A Experiência da Maria em Caraíva, Brasil

O Natal está mesmo, mesmo a chegar!!! E a pergunta que mais ouvimos nesta altura do ano é “O que é que mais desejas para este Natal?”. Este ano a minha resposta a esta pergunta é imediata. O que eu mais desejo para este natal (e para o novo ano) é poder voltar a Caraíva, poder voltar a abraçar todos aqueles que deixei lá e que se tornaram tão importantes para mim.
Estive em Caraíva dois meses (Agosto e Setembro) a fazer voluntariado na ONG Caraíva Viva. Caraíva é um pequeno paraíso no Sul da Bahia que, desde o primeiro momento, me fez perceber que eu estava no melhor lugar do mundo e era ali que eu viver aquela que seria a experiência mais incrível da minha vida. E, assim foi… em Caraíva, vivi os dias mais felizes que alguma vez tive. Foram dias intensos, mas sempre repletos de momentos que nos enchem o coração. Durante o tempo em que lá estive, apaixonei-me por cada uma das crianças que se cruzaram no meu caminho, fiquei rendida à simplicidade e alegria delas… era tão bom partilhar os meus dias com crianças tão especiais como elas, a brincar ou a ajudá-las a aprender.

A Caraíva Viva é uma ONG com crianças dos 4 aos 17 anos que tem como princípio promover a educação através das artes e da cultura, oferecendo aos alunos um conjunto variado de oficinas onde eles podem aprender ao mesmo tempo que se divertem. O nosso trabalho, enquanto voluntários, passa muito por auxiliar as aulas de leitura, escrita, artes e música e, por vezes, as de dança e capoeira.
Desde o primeiro dia em que cheguei à ONG, senti que esta minha experiência ia correr bem… as crianças eram muito simpáticas connosco e queriam estar sempre ao nosso lado. E, foi isto que aconteceu ao longo dos dois meses… todas as crianças queriam a nossa companhia e queriam brincar connosco. Gostavam imenso de brincar às cabeleireiras e aos restaurantes, de montar puzzles, de nos oferecerem desenhos (vim com uma capa carregada de desenhos que guardo para a vida) e de tirar fotografias ou gravar vídeos com os nossos telemóveis (“pro, pode-me emprestar o seu celular?” foi das frases que eu mais ouvi ao longo daqueles dois meses). Essencialmente, aquilo que estas crianças mais queriam era sentir que nós lhes dávamos carinho e atenção. Apesar de lhes ter dado todo o carinho e atenção que consegui, sinto, verdadeiramente, que recebi muito mais que aquilo que dei. Sei que este é o clichê mais usado quando se fala em voluntariado, mas, agora posso dizer, que é o mais verdadeiro também! Foram dois meses repletos de abraços bons, sorrisos contagiantes e beijinhos deliciosos… dois meses em que o meu coração ficou repleto de tanto amor. Ouvir um “pro, gosto muito de você” ou receber desenhos que diziam “eu te amo” era das melhores coisas do mundo <3

Nestes dois meses, percebi que não é preciso muito para se ser feliz… eu fui muito feliz mesmo com os pés sujos de areia, mesmo quando o banho era com água fria, mesmo quando estava toda picada pelos mosquitos… e fui muito feliz porque estava num sítio maravilhoso com pessoas fantásticas. Todas as pessoas que conhecemos foram incríveis connosco, não só os coordenadores e professores da ONG, como, também, as outras pessoas da vila.
Antes de ir para Caraíva, quando andei a tentar conhecer um pouquinho mais deste lugar, encontrei esta frase: “Em Caraíva a vida fica mais leve, mais bonita e com outra vibração!”. E, agora, que já lá estive posso dizer que isto é muito verdade. Aquela vila é sinónimo de beleza, alegria e simpatia todos os dias, todo o dia e, por isso, é impossível que a nossa vida não fique mais leve, mais bonita e com outra vibração… é impossível não sermos felizes em Caraíva.
Agora, só me resta esperar que um dia possa voltar a ser feliz em Caraíva… que um dia os meus pés possam voltar a tocar naquela areia… que os meus olhos possam voltar a ver aquela vila cheia de cores… e que o meu colo possa voltar a receber aquelas crianças que, em tão pouco tempo, se tornaram tão importantes para mim!