A experiência da Marisa na Holanda

Embarquei nesta missão a 22 de Julho de 2017, mas já a esperava há alguns meses. É difícil expressar o que sinto. Por um lado, um imenso vazio, como que uma ausência permanente, por outro, cheia de boas memórias que me fazem concluir que não cabe em mim felicidade maior do que alguma vez ter vivido esta experiência.

Este foi o meu primeiro campo de voluntariado e não poderia estar mais grata pelo projeto que escolhi e pela excelente equipa de voluntários que Deus pôs no meu caminho. Foram 2 semanas em Emmen, Holanda, num centro de acolhimento de refugiados. Não, não eram refugiados sírios. E sim, eu também desconhecia esta realidade até me deparar com ela. Famílias de vários locais do Mundo tais como o Kongo, Nigéria, Iraque, entre outros, esperam ali pelo dia em que voltarão para os seus países ou em que terão autorização para poder ficar na Holanda pois a maioria tem filhos já ali nascidos há cerca de 10 anos. Poucas sabiam a sua origem, apenas sabiam que os pais não queriam voltar para casa, por exemplo porque “lá não há comida”, como dizia a Debby que nos apoiou de forma incansável e responsável no que respeita à tradução, pois falava corretamente inglês.

As horas com as crianças passavam a correr e eram tão intensas que as chamávamos de zombies quando tentávamos almoçar e tínhamos as janelas cobertas de meninos e meninas à nossa espera.

Acampados pertinho do centro de acolhimento, deslocávamo-nos de bicicleta para todo o lado. O dia começava por volta das 08h30 com o pequeno almoço, seguido de atividades com as crianças até cerca das 15h30 e terminava por volta das 22h00, hora a que concluíamos as atividades com a equipa de voluntários e maioritariamente nos deitávamos, exaustos. Pelo meio tratávamos de idealizar e preparar as refeições bem como pensar na atividade do dia seguinte, havendo também tempo para descontrair em grupo e passear na cidade.

Dias repletos de aprendizagem, de partilha, de muitos miminhos e de muita diversão. Já disse miminhos? No que me diz respeito, esta foi a parte na qual mais me envolvi e o melhor é que eles deixavam. Muitos beijinhos, centenas de abraços e milhares de carinhosos olhares cruzados. O Joseph, um menino de 3 anos que batizei de Koala por me agarrar fervorosamente, é um dos meninos que jamais esquecerei e pelo qual tenho um carinho inexplicável. Criamos empatia logo nos primeiros dias quando começamos a jogar ao “Cucu”. Foi incrível como comunicámos tanto sem realmente falar!

Quanto à equipa de voluntários, esta foi claramente uma grande bênção! Os melhores companheiros que poderia ter tido, na sua maioria amigos que levo para a vida. Muita troca de experiências, muito trabalho de equipa, muita compreensão e a cima de tudo muita cumplicidade com alguém que conhecia há meia dúzia de dias. Espero por eles em breve em Portugal.

Tentar deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontrei é um lema de vida que desde cedo me acompanha e que todos os dias tento concretizar. Desta vez foi em Emmen mas quero muito que não fique por aqui!