A experiência da Marta na República Checa

“Mountains don’t meet mountains but human beings do”, disse-me uma pessoa muito especial quando chegou a Hartenberg. Não olhei ou senti esta frase na altura como sinto agora.

A minha experiência foi feita pelas pessoas que conheci. Foi essencialmente o que ouvi, o que senti cada vez que uma criança me dava um abraço, ou me ensinava uma palavra em checo (agradeço o esforço, acreditem, eu era péssima), ou quando em bom som ouvi 23 crianças na língua do meu país a dizer “amizade”.

Em Hartenberg o sonho era de todos, o projecto de um castelo, já não era só do dono, era nosso também, ficou lá pelo menos uma pedra que tocámos. Ficou também uma bandeira de Portugal que trazia comigo, a verdade é, deixei lá uma parte, e trouxe outra comigo. Duas semanas é pouco, vivam muito, quem me dera ter tido mais tempo para dar mais, nada do que dei foi suficiente perante tudo o que recebi (esta é uma certeza que qualquer voluntário tem)!

O que eu trago comigo posso contar com todos os detalhes, as histórias, as pessoas, a beleza natural de Hartenberg, mas tu voluntário, sim tu, tu tens que ir viver por ti próprio. Esta experiência mudou a minha vida, fez-me sentir mais completa. Agora tenho mais uma família, tenho mensagens de crianças que me escrevem, tenho o coração cheio, e acredita futuro voluntário, isto é inexplicável (e eu tentei durante 45 minutos terminar esta frase).

Por isso, vai, vai e tenta acabar esta frase! (Eu fico feliz por não conseguir; ser inexplicável é o que torna isto tão único).