A experiência da Mariana na Sérvia

Porquê a Sérvia? Foi a pergunta que mais me fizeram dias antes de partir, e eu lá explicava que não era pelo país em si, mas sim pela experiência que o projeto me iria proporcionar. Beehive of Friendship conquistou-me desde o primeiro momento que li as guidelines do projeto.

Quando cheguei a Belgrado sentia um misto de emoções, por um lado estava insegura, era só eu e a minha mochila num país novo com uma língua completamente diferente, por outro estava mais feliz que nunca.
Ainda em Belgrado conheci as voluntárias que iam estar comigo no campo, e juntas partimos para Begečka Jama. Acabadas de chegar conhecemos os voluntários Sérvios que nos iam acompanhar, deram-nos as boas vindas e deixaram-nos super à vontade. Percebi logo que o que tinha lido sobre os Sérvios serem muito hospitaleiros era totalmente verdade.

A primeira semana foi passada a montar tendas, uma cozinha exterior, trampolins e a deixar tudo pronto para a chegada das crianças. A pouco e pouco a Mariana envergonhada começou a desaparecer, o Inglês começou a soar a Português e comecei a sentir-me em casa. Entre gargalhadas, idas à água e conversas infinitas, o trabalho de montagem passou a correr e num piscar de olhos as crianças já tinham chegado.

Com a chegada das crianças, a minha felicidade foi amplificada, eram 70 sorrisos da Sérvia, da Macedónia e do Kosovo a correr pelo parque. Apesar da grande maioria não falar inglês, não foi preciso muito para encontrarmos novas formas de comunicar. Com elas aprendi o poder do sorriso, do abraço e do olhar e as mensagens que estes pequenos gestos podem transmitir. Durante a semana acordávamos às 7h, passávamos o dia com as crianças, entre aulas de natação, voleibol, basquetebol, refeições e vários workshops, de fotografia, cinema e culinária. O dia terminava com a Candle Night, onde eram partilhados os melhores momentos e se tocava guitarra. Dentes lavados e laku noć desejada, era hora do convívio dos voluntários. Todos à mesa, conversávamos noite dentro como se fossemos amigos de infância, se me sentia em casa? SIM!

 

A semana passou e o dia das crianças voltarem para casa chegou, com muitas lágrimas à mistura. Mais uma vez sentia um misto de emoções. Estava triste com a partida, mas muito feliz, com um sentimento de dever cumprido e muita vontade de voltar no próximo Verão.

Os últimos dias foram passados a desmontar o campo, a conviver e a pouco e pouco os voluntários iam regressando a casa. Como acabámos mais cedo que o previsto ainda ficámos uma noite em Novi Sad, fomos sair e foi aí que percebi que a Sérvia não era mais um simples país da Europa, mas sim um país que agora guarda uma parte de mim e do qual eu guardo também uma parte, um país onde tenho amigos que vou guardar para a vida.

A ti que estás a ler isto, vai. Não tenhas medo. Não interessa onde ou quando, apenas vai. Vai ser uma das melhores experiências da tua vida, confia.