajo, nka teni trabajo di mujer ni trabajo di homi, trabajo é trabajo.” Como já referi, o importante é actuar muito na base da educação e na formação dos miúdos, para adquirirem os valores mais correctos. Aliás, sempre que os miúdos nos pediam “moedinha”, nós sempre tentamos incentivar-lhes o estudo e respondíamos “bo studa pa bo trabaja pa bo teni dinherú.”

Uma outra actividade na qual colaborei, e que desconhecia, foi o torneio de futebol de 3 enquadrado no programa Futebol for Hope da FIFA. Cada um de nós, voluntários, foi moderador juntamente com um trabalhador da associação e, na última semana de programa, fizemos um torneio no qual nós mesmos éramos os participantes. Neste tipo de jogo, conta muito o fairplay, na mesma igualdade que os golos marcados por ambas as equipas. Há três grupos de regras: as básicas, as técnicas e as regras de fairplay que são, também, três, e são os participantes que definem essas regras e podem ser, por exemplo, abraçar um elemento da equipa adversária quando estes marcam golo, o primeiro golo de cada equipa valer por dois, fazer uma dança a cada golo, entre outros.

Estas regras são pré-definidas antes do começo da partida e são as que acrescentam os tais pontos de fairplay que, posteriormente, são somados aos pontos do jogo, e isso pode ditar o verdadeiro vencedor do torneio. Neste caso, praticamente todos os miúdos adoram futebol e levam muito a sério os treinos todas as semanas, interdependente do seu género e idade.

Outra das actividades que mais feliz me deixou foi ajudar na preparação do Carnaval dos mais “pikenotes”, as crianças do Jardim. Foi juntar a temática Carnaval que adoro preparar com o facto de estar a fazer os miúdos felizes num dia diferente do habitual. As meninas foram de vendedoras de peixe e os meninos de pescadores. Ajudei na preparação das roupas, fiz canas de pesca em cartão e papel, peixes gigantes em cartão pintado, colares de conchas com o Oliver, cestas do peixe feitas com caixinhas de papel, tratei das maquilhagens, enfim, foram dias intensos de trabalho, mas muito recompensados com a alegria dos miúdos no dia do desfile.

Conjuntamente à preparação do desfile dos mais pequeninos, na sala de artes preparávamos as máscaras dos mais crescidos para o concurso de máscaras que realizamos nessa semana, com o Gilson a juntar-se a nós para formarmos o júri e o Samir a ser o apresentador. Sem dúvida que foi uma das semanas mais entusiasmantes na Delta.

A par com as actividades que íamos desenvolvendo com os miúdos, lembramos-nos de pintar algumas paredes da associação, tanto interiores como exteriores. Começamos por uma parede da Sala de Artes, que sempre foi um dos “meus” espaços. Aqui, mais do que deixarmos a nossa marca queríamos que eles percebessem a importância de estimar o material, pedirem o que quer que seja com a devida educação e cuidassem da sala como um espaço de todos.

Não posso descrever a minha experiência sem falar no Oliver. O Oliver é um miúdo tímido, difícil de chegar à sua essência, mas quando o conseguimos ficamos arrebatados com o seu coração e o seu espírito lutador. Desde que o conheci que me contou que o sonho dele era ser arquitecto. Quando eu lhe disse que era a minha profissão ele sorriu do tamanho do mundo e pediu-me para eu o ajudar ensinado-lhe os aspectos que eu considerava mais importantes. Senti uma responsabilidade, confesso, mas a partir desse dia passamos horas a falar sobre arquitectura, a ver vídeos de maquetes virtuais na sala de informática e ele a apontar cada nome de arquitecto que eu lhe ensinava.

Não podia vir embora sem lhe deixar um incentivo, a minha missão não estaria completa. Desde Portugal, pela mão do José (um novo voluntário que chegou quase no nosso final), consegui que os meus amigos enviassem o livro “Da Organização do Espaço” do Fernando Távora – e quem é da área sabe como este livro é uma “Bíblia” obrigatória de ler – e um conjunto de Moleskines para ele desenhar os primeiros projectos e colorir os seus sonhos. No último dia entreguei-lhe o embrulho e só a reacção dele foi o maior agradecimento antes de me dizer qualquer obrigada. Prometeu-me que não ia desistir e eu prometo-te que vais longe, miúdo!

Cabo Verde é todo este amor. Cabo Verde está no coração, está em todas as lembranças que trouxemos e no contacto que continuámos a ter para minimizar a saudade daqueles meses. Está na Delta Cultura e em todas as horas na sala de Artes. Está nos minutos a fazer “sorrisinho” com a Vanessa e nas horas a dançar com a Kenira, a Olinda, a Carla e a Caty.

Está nas birras da Melissa e da Sapatinha e no mimo da Nelly, da Marsília e da Ceúzinha. Está nas aulas de Língua Portuguesa que acabavam em guerra de almofadas porque a felicidade de ser criança é tão importante como saber a acentuação correctamente. Está em todas as pinturas que fizemos nas salas, no desenho da roda dos alimentos, dos tempos verbais, na explicação da acentuação e nas frases motivadoras.

Está na canção de bom dia dos pikenotes do jardim: “Bom dia ao Neymar, à Nelly e à Sapatinha, bom dia, bom dia, bom dia cá na Delta” e que, ainda hoje, dou por mim a cantar muitas vezes. Está nas boleias do Carlitos e em todos os kms que caminhámos até Ribeira da Prata para encher o baú dos dias felizes. Está nas compras para os jantares na banca da Fica, nas bolachas da Luzinha e nos almoços na Mité porque queríamos “txeu batata”.

Está nas horas passadas na Cachoeira a carregar os telemóveis quando ficávamos sem luz e a ganhar energias a ver notícias de Portugal e jogos de futebol para nos sentirmos em casa. Está na incrível roadtrip de Hiace pela Ilha com a Mariana e o Michael. Está no calor insuportável da Cidade Velha e na sombra do Mercado de Sucupira, um mercado gigante que acontece todos os sábados, com bancadas de todo o tipo, pessoas a rezar, comida, bancas de roupa e calçado, cabeleireiros, um mix de actividades numa grande diversidade cultural que me deixou completamente fascinada.

Está nas barrigadas de cachupa com ovos “só di terra” e nos escudos cabo-verdianos que poupávamos para as caipirinhas de grogue (um álcool típico produzido a partir da cana-de-açúcar) do Santiago Lounge. Está em todos os dias que passamos na Ponta D’Atum, o nosso sítio preferido para carregar baterias depois de uma semana com as energias todas postas na Delta. Está naquele 24 de Fevereiro, o dia em que deu onda no mar da Ponta e sobrevivi e na morabeza com que a gente desta terra sempre nos recebe.

Está naquele sábado em que nos perdemos na Serra da Malagueta, mas nunca nos deixamos perder na felicidade por estarmos nisto. Afinal, sobrevivemos à Malagueta, a grande aventura desta viagem. Mesmo perdidos, e com a notícia dos turistas assaltados nessa mesma semana, cantámos, dançaáos, fizemos vídeos para recordar e da desgraça fizemos risada.

Cabo Verde está para a felicidade como a areia está para o mar. Está nas infinitas vezes que chegamos a casa e constatávamos, mais uma vez, que não havia água, os garrafões de reserva enchiam a cozinha e a casa de banho e, mesmo assim, a nossa gratidão nunca baixava no depósito. Está em todos os fins-de-semana a lavar a roupa à mão e nos quatro dias consecutivos que passamos sem tomar banho por falta de água e, mesmo assim, podíamos ter o corpo sujo de pó, mas a alma sempre limpa com tanta boa energia. Está no frio que achamos impensável passar em África e no calor das noites animadas no Búzios a ver as Batucadeiras da Delta. Está nas gravações para o pitch da Rita e nos 1000 gb de vídeos que fizemos para, um dia, mostrarmos aos nossos filhos como a vida tão simples é tão boa.

Está nos cereais que comíamos em embalagens de manteiga reutilizadas e em todo o caixote que reutilizávamos nas actividades da sala de artes. Está nos dias a fazer caixinhas de papel e pulseiras na Delta e nos serões na varanda a cantar ao passo dos acordes da guitarra do Afonso. Serões na sucessiva aprendizagem para dançarmos sincronizados a Primeira Dama, mas sincrónica era só mesmo a nossa disposição. Está nas horas passadas na cozinha e nos minutos que não passávamos sem ouvir esfrega esfrega, só um beijo, nu bai, festa bedju e nha kretxeu. Se aquela varanda e as paredes daquela casa da Atchada Di Baxo falassem só iam conseguir rir às gargalhadas de tantos bons momentos.

Afonso, Beatriz e Rita: não nos conhecíamos de lado nenhum e saíram-me como prémio na lotaria da sorte. Todos juntos, eu, vocês e os nossos miúdos. Construímos uma casa, no sentido mais bonito da palavra e casa é onde está um pedaço do nosso coração. É um aglomerado de momentos, de sonhos, de partilha, de entre-ajuda. O Tarrafal é, para sempre, a casa de nós os quatro.

Entre choros e abraços despedimo-nos dos nossos miúdos. Despedimo-nos do Carlitos, do Gilson, do Nené emocionado, do Florian e da Marisa a agradecerem num abraço apertado, da Jassica e da Cutxinha que sempre tinham um sorriso pronto, do Samir que se tornou família e da Mariana, a melhor guia anjinho que rapidamente o coração esticou para a acolher. O momento que não queríamos que chegasse, chegou.

Entramos no carro de coração completamente partido, e, porque não há coincidências, o Rashid liga o rádio e, inexplicavelmente (porque nunca seria óbvia esta música em Cabo Verde) começa a dar a “To Build a Home” dos The Cinematic Orchestra. Era uma das músicas que mais ouvíamos em casa e agora a letra fazia (ainda) mais sentido. “This is a place where I don’t feel alone. This is a place where I feel at home. Cause, I built a home. For you. For me. Until it disappeared. And now, it’s time to leave and turn to dust.

Tudo o que sentíamos. Tudo o que juntos construímos. E tudo o que fazia sentido naquele momento. Demos as mãos, olhamos uns para os outros, esboçamos um sorrisos e entre lágrimas compulsivas, ouvíamos estas palavras cantadas enquanto contemplávamos a paisagem do Tarrafal a ficar cada vez mais distante. Foram seis minutos intensos. Seis minutos a relembrar em loop todos os momentos, todos os sorrisos, todas as brincadeiras e todo o amor que deixámos no Tarrafal por aquela gente. Seis minutos em que a tristeza deu lugar a uma felicidade inexplicável por ter vivido tudo isto, porque quem disse que a felicidade só é real quando é partilhada, disse-o com toda a certeza.

A Cesária Évora já falava em sodade e cantava que Cabo Verde está no caminho para São Tomé e assim quis o destino que fosse o caminho da minha aventura e levasse a letra à risca. Ti mas logo Tarrafal, ti manhã Delta. Fica dreto, nha kretxeu. Bo sta sabi.

P. S. – Dja bo ri oxi? :) (já sorriste hoje?)

A experiência da Inês na Colômbia

Demora algum tempo para assentar a experiência de voluntariado internacional, escrever sobre a mesma implica aceitar que já terminou. Toda a aventura que se desenvolve em torno dessa experiência, transforma-nos um bocadinho. Mas, se de facto o objetivo desta partilha é esse mesmo – partilhar -, vou começar pelo princípio.

Nunca questionei muito a decisão tomada de ir, e o tempo foi passando sem pensar muito no assunto. A Inês e a Marta sempre estiveram disponíveis (desde o inicio ao fim) e isso tornou tudo bem mais confortável. Na verdade, não há nada a apontar e, desde o nosso primeiro contacto, que eu recomendo a toda a gente que quer passar pela mesma experiência, que entre em contacto com elas.

O dia de ir é sem dúvida o mais desafiante, o dia em que se tem dúvidas, medos e ansiedades. Para combater esses males todos, bastou ter duas pessoas incríveis ao meu lado, que nunca na vida me iriam deixar desistir. Aquele momento no aeroporto, em que é ou não é, é determinante.

As (aproximadamente) 24h que me separaram desde casa, até Chinchiná, foram um pânico e uma ansiedade intensa. Chegar ao destino é sempre um alívio, e vou começar a partir daí.

As minhas seis semanas de voluntariado foram um processo de descoberta pessoal muito grande – aprender a dar, mas a dar com o coração. Tentar não perder a noção de qual o papel e de como devemos entrar na vida das pessoas. Saber gerir um conjunto enorme de emoções. Aprender a receber o que os outros nos dão. Aceitar que ninguém é igual a nós próprios. Partilhar muito espaço pessoal com outras pessoas. Deixar que os outros nos vejam tal como somos.

Desenvolvi várias atividades, e dificilmente poderei escolher uma preferida. Torna-se vago relatar tudo o que vivi, acho que só mesmo estando lá é que é possível sentir o impacto que uma experiência destas tem. Estive com os bombeiros de Chinchiná, num lar, numa casa de acolhimento, numa escola, várias fundações, visitei várias aldeias, juntamente com uma médica. Cada uma dessas experiências me mostrou o mundo de uma forma diferente. Tudo o que temos e não damos valor, tudo o que somos e nem nos damos conta, tudo o que podemos fazer e nem sequer temos consciência das oportunidades à nossa volta. Tudo isso se torna claro e, às vezes esta experiência, torna-se mais enriquecedora para nós próprios, do que para as pessoas com quem lidamos.

A grande surpresa foi a simplicidade que encontrei nas pessoas todas com quem contactei, no sorriso fácil, nos abraços verdadeiros. É muito fácil acreditarmos que fazemos tão pouco, quando estamos perante pessoas assim. E, mais uma vez, acredito que ganhamos mais, nós que somos voluntários, do que as pessoas com quem passamos os nossos dias.

Quanto à organização de acolhimento, os agradecimentos são os maiores do mundo. A sensação de nunca estar sozinha e ter sempre alguém com quem contar, é incrível. A minha experiência aproximou-me mais do Stiven e da Dani, que são pessoas que eu jamais irei esquecer, mas todos foram sempre disponíveis, prestáveis e atenciosos. O Glen, que é uma pessoa super corajosa e altruísta, sem esquecer o Bart, que ficará para sempre no meu coração, por tudo o que dá os outros. E por esta razão, para mim, a partir de hoje, todas as boas referências a trabalho voluntário estarão associadas a eles, porque deixa de haver palavras para o valor do trabalho que fazem.

Tenho também a agradecer a todos os outros voluntários com quem tive o imenso prazer de partilhar esta experiência, especialmente à Andreia e ao Tom, à Liz, à Valentina e a todos os outros, que seria difícil enumerar.

A prova de que não há limites para o que uma experiência destas pode oferecer, é a sorte de poder regressar com o coração a explodir de felicidade, agradecimento e amor. Amor pelos outros, um amor especial.

Ter atravessado o mundo para conhecer uma das pessoas mais alucinadas, no bom sentido, de sempre, mostra que nunca sabemos quando seremos surpreendidos (sim, Andreia és tu). Metade da minha experiência de voluntariado foi passada com uma voluntária portuguesa, que apenas conheci na Colômbia. É verdade que não é nada fácil conviver com a mesma pessoa 24h por dia, mas não é menos verdade que a surpresa foi enorme, e que terás um lugar muito muito especial no meu coração. Sei que às vezes eu falava e tu nem me ouvias, acho que faz parte do processo de tentar manter a sanidade mental. Juntas vivemos aventuras que dificilmente partilharei com outra pessoa, conhecemos lugares lindos e talvez, pela primeira vez nada vida, vivi contigo no momento presente, porque tu me ensinaste, isso não tem preço nem validade!

Claramente, o maior desafio, para mim, foi sair do meu espaço, da minha zona de conforto e de tudo aquilo que gosto e me faz sentir protegida. Assim, há um agradecimento gigante para todas as pessoas que ficaram cá, para me ouvirem e ajudarem nos piores momentos. E por piores, quero dizer os mais frágeis. Obrigada G. e Fi, por estarem sempre disponíveis para um pouco de loucura e medo.

Na realidade, seis semanas passaram a correr. Olho para trás e parece que voaram, mas deixaram uma marca muito importante no meu coração.

Tenho ainda a acrescentar que esta experiência única, terminou com duas semanas de férias inacreditáveis. A companhia, obviamente ajudou, mas numa país tão lindo como a Colômbia é muito fácil ficar encantado. Sendo sem dúvida, um dos países que, a partir de agora, mais irei recomendar. Falaram-me muitas vezes de como a Colômbia pode ser um país perigoso, de muitos riscos. O único mesmo é querer ficar, como diz a publicidade.

Por fim, e mais uma vez, queria realçar o papel da Inês e da Marta, o esforço continuo em estarem sempre presentes, o carinho demonstrando, a preocupação. Assim, por todas as razões e mais alguma, espero que esta não seja a minha única experiência de voluntariado internacional!

A experiência do Diogo e da Inês em Hong Kong

Esta foi a nossa primeira experiência num campo de voluntariado internacional e como tal os dias anteriores foram de grande ansiedade e nervosismo, ao mesmo tempo combinados com o otimismo de ir conhecer uma nova realidade, a qual nos era completamente desconhecia.

Foram 10 dias em Hong Kong, num programa que visava promover a socialização, cidadania e difusão de culturas a crianças dos 12 aos 16 anos de 7 diferentes escolas locais, através de atividades como a “biblioteca humana”, “ice breaking games” e workshops organizados pelos voluntários. Para isto, integrámos uma equipa de 8 voluntários internacionais e 2 voluntários locais, onde o trabalho árduo, entreajuda e bom ambiente fez com que o tempo tenha passado rápido.

Este projeto organizado pelo SCI Hong Kong, surgiu no contexto de consequências negativas do sistema escolar chinês, onde apesar de as crianças serem alunos muito empenhados e esforçados, a competitividade é levada a um nível extremo e irracional, o que resulta em significativas dificuldades de socialização, ao nível de extrema timidez, dificuldades em contactar com novas pessoas e de fazer amigos. Consequentemente, a taxa de suicídio infantil é extremamente elevada, sendo que o campo visava o divertimento e o alívio da pressão a que os adolescentes desta sociedade estão sujeitos.

Apesar da sua timidez, após colocarmos as crianças à vontade e fazermos alguma conversa com elas, estas eram bastante simpáticas e mostravam muita curiosidade sobre o nosso país, fazendo perguntas como: “no vosso país é assim tão quente durante o verão?”, “vocês conhecem o Cristiano Ronaldo?”, “gostam da nossa comida? o que é que vocês comem?”.

Assim, foi uma experiência única nas nossas vidas, um desafio bem sucedido, no sentido que acreditamos ter feito a diferença na vida deles através das atividades que desenvolvemos e do feedback que recebemos das crianças, ao mesmo tempo que este projeto fez a diferença na nossa vida ao termos trabalhado com voluntários de todo o mundo, conhecido vários locais de interesse histórico, religioso e cultural, aprendido algumas palavras de Mandarim e Cantonês (idiomas falados na China e Hong Kong respetivamente) e termos tido o prazer de cozinhar para todos os intervenientes do campo, uma sobremesa tão típica do nosso país como é o arroz doce e consequentemente ouvir as suas opiniões interessantes, dada a elevada discrepância gastronómica das culturas envolvidas.

A experiência da Joana em Caraíva, Brasil

Voluntariado internacional sempre foi algo que quis fazer, mas quando me inscrevi nesta experiência, não fazia ideia para onde ia. E sinceramente nem quis saber, deixei-me surpreender naturalmente, e foi o melhor que fiz!

Caraíva deixou uma GRANDE vontade de lá voltar!

Este mês tivemos oportunidade de fazer tudo, desde as coisas mais administrativas até uma “gincana” de férias com as crianças.

A gincana permitiu-nos ter um contacto com as crianças que de outra forma não seria possível. Permitiu-nos sentir todos aqueles abraços calorosos e sorrisos cheios de felicidade.

Incrível toda a curiosidade que aqueles miúdos têm de saber como é o resto do mundo, a forma como fazem perguntas sobre Portugal e mesmo sobre nós: “Em Portugal tem carro voador?” ou “Pro, pode parar de falar Inglês?”

Após um mês completamente fora da minha rotina, da minha zona de conforto e dos meus hábitos, sei que voluntariado muito mais que dar, é receber.

Um grande obrigada ao Para Onde por permitir toda esta experiência e conforto durante a mesma.

Sabemos que foi incrível quando inicialmente um mês é muito tempo, mas na verdade passou a correr e só queremos ficar mais um ou dois meses!

A Experiência da Rosa no Brasil

Caraíva

Para definir esta experiência só há uma palavra, Saudade!

Um mês, um mês de adaptação, conhecimento, partilha e muito amor. Comecei por perceber tudo o que este projeto tinha para me oferecer logo na primeira semana, no minuto em que senti aquele abraço envergonhado e vi aquelas carinhas com sorrisos contagiantes.

O nosso contributo passou por várias coisas, desde a administração e organização até à realização de uma “gincana de férias”, onde nos podemos relacionar mais com os miúdos.

A curiosidade com que nos abordavam, fazendo perguntas como ” Pro não entendi nada, você fala inglês?”,  “Em Portugal há carros voadores?” ou ” Pro você fala português errado, não é de é dxi”!

Eles foram, sem dúvida, o melhor de tudo!

Voltei de coração cheio, confiante de que o meu contributo fez a diferença na vida deles, ainda que eles tenham feito muito mais na minha.

Voltei com vontade de ficar, com vontade de voltar.

Voluntariado, mais que dar é receber.

Um grande obrigada à equipa Para Onde pela oportunidade e pelo voto de confiança.

Será para repetir.

A experiência da Beatriz na República Checa

 

Quando 2018 começou prometi a mim mesma que não ia deixar passar este ano sem fazer voluntariado internacional e assim foi… Um dia por acaso tropecei na página do Para Onde e foi assim que tudo se iniciou. Comecei a pesquisar e finalmente encontrei um campo de voluntariado que parecia que tinha sido feito para mim! Decidi candidatar-me e pouco tempo depois estava eu sozinha, num avião, com duas mochilas enormes a caminho da República Checa onde uma das maiores aventuras da minha vida me esperava.

De Praga a Ústí Nad Labem são certa de duas horas e pouco de comboio. Ústí é uma cidade pequena, vítima do comunismo e da segunda guerra mundial. Nela podemos encontrar a maior diversidade de pessoas.

 

 

A cidade tem um muro que a separa ao meio. De um lado ficam as ditas pessoas “normais” e do outro ficam as pessoas que sofrem de exclusão social. O meu campo de voluntariado ficava na parte da cidade que era socialmente excluída. A degradação dos edifícios e o estado das roupas com que as pessoas andavam mostrava logo a pobreza que ali se fazia sentir, pobreza que era monetária porque em termos afetivos nunca vi um lugar tão rico.

Para mim o ponto mas positivo de todos foi sem dúvida os miúdos! Nunca me senti tão acarinhada como ali. Eles eram genuínos e puros, sempre prontos a ajudar. Mesmo não tendo praticamente nada eram os primeiros a partilhar assim que recebiam algo. A felicidade de nos ver era notória e aqueles sorrisos enchiam o coração de qualquer um.

Esta experiência para mim foi muito enriquecedora e ajudou-me a abrir muitos horizontes. Fiz amigos de novos países, conheci novas culturas, vivi experiências incríveis como acampar e ordenhar uma cabra, aprendi um novo idioma (pouco mas aprendi), viajei sozinha, aprendi a desenrascar-me e tornar-me mais independente. Cresci. Quero muito voltar a fazer voluntariado. É sem dúvida a experiência de uma vida!

 

 

 

A Experiência da Sara na Bélgica

Parti para a Bélgica com um nervoso miudinho na barriga. Não sabia bem o que me esperava, nem se me ia ambientar bem. Contudo, bastou-me um dia para perceber que aquele centro para refugiados em Rixensart, a cerca de 20 Km de Bruxelas, me ia deixar muitas saudades.

Éramos uma equipa de cinco voluntários, de cinco países diferentes: Portugal, Sérvia, Rússia, Irão e Vietname. Unia-nos a vontade de ajudar, de fazer a diferença e, sobretudo, de aprender. O nosso trabalho consistia em organizar atividades para os residentes do centro, tanto crianças, como adultos, apesar de termos trabalhado mais com crianças.

O centro onde me encontrava era um centro de passagem para os refugiados, onde eles permaneciam até o governo belga decidir se podiam ou não ficar no país. O tempo mínimo de espera era de quatro meses. No entanto, existiam famílias que já lá viviam há alguns anos. Assim, o nosso objetivo enquanto voluntários era preencher o dia das crianças e dos adultos, que, no verão, não tinham muito que fazer.

Sinto que esta experiência me marcou muito a nível pessoal. Aprendi muito sobre mim, mas também sobre o mundo e sobre as suas desigualdades. Convivi com diferentes maneiras de pensar e de estar na vida, que me inspiraram a ser melhor e a fazer mais. Apercebi-me da sorte que tenho em viver num país sem guerra, onde sou livre para ser quem e o que quiser. E, acima de tudo, foi muito gratificante perceber que, independentemente de fronteiras, raças ou nacionalidades, temos todos muito mais em comum do que aquilo que pensamos!

Por isso aconselho vivamente a que partam à procura do desconhecido, de novas culturas e de formas extraordinárias de pensar e de viver! Vale mesmo a pena!

A experiência da Mariana na Estónia

Tallinn, uma cidade que para muitos não diz nada. Para mim também não dizia, temos que admitir que não é das capitais que tem mais turistas ou que seja do conhecimento das pessoas. Admito que também não o era para mim. Mas hoje, posso afirmar que as palavras “Tallinn” ou “Estónia” irão para sempre trazer-me excelentes memórias, com um sentimento de “segunda casa”.

2 semanas em Tallinn, na Estónia, foram a minha primeira experiência de voluntariado internacional, uma experiência para a qual me faltam palavras para descrever.

Esta minha primeira experiência foi de duas semanas em Tallinn, num programa de promoção de culturas numa escola de línguas, com crianças dos 13 aos 17 anos. Éramos uma equipa de 9 voluntários internacionais, que fizeram com que estas duas semanas me sentisse em casa. Nunca o tempo tinha passado tão rapidamente.

O primeiro fim de semana foi de planeamento de todas as tarefas e atividades que íamos realizar, e depois foram 10 dias de atividades com as crianças, apenas com um dia de descanso pelo meio. Posso dizer que foram 10 dias muito cansativos, mas os melhores 10 dias que poderia ter passado. De manhã começávamos as 10h, com apresentações de um país, seguidas de atividades sobre o mesmo. Depois do almoço íamos para algum parque/zona da cidade realizar atividades, todas diferentes de dia para dia. Apenas acabávamos as 18h, horário onde íamos jantar, mas muitas vezes depois do jantar tínhamos atividades para planear.

Durante este tempo consegui aprender inúmeras coisas sobre os diferentes países e culturas, trabalhar em grupo, ser responsável por crianças, ser flexível, criativa e a adaptar-me aos diferentes costumes e hábitos característicos de cada país.

Foram 10 dias que começavam cedo e acabavam tarde, mas 10 dias que me fizeram sorrir muito. Hoje, de regresso a Portugal, sei que venho de coração cheio de memórias e boas recordações. Saber que marquei a diferença na vida destas crianças, mesmo que por apenas 10 dias, é algo indescritível.

Quero apenas agradecer à associação “Para Onde” por todo o apoio e disponibilidade que demonstraram!
Nunca me irei esquecer destas 2 semanas incríveis que tive, com a certeza de que um dia irei voltar ao que considero ser a minha segunda casa.

A experiência da Joana na República Checa

Posso dizer que estas duas últimas semanas foram umas das melhores da minha vida, foi uma experiência simplesmente fascinante e que irei repetir no futuro. O ambiente vivido era fantástico. Aprendi imenso sobre a fauna e a flora. Cheguei tão mais rica! O trabalho era variado e diferente todos dias.
Construímos um muro para os lagartos e plantámos em lugares estratégicos para tornar aquele mundo, um lugar melhor e mais bonito. Construímos o hotel para insectos, em tempo record, graças ao fantástico espírito de grupo, o que nos deu tempo para pintar o espaço que alberga os muitos animais que estão em cuidado na instituição: furões, raposas, cobras, cabras, corujas, águias, esquilos, porcos espinho…
Foram dias maravilhosos! Trouxe na bagagem o sentimento de dever cumprido, a sensação de ter contribuindo para algo maior, experiências que nunca imaginei viver e, certamente, amigos para a vida.

A experiência da Ana Rita na Palestina

Após a minha primeira experiência de voluntariado internacional, não pude deixar de pensar em tudo o que dei e recebi naquele campo de refugiados! E passado um ano… aqui estou eu, mais uma vez, a praticar o bem!

Escolhi a Palestina para realizar atividades com cerca de 100 crianças num campo de férias! E vocês perguntam: A Palestina foi a tua primeira escolha? Não, a verdade é que não foi mesmo a minha primeira escolha, por razões que todos sabemos… MAS… porque não arriscar? Voluntariado é isso mesmo… ter um espírito aventureiro com uma enorme vontade de mudar o mundo!

Inicialmente fui com um pouco de receio… deixei para trás todas as minhas coisas, tudo aquilo que conhecia e mergulhei numa nova aventura que posso dizer com a máxima convicção que foi uma missão bem sucedida!

Todas as minhas dúvidas e receios ficaram para trás quando fui recebida por todas as crianças no campo de férias. Realizei diversas atividades, sendo que todas nós ficamos divididas por grupos, onde cada um ficou responsável por desenvolver dinâmicas relacionadas com o desenho, o teatro, o desporto, a cultura e o ambiente.

Durante duas semanas senti um “mix” de sentimentos que ainda hoje não consigo explicar… o medo esteve sempre presente, no entanto, quando todas nós vimos a felicidade de cada criança só por estarmos presentes, encheu o nosso coração! Elas gritavam pelos nossos nomes até nos alcançarem e só pelo facto de mudarmos a rotina de cada criança durante duas semanas, já valeu a pena sair do nosso habitat e conhecermos outra cultura!

Senti-me em casa! As famílias que viviam perto da nossa habitação temporária acolheram-nos como se fossemos filhas delas…senti que nos conheciam há muitos anos! Foi incrível!

Sem dúvida que através do voluntariado mudei a minha forma de pensar e ver o mundo… o mundo não é o que parece… e… TODOS nós somos capazes de o mudar! Depois de realizar duas experiências de voluntariado extraordinárias, posso dizer que me tornei numa pessoa melhor e com mais expectativas de vida! E por estas e outras razões aconselho vivamente a mergulharem em aventuras como esta! A verdade é que acabamos por dar mais valor à nossa vida e à dos outros!