A experiência do Miguel na Sérvia

Este foi o meu primeiro campo de voluntariado internacional. Decidi então ir 2 semanas para uma vila chamada Sremski Karlovci no meio da Sérvia, e este foi um país que me surpreendeu muitíssimo.

A nossa tarefa principal consistia em cortar e apanhar troncos e ramos do Parque Natural Kovilj–Petrovaradin de forma a limpar a área e criar caminhos pedestres. Tudo isto com o objetivo final de desenvolver a oferta de ecoturismo de Sremski Karlovci. sem dúvida, um trabalho desafiante também devido ao facto de a hora para acordar ser todos os dias às 5.30h.

Ficámos alojados no Ecocentro da vila com outro campo de voluntariado internacional, o que originou uma troca de culturas e ideias ainda mais diversificada. Ao todo estavam 10 nacionalidades representadas! Em vários temas de conversa era fácil identificar os diferentes ideias e pontos de vista de cada cultura e o saber discutir e aceitar estas diferenças é algo de muito positivo que trago destas semanas.

Almoçávamos sempre num restaurante da vila, e posso dizer que a comida sérvia é bem saborosa e só à base de carne, e ao jantar era atribuída a tarefa a alguns voluntários de o preparem, tal como acontecia com a limpeza do Ecocentro.

E este foi um campo de voluntariado muito completo, pelo que, além de vários jogos que fazíamos todos os dias, nos ofereceram vários Workshops sobre Desenvolvimento Sustentável e a fauna e flora da área, uma visita à cidade de Novi Sad, praia numa ilha no meio do rio Danúbio e até uma prova de vinhos da região!

No final organizámos algumas atividades de forma a dar a conhecer o nosso projeto aos cidadãos de Sremski, e nesta imagem estávamos a andar pela vila a chamar todas as pessoas que víssemos. No quadro está escrito “Juntem-se a nós no Jardim de vila!”.

Foi, seguramente, uma experiência que não vou esquecer e que superou todas as expectativas que tinha!

A experiência da Inês em Itália

Faz hoje cinco dias que deixei Pratoni del Vivaro e é o primeiro em que me proponho escrever sem lágrimas e letra tremida sobre tudo aquilo que experienciei durante duas semanas o que, ainda que paradoxalmente, é tão pouco mas representa tanto… tanto em significado, em carinho, em humor e em comida!

Choro porque sinto saudades todos os dias. Saudades da “luta livre” do Massimiliano, do “Aiuto” do Abate, da força do Simone, do “Gianni” a cada cinco minutos, da preocupação do Valerio, da pergunta meteorológica do Alpino, das discussões do Dino, da tempestividade do Gianluca, do barafustar do Francesco, de um Marco e um Alessio sempre prontos a jogar cartas e até do “non si rutta” do Simone.

Choro porque me faz falta o odor a “pasta, cece e pomodoro” e a presença dos cavalos. Faz-me falta o apoio da Claudia, dançar com a Elena, discutir com o Melo e desafiar o Marco na cozinha. Faz-me falta nadar no lago com a Lola e a Matilda, o espírito livre do Islam, a disponibilidade do Antonio, a boa disposição (não pela manhã!) do Paolo, a ternura do Daniele, o silêncio do Lourenço e os olhos da Paola… mas também as explicações da Clara, o abraço da Valeria, o sorriso da Barbara, a amizade do Fabio e o “buongiorno” do outro Fabio… e de uma Marta sempre lá, sempre presente, sempre compreensiva, sempre nossa – sempre mãe.

Choro porque já não preciso de arregalar os olhos à espera que as palavras se decifrem, de fazer experiências artísticas ou dar uma “passeggiata in el boschi”, já não preciso de traduzir italiano para inglês para um Sinisa, ou de cozinhar com uma Kseniya… já não desabafo com uma Giorgia ou falo sem parar com uma Elisa.

Choro, incrédula, com tudo o que consegui construir com eles, sem filtros, sem convenções – só eu e eles, só eu e o que era, o que sou e o que represento. E mesmo assim, senti-me em família, senti-me em casa, como nem sempre me sinto em Portugal e isso é tão grande, tão importante, diz-me tanto… que me diluo em lágrimas, sem saber o que fazer com isto, tão intimo e tão do mundo. Tão meu e deles mas também tão vosso (Para Onde).

Acreditem quando escrevo que nos dias que se seguiram não vi em Roma nada grande o suficiente para me deixar boquiaberta ou sem palavras como o que vivi em Ciampacavallo, nem mesmo um Panteão, uma Basilica di San Pietro ou uma Basilica di Santo Stefano Rotondo al Celio.

Por isso vai! Vai sem pensar! Vai sem mãos e sem pés… atira-te de cabeça porque o voluntariado é uma experiência sem largura ou comprimento, sem tamanho.

Grazie mille per tutto (e Buon appetito!)

A experiência da Marta na Alemanha

Life-changing é o que define esta experiência. Neste campo de voluntariado em Berlim explorámos com especial enfoque os campos de trabalho forçado, uma realidade que muitos desconhecem, já que os campos de concentração são muitas vezes os únicos a ser abordados. O projeto foi desenvolvimento num antigo campo de trabalho forçado, que hoje está transformado num espaço documental/ memorial, com exposições sobre a vida no mesmo, biografias de pessoas que por lá passaram etc. Acompanhados de uma historiadora, percorremos dezenas de lugares associados a toda esta questão, em diferentes pontos da cidade, lemos biografias, visualizamos documentários da temática, tiramos fotografias nos diferentes locais e acima de tudo: debatemos. O debate foi parte essencial, havendo sempre lugar para conhecer e compreender novas perspectivas. Em conjunto com uma fotógrafa profissional, tivemos vários workshops de fotografia, que nos permitiram aperfeiçoar as nossas técnicas e no final do campo, criar uma exposição com as nossas melhores fotografias e reflexões sobre esta temática.

Este não foi o meu primeiro projeto de voluntariado, e não será definitivamente o último, mas foi tremendamente especial. Foi o primeiro na Europa e o primeiro com pessoas de diferentes nacionalidades. Só a convivência com pessoas com backgrounds culturais tão díspares é absolutamente enriquecedora. Todos os dias foram feitos de aprendizagens novas, de partilhas de conhecimento e de novas descobertas. Todos os dias trouxeram novos desafios, novas realidades e abordagens com que nunca me havia deparado. 

Para terminar em beleza partilhei o meu aniversario com um grupo incrível de novos amigos que me cantaram os parabéns em 8 línguas diferentes! 

A experiência da Ana Sofia na Catalunha

Embarquei, nesta aventura até à Catalunha, com o entusiasmo e ansiedade de quem tem pela frente o desconhecido, mas consciente da responsabilidade do que é ser voluntária. Agora, restam-me as memórias de duas semanas incríveis. Da rotina ali vivida. Do despertar bem cedo para preparar o dia para as nossas crianças que, a cada manhã, chegavam à escola com energia para dar e vender, diziam-nos, a alto e bom som, “bon dia” ou “buenos dias” e logo queriam fazer mil e uma coisas em simultâneo.

Recordo, todos os puzzles, recortes, pinturas e “obras de arte” que fizemos em conjunto, mas, também, as idas à piscina, as gincanas ou os jogos no parque que já não me entretinham desde a minha infância. Era cansativo, de facto. Mas tudo compensava com os seus sorrisos e abraços. O final do dia, já sem crianças, reservávamo-lo para o nosso convívio entre voluntários. Cada um com a sua nacionalidade e com muito para partilhar, desde costumes, idiomas, receitas. Em grupo, descobrimos a cidade de Girona, o seu centro histórico, as tradições, os restaurantes e bares e, sobretudo, o orgulho que se fazia sentir pelos habitantes locais. Viajámos, também, até às agradáveis praias de Costa Brava e a, já conhecida, Barcelona.

Enfim, levo desta aventura o carinho de cada membro da minha equipa, os momentos fantásticos que compartilhamos e, acima de tudo, a alegria de todas as meninas e meninos que conheci e de quem já tenho muuuitas saudades. Com certeza, muitos mais voluntariados esperam-me por esse mundo fora!

 

A experiência da Juliana na Dinamarca

Estas 2 semanas, passadas com uma comunidade auto-sustentável, na região de Fyn na Dinamarca foram incríveis!
Pela primeira vez viajei completamente sozinha, pela primeira vez não criei expectativas, queria ir e ver, ir para conhecer, para ajudar e principalmente para aprender e consegui fazer tudo isso!

Durante as 2 semanas (que passaram a voar) houve tempo para fazer de tudo. O dia começava em grupo, sempre com uma alegre banda sonora por volta das 7:20h para o trabalho começar por volta das 8:30h. Estivemos a reconstruir a casa comum de uma comunidade auto-sustentável, casa esta do séc. XVIII. Desde telhados, paredes, madeiras, limpezas, pinturas o nosso grupo ajudou em tudo o que conseguia. Havia trabalhos na horta e arranjamos também uma vedação para as ovelhas. Trabalhávamos até às 15:30h e todos os dias havia 2 voluntários a ajudar na cozinha, já que o jantar era feito em conjunto com a comunidade, tarefa muito divertida.

 

O tempo livre era isso mesmo, mas nós escolhíamos passá-lo em grupo, a partilhar experiências e costumes, a jogar a conversar ou até ir à praia de bicicleta, as paisagens eram maravilhosas assim como todos os voluntários! Estranho como um grupo de desconhecidos que vêm desde a Correia do Sul, Taiwan, passando por toda a Europa e acabando nos Estados Unidos, em alguns dias partilham opiniões, ajudam-se uns aos outros e acima de tudo se tornam amigos. Foi assim!!

Agora ficam todas as histórias para contar, todos os amigos do mundo que quero visitar e toda a vontade de repetir!

 

A experiência do Tiago na Tailândia

Hoje sou grato ao caminho que tenho percorrido, por me trazer mais uma oportunidade em que me pude encontrar com a beleza mais um pouco. Gratidão por aqueles momentos. Por ter estado ali, pelo ar que se respira, pelos grilos que se escutam, pelos pirilampos que acendem a escuridão, pelas pessoas com quem nos conectamos e se abrem a nós, pelo céu e pela lua, ao sol.

Chega-se a Kok Sai por caminhos asfaltados no meio da deusa selva que se impõe por todos os recantos, avistam-se montanhas que nos rodeiam e tudo o resto é verde. Entramos na vila e logo somos acolhidos em Amor, com um simples sorriso que se sente no olhar de cada criança e cada velho aldeão.

A vida é Bela… “Life is Beautiful!”, é o Lema deste Campo de voluntariado. Estas palavras que recebo do coordenador deste campo, foram uma das primeiras interações que teve comigo. Agora enquanto escrevo já à noite, diz-me que teria sido eu a proferir tais palavras, a inspirá-los através da minha carta de motivação. Já nem me lembrava muito bem, e ele mostra-me a inscrição do lema nas costas da sua T-shirt. Incrível! Lindo! que honra, que gratidão.

Somos acolhidos como libertadores, salvadores, homens e mulheres de honra. Em casa do chefe da vila dão-nos as boas vindas com um convite para nos sentarmos e pormos a mão na massa literalmente. Não é uma ajuda, não é um ensinamento, não é uma actividade organizada e planeada, é apenas a partilha de um momento tão normal nos dias destas gentes, e tão tão especial para nós voluntários de várias partes do mundo. Em círculo e à volta das mulheres aprendemos a fazer Kanom-Ta, um doce tradicional de côco, farinha de arroz pegajoso e açúcar de cana. Enrola-se numa folha de bananeira e vai ao fogo de uma fogareiro de barro a coser. Mãos na massa, dedos no óleo e enrola-se com todo o jeitinho e amor.

A comunicação com as crianças não é fácil para nós voluntários porque a barreira linguística é imensa. No entanto o som, a presença e a expressão corporal, em cada gesto a força da intenção para fazer chegar a mensagem, sorriso a acompanhar e o espírito da brincadeira, são elementos essenciais para que a comunicação seja eficaz. É maravilhoso como cada gesto e som os cativa com naturalidade. Querem mais e mais e não se cansam.

Energia, energia e mais energia, sente-se! Dá-se! Partilha-se! Cresce, cresce e é insaciável. Deste sentir de que começará sempre um novo dia, uma nova hora, um novo segundo, chega Amor. Somos mais simples, mais puros, mais conectados, mais sentimentalistas, mais espiritualistas, mais verdadeiros, mais saudáveis. Aqui dá-se sem querer em troca. Tendo-se pouco dá-se do coração, e não é o que se tem fora mas o que se leva dentro para todo o lado. E não se está à espera que os outros recebam, dá-se, oferece-se, uma vez e outra, insiste-se, porque se quer tanto. E levam dentro o futebol, a terra, as águas, as cascatas e as fontes de água quente, as motos e os amigos, os dons, esses, são diferentes e iguais ao mesmo tempo.

Quem passa já nos sorri, já nos acolhe. Uma casa cheia de crianças, nem por acaso a casa de uma tal senhora que já me havia pedido para a ir visitar, e a uma das crianças, um rapaz especial, uma criança a qual uma grande parte do mundo a vê como portadora de uma deficiência. Pão de forma, leite condensado e assim vai alimentando com amor as 7 ou 8 crianças que por ali em volta brincam juntas. Brincam a jogar à bola. O menino especial, brinca sozinho ou com o seu irmão mais novo que o desafia. Ele sorri, e sorri profundamente com o seu olhar doce, mas a magia acontece quando embarca em gargalhadas que percorrem o seu corpo dos pés à cabeça e o faziam olhar o céu com esta felicidade.

Caminha-se mais um pouco, sempre rodeado de crianças que vêm atrás de nós sem hesitar, que sabem que fazemos parte deles já, do seu mundo, e nos encantam a entrar, molha-se os pés no rio e mais à frente um simpático grupo de senhoras mais velhas que ali se juntavam numa pequena barraquinha de vender comida artesanal à beira estrada, ficam intrigadas na minha passagem. Como sempre o sorriso é fácil. Vendem banana frita e chaiang (chá com leite
condensado). Na mistura do encanto, simpatia e humildade, mas no despertar da sua curiosidade e pura inocência convidam-me a sentar, servem-me chaiang e banana frita, um saquinho cheio, e ficamos à “conversa”. Uma ou outra senhora sabem algumas palavras de inglês e eu tento aplicar e melhorar a pouca quantidade do tailandês que sei.

“Ting Plá!” gritam um pequeno grupo de rapazes. A tradução serve como “vamos atirar nos peixes”, e neste entusiasmo que cresce de me terem encontrado, querem juntar-se ao seu divertimento, que no fundo não é nada mais nada menos que caça submarina de uma forma muito ancestral, usando máscara de mergulho do tempo do Jaques Coustou e uns espigões de metal com um elástico numa das pontas que serve de fisga. E lá vamos nós tal e qual me recordo na minha infância e adolescência, 3 numa mesma moto, em busca de pescaria. Sem sequer pestanejar, desafio-me a tudo o que me propõem. Quero recordar e manter em mim essa sensação de liberdade, a paz e a energia inesgotável que se fortalece no brincar. Sempre dedicados a fazer algo acontecer.

À noite uma surpresa de perdurar o olhar. Estrelas que cintilam em plena terra, pisca-pisca sem parar no chão e nas copas das árvores. Pirilampos por todo o lado brindam-nos com a sua fantasia, como fadas espalham o seu pó mágico em cada recanto, e a paz vem sobre o sono de cada um.

Estou a aprender o verdadeiro sentido da palavra “Comunidade”. Num lugar onde não existe uma hierarquia definida. Existem líderes sim, homens de sabedoria e com experiência de vida que se juntam e discutem, partilham e formatam ideias para dar origem a acções conjuntas. Equipas de trabalho divididas pelas capacidades e cometerias de cada indivíduo. Segurança, construção educação (aqueles que se encarregam das crianças), as mulheres da casa ou homens da religião.

Jogos, pé descalço, jogar futebol no recreio à chuva, ficar molhado da cabeça as pés, sujar-me, cantar, valorizar e ser valorizado, criar sempre algo com um sorriso e deixar o sorriso no ar aconteça o que acontecer, ser, apenas ser, apenas a simplicidade de existir e deixar as emoções correrem e falarem, voltar a ser criança. É nesta simplicidade que todos deveríamos viver nas nossas vidas, em autenticidade, em respeito, em confiança, em partilha, em comunidade, em verdade, em Amor.

Será possível que sejamos todos músicos, cantando no caminho da vida? Cada qual com a sua voz, ou instrumento, com a sua nota ou tom, de cordas ou sopro, de ritmo ou melodia? E se sem quaisquer pautas ou partituras pudéssemos formar a mais linda harmonia, apenas sentindo o outro? Na mais pura conexão, na verdade, nessa mais pura energia de união que é o amor.

Talvez não tenhamos escolhido estar aqui. Talvez não se termine esta jornada assim. Talvez seja apenas mais um pedaço de caminho que se conecta com a alma em nós para que possamos sentir um pouco mais. Absorver e dar esse néctar de cada um a beber.

A Vida é Bela sim! mas é um Mistério. Quero sentir a beleza deste mistério. Quero partilhá-la com o mundo. Quero voltar a ser criança e sorrir a toda a hora, partir na aventura e descobrir, pé descalço e saltar de rocha em rocha, ser em comunhão com os outros, frágil e vulnerável ao mesmo tempo. Quero ouvir a música tocar. Grato por partilhar este pedaço de caminho com todos vós, meus queridos amigos voluntários, crianças, aldeões, velhos, homens e mulheres, partes de mim. Até já!

 

A experiência da Andreia na Hungria

O meu primeiro projecto de voluntariado foi na Hungria, numa vila com o nome Badacsonytomaj, durante 2 semanas. Esta pequena vila fez com que esta aventura começa-se logo mal aterrei sozinha em terrenos Húngaros. Tinha que apanhar 1 autocarro, 2 metros e 1 comboio para conseguir chegar lá e, como as pessoas na Hungria não falavam maioritariamente inglês mas sim húngaro ou alemão, apesar de darem o seu melhor não conseguiram ajudar significativamente esta rapariga desorientada, mas lá consegui! Pelo caminho encontrei mais 2 voluntárias do meu projecto e ao longo do dia o grupo foi-se reunindo, sendo que com um jantar às 18h (17h daqui, muito estranho!) trocamos as nossas expectativas e medos para o workcamp.

Durante as duas semanas levantávamo-nos às 6/6:30 da manhã para às 7h nos apresentarmos ao trabalho. Durante o caminho comíamos 2 fatias de pão com manteiga, linguiça e paprica, algo que também não era normal comer mal acordava! Realizamos diferentes tarefas como a pintura de uma cerca (foi difícil ver o fim mas acabamos em um dia e meio o que a organização esperava que demorássemos 5 dias!), limpeza da praias, limpeza de caminhos junto à estação de comboios e pintura de estruturas da praia. Acabamos por só trabalhar 2 horas por dia sendo que no restante tempo da manhã iamos para o jardim de infância brincar com as crianças. Foi aqui que eu conheci a Kata, uma menina que realmente me tocou o coração e que me fez chorar muito no último dia. Os abraços, as corridas, os sorrisos, os beijos apertados e os gritos de “Andlea!!!” ou “Yes! Yes! Yes!” nunca serão esquecidos por mim.

Nos tempos livres tínhamos sempre a praia com a vista incrível do lago e montanhas para descontrairmos mas também visitamos algumas vilas próximas, fomos ao mercado, a um festival de arte, pedimos boleia para a cidade mais próxima, vimos estrelas cadentes e nadamos ao luar… Foram realmente estes momentos que fizeram o Badagang se tornar unido! Claro que nem todos os momentos foram bons e nesses acabamos por gritar juntos e terminar com um abraço de 11 pessoas, era tão bom que depois não queríamos sair dali!

Sem dúvida esta foi uma experiência que marcou o meu verão e que marcará os próximos porque agora só penso no quão maravilhosas foram estas 2 semanas e no quanto quero realizar um novo projecto no próximo ano! Este foi apenas o começo de uma vida de voluntariado! Aconselho mesmo a todos, não tenham medo porque vale tanto mas tanto a pena este arriscar!

A experiência da Delfina na Ilha da Boavista, Cabo Verde

Cheguei da Ilha da Boavista, Cabo Verde, há uma semana. Andei estes últimos dias a digerir o que vivi. Quando sai de Portugal ia com muito entusiasmo mas com poucas expectativas. Ainda bem!!

 

Muita coisa me surpreendeu, desde a dificuldade em entender as crianças (falam essencialmente o crioulo) até à dificuldade em liderar crianças que têm uma cultura nova para mim. As actividades que levava “na manga” transformaram-se noutras brincadeiras bem diferentes.

 

 

Tudo importou, e muito, para a minha aprendizagem. Mas, o que, de verdade, mais fica, o que importa mesmo, são os sorrisos cheios das crianças, a cada dia que passava mais abertos. Guardo todos os sorrisos, brincadeiras e aprendizagens no meu coração.

 

 

Os colaboradores da Associação foram sempre muito simpáticos. Quero estar ligada a esta associação para sempre :)

Sem dúvida, uma inesquecível experiência que adorei! Vim muito mais rica. Grata pela oportunidade Para Onde!!

 

A experiência da Helena na Croácia

Kuterevo foi uma experiência mais do que fantástica. Qualquer coisa de outra dimensão. Sinto-me abençoada por ter feito parte do projecto ‘Bear the Peace 2’ com o grupo de pessoas incríveis. Um grupo que se uniu com o propósito de arte e terminou com a lágrima no canto do olho pela indescritível conexão entre todos. Objectivos atingidos. Almas cheias. Cada um de nós uma estrela, todos unidos, uma constelação. Mais uma num céu cheio de cor, em prol da paz.

 

Estar lá representa reduzir o ritmo cardíaco. Aceitar com paciência o ritmo natural das coisas e as exigências de uma vivência em comunidade. ‘Back to basics’ faz sentido na hora que nivelamos a frequência e começamos a fluir nas bases de uma existência sustentável. As dinâmicas são simples, numa organização em que cada um sabe o seu papel e o seu lugar. Há respeito. Nada seria sem isto. Apesar da anarquia aparente, cada espaço individual é respeitado, existe liberdade mas cada um sabe os limites. fronteiras imateriais que só nos fazem perceber o conforto que a paz nos dá.

Tenho nas mãos restos de tinta e no coração todas as experiências que vivi e pessoas que conheci. Levo comigo ‘the Kuterevo Spirit’.

‘Make the peace. Find the peace.’

A experiência da Marta na República Checa

“Mountains don’t meet mountains but human beings do”, disse-me uma pessoa muito especial quando chegou a Hartenberg. Não olhei ou senti esta frase na altura como sinto agora.

A minha experiência foi feita pelas pessoas que conheci. Foi essencialmente o que ouvi, o que senti cada vez que uma criança me dava um abraço, ou me ensinava uma palavra em checo (agradeço o esforço, acreditem, eu era péssima), ou quando em bom som ouvi 23 crianças na língua do meu país a dizer “amizade”.

Em Hartenberg o sonho era de todos, o projecto de um castelo, já não era só do dono, era nosso também, ficou lá pelo menos uma pedra que tocámos. Ficou também uma bandeira de Portugal que trazia comigo, a verdade é, deixei lá uma parte, e trouxe outra comigo. Duas semanas é pouco, vivam muito, quem me dera ter tido mais tempo para dar mais, nada do que dei foi suficiente perante tudo o que recebi (esta é uma certeza que qualquer voluntário tem)!

O que eu trago comigo posso contar com todos os detalhes, as histórias, as pessoas, a beleza natural de Hartenberg, mas tu voluntário, sim tu, tu tens que ir viver por ti próprio. Esta experiência mudou a minha vida, fez-me sentir mais completa. Agora tenho mais uma família, tenho mensagens de crianças que me escrevem, tenho o coração cheio, e acredita futuro voluntário, isto é inexplicável (e eu tentei durante 45 minutos terminar esta frase).

Por isso, vai, vai e tenta acabar esta frase! (Eu fico feliz por não conseguir; ser inexplicável é o que torna isto tão único).