A Experiência da Sara na Bélgica

Parti para a Bélgica com um nervoso miudinho na barriga. Não sabia bem o que me esperava, nem se me ia ambientar bem. Contudo, bastou-me um dia para perceber que aquele centro para refugiados em Rixensart, a cerca de 20 Km de Bruxelas, me ia deixar muitas saudades.

Éramos uma equipa de cinco voluntários, de cinco países diferentes: Portugal, Sérvia, Rússia, Irão e Vietname. Unia-nos a vontade de ajudar, de fazer a diferença e, sobretudo, de aprender. O nosso trabalho consistia em organizar atividades para os residentes do centro, tanto crianças, como adultos, apesar de termos trabalhado mais com crianças.

O centro onde me encontrava era um centro de passagem para os refugiados, onde eles permaneciam até o governo belga decidir se podiam ou não ficar no país. O tempo mínimo de espera era de quatro meses. No entanto, existiam famílias que já lá viviam há alguns anos. Assim, o nosso objetivo enquanto voluntários era preencher o dia das crianças e dos adultos, que, no verão, não tinham muito que fazer.

Sinto que esta experiência me marcou muito a nível pessoal. Aprendi muito sobre mim, mas também sobre o mundo e sobre as suas desigualdades. Convivi com diferentes maneiras de pensar e de estar na vida, que me inspiraram a ser melhor e a fazer mais. Apercebi-me da sorte que tenho em viver num país sem guerra, onde sou livre para ser quem e o que quiser. E, acima de tudo, foi muito gratificante perceber que, independentemente de fronteiras, raças ou nacionalidades, temos todos muito mais em comum do que aquilo que pensamos!

Por isso aconselho vivamente a que partam à procura do desconhecido, de novas culturas e de formas extraordinárias de pensar e de viver! Vale mesmo a pena!

A experiência da Mariana na Estónia

Tallinn, uma cidade que para muitos não diz nada. Para mim também não dizia, temos que admitir que não é das capitais que tem mais turistas ou que seja do conhecimento das pessoas. Admito que também não o era para mim. Mas hoje, posso afirmar que as palavras “Tallinn” ou “Estónia” irão para sempre trazer-me excelentes memórias, com um sentimento de “segunda casa”.

2 semanas em Tallinn, na Estónia, foram a minha primeira experiência de voluntariado internacional, uma experiência para a qual me faltam palavras para descrever.

Esta minha primeira experiência foi de duas semanas em Tallinn, num programa de promoção de culturas numa escola de línguas, com crianças dos 13 aos 17 anos. Éramos uma equipa de 9 voluntários internacionais, que fizeram com que estas duas semanas me sentisse em casa. Nunca o tempo tinha passado tão rapidamente.

O primeiro fim de semana foi de planeamento de todas as tarefas e atividades que íamos realizar, e depois foram 10 dias de atividades com as crianças, apenas com um dia de descanso pelo meio. Posso dizer que foram 10 dias muito cansativos, mas os melhores 10 dias que poderia ter passado. De manhã começávamos as 10h, com apresentações de um país, seguidas de atividades sobre o mesmo. Depois do almoço íamos para algum parque/zona da cidade realizar atividades, todas diferentes de dia para dia. Apenas acabávamos as 18h, horário onde íamos jantar, mas muitas vezes depois do jantar tínhamos atividades para planear.

Durante este tempo consegui aprender inúmeras coisas sobre os diferentes países e culturas, trabalhar em grupo, ser responsável por crianças, ser flexível, criativa e a adaptar-me aos diferentes costumes e hábitos característicos de cada país.

Foram 10 dias que começavam cedo e acabavam tarde, mas 10 dias que me fizeram sorrir muito. Hoje, de regresso a Portugal, sei que venho de coração cheio de memórias e boas recordações. Saber que marquei a diferença na vida destas crianças, mesmo que por apenas 10 dias, é algo indescritível.

Quero apenas agradecer à associação “Para Onde” por todo o apoio e disponibilidade que demonstraram!
Nunca me irei esquecer destas 2 semanas incríveis que tive, com a certeza de que um dia irei voltar ao que considero ser a minha segunda casa.

A experiência da Joana na República Checa

Posso dizer que estas duas últimas semanas foram umas das melhores da minha vida, foi uma experiência simplesmente fascinante e que irei repetir no futuro. O ambiente vivido era fantástico. Aprendi imenso sobre a fauna e a flora. Cheguei tão mais rica! O trabalho era variado e diferente todos dias.
Construímos um muro para os lagartos e plantámos em lugares estratégicos para tornar aquele mundo, um lugar melhor e mais bonito. Construímos o hotel para insectos, em tempo record, graças ao fantástico espírito de grupo, o que nos deu tempo para pintar o espaço que alberga os muitos animais que estão em cuidado na instituição: furões, raposas, cobras, cabras, corujas, águias, esquilos, porcos espinho…
Foram dias maravilhosos! Trouxe na bagagem o sentimento de dever cumprido, a sensação de ter contribuindo para algo maior, experiências que nunca imaginei viver e, certamente, amigos para a vida.

A experiência da Ana Rita na Palestina

Após a minha primeira experiência de voluntariado internacional, não pude deixar de pensar em tudo o que dei e recebi naquele campo de refugiados! E passado um ano… aqui estou eu, mais uma vez, a praticar o bem!

Escolhi a Palestina para realizar atividades com cerca de 100 crianças num campo de férias! E vocês perguntam: A Palestina foi a tua primeira escolha? Não, a verdade é que não foi mesmo a minha primeira escolha, por razões que todos sabemos… MAS… porque não arriscar? Voluntariado é isso mesmo… ter um espírito aventureiro com uma enorme vontade de mudar o mundo!

Inicialmente fui com um pouco de receio… deixei para trás todas as minhas coisas, tudo aquilo que conhecia e mergulhei numa nova aventura que posso dizer com a máxima convicção que foi uma missão bem sucedida!

Todas as minhas dúvidas e receios ficaram para trás quando fui recebida por todas as crianças no campo de férias. Realizei diversas atividades, sendo que todas nós ficamos divididas por grupos, onde cada um ficou responsável por desenvolver dinâmicas relacionadas com o desenho, o teatro, o desporto, a cultura e o ambiente.

Durante duas semanas senti um “mix” de sentimentos que ainda hoje não consigo explicar… o medo esteve sempre presente, no entanto, quando todas nós vimos a felicidade de cada criança só por estarmos presentes, encheu o nosso coração! Elas gritavam pelos nossos nomes até nos alcançarem e só pelo facto de mudarmos a rotina de cada criança durante duas semanas, já valeu a pena sair do nosso habitat e conhecermos outra cultura!

Senti-me em casa! As famílias que viviam perto da nossa habitação temporária acolheram-nos como se fossemos filhas delas…senti que nos conheciam há muitos anos! Foi incrível!

Sem dúvida que através do voluntariado mudei a minha forma de pensar e ver o mundo… o mundo não é o que parece… e… TODOS nós somos capazes de o mudar! Depois de realizar duas experiências de voluntariado extraordinárias, posso dizer que me tornei numa pessoa melhor e com mais expectativas de vida! E por estas e outras razões aconselho vivamente a mergulharem em aventuras como esta! A verdade é que acabamos por dar mais valor à nossa vida e à dos outros!

A experiência da Marta na Sérvia

Toda esta aventura começou porque terminei o estágio e fiquei desempregada (à procura de um novo emprego como prefiro dizer), o que tem muitas desvantagens, mas me permitiu ter tempo para algo que sempre quis fazer: viajar sozinha e fazer voluntariado.

Escolhi fazer voluntariado com refugiados em Belgrado, na Sérvia, durante uma semana. Como era apenas uma semana de trabalho, houve um grande planeamento das atividades por parte dos (espetaculares) coordenadores e foi tudo bastante intenso, principalmente porque o nosso hostel estava localizado onde tudo estava a acontecer. Muito próximo de lá ficavam as estações de autocarro e comboio de Belgrado, um local de entrada e saída quase obrigatório para todos os migrantes, em especial para os refugiados que se concentravam num parque próximo à espera do contacto para avançarem com a viagem.

Antes de iniciarmos o contacto direto com os refugiados tivemos várias sessões de estudo para entendermos a situação passada e atual da rota de migração dos Balcãs, bem como da atuação política dos vários países intervenientes.

As atividades incluíram cozinhar com a “BelgrAid” para o campo de refugiados de Obrenovac, a 12 km de Belgrado, e fazer workshops educativos com os refugiados mais novos (no “The Workshop”, da Refugee Aid Serbia e NorthStar, e no InfoPark). Um dos workshops foi a realização de pulseiras, fizemos também um sobre criação de histórias e vários jogos como o uno e o quatro em linha. Devo mencionar que fiquei maravilhada com as capacidades de alguns dos refugiados, por exemplo: um rapaz de 12 anos que sabe falar três línguas e ensinou toda a mesa a jogar xadrez, e outro que com 19 anos quer ser escritor, vai editar um livro com o apoio de uma associação, e como era alfaiate no seu país, agora dá aulas de costura a senhoras da comunidade local.

Para além disso: preparamos um jantar especial de angariação de fundos para estas associações que apoiam os refugiados e este foi servido no “KC Grad”, um espaço de grande partilha cultural localizado na capital sérvia; fizemos um workshop acerca de sexo, género e estereótipos com os refugiados adolescentes que estão sozinhos na Sérvia. Foi uma experiência muito interessante e enriquecedora para entender as tradições culturais dos países de cada um e debater aquilo que poderá ser mais adequado (a tolerância e o respeito!). Também a respeito disto marcou-me um jogo de futebol que organizámos, entre os voluntários e os refugiados, e em que fui a única rapariga a jogar. Um rapaz afegão ficou muito admirado e antes do jogo comentou-me que nunca tinha visto uma mulher a jogar futebol (infelizmente não tenho fotos deste momento por diretrizes das associações com quem trabalhámos). Fiquei muito contente por, com este pequeno gesto, ter feito a diferença e ter contribuído para moldar os estereótipos de género destes rapazes.

Houve ainda tempo para conhecer a cidade em free walking tours e ver o pôr-do-sol mais bonito que já vi, no cruzamento dos rios Sava e Danúbio, enquanto saboreávamos um delicioso burrito depois de caminhar 45 minutos para chegar a este local.

Foi a minha segunda oportunidade de fazer voluntariado internacional, e espero que não a última, pois o mundo é muito mais do que aquilo que vemos da nossa janela. Muito obrigada à Para Onde, nas pessoas da Inês e da Marta, aos coordenadores do “Solidarity with Refugees”, Francesca e Alex, a todas as voluntárias de diferentes países com quem partilhei esta aventura (Kate, Samaré, Susana e Zdena), às associações e refugiados com quem trabalhei e a todos quantos tornaram este voluntariado possível.

A experiência da Ana na Palestina

A “ficha” da aventura que estaria prestes a começar caiu na véspera, quando fiz a mala! O primeiro dia foi passado em Tel Aviv – uma cidade agitada, moderna, quente, jovem e apelativa. Sabia que a imagem desta cidade seria um forte contraste do que iria ver no dia seguinte. E se foi! Depois da viagem de shuttle até Jerusalém, de autocarro até Belém, e de táxi até ao local, foi um bom mergulho cultural. As cores, os sons, os movimentos, a arquitetura… era tudo tão peculiar! Bege, pedra, calor são algumas das palavras que melhor caracterizam a Palestina. O desafio principal era mesmo a língua… não a falada, a escrita! Não adiantava ter curiosidade em tentar decifrar o que estava escrito nos autocarros, nas placas informativas de rua ou de estabelecimentos comerciais.

O primeiro dia foi para conhecer o espaço, os voluntários, as crianças, as questões logísticas, e planear as duas semanas que estavam a começar. Logo aí, no primeiro dia, a cultura e o contexto falaram por si… o calor tórrido durante o dia, o árabe falado, o som dos minaretes ao longe, os hidratos de carbono que compõem grande parte da refeição, o hábito de beber chá, o vento gélido de final de tarde, os pores-do-sol cativantes mas acelerados, o som dos helicópteros e aviões militares a sobrevoar constantemente a zona… os vegetais (pepino, pimento e tomate) e as sementes que as crianças comiam como snack.

Ao todo eram cerca de 40 crianças. Fiquei com o grupo dos mais novos, com idades dos 5 aos 13 anos. Um grupo de quinze! Em alguns momentos, uma missão (quase) impossível! O facto dos mais pequenos não dominarem tanto o inglês, e de eu não dominar o árabe, foi um pequeno obstáculo – claramente ultrapassado com a ajuda das traduções dos mais velhos, e com as animadas aulas de árabe que tivemos.

Ter conhecido voluntários de vários países, ter contribuído para o desenvolvimento do projeto e das atividades, ter aprendido árabe, ter conhecido vários locais de interesse histórico/cultural, ter vivido duas semanas com as crianças e a população local e adotado alguns dos seus hábitos foram os principais privilégios e aquilo que trouxe na memória e em fotografias!

Aconselho aqueles que tenham interesse em conhecer outras culturas, e que tenham a esperança de poder vir a fazer a diferença na vida de alguém, façam voluntariado internacional. É 2 em 1: ajuda-se e, acima de tudo, aprende-se, cresce-se! Sou voluntária há mais de 15 anos, mas ainda não tinha feito voluntariado internacional! Este foi apenas o começo…

A experiência das Marianas em Zanzibar

Há viagens que nos marcam para sempre e esta foi uma delas!

Pelas brincadeiras com os nossos pequenos vizinhos que estavam sempre com um sorriso na cara e prontos para qualquer brincadeira; pelas aventuras de andar num Daladala (carrinha de caixa aberta, é o meio de transporte mais utilizado lá) logo de manhã para ir para as escolas; pelas músicas que ensinámos em swahili nas escolas; pelas palavras que aprendemos em swahili; pela família que nos acolheu super bem e que nos tratou como familiares. Por isto e por todas outras experiências que tivemos ao longo de um mês, tornaram a nossa aventura inesquecível.

Foi incrível, perceber que a língua não é nenhum impasse quando se quer fazer o bem e a diferença. As crianças que ensinámos na escola, bem como os nossos vizinhos, ensinaram-nos mais do que nós a elas. Relembraram-nos a ser crianças e a andar sempre com um sorriso na cara, mesmo quando as coisas não corriam tão bem. Por vezes quem tem tudo, esquece-se do que é verdadeiramente essencial. Eles não têm as mesmas oportunidades que nós e mesmo assim têm sempre um sorriso contagiante.

Não há palavras para descrever como foi esta experiência para nós. Vivemos como umas verdadeiras habitantes de Jambiani e cada momento foi aproveitado ao máximo. Se alguém nos dissesse há uns dois meses atrás iriamos ver diferentes realidades, que iriamos viver numa vila muçulmana muito conservadora, que haveria obstáculos para ultrapassar, que um mês e meio iria ser pouco tempo, iriamos na mesma sem hesitar.

Obrigada à Para Onde por nos terem proporcionado das melhores experiências da nossa vida! Obrigada Marta e Inês por todo apoio e preocupação durante o projeto. Fizeram com que sentíssemos que o nosso trabalho estava a ser acompanhado e apreciado.

Jambiani estará sempre no nosso coração!

A experiência da Inês em Moçambique

Quando planeei o voluntariado, achei que um mês era muito tempo, afinal de contas era a minha primeira viagem para fora da Europa, a primeira viagem para uma cultura diferente, a primeira viagem sozinha. Que ingénua… um mês passou num abrir e fechar de olhos!

No início nem tudo foi um mar de rosas: tinha medo das lagartixas; na maior parte do tempo as pessoas falavam changana (em vez de português) e eu ficava a olhar para elas como um burro a olhar para um palácio; tinha medo de ir à cidade sozinha; andar de transportes era sempre uma aventura surreal (nunca mais me vou queixar do metro de Lisboa); e os tempos livres eram um bocado enfadonhos por não ter companhia. Contudo, depois da primeira semana, tudo isto começou a mudar. Comecei a sentir-me parte da equipa, com funções e objetivos específicos. Conheci pessoas inesquecíveis (tanto crianças, como colegas de trabalho e vizinhos) e deparei-me com histórias de vida inacreditáveis. Era divertidíssimo aprender changana com as crianças, era tão fácil que só decorei 3 palavras, mas elas não desanimavam com o meu fracasso.

Não posso deixar de mencionar o dia em que cozinhei doce de mandioca, pois o sucesso deste doce exigiu o envolvimento de muitos vizinhos e de muita aprendizagem. Vi pela primeira vez um jovem a subir a um coqueiro, aprendi a fazer leite de coco, aprendi a preparar a mandioca e aprendi a preparar o doce. Tudo isto enquanto comíamos côco, conversávamos, ríamos, cantávamos e tocávamos guitarra. Foi um dia especial para mim.

Assim, fica a saudade de ouvir as pessoas a falarem e a cantarem em changana, mesmo sem conseguir perceber nada; a saudade de ter uma história para contar de cada vez que ia à cidade; a saudade de terminar o dia sentada num muro a conversar com os vizinhos; a saudade de brincar com as crianças; a saudade de me mexerem no cabelo; a saudade das grandes caminhadas que começava sozinha e acabava com uma multidão; a saudade de toda a equipa da fundação e de todas as crianças!

Agora só penso: quando será que vou conseguir voltar?

 

 

A experiência da Ana na Índia

28 de Fevereiro de 2018, estava uma pilha de nervos. As dúvidas em relação à partida começaram a aparecer e os “e se’s” não me saiam da cabeça. “E se” acontecer alguma coisa? Estarei sozinha… “E se” eu me perder? “E se” eu não conseguir chegar ao Hostel? “E se” eu não conseguir atingir os objetivos a que me comprometi? “E se” eu não estiver à altura? “E se”? “E se”? No fundo acho que tinha medo de sentir saudades de casa.

Depois de mais de 12h de viagem, cheguei ao país que sempre sonhei conhecer!
Estava sozinha, do outro lado do mundo. O primeiro impacto foi duro. Muito duro. Um murro no estômago que nunca pensei levar. Uma realidade completamente diferente da minha. Lixo por todas as bermas, todos os cantos. Mendigos, velhinhos abandonados ao acaso, sozinhos…

Nos primeiros dias aconteceram logo muitos contratempos que acho que tornaram a viagem muito mais arrebatadora, mas as pessoas são as mais genuínas que conheci! Há sempre uma mão (mais que uma na verdade) estendida pronta a ajudar! Nunca se está sozinha nem triste na Índia!

Visitei algumas escolas e só posso dizer que foi a experiência mais forte e feliz que tive até hoje! Aquelas crianças, quase não têm as condições básicas, mas são felizes, muito felizes e agradecidas com o pouco que lhes é oferecido. Têm um olhar especial, puro.

Só dá vontade de ficar, ajudá-las a crescer, aprender com elas que podemos ser felizes com tão pouco. E eu fui tão feliz na índia!! Uma simples música é uma diversão, um jogo, mais básico que seja é uma alegria.

Um mês é muito pouco. Quero muito voltar ao país mais alucinante que conheci, que tão bem me soube receber e só tenho a agradecer ao Para Onde? pela oportunidade fantástica, pois, graças a vocês realizei um dos meus grandes sonhos: visitar a Índia.

31 de Março de 2018, os “E se’s” voltaram… “E se” eu não for embora? “E se” eu ficar e for muito feliz cá? “E se” eu ficar e puder ajudar mais cá que em “casa”? E é tão bom quando isto acontece, pois só vem confirmar que a viagem foi fantástica.

Acho que todos devemos “deixar o mundo um pouco melhor do que aquilo que encontramos” (B.P.) e é por isso que não quero ficar por aqui. Foi o meu segundo programa de voluntariado internacional, mas ainda há muito para fazer!

Não podemos mudar o mundo, mas “Tu tens que dar um pouco mais do que tens, tens de deixar um pouco mais do que há. És um grãozinho de uma praia maior, e deves dar tudo o que tens de melhor.”

A experiência do Romeu em S. Tomé e Príncipe

“Agora depois dos 30 é que te lembraste de fazer voluntariado? Já não tens idade para isso” “Tiveste um desgosto de amor?” “Já não precisas disso para o teu curriculum” “Andas com crises existenciais?” “Deves pensar que chegas lá e vais salvar o mundo…”

Estas são as citações que fui ouvindo até embarcar rumo a São Tomé e Príncipe no passado dia 28 de abril, onde, durante quase dois meses, estive a desenvolver atividades e dar apoio numa associação com 47 crianças na região da Mesquita, São Tomé.

E não, nenhuma dessas citações, no meu entender, deviam representar o voluntariado e as suas motivações. No meu caso, sempre tive algum interesse pelos projetos de voluntariado e sobre quem decide partilhar o seu tempo com outras pessoas e comunidades, sem esperar um cheque em troca.

Até agora nunca tinha tido a oportunidade ou determinação suficiente para o fazer mas após alguns anos de trabalho em diversos países e empresas, após diversas viagens de férias como mais um simples turista no meio de tantos outros, decidi que este ano iria ser diferente. Este ano iria tirar um período de férias alargado (ser freelancer permite essa flexibilidade) e deixar de ser turista para viver uma experiência de voluntariado. E que experiência!

Não recebemos um cheque no fim do mês, não recebemos as comodidades de um turista, recebemos muito mais que isso. Recebemos uma lição de vida, uma experiência social, emocional, cultural, que dificilmente conseguiríamos de outra forma.

Em São Tomé e com aquelas as 47 crianças todos os dias eram lições de vida e de esperança. É um país com enormes desigualdades, com graves problemas sociais e de desenvolvimento, mas as crianças em nada refletem isso! São criativas, dinâmicas, assertivas, dedicadas, engenhosas e inteligentes.

Após trabalhares com elas apercebes-te disso facilmente, muitas das vezes só é necessário dar os estímulos certos. Tive a oportunidade de assistir a muitos exemplos: desde construção de guitarras e papagaios com “lixo”, craques no jogo das damas, xadrez, jogo do 24, experiência de química, eletricidade, tudo isto de forma praticamente autónoma, apenas foi necessário “dar a conhecer”.

Não salvei o mundo, não resolvi os problemas sociais de São Tomé, mas tive a oportunidade de educar, partilhar conhecimentos e expandir os horizontes destes meninos. Quanto melhor nos prepararmos para esta aventura, quantas mais ideias, motivação, alegria, atividades, levarmos, mais valor acrescentado podemos transmitir. Nós, voluntários, podemos não salvar o mundo, mas se cada um de nós educar e motivar uma criança ou adulto, são eles que o vão fazer.

O voluntariado foi uma experiência que escolhi viver e que certamente irei repetir, em São Tomé ou na rua aqui ao lado! É um modo de vida que podemos escolher adotar.

“Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas”