A experiência da Filipa na Polónia

Que oportunidade esta que vocês me deram…! Confesso que pensava que me fosse custar mais habituar a isto. Em poucas horas, senti-me em casa. E em família, como dizemos entre nós, voluntários. Esta foi a casa que escolhi durante estas semanas e, mesmo que esta não tenha sido a família escolhida por mim, não me podia ter calhado sorte maior. Não temos boa internet (nem nos 5 minutos em que a consigo apanhar por dia), não temos um bom colchão (não temos colchão, sequer), não podemos falar a nossa língua. Aqueles poucos minutos diários online servem para dizer aos meus que está tudo bem e que estou a adorar cada segundo; e, mesmo que o sítio em que durmamos não seja nada confortável, nem isso supera o sorriso com que tenho adormecido e acordado. E nem a falta de café que sinto (não sabem, mas por dia, tomava mais que uma mão cheia deles) supera a falta que disto vou sentir. Somos 7 voluntários; vim para a Polónia mas, para além dela, também levo comigo um bocadinho de Espanha, Itália, Rússia… “Porquê a Polónia?” Foi a pergunta que mais ouvi nos dias antes de chegar. Porque não?

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 Um sorriso é preciso a qualquer altura, em qualquer lugar e a qualquer pessoa. E as 40 pessoas, incluindo cada criança, que conheci sorriram desde o início. Ainda nem daqui saí e já quero muito voltar… eu pensava que sabia (mas no fundo nem sabia para o que vinha) o quão bom poderia vir a ser esta experiência. Não há melhor forma de viajar, conhecer o país, as pessoas, cultura, comida, ou mesmo a nós próprios. Não há forma melhor de ajudar e aprender (já aprendi tanto…). As crianças são incríveis, e é incrível também a forma como elas nos ensinam mais do que a maior parte dos adultos. As equipas de voluntários e da organização colocaram-me à vontade desde o início e, desde o início percebi que havia coisas que não iam ser nada fáceis. Nem todas as crianças falam inglês; aliás, poucas falam. Mas, nem essa barreira me afastou deles. Há gestos que falam e sorrisos também. Aprendi que o melhor presente que podemos dar a alguém é o nosso tempo; o segundo é o nosso sorriso. E se os juntarmos, fazemos uma musica perfeita. Vim para longe, com o meu tempo num bolso e o sorriso no outro.

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Convosco, aprendi a não adiar os meus sonhos.

(Espero que esta não tenha sido das últimas vezes que falamos. Sei que não. Obrigada por tudo, por acompanharem e sobretudo por quererem acompanhar cada passo de quem, como eu, se aventura desta maneira. Todos deviam fazê-lo pelo menos uma vez na vida.).

A experiência da Joana na Indonésia

No projecto Street Literacy, na Indonésia, fomos catapultados para uma realidade paralela: crianças brincam na rua, entregues umas às outras, enquanto os pais tentam ganhar sustento a trabalhar no mercado. Algumas não têm possibilidades de ir à escola.

Foi para elas que o projecto nasceu, para as incentivarmos a investirem nos estudos e a terem sonhos para o futuro. No fim, também a comunidade e as crianças que iam à escola acabaram por se envolver no projecto e aprendemos mais todos juntos. Os voluntários locais, com quem vivemos na ilha, são eles mesmos defensores da liberdade e activistas. Não poderíamos ter tido mais sorte com todas as pessoas com quem nos cruzámos durante estas duas semanas.

O facto de Ternate ser uma ilha pequena, longe de pontos turísticos, ajudou a que nos sentíssemos acolhidos e permitiu-nos focar a 100%. As paisagens lindíssimas também ajudaram. Para quem estiver a pensar fazer parte deste projecto no futuro, recomendo que descartem todas as expectativas e estejam prontos para se adaptarem ao que surgir, que pode ser maravilhoso.





A experiência do João na Alemanha

As palavras são escassas, mas as lembranças são infinitas, durante duas semanas, para ser exato, quinze dias, aquelas pessoas que, numa fase inicial, eram simplesmente desconhecidos tornaram se numa espécie de família, comíamos, trabalhávamos, conversávamos, dormíamos… Nos primeiros dias sou sincero, senti o desconforto de habitar e conviver com pessoas de diferentes culturas, foi algo que me deixou um pouco de “pé atrás”, mas com o passar dos dias e com melhor conhecimento das personagens ao meu redor foi se tornando algo natural e espontâneo.

Lembro-me do à vontade ser tão grande que por momentos parecia que éramos todos amigos de infância e que falávamos na mesma língua, que, para ser honesto, foi dos aspetos que eu mais temia, sabia perfeitamente que o meu inglês era algo muito macarrónico e por vezes até de difícil compreensão, mas o importante é o espírito aberto de abraçar aquilo tudo e a necessidade de ajudar os outros, afinal de tudo és um voluntário lá, e orgulha-te disso! Com isso, todos nós fazíamos o esforço de compreender e ajudar até na comunicação e foi isso que me fez abrir e ser eu mesmo durante aquele período.

Mas perguntam vocês agora, como é a historia lá do trabalho no campo?

Aos meus olhos o trabalho era tão dissolvido nas risadas e conversas entre nós que é difícil para mim apontar momentos de grande esforço ou cansaço, por outro lado, posso falar do trabalho final, que isso sim fica connosco e é algo de orgulho pessoal e coletivo. Deixar para trás a nossa marca de trabalho é algo único e satisfatório na vida de um voluntário, já que é essa a nossa maior responsabilidade, ver os sorrisos, os agradecimentos e o bem-estar nas vidas das pessoas que estamos a ajudar, no final são esses mesmos sentimentos que te vão encher o coração.

Só quando estamos no desconforto é que aprendemos a lidar com os nossos problemas de forma individual e pessoal. Esses mesmo são o coabitar com pessoas desconhecidas, as saudades da famílias e amigos, os diferentes sabores das refeições, as acomodações, a higiene pessoal e coletiva e, sem duvida, a falta de tudo de bom do nosso amado lar. Isto tudo pode assustar uma pessoa à primeira vista, ainda mais uma pessoa como eu, que conta com a ajuda da mãe para tudo, mesmo tudo!

Mas pela primeira vez na minha vida não pensei em nada, que acrescento já é algo raro da minha parte, apenas disse para mim mesmo, aqui vou eu! E a prova disso é que em 4 dias ficou tudo tratado e aproveito, mais uma vez, para agradecer à organização pela forma fácil e rápida que trataram do meu processo.

Enfrentar os medos é algo que mais cedo ou mais tarde vamos ter de fazer.

Mas vocês voltam a perguntar, com toda razão, mais uma vez:

Isso é tudo muito bonito, mas voltavas a passar por tudo isso? Queres voltar a repetir a experiencia de voluntariado?

Isso é uma pergunta muito simples ao meu ver, SIM! Não existe melhor experiência para ti próprio. Eu só imagino a contribuição para a minha realização pessoal e laboral que estes conhecimentos possibilitam, conhecimentos esses que foram e serão adquiridos através do voluntariado. Concretamente nesta aventura, aprendi muito sobre outras culturas e vivi uma vida de campo, algo simples e natural ao lado de pessoas humildes que do campo tiravam a comida que era posta na mesa onde nos juntávamos todos os dias. Aprendi mais sobre a natureza e alguns aspetos vitalícios para a sua prevenção e proteção, tive os mais diversos workshops, desde fazer pomadas caseiras até domesticar cavalos, tudo isto e mais, sem acrescentar as coisas que conheci sobre mim mesmo.

Regresso a Portugal com uma nova mentalidade e com novas metas e isso é algo que faz uma pessoa crescer. Por isso, digo sem hesitar, um claro e simples SIM, aprendi isto tudo num só campo, porquê parar agora? Se posso continuar esta subida de conhecimento pessoal e de novas aptidões, o caminho certo é o voluntariado!

A experiência da Beatriz na Finlândia

O campo teve lugar na Peace Station (Rauhanasema), uma ex-estação de comboio com muitos anos e muita história, que não foi originalmente construída em Pasila mas que foi transportada para lá posteriormente, e em que funcionam hoje várias organizações que trabalham para a Paz a vários níveis, sendo uma delas a KVT, que organizou este campo. Quando cheguei, fui conhecendo ao longo do dia o resto das voluntárias que iam viver comigo durante os 10 dias seguintes. Os outros voluntários eram refugiados/asylum seekers e viviam perto, então não ficaram a dormir connosco na estação. Só os conheci no segundo dia. Vínhamos de 10 países diferentes ao todo – Finlândia, Portugal, Espanha, Rússia, República Checa, Japão, Iraque, Afeganistão, Congo e Uganda. E havia mais duas voluntárias portuguesas que eu não fazia ideia que iam!

O campo dividiu-se em duas tarefas/actividades principais: restaurar as cadeiras e mesas da estação, que tinham mais de 30 anos, e os workshops de macramê e craftivism dados pelos Concreatives, o colectivo de artistas que colaborou connosco durante o campo, com o objectivo de criar uma peça de street art em macramê com o tema da Paz para expor junto à estação. Além disso, visitámos imensos sítios incríveis em grupo – a que dificilmente chegaria se estivesse a viajar sozinha – e conhecemos ainda mais pessoas da KVT que nos falaram sobre peace work e que nos fizeram partilhar e debater algumas ideias sobre o tema.

Senti que foi um pouquinho difícil quebrar o gelo no início porque o grupo com quem ia ficar a ”morar” na Peace Station eram só raparigas e eram todas um pouco tímidas. Eu considero que sou uma ”tímida ao contrário”: sou muito extrovertida, falo logo muito e noto que isso também é um mecanismo de defesa meu, por não me sentir confortável com o silêncio ou com o desconforto dos outros. Em relação ao resto dos voluntários, alguns nem falavam inglês, então como tinha uma grande expectativa de criar um espírito de grupo muito forte desde o início, senti-me um bocadinho deslocada nos primeiros dias. Para mim é importante contar isto porque acho que todas estas coisas são experiências e fazem parte do que é fazer voluntariado – às vezes encontramos pessoas que são diferentes de nós ou tínhamos alguma expectativa que não é logo correspondida ou que às vezes não é correspondida de todo. Mas isso não faz mal nenhum – aliás, todas as experiências são aprendizagens e o mais importante é concentrarmo-nos em trabalhar o melhor possível e fazer o que podemos para ultrapassar estas situações e/ou as eventuais diferenças que notemos entre as pessoas. E como era esperado, esta sensação de desconforto acabou por desaparecer naturalmente.

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Um dos dias mais especiais e de que me lembro com mais saudades foi um dia mais ou menos a meio do campo, em que depois do trabalho do dia fomos a Lapinlahden Lahde – uma espécie de LxFactory de Helsínquia junto ao mar que antes era um hospital psiquiátrico e agora é mais ou menos um centro artístico – tem uma cafetaria vegan, vários espaços para artistas que os queiram alugar e usar como atelier/espaço para expor, um museu que reúne algumas peças e memórias do hospital e estão abertos para receber todo e qualquer projecto artístico ou de voluntariado. Como todo e qualquer espaço na Finlândia, tem também uma sauna (sim, a Peace Station também tinha!) e depois de lá irmos, fizemos um churrasco ao pé do mar e ainda fomos até à praia passear e fazer jogos. Estivemos lá até às 11h da noite (que lá ainda são ”da tarde”) e estava um ambiente incrível entre todos, rimos mais do que falámos e foi quando comecei a ter mais pena dos dias estarem a passar tão rápido!

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Ao longo do campo fomos tendo jantares típicos de cada país, em que os voluntários cozinhavam uns para os outros e ouvíamos música tradicional. Comi coisas óptimas todos os dias – arroz árabe, chamuças iraquianas, sushi, salada (realmente) russa e outras mil coisas! Como só podiam ser pratos vegetarianos, para nós portuguesas foi um bocadinho difícil pensar nalguma coisa – mas além da nossa quiche e a massa que não eram lá muito portuguesas (mas estavam óptimas), ainda bebemos um vinho do Alentejo que levei com muito carinho, pusemos a Carminho a tocar e distribuímos imensos brindes giros de cortiça que a Beatriz e a Maria (as outras portuguesas) levaram de Santa Maria da Feira :)
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Apesar de já ter feito voluntariado internacional, cada experiência é uma experiência e esta foi muito diferente do que eu já tinha feito. O ano passado estive num campo de refugiados – havia tarefas para cumprir, sítios onde estar, coisas que comprar, arrumar, separar e, sobretudo, pessoas que dependiam do nosso trabalho todos os dias. Durante esse tempo tentei fazer sempre um esforço para nunca adoptar uma posição ”superior” ou condescendente em relação às pessoas que estava a ajudar. Vi há pouco tempo uma TED Talk de uma imigrante da Jordânia chamada Luma Mufleh, que dizia “don’t ever think people are beneath you or that you have nothing to learn from others” e isso traduziu muito o que tenho retirado destas minhas vivências, apesar de terem sido tão diferentes. Desta vez conheci refugiados que eram voluntários como eu e isso aproximou-nos muito mais e de uma forma diferente. Conheci um rapaz afegão que enquanto ia de barco da Turquia para a Grécia, teve de saltar para a água e ajudar a levar o barco porque ele tinha deixado de funcionar. Agora, na Finlândia, participa em muitas manifestações pacíficas contra deportações injustas e até está na organização de algumas deles, o que muitas vezes lhe traz problemas com a polícia, mas não o impede de continuar a agir. Conheci também um rapaz iraquiano cujo pai foi morto no Iraque há dois anos, em plena rua, num dia normal, por razão nenhuma. Não escrevo sobre estas coisas para fazer com que as pessoas se sintam mal, mas para tentar explicar o impacto que elas tiveram em mim, especialmente por me ter tornado amiga de quem passou por elas (pessoas por acaso muito sorridentes e com corações maiores que elas).

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Algures durante o campo fizemos um workshop com o tema da migração/interculturalidade, em que nos dividimos em três grupos: cada um tinha de criar uma aldeia em barro, com várias casas e estruturas, seguindo instruções e regras diferentes sobre a forma das casas, a distância entre elas, símbolos, comportamentos dos habitantes, etc. A meio do jogo, um dos membros de cada aldeia tinha que mover a sua casa para outra aldeia e tentar adaptar-se às suas regras, enquanto os habitantes locais tinham de se esforçar por integrá-lo; isso passava por exemplo por ter de adaptar as formas da casas, os símbolos que representavam cada aldeia/habitante, etc. Foi muito giro ver como cada grupo reagiu a esta segunda parte e as mudanças que se geraram no jogo, todas positivas apesar das circunstâncias. Por um lado é tudo simbólico, mas por outro é um exercício curioso e importante que nos faz procurar mais formas de receber sem discriminar, de integrar sem nos impormos, e que ainda agora me faz pensar.

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O campo tinha um objectivo final comum, prático, mas fez com que conseguíssemos uma coisa que transcendeu esse objectivo; foi um veículo para que nos conhecêssemos melhor, aprendêssemos mais uns sobre os outros, sobre as nossas histórias pessoais e contextos culturais, quem somos e como é que fomos ali parar. Foi um exercício de partilha e aprendizagem sobre a Paz – vivê-la para conseguir transmiti-la, e aprender a transmiti-la através de uma forma específica de arte. No final do campo decorámos algumas cancelas junto à Peace Station e também alguns postes com a palavra ”Peace”. Só tive pena que não tivéssemos conseguido criar e expor ainda mais, mas o tempo não estica e a chuva nem sempre foi nossa amiga… Mas acredito muito na arte e no artesanato como formas de activismo e de transmitir mensagens e ideias e este campo motivou-me muito a trazer para ”casa” tudo o que aprendi e a por isso em prática na minha cidade e comunidade – o que aprendi a fazer e o que aprendi a pensar.

De repente, estás a conviver diariamente com pessoas de 10 países diferentes e isso é motivo de alegria, de celebração, de partilha e de amor. É motivo de curiosidade e não de hostilidade. E percebes que as pessoas (e ”as pessoas” também sou eu) precisam disto, de ter menos pena, menos medo e ter mais consideração, mais empatia. Mais amor. E dás por ti a ficar amiga de pessoas com quem mal falaste por não saberem bem inglês, mas percebes que com o coração aberto e boa vontade, o inglês não é assim tão importante. Como um dos voluntários disse quando o campo acabou, ”I couldn’t speak your language but I totally understood you by heart language” (e isto disse-me o Google tradutor).

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A experiência da Catarina na Alemanha

Duas semanas que passaram a correr! Nunca teria imaginado ou conseguido sonhar o mundo novo que encontrei quando cheguei. Tive a oportunidade de participar no workcamp “system change not climate change” em Coburg, Alemanha.

Sem dúvida uma das melhores experiências que podia ter tido! Pela primeira vez que viajei e não me senti uma turista mas sim parte de uma realidade e do quotidiano de alguém, possibilitando-me estar perto dos moradores e aprender os seus costumes e hábitos.

Éramos 14 voluntários de 10 nacionalidades diferentes juntos numa casa a dormir, a cozinhar, a trabalhar e a passar tempo juntos como nunca tinha visto. Todos tão diferentes mas com um propósito em comum que fizeram com que a experiência resulta-se na perfeição.

O tempo no workcamp foi dividido em tempo passado no jardim comunitário -Unser bunter Garten- onde ajudámos a completar uma casa para ferramentas (com outros usos) e a construir uma cerca de origem.

Depois tínhamos a parte dos estudos, onde realizámos workshops e discutíamos sobre temas variados de ecologia e sustentabilidade. No tempo livre tivemos oportunidade de visitar a cidade e redondezas bem como ir a outras cidades que estavam a desenvolver projectos semelhantes ao nosso (“transition-Town”) em Bamberg e a Bedheim.

Adorava poder pedir ao tempo que voltasse atrás e me deixasse recordar o que vivi nesta família, os segredos que partilhámos e as histórias que trocámos. Só eles sabem o quanto vivemos nestas duas semanas, o encanto de tudo que nos rodeava, o brilho do nosso trabalho e os luares que partilhámos, certamente levarei sempre comigo esta memória.

A experiência da Ana na Tailândia

Pois bem, a experiência não poderia ser mais positiva! Por tudo, pela forma como estava organizado o campo de voluntariado, pela forma como fomos recebidos pela comunidade.  A certa altura sentia-me parte integrante da comunidade, e essa sensação foi das mais enriquecedoras que algumas vez senti. Trouxe toda a experiência no meu  coração, mas sem duvida as pessoas da comunidade e as crianças ficaram para sempre! Com a certeza que irei acompanhar e voltar um dia!

Percebi que este tipo de experiências nada têm a ver com o dar, e sim com o receber. Isso sim, modifica algo em nós. A simplicidade com que dão atira-nos para um lugar leve onde se anda de sorriso rasgado! São emoções e  vivências que todas as pessoas deveriam experienciar! Sem qualquer tipo de excepção! Foi a primeira, para mim, mas agora nunca mais vou conseguir viver sem isto! Vou repetir sem qualquer dúvida!

Um dos episódios que mais me marcou: fomos convidados para a festa de aniversário de uma criança que vinha com frequência ao nosso centro. Nunca tinha tido uma festa de anos, e a nossa Leader questionou se poderíamos colaborar com o nosso budget para a festinha! Claro que todos concordamos! Estava aldeia em peso! Toda a gente feliz, miúdos e graúdos! Entretanto durante essa tarde, antes da festinha, como costumava cantar uma música que a   Bem Bem (nome da menina) adorava, lembrei-me de fazer um pequeno teatro. Utilizei apenas uma folha, pedi ajuda as outras crianças e com casca de fruta, ganchos de cabelo e elásticos fiz as duas personagens! Depois pensei que gostava de oferecer algo, mas não tínhamos acesso a nada! Eu tinha um peluche que a minha filhota me pediu para levar para me lembrar dela! Então pensei, quando regressar compro outro para lhe dar, este vai para a Bem Bem, será por uma boa causa, por isso ela irá compreender!

 

E assim , a meio da festa, lá fiz o meu teatrinho, e no final ofereci o peluche à pequena  Bem Bem!!!! Foi o êxtase, nunca tinham tido nenhuma festa assim e nunca ninguém da aldeia tinha tido um peluche! Escusado será dizer que os olhares de gratidão invadiram o meu coração! Foi um momento mágico!

Mas não fica por aqui…. Entretanto aparece uma chuva de fireflies que eu nunca tinha visto! As crianças ficaram surpresas pela minha cara de felicidade ao ver aquilo! Então foram tentar apanhar um para colocar na mão. E lá conseguiram ☺

Tudo que dás, recebes de volta ?

A experiência do Miguel no Tarrafal, Cabo Verde

O meu nome é Miguel Ramos, e aos 19 anos participei, durante 1 mês, numa ação de voluntariado em Cabo Verde, no Tarrafal, que tomei conhecimento através do “Para Onde?”.

O feedback que tiro desta experiência foi muito positivo, e é de salientar não só aquilo que pude ensinar, mas, principalmente, aquilo que aprendi num país e numa cultura completamente diferentes. As paisagens, a comida, o tempo que insiste em não passar, mas acima de tudo as pessoas, as crianças, e o valor que elas dão às coisas mais simples da vida são aquilo que vai deixar mais saudade desta experiência incrível.

Na minha opinião, o Tarrafal devido à sua segurança e às amizades que lá se fazem é um sítio indicado para se realizar esta missão. Espero um dia lá voltar e recomendo a todos que o façam.

Por fim, agradeço muito ao “Para Onde?” pela viagem que me proporcionou.

A experiência da Ana Sofia na Finlândia

Passou um mês desde que regressei do meu campo de voluntariado em Helsínquia, na Finlândia. O desafio começou mesmo antes de partir: o nervosismo de viajar sozinha pela primeira vez, de estar num país diferente, de não conhecer os outros voluntários… Todos estes “medos” foram dissipados assim que entrei no avião e me apercebi que não poderia ter tomado uma melhor decisão – ir, arriscar. Ao chegar, senti como se fossemos parte de uma família, onde todos partilhávamos, bem, tudo!

O nosso campo (“Food not Bombs”) consistia na promoção da paz mundial através da reutilização de “waste food” que recolhíamos de supermercados todas as manhãs, cozinhávamos e distribuíamos gratuitamente em eventos organizados por toda a cidade. Surpreendeu-me a realidade que não esperava, tanta gente à espera de comida, tanta gente com necessidade de receber uma refeição gratuita. Os nossos eventos chegaram a alimentar 200 pessoas! Aliado a isto, pude ainda participar em movimentos de apoio a refugiados que decorriam pela cidade. Para além de tudo, restou ainda muito tempo para explorar a cidade e conhecer sítios incríveis! Esta experiência mudou-me: a minha forma de encarar o mundo, de lidar com situações inesperadas e de me adaptar a elas, de me relacionar com pessoas completamente diferentes… A caixa de boas memórias transborda!

O apoio e entusiasmo​​​​ que senti por parte da “Para Onde?” durante todo o processo fez-me sentir confortável e com ainda mais vontade de viajar e conhecer o Mundo dando um bocadinho de mim e contribuindo para o transformar num lugar melhor! Espero ansiosamente pela próxima aventura! Obrigada por tudo!

A experiência da Mariana na Croácia

Numa ilha do Mar Adriático, em Supetar, Brač na Croácia, tive a minha primeira experiência de voluntariado internacional. Apesar de ter sido de apenas 10 dias, não podia ter sido melhor. No total éramos 7 voluntários, de um pouco por toda a Europa, e com a mesma vontade de fazer outras pessoas felizes. A nossa tarefa foi de organizar atividades lúdicas ou simplesmente divertidas para que crianças desfavorecidas da instituição em que vivem pudessem ter um verão diferente e inesquecível.

Todos os dias íamos à praia, ensinámos as crianças a nadar e, na hora de secar, jogávamos voleibol, fazíamos pequenas competições, pintávamos pedras ou fazíamos colares e pulseiras, entre muitas outras coisas. Todos os dias eram diferentes e a diversão autêntica.

Ao fim do dia, após o jantar, tínhamos outras atividades, que tentávamos desenvolver durante o dia. Organizamos um Peddy-Paper, uma caça ao tesouro, aulas de inglês, todos fizemos uma apresentação sobre o nosso país de origem assim como aulas de dança.

A dança, ensinada por mim, tinha o principal objetivo de dar-lhes a aprender uma coreografia e, no final do workcamp, apresentá-la na praia, junto de todos. Para minha surpresa, houve um grande envolvimento de todos, quer rapazes, quer raparigas, e de todas as idades.

Quando chegou a hora de apresentar, entre nervosismos e ansiedade, todos saímos satisfeitos. Foi incrível.

A equipa de voluntários foi fenomenal e estou muito grata por os ter conhecido a todos. Facilmente deixamos de ser conhecidos e passamos a ser amigos. Acredito mesmo que os levo para a vida e que um dia, quando nos encontrarmos outra vez, tudo estará onde deixamos.

Num abrir e fechar de olhos, chegamos ao último dia. A despedida foi difícil e muito emocionante. É impossível conter as lágrimas quando todas as crianças estão a chorar e a abraçar-nos sem parar de repetir “hvala, thank you”. Uma experiência que nunca vou esquecer, uma das melhores da minha vida. Mesmo com pouco, sei que fiz a diferença na vida de alguém e isso encheu-me o coração.

 

A experiência da Marisa na Holanda

Embarquei nesta missão a 22 de Julho de 2017, mas já a esperava há alguns meses. É difícil expressar o que sinto. Por um lado, um imenso vazio, como que uma ausência permanente, por outro, cheia de boas memórias que me fazem concluir que não cabe em mim felicidade maior do que alguma vez ter vivido esta experiência.

Este foi o meu primeiro campo de voluntariado e não poderia estar mais grata pelo projeto que escolhi e pela excelente equipa de voluntários que Deus pôs no meu caminho. Foram 2 semanas em Emmen, Holanda, num centro de acolhimento de refugiados. Não, não eram refugiados sírios. E sim, eu também desconhecia esta realidade até me deparar com ela. Famílias de vários locais do Mundo tais como o Kongo, Nigéria, Iraque, entre outros, esperam ali pelo dia em que voltarão para os seus países ou em que terão autorização para poder ficar na Holanda pois a maioria tem filhos já ali nascidos há cerca de 10 anos. Poucas sabiam a sua origem, apenas sabiam que os pais não queriam voltar para casa, por exemplo porque “lá não há comida”, como dizia a Debby que nos apoiou de forma incansável e responsável no que respeita à tradução, pois falava corretamente inglês.

As horas com as crianças passavam a correr e eram tão intensas que as chamávamos de zombies quando tentávamos almoçar e tínhamos as janelas cobertas de meninos e meninas à nossa espera.

Acampados pertinho do centro de acolhimento, deslocávamo-nos de bicicleta para todo o lado. O dia começava por volta das 08h30 com o pequeno almoço, seguido de atividades com as crianças até cerca das 15h30 e terminava por volta das 22h00, hora a que concluíamos as atividades com a equipa de voluntários e maioritariamente nos deitávamos, exaustos. Pelo meio tratávamos de idealizar e preparar as refeições bem como pensar na atividade do dia seguinte, havendo também tempo para descontrair em grupo e passear na cidade.

Dias repletos de aprendizagem, de partilha, de muitos miminhos e de muita diversão. Já disse miminhos? No que me diz respeito, esta foi a parte na qual mais me envolvi e o melhor é que eles deixavam. Muitos beijinhos, centenas de abraços e milhares de carinhosos olhares cruzados. O Joseph, um menino de 3 anos que batizei de Koala por me agarrar fervorosamente, é um dos meninos que jamais esquecerei e pelo qual tenho um carinho inexplicável. Criamos empatia logo nos primeiros dias quando começamos a jogar ao “Cucu”. Foi incrível como comunicámos tanto sem realmente falar!

Quanto à equipa de voluntários, esta foi claramente uma grande bênção! Os melhores companheiros que poderia ter tido, na sua maioria amigos que levo para a vida. Muita troca de experiências, muito trabalho de equipa, muita compreensão e a cima de tudo muita cumplicidade com alguém que conhecia há meia dúzia de dias. Espero por eles em breve em Portugal.

Tentar deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontrei é um lema de vida que desde cedo me acompanha e que todos os dias tento concretizar. Desta vez foi em Emmen mas quero muito que não fique por aqui!