A experiência da Sofia na Bélgica

No dia 1 de Julho parti até à Bélgica com uma mochila recheada de botas, luvas e roupa impermeável para enfrentar o tempo instável, e zero expectativas. Era estranho partir para um país diferente para ir cultivar, já que em Portugal o que não faltam são terrenos baldios e um excelente clima, mas esta experiência era mais do que cultivar terrenos. Cheguei até Rinxensart onde se localiza a Quinta de Froidmont.

Quando entrei na quinta já estava um grande grupo de pessoas a almoçar, iriam ser os meus companheiros de aventura, tantos os voluntários como os estagiários que trabalhavam connosco. Estranhei um pouco a comida pois só havia saladas de vegetais, pão e manteiga. As refeições era predominantemente vegetarianas com os legumes colhidos da horta.

Os voluntários eram de vários países o András e a Anna vieram da Hungria, o Tim da Rússia, o Kamso do Burkina Faso e a Hyun era a nossa Campleader e era belga.
A nossa rotina era ir até a uma das hortas e lá os nossos professores davam-nos tarefas que podiam ser desde apanhar as frutas e legumes maduros, preparar o solo para semear ou plantar, debulhar favas e ervilhas etc… e normalmente interagíamos uns com os outros partilhávamos histórias, crenças, falávamos sobre o nosso país e a nossa cultura.

Todos os dias trabalhávamos com pessoas diferentes e interagíamos com os estagiários que muitas vezes só falavam francês, então tínhamos de nos esforçar um pouco mais para nos fazermos compreender. Saíamos para ir trabalhar às 8h30 e à tarde terminávamos o trabalho às 16h30. A partir desta hora tínhamos tempo livre para fazermos o que quiséssemos. Normalmente jogávamos jogos de tabuleiro e às cartas ou íamos visitar alguma cidade.

No fim de semana tínhamos mais tempo para explorar a cultura belga, visitámos Bruxelas, Bruges, Gante e Ostende.

Nesta experiência ganhei um grande respeito pelo trabalho dos agricultores especialmente aqueles que praticam uma agricultura biológica que exige muito trabalho manual. O convívio com os restantes voluntários deu-me uma visão diferente sobre o modo de vida noutros países. Apesar de serem uma excepção dentro da juventude húngara o András e a Anna são um exemplo a seguir. Tomam atenção ao modo de produção do que adquirem para que tenha um menor impacto para o planeta e que não apoie a exploração infantil ou a escravatura. O Tim mostrou-me que na Rússia não existe uma abundância tão grande como na Europa a nível alimentar, então ele fazia questão de andar sempre com um pedaço de queijo na mão e chocolate para barrar. Foi uma aventura muito enriquecedora, pude ganhar mais à vontade a falar uma língua estrangeira e a conviver com pessoas diferentes.

Obrigada Para Onde pelo apoio e formação e a toda a equipa da Quinta de Froidmont pela gentileza, disponibilidade e simpatia durante os 13 dias de voluntariado.