Fábio, Sri Lanka 🇱🇰

Incrível. Único. Emocional. Inesquecível. Lindo. São tudo palavras do dicionário…e adjectivos desta aventura também.

O Sri Lanka é um país dividido à nascença, tem 2 povos e línguas diferentes (Tamil e Sinhala) que vivem num espaço comum. Como se Portugal e Espanha fossem um só e frequentássemos a mesma escola. Estranho não é? Esta divisão contribui para o estado do país e a pobreza em geral por todo o território. Eu estive em Mutur, situado no Noroeste da ilha, uma vila muito humilde onde integrei um workcamp de 10 dias para crianças onde um dos objectivos era ensinar inglês.

O nível é baixo em todo o país, inclusive dos professores, pelo que acabamos por contribuir imenso para o seu desenvolvimento. Como as crianças querem tanto falar connosco e fazer perguntas, esforçam-se imenso para falar inglês que de outra forma não o fariam porque os locais também não o dominam e “fogem” para uma das línguas locais. É também um país hiper religioso com 4 crenças a viver em comunhão, o que ajuda também na divisão dos povos.

O povo do Sri Lanka é muito simpático. Fui recebido no Peace Center do 3CD que promove iniciativas para a comunidade local, tendo já o hábito de receber voluntários, e fizeram-me sentir parte de uma família.

O pai Mr.Buhari (sim, tens de dizer Mister) que é o responsável pela instituição, a mãe Emmerentia que é absolutamente indescritível, é o amor em forma de pessoa e uma série de irmãos e irmãs que cooperavam no workcamp. Ensinaram-me ambas as línguas, a cozinhar a comida local, a conhecer as atracções da zona e a fazer o roteiro da viagem pelo país que ia fazer a seguir. Ah! E a comer com as mãos que lá é um costume :) nunca me faltou nada. Tive a sorte de fazer anos durante o workcamp e tive direito a 2 bolos de aniversário e presentes das pessoas da casa e até das crianças.

Inesquecível. A quem aceitar o desafio de ir para lá, algumas tips: dêem tudo! É a minha segunda viagem com o Para Onde e saio sempre a pensar que podia ter feito isto e aquilo. Vai sempre acontecer mas não desperdicem nenhum segundo, passa rápido. Tentem deixar algo para o futuro. Uma ideia, um projecto, o que for.

Estes povos não têm a sorte que nós temos de ter acesso a tudo e podemos mesmo contribuir com ideias que consideramos básicas mas que nestes sítios mudam a vida da comunidade. Para terem uma ideia, em Mutur não há caixotes do lixo.

Abram-se no 1o dia. Resulta a 100% com toda a gente. Sejam felizes :)

Ana Isabel, Arraial d’Ajuda 🇧🇷

Quando eu, mulher de 25 anos, com um ar de criança, decidi que a minha próxima aventura envolvia embarcar sozinha, para o Brasil, para fazer voluntariado os primeiros comentários não tardaram a chegar, e nem todos eram positivos. Que eu era maluca, que não era um país seguro, que podia ser assaltada, entre outras. A verdade é que nada na vida é seguro, seja em Portugal ou no Brasil, então decidi confiar em mim e avançar. E só vos posso dizer que foi melhor do que eu podia imaginar!

Quando lá cheguei fui acolhida com muito amor pelas crianças e adultos da Associação Filhos do Céu e também pelas minhas colegas de aventura (Alexandra e Filipa). Nos primeiros dias na Associação tivemos o chamado “apalpar terreno”. Fizemos uma visita pela AFC, passamos pelas várias salas e atividades que estavam a decorrer, enquanto íamos conhecendo as crianças e ficando a saber mais um pouco das rotinas e vidas delas.

Os nossos dias na Associação começavam às 08h00 e depois do pequeno-almoço as crianças dividiam-se pelas respetivas salas e atividades. Eu acabei por passar mais tempo na sala dos 7 aos 9 anos, a fazer trabalhos escolares, leituras, jogos e muitas brincadeiras. Mas também ajudava na cozinha, a servir almoços, a descascar e cortar frutas e legumes. Basicamente íamos ajudando em tudo o que era necessário e acima de tudo, dando muita atenção às crianças. Passava também muito tempo na creche a brincar com os mais novos. Muitas saudades daqueles meninos que muito carinhosamente nos tratavam por “tia”. Os dias acabavam por volta das 17h00 onde depois aproveitávamos para passear e descansar.

Os fins de semana eram aproveitados para ficar a conhecer melhor Arraial d’Ajuda e não só. Ficamos a conhecer Caraíva, que é só incrível, a praia do Espelho, a reserva Pataxó da Jaqueira e eu ainda tive a oportunidade de conhecer um bocadinho do Rio de Janeiro e São Paulo. Aquele laranja do pôr-do-sol e o azul do mar dificilmente serão esquecidos.

Acima de tudo não tenham medo, não fiquem em casa e arrisquem! O “risco” em que eu me coloquei valeu muito a pena! O meu pequeno conselho é: zero expetativas, zero preconceitos, vontade de trabalhar e muita vontade de amar!

Bruna e Débora, Guatemala 🇬🇹

“Nada é tão nosso quanto os nossos sonhos”, foi assim que encaramos a aventura, uma vez que sempre foi um dos nossos objetivos de vida, fazer voluntariado fosse onde fosse. Neste caso e juntando o útil ao agradável, uma vez que somos enfermeiras, realizamos Voluntariado numa clínica na Guatemala. Como uma aventura nunca vem só para além de termos feito uma longa viagem de avião, entre escalas e horas de espera ainda fizemos mais uma viagem de 5 horas numa camioneta com a música nas alturas, com vendedores a entrar e a sair que vendem tudo e mais alguma coisa e que fazia as curvas e contra curvas como nunca tínhamos visto… e lá chegamos nós, no dia 30 de junho deste ano.

Chegando a clínica e logo no primeiro dia atendemos todos os utentes, juntamente com a restante equipa. Aqui começamos a perceber algumas das patologias mais comuns e quais os problemas para os quais teríamos que combater. Sabíamos que estava a nossa espera uma realidade muito diferente e assim foi, aprendemos a lidar com pessoas totalmente diferentes de nós, com uma cultura muito própria e com costumes também muito diferentes.

Foi sem dúvida uma experiência inesquecível onde pudemos realizar vários procedimentos tal como fazemos em Portugal, no entanto com algum sentido de improvisação porque os recursos nem sempre eram os mesmos, conhecer uma cultura totalmente diferente da nossa, diferentes costumes e diferentes pessoas. Para além de termos lidado e convivido com os adultos que iam à clínica também convivemos muito com as crianças que frequentam a escola situada ao lado da clínica, aproveitávamos os intervalos para brincarmos com eles e também, conhecer e conversar com os alunos mais velhos. Além de toda esta experiência aprendemos a conviver com a restante equipa com quem partilhamos estadia, desenvolvemos o sentido de partilha e comunicação, porque havia uma diversidade muito grande de nacionalidades entre os voluntários, dividimos as tarefas entre todos, entre cozinhar, limpar, organizar a clínica, dividir horários e trabalhos.

Aos domingos era dia de ir ao mercado fazer as compras para a semana, sendo que seríamos divididos por dois grupos (os que ficavam encarregados dos vegetais e outro responsáveis pelas frutas), pois a nossa alimentação era vegetariana. Contudo ficava sempre uma pessoa na clínica responsável por qualquer emergência que aparecesse. Foram nestas compras que aprendemos a regatear preços, porque em nada haviam preços estipulados e, desta forma, conseguimos também por em prática o Espanhol. Houveram dias sem eletricidade e sem água na clínica, muitos bichos diferentes do que existe cá em Portugal, contudo estas situações foram superadas da melhor forma possível, pois tivemos sempre a nossa mente aberta e sabíamos que a realidade lá seria completamente diferente da que temos.

Apesar de vários percalços e conflitos de ideias, foi uma experiência enriquecedora para ambas, da qual não nos arrependemos em nada da nossa decisão e aconselhamos vivamente a que toda a gente tenha uma experiência de voluntariado uma vez na vida porque, realmente, terminamos a experiência a pensar de outra forma e a dar valor a “coisas” que já eram tomadas como garantidas. Se deixámos um pouco de nós na Guatemala, a Guatemala deixou muito dela no nosso coração.

Vanessa, Santo Antão 🇨🇻

Foi uma experiência incrível com muita aprendizagem. Tive a sorte de conhecer a Mathilde a pessoa mais preocupada com tudo, com o nosso bem estar, com a nossa alimentação, sempre atarefada para que todos estejamos bem e que tudo esteja a correr bem.

A nossa casa, que primeiro estranhas mas depois sentes que aquela é a tua casa, e os outros voluntários são a tua família, ficarão sempre guardadas as recordações das reuniões semanais e as tardes de planeamento, os jantares em família e dar sempre graças depois de jantar pelo dia que tivemos dizendo qual foi o melhor momento que tivemos. Chegar ao centro de dia e sermos recebidas pelo Sr. Vítor com a sua boa disposição e os seus abraços apertados e ver a dona Maria e o Sr. Germano, um casal com muito amor que parece que são namorados no inicio do relacionamento.

Cada dia que lá estás é diferente, é o início de uma nova fase. Sendo filha de cabo-verdianos aprendi a ver as coisas com outros olhos e a levar a vida como dizem os mais velhos “be devagar” (ir devagar), pois com o pouco que têm estão sempre com um sorriso enorme e é muito difícil vê-los a reclamar da vida. Mesmo os idosos acamados que fomos visitar, dava para ver no seu olhar o sorriso de estarem a serem visitados, alguns não falavam mas demonstravam a alegria de nos ver batendo palmas e outros abraçando-nos ou dando-nos muitos beijinhos. Todos estes momentos marcaram-me, mas sobretudo deixam saudades, e espero futuramente repetir esta aventura e que continue a aprender cada vez mais com as coisas simples da vida.

Ana, Ilha do Maio 🇨🇻

Existem sempre aqueles sonhos que queremos muito concretizar, mas por falta de oportunidade ou coragem vamos adiando dia a dia. E este ano, foi o ano de concretizar o sonho do voluntariado. Quando decidi ir até ao Maio durante duas semanas não fazia ideia da experiência que traria comigo. Sabia que ia em voluntariado para um lugar totalmente desconhecido e para uma casa de pessoas que nem os nomes sabia. Mas o que ninguém me contou é que aquela casa no Morro, na qual cheguei a medo, se iria tornar tão depressa minha casa e a minha família.

Foram apenas duas semanas, mas foram duas semanas de muitas memórias e muitas partilhas. Foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida, a todos os níveis. Tive oportunidade de colaborar com a fundação num projeto que acredito e revejo muitas potencialidades, o desenvolvimento do turismo rural sustentável na ilha. Para além deste projeto colaborei em outras atividades relacionadas com preservação e monotorização das aves e tartarugas. Sabia que já me tinha rendido à aquela pequena ilha de Cabo Verde o que ainda não tinha percebido é que me iria apaixonar por aquelas tartarugas e por todo o seu comportamento. É completamente fascinante estar numa praia de Cabo Verde, em noites que as estrelas preenchem o céu, rodeada de pessoas maravilhosas com quem rimos e partilhamos bons momentos, e ainda assistir a toda aquela magia da natureza. Ver a tartaruga a sair do mar, fazer o ninho, camuflar e voltar à água com toda a sua calma e perfeição. É tão bonito!!!

Para além de todas estas experiências resta-me falar das pessoas da ilha, da envolvência e de todo o carinho que recebemos. Rapidamente fazem com que sejamos mais um membro daquela comunidade. É indescritível a forma como somos recebidos. Se me perguntarem o que foi mais difícil nestas duas semanas, não tenho dúvidas da resposta: FAZER AS MALAS PARA VOLTAR! <3

Rita, Xai-Xai 🇲🇿

Foram dois meses intensos. Sempre sonhei fazer voluntariado internacional e assim que a Para Onde? me deu a conhecer este projeto, soube logo que tinha chegado o momento e o destino estava escolhido: Moçambique!

Viver em Moçambique é uma experiência que qualquer pessoa no mundo devia ter. A magia que aquele lugar tem, apesar de ser única é indescritível. E o povo moçambicano? Nunca vi gente mais lutadora, mais corajosa perante tantas dificuldades, que – acreditem – são muitas, e ainda assim tão genuinamente feliz. Gente sempre disposta a cantar e dançar, a agradecer e a festejar todos os dias a sua liberdade. É inspirador!

Trabalhar nesta Fundação é fazer parte de uma grande família. Acolhedora desde o primeiro dia e tão, tão unida! Desde o início que me fizeram sentir em casa! Os dias de trabalho eram intensos, havia sempre tanto que fazer e toda a ajuda, por mais pequena que fosse, era importante e, por isso, agradecida de coração. Os dias passavam a voar e eram tão divertidos. Ali acordar cedo não custa, só pelo privilégio que é assistir àquele amanhecer. E trabalhar no Centro Munti significa ensinar, partilhar, aprender, ser equipa e crescer junto, brincar, brincar e brincar!

Acreditem, é apaixonante! Agora que passou, o que eu sinto é um misto de felicidade por ter não só cumprido um sonho, mas também superado todas as expectativas em relação a ele, de gratidão por ter a sorte de fazer parte de algo tão bonito como a Fundação Khanimambo, de profunda tristeza por ter chegado ao fim desta experiência e de certeza absoluta que um dia hei-de regressar.

A todos os que sonham um dia ser voluntários, por favor não percam mais tempo. A todos os que acham que ser voluntário é “trabalhar de graça” só tenho a dizer que recebi muito mais do que algum dia seria capaz de dar, que ser voluntária mudou a minha vida e o meu modo de a olhar para sempre… e juro que não sei o que fiz para merecer tanto!
Volto mudada e volto incompleta, porque uma parte de mim permanecerá para sempre lá.

Obrigada, Para Onde? por teres tornado este sonho possível!

Ana, S. Vicente 🇨🇻

“O dia em que conseguir colocar em palavras o que foi para mim o mês de Julho irei fazê-lo”, tem sido o meu discurso quando me questionam sobre a experiência. Será que é agora? Não sei, mas vou tentar. 

Aos 13 anos, em território cabo verdiano, disse que um dia iria voltar e para fazer voluntariado! Assim o fiz! Nove anos depois, sim! Mas cumpri o prometido!

A escolha foi então S.Vicente, com a fantástica ajuda da equipa do “Para Onde?” que faz parte da minha vida já de há dois anos para cá.

Foi no dia da chegada que fui logo avisada sobre a magia que aquela ilha tinha, a magia que apaixonava as pessoas que a visitavam. A magia que marcava de tal forma essas mesmas pessoas na sua estadia que as despedidas eram sempre acompanhadas de um “até já!”! 

Fui logo contagiada por essa magia nos primeiros dias, sabem? Adotei o pé descalço, depois, as tranças no cabelo e desde o primeiro segundo naquele cantinho de paraíso adotei o sorriso na cara, reflexo de pura felicidade! 

E o que tornou tão mágico este mês? Posso enumerar algumas coisas que para mim fizeram toda a diferença… 

A comunidade, a “Morabeza” que todos falam, é pura verdade meus amigos! Em poucos dias já nos sentíamos em casa, o bom dia quando nos cruzávamos com alguém na rua nunca faltava a senhora do café e a senhora da mercearia já nos conheciam o vizinho do lado já fazia parte do nosso dia a dia (de tal forma que foi o chefe da grelha no nosso último jantar lá), até o taxista era nosso amigo e claro, sem esquecer a D.Filó que nos abriu as portas de casa desde o primeiro dia e rapidamente nos sentou à mesa a provar as suas belas iguarias. 

Alguns pózinhos mágicos vieram também diretamente de Portugal, as quatro alminhas que partilharam comigo esta experiência e que a tornaram ainda mais especial, não esquecendo todas as outras pessoas que connosco alinharam nas loucuras nos mostraram como Soncent é sab demais e connosco também fizeram história! 

Uma outra pessoa que deu também um toque de magia ao meu mês, o Frei Silvino, um senhor digno de se tirar o chapéu com um coração gigante, alma cabo verdiana e também dono de um abraço que para mim vai ficar sempre gravado na memória. 

Em relação a ele tenho que falar na grande causa da minha ida para este destino mágico, o Espaço Jovem, constituído pelos centros da Craquinha, Pedra rolada e Ribeira Bote, cada um tão especial à sua maneira. Foi aqui onde passei a maior parte do meu mês, onde tive a oportunidade de conviver e aprender com pessoas que têm um enorme talento com crianças e principalmente que amam verdadeiramente o que fazem.

Onde recebi uma quantidade infinita de miminhos, abraços e penteados variados. Onde ri, brinquei dancei (ou tentei) mas também onde me desafiei… 

Desafiei a minha fraca memória ao tentar decorar o nome das crianças que passaram por mim… 

Desafiei a minha coordenação ao “tentar” aprender com as crianças as mil coreografias de ritmos africanos… 

Mas principalmente desafiei o meu coração na hora da “despedida” e confesso que ele ainda está apertadinho.

Por isso tal como me fizeram, aqui fica o aviso, futuros voluntários preparem-se para se apaixonarem, preparem-se para viver uma experiência incrível, preparem-se para distribuir e receber muito amor e claro preparem-se para ser contagiados também pela magia! Pois quem vai terá sempre que voltar. 

Dei por mim no aeroporto no dia da partida a ver voos para o próximo verão, acho que com isto digo tudo, não é?


Marisa, Alemanha 🇩🇪

Há exatamente 10 dias voltei de uma das experiências mais marcantes da minha vida e agora estou sentada em frente ao computador a tentar resumir tudo o que vivi, e tenho a dizer que não é fácil. Há sempre alguma coisa que fica por dizer e há sentimentos e sensações difíceis de expressar por palavras, parece que elas não fazem jus ao que vivi.
Mas vamos lá. No dia 22 de julho parti para Berlim. Tinha-me proposto passar os próximos 13 dias num Centro Social e Desportivo Feminino de seu nome Kreafithaus, e que eu dias mais tarde passaria a chamar “casa”. Éramos 10 voluntários, 9 nacionalidades diferentes e estávamos ali todos reunidos para apoiar um projeto cujo principal objetivo é derrubar a força dos estereótipos de género. O espaço acolhe raparigas e jovens adolescentes vindas de todos os contextos sociais e culturais, e é um lugar onde elas podem passar o seu tempo livre a realizar as mais diversas atividades, desenvolvendo tanto as suas capacidades desportivas como artísticas e mais importante ainda, um lugar onde elas podem ser aquilo que quiserem, independentemente das experiências passadas ou das ideias pré-concebidas já tão enraizadas na sociedade. É um sítio que as relembra que elas têm o seu valor, e que não há um género superior a outro, não há atividades designadas apenas para homens ou apenas para mulheres.
Por si só, revejo-me bastante nos ideais deste projeto e no momento da escolha do campo de voluntariado não tive dúvidas de que queria dar o meu contributo nesta área.

Estava preparada para arregaçar as mangas, e foi literalmente o que aconteceu. Como voluntários, o nosso papel na Kreafithaus era essencialmente dar uma nova vida ao espaço, torná-lo mais agradável para as jovens que passam ali os seus dias. As tarefas passavam pela reconstrução de uma área de lazer no jardim, pela renovação do local de compostagem e do local onde se encontrava a parede de escalada, e por último, pela elaboração de um hotel para insetos. Quando dei por mim, estava a cortar madeira, fazer buracos e aplicar pregos usando ferramentas que eu nunca me imaginei a utilizar, de forma a construir bancos de jardim. Muitas foram as vezes em que chegava ao final do dia completamente sarapintada de tinta verde fruto de manhãs a pintar cercas, ou com a cara cheia de pó e os braços cansados, resultado de tardes a carregar pás de terra. Mas de todas as vezes, quando me deitava na minha cama improvisada, estava feliz, muito feliz. E é engraçado estar a recordar estes momentos e sentir uma explosão de alegria vinda do peito.

Nos tempos livres aproveitávamos para explorar Berlim ao máximo, chegámos mesmo a participar no “Berlin Pride” e foi incrível estar a marchar ao lado de pessoas tão seguras de si e tão livres na expressão do seu ser.
Ficam ainda na memória os jantares prolongados, os serões de jogos, as melodias da guitarra nos fins de tarde, horas intermináveis a dançar, as conversas nos dormitórios, os passeios, as aventuras inesperadas e as gargalhadas que enchiam o nosso quotidiano, e que de certa forma nos tornavam mais cúmplices a cada dia. Foram dias de uma constante troca de ideias e aprendizagens, que travei com pessoas que carregam bagagens culturais e de vida diferentes das minhas, pessoas a que agora chamo de amigas e das quais foi tão difícil dizer um “até já”.

Já ansiava por uma experiência destas há muito tempo, e como não consigo desviar-me de frases cliché ao escrever este texto, atrevo-me a dizer que nunca me soube tão bem sair da minha zona de conforto.
Para concluir, quero dizer que a partir do momento em que se regressa a casa após uma experiência como esta, temos a certeza que vamos voltar a partir, mais tarde ou mais cedo, para embarcar numa outra aventura. Voltamos com o desejo de dar mais, aprender mais, conhecer mais e viver mais.

Margarida, Finlândia 🇫🇮

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Sempre tive vontade de fazer voluntariado na área em que me estou a formar: património. Não só para contribuir de alguma forma para algo que é tão importante para mim e para várias pessoas, mas também para aprender alguma coisa além da teoria que nos é ensinada na faculdade. Com esta experiência aprendi muito, não só sobre culturas, mas sobre histórias de vida, gratidão e sobre entreajuda, companheirismo e amizade.

Os três primeiros dias de voluntariado foram passados a pintar e limpar o observatório local, onde fomos recebidos sempre com muita simpatia e gratidão por parte dos senhores da Associação de Astronomia que, apesar do pouco inglês que falavam, procuravam sempre uma forma de comunicar connosco e ensinar-nos.

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Os dias seguintes foram passados no museu local que reconstituía uma casa típica finlandesa do século XVIII. No primeiro dia, foi-nos feita uma visita guiada e nos dias seguintes pintámos, limpámos, lavámos os tapetes em tanques tradicionais e traduzimos os guiões para as nossas respectivas línguas.

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As tarefas terminavam por volta das 16h30 e às 17h íamos jantar. A seguir, existia sempre alguma actividade nova a experimentar. Andar e correr em troncos no lago, sauna e nadar no lago com uma temperatura de 7ºC, saltar e dançar com ‘sapatos esquisitos’, floorball no meio do refeitório até às três da manhã… não importava se éramos bons ou não, tudo era feito com muito humor e diversão.

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Durante estes dez dias do projecto “Local communities and culture in Evijärvi” senti que contribui de algum modo para preservar patrimónios locais importantes para as pessoas de Evijärvi, mas sobretudo que conheci pessoas e culturas de todos os cantos do mundo e a cumplicidade que criámos fez com que esta experiência fosse inesquecível!

A Experiência da Catarina na Alemanha

As crianças são a minha fraqueza! Sempre foram, quando andava no secundário fazia voluntariado durante o verão em escolas locais que precisavam de alguma ajuda na dinamização de atividades com crianças e participava como animadora em festas de aniversário de crianças pequenas. Quando entrei para a universidade toda esta atividade que amo profundamente e me enche o coração ficou em standby.

Com a ajuda do Para Onde consegui viver duas semanas de pura alegria onde pude juntar à minha paixão de trabalhar com crianças, o grande desafio de não perceber mais do que “Hallo! Wie geht es dir?”(Olá! Como estás?) do que elas falavam para mim. 

Quando cheguei à escola onde estive por duas semanas tentei perceber o tipo de trabalho que lá desenvolviam e como os trabalhos estavam organizados, foi aí que rapidamente percebi que estava a entrar num desafio maior do que pensava porque juntamente com a luta por entender o que as crianças me diziam teria de interagir com elas para que com a sua ajuda montássemos um espetáculo de circo que seria apresentado ao público no último dia que nós estivéssemos na escola. 

O nosso trabalho enquanto voluntários passou por todos os dias, de segunda a sexta das 8h45 às 15h30, sermos criativos na criação de atuações para o circo, decoração da escola e envolvimento das crianças nas tarefas e brincadeiras que pudessem de alguma forma surgir, para além de desenvolver atividades para que também elas se divertissem com o que nos tinha sido proposto. A minha tarefa passou também pelas pinturas faciais das cerca de 25 crianças que atuaram no espetáculo final e pela criação do material e preparação das crianças para a atuação de magia.

De alguma forma esta maravilhosa aventura correu melhor do que esperava, porque desde o segundo dia que aquelas crianças incríveis, por muitas dificuldades tivessem na comunicação connosco, não deixaram que estratégias faltassem para que nos entendêssemos mutuamente, desde gestos a falar devagarinho e com diferentes entoações, ou até mesmo a perguntarem as expressões em inglês para que conseguissem de forma autónoma falar connosco. Foi fabuloso ver a forma como progredimos em conjunto, nós voluntários a entende-los quando falavam em alemão e eles a começarem a falar inglês (coisa que quase não acontecia quando chegamos).

Foi uma experiência maravilhosa que me mostrou um pedacinho (por muito pequeno que seja) da realidade alemã e me ensinou que quando queremos muito uma coisa não há obstáculos, por muito grandes que sejam (como é caso da comunicação) que nos impeçam de termos uma conversa profunda com uma criança que está a precisar de apoio e compreensão. Foi difícil partir e vê-los chorar, mas como é natural ficaram para sempre guardados no meu coração, como pequenas pessoinhas que conseguiram mostrar-me um mundo mais fácil e colorido do que eu alguma vez esperei ver!

Uma experiência que vai marcar a minha vida e que não seria igual sem o apoio do Para Onde e dos coordenadores do workcamp (Frank e Stefanie), e muito menos, sem o grupo incrível de voluntários com quem partilhamos experiências, aspetos culturais e viagens durante os nossos tempos livres e as crianças maravilhosas que me mostraram e ensinaram muito mais do que eu lhes posso ter deixado…

Obrigada, Waldshule (Moers)!