Inês, Santo Antão 🇨🇻

O ano de 2019 será sempre lembrado pelas felizes memórias que guardo comigo depois da minha primeira experiência de voluntariado internacional.

Na minha infância, em férias com família,  tive a oportunidade de conhecer Cabo Verde. Já naquela época fiquei tão fascinada que, na hora de decidir qual o destino para me prestar a esta iniciativa de voluntariado, não surgiram dúvidas nem receios: Porto Novo, na ilha de Santo Antão, Cabo Verde. 

Se antes da partida estava ansiosa e expectante, depois de lá estar sentia, em cada pessoa, em cada família, em cada experiência, uma enorme vontade de conhecer mais, saber mais, provar mais, partilhar mais. A ilha tem lugares e paisagens deslumbrantes, a língua é contagiante, a cultura única e especial. As pessoas recebem-nos com abraços calorosos, sorrisos rasgados e beijos, muitos beijos, o que nos leva a sentir, de imediato, um conforto e um sentimento de pertença enormes. 

Apesar dos poucos recursos e das circunstâncias com que lidam no quotidiano, percebi que recebem os voluntários e as suas iniciativas com grande estima, reconhecimento e, sempre, com grande vontade de colaborar e ajudar. 

No projeto que integrámos , os nossos campos de atuação incidiram no “Espaço Jovem” – espaço destinado às crianças e  adolescentes – e no “Centro de Dia” que presta acompanhamento a um grupo de idosos. Enquanto voluntários tivemos a possibilidade de desenvolver diversas atividades, pensadas e partilhadas no sentido de se mostrarem produtivas e enriquecedoras, tanto para os jovens, como para os idosos.

Com a dinamização das atividades para estas duas faixas etárias pretendíamos, essencialmente: a ocupação de tempos livres com temáticas úteis e ajustadas; a aquisição de competências por via da criatividade e da aprendizagem; a partilha de ideias, opiniões e preocupações; a promoção da sensibilidade para as questões ambientais, da saúde, da família, da educação, entre outros. 

Esta experiência permitiu-me aprender que voluntariado é uma relação de troca permanente, de afetos, de atenção, de experiências e resulta numa enorme aprendizagem e crescimento que, estou certa, me acompanharão sempre, enquanto pessoa. Porto Novo ensinou-me serenidade e valorização do que tenho e do que sou, deu-me fins de tarde na Praia d’Armazém, levou-me até pessoas admiráveis e ensinou-me a “fcá dret”. A pior parte desta experiência? A sodade que deixa. 

Cíntia, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Experiência magnífica. O primeiro adjetivo que posso usar para sintetizar as cinco semanas que passei em Arraial d’Ajuda é mesmo esse: magníficas. Demorei um pouco até cair na realidade, que estou de volta, porém, agora olho para trás e vejo que essas semanas intensas me marcaram e irão sempre contribuir para o meu futuro.

Não tinha expectativas e a única certeza que ia comigo é que queria ajudar de alguma forma, tendo em conta que fazer voluntariado já era desejado há muito por mim, porém não só ajudei como voltei diferente e por mais que tente explicar a quem cá ficou é inimaginável o carinho que senti, o amor, a inocência e a sensação de estar em casa.

Os beijinhos, os abraços, os pedidos “titia, baby shark”, “titia quero voar”, “cadê seu cachorro”, são pequenos gestos que fizeram parte do dia-a-dia e que têm mais importância do que parece. Fiquei, maioritariamente, a acompanhar a creche e não poderia ter “calhado” melhor, os pequeninos já com personalidade vincada reforçam que o essencial não é material, que a felicidade e as risadas mais sinceras não vêm com o que se tem mas com o que se é e recordo todos os risos dos “bebés” com um sorriso na cara e com vontade de apanhar um avião e abraça-los. Voltaria a escolher Arraial d’Ajuda e o calor brasileiro SEM DÚVIDA!

“Titia seu lugar é aqui”. É mesmo, por mais que me sinta agradecida, por mais que se tente explicar, as crianças da Filhos do Céu farão sempre parte de mim e o desejo de voltar é cada vez maior. 

Beatriz, Santo Antão 🇨🇻

Em setembro de 2019 cumpri um sonho antigo. Estive um mês em Cabo Verde, na ilha de Santo Antão a fazer voluntariado. Um mês que passou tão rápido que pareceram duas semanas.

Pedem-nos, no fim, para escrevermos sobre a nossa experiência. E estou a tentar, há semanas que estou a tentar. Mas sempre que escrevo tenho a sensação que nunca consigo transmitir verdadeiramente tudo aquilo que vivi e senti naqueles 30 dias.

Santo Antão é um lugar maravilhoso, simples e calmo que se entranha em nós: a ilha, a língua, a cultura, as pessoas. No primeiro dia senti-me logo em casa e quaisquer dúvidas que ainda pudesse ter desaparecem no momento em que cheguei.

O projeto que nos acolhe (Synergia Cabo Verde) desenvolve atividades com um grupo de crianças, mas também com um grupo de idosos e aos voluntários é dada toda a liberdade para participar e contribuir para o plano de atividades.

Os nossos dias eram então divididos entre o Centro de Dia e o “Espaço Jovem”. Em ambos os locais eramos sempre recebidas de braços abertos, tanto pelos idosos que estavam sempre dispostos a distribuir beijos e abraços como pelas crianças que tanto amor têm para oferecer. A verdade é que recebemos o dobro daquilo que damos.

A simplicidade de todas as coisas foi o que mais me surpreendeu. A facilidade com que estas pessoas se entregam é simplesmente indescritível. São pessoas que dão sem esperar nada em troca, que nos tratam como família, onde se criam laços fortes mesmo num período de tempo tão curto.

Se querem enveredar por uma experiência como esta, não pensem duas vezes, não se vão arrepender. O meu maior arrependimento foi não ter ficado mais tempo.

Catarina, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

São Tomé e Príncipe foi o lugar que escolhi para realizar o meu sonho de criança. Na minha infância sonhava com o dia em que iria para África fazer voluntariado e imaginava-me com as crianças ao colo e a brincar. Setembro foi o mês em que o sonho se tornou realidade.

Esta foi sem dúvida a experiência mais feliz da minha vida. Quando à noite me deitava conseguia sentir o meu coração cheio de amor. Viver num lar com crianças é puder ter a oportunidade de as acompanhar desde que acordam até que vão dormir. É acordar com a animação da música nas colunas e nas vozes das miúdas e é ir deitar depois de contar e “renovar” a história de adormecer e de receber abracinhos e beijinhos de “boa noite”. É ser conselheira, enfermeira, amiga, mãezinha e irmã. É criar laços que ficaram para sempre e perceber a felicidade e o amor incondicional.

Para mim voluntariado é partilha, mas sem dúvida que aquilo que cada criança me dava era muito mais do que aquilo que tinha para lhes oferecer. Ensinam-nos que a vida é mais simples do que aquilo que os nossos olhos veem e que qualquer obstáculo é rapidamente resolvido. Como eles dizem, “eles são rijos”, e é mesmo verdade! Gerem as tarefas da casa, constroem os seus brinquedos, organizam as suas brincadeiras, cantam alto, sorriem com brilho nos olhos e são felizes!

Termino esta experiência mais agradecida, feliz, “leve-leve” e com o coração muito mais cheio!

Se tens dúvidas se deverias fazer voluntariado, então já não há dúvidas. Fá-lo. A realidade consegue superar tudo aquilo que imaginas.

Mariana, S. Tomé e Príncipe 🇸🇹

Feliz é saúde.

É a experiência que nos dá outro lema de vida. Vemos uma outra realidade que nos espanta e encanta em simultâneo. Onde os miúdos se educam na companhia uns dos outros com kolikos mas também com abraços e rituais de beijinhos de boa noite, depois da história que nos pedem para contar e recontar na noite seguinte. Miúdos que partilham pães entre eles e que há sempre um pouco para nós. Miúdos que se tornam os nossos maiores protetores. Miúdos que gerem uma casa e que se deixam gerir pela família que lhes oferece o melhor que podem receber, educação. Miúdos que aceitam qualquer desafio e que são umas máquinas em tudo! Miúdos que se enchem de sorrisos quando lhes olhamos nos olhos, que disputam o nosso colo ou que só nos pegam na mão para dançarmos a este ritmo de vida alucinante. Viver sem saber quando falta a água e luz vale 500 vezes o sentimento que levo comigo, depois de um mês no lar. São experiências que nunca vou apagar da minha memória, sorrisos e olhares que tanto brilho nos dão. Sai do lar que tão bem me acolheu, com uma experiência incrível nas mãos e com todos abraços que recebi de todos os lados. No final, é verdade, é mesmo como diziam, é incrível sentir este contacto de tão perto, transforma-nos para melhor. Temos mais a aprender com eles do que qualquer um pode imaginar. Esta foi a sorte que tive. Obrigada pela oportunidade de pertencer a esta família. Um enorme obrigada!!

Miguel, Suíça 🇨🇭

Hallo! Venho aqui deixar o meu testemunho da minha aventura por terras helvéticas! Inicialmente a minha ideia era aliar o gosto pelo voluntariado (algo que já fazia em Portugal) e o de conhecer um pouco outro país, a sua realidade, cultura e pessoas, enquanto habitante de uma comunidade rural. Após alguma reflexão, acabei por optar pelo campo de voluntariado “Gipsgrueb Cooperative” localizado em Ehrendingen na Argóvia. A escolha deste campo deveu-se ao seu trabalho ser maioritariamente “DIY” (Do It Yourself), e ser relacionado com painéis / coletores solares, algo do qual nutro algum interesse! O conceito de cooperativa na Suíça, é de uma maneira simplificada,  uma pequena comunidade de famílias ou pessoas que colaboram entre si para um bem comum. Na realidade, é uma empresa, mas todas as decisões tomadas em assembleia pressupõem que os votos dos membros têm igual peso.

O objetivo principal do campo era a substituição do isolamento contido no sistema de circulação de água do coletor solar da cooperativa. O isolamento já tinha 25 anos e necessitava de reparação…
Tivemos que cavar e retirar algumas lajes de pavimento para aceder aos tubos.

O trabalho nos primeiros dias era basicamente este, e já era bem duro! Houve sempre entre-ajuda e bom ambiente entre os voluntários o que certamente contribuiu para que o trabalho não fosse tão desmoralizante. Houve também a oportunidade de adquirir alguns conhecimentos relativos ao sistema presente na cooperativa, ao participar num workshop realizado pelo coordenador do campo (Michael Keller, na imagem abaixo).

A organização das tarefas era feita pelo coordenador, e podiam variar desde recolha de frutos, remover ervas daninhas da horta, rachar lenha e fazer cimento para restaurar uma parede degradada.

Nem sempre se trabalhava no campo! A cada dia, havia sempre uma equipa de dois voluntários que ficaria encarregue de realizar as refeições (comprar os produtos que fossem necessários, recolher da horta e confecionar). Na imagem abaixo a Julie (Rep. Checa) e o Alberto (México) preparam o almoço.

É, sem dúvida, um desafio cozinhar para mais de 7 pessoas! Mas houve certamente vezes em que tivémos refeições bem deliciosas! Apresento-vos uma lasanha que eu e outros dois voluntários (Lukas (Suíça)  e Sarah (Bélgica) ) preparámos…

Mas nem só de trabalho se vivia, também tivemos bons momentos de lazer, como por exemplo a subida a Lägern (circa 800m), um monte próximo do campo de voluntariado.
Ou uma bela partida de matraquilhos.
Como cumprimos com todas as tarefas mais cedo que o planeado, conseguimos ainda visitar Baden (a cidade mais próxima)…
e passar alguns dias numa cabana algures nos Alpes (Meiringen)… algo verdadeiramente espectacular!
Com mais uma subida a Wandelhorn (2300m)….
Ou algumas cascatas bem impressionantes…

No geral, adorei este campo… trabalhámos bem, com bom ambiente e convivência. Com isso fomos recompensados com a visita a várias paisagens magníficas. Conheci excelentes pessoas que vou recordar para sempre. (da esquerda para a direita, atrás, Sarah, Alberto, Miguel, Lukas, Michael, à frente, Anastasia (Rússia), Julie, Annalisa e Mattia (Itália)). Espero um dia voltar a repetir uma experiência como esta! Obrigado!

Ana, Guiné-Bissau 🇬🇼

No dia 4 de abril embarquei naquela que seria a melhor experiência da minha vida, a maior aventura e que finalmente consegui realizar, quando tinha a certeza que ia dar mais sentido à minha vida. Senti que precisava de encontrar um rumo e que passaria por contribuir positivamente na vida de alguém. Não sabia o que esperar, mas quando vi aqueles miúdos no aeroporto para me receberem e cantarem uma canção de boas vindas, ai com os olhos já a brilhar percebi que tinha tudo para dar certo. É tão difícil colocar em palavras tudo o que vivi em 120 dias. Saber que naquele lugar eu fui realmente feliz. Consegui perceber que a felicidade pura existe e eu pude vivê-la. Fi-lo para descobrir ainda mais sobre mim e sobre o mundo. E por outro lado, acreditava que precisava de um ‘choque’ com outra realidade basicamente, sair da minha zona de conforto.

Foram meses a trabalhar em triplo para monetariamente, conseguir suportar o tempo que ia estar fora, dias e dias com os meus a divertir-me para que as saudades fossem atenuadas antecipadamente. E num abrir e fechar de olhos era eu partir sozinha na aventura. Fui e descobri a verdadeira definição de amor e partilha. Fui e conheci o povo da Guiné-Bissau um povo humilde. A verdade é que as palavras nunca irão descrever tudo de bom que aquele bairro me deu.

Ter contacto com a pobreza, num primeiro momento, pode ser mais chocante do que esperávamos, nada parece real. As condições ou falta delas são assustadoras. É uma densidade problemática derivada a um sistema corrupto e despreocupado. Uma brutal desigualdade de uma sociedade com escassos meios para vingar. É como ter numa mão a humildade e na outra a crueldade. Aquele bairro é um lugar onde a gratidão e a bondade vivem em plena harmonia, onde a felicidade é um modo de vida e não um objetivo. Estes meninos têm muito menos razões para sorrir que muitos de nós, no entanto, são eles os mestres na arte da alegria. Foi com eles que passei os melhores momentos. Foram eles o motivo do meu cansaço. E são eles que me dão uma vontade enorme de voltar agora. É um amor sem fim.

A magia que aquele lugar tem, apesar de ser única é indescritível. O povo guineense são um povo trabalhador e um povo corajoso perante tantas dificuldades, que acreditem são muitas, e ainda assim tão genuinamente feliz. Podia simplesmente estar a passar há frente de suas casas e convidavam logo para comer junto deles, o pouco que tem gostam de partilhar. Que inspirador. Estou grata por ter tido a oportunidade de ter feito parte deste projeto na Escola Humberto Braima Sambú, por ter sido tão bem recebida pela comunidade, por ter vivido a melhor e mais gratificante experiência da minha vida, e tenho uma profunda tristeza por ter chegado ao fim.

Nestes 4 meses aprendi que é preciso ser flexível e estar disposto a adaptar os planos às condições, que nem sempre são favoráveis. Aprendi um pouco sobre as tradições, o seu estilo de vida, no que acreditam. Aprendi também que há um mundo completamente diferente do que estamos habituados, uma realidade às vezes dura de ver. Foi principalmente pelas crianças que fui e foi com elas que aprendi mais. É incrível
a quantidade de amor que têm para dar. Com elas aprendi que não somos o que temos, somos o que damos, o amor o afeto. Aprendi que a felicidade está nas pequenas coisas e que precisamos muito menos do que aquilo que julgamos.

Fazer voluntariado é ter capacidade de adaptação e vontade de descobrir. É sair da zona de conforto e perceber que até te dás bem por lá. É a possibilidade de te reinventares em situações desconhecidas. É saber aproveitar o aqui e agora. É assumir a aventura. É querer aproveitar ao máximo. É querer partilhar tudo isto com quem te incentivou e apoiou a vir. É perceber que existem outras realidades, bem distantes das nossas. É conhecer outros sons e outros sabores. É poder apreciar um céu estrelado e paisagens com novas cores. Fazer voluntariado é receber tanto, aprender, crescer, se adaptar e evoluir. É fechar os olhos, sentir a chuva a bater na cara e desfrutar de uma nova sensação de liberdade. É perceber que dentro da pobreza também é possível encontrar o paraíso. É conformar com o “arroz nosso de cada dia”. É viver com e como os locais. E se cada um de nós tivesse uma experiência destas na vida, as pessoas eram bem mais felizes e mais gratas pela vida no geral.

Para mim, Bissau foi viver intensamente cada momento, foi ver os sorrisos e gargalhadas mais genuínos, foi andar de pé descalço e de espírito leve, e foi dançar (ou tentar) ao som de Charbel e Eric Dáro com os miúdos, foi encontrar uma família em África, foi dar um pouco de mim sem estar à espera de receber a dobrar, foi conhecer- me melhor, foi fazer amigos verdadeiros, foi aprender o quão delicioso é viver desapegado do materialismo e de pequenos luxos, foi ser criança outra vez, foi rir e abraçar muito e é ter uma vontade enorme de voltar neste momento. O meu coração transborda amor e os meus olhos um brilho especial por todas aquelas crianças que me marcaram para sempre. Obrigada a todos os voluntários que partilharam a mesma aventura que eu e me terem proporcionado momentos para a vida. Obrigada Para Onde por esta oportunidade.

Este regresso a casa foi a despedida mais dolorosa pela qual já passei, dá-se um aperto enorme no peito, pois a vontade de ficar toma proporções que não pensei que fosse possível. As lágrimas teimavam em correr sem que eu conseguisse ter mão nelas. De repente aquilo que já tinha virado rotina, aquelas pessoas que me acolheram como se fosse parte da família já não estavam lá mais. E custa muito. Mas é porque o sentimento foi puro, foi genuíno. Fiz as amizades mais bonitas na Guiné-Bissau. São muitas pessoas que ficam para trás, muitos locais, muitos momentos. Sinto saudades de quem lá deixei e saudades de quem lá era, uma versão mais simples, mais livre e mais pura de mim. Quatro meses muito intensos e cheios de tantas recordações. Venho de coração cheio e com a certeza de que fiz a escolha certa ao ter partido rumo há Guiné. Os sorrisos e os abraços daquelas crianças são o retrato e a imagem de Bissau que levo comigo para todo o lado. Volto transformada e volto incompleta, porque uma parte de mim permanecerá para sempre lá. A esse sítio que será para sempre especial. Onde deixei um bocado de mim, mas de onde trouxe ainda mais. Guiné-Bissau me conquistou e fará sempre parte de mim. E eu mal posso esperar pelo dia em que vou voltar e viver tudo outra vez. Guiné-Bissau até breve.

Filipa, Irlanda 🇮🇪

Regressei há pouco mais de um mês da Irlanda e apesar de ser uma repetente nestas andanças, não é assim tão fácil transmitir como foram estas duas semanas.

Mais uma vez escolhi um projeto relacionado com proteção ambiental, afinal é uma área na qual me sinto realmente à vontade e onde a palavra trabalho é facilmente substituída por entretenimento. Assim, durante duas semanas fiz voluntariado no projeto Killarney National Park Woodland Conservation. Este projeto está integrado na preservação e manutenção do Killarney National Park, sito no pitoresco condado de Kerry. Desde há alguns anos, vários workcamps têm decorrido aqui de forma a controlar o crescimento da espécie Rhododendron Ponticum. Apesar de este tipo de planta com flor embelezar muitas paisagens pela Europa, neste parque é considerada uma espécie invasiva, pois tem prejudicado o crescimento e desenvolvimento de carvalhos, uma espécie nativa do parque. Dando continuidade ao controlo que tem sido efetuado e sempre acompanhados por rangers e outros trabalhadores permanentes do parque, o nosso trabalho consistia em cortar e eliminar estas plantas. Poderá parecer um trabalho aborrecido, mas garanto-vos que não foi. Para mim, foi sem dúvida um grande privilégio fazer voluntariado num parque natural tão bonito e cuidado como este. Uma vez que trabalhávamos em zonas remotas, de difícil acesso para os turistas ou até mesmo para habitantes locais, todos os dias era surpreendida com paisagens i-n-c-r-í-v-e-i-s. Todos os dias tínhamos que caminhar – por vezes, caminhar significava fazer montanhismo ou até mesmo trepar – cerca de uma hora até à área a controlar e, durante este tempo, recordo-me de pensar sempre na sorte que tinha em estar ali. Afinal, estava a ajudar na preservação de um local tão importante como o Killarney National Park, estava a descobrir locais que de outra forma certamente não o faria e estava no meu escritório preferido que é estar em contacto com a Natureza. Em alguns dias, ainda tive a oportunidade de ver no seu habitat natural alguns exemplares de duas espécies veados. Como poderia ficar aborrecida ou arrepender-me por ter escolhido este projeto?

Para tornar esta experiência ainda mais memorável, num dos dias enquanto trabalhava, fui picada por três vespas, o que me obrigou a ir ao médico e a uns dias de sonolência devido à medicação. Isto para vos dizer que todos os conselhos e dicas que nos dão na formação pré-partida devem ser considerados e que o Manel e a Joana nos dão o melhor apoio possível.

Também passei por algumas situações inesperadas relativamente à postura de outros voluntários, por isso é realmente importante saber gerir as expectativas e ser flexível. Com ou sem experiência, nunca nenhum programa de voluntariado será igual, mas se mantivermos sempre uma atitude positiva e o nosso propósito em mente, serão sempre dias inesquecíveis e que desejaremos repetir. Como tal, espero no próximo ano participar noutro workcamp ou, quem sabe, desafiar-me num projeto de longa duração.

Caso queiras ir para a Irlanda, um bom casaco e calçado impermeáveis são indispensáveis. No entanto, a boa disposição e simpatia dos irlandeses, as paisagens l-i-n-d-a-s e verdes, e a típica Guiness transformarão qualquer dia de chuva aborrecido num dia espetacular!

Se ainda estás com dúvidas, não percas mais tempo. Se tens vontade de ir, vai! A Para Onde? ajuda-te em tudo, só tens que escolher o local :)

Joana, Moçambique 🇲🇿

Preparem-se para ouvir uma frase cliché: Esta experiência mudou a minha vida! Antes de ir já calculava que seria uma experiência extremamente marcante, mas não tinha noção daquilo que ia mudar efetivamente em mim.

Em Lisboa eu acordo cedo, amaldiçoo a minha sorte por ter de me levantar, por ter de entrar nos transportes, por ter de ir trabalhar, sinto-me cansada mal acordo. Em Moçambique eu acordava ainda mais cedo, por volta das 6h30, passava uma hora no autocarro até às Mahotas (onde fica situada a Cooperativa) – um autocarro mil vezes mais lotado que os de Lisboa (sim, não imaginava que fosse possível) – e chegava à Cooperativa com um sorriso na cara, sendo tipicamente recebida com fortes abraços por parte daqueles pequenotes lindos.

O dia era longo, mas estranhamente não sentia o cansaço, havia cansaço, mas era de um tipo diferente. As crianças estavam sempre felizes, as pessoas com quem nos cruzávamos e falávamos na rua estavam sempre felizes e estranhamente nós também estávamos sempre felizes.

É uma realidade dura, não vos vou mentir, às vezes perguntava a mim mesma como é que aquelas pessoas conseguiam aguentar, principalmente como um sorriso na cara. Ter a oportunidade de estar com aquelas pessoas maravilhosas, de ajudar, de falar com elas sobre as suas preocupações, sobre a sua visão acerca da situação do país é verdadeiramente uma experiência indescritível.

Não pensem que é igual a outra viagem qualquer, porque não é. É extremamente mais gratificante e enriquecedor, não só porque tens a oportunidade de ajudar como também porque tens a possibilidade de aprender muito mais. Ir a um país e ficar em hotéis em zonas turísticas não tem nada que ver com a aprendizagem que vão conseguir ter ali.

Foi verdadeiramente uma experiência que mudou a minha forma de olhar para a vida, porque às vezes estamos tão confinados no nosso “mundinho”, na nossa rotina, que nos esquecemos que há literalmente um mundo inteiro lá fora para descobrir! Há tantas oportunidades, há tanta coisa que podemos estar a fazer que não vale a pena resignarmo-nos com uma rotina que não nos faz felizes.

Acreditem que recebemos muito mais com esta experiência do que damos (mais uma frase cliché, perdoem-me).

Gostava de agradecer à “Para Onde?” por tornar isto possível, à Cooperativa Luana Semeia Sorrisos por nos acolher tão maravilhosamente e a todas as pessoas que me encheram a coração durante este mês.

Maria e Vera, Finlândia 🇫🇮

Há cerca de um mês estávamos a embarcar para uma aventura de voluntariado com a Para Onde?. O destino foi a Finlândia e o projeto chamava-se “Community art and art camp for kids”.

Decidimos candidatar-nos a este projeto pois ambas queríamos trabalhar com crianças e, também, viajar para um país que ainda não conhecíamos. Assim, depois de decidido o destino e de termos sido aceites no campo, fomos a Lisboa para assistir à formação do Para Onde?. Aqui, recebemos uma série de conselhos e realizámos diferentes atividades, que nos permitiram antecipar algumas das situações que poderiam acontecer enquanto estivéssemos no campo de voluntariado.

Uns dias depois da formação, mais precisamente a 15 de Agosto, lá fomos nós rumo à Filândia. O campo só começava no dia 18, mas nós decidimos ir mais cedo para passarmos uns dias em Helsínquia!

No dia 18 lá fomos nós para Forssa, a região que nos acolheu durante uma semana. No ponto de encontro ficamos desde logo a conhecer algumas voluntárias e seguimos juntas para a casa onde íamos ficar. O tipo de casa onde ficámos tem o nome de “cottage” e consiste numa habitação típica da Finlândia. Localizava-se em Tamella, uma pequena localidade perto de Forssa, muito paisagística e tranquila. No nosso “cottage” tinhamos também o típico lago e a sauna finlandeses.

Na primeira noite, tivemos oportunidade de conhecer melhor o grupo de voluntários e, também, de perceber que atividades é que íamos fazer durante a semana. O grupo de voluntários era composto por dois coordenadores finlandeses e por seis voluntárias de diferentes países: nós as duas de Portugal, uma da Suiça, uma de Espanha, uma de Taiwan e uma de Hong Kong.

O facto de sermos todos de países diferentes foi algo que foi muito interessante e divertido, pois tivemos a oportunidade de partilhar algumas experiências e costumes dos nossos países. Nós levámos vinho do Porto para todos eles provarem, tivemos um jantar em que cada pessoa preparou uma comida típica do seu país, comemos doces típicos de Hong Kong e provámos o bubble tea de Taiwan.

Ao longo da semana, durante as manhãs, ficávamos por casa a preparar diferentes atividades para desenvolvermos com as crianças e jovens. Depois, à tarde, íamos todos os dias a diferentes escolas e, aí, ou assistíamos e participávamos nas aulas de inglês dos jovens ou, então, fazíamos diferentes trabalhos manuais com as crianças. O objetivo deste campo passava muito por ajudar os adolescentes a melhorarem  o seu inglês e por desenvolver atividades artísticas com as crianças mais novas. Neste sentido, nas aulas de inglês, chegámos a mostrar vídeos do nosso país e a responder a algumas curisosidades que os alunos tinham relativamente aos diferentes países. Com as crianças mais novas, fizemos vários trabalhos de origami e pintura. Para além disso, houve um dia que fomos até ao centro de juventude de Tamella e ficámos responsáveis por fazer pizzas, de modo a que todos juntos (voluntários e jovens do centro) passássemos uma tarde divertida!

Para além das atividades que realizámos nas escolas, no sábado, tivemos ainda a oportunidade de organizar vários workshops para toda a comunidade, que aconteceram em três eventos diferentes na região de Forssa. Estes eventos consistiam em pequenas feiras, onde as crianças e os adultos tinham a oportunidade de participar em diversas atividades e comprar produtos locais. Nestes eventos, nós voluntárias ficamos responsáveis por criar diferentes momentos de diversão e, por isso, juntamente com as crianças e as suas famílias, estivemos a fazer origamis, figuras em barro, pinturas faciais e outros trabalhos manuais.

A par de tudo aquilo que fomos fazendo nas escolas, no tempo livre tivemos ainda a oportunidade de fazer várias atividades típicas da Finlândia, como, por exemplo, idas à sauna e ao lago, andar de barco e a cavalo e visitar o museu sobre a história da região de Forssa. Estas diferentes atividades permitiram-nos experienciar a cultura finlandesa e, sobretudo, conhecer melhor a região que nos acolheu ao longo de uma semana.

Esta aventura não teria sido igual sem a presença das outras voluntárias e dos coordenadores, que tornaram esta experiência muito gratificante e divertida!!! Obrigada a eles por esta semana incrível e à Para Onde? pelo apoio constante.