A experiência da Tatiana na Tailândia

Hoje abandono mais uma aventura. Uma aventura diferente. Ainda não me fui embora do país, mas já sonho voltar para aquela ilha.

Estou diferente. Nunca pensei querer deixar tudo só para ficar um pouco mais; e nunca mais irei ver a palavra Felicidade da mesma forma…

Todas as crianças com o seu brilho único e especial: desde a Apeng ao Kamphee, passando pelo Abdul e o Akim, seguindo para a dançarina Fahana e para a Yemma de franja, pela pequena Angun, o Mix e o Ko-Ta, e claro, pelo Pao-San. Não esquecendo da mimada Tui!!

Mais crescidos, vou lembrar-me do dia em que ensinei a escrever as cores à Leila, a Fittah, ao Assan que não achava muita piada a estar sentado, ao Arun, à Area, Akim e Sim. Ainda os mais velhos (os quais eu tive menos contacto), recordo-me da Dogmai a tentar descrever o ambiente à sua volta.

Mas especialmente levo comigo a minha artista Chompu e o meu cabeleireiro Lui, que marcaram estas minhas semanas.

Iniciei a jornada com uma sala coberta de aranhas, baratas, lagartos, formigas e um rato, passei a descobrir a casa de banho e por fim o meu chuveiro improvisado. Fiquei… ? Não sei bem como descrever!!

No entanto tudo foi esquecido quando já na manhã seguinte fui acordada por risinhos e gargalhadas vindas do lado de fora, e ainda mais quando conhecemos as pestinhas pela primeira vez, numa visita guiada (por eles) à ilha.

A vida é tão simples. Nunca ninguém vai sentir tanta felicidade só por saltar por um caminho insuflável até à praia, nem nunca ninguém vai perceber que uma verdadeira cascata é realmente um tubo coberto de folhagem com um fio de água a correr por ele. E é claro, ninguém vai entender a piada de fazer um círculo à volta de um escaravelho para tentar acertar-lhe com uma caneta.

Os primeiros três dias resumiram-se a jogos educativos durante a tarde, onde percebi que a Chompu e o Lui iam ser a parte sombreada da minha história (Nunca mais tive descanso quando eles andavam por perto).

Sempre soube que a língua ia ser um entrave; mas acreditem que quando o ser humano quer, ele arranja maneira de ser compreendido.

Terminámos a volta dos jogos educativos para finalmente podermos passar para as aulas.

 

Este foi outro dos momentos que mais me marcou, porque nunca vi tanta vontade, tanto carinho, tanta felicidade e brincadeira junta. Gratificante, no mínimo!!!!

Todos os dias as crianças usam uniformes diferentes. No último dia, fui acompanhada pelas minhas duas flores de fato de treino laranja numa última tarefa em grupo (limpeza da praia), para terminarmos na brincadeira (mais rodas, mais corridas, mais tentativas de me pendurar nos postes com eles). Nunca me senti tão bem acolhida fora de casa… nem nunca vi uma felicidade tão fácil de se atingir.

Para uma despedida, fizemos uma pequena festa onde jantamos todos juntos e fizemos coreografias de músicas. Não consigo descrever o que senti quando vi uma boneca chinesa a correr na minha direção, juntamente com uma voz a chamar o meu nome. Nunca vi dançarinos tão lindos..

A dedicação e diversão dessa noite voltam comigo para casa: crianças felizes, a rir e a dançar com tudo e todos..

Volto uma pessoa mais livre e muito mais sortuda. Trago comigo todos, um por um, mas num lugar especial guardo as minhas duas estrelinhas constantemente a gritaram pelo meu nome..

Nunca ninguém irá entender o que é ser verdadeiramente feliz… com tão pouco!!