A experiência da Filipa em Itália

Para onde? Não importa! Importante é ir! E eu fui para Milão, Itália e foi uma valente surpresa! Senti que por vezes perdemos a noção das horas e do dia da semana e estar no workcamp, mesmo que pouco tempo, soube a muito!

Sinto que fui abençoada pela oportunidade, porque não foi só a Instituição onde trabalhei que ganhou, eu trouxe a mala muito mais pesada, de gente fantástica e de histórias sem igual, de arrepiar, dos outros 9 voluntários e das pessoas com quem tive oportunidade de me cruzar!

E foi uma dessas histórias, de uma das “rainhas”, que ao ouvi-la me fez regressar no tempo, exactamente para o primeiro dia que comecei o voluntariado numa casa de saúde e o sentimento / pensamento foi o mesmo: Tenho tanta sorte na minha vida! Por mais que possa ver defeitos nela, tenho o principal, o que mais importa e o que mais me suporta! Não há como duvidar disso depois de viver esta experiência!

O trabalho por terras italianas passou por reconstruir quartos do hostel, ou arranjar o jardim para em breve a Instituição receber o festival “Da vicino nessuno è normale” (“de perto, ninguém é normal!”). Outro ponto da nossa passagem por lá foi ouvir e conviver com os utentes, fazer estas pessoas com problemas de saúde mental sentirem-se especiais, que são. E ainda tivemos o privilégio de fazer pasta fresca para ser vendida no próprio restaurante!

Alguns dias foram mais cansativos, mas chegava sempre ao fim de sorriso rasgado, nada superava a felicidade do dever cumprido!

Em suma, espremendo esta grande laranja doce, o sumo obtido é: “a melhor maneira de se ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros!” E eu fui feliz!

A experiência da Joana na Favela da Rocinha, Rio de Janeiro

Estas linhas que hoje escrevo são muito mais do que um relato de uma experiência de voluntariado internacional. São o relato do início de um processo de transformação e de auto conhecimento que só é permitido àqueles que tem coragem para destruir os “muros de Berlim” que nos ocupam a cabeça.

Descobri o Para Onde? através de uma publicação no Facebook e interessei-me pelo extraordinário trabalho de compilação e informação que dispunham para todos os interessados em fazer voluntariado internacional. Há coisas que tu sabes que vão acontecer na tua vida porque tens o livre arbítrio para as escolher e naquele dia eu decidi que queria fazer parte do projeto de voluntariado no Brasil, mais precisamente na Favela da Rocinha no Rio de Janeiro. Eu já lá tinha estado, de visita, e conhecia a paisagem, os cheiros, os olhares e as movimentações, sabia bem o que ia encontrar.

Tinha plena consciência que ia atravessar algumas dificuldades antes da partida e não me enganei. Decidi desafiar uma amiga, a Andreia, para me acompanhar. Sem hesitar ela aceitou e fizemos a candidatura juntas. Fomos aceites pela ONG local e estava dado o primeiro passo para a nossa grande aventura. Foi a partir desse momento que começaram a surgir as dificuldades.

Na minha cabeça só mantinha um pensamento: um problema de cada vez e tudo se há-de resolver. Comecei por pedir autorização no trabalho para estar de “férias” durante todo o mês. Apesar de algumas reticências iniciais e da tentativa de me demover, a minha chefe autorizou e agradeço-lhe por isso.

O segundo desafio foi comunicar à família a minha decisão, e naturalmente as reações não foram muito positivas. Os meus pais não entenderam a necessidade de fazer parte de um projeto desta natureza, argumentaram com a insegurança, criminalidade da favela, distância do país, tempo que íamos estar sem nos ver, etc. Um sem fim de argumentos que agora já nem me lembro. O meu pai perguntava-me todos os dias se eu já tinha desistido. Os nossos amigos chamavam-nos doidas, recordo-me que só duas pessoas me encorajaram. Não é fácil persistir e levar avante uma ideia quando tens “o mundo” contra ti. É nesta fase que é preciso ter força, por isso se vem da tua alma a vontade de fazer parte de um projeto desta natureza, persiste, insiste e nunca desistas. As dúvidas vêm, mas mantém-te firme que tudo sempre, se resolve pelo melhor.

Os homens são animais de hábitos e como tal, um mês depois da comunicação da notícia, os que comigo convivem, já se tinham habituado à ideia.

A ajuda do Para Onde? foi muito importante nesta fase em que nos surgiram imensas dúvidas. Sempre solicitas, respondiam aos e-mails com celeridade e tiveram imensa paciência connosco dada a quantidade de perguntas que fizemos.

A data chegou e no dia 01/05/2017 eu e a Andreia partimos para o Rio de Janeiro. Fomos acolhidas pela ONG local e depois de instaladas fomos fazer uma tour pela Favela. Eu conhecia bem aquela paisagem, mas viver lá… isso eu não sabia como era.

A minha história não se faz só de aspetos positivos, houve dificuldades, houve dúvidas se teríamos feito uma boa escolha, houve frustração inicial e tivemos problemas logísticos. Mas no fim da história … isso não foi muito importante. Ficou definido após reunião com a presidente da ONG que eu e a Andreia ficaríamos a fazer trabalho de manhã na creche e a tarde no reforço (o que em Portugal denominamos ATL).

Acreditas em amor à primeira vista? Foi isso que aconteceu connosco quando entramos na escolinha. As crianças são o melhor do mundo mesmo, e ainda agora consigo sentir os abraços os beijos e as gargalhadas de cada um deles. Tem noites que ainda sinto as mãos de algumas delas enroladas nas minhas. E eu? O que tinha para lhes dar além da minha presença? O princípio da ação e reação é infalível e quando tu recebes amor, dás amor. Tenho a certeza absoluta que não há amor mais genuíno que aquele, totalmente desinteressado cheio de ternura e com uma pitada de inocência, tão característica das crianças. Na escolinha aquilo que fazíamos era dar amor e dar uma ajuda às educadoras quando era necessário, fosse na hora do lanche, limpar os espaços, dar apoio nas várias atividades que os meninos tinham durante a manhã, enfim, fazer o que fosse necessário. Como diz a Andreia: “Por uns instantes, fecho os olhos e ouço a voz de cada um deles a chamar tiaaa”.

Na casa onde decorriam as atividades de reforço e alfabetização o nosso trabalho era de partilha, presença e disponibilidade com os jovens e adolescentes e preparação do lanche que a ONG distribuía gratuitamente a todos os alunos. A nossa presença era muito importante no sentido em que conseguíamos atrair aqueles jovens para conversas sobre o mundo, o país de onde vínhamos, as nossas profissões e um sem fim de temáticas que faziam os faziam abstrair-se da sua realidade. Sentia-me muito bem lá, mas o meu coração já bem molinho, derreteu quando uma das meninas me disse: ”Tia, eu amo você”.

Eu não gosto muito de despedidas, causa-me aperto, desconforto. Então saio sempre sem fazer muito barulho. Foi assim na Rocinha também. Falamos com os mais crescidos que estávamos de partida, trocámos contactos, despedimo-nos dos meninos com o olhar e pensamento na certeza que era só um “até já”.

Dias de trabalho com crianças e jovens, segundas-feiras à noite de samba, fins-de-semana de passeio, últimos 3 dias de praia, tudo isto sobre o olhar atento do Cristo que lá do alto tudo via, tudo sabia e nos abençoava todos os dias.

A experiência da Manuela na Palestina

Um rasgo de sorte trespassa freneticamente o meu imaginário. A oportunidade de ir à Palestina ilumina-se quando me dão conta que a organização Para Onde? tem disponível um programa de curta duração de voluntariado no país que me acalenta o coração. Daqui em diante uma imensidão de dúvidas intromete-se pelo meu espírito, no entanto, uma certeza apenas imperava, os sonhos são matéria-prima em estado bruto prontos a serem esculpidos por uma irresistível força de vontade. Força essa que transporia espíritos, superaria corpos esbatendo-se longínquas fronteiras.

A chegada a Ramallah desvendou uma cidade jovem, dinâmica, movimentada por uma massa humana repleta de vivacidade e um colorido que tomavava vivacidade nas agitadas batas das pequenas crianças que em pequenos grupos ou acompanhadas se encaminhavam para um outro dia de aprender.

É hora de avançar até outras paragens. O campo de voluntariado aguarda-me numa viagem que a bússola indicará certeiramente para norte, Nablus aguarda-me.

A chegada ao campo é digna de um relembrar acompanhado de um sorriso, um conjunto de estradas e caminhos por onde o automóvel me embala em deliciosos solavancos tornam a viagem numa jornada em nada aborrecida e com traços apetitosamente excitantes.

O desligar do motor marca o início das saudações iniciais com os voluntários que organizam e lideram o campo, à sentida receptividade dos mesmos acresce a reluzente empatia de Palestinianos que colaboram com o mesmo e nos fornecem acolhedores locais de dormida excedendo-se ainda em deslumbrantes e palpitantes refeições arrebatadoras que cumprem fielmente a linha de excelência da gastronomia árabe.

Com o raiar do sol dão-se começo às actividades agrícolas desempenhando os voluntários um precioso trabalho em estufas sempre entrecortados por pausas tanto para xay, (chá), como para qahua, (café).

O trabalho nas estufas consistia na ajuda à manutenção das mesmas através da remoção de ervas daninhas, alinhamento das guias com a colheita futura e a recolha da colheita. A complexidade das funções descrita era reduzida e a carga física requerida situar-se-ia na nulidade. O trabalho era leve e aprazivelmente entrecortado por um infindável número de paragens para a ingestão de bebidas ou de pequenas refeições. A intensa e prazerosa degustação dos múltiplos chás que pude apreciar foi em si uma experiência valiosa e um estímulo para qualquer tarefa em que me empenhasse.

Da mesma forma que o trabalho dos voluntários com a terra Palestiniana não servia o propósito directo de retirar daí qualquer proveito material as pausas não encerravam apenas pressupostos alimentares. Os intervalos propunham-se a um inestimável convívio com o restante grupo de voluntários, como também e especialmente com os Palestinianos, surgindo desta simbiose um acréscimo de conhecimento que se direccionava para o recanto das memórias mais belas e se alojava nas profundezas da minha alma que abulia agora com as histórias, conhecimento e mágoas deste povo.


No período da tarde, alternava-se entre visitas às maiores cidades Palestinianas ou actividades lúdicas de contacto com o meio envolvente ao campo e de conversas e workshops sobre a história da Palestina e Palestinianos.

Mas não só na questão da terra os voluntários puderam dar o seu contributo, o auxílio prestado na pintura de uma escola e plantação de árvores na área no campo foi um acto revestido a esperança para as gerações mais jovens.

Após as estufas, afigurava-se premente uma passagem pela escola de forma a desenvolver algum trabalho em proveito das crianças Palestinianas. Algo que veio a tomar forma na limpeza do recreio da escola, pintura de muros e ainda a criação da bandeira Palestiniana.

Só após viver esta realidade mistificada pelo sonho me apercebo de algo. Só agora me apercebo que o paladar que sempre me acompanhou eram vestígios de um povo inefutável. A minha boca é agora uma convulsão de gerações passadas que lutaram pela liberdade com um travo do presente daqueles não que se resignaram e que nunca cairão verdadeiramente, os meus lábios serão doravante um incessante propulsor oratório de uma história sem fim, com começo, mas ainda sem fim. Porque o horizonte nunca se extinguiu no olhar da Palestina.
Envolta e coberta por um passado de resistência delineado num imenso kufya, (lenço Palestiniano), tecido a Esperança, gritarei incansavelmente a plenos pulmões, “Viva a Palestina Livre!”.

 

A experiência da Madalena no Luxemburgo

Aqui fica o testemunho da Madalena que ajudou a criar um jardim comunitário em conjunto com outros voluntários internacionais e refugiados residentes na cidade:

“Em termos de organização (que neste workcamp estava a cargo de EVS’s) foi excelente. Tivemos direito a um passe de transportes públicos em todo o país, comida deliciosa, preparada em conjunto com todos (e aqui tenho a dizer que foi maravilhoso conhecer a gastronomia Iraquiana e Afegã, e em termos de alojamento estávamos numa casa de escuteiros muito confortável e bem equipada.

No entanto, e como é comum, o que por marcar mais foram as pessoas e a própria beleza do Luxemburgo (as florestas neste país são incríveis). Trabalhar com refugiados fez me “humanizar” o conceito de refugiado. Isto é, deixou de ser algo que estava longe, e consequentemente era impessoal, para algo bem próximo, dentro da esfera pessoal. Sempre fui da opinião que é quase uma “obrigação moral” ajudar, mas nunca tinha de facto abraçado isso.

Estou a ficar sem ideias para “palavras” que possa escrever mais, mas penso que a melhor mensagem que trouxe comigo (já a tinha ouvido mas nunca a tinha vivido), é que no fim do dia, quando chegamos a cama, as únicas coisas que de facto interessam é ter um tecto, comida e amor para dar e receber.

(parece que estou a hiperbolizar os meus sentimentos mas tudo o que escrevi, senti)

Obrigada
Madalena”

A experiência da Liliana na Indonésia

Desde sempre que tencionava fazer voluntariado internacional, mas tinha receio de ir sozinha. Tinha como objetivo para este ano viajar 1 mês pela Ásia. Entretanto, surgiu a oportunidade de uma colega me acompanhar nesta viagem e que me sugeriu fazer voluntariado através da associação Para Onde. Assim, só precisei de negociar as férias no trabalho, arrumar a mala e partir para a aventura. Aquando da partida, soubemos que se iria juntar outra portuguesa e ainda uma japonesa.  Quanto ao campo escolhido: fica na ilha de Java, a 5 horas de comboio de Jacarta, junto a um campo de prostituição (Peleman Edu Camp). Inicialmente, pensei que iria estar envolvida apenas nas tarefas do campo e com as crianças, mas no primeiro dia deparei-me com uma realidade completamente diferente. Quando chegámos, fomos convidadas a ficar hospedadas na residência oficial do regente do distrito. Na manhã seguinte tínhamos à nossa espera jornalistas que nos entrevistaram para saberem quem somos, o que nos levou a fazer voluntariado e em que este consistia.  Após este momento, percebemos que a nossa estadia também tinha uma vertente política e de envolvimento na comunidade.


Quanto às tarefas de voluntariado:
– Durante as manhãs fazíamos a ronda pelas escolas primárias e jardins de infância, onde fazíamos algumas atividades com as crianças: origamis, ensinar a lavar as mãos, como escovar os dentes, entre outras; e de seguida íamos apresentar-nos aos governos locais, como forma de promoção do campo e das suas atividades.

– Quando as crianças regressavam da escola continuávamos com outras atividades como: ginástica, artesanato com materiais reciclados, batik (técnica que aprendemos no campo também e que consiste em pintura de tecidos, os quais são muito usados no vestuário dos indonésios), graffiti, tocar Tambourine (instrumento musical). À noite fazíamos atividades multiculturais: aprender as línguas de cada pais (Indonésio, Português, Japonês), aprender danças e canções tradicionais, cozinhar um prato típico de cada país (acabámos por fazer arroz doce :) ).

Para quem faz voluntariado, o que mais ouve é que o que se traz da experiência é muito superior ao que podemos dar, e, no meu caso, as expectativas foram amplamente ultrapassadas. Não imaginam a loucura que era quando nos pediam para tirar uma foto, ou quando chegávamos a uma escola a curiosidade das crianças a correrem até nós. Para mim, estas 2 semanas passaram a correr, afinal tive oportunidade de fazer tanta coisa diferente, interagir com outra cultura, divertir-me e conhecer pessoas que me fizeram sentir como se fossem a minha família. Para quem está em dúvida se deve embarcar numa aventura deste género, só posso aconselhar a não hesitar, porque apesar de se sairmos da nossa zona de conforto, acabamos também por ver a vida de uma forma diferente e bem mais positiva.

Sei que irei novamente… só me falta decidir Para Onde!

Liliana Guerra

A experiência da Raquel no Reino Unido

Foi em Etwall, nos idílicos campos rurais ingleses, que me deparei com o Tara Kadampa Meditation Center. Era aí que ia “viver” durante 10 dias, a ajudar preparar a UK Dharma Celebration. Com honestidade admito que ia um pouco a medo, primeira viagem de avião sozinha, primeira experiência de voluntariado internacional. Mas rapidamente o nervoso miudinho foi substituído por todas aquelas coisas boas: entusiasmo, curiosidade, e, claro, graças ao Para Onde, a certeza de que se algo corresse menos bem não era necessário ficar muito ansiosa, porque havia uma rede de apoio cá (em Portugal) e lá (em Inglaterra).

 

Mas sigamos para o mais importante: o trabalho e as pessoas. Não vou aqui inventar cenários perfeitos, sim o trabalho não é sempre fácil, tivemos de mover mobílias pesadas, carrinhos de mão cheios de gravilha, e até limpar 470 cadeiras (não, não estou a exagerar, nós contámos). No entanto o staff era mais que prestável, garantindo que os quartos eram do nosso agrado (e eram mesmo), que estávamos bem alimentados (e se não têm problemas com comida vegetariana incentivo-os a ir, nem que seja só para comer as iguarias que os voluntários preparam uns para os outros), e que, em geral, estávamos bem. O nosso trabalho resumia-se a 5 horas por dia (3 de manhã e 2 à tarde), e a possibilidade de no tempo livre participar na meditação da hora de almoço ou nas cerimónias de oferendas ao fim do dia. Para além disso, tivemos 2 dias livres, em que fizemos um passeio pela natureza, visitámos a catedral e as lojas de Derby, e explorámos a vila de Tutbury.

 

Mais de metade da experiência prende-se com os outros voluntários. Vindos um pouco de toda a parte da Europa, partilhávamos um espírito divertido e bem-disposto, pronto para tudo e também para se rir muito. Aspirar carpetes enormes é muito melhor se estão todos a cantar música espanhola enquanto o fazem. A fogueira onde queimámos armários destruídos e ramos cortados transformou-se depois do pôr-do-sol com marshmallows e danças italianas. Não vou esquecer as tentativas falhadas de tentar arrastar uma lona cheia de ramos de árvores ao longo do que pareceram 2 quilómetros (mas na verdade não ultrapassavam os 20 metros) enquanto me ria às gargalhadas das caretas que a nossa colega belga fazia. O grupo tornou-se muito unido de um modo que não previa, não podia desejar ter partilhado esta experiência com um grupo melhor de pessoas.

Voltam comigo as boas memórias, as fotografias, o cartaz que era nosso dicionário improvisado, com palavras como “bom dia” ou “voluntários” escritos em oito línguas diferentes, e os contactos de amigos que ficarão para sempre comigo.

Se estão indecisos, pensando que se calhar voluntariado não é bem para vocês, pensem como eu: Estão com um espírito aberto? Querem conhecer pessoas novas? Estão prontos para ajudar no que sabem e aprender o que não sabem? Então vão. Se fui com tantas “primeiras vezes”, regresso com as expectativas altas para as “segundas”.

A experiência da Ana Luísa no Nepal

2017 foi o ano de realizar uma das experiências mais fascinantes que há tanto esperava: realizar voluntariado internacional. Foi um sonho de infância tornado realidade, foi um desprender de tudo, deixando tudo para trás e um agarrar gigante a uma nova forma de viver!
Durante três meses viajei pela Ásia. Conheci o esplendor da Malásia, os paraísos da Tailândia, a simplicidade do Vietname, e o caos, no destino mais improvável e esquecido de todos, o Nepal.

 


Foi no Nepal, neste pequeno recanto do mundo, que realizei uma jornada fascinante de voluntariado com crianças órfãs. O Nepal é um país de contrastes esmagadores onde impera a luta pela sobrevivência, mas mesmo assim, um país com um povo tão simples e tão único, um povo de coração aberto capaz de uma amabilidade extraordinária.
O Nepal é um cantinho do mundo esquecido onde, só na capital Kathmandu, segundo a ONU, há mais de 9.000 crianças de rua, órfãs e abandonadas à sua sorte que vivem em condições de extrema pobreza. Conhecido este triste fato, estava traçado aquele que seria o objetivo desta jornada de voluntariado no Nepal: crianças órfãs.

Os orfanatos no Nepal oferecem aquilo que é o essencial do essencial (e sem duvida fundamental): um teto! As crianças são retiradas da rua, às vezes, após anos a viver sozinhas. Tem então um lar, um espaço ao qual podem chamar “casa”, onde vivem com conforto e em segurança, longe do caos das ruas, sem carência de alimentação.
Nestas casas as crianças são felizes e o grande objetivo é que as crianças tenham acesso à educação. Infelizmente, sendo este um gasto muito elevado, nem todas as crianças acolhidas tem essa possibilidade.

 

A minha convivência com aquelas crianças rapidamente me mostrou que existiam várias carências: amor, afeto, regras, hábitos de higiene e alimentação adequados e acesso apropriado à aprendizagem e cultura.
É aqui que o voluntariado ganha força. É aqui que o trabalho desenvolvido se reveste de extrema importância para estas crianças.


Nos orfanatos de Kathmandu o dia começa bem cedo, com um pequeno almoço, que para mim tem tanto de estranho como de reforçado, constituído por arroz e sopa de lentilhas (o famoso dal bhat) e legumes muito picantes (que é como quem diz dolorosamente picantes). Após as crianças, literalmente, devorarem o pequeno-almoço, é hora de lavar os dentes, mãos e cara, vestir o uniforme escolar e ir para a escola.  Quando as crianças regressam da escola é hora de fazer os trabalhos de casa e rever a lição aprendida. As crianças adoram receber ajuda nestas tarefas, sendo que eu cuidadosamente ajudava nos trabalhos de inglês e matemática. Realizado o dever de estudo, as crianças ficam livres para atividades lúdicas. Entre badminton, andar de bicicleta, jogar às cartas, jogar à bola, ver televisão, fazer desenhos ou ler histórias há espaço e tempo para me pedirem (ou roubarem) muito mimo e colo, arrancando de mim um sorriso sem fim e um suspiro de amor.


Quero acreditar que o pouco do meu trabalho foi muito, quero acreditar que cada gesto de amor fez a diferença. Sei que não dei só o melhor de mim, dei-me a mim de uma forma completa e inteira e sei que recebi ainda mais do que aquilo que dei.


Regresso a casa uma pessoa diferente, mais simples e ao mesmo tempo mais completa, mais feliz, mais consciente e mais humana e sobretudo com o coração preenchido de amor e serenidade e com a certeza de que “é preciso tão pouco para ser feliz”.

 

A experiência do João no Reino Unido

Confesso que inicialmente a ideia de me lançar num programa destes não se devia exclusivamente ao facto de poder ajudar sem receber nada em troca. Tinha noção que além de ajudar, podia receber muito, como efetivamente se confirmou.

O voluntariado em Leckmelm Farm, Ullapool, na Escócia, proporcionou-me muitas coisas boas, que passo a enumerar:

  • Fiz parte de uma comunidade durante duas semanas que me recebeu muito bem e onde todos estiveram sempre disponíveis;
  • Conheci um país que não conhecia;
  • Convivi de perto com pessoas de diversos países, com experiências de vida e idades muito diferentes;
  • Melhorei o meu inglês;
  • Participei em atividades (trabalhos na quinta e na comunidade) que até então eram completamente desconhecidas para mim e que, graças ao apoio de todos, não foram tão difíceis quanto temia.

Acima de tudo, considero que foi uma experiência muito gratificante a nível pessoal, pois fiz parte de um grupo de 5 voluntários que durante as duas semanas de workcamp se comportaram como uma família e permitiu estar num ambiente muito diferente do meu dia-a-dia, o que sem dúvida foi ótimo para “limpar a cabeça”.

Espero que a equipa do Para Onde? continue a desenvolver da melhor forma este excelente projeto e uma vez mais digo que estou ao dispor para algo em que possa ser útil.

Com certeza que vai ser uma experiência a repetir o mais breve possível, só ainda não sei… Para Onde :)

A experiência da Adriana em Moçambique

2016 foi um ano de mudança. Tinha chegado o momento de deixar tudo para trás e seguir um sonho antigo, o do voluntariado internacional. Graças ao crowdfunding consegui angariar o montante suficiente para ir fazer voluntariado em Moçambique. Em Agosto parti para Moçambique, mais precisamente para Chówkè, uma pequena cidade localizada a 200 km de Maputo.

Fiquei alojada em casa de uma família moçambicana, o que me permitiu viver esta experiência na sua plenitude. Com a Vovó Cacilda partilhava os meus serões, as minhas alegrias e angústias. A Vovó é daquelas pessoas que guardo com enorme carinho no coração. Este é um sentimento predominante, o de gratidão para aqueles que me receberam de braços abertos na sua terra. Khanimambo!

No ano passado uma grande seca fustigou a região afetando gravemente aqueles que todos os dias lutam pela sua sobrevivência, ou seja, a maioria da população. É devastador assistir tal situação em primeiro plano, faz-nos sentir inúteis e impotentes. Perante esta incapacidade de atuação, decidi fazer a única coisa que podia: empenhar ao máximo na missão e entregar de corpo e alma ao projeto. Passo a passo. Gesto a gesto.

Ao longo de 4 meses trabalhei em duas escolas e num Centro de Dia HIV. Nas escolas ajudei os alunos nos seus trabalhos de casa, dei explicações de Português, Matemática e Inglês. Sempre que possível, dinamizava a sala de Apoio com atividades extracurriculares, como expressão plástica e momentos de escrita/leitura. Exemplo disso foi a atividade “Se eu fosse Presidente de Moçambique”, a Agredisse surpreendeu a classe quando afirmou que “construía uma escola para os jovens para o ensinamento do amor e de como namorar para acabar com as gravidezes prematuras e indesejadas”.

 

Quanto ao Centro de Dia HIV, é constituído por cerca de 30 crianças e, ao contrário do que possa parecer, elas convivem bem com a doença e não se sentem desprivilegiadas por tal. No Centro passei muitos dos meus dias… dançámos, brincámos, trabalhámos, “assistimos”, rimos e chorámos (mais eu que eles). Cada dia era diferente, cada dia era especial. A genuinidade dos seus sorrisos e abraços penetravam o mais duro dos corações. Era impossível resistir-lhes.

 

Posso dizer que muitas coisas mudaram, mas quem mudou realmente fui eu. Mudei a forma como vejo o mundo, aprendi a aceitar a diferença e a ser mais tolerante com o próximo.

Eu vivi. Eu cresci. Eu aprendi. Esta experiência capacitou-me de uma forma que nenhuma escola o fez. Ensinou-me a ser humilde, a valorizar o que tanto que temos, mas principalmente o dom de Deus, a Vida.

Regresso a Portugal com a certeza que sou uma pessoa mais paciente, mais consciente e, principalmente, mais humana.

Por mais pequena que seja, sei que o meu pequeno gesto fez a diferença!

A experiência da Marta nas Maurícias

Aquele nervoso miudinho começa a crescer, quando estou no avião quase a aterrar e penso “devo ser louca”. A paisagem vai-se aproximando e reforço a certeza de ter escolhido bem o lugar à janela, mesmo com menos idas à casa-de-banho. Tudo verde, o mar, as imensas montanhas, através do que as nuvens deixavam descobrir.

Para a maioria das pessoas, as Maurícias são praias paradisíacas. Para mim também eram. Tive dúvidas em como poderia vir a sentir a experiência pessoal que procurava que me mudasse, num sítio considerado tão turístico. Claramente não sabia o que me esperava.

O que conheci foram as verdadeiras Maurícias. As Maurícias do Inverno em Julho, com chuva, longe da praia, por muito que a ilha seja pequena. Foram as Maurícias de Moka, onde estava a sede do workcamp, as Maurícias das pessoas normais, locais, tão reais.

Éramos 11 participantes no campo: eu, dois espanhóis, duas checas e seis mauricianos (duas meninas e quatro rapazes). Mas nas nossas primeiras horas, éramos mais. Éramos uns 20 ou 30, muita gente local que nos quis conhecer, jantar connosco, saber quem seria o grupo que ia pôr mãos-à-obra por um bocadinho do seu país.

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Vivíamos numa casa que pertencia à organização local, com três andares. O primeiro era térreo no exterior, com uns plásticos que nos protegiam da chuva e do vento. Era onde comíamos, conversámos durante o dia e nos encontrávamo-nos ao final da tarde depois de tomarmos banho. Depois tínhamos mais dois andares, um para os rapazes, outro para as meninas. Dormíamos em colchões no chão, cada um com o seu saco-cama. Tínhamos duas casas-de-banho com água fria, uma cozinha e não havia Wi-Fi.

Foi nesse espaço que nos tornámos uma família. Não é cliché, é mesmo verdade. Durante 2 semanas partilhámos as vidas, olhámos nos olhos, entendemo-nos com graça, com risos. Com calma e com um coração gigante. Não há palavras que descrevam a bondade constante dos mauricianos, a dedicação. E foi uma magia sortuda poder descobri-los pouco a pouco, dia após dia. Não vi maldade, não vi egoísmo em 15 dias seguidos. E isso muda qualquer um!

O nosso workcamp consistia em trabalhar num bairro social, especialmente numa “casa” de uma divisão, onde viviam 5 pessoas: a mãe e quatro filhos, o maior já com 16 anos. A história da família é trágica, mas merece ser contada para entender por que foram os merecedores da nossa ajuda. Eram uma família normal, com trabalho, iam à escola. No entanto, num dia fatídico, a filha mais nova, com 4 anos, morreu atropelada por um tractor no meio de um dos inúmeros campos de cana de açúcar. O pai entrou em depressão e suicidou-se. A mãe tornou-se alcoólica e perderam tudo. Conseguiu forças para largar o vício e dar um tecto aos seus quatros filhos. Precário, a partilharem os mesmos 5 m2, mas ainda assim, um tecto.

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Todas as manhãs, por volta das 9h, íamos nós encavalitados em 2 carros, sem cintos, para este bairro, em Curipipe. No início chocou. Chocou-nos a nós e aos locais. Olhavam-nos de lado, os cães ladravam, os miúdos não saíam de casa e sentimo-nos um bocadinho intrusos, provavelmente porque não foi bem explicado à comunidade o que estávamos ali a fazer.

Tínhamos um casebre onde deixávamos os materiais, as malas e os sapatos, e onde nos preparámos para o trabalho físico: botas e luvas de borracha e muitos sacos do lixo à volta para nos proteger da chuva; afinal de contas, não havia gabardines para todos e quase ninguém tinha ido bem preparado para o Inverno.

Ao longo de 10 dias, com dedicação, paixão e amor ao próximo, limpámos a maior lixeira que vi de perto, que estava mesmo à frente da casa da família. Sacos e sacos e mais sacos de lixo e a lixeira não diminuía. Cheirava mal? Claro que sim. Isso impediu-nos de nos divertimos? Claro que não! Sempre que tirávamos uma mala, uns sapatos, simulávamos um fashion show para nos rirmos. Sempre que aparecia uma roda de uma bicicleta, fingíamos que a montávamos até ao contentor do lixo.

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Com o passar do tempo, no segundo ou terceiro dia, o bairro mudou. Passou a aceitar-nos, passámos a sentir-nos parte deles. Não podíamos comunicar muito, porque só falavam crioulo, mas os gestos fazem milagres. As crianças já brincavam connosco, fazíamos caretas e riam-se muito! Os cães já não se importavam connosco e continuavam nas suas sestas infinitas. As senhoras velhotas insistiam em carregar baldes de gravilha, mesmo que fossem demasiado pesados.

Fazíamos pausas com a comunidade, alguns almoçavam connosco. Fizemos torneios de futebol ali, no meio da estrada, descalços no alcatrão. Duas pedras a fazer de baliza e uma bola rota que andava por ali perdida. É preciso mais? É tão mais reconfortante viver na simplicidade.

Com a sua ajuda, construímos uma horta para que a comunidade pudesse plantar os seus legumes, para comerem de maneira mais saudável e pouparem um bocadinho mais. Movemos pedras para a frente e para trás, tantas vezes que já nos ríamos de voltar a fazer uma fila à chinês. Mas ficou bonita a nossa horta. Nos últimos dias, já em modo recta final, conseguimos os materiais para fazermos cimento e, assim, começar a fazer uma nova divisão para a casa, para terem mais espaço e um bocadinho mais de privacidade. Misturámos gravilha, terra e água no chão com pás, e de repente tínhamos um chão com ar muito profissional!

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Toda esta experiência foi ainda mais inesquecível devido ao grupo de voluntários. Aos amigos incondicionais que nasceram em meia dúzia de horas. Aos pequenos gestos, que se tornaram tão grandes. A um carinho que apetece trazer para casa. As checas começaram muito tímidas, os espanhóis a falar entre eles, eu a saltitar um pouco entre a gente. A comunicação saltava entre o inglês, o francês, o catalão, o espanhol e o crioulo mauriciano. De alguma maneira, foi assim que nos conhecemos, com expressões de cada um.

Todas as noites, depois de jantarmos todos juntos, tínhamos uma reunião para falar sobre como tinha corrido o dia. Good evening guys, era o chamamento, quando nos tornávamos mais honestos, construtivos e tão unidos. Nas Maurícias, ou pelo menos ali, planeia-se muito tudo. Planeia-se o dia seguinte ao detalhe, o que vamos fazer em cada hora. Quando chega o dia seguinte, os planos mudam totalmente. Mudam os horários, muda a dinâmica, muda a acção. No início frustrou um bocadinho. Depois adaptamo-nos e é tudo melhor, com calma, muita calma. Que tranquilidade de maneira de viver!

Depois da reflexão sobre o dia, juntávamo-nos todos num dos quartos, em rodinha ou deitados nos colchões, com umas cervejas e música de fundo, especialmente em francês. Hoje, quando ouço essas músicas, voo quilómetros e volto a sentir-me nesse chão onde partilhámos quem éramos. Passavam-se horas na conversa e a rir, a descobrir mais de cada um, a criar ligações que só este ambiente permite. Foi assim que nos tornámos essenciais, foi assim que nasceram os abraços, a confiança que só se tem com quem vivemos tão intensamente e de maneira tão verdadeira.

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Tivemos dois dias livres de descanso. Num deles, fomos à capital, Port Louis. Já fomos tarde, porque a noite anterior tinha sido longa. Fomos com os nossos colegas das Maurícias, então estávamos à vontade. Apanhámos o autocarro directo e passámos o dia a passear pelas ruas antigas e pela zona moderna.

No outro dia livre, queríamos ir à praia. Apesar de estar (sempre!) mau tempo em Moka, bastava afastarmo-nos uns 20 minutos de carro e encontrávamos o sol e a praia por que tanto ansiávamos. Saímos por volta do meio-dia para apanhar um autocarro, pelo qual esperámos 40 minutos e nunca chegou a aparecer. De repente passa uma carrinha de 10 lugares e, sem sabermos bem como, estávamos lá dentro em direcção ao nosso destino, começava a aventura! Deixou-nos numa vila, os mauricianos estavam convictos e fomos a um mercado comprar comida típica, coisas estranhas que não sei confirmar o que comi. Mas provei de tudo, não podia negar essa experiência.

Enquanto comíamos, levaram-nos a ver o mar. Bonito, azul, que vontade de mergulhar! Onde está a praia? Era preciso apanhar outro autocarro, que por sorte estava à nossa espera na paragem. Entrámos, esperámos. Esperámos mais de meia-hora, porque o condutor não aparecia, e não fazia mal. Não havia uma única pessoa chateada, ansiosa, revoltada ou stressada com o atraso. Nós e todos, esperámos com calma, com uma paz interior!

Chegámos finalmente à praia, com os aviões a passarem a meia dúzia de metros de altura. Água cristalina e o sol que desapareceu em menos de duas horas. No meio disto tudo, perdemos o autocarro de volta; sem stress. O plano: atravessar um enorme campo de cana de açúcar à noite, para chegar à vila ao lado onde teríamos outro autocarro. Apesar de surreal, pareceu-nos o plano perfeito. Íamos com música, copos de rum e um bom feeling de paixão profunda pela vida. Pelo caminho, aparece outra carrinha de 10 lugares: “precisam de boleia?” Entramos, luzes néon, música aos altos berros, que energia! E levou-nos a casa.

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Os últimos 4 dias do workcamp foram passados em cima de uma bicicleta. Todos os anos celebram a amizade e a paz com uma volta à ilha em duas rodas. Pareceu-nos a ideia perfeita para conhecermos as Maurícias, ver cada quilómetro que percorríamos com a nossa força. Confesso que foi duro, muito duro. Uma média de 30 quilómetros por dia, com muitas subidas e descidas. Se voltava a fazer? Agora que já me esqueci das dores e do cansaço, digo já que sim!

Foi das melhores experiências!! As Maurícias têm uma beleza natural incrível, umas montanhas que nos deixam sem folgo e uns campos de cana de açúcar de perder de vista. Foram quilómetros e quilómetros de olhos apaixonados, de companheirismo de “vamos, tu consegues, estamos quase!”. De ter de parar para admirar, já sem força para tirar fotos, para respirar tanta pureza. Foi incrível!

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A melhor parte do dia era quando chegávamos ao destino, exaustos. A meta era sempre uma das tais praias paradisíacas famosas do país. Água quente e cristalina, o sol a desaparecer, a areia fina e os músculos a relaxarem nas braçadas juntos, nas palhaçadas dentro do mar, na água de coco partilhada ou nos mini-ananases que vendiam as barraquinhas.

Montávamos as tendas, enormes para 6 pessoas cada, jantávamos à luz da fogueira. Abraçávamo-nos muito com a sensação que o fim da aventura estava próximo, e dormíamos que nem pedras em cima da areia, porque o corpo pedia descanso.

Esse fim da aventura chegou, já de volta a Moka. Com despedidas na cascata, com as últimas cervejas da viagem. Estava triste, mas tinha o coração tão feliz! Senti-me tão sortuda por tudo o que vivi e senti, por me terem voltado a ensinar o que é a calma, a amizade verdadeira, o coração puro, a dedicação desinteressada.

As pessoas, esse amor que nasceu, foi o que trouxe para casa, o que me enche as memórias. Estou realmente grata pela experiência incrível que me abriu o mundo dos workcamps, quero voltar a fazer outro já, já, já!!

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