A Experiência da Sofia em Cabo Verde

Demorei para conseguir escrever este texto. É que estas missões deixam-nos assim. Do avesso. Com as emoções à flor da pele.

O meu mês de Novembro foi passado no pequeno paraíso a que os São Vicentinos têm o prazer de chamar de casa, e que, embora a minha estadia lá tenha sido curta, já me sinto no direito de lhes roubar um pouco dela. Afinal, a nossa casa é onde habita o nosso coração, não é? Uma parte do meu habita agora lá.
Desde o momento em que aterrei em São Vicente e pus os pés fora do avião que me apaixonei por aquela ilha. É que o ar de São Vicente é abafado, tão quente quanto os corações dos que nele habitam. No bom criolo, Son Cent é sab! Sab pra caga!!! E sente-se em todos os cantos! Transborda energia positiva e boas vibrações através de sorrisos calorosos, gestos simples e ações genuínas. E tudo é vivido com muito calma… “Nô stress” é a resposta! “Suav na Nav” era o lema da nossa casa. Com eles aprendi a viver devagarinho. A vida devagarinho tem outra beleza, que nos passa ao lado quando temos pressa de viver.
Durante esse mês dividi o meu tempo entre o Espaço Jovem da Ribeira de Craquinha e da Pedra Rolada. Espaços diferentes com crianças com necessidades e contextos diferentes, mas a ternura, os sorrisos, a pureza das
suas almas e a vontade de aprender era a mesma. Em ambos os centros dei apoio escolar, acompanhei crianças com necessidades reforçadas, participei em dinâmicas educativas e dei aulas de inglês aos mais crescidos. Os cabo verdianos são um povo muito quente, muito físico, muito do toque e as suas crianças não são excepção… Enfim, não sabem estar quietas! Estou a falar de crianças que, para serem afastadas das ruas, passam os seus dias em salas de aulas. De manhã têm aulas. À tarde, explicações. Se não tem aulas de manhã, tem explicações à tarde. E ao final da tarde, depois do sol se pôr, algumas ainda caminham a pé para mais uma hora de aula de inglês. Muitas vão com fome para o centro. Muitas outras sabemos que não têm a estrutura familiar que precisam E MERECEM…


Admito que fui para São Vicente com expectativas irrealistas e, por vezes, me senti frustada por sentir que não estava a conseguir fazer tudo o que pretendia e principalmente o que achava justo. O que achava que aquelas crianças mereciam e, por isso, muitas vezes terminei o dia a questionar-me sobre qual a verdadeira diferença que estava a fazer nas suas vidas. Até reler uma citação que tinha anotado antes de partir da Madre Teresa de Calcutá: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”
Posso não ter enchido o mar de São Vicente, transformado vidas, mudado o mundo, mas sei que deixei a minha gota. Conseguem imaginar a dimensão desse mar se todos deixássemos a nossa gota?!
Aprendi tanto durante este mês.

Com os pequenos heróis que acompanhei, e que me aqueceram o coração com os sorrisos mais doces e os abraços mais apertados, aprendi a valorizar ainda mais os pequenos grandes gestos. Os que valem realmente a pena. Não me irei esquecer das flores matinais, do caminho de mãos dadas para o centro, dos jogos de futebol, dos momentos divertidos que criámos juntos que acabaram sendo momentos de aprendizagem, das cartas e dos desenhos onde me chamavam de professora (e eu gostava tanto!).
Aprendi muito também com os voluntários e elementos da comunidade que fazem estes projectos acontecerem e com quem tive o prazer de trabalhar e de hoje chamar de amigos.
Voltar a Portugal não foi fácil. De repente aquilo que já tinha virado rotina, aquelas pessoas que me acolheram como se fosse ficar para sempre já não estavam mais lá. E custa. Mas é porque o sentimento foi puro, foi genuíno. Fiz as amizades mais bonitas e mais descomplicadas em São Vicente. Agora entendo a Cesária. Sinto a sua “sôdade”. Sôdade de quem lá deixei e sôdade de quem lá era. Uma versão mais simples, mais livre e mais pura de mim, que vou cultivar e regar para não perder mais.
É humana, a maior riqueza de Cabo Verde.
Obrigada Son Cent, nha cretcheu *


A Experiência da Diana em Itália

Em Setembro deste ano resolvi embarcar na minha primeira experiência de voluntariado internacional. O destino era a Città dell´Utopia em Roma. Pensei várias vezes se deveria fazê-lo, seria a altura certa? Seria o projeto ideal? Confesso que tinha algum receio, mas felizmente a vontade de participar numa experiência diferente e em algo que fizesse sentido foram mais fortes. E lá fui eu com destino a Roma. A Città dell´Utopia está localizada nos arredores de Roma, e trata-se de uma oficina cultural e social, na qual são desenvolvidas um conjunto de atividades que permite unir toda a comunidade, apesar das diferenças. Também acolhe temporariamente pessoas que estejam a precisar de abrigo e ajuda. O projeto no qual ia participar tinha a duração de uma semana e tinha como tema o Yoga como estilo de vida. As atividades tinham como base as aulas de Yoga, mas também a manutenção e o melhoramento das condições das instalações da instituição. Participamos nos trabalhos de manutenção do jardim e limpeza e organização dos espaços comuns da casa. Mas mais importante do que o contributo que demos para este projeto, foi tudo o que aprendemos para evoluirmos e para sermos melhores pessoas nas nossas vidas e para com os outros. As aulas de yoga foram extremamente ricas, porque mais do que posições e técnicas de respiração, aprendemos a sentir mais e a sermos nós próprios sem medos. Aprendemos que devemos viver o momento, sem ansiedade e a ser gratos por tudo o que nos acontece, o bom, que nos deixa feliz e o mau porque nos permite crescer e evoluir. E que podemos sempre recomeçar independentemente do momento em que nos encontramos.

Para além disso foi absolutamente fantástica a oportunidade de aprender a viver em comunidade, com pessoas de diferentes nacionalidades, como Áustria, Itália, Rússia, Coreia do Sul, etc. a dormir em camaratas, a cozinhar refeições para todo o grupo com um orçamento reduzido, o que apelava à nossa criatividade e capacidade de improviso constantes. A comunicação também era um desafio, pois as aulas eram em italiano e entre todos os voluntários era o inglês que dominava. Tive a sorte de ter comigo outra voluntária portuguesa, a Inês, a participar neste projeto a quem agradeço toda a camaradagem e ajuda durante esta semana. Se em algum momento tiverem dúvidas em participar num projeto deste género, digo: vão, mesmo com medo e com borboletas na barriga, porque vale muito a pena. Independentemente da cultura, do projeto, da idade (havia um voluntário na casa dos 50 anos a participar), arrisquem, coloquem-se fora  da vossa zona de conforto. Porque por mais que possam dar, vão receber muito mais e vão regressar às vossas casas e às vossas vidas muito mais ricos do que quando partiram.

A experiência da Raquel no Peru

Carta aberta ao próximo voluntário(a),

Já passou mais de um mês desde que regressei do Peru, foram cerca de 3 meses intensos, e escrever sobre uma experiência que vivemos, vimos, e sentimos, sendo ela de longa duração, nunca foi tarefa fácil. Como descreves tudo aquilo que viveste em 2, 3, 4 meses? Sabendo que o principal objectivo aqui é partilhar contigo, um testemunho em primeira mão. Tive tempo para chorar, para rir, para me magoar, para sarar, para pensar e para não pensar em nada. Já deves ter reparado que me estou a dirigir a ti. Sim, a ti e a todos aqueles que se comprometeram a fazer algo de diferente nas suas vidas, nas vidas de outros. Este testemunho é para ti que procuras aquele pedaço de coragem que falta, da inspiração necessária para largares o que tens e partir. Vou ser o mais sincera possível, cada experiência é única e por mais coisas que leias, vai ser sempre diferente no final. Porque quem faz a experiência és tu, e todos aqueles que encontras no caminho. Se estás com dúvidas, vai! Eu fiz mil e um planos, vi 500 páginas de voluntariado, fiz contas à vida, à carteira, ao tempo que tinha e que não tinha, mas no final, aceitei o desafio. Já te imaginaste a pegar numa mochila e atravessar um oceano e um país sozinho/a? Se já, este é o lugar certo para ti.

Estive dois meses e meio no Peru, na cidade de Trujillo, na costa norte do país. Uma cidade que não vive do turismo, e como tal, sentes isso na rotina diária da cidade, no tráfico intenso dos táxis ou na falta de um café que te serve um expresso todos os dias, as infra-estruturas desorganizadas e na escola. Este lugar para onde te diriges diariamente, fica situado no distrito de Florencia de Mora, e só os teus próprios olhos podem descrever aquilo que encontras, mas posso-te garantir, que à falta de estradas e ordem neste bairro de longas estradas de terra batida e das milhentas estórias que ouvi sobre este lugar, senti-me sempre muito segura e bem recebida. Todos os dias eram diferentes, e todos os dias te levantas com a única motivação de que vais ensinar 80 crianças por dia. Elas, são realmente o foco deste projecto, são o melhor do mundo como se diz por aí, e saberes que estás a fazer o melhor que podes para que no mínimo eles possam sonhar um bocadinho mais além daquelas paredes, é o melhor presente que podes guardar na tua bagagem de regresso. Todos os dias são uma aprendizagem, para eles e para ti. O desafio a que te propões de lhes ensinar inglês, acaba por ser muito mais do que ensinar apenas uma língua. É o tempo gasto com eles, a atenção e a partilha de valores.

Descrever o que se vive num projecto de voluntariado, por palavras, imagens, por sentimentos ou como lhe quisermos chamar, é uma injustiça muito grande. Por mais testemunhos que possas ler, nunca vai chegar à realidade que é. Cada experiência, seja ela positiva ou negativa, é uma aprendizagem. Ser voluntário é um sentimento de pertença a um lugar e ao mesmo tempo, de um lugar que nos transforma. Na forma de se estar, de se pensar e viver.

Quando surgiu a ideia de fazer parte de um projecto de voluntariado, a minha prioridade era procurar um apoio em Portugal, neste caso a Para Onde? foi essencial nesta ponte. O carinho, a dedicação, a motivação e a segurança que te dá em TODO o caminho, foi fulcral para me sentir segura. Tinha muito medo do tipo de projecto que me esperava. Se era real ou não, se era válido, útil e realmente necessário. Se não seria mais um daqueles projectos de turismo, onde a única coisa que importante no final é ficares com uma foto para recordação. Nada disto aconteceu no final, isso posso-te garantir, mas tudo depende da tua forma de estar. Fui com muitas expectativas, e a expectativa pode ser o teu pior inimigo, porque acaba sempre por ser de uma forma totalmente diferente daquela que imaginaste, mas garanto-te que se fores com a mentalidade de dar, aquilo que puderes dar e que está ao teu alcance, se fores desprendido de todos os teus hábitos, se fores com a tua mente aberta, se fores tu próprio no estado mais puro e sincero, vai correr tudo bem.

Não te vou falar das estórias incríveis que viverás no caminho, da colega com quem partilhas o quarto que se torna uma irmã, da possibilidade de descobrires um país pelas tuas próprias mãos, dos lugares incríveis e de cortar a respiração que vais ver com os teus próprios olhos, da ligação que este país tem com a terra, com a mãe natureza, a “Pachamama” no seu estado mais puro, das 50 crianças que diariamente correm para te abraçar pela admiração que têm por ti e por fazeres parte do dia delas, pelo professor que nunca opinou sobre nada desde a tua chegada, mas no final vem ter contigo e te dá um abraço como forma de agradecimento. Pelas pessoas que largam tudo no seu país e dedicam o seu tempo a uma causa. Por tudo isto e muito mais, não te vou falar do quão feliz estou por ter tomado esta decisão e embarcado nesta aventura de fazer parte de algo.

Num mundo que hoje parece virado ao contrário, onde caminhamos numa direcção errada na luta pelos direitos humanos, sabemos que não vamos mudar o mundo, mas saíres da tua zona de conforto para, pelo menos “deixares o mundo um pouco melhor do que o encontraste”, é a melhor decisão que podes tomar.

Se tudo isto não te chegar, deixo-te aqui com os meus últimos recursos:

A experiência da Ana em Zanzibar

“É tanta luz aqui que até parece claridade

É tanto amigo aqui que até parece que é verdade

É tanta coisa aqui que até parece não há custo”…

Nos 1ºs dias, nas minhas tentativas de escrita… saiu-me isto:

…”Já me apaixonei sim! Aqui, sinto me! Talvez seja o início de uma paixão e por isso ferve muito.. é tanta coisa aqui! :) Ainda tenho muito tempo para perceber esta paixão, e quem sabe virar amor!? Não sei ainda bem o que dizer ou descrever.. é tanta coisa aqui! :)”..

O tempo passou, já lá vão 3 meses e meio. E, esta experiencia de Voluntariado internacional de longa duração foi… Forte! Fois… Tanto!

No primeiro mês, foram mais de 6 escolas visitadas, nelas.. várias turmas! Tantas crianças me passaram pelas “mãos”. Foi incrivelmente enriquecedor! Forte! Fortaleceu! Os sorrisos, nenhum se estranhou e todos se entranharam em mim. Sorrisos grandes, simples e sem motivo de ser… só de sentir!

Com a permissão do líder da vila, e uma “aprovada aceitação” do grupo de mulheres, desenvolvi durante os 2 meses e meio, atividades, 2x por semana, com mães e bebes (massagem para bebes/gravidas e outras relacionadas…). Nunca serei suficientemente capaz de descrever tudo o que aprendi ali. Tudo o que senti e o quão forte cresci! Espero, guardar dentro de mim, para sempre, o sentimento que agora carrego!

No 2º mês, atividades com a comunidade. Crianças, professores, taxistas e.. “condutores”! Criamos com as crianças, uma serie de atividades lúdicas. Entre elas, um teatro de fantoches, abrangendo o tema da segurança rodoviária. Foram semanas, de uma exaustão e cansaço tão gratificante, que terminou num festival, em que eles foram umas estrelas e brilharam tanto, que ainda hoje essa luz ofusca em mim! Tenho tanto orgulho neles! Sedentos de aprender, sedentos de brilhar.. simplesmente porque sim! Guardo-os em mim!

Senti e aprendi que…

Quanto mais dás.. mais leve e livre tu és!

Quando vives com “pouco”… ganhas tempo para o, tanto!

Tanto! Que são as pessoas, os lugares, os olhares, o toque! A conversa! O sorriso! O abraço! O beijo! A música! A dança!

O som do nada…! A serena luminosidade do nascer do dia! O incrível lusco-fusco, que te dá a certeza de um novo amanhecer!

A cor! A clareza! O cheiro, e o sabor! A natureza! Podes fechar os olhos… sentir-te leve e levitar! Flutuar no imaginário da beleza das coisas, das crianças, das mulheres daquele lugar, que enroladas em tanta cor, só mostram o olhar!

O sentimento do teu EU! É tanto! És leve ali, voas para onde quiseres, e sempre sorris no fim!

Consegues perceber isto? Consegues voar? És assim tão leve? Livre e solto? Sabes sorrir de olhos fechados? Experimenta dar… carregar menos peso! Andar descalço, fechar os olhos e sorrir, ser leve e… voar!

Conseguem sentir o que vos escrevo?

Anda cá e vê! Chega perto, e fica!.. e depois diz me como é!

Senti e aprendi a viver, de uma forma simplesmente forte! Que o resultado final foi, um sentimento de leveza, simplicidade, e uma incrível liberdade! Daquelas coisas que não se explica. Mas que me marcou! Não havia caminho para fugir. Tinhas que ficar! África é forte! E marcou…! Tanto!

Sou muito grata por tudo o que esta experiencia me proporcionou.

Sou hoje, muito mais rica do que era, e com muito menos! E a sensação é.. muito boa! :)

..”É tanto tempo aqui que até parece não há pressa

É tanta pressa aqui que até parece não há tempo

É tanto excesso aqui que até parece não há falta

É tanto muro aqui que até parece que é seguro

Tanto, tanto

Na embriaguez de encanto

É tanto “tanto faz”

Que ninguém sabe quem fez

Mundo gira mundo

Mundo vagabundo

Não olhe senão vês”..

Obrigada, Jambiani, Zanzibar, Tanzânia!

Até já…

A experiência da Joana na Tailândia

Passou mais de um mês desde que terminei a minha experiência de voluntariado internacional de curta duração na Tailândia e parece incrível a forma como este sentimento que é plantado dentro de nós perdura durante tanto tempo. É como uma sementinha que fica, o trabalho agora é fazê-la sempre crescer. A minha passagem pela Dalaa international Volunteers for Social Development Association e por aquele pequeno e encantador arquipélago que é Koh Bulon tinha como objetivo o ensino não formal de inglês a crianças de duas ilhas deste arquipélago: Bulon Lay e Bulon Don com 34 e 80 crianças respectivamente, com idades compreendidas entre os 6 e os 15 anos.

É maravilhosa a forma como os locais recebem aqueles que chamam de “Farang” (pessoas de cor branca) cumprimentando sempre com um sorriso nos lábios e um gesto amistoso de mãos juntas ao peito com um caloroso “sawadd di kaa” que significa “olá”, oferecendo comida, ensinando os seus costumes. Ensinaram-nos como fazer aquela comida picante mas muito boa, que andar de pés descalços principalmente dentro de casa ou em espaços comuns como escolas e lojas é uma crença que devemos respeitar e que é normal a simbiose com toda aquela bicharada. Foi de facto um prazer poder viver naquele paraíso…

E o melhor de tudo, a cumplicidade que aquelas crianças criaram connosco num tão curto espaço de tempo. Nunca me vou esquecer dos sorrisos, das flores, dos abraços, das brincadeiras e dos momentos de aprendizagem que criámos todos juntos: crianças, professores, locais e voluntários. Aprendi tanta coisa que me atrevo a dizer que recebi tanto ou mais do que aquilo que dei. A simplicidade daquele povo e a forma como vivemos lá demonstra que não precisamos de muito para ser felizes. A forma como as crianças se entregavam a nós fez-me perceber que não falar a mesma língua não é um obstáculo porque as brincadeiras e os carinhos são universais. O ensino é muito diferente do nosso, muitas coisas ficam por aprender no entanto reina o convívio e a aprendizagem de um estilo de vida local e de actividades práticas adaptadas ao dia a dia da população.

Questionava muitas vezes qual a real diferença que fizemos na vida daquelas crianças num tempo tão reduzido e de que forma aquilo que ensinámos iria ser útil no futuro, mas na festa de despedida uma mãe disse-nos que aquelas crianças estavam muito mais felizes enquanto lá estivemos…Lembrei-me da formação pré partida, da Joana e do Manel dizerem que não iriamos mudar o mundo mas que com certeza iriamos fazer a diferença na vida daqueles com quem nos cruzaríamos nesta aventura e assim foi, tão verdade!! A eles também o meu muito obrigada por todo o apoio ao longo do processo , foram incansáveis. Todos aqueles com quem me cruzei ao longo desta aventura fizeram-me perceber que nada acontece por acaso e a todos aqueles que me apoiaram nos momentos de medos e ânsias antes da partida o meu mais sincero obrigada. E para o grupo Dalaa e para as crianças daquele arquipélago um grande “kob kun kaa” que é como quem diz “Obrigada” foi sem dúvida uma experiência que levo para o resto da minha vida. “Living together, learning together, working together”.

A Experiência da Maria em Caraíva, Brasil

O Natal está mesmo, mesmo a chegar!!! E a pergunta que mais ouvimos nesta altura do ano é “O que é que mais desejas para este Natal?”. Este ano a minha resposta a esta pergunta é imediata. O que eu mais desejo para este natal (e para o novo ano) é poder voltar a Caraíva, poder voltar a abraçar todos aqueles que deixei lá e que se tornaram tão importantes para mim.
Estive em Caraíva dois meses (Agosto e Setembro) a fazer voluntariado na ONG Caraíva Viva. Caraíva é um pequeno paraíso no Sul da Bahia que, desde o primeiro momento, me fez perceber que eu estava no melhor lugar do mundo e era ali que eu viver aquela que seria a experiência mais incrível da minha vida. E, assim foi… em Caraíva, vivi os dias mais felizes que alguma vez tive. Foram dias intensos, mas sempre repletos de momentos que nos enchem o coração. Durante o tempo em que lá estive, apaixonei-me por cada uma das crianças que se cruzaram no meu caminho, fiquei rendida à simplicidade e alegria delas… era tão bom partilhar os meus dias com crianças tão especiais como elas, a brincar ou a ajudá-las a aprender.

A Caraíva Viva é uma ONG com crianças dos 4 aos 17 anos que tem como princípio promover a educação através das artes e da cultura, oferecendo aos alunos um conjunto variado de oficinas onde eles podem aprender ao mesmo tempo que se divertem. O nosso trabalho, enquanto voluntários, passa muito por auxiliar as aulas de leitura, escrita, artes e música e, por vezes, as de dança e capoeira.
Desde o primeiro dia em que cheguei à ONG, senti que esta minha experiência ia correr bem… as crianças eram muito simpáticas connosco e queriam estar sempre ao nosso lado. E, foi isto que aconteceu ao longo dos dois meses… todas as crianças queriam a nossa companhia e queriam brincar connosco. Gostavam imenso de brincar às cabeleireiras e aos restaurantes, de montar puzzles, de nos oferecerem desenhos (vim com uma capa carregada de desenhos que guardo para a vida) e de tirar fotografias ou gravar vídeos com os nossos telemóveis (“pro, pode-me emprestar o seu celular?” foi das frases que eu mais ouvi ao longo daqueles dois meses). Essencialmente, aquilo que estas crianças mais queriam era sentir que nós lhes dávamos carinho e atenção. Apesar de lhes ter dado todo o carinho e atenção que consegui, sinto, verdadeiramente, que recebi muito mais que aquilo que dei. Sei que este é o clichê mais usado quando se fala em voluntariado, mas, agora posso dizer, que é o mais verdadeiro também! Foram dois meses repletos de abraços bons, sorrisos contagiantes e beijinhos deliciosos… dois meses em que o meu coração ficou repleto de tanto amor. Ouvir um “pro, gosto muito de você” ou receber desenhos que diziam “eu te amo” era das melhores coisas do mundo <3

Nestes dois meses, percebi que não é preciso muito para se ser feliz… eu fui muito feliz mesmo com os pés sujos de areia, mesmo quando o banho era com água fria, mesmo quando estava toda picada pelos mosquitos… e fui muito feliz porque estava num sítio maravilhoso com pessoas fantásticas. Todas as pessoas que conhecemos foram incríveis connosco, não só os coordenadores e professores da ONG, como, também, as outras pessoas da vila.
Antes de ir para Caraíva, quando andei a tentar conhecer um pouquinho mais deste lugar, encontrei esta frase: “Em Caraíva a vida fica mais leve, mais bonita e com outra vibração!”. E, agora, que já lá estive posso dizer que isto é muito verdade. Aquela vila é sinónimo de beleza, alegria e simpatia todos os dias, todo o dia e, por isso, é impossível que a nossa vida não fique mais leve, mais bonita e com outra vibração… é impossível não sermos felizes em Caraíva.
Agora, só me resta esperar que um dia possa voltar a ser feliz em Caraíva… que um dia os meus pés possam voltar a tocar naquela areia… que os meus olhos possam voltar a ver aquela vila cheia de cores… e que o meu colo possa voltar a receber aquelas crianças que, em tão pouco tempo, se tornaram tão importantes para mim!

A Experiência da Raquel em São Vicente, Cabo Verde

Durante dois meses da minha vida dividi o meu tempo entre os Espaços Jovem da Craquinha, Pedra Rolada e as ruas de São Vicente. Cheguei a Cabo Verde com 26 anos e sem qualquer experiência em voluntariado internacional… Voltei com 27, muito mais rica espiritualmente e com vontade de fazer parte de mais projetos deste cariz.

Foi em outubro de 2018 que lá aterrei, meia à deriva, no entanto, a integração foi muito fácil… É que São Vicente é morabeza com todas as santas letras! Soncent é terra sab, com povo tcheu sab! As gentes desta terra têm muito a ensinar ao mundo moderno, porque são pobres, mas felizes! E por muito pouco que tenham, partilham sempre com o próximo! Pobres de bens, ricos de espírito! Vivem a um ritmo lento, tranquilo: No stress, como dizem… E mesmo que a vida se mostre difícil muitas vezes, conseguem esboçar sempre um sorriso e manter o otimismo.

Quanto às crianças com que trabalhei… São intensas! Mas como não serem? Muitas vezes já têm responsabilidades que não seriam supostas… Carregam garrafões de água pesados, vão às compras, fazem as mais diversas tarefas em casa… Quando têm tempo de ir para os centros, por vezes nem têm nada no estômago. Como pedir a uma criança com fome que se concentre e se comporte? No entanto, mesmo que por vezes expressem o desagrado com a vida de uma forma mais violenta, conseguem sempre mostrar o amor que têm dentro delas. Quando nos vêm, correm para nós com uma alegria genuína e têm sempre um abraço sincero para nos dar. E são estas pequenas coisas que fazem valer a pena, mesmo que às vezes tenhamos saído dos centros com dores de cabeça, tal era o barulho, ou frustrados e cansados física e psicologicamente, por tentarmos fazer algo e não conseguirmos, tal era a desordem ou desconcentração…

Sem dúvida alguma que com esta experiência desenvolvi o meu sentido de responsabilidade, trabalho de equipa, empatia… Apurei ainda o meu conhecimento: Para já, relembrei algumas matérias já esquecidas, e depois lidei com pessoas muito sábias, que me ensinaram muito… Sobre diversos temas e sobre a vida! Não só aprendi com as voluntárias tuguesas e zuca que me acompanharam nesta missão, como também aprendi com os voluntários locais, com as crianças dos centros e com outras pessoas com quem tive a sorte e privilégio de me cruzar, pelo acaso do destino, por alguma rua de São Vicente. Sou grata por tudo o que vivi durante estes 2 meses. Sou grata por toda a partilha… Por todos os momentos, por todo o conhecimento, por todas aquelas pessoas… Desde as crianças aos adultos. Sou grata por ter partilhado esta experiência com pessoas tão puras, que só me souberam transmitir boas energias…

Mas as boas energias, essas… Estavam por todo o lado! Até no céu! Não é que um dia estava eu na Laginha, a aproveitar mais um pôr-do-sol, quando olho para trás e vejo um coração desenhado nas nuvens… Coincidência? Naaaaaa! O universo estava a mostrar-me o que era São Vicente e toda aquela experiência: Amor. Tranquilidade. Dar. Receber. Sorrir. Aceitar. Ser humilde. Ser simples. Ser feliz… 

Ser voluntário é ser parte ativa da mudança. E ser isso faz bem à alma, portanto, se tu estás na dúvida de ir ou ficar… Vai! – “SONHA. FAZ. FEITO.” – a resposta é muito simples, clara e óbvia! Ainda aqui estás?

Glossário: Morabeza – Amabilidade, bem receber; Soncent – São Vicente; Sab – Bom(a); Tcheu – Muito; Tuguesas – Portuguesas; Zuca – Brasileira.


A experiência da Inês na Guiné-Bissau

Receber alguém que sabemos que só fica um mês como se ficasse para sempre era uma coisa que nunca me tinha passado pela cabeça, nem nunca pensei que fosse possível. Logo aqui estava enganada (para acrescentar a tantas outras coisas que me apercebi que estava redondamente enganada).  Fui recebida como se ficasse para sempre. Eu senti-me em casa a partir do momento em que aterrei em Bissau até hoje (e para sempre…). E todos sabiam que daí a um mês eu voltaria para Portugal e possivelmente nunca mais me viam na vida. Esta foi a primeira de muitas lições que esta experiência me ensinou. Independentemente do tempo que eu estaria ali a minha vida naquele momento era ali. Eu acordava ali, eu trabalhava ali, eu combinava com os meus amigos dali e eu ia deitar me ali. Se calhar foi esta forma de estar (a 200%) que me deixa hoje tão nostálgica e desolada por estar aqui, agora. Durante aquele mês acompanhou me muito um lema: “em Roma sê romano” e agora eu era guineense.
Aprendi que cada pessoa tem a sua história e obviamente não a tem escrita na testa e por isso é preciso conversar e conhecer para ficarmos a par da história. Muitas vezes julgamos aquilo que vemos sem nunca pensar no que está por trás. E há tanto por trás, muito mais do que aquilo que é visível. Cada pessoa que conheci tem uma história diferente e tão especial. E esta foi outra das grandes lições que o povo guineense me ensinou. Cada pessoa (para além inesquecível) é muito mais do que aquilo que aparenta e a única atitude que podemos ter é a de amigo e ouvinte (isto se queremos conhecer 1/10 de cada um).
Durante este mês acompanhei os alunos mais novos da escola. A turma do primeiro ano e pré—escolar em que muitos estavam na escola pela primeira vez. Sendo na escola o seu primeiro contacto com a língua portuguesa e tendo eu chegado no início do ano letivo as dificuldades de comunicação eram diárias. No entanto, nenhum dos alunos deixava de me abraçar ou sorrir, deixava de cantar músicas que eu ensinei ou deixava de me chamar para eu ajudar. Afinal a língua não era um obstáculo, era uma mais valia porque no fim do mês tanto eles como eu sabíamos uma língua nova. Nha bebés dixam apaxonado logo na purmero mumento.
Entre muitos conceitos de noção diferentes (por exemplo a noção de essencial) o único que não conseguimos discutir é o facto de o povo guineense não ter noção de como influenciou positivamente a minha vida e a minha forma de viver. Eu tentei deixar o que pude e tenho consciência de que aquilo que eu fiz ao longo de um mês não é comparável a tudo o que eu trouxe no meu coração e a tudo o que cada pessoa que conheci me deu. As diferenças culturais fizeram me crescer tanto que neste momento o maior desafio é lidar com a cultura portuguesa. Sinto muitas vezes (se calhar mais do que devia) que evoluímos num caminho errado. Não há nada que substitua a simplicidade e o modo de vida na Guiné é isso mesmo: simples.
Conheço a expressão “A beleza está na simplicidade” há muito tempo mas depois deste mês esta expressão ganhou vida. Nunca 4 palavras juntas fizeram tanto sentido. A beleza está efetivamente na simplicidade. Tudo o que é simples é mais puro e só na simplicidade podemos viver tudo com a maior das transparências. Num ambiente simples, sem futilidades a atrapalhar, parece que o nosso coração se abre e tudo entra sem obstáculos.
O ritmo lento de África é um dos fatores que ouvimos muito falar que se pode tornar um grande choque cultural. Na minha opinião, se tudo o que vivêssemos fosse vivido em câmara lenta podíamos aproveitar cada momento muito melhor. E infelizmente este mês não passou em câmara lenta, porque se tivesse passado ainda lá estaria e tudo seria mais fácil! Agora, estando cá, há uma coisa com a qual ainda estou aprender a lidar (e infelizmente creio que nunca vou aprender) chama-se saudades. É dos piores sentimentos que já senti (senão o pior). Saudades de cada pessoa, saudades de cada criança, saudades de cada sítio, saudades de cada conversa, saudades do calor, saudades de não ter saudades de Portugal (até dizia casa mas podia induzir a erro porque neste momento tenho 2 casas).
Antes de escrever este testemunho reli a carta de motivação que escrevi antes de ser aceite no programa e lá dizia (relativamente a uma viagem que fiz a São Tomé): “Num momento da minha vida em que tinha a certeza que era feliz percebi que posso ser ainda mais.” E agora rescrevo esta frase (e que bom que seria poder reescrevê-la todos os dias).
Há muito mais por conhecer, há muito mais para viver, somos 7 mil milhões e todos diferentes!

A experiência da Filipa no Japão

Andei a pesquisar por voluntariados de curta duração para fazer nas férias do meu trabalho e na minha pesquisa encontrei, felizmente, o Para Onde.

Já fiz vários voluntariados internacionais, mas esta foi a minha primeira experiência com esta organização portuguesa. Fiquei um pouco cética pelo facto de ter que me deslocar para a formação pré-partida, a 300 kms de distância num dia de semana de trabalho. Mas fui na mesma e não me arrependi. Pelo contrário. Encontrei pessoal jovem com muitos conselhos realmente úteis para me dar e sinto que os casos práticos me fizeram refletir acerca de certas situações que já me tinham acontecido em experiências anteriores. Algo que não aconteceu nas formações pré-partida que fiz com outras associações portuguesas.

Agora foquemo-nos no projeto.

Estive uma semana e meia numa aldeia no Japão, onde foram precisas duas horas e pouco a caminhar pela montanha acima, para conseguir lá chegar com toda a nossa bagagem às contas.

Fui com uma voluntária polaca e outra mexicana descobrir como vive de forma ecológica a comunidade de Maki. Onde as casas são feitas de madeira com telhados de colmo e os quartos são idênticos aos do Nobita (sim, dormi num colchão tripartido no chão). Todos deixamos os sapatos à porta, comemos sentados de joelhos no chão. Aguentei 3 segundos naquela posição (em que eles aguentavam 3 horas). Todos muito quietinhos e silenciosos comem em todas as refeições a típica sopa japonesa e uma taça de arroz. Como seria de esperar, apenas usamos pauzinhos para comer.

As nossas tarefas diárias passaram por cuidar dos animais, por colher e plantar alimentos da época, cortar lenha, apanhar colmo e ajudar na cozinha. Os horários eram muito precisos. De segunda a sábado os dias começavam às 5h45 com trabalho mais leve, como cuidar dos animais. Às 7h30 depois de alguém ler a passagem da Bíblia do dia, tomamos o esperado pequeno-almoço e temos a primeira reunião do dia. Recomeçamos o trabalho às 8h45. Ouvimos o toque de chamada para um break a meio da manhã para recarregar energias com chá e bolachinhas. Almoçamos às 12h antes da segunda reunião do dia e retomamos às 13h45 o trabalho. É aqui que podemos ter uns minutos (quase uma hora) de tempo livre para fazermos o que quisermos. Temos outro pequeno break para chá à tarde e jantamos às 18h com a última reunião que encerra o dia. Aos domingos apenas cuidamos dos animais antes do pequeno-almoço e ficamos com o dia completamente livre. Aproveitámos para visitar a civilização mais próxima, a cidade de Hakuba, com um voluntário japonês – uma das 3/4 únicas pessoas que sabiam alguma coisa de inglês na comunidade.

Esta comunidade é a coisa mais pacífica e tranquila que existe. Nunca nos apercebemos quando começam as reuniões, pois falam tão baixinho que nem sei como conseguem fazer-se ouvir numa sala com 20 pessoas. Falavam como se fosse um diálogo, de um para um.

Ali todos participam nas reuniões e todos trabalham. O autista e o que tem trissomia 21 também trabalham, sem distinção. O senhor que tem paralisia cerebral tem mais responsabilidade nas tarefas agrícolas que um jovem saudável de 24 anos. É impressionante ver de perto estas situações. É incrível.

Nestas duas semanas em que estive no Japão recebi muito mais do que dei. Tudo bem que fui uma ajuda na recolha de colmo e na plantação de muitas futuras cebolas ou na apanha de muitos feijões. Também sinto que consegui mostrar o que é Portugal, o Algarve e transmitir muita alegria e boa disposição. Mas apenas o consegui fazer da maneira mais natural, graças à maneira calorosa como aquela comunidade me recebeu, à receptividade de cada um deles, e muito graças à grande paz de espírito que aquela pequena aldeia nos consegue dar. Completamente livre de poluição – do ar e sonora. A paisagem, o cheiro, os sons.

Um grande agradecimento profundo à associação Para Onde que me proporcionou esta experiência e pelo excelente apoio ao longo de toda a viagem.

A Experiência do Rui na Guiné-Bissau

O capítulo universidade estava prestes a terminar quando me inscrevi para fazer voluntariado na Guiné-Bissau. Candidatei-me cheio de vontade de tentar ajudar a tornar o Mundo num lugar melhor, mas à medida que se aproximava o dia da minha partida, o meu medo era cada vez maior. Sair da nossa zona de conforto nem sempre é fácil mas ainda bem que o fiz porque foi a melhor experiência da minha vida. Fazer voluntariado internacional na Guiné-Bissau foi fantástico por 2 motivos principais: o primeiro é porque bebi muita Fanta com o professor Humberto (coordenador do projeto) e o segundo porque estive rodeado por pessoas espetaculares e de bom coração todos os dias.
Na Guiné-Bissau fui recebido de braços abertos pelas crianças e professores da escola, e por todos os vizinhos do nosso bairro. Todos os dias conheci pessoas novas incríveis e colecionei histórias que não acabam mais. Rapidamente me senti em casa. Todos os dias, durante a manhã, acompanhei a turma do 2º ano e ajudei a professora Mariama nas aulas de matemática, português e ciências naturais. Durante a tarde, por vezes dei aulas aos alunos mais velhos e por vezes perdi-me em brincadeiras sem fim com as crianças da escola e da comunidade. Um dia por semana, organizamos palestras para toda a comunidade e até fomos convidados para ir falar numa das principais rádios de Bissau. Tínhamos sempre a agenda preenchida. Com o entusiasmo, acordava todos os dias antes do despertador tocar e estava sempre cheio de energia. Os dias na Guiné passaram todos muito rápido e dormir era perda de tempo. Eu gostava era de estar na rua a conversar com vizinhos ou a brincar e a rir às gargalhadas com crianças. Joguei futebol, saltei à corda, cantei e dancei. Pintei-me de preto e fiz rir. Fiz tanta coisa que é impossível falar de tudo. Todos os dias foram diferentes, únicos e especiais. Todos os dias foram repletos de sorrisos e de momentos felizes.


Trago recordações para o resto da minha vida e a certeza de que quero voltar. Fazer voluntariado internacional na Guiné-Bissau marcou a minha vida para sempre. Na Guiné-Bissau as pequenas coisas são motivo de felicidade e é muito bom viver assim. As pessoas na Guiné-Bissau têm amor que não acaba mais. As pessoas na Guiné-Bissau aprenderam a viver com o pouco que têm e são felizes. Na Guiné-Bissau come-se aquilo que a terra dá e não se passa fome. O clima e o terreno são propícios para uma boa agricultura e não falta arroz, milho, caju, amendoins, frangos, bananas, etc… Eu tinha medo da alimentação que iria encontrar mas rapidamente percebi que não ia haver problema.
Hoje, olho para trás e tenho a certeza que escolhi o melhor projeto para fazer voluntariado internacional. Não tenho qualquer dúvida em relação a isto. As crianças da escola precisavam de nós. Os professores precisavam de nós. Os vizinhos precisavam de nós. O Bairro Plack 1 precisava de nós. Bissau precisava de nós. E eu também precisava deles. Durante o mês de Outubro de 2018 eu aprendi muito mais do que aquilo que eu imaginava.
Por fim, resta-me dizer a todas as pessoas que querem embarcar nesta aventura que não se vão arrepender. Vai valer a pena, e vai deixar saudades.