A experiência da Inês na Alemanha

Testemunho da Inês, que ajudou a preservar um memorial de um antigo campo de concentração na Alemanha:
“Queria só agradecer-vos mais uma vez pela extraordinária experiência que me proporcionaram! Foi de facto único sentir que, de alguma forma, estávamos a fazer a diferença. Num mundo tão conturbado como aquele em que vivemos hoje, é importante preservar o passado (por mais atroz que seja!) para construirmos um futuro melhor. Foi duro ser confrontada, na primeira pessoa, com toda a real barbárie que aconteceu na 2ª guerra mundial. Acredito que é na educação e informação das pessoas pela preservação destes espaços que se pode alicerçar um futuro sem preconceitos em que aprendamos a viver e respeitar as diferenças, sejam elas de ideologia, religião ou etnia! Temos definitivamente mais em comum do que as diferenças que nos possam separar! No próximo ano, lá estarei de novo!”

A experiência da Catarina e da Marta na Ilha da Boavista, CV

Há uma ilha em Cabo Verde feita de paisagens áridas, praias desertas, a perder de vista, rodeada de um mar cristalino e cálido. Há um tempo que não tem matéria, corre lento, e a pressa não tem nome de coisa alguma. Há gente que vive ao compasso da vida sem stress e é prova viva desse sentimento cabo-verdiano que se dá pelo nome de “morabeza”.

E podia ser assim o início da nossa história na ilha de BoaVista.

Aterramos no aeroporto de Rabil dia 2 Setembro. O calor colava-se ao corpo enquanto os nossos olhos tentavam captar tudo o que nos rodeava. O Lamine (presidente da associação) estava à nossa espera. Depois das primeiras palavras e de um abraço de motivação e confiança partimos para a nossa aventura.

Primeira paragem – o Bairro onde íamos trabalhar – Bairro da Boa Esperança (ou “ A Barraca”, como a maioria das pessoas lhe chama).

 

Custa respirar. Há um arrepio no corpo e um nó no estômago. O calor faz-se sentir cada vez mais e o cheiro nauseabundo, intensificado pelas chuvas, confronta-nos. Percorremos ruas de terra, com casas feitas de pedra, plástico e ferro. Ruas cheias de pessoas de diferentes nacionalidades, que imprimiam no olhar a esperança que dá nome ao bairro e nos saudavam com um “tudu dretu”, como sempre tivéssemos pertencido ali.

Há absurdos que doem quando damos de caras com realidades que não a nossa. Ficamos com uma espécie de vergonha muda dos recursos gigantescos que temos na nossa vida, muitos bem acima das necessidades e, mesmo assim, sentimo-nos sempre em falta. Ali tudo é escasso…a luz, a água, os saneamentos, as condições de saúde, a educação…tudo menos o amor, a gratidão e a esperança. É disso que o povo se alimenta, juntando aos temperos a alegria do funaná e da morna nas noites quentes no Grill Sirocco e no Café Kriola.

“O Xururuca”. Assim se chama o jardim-de-infância onde trabalhámos. O nome nasceu de uma história antiga, onde o mundo da fantasia e da imaginação ajudou uma criança a encontrar a alegria e o carinho que tornam o mundo um lugar melhor.

É isso que acontece no jardim, ou na casa, como as crianças lhe chamam…e sentem. Há imaginação, há sonho, há amor, há quem cuida com os recursos que tem para tornar a realidade um lugar melhor e feliz.

As crianças sorriem, abraçam, saltam e ecoam “tia, tia, tia” a toda a hora. Foram assim os nossos dias no jardim. Há um lado selvagem e livre no pé descalço daquelas crianças que torna a tarefa de mante-los numa sala, concentrados numa atividade, no mínimo, desafiador. Mas a frustração e cansaço dos primeiros dias de não conseguir concluir uma tarefa ou orientá-los como queríamos deu lugar ao folgo apaziguador dos abraços e das gargalhadas e ao lado positivo do desafio diário. Desporto, ATL de Leitura, Inglês, Teatro, Ciência, Artes plásticas, Culinária, Cinema preencheram as atividades, pelas salas dos 2 aos 5 anos.

O que ali vivemos e aprendemos juntas vai ficar nosso para sempre. Foi gostar sem preconceito, partilha sem arrogância e carinho sem caridade. Vai deixar aquela saudade doce que dá à esperança um nome sentido. Os beijos da Débora, a energia da Lalita, o “despacho” da Verónica, as tolices do Sandro, os sorrisos malandros e rasgados do Adilson e do Samuel, a doçura da Taissa e da Gabi (não cabem aqui todos) deram-nos mais do que aquilo que lhes conseguimos dar. Mais ainda. As professoras – a Sabrina, a Lezita, a Lucy, – o Lamine, o Para-Onde e todas as outras pessoas com as quais nos cruzamos deram-nos a oportunidade de nos superarmos e sermos melhores de uma forma divertida e genuína.

Não sabemos se um dia os nossos caminhos se irão voltar a cruzar … mas regressamos com a certeza que daquele lugar os maiores souvenirs que trouxemos foram os sorrisos com tanta coisa lá dentro, os abraços preenchidos e o íman que vamos colar no frigorífico são as memórias de um mês inesquecivelmente feliz.

A experiência da Filipa na Ilha da Boavista, Cabo Verde

O regresso foi bem mais doloroso que a partida.

Em Setembro embarcava na primeira experiência de voluntariado fora de Portugal. Os nervos de principiante iam tomando conta de mim desde o momento em que recebi a mensagem do Para Onde? “Foste aceite”.

O frenesim de partir era grande e acompanhado sempre de questões “e se”, “porque”, “como será” e de repente la tinha chegado a hora de partir em busca do desconhecido.

Entrei no avião rumo à ilha da Boa vista, 4h de ansiedade para pisar terra firme e começar a ser absorvida pela energia cabo-verdiana. Fiquei a trabalhar na associação ACUB que dá apoio a cerca de 150 crianças e as acolhe durante o dia e presta os cuidados necessários para que possam progredir por um futuro melhor. Fui recebida de braços abertos por todos e senti-me acarinhada cada dia que lá permaneci.

Confesso que o primeiro impacto com o bairro Boa Esperança ou “Barraca” como é carinhosamente conhecido é de respirar fundo e pensar como é que em pleno sec. XXI existem pessoas a viver em condições tão precárias, mas rapidamente esse pensamento se desvanece porque somos absorvidos por olhares doces e sorrisos rasgados por todo o lado, daqui e dali se ouve um “Bom dia”, “tud dret” ,”tia tia”.

Nestas 3 semanas tive o privilégio de trabalhar com crianças entre os 3 e 5 anos e que, como em qualquer outra parte do mundo querem brincar, estão no auge da sua energia. Por vezes conseguir captar atenções nem sempre é bem-sucedido, mas não desesperem não se sintam frustrados hoje não correu bem amanhã será certamente melhor, este é o lema que trago de lá! :)

Trago comigo milhares de recordações que jamais esquecerei, cada sorriso, cada abraço apertado. A experiência foi, sem margem para duvida, a melhor que já vivi. Um conselho para quem vai: Vão de coração cheio, despidos de preconceitos e ideias pré- concebidas. Apenas… vão! Espera-vos um povo caloroso, com um calor que só eles sabem oferecer.

A experiência da Inês em Arraial d’Ajuda, Brasil

Não podia ter escolhido melhor projecto. Superou as minhas expectativas. Arraial d’Ajuda é um lugar maravilhoso com paisagens lindas, tranquilo mas cheio de vida. A Associação é um projecto com pessoas incríveis que lutam diariamente para fazer deste espaço um lugar onde os sonhos são possíveis e da educação um direito de todas as crianças. Os valores baseados no amor, respeito e gentileza reflectem-se em tudo o que fazem e como se relacionam connosco e com as crianças. Fui super bem recebida e as crianças são mesmo o melhor exemplo do sucesso da associação com um enorme sentimento de gratidão e respeito para com aquele lugar e com as pessoas que dele fazem parte. Vim de coração cheio com todo o carinho que recebi.

A experiência da Teresa em Zanzibar

O inicio é sempre o mais complicado, quer seja para começar um testemunho como este, quer seja para tomar a decisão de partir em busca do desconhecido, mas a verdade é que assim que ganhamos “balanço” tudo acaba por ir rolando, sem sequer termos de pensar muito no assunto. A minha experiência foi mais ou menos isso. Desde que me lembro que sempre quis ter uma experiência de voluntariado fora de Portugal, mas parecia que nunca mais arranjava essa oportunidade, até que dei de caras com o Para Onde e encontrei um campo de voluntariado à minha medida. Optei por ir para Zanzibar (uma ilha na Tanzânia da qual eu sinceramente quase não tinha ouvido falar) para participar num campo de voluntariado em que as principais atividades seriam plantar mangrove e ensinar inglês a crianças.

Quando chegou o dia de partir, sinceramente parecia que nem estava bem em mim: eu estava à espera de estar com aquele nervoso miudinho mas a verdade é que não podia estar mais calma – quando entrei no primeiro avião parecia que ia só fazer mais uma viagem e quando finalmente pousei em Zanzibar parecia que estava simplesmente a voltar a casa. É estranho, eu sei, como é que me posso sentir a chegar a casa num sitio onde nunca tinha estado? Também não sei, mas gosto de lhe chamar amor à primeira vista.

O projeto em que estive a trabalhar teve a duração de três semanas, três semanas essas que sinceramente souberam a pouco – o que de facto é estranho porque quando estava lá tudo era “Pole Pole, Hakuna Matata” (o dia-a- dia daquele povo gira muito à volta da calma, da tranquilidade, do “já se resolve” e perceção do tempo é completamente diferente) e eu própria acabei por aprender a ir nessa onda, mas quando dei por mim já estava na hora de ir embora. Afinal o tempo passava mais rápido do que parecia (e do que devia!).

Na altura de deixar aquela ilha maravilhosa, tinha dentro de mim um misto de sentimentos: por um lado tinha o coração um bocadinho partido porque sabia que uma parte de mim estava a ficar para trás (peço desculpa pelo clichê mas é verdade), por outro tinha o coração mais cheio do que nunca – trazia comigo as memórias que criei com as pessoas maravilhosas que tive a sorte de conhecer, trazia a imagem da Tatu (a “minha filha adotiva”) a olhar para mim com os olhos mais lindos que já vi, e trazia comigo principalmente os miúdos (dos 11 aos 15) a quem demos aulas e que acabaram por ser a melhor parte de toda esta experiência. Sem dúvida que um dos momentos que mais me marcou foi quando, no último dia que demos aulas, os miúdos, que como imaginam não vivem nas melhores condições, levaram comida que tinham em casa para nos dar, desde laranjas a “snacks” – quiseram partilhar o pouco que têm connosco, e isso foi sem dúvida um dos gestos mais bonitos que alguma vez alguém teve para comigo.

 

Se ainda estão indecisos acerca do que fazer, não pensem mais nisso: vão… vão e pronto. Vão com a bagagem cheia de coisas para dar, o coração cheio de boa vontade e a cabeça repleta de ideias e garanto-vos que irão voltar com as malas mais leves mas com o coração cheio de felicidade e com a cabeça a transbordar de boas memórias – façam o que fizerem, vão ver que aquilo que recebem é muito superior ao que dão.

A experiência da Catarina na Bélgica

Em Agosto de 2017, realizei a minha primeira experiência de voluntariado fora do meu país. Foram dias tão maravilhosos que ainda hoje não encontro o melhor termo para os descrever. Fiz voluntariado na Bélgica num campo com 150 refugiados, entre os quais crianças, jovens e adultos. Todo o campo era constituído por refugiados de uma enorme variedade de idades, de diferentes culturas e de diferentes partes do mundo. Ao viver com eles, pude aprender muito a nível pessoal. Acredito que tudo se tenha tornado ainda mais gratificante pelo facto de ter vivido no campo, de as minhas refeições serem as mesmas que as deles, de ter praticado as mesmas rotinas… entre muitos mais pormenores que me deram uma enorme lição!

Passei momentos com todos que me encheram o coração, desde diversão e animação a momentos de partilha e conhecimento de histórias incríveis de vida e de histórias corajosas do momento de fuga dos seus países para um novo país. E ao ouvir cada história pensava sobre todo o sofrimento que cada pessoa que ali estava viveu e ainda vive, o que me fez muitas vezes questionar sobre a minha realidade, sobre a realidade de todos nós, porque nem sempre somos justos e nem sempre damos valor ao que temos, e acabamos por valorizar coisas muito insignificantes que ficam mais insignificantes comparativamente à realidade de todas aquelas famílias desamparadas, de todos aqueles jovens sem família, de todas as mães com filhos pequenos, de todos em fuga num novo país a viver com gente desconhecida e de costumes diferentes… de todas as situações ali presentes. Contudo, mais reflexivo era quando todos os dias os via com um enorme sorriso no rosto, sempre ansiosos pelas atividades, sempre felizes por terem com quem conversar. A energia positiva que pairava naquele campo ensinou-me a ser positiva. O afeto, humildade e amor que não faltava por ali, contagiou-me. Foi sentir que conquistei sorrisos, que partilhei amor, que cumpri uma grande e tão desejada missão!

Não me vou esquecer dos momentos de ternura partilhados, principalmente dos abraços fortes e quentinhos, com as lágrimas nos olhos, que recebi no momento da despedida.

Na minha curta, mas inesquecível estadia no campo sei que pude fazer o melhor. Ri, sorri, ouvi, cantei, dancei, brinquei, ensinei, conversei, aprendi. Trouxe uma parte deles comigo e deixei uma parte de mim com eles. As saudades já apertam, todos eles estão muito, muito guardadinhos no meu coração e muito presentes no meu pensamento dia após dia, com o desejo do melhor futuro que a vida lhes possa dar!

Trago comigo uma experiência extraordinária, que quero repetir, que recomendo e aconselho. Para além de ter mudado a minha vida, tenho a esperança que o meu contributo possa também ajudar a uma mudança na sociedade.

A experiência da Raquel na Islândia

Em Setembro embarquei numa nova experiência com o apoio do “Para Onde?” na Islândia. Por duas semanas, fiquei alojada num workcamp onde trabalhávamos sobretudo com plantas e tudo o que envolvia o seu cuidado: regar, plantar espécies, tirar ervas daninhas, colectar sementes, entre muitas outras coisas. Apesar do trabalho ser por vezes duro, era bastante gratificante ver o fruto do nosso trabalho e da nossa ajuda.

No fim do trabalho, tínhamos sempre tempo para visitar a Islândia e conseguimos realizar várias excursões.
Todas as pessoas com quem contactei foram sempre muito acolhedoras e o meu grupo era bastante unido e divertido.

Em suma, foi uma experiência fantástica em que conheci novas pessoas, novas culturas e um novo país de uma forma diferente e única. Foi, sem dúvida, uma experiência que quero repetir, quem sabe, noutros sítios!

A experiência do Paulo na Ilha de Santiago, Cabo Verde

Nem sei por onde começar!!!
A minha vontade de ir a Cabo Verde ja vinha desde de há muito (sentia um chamamento que estava difícil de ignorar) e este ano tive a possibilidade de viajar para lá, marcando uma viagem para um mês e meio. Sempre tive uma grande vontade de fazer voluntariado e decidi procurar, para juntar o útil ao agradável, e deparei-me com a página do Para Onde?, onde existia um programa para a cidade do Tarrafal, na ilha de Santiago… passei à prática, mandei a minha candidatura e a boa notícia chegou passado uns dias – “Aceite”!

O dia chegou e lá fui eu para Cabo Verde começando esta experiência em São Vicente onde me apaixonei logo por aquele povo caloroso, de sorriso fácil e de uma abertura sem igual! Foram dias inesquecíveis… passado duas semanas voei para Santiago, passando por cima do arquipélago e vendo as ilhas a passar e a me relembrar o quão bom foram aqueles dias em Mindelo (sem saber que o melhor ainda estava para vir).

Cheguei ao Tarrafal onde fui recebido de braços abertos! Vinha maravilhado pelas paisagens do caminho da cidade da Praia para o Tarrafal e fiquei ainda mais quando cheguei àquela baía de águas transparentes, areia branca e coqueiros para nos proteger do sol! Chegou o dia e às 7:30 da manhã estava de pé com uma grande excitação, interior, pois aquela hora da manhã não tenho muita força!

Fomos para a associação, recolhendo meia dúzia de crianças que aproveitam todos os dias a “boleia” e vão para a associação com os voluntários. Fiquei logo apaixonado por aquele meia dúzia, derreti-me quando vi os 33 “pikinotes” do jardim de infância que era onde ia ficar durante aquele mês! Aqueles sorrisos iam ser o meu café, pois a força que me faltava por serem 8 da manhã passava a um sorriso de orelha a orelha a cada chegada à associação!

Foram semanas únicas, de uma grande aprendizagem onde o que me marcou mais foi o sentido de partilha que aquelas crianças de 4/5 anos (e aquele povo) têm… aquilo não se aprende, aquilo já nasce com eles, é emocionante de se ver! Nunca houve um dia em que não me apetecesse ir “trabalhar”… lavar lençóis, limpar colchões, preparar as mesas para o lanche, pintar com eles, arrumar brinquedos, ler histórias, dar raspanetes, separar brigas, dar cambalhotas, mandá-los ao ar, fazer as minhas costas de escorrega, ir à casa de banho a correr quando estavam lá mais do que dois pois já estavam a inventar alguma das suas e muito, muito mais!

 

O dia menos esperado estava a chegar e eu já sofria com isso… o que fiz? Adiei o meu vou e fiquei lá mais 2 semanas…iam ser mais 2 semanas a dar e a receber amor, mas o dia menos esperado ainda estava lá e eu sem poder fazer mais nada… e ele chegou! A despedida dos pikinotes nem vale a pena dizer que foi um pranto, com a promessa que, mais cedo ou mais tarde, iria voltar nem que fosse um dia para os rever. A despedida da cidade também não foi muito agradável, partindo a olhar para trás até deixar de a ver e sempre a espreitar entre os montes da Serra da Malagueta para ver se conseguia ter uma última visão do Tarrafal que me fez sentir em casa naquele mês e meio!

Voltei para Portugal de coração cheio, mas só uma parte, pois tinha lá deixado um pedaço do coração nas mãos daquelas crianças! Contei as histórias, mostrei as fotos, falei (e ainda falo) dizeres deles, danço as músicas que ouvia lá, acordo com eles no pensamento e tenho o sentimento de saudade que dói… mas vai deixar de doer pois no próximo mês estou de partida por mais 2 meses de voluntariado e de procura de trabalho para ficar lá, fazer lá a minha vida, junto daquele povo, junto dos meus pikinotes, junto de CABO VERDE!

Obrigado ao Para Onde?, obrigado à organização local, obrigado às voluntárias, obrigado à Mariana, obrigado a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram nestes 2 meses! Gratidão é o que eu sinto neste momento… OBRIGADO!

A experiência do Helton na Bélgica

Acabo de regressar de um período de 15 dias de voluntariado em Bruxelas, através da associação Para Onde. Durante este tempo organizei e participei em atividades com crianças desfavorecidas, filhas de imigrantes. Participei na organização de ateliers, aulas de dança, saídas e jogos pela cidade (parques, piscina, praia e museu) e de um workshop de Capoeira.

 

A minha experiência em Bruxelas foi um grande “mergulho” cultural que irá, com certeza, contribuir para a minha formação pessoal e que alimentou imenso a minha motivação para continuar a ser voluntário. Pude viver com pessoas voluntárias provenientes de países e culturas diferentes, o que acabou por colocar à prova a minha capacidade de adaptação, tolerância e flexibilidade. Para além disso, partilhamos momentos bastante agradáveis, incluindo um “jantar multi-cultural” e um passeio pela cidade utilizando bicicletas providenciadas pela associação de acolhimento (o que foi uma experiência bastante engraçada).

A nível burocrático não tive qualquer problema, os membros das associações, tanto de envio (Para Onde) como de acolhimento, foram sempre simpáticos e disponíveis e o programa correspondeu ao que foi comunicado na Folha de Informação.

Para além de ter adorado a alegria e simplicidade das crianças, apreciei imenso a forma de trabalhar dos coordenadores permanentes da instituição de acolhimento. Todos os voluntários tiveram a oportunidade de dar a sua opinião e o seu contributo em todas as actividades desenvolvidas e o dias terminaram, na maioria das vezes, com uma avaliação. Estou feliz por ter embarcado nesta aventura sobretudo porque parti com a certeza de que contribui para a felicidade daquelas crianças, mesmo que durante apenas 15 dias.

Por fim, aproveito para agradecer aos membros da Para Onde por todo o apoio e simpatia.

Obrigado,
Helton Sanches

A experiência do João na Polónia

O meu nome é João Bacalhau, tenho 18 anos e sou aluno de Economia da Universidade Católica Portuguesa. Este verão decidi aventurar-me sozinho numa experiência de voluntariado no estrangeiro que marcou a minha vida. Parecem cliché estas palavras, mas são verdadeiras, sempre tive o desejo e a ambição de fazer voluntariado, poder dar um pouco de mim aos outros, a uma causa, poder fazer minimamente a diferença se é que isso é possível.

E assim tentei, inscrevi-me no Para Onde e escolhi um projeto que se enquadrasse com os meus objetivos, valores, propósitos e disponibilidade. Estive duas semanas na Polónia, a cerca de meia hora de Varsóvia, em Spisaka, num projeto chamado “Stokrotka”. Antes de vos falar mais sobre este projeto, quero salientar que o Para Onde sempre me deu o total apoio, em termos de logística, de tomada de decisões, de preparação, ou qualquer outra dúvida, estiveram sempre disponíveis e interessados.

Como referi, foi a primeira vez que fui para um projeto desta dimensão sozinho, portanto devem imaginar a ansiedade, o nervosismo, as altas expectativas, tudo isto tem de ser bem gerido e controlado, mas não custa nada e só agradeço ter escolhido este projeto porque regressei a Portugal com uma nova família.

O projeto consistia maioritariamente em organizar atividades desportivas, artísticas e culturais para crianças, ensinar-lhes inglês, envolvermo-nos com elas de modo a conhecer a sua realidade e dar a conhecer a nossa. Mas estas crianças eram especiais, todas são, mas estas foram as que estiveram comigo e as que pude ajudar, desde ciganas, a algumas com deficiências psicomotoras, a outras com graves problemas com pais alcoólicos ou toxicodependentes, crianças que só precisavam de mais atenção e cuidado.

Partilhei uma casa com sete pessoas que não conhecia de lado nenhum, de várias nacionalidades, vivi 24h sobre 24 horas com elas e como vos disse, tornaram-se amigos que levo para a vida. Foi uma mistura de culturas muito
enriquecedora, uma aprendizagem global fantástica.

A conjugação de uma cidade linda, barata, rica historicamente, com um grupo de jovens de diferentes idades, países, mentalidade, foi algo inenarrável. O sorriso daquelas crianças e aquele choro do último dia em que fomos embora são inexplicáveis mas de uma dimensão emocional incrível. Voltei a Portugal de coração cheio e com vontade de fazer muito mais.

Se tiverem oportunidade façam voluntariado!