A experiência da Sofia na Bélgica

No dia 1 de Julho parti até à Bélgica com uma mochila recheada de botas, luvas e roupa impermeável para enfrentar o tempo instável, e zero expectativas. Era estranho partir para um país diferente para ir cultivar, já que em Portugal o que não faltam são terrenos baldios e um excelente clima, mas esta experiência era mais do que cultivar terrenos. Cheguei até Rinxensart onde se localiza a Quinta de Froidmont.

Quando entrei na quinta já estava um grande grupo de pessoas a almoçar, iriam ser os meus companheiros de aventura, tantos os voluntários como os estagiários que trabalhavam connosco. Estranhei um pouco a comida pois só havia saladas de vegetais, pão e manteiga. As refeições era predominantemente vegetarianas com os legumes colhidos da horta.

Os voluntários eram de vários países o András e a Anna vieram da Hungria, o Tim da Rússia, o Kamso do Burkina Faso e a Hyun era a nossa Campleader e era belga.
A nossa rotina era ir até a uma das hortas e lá os nossos professores davam-nos tarefas que podiam ser desde apanhar as frutas e legumes maduros, preparar o solo para semear ou plantar, debulhar favas e ervilhas etc… e normalmente interagíamos uns com os outros partilhávamos histórias, crenças, falávamos sobre o nosso país e a nossa cultura.

Todos os dias trabalhávamos com pessoas diferentes e interagíamos com os estagiários que muitas vezes só falavam francês, então tínhamos de nos esforçar um pouco mais para nos fazermos compreender. Saíamos para ir trabalhar às 8h30 e à tarde terminávamos o trabalho às 16h30. A partir desta hora tínhamos tempo livre para fazermos o que quiséssemos. Normalmente jogávamos jogos de tabuleiro e às cartas ou íamos visitar alguma cidade.

No fim de semana tínhamos mais tempo para explorar a cultura belga, visitámos Bruxelas, Bruges, Gante e Ostende.

Nesta experiência ganhei um grande respeito pelo trabalho dos agricultores especialmente aqueles que praticam uma agricultura biológica que exige muito trabalho manual. O convívio com os restantes voluntários deu-me uma visão diferente sobre o modo de vida noutros países. Apesar de serem uma excepção dentro da juventude húngara o András e a Anna são um exemplo a seguir. Tomam atenção ao modo de produção do que adquirem para que tenha um menor impacto para o planeta e que não apoie a exploração infantil ou a escravatura. O Tim mostrou-me que na Rússia não existe uma abundância tão grande como na Europa a nível alimentar, então ele fazia questão de andar sempre com um pedaço de queijo na mão e chocolate para barrar. Foi uma aventura muito enriquecedora, pude ganhar mais à vontade a falar uma língua estrangeira e a conviver com pessoas diferentes.

Obrigada Para Onde pelo apoio e formação e a toda a equipa da Quinta de Froidmont pela gentileza, disponibilidade e simpatia durante os 13 dias de voluntariado.


A Experiência da Marta na Ilha do Maio

São pouco mais das 14h40 do dia 1 de Julho, encontro-me no voo de ligação para o Porto, aproveitando para escrever o meu testemunho.

Durante as semanas que antecederam a partida, disse muitas vezes em tom de brincadeira: “A Marta que vai, não é a Marta que vem!”. E não é que é mesmo verdade!?

A escolha do Programa de Proteção da Tartaruga Marinha teve por base a realização de um sonho de infância e, sendo 2019 um ano de mudanças na minha vida, não havia altura mais indicada. Este programa não se baseia apenas na conservação e proteção do ambiente. É também um programa cultural e social, uma vez que os voluntários ficam a viver nas comunidades (projeto de “HomeStay”) criando laços, partilha de conhecimento e experiência, passando pelas mesmas dificuldades que os habitantes, ainda que em menor escala.

Durante 15 dias, fiquei em Morrinho, uma das 13 comunidades da ilha do Maio, e sabem que mais!? Nem tudo foi um mar de rosas… Nem tudo foi perfeito… Mas foram 15 dias do melhor que podia existir! Foram 15 dias que recordarei para sempre! E sim, parece um cliché usado por muitos voluntários, mas é a verdade: “Parti sem grandes expectativas, e regressei com o coração apertadinho e uma vontade enorme de voltar ao Maio.

Não sei se fiz a diferença na vida deles, mas eles nem imaginam a diferença que fizeram na minha. E hoje sou grata por cada abraço, cada carinho e cada lágrima. Sou grata pelas discussões futebolísticas durante a construção dos viveiros, ou pelas conversas sobre planetas e estrelas durante as patrulhas noturnas. Sou grata pelas festas no terraço ao final do dia, ou pelas vezes que madruguei para fazer os censos na praia. Sou grata pelos miminhos na mamã Ricardina, pelos miúdos gritando o meu nome ou pelas “picardias” com o meu líder de equipa. Sou grata por tudo, mas mesmo tudo o que vivi nestes 15 dias.

Obrigada por permitirem que eu fizesse parte deste projeto.

Hoje sei que não fui eu que escolhi o Morrinho. Foi o Morrinho que me escolheu a mim!

E não, isto não é uma despedida. Mas sim um “Até já!”

P.S. – E sim, a Marta que foi não é a Marta que regressou :)


A experiência da Patrícia em Santo Antão

Falar da minha experiência em Santo Antão… Enfim, como começar? Quando o nosso maior arrependimento é ter comprado uma viagem de regresso para Portugal, torna-se claro que a experiência não só foi magnífica e marcante mas também das mais felizes que tive na vida.

Os meus dias como voluntária consistiam nas manhãs passadas no Centro de Dia do Alto de S.Tomé, nas ocasionais idas ao ICCA (Instituto Caboverdiano da Criança e dos Adolescente) e nos finais de tarde com as crianças do Espaço Jovem. Levo um pouco de todas as pessoas que conheci nestas valências. Apenas uma semana passou e já sinto falta: do «Tud Drêt?» do senhor José, sempre bem-disposto, todas as manhãs; do jeito natural do senhor Victor para dançar, pintar, enfim, para tudo!; da Dona Ana que nunca se quer juntar às nossas atividades mas, no final, participa sempre em tudo com muita alegria; da delicadeza enorme do senhor Germano; do sorriso da Dona Isidra; das gargalhadas marotas da Nininha; etc.

Pelas tardes, parece que ainda oiço ao longe as correrias do nosso vizinho pequenino, o Karamu, sempre com os seus braços a balançar; as gargalhadas agudas da Sandji e da Edilana; as músicas a tocar na coluna do Ailton; os gritos «Oh Tiiita» do Alai ou os chamamentos queridos do Gerson. Cabo Verde deixa “sodade”. Guardo em mim memórias que não esquecerei. Tudo, sempre, com muita morabeza, uma amabilidade tão genuína e característica do povo caboverdiano.

De resto, que mais posso acrescentar? Escolhi o mês de Junho para ter esta experiência. Que decisão tão acertada! Nos voluntários de junho encontrei uma família. Dou graças todos os dias por ter conhecido a Sofia, o Eduardo, a Rute, a Paula e a nossa grande coordenadora, a Matilde, que se tornaram não só companheiros incansáveis de toda a experiência de voluntariado, como também amigos divertidos que certamente levarei para a vida toda. Para além disso, tive o privilégio de viver o «Son Jon», a época festiva mais esperada do ano inteiro, e vivenciar toda a cultura, desfiles, procissões e festas típicas deste São João de Santo Antão.

E o crioulo? Um dialecto tão doce e tão «sab»! Em Sintanton (nome que se dá a Santo Antão) aprendi uma expressão que levarei para a vida: «N’ crê ligria dum vida vivid» que significa «Eu quero alegria de uma vida vivida». E esta frase caracteriza tão bem a cultura caboverdiana e a sua maneira tão própria de viver. A arte de bem receber e bem tratar são típicas em Santo Antão. Nunca conheci um povo tão feliz e que faz a festa com tão pouco. Faz-nos refletir que o mais importante nas nossas vidas não são coisas materiais nem posses mas sim as experiências, os sentimentos, as pessoas que conhecemos e que nos são especiais.

Por fim, considero-me uma sortuda por tudo o que me aconteceu e tudo o que vivenciei. É bem verdade que recebi bem mais do que aquilo que dei e fica em mim um enorme desejo de voltar e ajudar quem realmente precisa e agradece por isso. <3

A Experiência da Rosarlette na Guiné

Guiné-Bissau, lugar por onde entrei pela primeira vez na África, num espaço sonhado e pintado de forma intuitiva em meus quadros. Lugar onde se tem acolhida sincera, consideração e respeito, troca de afeto, simplicidade e de onde trago saudade de tudo e de todos.

A Guiné, como a África, vai além do que livros, noticiários ou informações de terceiros possam dar. A África tem que ser vivida para depois ser narrada e sentida dentro de quem tiver essa oportunidade de vivenciá-la.

É um bombardeio de imagens, reflexões, conhecimento e reconhecimento que nos deixam atordoados, quando retornamos para nossos lares fora desse continente misterioso, místico e que guarda tantas interrogações, tantas carências, tanta riqueza cultural e natural.

Me senti na Bahia em alguns momentos, é um povo que se sente irmanado com o Brasil e tem todos os motivos para assim sentir.

Guiné-Bissau, guarda muitos problemas sociais e políticos, mas é constituída de um povo forte, resistente, resiliente, que apesar de todas as adversidades tem sempre um sorriso estampado no rosto, crianças que brincam de ser crianças, apesar das referências negativas dos meios de comunicação e de alguns adultos com formação desestruturada socialmente.

Como artista plástica e professora, tive o prazer e a oportunidade de dar aulas de pintura e desenho para os adolescentes e de desfrutar momentos interessantes de arte com as crianças, que sempre estiveram à nossa volta trazendo seu carinho e alegria.

Desfrutar dessa experiência foi muito mais interessante por estar acompanhada de voluntárias muito queridas, parceiras que agora fazem parte da minha história de vida, como também acolher amizades guineenses que marcaram momentos importantes durante esse voluntariado e que também ficarão eternizadas comigo.

Se valeu a pena? Claro, sem dúvida!!!!! Agora só fica muita saudade e a vontade de fazer tudo outra vez.

A experiência do Guilherme em Zanzibar

No dia 8 de Junho, meti a mochila às costas e embarquei numa longa jornada até à ilha de Zanzibar, tendo a minha estadia durado cerca de 3 semanas. Durante este tempo, tinha como missão ajudar a preservar o ecossistema plantando mangais e ensinar inglês a crianças, tendo ainda havido tempo para limpar uma praia.

Assim que se sai do aeroporto, deparamo-nos com a maior qualidade desta ilha: a simpatia das pessoas. Fui recebido com um “Hakuna Matata, welcome to Zanzibar”. E toda esta amabilidade se prolongou por toda a minha estadia. Sem exceção, todas as pessoas com que interagi tiveram uma simpatia extrema, fazendo com que me sentisse em casa, mas o que mais me tocou no coração foi durante as minhas viagens de bicicleta haver imensas crianças a dizer-me “hello”. 

Um dos meus objetivos pessoais para esta aventura era apreender uma cultura completamente nova, e sem sombra de dúvidas este foi cumprido! Fui acolhido por uma família em sua casa e aí fiquei hospedado durante as 3 semanas, portanto tive contacto permanente com a cultura local 24/7. O primeiro choque que temos é na comida, especialmente para quem está habituado a comer carne, pois as refeições eram maioritariamente arroz com feijão, fruta e chá. No entanto, foi extremamente enriquecedor aprender mais sobre a religião muçulmana e poder conhecer os seus hábitos diários e conhecer a riquíssima história da ilha e todos os povos que influenciaram a sua cultura: árabe, inglês, francês, indiano e português.

Relativamente à minha missão enquanto voluntário, começando pela proteção do ecossistema, estou muito satisfeito com o trabalho desenvolvido e com os objetivos atingidos: foram plantados cerca de 200 mangais por dia!! Quanto às aulas de inglês, sinto que fiz o meu melhor ao desempenhar o papel de professor e transmitir conhecimentos às crianças sobre a língua inglesa. Nos dias que foram dedicados à limpeza da praia, foi extremamente reconfortante olhar para um sítio que outrora estava cheio de garrafas, latas, etc, e neste momento ser um areal limpo.

Foi uma aventura que me proporcionou novas experiências, conhecer uma nova realidade e uma nova cultura, mas principalmente, uma aventura que me fez crescer!

Quero agradecer ao Para Onde? que foi graças a eles que esta aventura se concretizou, à ZAYDO e a todos os amigos que fiz em Zanzibar pela forma que me trataram e me acolheram e aos meus amigos e família por todo o apoio e força que me deram!

Voltei de coração cheio!    

A Experiência da Michelle na Guatemala

Pouco mais de um mês depois do meu regresso, ganhei coragem para pôr por palavras (ou tentar, pelo menos) a experiência incrível que vivi em Maio de 2019. E que mês tão bonito que foi! Cheguei sozinha àquela pequenina aldeia de Chuinajtajuyup e sai com amigos novos, novas aprendizagens e, sobretudo, com o coração feliz e mais cheio que nunca. Entrei como uma estranha naquela aldeia e sai de lá cheia de amor, até porque desde o meu primeiro dia fui acolhida de uma forma super calorosa, pela clínica e por todos os habitantes locais. Pareceu tão fácil integrar-me lá que nem a barreira linguística foi um drama. Tudo se faz, com mais calma, sem esta azáfama louca do quotidiano a que estamos tão habituados.

Aprendi bastante, tanto a nível profissional como pessoal. Vi casos clínicos que provavelmente nunca veria em Portugal. Aprendi a ouvir mais, a compreender que o que não é um problema para mim pode ser uma dificuldade para o outro. Estive realmente a prestar cuidados na comunidade, como tanto falamos durante os nossos cursos. Conheci as famílias e já sabia os nomes das crianças. Soube o problema de cada um e tentei tratá-los com o melhor que posso dar de mim. Quem me ouvir falar sobre o projeto de voluntariado que integrei, vai concerteza pensar que foi perfeito, tanto pelo pelo amor com que atualmente recordo aquele lugar mágico como pela leveza das fotografias. Mas não foi. Não foi perfeito porque me deparei com situações que me deixaram triste e frustrada, porque chorei mesmo quando não podia,  porque o trabalho na comunidade não é tão fácil como muitos julgam. Vivemos dias sem eletricidade, encontramos insectos cujo nome nem sabia, gerimos todas as tarefas domésticas entre nós e o estilo de vida é completamente diferente ao qual eu estou tão habituada. Mas, no final de contas, só não foi perfeito porque não pude ficar lá mais tempo!

Independentemente de todas as adversidades, sorri todos os dias. Senti-me uma pessoa livre. Senti-me tão, mas tão realizada por ter provocado algum impacto e mudança, mesmo que tenha sido em mínimos pormenores, aqueles que, normalmente, nem reparamos por estarmos tão fechados na nossa própria bolha. Nunca lhes vou conseguir agradecer o facto de me terem ajudado a tornar uma melhor enfermeira e, sobretudo, uma melhor pessoa. De resto, as paisagens lindas que vi, as reflexões que fiz, tudo o que aquela comunidade me ensinou, mesmo sem se aperceberem, vou guardar em mim para sempre. Sinto que este texto não reflete nem metade do que vivi, mas realmente há coisas que são inexplicáveis por palavras.
No final disto, acredito que tenha mudado a vida de alguém. Mas não fui só eu, a Guatemala também mudou a minha vida, sem dúvida.

A experiência da Sofia na ilha de Santo Antão

Olá a tod@s!

Quando cheguei a Portugal e toda a gente me perguntava “Então? Gostaste? Como correu?” a minha resposta era sempre a mesma: “Nem sei por onde começar…!”. Por isso, começo este testemunho dizendo que as palavras são poucas, muito poucas, para descrever cada momento vivido e emoção guardada.

Cheguei a Santo Antão de coração tranquilo, com vontade de aprender e de partilhar. Queria conhecer um pouco da cultura local, e desde cedo percebi que a cultura cabo-verdiana se sente a toda a hora: na simpatia e bem receber de todas as pessoas que conheci, no calor do tempo e dos abraços, na música e dança em cada esquina, no criolo que lentamente fui “apanhando”, nos banhos de mar revitalizantes, nos sabores diferentes mas ao mesmo tempo tão familiares… em todo o lado fui recebida de braços abertos, e rapidamente me senti em casa!

Tive ainda oportunidade de conhecer um pouco a ilha e os seus contrastes, desde o seu verde tropical, às paisagens mais áridas. Mas a beleza de Santo Antão está na simplicidade das coisas, na vida leve e alegre, no viver tranquilo com muito pouco e com muito pouco fazer festa!

Como profissional da área social e comunitária, o contacto com contextos de pobreza não era novidade para mim. Contudo, as diferenças culturais que encontrei foram reveladoras de uma forma de estar e de viver completamente diferente daquilo que conhecia, mesmo do meu contexto profissional. 

Um dia “normal” de voluntariado no Projeto SYnergia Cabo Verde começava com atividades de manhã, com os idosos do Centro de Dia do Alto de São Tomé. Confesso que este foi a valência do projeto que mais me surpreendeu: desde a receção calorosa por parte dos idosos, à disponibilidade para participar, partilhar as suas histórias, memórias e batalhas. Tocaram-me o coração. 

Depois de uma pausa longa de almoço, que por vezes é preenchida a preparar atividades, outras vezes com uma breve visita ao mar, da parte da tarde recebíamos as crianças e jovens no Espaço Jovem. É aqui que deixamos toda a nossa energia e paciência! É também aqui que recebemos os sorrisos mais sinceros, os abraços mais apertados, os risos mais espontâneos e verdadeiros.

Além das atividades habituais, tive a oportunidade de desenvolver um pequeno projeto fotográfico com base na metodologia photovoice, com um grupo de crianças em risco. O objetivo foi dar voz às crianças, através da fotografia, e partilhar com a comunidade os seus desejos de mudança. Foi maravilhoso ver a exposição fotográfica montada, mas o que mais me encheu o coração foi saber que todo o processo foi construído por estas crianças, detentoras de um potencial (artístico e pessoal) incrível!

Fui ainda “desafiada” pela Câmara Municipal de Porto Novo a dinamizar três workshops: um sobre sexualidade e violência no namoro para alunos do 7º ano; outro sobre direitos humanos para alunos do 12º; e um sobre igualdade de género e violência baseada no género dirigida a mulheres da comunidade. Destaco isto, porque não posso deixar de dar os parabéns ao projeto SYnergia, e a todos os voluntários enviados pelo Para Onde, pelo trabalho desenvolvido e pela confiança construída junto das instituições. Algumas iniciativas e ideias dos voluntários só são concretizadas e bem-sucedidas se houver o apoio e compromisso do poder local, e os laços visivelmente já criados com a comunidade. É bom perceber que toda a gente conhece o projeto, e reconhece e valoriza o trabalho desenvolvido pelos voluntários!

Senti, em cada atividade que desenvolvi, que aquilo estava de facto a ser uma mais-valia para alguém. Recebi sorrisos, abraços, atenção e reconhecimento. Não há pagamento para isso!

Foi pouco o tempo que estive em Santo Antão. Fiz voluntariado duas semanas, foi o tempo possível, tendo em conta os constrangimentos de conciliar este sonho antigo com um trabalho que encaro com muita dedicação e responsabilidade. Ainda assim, foi possível contribuir de alguma forma, dar um pouco de mim, e receber muito da experiência!

Acredito que voltei um ser humano um pouco melhor. Trouxe comigo aprendizagens, memórias, amigos e até novas rotinas.

Queridas pessoas que sentem este desejo que se aventurarem no voluntariado internacional: juntem-se a nós! Nunca é tarde. E se não conseguirem fazer exatamente o que querem ou como querem (seja pelo período de tempo, pelo sítio, o orçamento, etc.), adaptem, peçam ajuda ao Para Onde para encontrar a melhor alternativa, deixem as desculpas e medos de lado. Acreditem, poderá não ser perfeito, mas vai certamente ser compensador e transformador. 

Sodade de Sintanton

A experiência da Joana no Camboja

Cheguei num Domingo a Portugal com a sensação de missão cumprida. As minhas últimas duas semanas foram a experiência mais incrível que já tive na minha vida. Não irei esquecer aquilo que fiz. Decidi ir para o Camboja ensinar inglês a crianças e jovens que pouco ou nada têm. 

A realidade deles é tão diferente da minha que isso fez-me perceber que não é preciso muito para se ser feliz. A felicidade vem sem dúvida de dentro de cada um de nós. Não interessa a forma como nos vestimos, ou o que temos, apenas interessa estarmos bem. Foram dias de muita aprendizagem e de desenvolvimento pessoal. Nunca pensei vir tão mudada desta viagem, a verdade é que vim e sinto-me uma sortuda por ter vivido como eles e nas condições deles. O primeiro impacto é um choque, pois nada tem a ver com aquilo que estamos realmente habituados, no entanto no momento a seguir parece que já é uma realidade natural para nós. Ir sem expectativas é a melhor opção, afinal a vida consegue mesmo surpreender. Eu fui com a mente aberta e preparada para ver um pouco de tudo. E dei-me muito bem assim. Tive ainda a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas com grandes corações e tão apaixonadas pelo voluntariado como eu. Foi espectacular! Fazer amizades nunca foi tão fácil, afinal todos temos o mesmo propósito e todos queremos o mesmo, ajudar quem precisa.

Os dias nunca eram iguais. À sexta-feira fazíamos jogos com as crianças sobre a matéria que tinham aprendido durante a semana. Era sempre o dia mais esperado por eles. Outra das coisas que mais me marcou foi o respeito que as crianças tinham por nós voluntários. Sempre foram muito educados para connosco e eu admirei-os ainda mais por isso. 

Se tivesse que repetir a experiência, repetia sem qualquer dúvida. E aconselho a todas as pessoas a experienciar o voluntariado pelo menos uma vez na vida, não se irão arrepender. 

A Experiência da Lara na Ilha do Maio

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Eu cheguei na Ilha do Maio na tarde de uma segunda-feira ensolarada, depois do voo mais rápido da minha vida (12 minutos da Praia até o Maio). Cheguei com o coração aberto e cheia de vontade de fazer a diferença na vida de alguém. Eu não sabia que eles todos é que fariam a diferença na minha vida e na minha forma de ver o mundo. 

A Ilha do Maio foi pra mim a junção de todos os destinos de sonho e eu a escolhi porque eu queria dedicar o meu tempo e conhecimento em prol da conservação do meio ambiente e da cultura local. Eu queria entender mais sobre os costumes e a força do povo cabo-verdiano e viver de perto um pouquinho da realidade deles.

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Além das praias lindas – de areia branca, preta e mista -, do mar cristalino, das paisagens áridas de cortar a respiração, a ilha é o lugar mais calmo, sereno, tranquilo e seguro que eu já pisei. Não bastasse a beleza e simplicidade da ilha, as pessoas me receberam de braços abertos. Empatia, humildade, carisma, afeto, amizade, sorrisos e uma ilha inteira por descobrir.

Só faz dez dias que eu voltei do Maio e não houve um dia em que não sentisse saudades de lá.

Voltei com o coração transbordando de tanto amor e carinho. Pode ser o clichê que mais faz sentido agora. Fazer voluntariado é receber tanto, aprender, crescer, se adaptar e evoluir. Cabo Verde me acolheu, me abraçou, me testou, me desfez e me conquistou.

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Eu mudei os meus medos, meus receios, minhas dúvidas e meus julgamentos. Desacelerei meus pensamentos, elevei minha paz espiritual, acalmei minha ansiedade, parei de olhar o relógio, perdi a preguiça de acordar às 5h e ultrapassei limites que eu nem lembrava que tinha. Preciso dizer que os primeiros dias foram os mais difíceis, mesmo já estando preparada para as novas condições, é sempre um choque sair da nossa zona de conforto. E, com certeza, foi esse choque que também me tornou uma nova pessoa. Quando saímos da nossa zona de conforto por decisão própria, muitas vezes sabemos toda a teoria de como encarar as dificuldades. No entanto, tive que descobrir em mim novas formas de pensar e reagir, tive que aceitar as minhas limitações e precisei me comprometer a desatar os meus próprios nós. Agora dou risada de mim mesma.

Cabo Verde me ensinou a doar o meu tempo para ouvir as pessoas, sem pressa de querer falar, e me mostrou que criar laços de amizade e demonstrar afeto é transformador. 

Eu aprendi todos os dias, com todas as pessoas com quem convivi. E pude ter a certeza de que precisamos de muito pouco para ser feliz. Eu não perdi a esperança de que podemos ser o que a gente quiser. 

Um mês de voluntariado foi muito pouco e muito rápido, mas com certeza a experiência mais intensa e transformadora que eu poderia ter. Foi a melhor coisa que eu fiz na vida até hoje e agradeço a Para Onde? por tornar isto real. 

Obviamente, nada do que eu escreva será capaz de demonstrar a real importância e o impacto destes dias no meu ser e na minha forma de pensar. No entanto, eu espero que – pelo menos – as minhas palavras despertem em alguém a vontade de fazer a diferença por aí e descobrir que o mundo é muito maior quando partilhamos.

“Neste mundo que espera por pessoas que façam acontecer, eu aconteci graças a vocês. Muito obrigada!”

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A Experiência da Inês na Guiné-Bissau

A minha ida como voluntária para a Guiné, não foi só a realização de um sonho, foram vários sonhos realizados ao mesmo tempo.

Vi e aprendi tantas coisas, que nunca pensei experienciar ou vivenciar. Claro que boas e más. Os primeiros dias são de choque, um choque cultural e até físico, grande, não vou mentir, mas depois tudo se transforma, se torna hábito, ficando claro e bonito. 

Ainda assim, é uma realidade muito diferente, são muitas culturas, muitas etnias, muitas formas de viver e formas diferentes de utilizar objetos, palavras ou métodos, é uma língua própria, são crianças que brincam na rua, e não com os telemóveis, são crianças que nos abraçam, nos dão beijinhos e alguns até amor. A perfeição não existe e estas mesmas crianças também nos vêm como benfeitores, quase como se tivéssemos obrigação de lhes dar qualquer coisa, e há formas de pensar e viver em algumas etnias, que nem que me virasse ao contrário seria capaz de compreender, aceito claro mas compreender é difícil. Vi coisas que pensei já não existirem, vi a mulher ainda muito submissa, ouvi muitas teorias de dominação do homem, vi um país sem governo durante muitos meses, políticas e leis que não fazem sentido em pleno século XXI, vi greves todas as semanas, falta de luz durante dias seguidos, vi funerais que são festas de 3 dias com muita música e animação, vi comerciantes a tentar pedir mais dinheiro aos “brancos” por um produto, vi doentes num hospital a dormir no chão e as minhas refeições foram grande parte das vezes arroz trinca.

Mas… 

Voltava já hoje! É um misto de emoções, sensações e experiências, que ainda não tenho palavras e acho que não vou ter, porque só vivendo se torna possível perceber. 

Tudo o que falei em cima, se torna tão relativo, quando sentimos que os nossos alunos gostam realmente de nós, quando temos a perfeita noção que o pouco que ensinamos vale muito, que os materiais que levamos para as aulas nunca tinham sido vistos ou tocados, quando temos em sala um professor tão ou mais entusiasmado que os alunos naquilo que estamos a dizer, quando conseguimos ajudar uma família ou crianças em reais situações de pobreza ou incapacidade, muito para além daquelas roupas, brinquedos ou materiais que trazemos de Portugal, quando adultos nos pedem ajuda para projetos que querem fazer acontecer, quando conseguimos criar relações com a comunidade (relações essas que algumas tenho a certeza que vão ser para sempre), quando todas as pessoas são simpáticas e atenciosas connosco, e o mais importante, quando percebemos que ali temos valor, ali somos de facto uma mais-valia para alguém, para o mundo.

Essa sensação, meu Deus, é tão boa, que coloca tudo o que é mau de lado e faz com que nem questione se podia ter melhor experiência de vida que esta. É indiscritível, mesmo. 

Mas para que esta experiência se tornasse tão positiva, foi muito importante ir com algumas dicas, alguns avisos ou alertas que nos foram passados pela Associação “Para Onde?” porque, é apenas a minha opinião, devemos sempre refletir bem antes de partir para um programa de voluntariado… há muita coisa no mundo diferente daquilo a que estamos habituados, que ainda não vimos ou conhecemos, não estamos preparados, existem diferentes pessoas e formas de gerir emoções, que nem sempre são fáceis de gerir, por isso, devemos ir preparados, muito preparados.

Em suma, a minha experiência na Guiné foi incrível, quase mágica, tornando claramente uma pessoa diferente e muito mais humana, com muito mais noção das disparidades do mundo, no bom e no mau sentido e, acima de tudo, com uma noção evidente que ainda há tanta coisa por fazer… Eu irei voltar e aconselho todo o mundo a participar num programa deste tipo, a arriscar e fazer a diferença, porque o que trazemos é tão enriquecedor que até o dinheiro gasto no programa, não custa nada!