A experiência do Paulo na Ilha de Santiago, Cabo Verde

Nem sei por onde começar!!!
A minha vontade de ir a Cabo Verde ja vinha desde de há muito (sentia um chamamento que estava difícil de ignorar) e este ano tive a possibilidade de viajar para lá, marcando uma viagem para um mês e meio. Sempre tive uma grande vontade de fazer voluntariado e decidi procurar, para juntar o útil ao agradável, e deparei-me com a página do Para Onde?, onde existia um programa para a cidade do Tarrafal, na ilha de Santiago… passei à prática, mandei a minha candidatura e a boa notícia chegou passado uns dias – “Aceite”!

O dia chegou e lá fui eu para Cabo Verde começando esta experiência em São Vicente onde me apaixonei logo por aquele povo caloroso, de sorriso fácil e de uma abertura sem igual! Foram dias inesquecíveis… passado duas semanas voei para Santiago, passando por cima do arquipélago e vendo as ilhas a passar e a me relembrar o quão bom foram aqueles dias em Mindelo (sem saber que o melhor ainda estava para vir).

Cheguei ao Tarrafal onde fui recebido de braços abertos! Vinha maravilhado pelas paisagens do caminho da cidade da Praia para o Tarrafal e fiquei ainda mais quando cheguei àquela baía de águas transparentes, areia branca e coqueiros para nos proteger do sol! Chegou o dia e às 7:30 da manhã estava de pé com uma grande excitação, interior, pois aquela hora da manhã não tenho muita força!

Fomos para a associação, recolhendo meia dúzia de crianças que aproveitam todos os dias a “boleia” e vão para a associação com os voluntários. Fiquei logo apaixonado por aquele meia dúzia, derreti-me quando vi os 33 “pikinotes” do jardim de infância que era onde ia ficar durante aquele mês! Aqueles sorrisos iam ser o meu café, pois a força que me faltava por serem 8 da manhã passava a um sorriso de orelha a orelha a cada chegada à associação!

Foram semanas únicas, de uma grande aprendizagem onde o que me marcou mais foi o sentido de partilha que aquelas crianças de 4/5 anos (e aquele povo) têm… aquilo não se aprende, aquilo já nasce com eles, é emocionante de se ver! Nunca houve um dia em que não me apetecesse ir “trabalhar”… lavar lençóis, limpar colchões, preparar as mesas para o lanche, pintar com eles, arrumar brinquedos, ler histórias, dar raspanetes, separar brigas, dar cambalhotas, mandá-los ao ar, fazer as minhas costas de escorrega, ir à casa de banho a correr quando estavam lá mais do que dois pois já estavam a inventar alguma das suas e muito, muito mais!

 

O dia menos esperado estava a chegar e eu já sofria com isso… o que fiz? Adiei o meu vou e fiquei lá mais 2 semanas…iam ser mais 2 semanas a dar e a receber amor, mas o dia menos esperado ainda estava lá e eu sem poder fazer mais nada… e ele chegou! A despedida dos pikinotes nem vale a pena dizer que foi um pranto, com a promessa que, mais cedo ou mais tarde, iria voltar nem que fosse um dia para os rever. A despedida da cidade também não foi muito agradável, partindo a olhar para trás até deixar de a ver e sempre a espreitar entre os montes da Serra da Malagueta para ver se conseguia ter uma última visão do Tarrafal que me fez sentir em casa naquele mês e meio!

Voltei para Portugal de coração cheio, mas só uma parte, pois tinha lá deixado um pedaço do coração nas mãos daquelas crianças! Contei as histórias, mostrei as fotos, falei (e ainda falo) dizeres deles, danço as músicas que ouvia lá, acordo com eles no pensamento e tenho o sentimento de saudade que dói… mas vai deixar de doer pois no próximo mês estou de partida por mais 2 meses de voluntariado e de procura de trabalho para ficar lá, fazer lá a minha vida, junto daquele povo, junto dos meus pikinotes, junto de CABO VERDE!

Obrigado ao Para Onde?, obrigado à organização local, obrigado às voluntárias, obrigado à Mariana, obrigado a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram nestes 2 meses! Gratidão é o que eu sinto neste momento… OBRIGADO!