A experiência da Andreia em Itália

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce

Pensar em voluntariado é pensar em aventura e desconforto; é sair da rotina e esquecer o que já conhecemos e sabemos. Spessa é uma localidade esquecida, numa Itália muito rural e pequena, sem apoios, envelhecida.

Apesar de a Lombardia ser a região mais rica de Itália e de esta localidade se encontrar a uma hora de Milão, a disparidade não podia ser maior. Esqueçam o luxo, a acessibilidade, as lojas de renome. Spessa tem como ex-libris o rio Po e o Ostello e Centro Culturale Artemista. O governo não investe na cultura e, se o faz, fà-lo com restrições que são difíceis de aceitar, sobretudo quando se quer ser fiel àquilo em que se acredita e à arte, sem malabarismos nem artimanhas.

O Ostello e Centro Culturale Artemista é gerido pela Elisa e pelo Mauro, dois jovens corajosos que acolhem pedacinhos do mundo na pacata Spessa, colocando-a no mapa. Aprenderam a fazer de tudo um pouco e ensinam tudo aquilo que aprenderam: os voluntários pintam, raspam paredes, arrumam, tapam buracos, limpam… O trabalho é muito, mas a satisfação de o ver feito compensa o esforço e a roupa suja.

Trabalhamos cerca de 6h diárias (mais nos últimos dias, dada a vontade de deixar tudo bonito), cozinhamos, passeamos, conhecemos Pavia, mergulhámos no Trebbia, gravamos músicas no estúdio Artemista, dissemos adeus. Foram duas semanas muito preenchidas, animadas e exigentes, no que toca ao empenho e trabalho dos voluntários. Duas semanas que serviram para nos lembrar que, ainda que difícil, é sempre recompensador lutar por aquilo que nos move e que nunca é desperdiçado o tempo gasto a planear e a arquitetar o que se sonhou.

A Elisa e o Mauro procuram criar uma Spessa melhor, multicultural, culta, rica em valores que alguns já esqueceram; procuram a magia que só existe em quem, com fé, vê que é possível ir mais além.

A experiência da Beatriz na Ilha da Boavista, CV

Hoje saí da Boavista com as lágrimas nos olhos e coração tão apertado, como nunca pensei que fosse possível. Uma despedida tão difícil que tornou mais forte a minha vontade de voltar. Cheguei a esta ilha como uma estranha, mas hoje saí como local. Saí da Boavista, mas uma parte de mim ficará sempre neste lugar. 

Faltam as palavras para descrever tudo o que vivi e senti, mas ficam as memórias  guardadas para sempre e as imensas saudades de  cada momento vivido.

Levo daqui os sorrisos, o carinho, a energia e a felicidade contagiante das crianças, das minhas crianças.  Levo comigo a simpatia e generosidade de todos que com quem me cruzei e que tornaram este mês inesquecível. Levo daqui a simplicidade  e tranquilidade, o espírito “no stress” tão característico deste lugar onde tudo tem o seu tempo e o mar e o sol se encontram todos os dias, tornando o que já é maravilhoso ainda melhor.

 Levo comigo Cabo verde, em especial a ilha da Boavista. Saio com a certeza de que mudei o meu mundo e com a esperança de ter mudado um pouco o mundo de mais alguém.  Ago tanbem mi e um bocadin de bubista . Ta leva es ilha na nha coracao 

A experiência da Ana na Ilha da Boavista, CV

Dependendo das características pessoais de cada um, todos iremos com expectativas diferentes para uma mesma realidade. As minhas expectativas foram tanto superadas como, em alguns casos, frustradas. Faz parte. Lidámos com crianças carentes de muita coisa, mas ricas em muitas outras. E assim somos todos, em todo o lado – é aquilo que concluímos. Embora já o tenhamos visto em filmes e documentários, há imagens que não nos transmitem a mesma força quando vistas apenas numa tela. Ter contacto directo com a pobreza, num primeiro momento, pode ser mais chocante do que esperávamos. Mas depois acabamos por nos habituar, quando nos apercebemos que não existe uma infelicidade latente, muito pelo contrário – existe muita alegria! Talvez seja do povo em si, talvez seja do clima – rimos muito mais do que chorámos!

O primeiro contacto com o bairro e com as condições em que vivem aquelas famílias deu-me um frio na espinha, mas como o passar do tempo conseguimos adaptar-nos a esse paralelo. Crianças são crianças em todo o lado. Com mais ou com menos coisas, são alegres, são sonhadoras, são brincalhonas, têm um mundo próprio construído de forma independente das questões e diferenças sociais. Essa noção virá mais tarde. Mas embora haja essa similitude entre todas as crianças do mundo, também existem diferenças. Tanto eu como as minhas companheiras de aventura, tínhamos alinhadas várias actividades que acabaram por não acontecer da forma que esperávamos. É difícil sentar estes miúdos por mais de três minutos, é difícil que prestem atenção e se interessem por determinadas coisas. É notório a pouca prática de estudo, de interiorização e de memorização. É um trabalho árduo organizá-los em grupos, atribuir tarefas, transmitir alguns conhecimentos. São miúdos que vão à escola, muitos já sabem falar e escrever português, mas também estão muito habituados a andar pelas ruas, a serem retirados das actividades escolares para afazeres domésticos ou para cuidar dos irmãos ou primos mais novos, etc. A escola é uma obrigatoriedade pouco obrigatória, por assim dizer, havendo muitos que desistem a meio. Existe também uma preguiça, possivelmente de cariz cultural, que os leva a ser mais leves, pouco disciplinados e muito libertos. E tudo isto é um desafio, não necessariamente negativo.

A forma como está organizada a associação e as infraestruturas oferecidas ainda precisam de muitas melhorias. Eram demasiados miúdos para salas tão pequenas; eram idades demasiado díspares para haver uma homogeneidade nas actividades. Mas tudo a seu tempo… De qualquer forma… o Amor é uma coisa tão universal, que não olha a cores, não olha a etnias, não olha a estratos sociais…! Fomos recebidas sempre de braços abertos e sorrisos rasgados, mesmo por aqueles que no dia anterior tinham levado com algum sermão por se terem portado mal. Lá vinham eles a correr, uns mais extrovertidos que outros, e a gritar “As professoras chegaram!”. Era vê-los a surgir dos vários pontos do bairro, de sorriso aperaltado, e com vontade de dar abraços. Queriam brincar, queriam ir à praia, queriam aprender coisas!

Para embarcar numa missão destas é preciso ter uma forte capacidade de não sentir pena. Nem pena deles por viverem de forma mais humilde, nem pena de nós por nem sempre conseguirmos concretizar o idealizado. É preciso ter noção que a nossa fórmula para a felicidade não é necessariamente a correcta. A felicidade é uma riqueza intrínseca a cada um. É preciso ter noção que a educação é outra, que a energia é outra… e há que valorizá-la e respeitá-la. Contudo, isso não quer dizer que devemos compactuar com a manutenção da pobreza. Sim, é preciso levar ajuda, sim, é preciso levar conhecimento, sim, é preciso que todas as pessoas tenham mais acesso a boa alimentação, a água potável, as condições de vida mais dignas. Sim, estes miúdos merecem viver em casas com chão e telhados, com água canalizada e com acesso a serviços de saúde mais eficazes. Não devemos sentir pena, porque precisamos de transmitir confiança e alegria (e receber o mesmo em troca), mas a ajuda internacional tem sido, efectivamente, a maior fonte de criação de oportunidades para estas crianças.

Sabemos que o turismo é a principal fonte de rendimento, mas não com as proporções justas. O turismo rende milhões, mas os trabalhadores ganham muito pouco e vivem mal. As roupas que usam, o material escolar, etc, são, em grande parte, fruto de doações. Mas é difícil atribuir culpas… E não sou eu, em tão pouco tempo, que tenho as repostas para muita coisa.

Aquilo que sei com toda a certeza é que vale a pena… Vale a pena viajar, vale a pena conhecer o mundo e as pessoas que vivem nele, vale a pena sorrir e abraçar, vale a pena conversar e brincar, vale a pena desconstruir preconceitos, vale a pena lutar pelo bem comum.

Agradecemos o apoio dado pelo Lamine e pelo Júnior. Agradecemos muito à Organização Não Governamental MarAlliance (Cintia Lima e Zeddy) pela oportunidade que nos deram, a nós e aos miúdos, de ir até ao mar e fazer snorkling, assim como as aulas teóricas dadas onde ensinaram muita coisa sobre a biodiversidade marinha de Cabo Verde e como protegê-la. Sem eles, tinha sido tudo muito diferente!

A experiência da Joana em Arraial d’Ajuda, Brasil

Um sonho que vivia em mim há muito tempo, a maior aventura da minha vida e que finalmente consegui realizar, quando decidi tinha a certeza que ia dar mais sentido à minha vida e à pessoa que sou.

Estava explosivamente calma, expectante, curiosa, receosa q.b., desejosa, muito ansiosa por viver este mês muito intensamente. E de repente tinha tudo tratado, caminhava para a AFC em Arraial d’Ajuda (do outro lado do oceano), o sonho tornava-se real e sem dar conta passou o mês mais intenso da minha vida.

Um mês em que pretendia colorir o mundo das crianças da AFC, mas um mês em que foram as crianças e os adultos desta associação que me ensinaram tanto e me trouxeram tantas coisas boas à minha vida. Uma experiência única vivida numa nova realidade para mim, uma associação que engloba um conjunto de pessoas focadas no bem-estar das crianças, crianças que têm na AFC uma segunda casa (ou até a primeira casa), onde há tempo para serem muito amadas, tempo para educar, tempo para brincar e aprender, tempo para ser criança, mesmo que por detrás de cada sorriso estejam vidas extremamente complicadas.

Que grande sorte a minha, o tema do mês foi a amizade, numa associação em que se sente amor por todo o lado, é fácil sentir-se a amizade e foi lá que vi os sorrisos mais genuínos de toda a minha vida. Na hora de apoiar o dia-a-dia da AFC, podemos dar apoio à maravilhosa Anita na cozinha, aos educadores nas aulas, na realização do espaço para teatro de biblioteca ou em dinamizar atividades para as crianças. E aí, é hora de colocar o sotaque do Brasil!

Jogos, atividades de expressão plástica, músicas (quase cantadas em português), leitura, pintura da parede de entrada da AFC e dinâmicas que nos permitem criar laços para a vida.


Na hora da despedida com a melodia do mês (no meu caso) “Trem-bala” de Ana Vilela, fica a certeza que estas crianças e educadores da AFC marcaram a minha vida para todo o sempre e em cada abraço fica a certeza dos laços criados, do amor partilhado e a cada lágrima a saudade que já se sente.

A AFC recebeu-me de braços abertos, senti e sinto-me parte. Ficam para toda a vida os abraços apertados que senti de cada um. AFC, um AMOR que nunca vi igual!

A experiência da Ana na Ilha de Santiago, CV

O Tarrafal foi o destino.

Fi-lo para encontrar novos corações e para descobrir ainda mais sobre mim e sobre o mundo. A verdade é que as emoções ainda estão bem despertas e as palavras nunca irão descrever tudo o que o Tarrafal me deu e o que tive o prazer de viver.

Fui para o Tarrafal sem explicações concretas e lógicas. Fui porque senti que tinha de o fazer, de conhecer uma cultura de sentimentos à flor da pele, de encontrar sorrisos apaixonantes, abraços quentes e reconfortantes e de descobrir a verdadeira definição de Amor e Partilha. Fui para conhecer o povo da ‘alegria em pessoa’, o povo dos pikinotis, o povo do funaná e do cotxi po, da cachupa, do futebol de pés descalços, das tranças, da música, das caracas e da festa, do grogo e do pontxi, das fresquinhas, das mangas e das papaias. O povo do Tarrafal.

 

Que bom que foi poder conhecer os sorrisos mais puros e autênticos e sentir os abraços mais sentidos e especiais. Poder dar e receber, aprender e ensinar. Poder disfrutar das ruas do Tarrafal e sentir-me tão segura e tão em casa. Poder dançar e cantar como se não houvesse amanhã. Poder aprender a dar mais valor às estrelas e à lua, ao mar e à vida.

Mesmo guardando uma satisfação inexplicável depois desta minha experiência, não escondo o desejo que tenho de prolongar a mesma por tempo indeterminado. Obrigada à Associação do Tarrafal e à Associação Para Onde por me terem dado a oportunidade de viver um mês de amor e alegria infindável. Um obrigada do tamanho do mundo a todos os que tive o prazer de conhecer e de criar laços inacreditavelmente intensos. Obrigada João, Miguel, Ana, Inês, Laura, Zlatan e Mariana, por me terem proporcionado momentos para a vida.   E obrigada, com o coração a transbordar amor e com um brilho nos olhos inexplicável, aos meus pikinotis. Foram, sem dúvida alguma, dos melhores corações que já conheci.

Fica o desejo de um dia lá voltar e poder abraçar tudo outra vez.

 

A experiência da Gilda na Tanzânia

Só tens duas semanas de férias? Não importa, em 2 semanas podes fazer muito para ajudar os outros. A minha experiência na Tanzânia demonstrou que não é preciso falarmos todos a mesma língua, o que nos liga é a vontade de ajudar que nos vai no coração e que permite a um grupo de jovens tornar, num curto espaço de tempo, a vida de alguém melhor. Recuperámos 2 salas numa escola primária, não é muito não, mas viemos embora com a certeza que  turmas vão aprender ali melhor e tornarem-se melhores alunos.

 

 

 

É certo que mudar dá medo, mas devemos ter muito mais medo de ficar no mesmo lugar a pensar no que se poderia fazer para tornar aquele metro quadrado melhor, mais confortável. Apesar de todas as contradições possíveis que te podem e vão aparecer, como perceber que a barreira linguística não é assim tão importante, tu podes fazer a diferença em pouco tempo!

 

 

 

A experiência da Mara na Indonésia

Regressar a casa é voltar pouco a pouco a esta nossa realidade tão privilegiada e contar a toda a família, a todos os amigos sobre esta experiência fantástica e assim tentar perceber o impacto que estas crianças, que todas as pessoas que conheci pelo caminho tiveram em mim.

Foi a primeira vez que fiz uma viajem tão grande, que fiquei tanto tempo longe da família e amigos, mas nunca me senti sozinha. Fomos acolhidos por esta família de voluntários locais incríveis, que nos contam as suas histórias de vida impressionantes com um sorriso no rosto, por aquela ilha quente, bela e cheia de contraste. E depois fomos recebidos pelo mais caloroso dos abraços das crianças do mercado: “Anak Pasar”. Deambulam pelo mercado no tempo depois da escola (aquelas que vão à escola) enquanto os pais trabalham o dia inteiro, ali no meio do peixe, da fruta, do lixo…. Conhecem o mercado como a palma da mão, para alguns é tudo o que conhecem no mundo. Por isso nos receberam com tanto carinho, com tanto encanto no olhar, representamos o desconhecido, o que habita no imaginário. Tocam-nos no cabelo e na pele, existe fascinação no mais pequeno gesto, mostram o sorriso largo ao mínimo que dizemos, cantamos e dançamos músicas que nunca ouviram, pedem a minha máquina e tiram as fotos mais incríveis sem se aperceberem, porque têm o olhar mais puro do mundo! Não falamos a mesma língua, mas isso nunca foi uma barreira intransponível: os laços que criamos durante estas duas semanas foram suficientes para nos entendermos, os gestos, o carinho e os sorrisos foram sempre suficientes.

Nunca tive a ilusão de pensar que iria mudar a vida daquelas crianças, não depende de mim do pouco tempo lhes que dediquei, mas no dia que me despedi delas ali soube que lhes deixei muito amor, e que definitivamente trouxe muito comigo. Nunca vou esquecer cada olhar, cada risada contagiante, vou levá-los sempre comigo!

É para repetir??” perguntam os meus amigos depois de ouvirem o meu testemunho emocionado, e eu digo que sim, que isto de conhecer outras formas de vida é viciante e que toda a gente devia viver um choque cultural assim uma vez na vida, que trouxe o mais puro dos carinhos, que fiz amizades sinceras, que tudo o que sinto agora é saudade… e se deixou saudade foi porque valeu a pena!

A experiência da Mariana na Sérvia

Porquê a Sérvia? Foi a pergunta que mais me fizeram dias antes de partir, e eu lá explicava que não era pelo país em si, mas sim pela experiência que o projeto me iria proporcionar. Beehive of Friendship conquistou-me desde o primeiro momento que li as guidelines do projeto.

Quando cheguei a Belgrado sentia um misto de emoções, por um lado estava insegura, era só eu e a minha mochila num país novo com uma língua completamente diferente, por outro estava mais feliz que nunca.
Ainda em Belgrado conheci as voluntárias que iam estar comigo no campo, e juntas partimos para Begečka Jama. Acabadas de chegar conhecemos os voluntários Sérvios que nos iam acompanhar, deram-nos as boas vindas e deixaram-nos super à vontade. Percebi logo que o que tinha lido sobre os Sérvios serem muito hospitaleiros era totalmente verdade.

A primeira semana foi passada a montar tendas, uma cozinha exterior, trampolins e a deixar tudo pronto para a chegada das crianças. A pouco e pouco a Mariana envergonhada começou a desaparecer, o Inglês começou a soar a Português e comecei a sentir-me em casa. Entre gargalhadas, idas à água e conversas infinitas, o trabalho de montagem passou a correr e num piscar de olhos as crianças já tinham chegado.

Com a chegada das crianças, a minha felicidade foi amplificada, eram 70 sorrisos da Sérvia, da Macedónia e do Kosovo a correr pelo parque. Apesar da grande maioria não falar inglês, não foi preciso muito para encontrarmos novas formas de comunicar. Com elas aprendi o poder do sorriso, do abraço e do olhar e as mensagens que estes pequenos gestos podem transmitir. Durante a semana acordávamos às 7h, passávamos o dia com as crianças, entre aulas de natação, voleibol, basquetebol, refeições e vários workshops, de fotografia, cinema e culinária. O dia terminava com a Candle Night, onde eram partilhados os melhores momentos e se tocava guitarra. Dentes lavados e laku noć desejada, era hora do convívio dos voluntários. Todos à mesa, conversávamos noite dentro como se fossemos amigos de infância, se me sentia em casa? SIM!

 

A semana passou e o dia das crianças voltarem para casa chegou, com muitas lágrimas à mistura. Mais uma vez sentia um misto de emoções. Estava triste com a partida, mas muito feliz, com um sentimento de dever cumprido e muita vontade de voltar no próximo Verão.

Os últimos dias foram passados a desmontar o campo, a conviver e a pouco e pouco os voluntários iam regressando a casa. Como acabámos mais cedo que o previsto ainda ficámos uma noite em Novi Sad, fomos sair e foi aí que percebi que a Sérvia não era mais um simples país da Europa, mas sim um país que agora guarda uma parte de mim e do qual eu guardo também uma parte, um país onde tenho amigos que vou guardar para a vida.

A ti que estás a ler isto, vai. Não tenhas medo. Não interessa onde ou quando, apenas vai. Vai ser uma das melhores experiências da tua vida, confia.

A experiência das Ritas em Tarragona, Espanha

Olá a todos! Nós somos as Ritas. Acabámos de regressar de Tarragona onde fizemos o nosso campo de voluntariado a ajudar num festival sobre a liberdade de expressão chamado “La iMAGInada”.

Passámos 12 dias incríveis que na realidade achamos um pouco impossível conseguir transpor para palavras tudo aquilo que sentimos e a saudade que Tarragona, as pessoas e estes dias vão deixar para sempre no nosso coração.

 

Ficámos alojados numa escola local, a cerca de 2 minutos da praia, onde dormíamos e cozinhávamos todos juntos. Fomos atacadas incansavelmente por mosquitos e outros insectos, mas até isso se tornou numa brincadeira, a contar quem é que tinha mais picadas. O nosso trabalho antes do festival consistiu em montar os cenários e ajudar na decoração. Durante o festival estávamos divididos por grupos com 4 tarefas diferentes, “Barra grande” (bar grande), “Barra petita” (bar pequeno), catering ou “Petita iMAGInada” (actividades com crianças), e íamos alternando. No final e com uma lágrima no canto do olho, tivemos de desmontar tudo e deixar o local como antes. Mas estes 12 dias foram muito mais do que tudo isto, foram muitas gargalhadas, roupas pintadas com spray, idas à praia, sorrisos das crianças e dos adultos a divertirem-se no festival, deixarmo-nos envolver pela energia que se sente no Camp de Mart que tanto nos faz vibrar como nos transmite uma calma indescritível, comer pizza e beber cerveja sentados em escada na “calle” no centro de Tarragona, provar todos os sabores dos gelados existentes na melhor gelataria, assistir às festas de Sant Magi, vibrar com os Castelleres a serem construídos a 5 metros de distância, visitar os vários monumentos romanos da cidade, fazer novos amigos, partilhar experiências, criar muitas e boas novas memórias.

O nosso grupo de voluntários internacionais foi como uma família, apesar de termos mais afinidades com uma ou outra pessoa, como é normal, trabalhamos sempre todos juntos para o mesmo objectivo comum. É espantoso como, apesar da variedade de nacionalidades, línguas, culturas e idades, ali, naquele momento tudo se esbate e todas as nossas forças confluem na mesma direcção, deixando para trás preconceitos e diferenças. Toda a organização do festival é composta por voluntários cheios de garra e ideias fantásticas. Talvez por sermos portuguesas, tivemos uma grande afinidade com o pessoal da organização, o que nos permitiu conhecer ainda melhor a cultura catalã.

O mais difícil de tudo foi mesmo apanharmos o autocarro de volta para o aeroporto, acho que hesitamos umas poucas vezes! Porém, há uma certeza que as duas temos: em breve voltaremos a Tarragona, para o ano, se tudo nos permitir, lá estaremos para o festival e queremos repetir a experiência como voluntárias internacionais noutro sítio! E se alguém estiver a ler isto de forma a se convencer a ir, não pensem duas vezes. A parte mais fácil é essa, voltar será sempre a mais difícil!

As duas fizemos Erasmus e temos a sensação que esta experiência foi uma espécie de Erasmus em formato pequeno. Muito mais curto, mas também MUITO mais intenso! Foi a melhor loucura que fiz nos últimos tempos e bem-dita a hora em que enviamos a nossa carta de motivação!!! E por falar em dias intensos, pedimos emprestada uma frase do nosso grande Pessoa que explica mais ou menos o sentimento dos dias passados na “La iMAGINada”:
“O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

 

A experiência da Isabel, Susana e João na Hungria

E assim chegou ao fim a nossa participação no projeto do SCI: “Teaching and Renovation with Children”, que decorreu entre 6 e 18 de Agosto de 2017, na Aldeia de Crianças SOS de Kecskemét, na Hungria.

As Aldeias de Crianças SOS dedicam-se a apoiar crianças órfãs, abandonadas, ou cujas famílias não lhes podem dar os devidos cuidados. Cumprindo a visão de que cada criança deve pertencer a uma família e crescer com amor, respeito e segurança, estas Aldeias promovem o bem-estar das crianças acolhidas, a aprendizagem de valores e a partilha de responsabilidades, elementos essenciais na construção dos seus futuros, proporcionando-lhes a oportunidade de crescerem no seio de uma família.
A Aldeia onde estivemos não é exceção e nós sentimos mesmo que contribuímos para o cumprimento desses objetivos, durante a nossa estadia lá. O principal objetivo do projeto foi demonstrar às crianças e aos jovens com quem partilhámos o dia-a-dia a importância do trabalho individual e em equipa e o real valor do trabalho realizado, nomeadamente na limpeza e cuidados dos jardins e espaços exteriores da Aldeia, assim como de alguns edifícios, como a biblioteca ou o espaço comunitário comum. Para além disso, tivemos oportunidade de planear, dinamizar e participar em várias atividades de tempos livres com as crianças e os jovens, dentro e fora do espaço da Aldeia.
Aqui ficam os nossos testemunhos individuais:
“É difícil exprimir por palavras as emoções, experiências e aprendizagens daquelas semanas. Quando fui não sabia bem para o que ia nem o que esperar, mas voltei de coração cheio. Fomos muito bem recebidos por toda a gente na Aldeia e senti que estava num ambiente de entreajuda, partilha e cumplicidade. Cada dia era um desafio mas nunca estávamos sozinhos e tínhamos o exemplo de pessoas incríveis que trabalham diariamente para dar estabilidade e a melhor infância possível àquelas crianças. O grupo de voluntários era fantástico e foi muito interessante conhecer pessoas de diferentes continentes e as suas culturas. Todos tivemos oportunidade de participar, dar sugestões e dinamizar as atividades e correu sempre muito bem. Com as crianças e jovens foi também muito fácil criar laços, ainda que não falássemos a mesma língua. Fizeram de nós família e deram-nos tudo o que tinham. Senti-me sempre em casa, com muito amor à minha volta e com vontade de dar o melhor de mim. O difícil foi ter de vir embora… Se estiveres a pensar fazer voluntariado, não penses demasiado e arrisca! Vai valer muito a pena!”

Isabel Felício

 

“Após completar 18 anos, percebi que tinha gosto em fazer voluntariado, fora do país, alargando os meus horizontes. Ingressei no campo de voluntariado das SOSchildren’s Villages em Kecskemét, Hungria. No meio de voluntários de todas as partes do mundo e entre crianças que nos receberam de braços abertos, os dias preenchidos passaram rapidamente. O programa chegou ao fim. Ficaram para trás momentos de cultura, diversão, e tristeza na partida. Quando cheguei a Portugal realizei que parte de mim ficou na Hungria e que isso é ser voluntário. É entregar-me por inteiro às crianças e voluntários que estiveram comigo durante as duas semanas. Já tinha tido experiências divertidas, com programas incríveis. Mas esta foi diferente. Para além da diversão momentânea, das gargalhadas e brincadeiras, há um trabalho que foi feito e não terminou nas duas semanas em que lá estivemos. É fantástico perceber o impacto obtido. Mas por outro lado, fazer voluntariado não é apenas dar. Isso é uma ilusão. Eu, em duas semanas recebi tanto ou mais do que tinha para oferecer. Tanto dos outros voluntários como das crianças, que numa atitude altruísta se entregaram igualmente a nós. Num balanço final, fica o sentimento de missão cumprida e desenvolvimento interpessoal. Fica a vontade de voltar, de apoiar e ser apoiado.”

João Verdelho

 

“Esta experiência foi tudo e ainda mais do que eu estava à espera. O grupo de voluntários/as era incrível, todos/as deram o seu melhor e correu tudo muito bem. Os momentos de trabalho e partilha foram enriquecedores e fiquei fascinada por ter conhecido e ter tido oportunidade de trabalhar com pessoas tão jovens, já com experiências de vida tão ricas e com tanto para oferecer. Na Aldeia toda a gente nos recebeu de braços abertos. As pessoas que lá trabalham são super dedicadas às crianças e senti que a dedicação delas se estendeu também a nós, por isso me senti sempre muito querida e integrada. Querida, senti-me também pelas crianças. Deixei lá tudo… mas trouxe imenso… Tanto que não cabe no meu coração, nem consigo traduzir adequadamente em palavras. Estou mesmo muito feliz por ter tomado esta decisão! Obrigada!”

Susana Casimiro