A Experiência da Maria em Caraíva, Brasil

O Natal está mesmo, mesmo a chegar!!! E a pergunta que mais ouvimos nesta altura do ano é “O que é que mais desejas para este Natal?”. Este ano a minha resposta a esta pergunta é imediata. O que eu mais desejo para este natal (e para o novo ano) é poder voltar a Caraíva, poder voltar a abraçar todos aqueles que deixei lá e que se tornaram tão importantes para mim.
Estive em Caraíva dois meses (Agosto e Setembro) a fazer voluntariado na ONG Caraíva Viva. Caraíva é um pequeno paraíso no Sul da Bahia que, desde o primeiro momento, me fez perceber que eu estava no melhor lugar do mundo e era ali que eu viver aquela que seria a experiência mais incrível da minha vida. E, assim foi… em Caraíva, vivi os dias mais felizes que alguma vez tive. Foram dias intensos, mas sempre repletos de momentos que nos enchem o coração. Durante o tempo em que lá estive, apaixonei-me por cada uma das crianças que se cruzaram no meu caminho, fiquei rendida à simplicidade e alegria delas… era tão bom partilhar os meus dias com crianças tão especiais como elas, a brincar ou a ajudá-las a aprender.

A Caraíva Viva é uma ONG com crianças dos 4 aos 17 anos que tem como princípio promover a educação através das artes e da cultura, oferecendo aos alunos um conjunto variado de oficinas onde eles podem aprender ao mesmo tempo que se divertem. O nosso trabalho, enquanto voluntários, passa muito por auxiliar as aulas de leitura, escrita, artes e música e, por vezes, as de dança e capoeira.
Desde o primeiro dia em que cheguei à ONG, senti que esta minha experiência ia correr bem… as crianças eram muito simpáticas connosco e queriam estar sempre ao nosso lado. E, foi isto que aconteceu ao longo dos dois meses… todas as crianças queriam a nossa companhia e queriam brincar connosco. Gostavam imenso de brincar às cabeleireiras e aos restaurantes, de montar puzzles, de nos oferecerem desenhos (vim com uma capa carregada de desenhos que guardo para a vida) e de tirar fotografias ou gravar vídeos com os nossos telemóveis (“pro, pode-me emprestar o seu celular?” foi das frases que eu mais ouvi ao longo daqueles dois meses). Essencialmente, aquilo que estas crianças mais queriam era sentir que nós lhes dávamos carinho e atenção. Apesar de lhes ter dado todo o carinho e atenção que consegui, sinto, verdadeiramente, que recebi muito mais que aquilo que dei. Sei que este é o clichê mais usado quando se fala em voluntariado, mas, agora posso dizer, que é o mais verdadeiro também! Foram dois meses repletos de abraços bons, sorrisos contagiantes e beijinhos deliciosos… dois meses em que o meu coração ficou repleto de tanto amor. Ouvir um “pro, gosto muito de você” ou receber desenhos que diziam “eu te amo” era das melhores coisas do mundo <3

Nestes dois meses, percebi que não é preciso muito para se ser feliz… eu fui muito feliz mesmo com os pés sujos de areia, mesmo quando o banho era com água fria, mesmo quando estava toda picada pelos mosquitos… e fui muito feliz porque estava num sítio maravilhoso com pessoas fantásticas. Todas as pessoas que conhecemos foram incríveis connosco, não só os coordenadores e professores da ONG, como, também, as outras pessoas da vila.
Antes de ir para Caraíva, quando andei a tentar conhecer um pouquinho mais deste lugar, encontrei esta frase: “Em Caraíva a vida fica mais leve, mais bonita e com outra vibração!”. E, agora, que já lá estive posso dizer que isto é muito verdade. Aquela vila é sinónimo de beleza, alegria e simpatia todos os dias, todo o dia e, por isso, é impossível que a nossa vida não fique mais leve, mais bonita e com outra vibração… é impossível não sermos felizes em Caraíva.
Agora, só me resta esperar que um dia possa voltar a ser feliz em Caraíva… que um dia os meus pés possam voltar a tocar naquela areia… que os meus olhos possam voltar a ver aquela vila cheia de cores… e que o meu colo possa voltar a receber aquelas crianças que, em tão pouco tempo, se tornaram tão importantes para mim!

A Experiência da Raquel em São Vicente, Cabo Verde

Durante dois meses da minha vida dividi o meu tempo entre os Espaços Jovem da Craquinha, Pedra Rolada e as ruas de São Vicente. Cheguei a Cabo Verde com 26 anos e sem qualquer experiência em voluntariado internacional… Voltei com 27, muito mais rica espiritualmente e com vontade de fazer parte de mais projetos deste cariz.

Foi em outubro de 2018 que lá aterrei, meia à deriva, no entanto, a integração foi muito fácil… É que São Vicente é morabeza com todas as santas letras! Soncent é terra sab, com povo tcheu sab! As gentes desta terra têm muito a ensinar ao mundo moderno, porque são pobres, mas felizes! E por muito pouco que tenham, partilham sempre com o próximo! Pobres de bens, ricos de espírito! Vivem a um ritmo lento, tranquilo: No stress, como dizem… E mesmo que a vida se mostre difícil muitas vezes, conseguem esboçar sempre um sorriso e manter o otimismo.

Quanto às crianças com que trabalhei… São intensas! Mas como não serem? Muitas vezes já têm responsabilidades que não seriam supostas… Carregam garrafões de água pesados, vão às compras, fazem as mais diversas tarefas em casa… Quando têm tempo de ir para os centros, por vezes nem têm nada no estômago. Como pedir a uma criança com fome que se concentre e se comporte? No entanto, mesmo que por vezes expressem o desagrado com a vida de uma forma mais violenta, conseguem sempre mostrar o amor que têm dentro delas. Quando nos vêm, correm para nós com uma alegria genuína e têm sempre um abraço sincero para nos dar. E são estas pequenas coisas que fazem valer a pena, mesmo que às vezes tenhamos saído dos centros com dores de cabeça, tal era o barulho, ou frustrados e cansados física e psicologicamente, por tentarmos fazer algo e não conseguirmos, tal era a desordem ou desconcentração…

Sem dúvida alguma que com esta experiência desenvolvi o meu sentido de responsabilidade, trabalho de equipa, empatia… Apurei ainda o meu conhecimento: Para já, relembrei algumas matérias já esquecidas, e depois lidei com pessoas muito sábias, que me ensinaram muito… Sobre diversos temas e sobre a vida! Não só aprendi com as voluntárias tuguesas e zuca que me acompanharam nesta missão, como também aprendi com os voluntários locais, com as crianças dos centros e com outras pessoas com quem tive a sorte e privilégio de me cruzar, pelo acaso do destino, por alguma rua de São Vicente. Sou grata por tudo o que vivi durante estes 2 meses. Sou grata por toda a partilha… Por todos os momentos, por todo o conhecimento, por todas aquelas pessoas… Desde as crianças aos adultos. Sou grata por ter partilhado esta experiência com pessoas tão puras, que só me souberam transmitir boas energias…

Mas as boas energias, essas… Estavam por todo o lado! Até no céu! Não é que um dia estava eu na Laginha, a aproveitar mais um pôr-do-sol, quando olho para trás e vejo um coração desenhado nas nuvens… Coincidência? Naaaaaa! O universo estava a mostrar-me o que era São Vicente e toda aquela experiência: Amor. Tranquilidade. Dar. Receber. Sorrir. Aceitar. Ser humilde. Ser simples. Ser feliz… 

Ser voluntário é ser parte ativa da mudança. E ser isso faz bem à alma, portanto, se tu estás na dúvida de ir ou ficar… Vai! – “SONHA. FAZ. FEITO.” – a resposta é muito simples, clara e óbvia! Ainda aqui estás?

Glossário: Morabeza – Amabilidade, bem receber; Soncent – São Vicente; Sab – Bom(a); Tcheu – Muito; Tuguesas – Portuguesas; Zuca – Brasileira.


A experiência da Inês na Guiné-Bissau

Receber alguém que sabemos que só fica um mês como se ficasse para sempre era uma coisa que nunca me tinha passado pela cabeça, nem nunca pensei que fosse possível. Logo aqui estava enganada (para acrescentar a tantas outras coisas que me apercebi que estava redondamente enganada).  Fui recebida como se ficasse para sempre. Eu senti-me em casa a partir do momento em que aterrei em Bissau até hoje (e para sempre…). E todos sabiam que daí a um mês eu voltaria para Portugal e possivelmente nunca mais me viam na vida. Esta foi a primeira de muitas lições que esta experiência me ensinou. Independentemente do tempo que eu estaria ali a minha vida naquele momento era ali. Eu acordava ali, eu trabalhava ali, eu combinava com os meus amigos dali e eu ia deitar me ali. Se calhar foi esta forma de estar (a 200%) que me deixa hoje tão nostálgica e desolada por estar aqui, agora. Durante aquele mês acompanhou me muito um lema: “em Roma sê romano” e agora eu era guineense.
Aprendi que cada pessoa tem a sua história e obviamente não a tem escrita na testa e por isso é preciso conversar e conhecer para ficarmos a par da história. Muitas vezes julgamos aquilo que vemos sem nunca pensar no que está por trás. E há tanto por trás, muito mais do que aquilo que é visível. Cada pessoa que conheci tem uma história diferente e tão especial. E esta foi outra das grandes lições que o povo guineense me ensinou. Cada pessoa (para além inesquecível) é muito mais do que aquilo que aparenta e a única atitude que podemos ter é a de amigo e ouvinte (isto se queremos conhecer 1/10 de cada um).
Durante este mês acompanhei os alunos mais novos da escola. A turma do primeiro ano e pré—escolar em que muitos estavam na escola pela primeira vez. Sendo na escola o seu primeiro contacto com a língua portuguesa e tendo eu chegado no início do ano letivo as dificuldades de comunicação eram diárias. No entanto, nenhum dos alunos deixava de me abraçar ou sorrir, deixava de cantar músicas que eu ensinei ou deixava de me chamar para eu ajudar. Afinal a língua não era um obstáculo, era uma mais valia porque no fim do mês tanto eles como eu sabíamos uma língua nova. Nha bebés dixam apaxonado logo na purmero mumento.
Entre muitos conceitos de noção diferentes (por exemplo a noção de essencial) o único que não conseguimos discutir é o facto de o povo guineense não ter noção de como influenciou positivamente a minha vida e a minha forma de viver. Eu tentei deixar o que pude e tenho consciência de que aquilo que eu fiz ao longo de um mês não é comparável a tudo o que eu trouxe no meu coração e a tudo o que cada pessoa que conheci me deu. As diferenças culturais fizeram me crescer tanto que neste momento o maior desafio é lidar com a cultura portuguesa. Sinto muitas vezes (se calhar mais do que devia) que evoluímos num caminho errado. Não há nada que substitua a simplicidade e o modo de vida na Guiné é isso mesmo: simples.
Conheço a expressão “A beleza está na simplicidade” há muito tempo mas depois deste mês esta expressão ganhou vida. Nunca 4 palavras juntas fizeram tanto sentido. A beleza está efetivamente na simplicidade. Tudo o que é simples é mais puro e só na simplicidade podemos viver tudo com a maior das transparências. Num ambiente simples, sem futilidades a atrapalhar, parece que o nosso coração se abre e tudo entra sem obstáculos.
O ritmo lento de África é um dos fatores que ouvimos muito falar que se pode tornar um grande choque cultural. Na minha opinião, se tudo o que vivêssemos fosse vivido em câmara lenta podíamos aproveitar cada momento muito melhor. E infelizmente este mês não passou em câmara lenta, porque se tivesse passado ainda lá estaria e tudo seria mais fácil! Agora, estando cá, há uma coisa com a qual ainda estou aprender a lidar (e infelizmente creio que nunca vou aprender) chama-se saudades. É dos piores sentimentos que já senti (senão o pior). Saudades de cada pessoa, saudades de cada criança, saudades de cada sítio, saudades de cada conversa, saudades do calor, saudades de não ter saudades de Portugal (até dizia casa mas podia induzir a erro porque neste momento tenho 2 casas).
Antes de escrever este testemunho reli a carta de motivação que escrevi antes de ser aceite no programa e lá dizia (relativamente a uma viagem que fiz a São Tomé): “Num momento da minha vida em que tinha a certeza que era feliz percebi que posso ser ainda mais.” E agora rescrevo esta frase (e que bom que seria poder reescrevê-la todos os dias).
Há muito mais por conhecer, há muito mais para viver, somos 7 mil milhões e todos diferentes!

A experiência da Filipa no Japão

Andei a pesquisar por voluntariados de curta duração para fazer nas férias do meu trabalho e na minha pesquisa encontrei, felizmente, o Para Onde.

Já fiz vários voluntariados internacionais, mas esta foi a minha primeira experiência com esta organização portuguesa. Fiquei um pouco cética pelo facto de ter que me deslocar para a formação pré-partida, a 300 kms de distância num dia de semana de trabalho. Mas fui na mesma e não me arrependi. Pelo contrário. Encontrei pessoal jovem com muitos conselhos realmente úteis para me dar e sinto que os casos práticos me fizeram refletir acerca de certas situações que já me tinham acontecido em experiências anteriores. Algo que não aconteceu nas formações pré-partida que fiz com outras associações portuguesas.

Agora foquemo-nos no projeto.

Estive uma semana e meia numa aldeia no Japão, onde foram precisas duas horas e pouco a caminhar pela montanha acima, para conseguir lá chegar com toda a nossa bagagem às contas.

Fui com uma voluntária polaca e outra mexicana descobrir como vive de forma ecológica a comunidade de Maki. Onde as casas são feitas de madeira com telhados de colmo e os quartos são idênticos aos do Nobita (sim, dormi num colchão tripartido no chão). Todos deixamos os sapatos à porta, comemos sentados de joelhos no chão. Aguentei 3 segundos naquela posição (em que eles aguentavam 3 horas). Todos muito quietinhos e silenciosos comem em todas as refeições a típica sopa japonesa e uma taça de arroz. Como seria de esperar, apenas usamos pauzinhos para comer.

As nossas tarefas diárias passaram por cuidar dos animais, por colher e plantar alimentos da época, cortar lenha, apanhar colmo e ajudar na cozinha. Os horários eram muito precisos. De segunda a sábado os dias começavam às 5h45 com trabalho mais leve, como cuidar dos animais. Às 7h30 depois de alguém ler a passagem da Bíblia do dia, tomamos o esperado pequeno-almoço e temos a primeira reunião do dia. Recomeçamos o trabalho às 8h45. Ouvimos o toque de chamada para um break a meio da manhã para recarregar energias com chá e bolachinhas. Almoçamos às 12h antes da segunda reunião do dia e retomamos às 13h45 o trabalho. É aqui que podemos ter uns minutos (quase uma hora) de tempo livre para fazermos o que quisermos. Temos outro pequeno break para chá à tarde e jantamos às 18h com a última reunião que encerra o dia. Aos domingos apenas cuidamos dos animais antes do pequeno-almoço e ficamos com o dia completamente livre. Aproveitámos para visitar a civilização mais próxima, a cidade de Hakuba, com um voluntário japonês – uma das 3/4 únicas pessoas que sabiam alguma coisa de inglês na comunidade.

Esta comunidade é a coisa mais pacífica e tranquila que existe. Nunca nos apercebemos quando começam as reuniões, pois falam tão baixinho que nem sei como conseguem fazer-se ouvir numa sala com 20 pessoas. Falavam como se fosse um diálogo, de um para um.

Ali todos participam nas reuniões e todos trabalham. O autista e o que tem trissomia 21 também trabalham, sem distinção. O senhor que tem paralisia cerebral tem mais responsabilidade nas tarefas agrícolas que um jovem saudável de 24 anos. É impressionante ver de perto estas situações. É incrível.

Nestas duas semanas em que estive no Japão recebi muito mais do que dei. Tudo bem que fui uma ajuda na recolha de colmo e na plantação de muitas futuras cebolas ou na apanha de muitos feijões. Também sinto que consegui mostrar o que é Portugal, o Algarve e transmitir muita alegria e boa disposição. Mas apenas o consegui fazer da maneira mais natural, graças à maneira calorosa como aquela comunidade me recebeu, à receptividade de cada um deles, e muito graças à grande paz de espírito que aquela pequena aldeia nos consegue dar. Completamente livre de poluição – do ar e sonora. A paisagem, o cheiro, os sons.

Um grande agradecimento profundo à associação Para Onde que me proporcionou esta experiência e pelo excelente apoio ao longo de toda a viagem.

A Experiência do Rui na Guiné-Bissau

O capítulo universidade estava prestes a terminar quando me inscrevi para fazer voluntariado na Guiné-Bissau. Candidatei-me cheio de vontade de tentar ajudar a tornar o Mundo num lugar melhor, mas à medida que se aproximava o dia da minha partida, o meu medo era cada vez maior. Sair da nossa zona de conforto nem sempre é fácil mas ainda bem que o fiz porque foi a melhor experiência da minha vida. Fazer voluntariado internacional na Guiné-Bissau foi fantástico por 2 motivos principais: o primeiro é porque bebi muita Fanta com o professor Humberto (coordenador do projeto) e o segundo porque estive rodeado por pessoas espetaculares e de bom coração todos os dias.
Na Guiné-Bissau fui recebido de braços abertos pelas crianças e professores da escola, e por todos os vizinhos do nosso bairro. Todos os dias conheci pessoas novas incríveis e colecionei histórias que não acabam mais. Rapidamente me senti em casa. Todos os dias, durante a manhã, acompanhei a turma do 2º ano e ajudei a professora Mariama nas aulas de matemática, português e ciências naturais. Durante a tarde, por vezes dei aulas aos alunos mais velhos e por vezes perdi-me em brincadeiras sem fim com as crianças da escola e da comunidade. Um dia por semana, organizamos palestras para toda a comunidade e até fomos convidados para ir falar numa das principais rádios de Bissau. Tínhamos sempre a agenda preenchida. Com o entusiasmo, acordava todos os dias antes do despertador tocar e estava sempre cheio de energia. Os dias na Guiné passaram todos muito rápido e dormir era perda de tempo. Eu gostava era de estar na rua a conversar com vizinhos ou a brincar e a rir às gargalhadas com crianças. Joguei futebol, saltei à corda, cantei e dancei. Pintei-me de preto e fiz rir. Fiz tanta coisa que é impossível falar de tudo. Todos os dias foram diferentes, únicos e especiais. Todos os dias foram repletos de sorrisos e de momentos felizes.


Trago recordações para o resto da minha vida e a certeza de que quero voltar. Fazer voluntariado internacional na Guiné-Bissau marcou a minha vida para sempre. Na Guiné-Bissau as pequenas coisas são motivo de felicidade e é muito bom viver assim. As pessoas na Guiné-Bissau têm amor que não acaba mais. As pessoas na Guiné-Bissau aprenderam a viver com o pouco que têm e são felizes. Na Guiné-Bissau come-se aquilo que a terra dá e não se passa fome. O clima e o terreno são propícios para uma boa agricultura e não falta arroz, milho, caju, amendoins, frangos, bananas, etc… Eu tinha medo da alimentação que iria encontrar mas rapidamente percebi que não ia haver problema.
Hoje, olho para trás e tenho a certeza que escolhi o melhor projeto para fazer voluntariado internacional. Não tenho qualquer dúvida em relação a isto. As crianças da escola precisavam de nós. Os professores precisavam de nós. Os vizinhos precisavam de nós. O Bairro Plack 1 precisava de nós. Bissau precisava de nós. E eu também precisava deles. Durante o mês de Outubro de 2018 eu aprendi muito mais do que aquilo que eu imaginava.
Por fim, resta-me dizer a todas as pessoas que querem embarcar nesta aventura que não se vão arrepender. Vai valer a pena, e vai deixar saudades.

A Experiência da Joana na Alemanha

Os voluntariados de curta duração são para todas as pessoas: Para quem gosta de ajudar, para quem acha que não tem tempo, para quem gosta de aventura, para quem gosta de conhecer pessoas e para quem gosta de aprender coisas novas. Inclusive para quem não gosta de viajar sozinho… mas gostaria de experimentar.
Sempre senti que este era um sonho complicado de realizar: Como fazer voluntariado no estrangeiro? Como ajudar sem recorrer a uma formação académica específica? Não sou médica, não tenho jeito para ser professora… O que posso fazer? A Associação Para Onde? ajudou-me a realizar esse sonho e apoiou-me durante toda a viagem desde da preparação para embarcar até ao regresso a casa.
A descrição indicava que eu ia ajudar a renovar um passadiço de madeira numa pousada da juventude numa aldeia alemã durante as 2 semanas (as poucas férias que podia tirar do trabalho em Portugal).  Quando cheguei ao workcamp em Baitz (perto de Berlim) conheci pessoas com a mesma vontade de ajudar que eu e que me fizeram sentir parte duma nova família.

O primeiro receio foi que o trabalho ocupasse o dia todo, mas na realidade trabalhámos todos os dias só até às 16h e foram as atividades extraordinárias que nos ocuparam o dia e a noite: visitámos 4 cidades na Alemanha, relaxámos no jardim, fizemos tours de bicicleta, caminhadas pela floresta, noites de cinema, barbecues e fogueiras.
Durante a manhã e início da tarde, com mais 7 voluntários, ajudei a construir o passadiço para as crianças brincarem no verão, mas durante o resto do dia construímos pontes entre 5 países que agora estão de porta aberta para nos receber. Aprendi muito sobre mim própria, mas também sobre outras culturas: alemã, mexicana, italiana, francesa e da indonésia. Sabia desde do início que o maior arrependimento ia ser não ter ficado mais tempo, por isso fiz os possíveis para estar presente em todos os momentos e conhecer todas as pessoas.
Se voltava a fazer? Espero que a próxima seja já para o ano.

A Experiência da Mariana em Itália

Após dois meses recordo-me da minha experiência com tanta saudade e carinho que não consigo descrever. Foram 2 semanas de muita aprendizagem e de muito crescimento, fui para Itália totalmente sozinha, com muito medo e receio, mas hoje sei que foi a melhor decisão que tomei. Se têm medo acreditem que é totalmente normal, mas vão e arrisquem na mesma.

Estive em Genova com a associação Shanti Sahara que todos os verões acolhem 9 crianças refugiadas do Saara Ocidental. São crianças com doenças (como epilepsia) e que, infelizmente, vivem sem condições básicas que não os permitem evoluir tanto quanto poderiam. O grande objetivo, além de lhes proporcionar a melhor qualidade de vida possível, é também o de ajudar no tratamento e procurar por novas respostas para as suas doenças enquanto estão com a associação durante o verão.

Mal vi todas as crianças admito que fiquei totalmente apavorada e sem reação, porque acho mesmo que só me caiu a realidade quando os vi. Posso dizer que todo o tipo de sentimento de dúvida que senti naquele momento passou totalmente em dois dias. Aprendi a fazer tudo, desde a higiene e cuidados necessários a cada criança, necessidades especiais e carências de cada um, as melhores maneiras de cativa-los e de brincar/interagir com eles, até palavras árabes e italianas que permitiam uma melhor comunicação entre mim, as crianças e todos os outros voluntários. Os momentos que mais me fazem ter saudades e uma imensa vontade de voltar são aqueles abraços e beijinhos maravilhosos, todas as brincadeiras que tínhamos antes de dormir, a partilha de culturas e de experiências de vida com todos os voluntários, as canções de alegria que cantávamos quando sabíamos que íamos à praia e todas as vezes que lhes roubava comida do prato e a maior gargalhada era soltada por todos os que tomavam atenção.

Os voluntários da associação foram impecáveis! Ajudaram-me com tudo, deram imensas dicas do que fazer nos nossos tempos livres e mais importante que isso, faziam questão de saber que estávamos integrados e que nos sentíamos bem com o que estávamos a fazer. Estarei para sempre grata por todas as pessoas que conheci, por tudo o que aprendi e partilhei, e principalmente, por tudo o que aquelas crianças me proporcionaram e que eu espero ter proporcionado também. Deixei Genova com uma vontade enorme de ficar até ao final do verão e com uma promessa de que voltarei sempre que puder, porque em duas semanas senti que já estava em casa.

Deixo aqui um obrigada à Para Onde, que tanta paciência tiveram e apoio deram e que de uma maneira tão bonita e genuína nos encorajam a todos a fazer algo melhor para os outros e também para nós. Agradeço também à Joana, que tanto me ajudou com as barreiras da língua e que se tornou um grande pilar nesta grande aventura que vivemos juntas!

A experiência da Carolina em Caraíva

Acabada de chegar a Portugal, e já com uma vontade enorme de voltar.

Sem saber como exprimir por palavras uma vivência como esta, que digo com todas as certezas que foi a melhor e mais rica experiência da minha vida, garanto-vos que cada momento, cada pessoa, cada abraço, cada criança, cada lugar, cada sorriso… tudo valeu a pena!

Desde a primeira vez que pisei Caraíva percebi que este projeto tinha tudo para dar certo. Mal cheguei fui super bem recebida, tanto pela dona da casa em que fiquei durante aqueles dois meses, como pelas pessoas da vila, as professoras e as crianças da ONG. Todos nos tratavam tão bem que não tardou a sentir-me em casa. Tinha chegado, sem dúvida, a um lugar com uma energia e uma “magia” incrível.

Através deste projeto tive a oportunidade de conhecer o lugar mais maravilhoso em que já estive. Tive a oportunidade de conhecer um povo incrível, uma cultura totalmente diferente da minha e de ajudar crianças espetaculares. Todos os dias quando chegava à ONG e recebia aqueles abraços tão fortes e genuínos, quando via o sorriso daquelas crianças para nós, quando ouvia um “Carol, eu te amo”, “Não vá embora não!”, “Pode ficar em minha casa.”, “Eu gosto muito muito de você”, percebia o quão sortuda eu sou por estar a vivenciar uma experiência como esta.

As crianças brincam na rua, sobem as árvores por diversos motivos: para pegar fruta, para se esconderem quando estão a brincar ou simplesmente porque querem, porque é assim que elas vivem e é assim que são felizes. Elas correm até nós em troca de um abraço, de um colo e/ou de um carinho, e nós fazíamos exatamente o mesmo. Todas eram diferentes umas das outras: umas mais rebeldes, outras mais sossegadas, umas mais tímidas e outras mais extrovertidas, mas todas, sem exceção, têm um coração enorme, cheio de amor pronto para dar e para receber.

Quando me meti neste projeto nunca tinha ouvido falar de Caraíva, pelo que não fazia ideia para onde é que ia, mas hoje sei que a melhor coisa que fiz foi aceitar este desafio. Fui de coração aberto, pronta para dar tudo o que fosse preciso e para receber tudo o que me esperava. Naqueles dois meses aprendi e recebi tanta coisa, incluindo que a frase “Voluntariado mais que dar é receber” é o clichê mais verdadeiro que existe. Aprendi que um simples “Bom dia!” seguido de um sorriso de alguém que não conheço pode alegrar o nosso dia. (Re)aprendi a valorizar as mais pequenas coisas da vida, a ser ainda mais grata por tudo o que tenho e a aproveitar cada momento como se fosse o último. Ensinaram-me também que quanto mais simples é a vida, mais fácil é o riso e mais leve é a alma e ainda que “quanto mais salgada a água, mais doce é a vida!”.

Caraíva é tudo isto, é alegria constante, é o pé na areia, é o coração tranquilo, é podermos ser nós mesmos sem preocupação. Caraíva é o céu estrelado, é o pôr-do-sol no rio que a cada dia que passa fica ainda mais bonito que o anterior. Caraíva é as ruas em areia, é ter o pé preto desde as 7h da manhã, é o nascer da lua no mar e o “Bom dia!” de toda a gente e o sorriso contagiante. É a energia ir abaixo e não sabermos quando há de voltar. É descobrir frutas e animais novos todos os dias. É não ter regra e deixarmo-nos pura e simplesmente confiar no que há por vir. Caraíva é uma terra bem pequenina, mas repleta de gente maravilhosa com um coração gigante.

Esta vila preenche-nos com um monte de sentimentos que se misturam todos dentro de nós e a única certeza com que ficamos é que fizemos a escolha ao termos partido nesta aventura. E na hora de ir embora dá-se um aperto enorme no coração, pois a vontade de ficar toma proporções que já mais pensamos que fosse possível. Trago comigo memórias espetaculares, grata por todo o amor que recebi de cada criança e de cada pessoa que conheci, incluindo dos voluntários que se tornam grandes amigos.

Inicialmente eu iria ficar apenas um mês, o que parece muito, mas quando já estava lá percebi que um mês é muito pouco para este tipo de voluntariado, para conhecer cada criança a fundo e para receber tudo aquilo que Caraíva e o seu povo têm para dar, de maneira que acabei por adiar o meu voo por mais um mês.

Naqueles dois meses fui genuinamente feliz a toda hora e só tenho a agradecer a cada pessoa que fez com que assim fosse, a cada pessoa que me fez sentir sempre em casa. Depois desta experiência tenho ainda mais a certeza de que o tempo pode assumir diversas dimensões e que voluntariado é ter a capacidade e a vontade de nos adaptarmos e descobrirmos o desconhecido e de nos entregarmos ao que está por vir, de alma e coração abertos. É preciso estarmos prontos para dar tudo de nós, mas é também muito importante sabermos receber, porque as crianças oferecem-nos um pouco de si e do seu amor a cada segundo.

Dar, receber, simplificar, sorrir, amar, aproveitar, (re)aprender, cativar, cantar, dançar, agradecer, descobrir, aventurar, encontrar, valorizar, confiar, surpreender… Estas são algumas das palavras que marcaram e que resumem esta inexplicável experiência!

Chegou ao fim e as lágrimas foram muitas, por um lado significavam tristeza mas por outro significam alegria. Tristeza pela tarefa mais difícil que já fiz: despedir-me de cada uma daquelas crianças, e alegria por ter a certeza de que esta foi a melhor experiência da minha vida. E agora o meu coração está a rebentar por tudo quanto é lado, devido às saudades, ao meu monte de memórias boas que trouxe comigo e também por não saber quando hei de voltar a ver as pessoas que se tornaram como uma segunda família.

Voltei a Portugal, mas prometi a mesma que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para voltar ao lugar que se tornou a minha segunda casa o mais rápido possível.

A Experiência da Inês em Itália

Participar no workcamp ” Cittá dell’Utopia” um projeto da SCI Italia em Roma foi uma experiência incrível que me tirou constantemente da zona de conforto por varias razões.
Tive a a oportunidade  de experienciar como é viver em comunidade e trabalhar para a comunidade, pude ver de perto o trabalho que exige manter uma casa que acolhe várias pessoas que trabalham em projetos não só de apoio à comunidade local mas também projetos de cidadania activa. Ganhei ainda mais consciência da importância de promover um estilo de vida que promove a interculturalidade e sustentabilidade do planeta.
O tema do nosso workcamp foi sobre o Yoga como estilo de vida, aprendi imenso com as aulas de Yoga facilitadas pelo Salvatore, uma pessoa muito inspiradora com quem aprendemos ferramentas valiosas para levar uma vida mais equilibrada e feliz.
Estou grata por esta experiência e por ter conhecido pessoas incríveis durante estes dias.

A Experiência da Francisca na Guiné

Por semanas compridas mas nunca iguais, por um calor insuportável a todas as horas do dia. Por uma casa que é só paredes e teto e pelo crioulo que não percebia. Pela água que não sai da torneira mas que cai do céu à maluca e pelo atum que já não posso ver à frente. Por tudo o que não tive durante este mês e por tudo o que percebi que não faz falta nenhuma.

Por um quinze de setembro sem as minhas pessoas, por formas diferentes de pensar e ensinar, pela lei da selva que é isto tudo e por aquilo que tentámos mudar.

Pelos mini sustos que apanhei e por voltar viva e inteira, por uma grande amiga que alinhou nesta loucura e por outra que ganhei pelo meio. Por termos feito tudo o que estava ao nosso alcance e pela certeza de que ficamos neles para sempre.

Pelo sentido de família desta gente, por olhos que brilham com um presente e por miúdos que não mereciam viver assim.

Pelos que querem ser pilotos de aviões para ir dar um saltinho a Lisboa e pelas que querem ser doutoras para curar este mundo maluco que anda a passar mal.

Pelo que perdi por ter vindo, pelo que ganhei quando vim, pelo semestre que já parece perdido e pelas saudades que tenho da minha terrinha.

Por ter sido o início de qualquer coisa e por ter percebido que quero ver mais mundo.

Pelos que choraram e me puseram a chorar, mesmo sabendo que quem vem quase nunca é para ficar.

Pelos onze que aparecem aqui e por todos os outros que não couberam.

Por isto e por tudo o que falta contar, fica a promessa, querida Guiné: um dia hei de voltar.