A Experiência da Mariana em Itália

Após dois meses recordo-me da minha experiência com tanta saudade e carinho que não consigo descrever. Foram 2 semanas de muita aprendizagem e de muito crescimento, fui para Itália totalmente sozinha, com muito medo e receio, mas hoje sei que foi a melhor decisão que tomei. Se têm medo acreditem que é totalmente normal, mas vão e arrisquem na mesma.

Estive em Genova com a associação Shanti Sahara que todos os verões acolhem 9 crianças refugiadas do Saara Ocidental. São crianças com doenças (como epilepsia) e que, infelizmente, vivem sem condições básicas que não os permitem evoluir tanto quanto poderiam. O grande objetivo, além de lhes proporcionar a melhor qualidade de vida possível, é também o de ajudar no tratamento e procurar por novas respostas para as suas doenças enquanto estão com a associação durante o verão.

Mal vi todas as crianças admito que fiquei totalmente apavorada e sem reação, porque acho mesmo que só me caiu a realidade quando os vi. Posso dizer que todo o tipo de sentimento de dúvida que senti naquele momento passou totalmente em dois dias. Aprendi a fazer tudo, desde a higiene e cuidados necessários a cada criança, necessidades especiais e carências de cada um, as melhores maneiras de cativa-los e de brincar/interagir com eles, até palavras árabes e italianas que permitiam uma melhor comunicação entre mim, as crianças e todos os outros voluntários. Os momentos que mais me fazem ter saudades e uma imensa vontade de voltar são aqueles abraços e beijinhos maravilhosos, todas as brincadeiras que tínhamos antes de dormir, a partilha de culturas e de experiências de vida com todos os voluntários, as canções de alegria que cantávamos quando sabíamos que íamos à praia e todas as vezes que lhes roubava comida do prato e a maior gargalhada era soltada por todos os que tomavam atenção.

Os voluntários da associação foram impecáveis! Ajudaram-me com tudo, deram imensas dicas do que fazer nos nossos tempos livres e mais importante que isso, faziam questão de saber que estávamos integrados e que nos sentíamos bem com o que estávamos a fazer. Estarei para sempre grata por todas as pessoas que conheci, por tudo o que aprendi e partilhei, e principalmente, por tudo o que aquelas crianças me proporcionaram e que eu espero ter proporcionado também. Deixei Genova com uma vontade enorme de ficar até ao final do verão e com uma promessa de que voltarei sempre que puder, porque em duas semanas senti que já estava em casa.

Deixo aqui um obrigada à Para Onde, que tanta paciência tiveram e apoio deram e que de uma maneira tão bonita e genuína nos encorajam a todos a fazer algo melhor para os outros e também para nós. Agradeço também à Joana, que tanto me ajudou com as barreiras da língua e que se tornou um grande pilar nesta grande aventura que vivemos juntas!