A experiência da Raquel no Reino Unido

Foi em Etwall, nos idílicos campos rurais ingleses, que me deparei com o Tara Kadampa Meditation Center. Era aí que ia “viver” durante 10 dias, a ajudar preparar a UK Dharma Celebration. Com honestidade admito que ia um pouco a medo, primeira viagem de avião sozinha, primeira experiência de voluntariado internacional. Mas rapidamente o nervoso miudinho foi substituído por todas aquelas coisas boas: entusiasmo, curiosidade, e, claro, graças ao Para Onde, a certeza de que se algo corresse menos bem não era necessário ficar muito ansiosa, porque havia uma rede de apoio cá (em Portugal) e lá (em Inglaterra).

 

Mas sigamos para o mais importante: o trabalho e as pessoas. Não vou aqui inventar cenários perfeitos, sim o trabalho não é sempre fácil, tivemos de mover mobílias pesadas, carrinhos de mão cheios de gravilha, e até limpar 470 cadeiras (não, não estou a exagerar, nós contámos). No entanto o staff era mais que prestável, garantindo que os quartos eram do nosso agrado (e eram mesmo), que estávamos bem alimentados (e se não têm problemas com comida vegetariana incentivo-os a ir, nem que seja só para comer as iguarias que os voluntários preparam uns para os outros), e que, em geral, estávamos bem. O nosso trabalho resumia-se a 5 horas por dia (3 de manhã e 2 à tarde), e a possibilidade de no tempo livre participar na meditação da hora de almoço ou nas cerimónias de oferendas ao fim do dia. Para além disso, tivemos 2 dias livres, em que fizemos um passeio pela natureza, visitámos a catedral e as lojas de Derby, e explorámos a vila de Tutbury.

 

Mais de metade da experiência prende-se com os outros voluntários. Vindos um pouco de toda a parte da Europa, partilhávamos um espírito divertido e bem-disposto, pronto para tudo e também para se rir muito. Aspirar carpetes enormes é muito melhor se estão todos a cantar música espanhola enquanto o fazem. A fogueira onde queimámos armários destruídos e ramos cortados transformou-se depois do pôr-do-sol com marshmallows e danças italianas. Não vou esquecer as tentativas falhadas de tentar arrastar uma lona cheia de ramos de árvores ao longo do que pareceram 2 quilómetros (mas na verdade não ultrapassavam os 20 metros) enquanto me ria às gargalhadas das caretas que a nossa colega belga fazia. O grupo tornou-se muito unido de um modo que não previa, não podia desejar ter partilhado esta experiência com um grupo melhor de pessoas.

Voltam comigo as boas memórias, as fotografias, o cartaz que era nosso dicionário improvisado, com palavras como “bom dia” ou “voluntários” escritos em oito línguas diferentes, e os contactos de amigos que ficarão para sempre comigo.

Se estão indecisos, pensando que se calhar voluntariado não é bem para vocês, pensem como eu: Estão com um espírito aberto? Querem conhecer pessoas novas? Estão prontos para ajudar no que sabem e aprender o que não sabem? Então vão. Se fui com tantas “primeiras vezes”, regresso com as expectativas altas para as “segundas”.