A experiência da Teresa em Zanzibar

O inicio é sempre o mais complicado, quer seja para começar um testemunho como este, quer seja para tomar a decisão de partir em busca do desconhecido, mas a verdade é que assim que ganhamos “balanço” tudo acaba por ir rolando, sem sequer termos de pensar muito no assunto. A minha experiência foi mais ou menos isso. Desde que me lembro que sempre quis ter uma experiência de voluntariado fora de Portugal, mas parecia que nunca mais arranjava essa oportunidade, até que dei de caras com o Para Onde e encontrei um campo de voluntariado à minha medida. Optei por ir para Zanzibar (uma ilha na Tanzânia da qual eu sinceramente quase não tinha ouvido falar) para participar num campo de voluntariado em que as principais atividades seriam plantar mangrove e ensinar inglês a crianças.

Quando chegou o dia de partir, sinceramente parecia que nem estava bem em mim: eu estava à espera de estar com aquele nervoso miudinho mas a verdade é que não podia estar mais calma – quando entrei no primeiro avião parecia que ia só fazer mais uma viagem e quando finalmente pousei em Zanzibar parecia que estava simplesmente a voltar a casa. É estranho, eu sei, como é que me posso sentir a chegar a casa num sitio onde nunca tinha estado? Também não sei, mas gosto de lhe chamar amor à primeira vista.

O projeto em que estive a trabalhar teve a duração de três semanas, três semanas essas que sinceramente souberam a pouco – o que de facto é estranho porque quando estava lá tudo era “Pole Pole, Hakuna Matata” (o dia-a- dia daquele povo gira muito à volta da calma, da tranquilidade, do “já se resolve” e perceção do tempo é completamente diferente) e eu própria acabei por aprender a ir nessa onda, mas quando dei por mim já estava na hora de ir embora. Afinal o tempo passava mais rápido do que parecia (e do que devia!).

Na altura de deixar aquela ilha maravilhosa, tinha dentro de mim um misto de sentimentos: por um lado tinha o coração um bocadinho partido porque sabia que uma parte de mim estava a ficar para trás (peço desculpa pelo clichê mas é verdade), por outro tinha o coração mais cheio do que nunca – trazia comigo as memórias que criei com as pessoas maravilhosas que tive a sorte de conhecer, trazia a imagem da Tatu (a “minha filha adotiva”) a olhar para mim com os olhos mais lindos que já vi, e trazia comigo principalmente os miúdos (dos 11 aos 15) a quem demos aulas e que acabaram por ser a melhor parte de toda esta experiência. Sem dúvida que um dos momentos que mais me marcou foi quando, no último dia que demos aulas, os miúdos, que como imaginam não vivem nas melhores condições, levaram comida que tinham em casa para nos dar, desde laranjas a “snacks” – quiseram partilhar o pouco que têm connosco, e isso foi sem dúvida um dos gestos mais bonitos que alguma vez alguém teve para comigo.

 

Se ainda estão indecisos acerca do que fazer, não pensem mais nisso: vão… vão e pronto. Vão com a bagagem cheia de coisas para dar, o coração cheio de boa vontade e a cabeça repleta de ideias e garanto-vos que irão voltar com as malas mais leves mas com o coração cheio de felicidade e com a cabeça a transbordar de boas memórias – façam o que fizerem, vão ver que aquilo que recebem é muito superior ao que dão.