Maria Helena, Bárbara, Sara e Sofia, Guiné-Bissau 🇬🇼

Uma experiência de voluntariado internacional sempre fez parte dos nossos planos, queríamos algo que nos pudesse mostrar uma realidade completamente diferente, nos impactasse e pusesse à prova e ao mesmo tempo um sítio onde pudéssemos deixar de alguma forma um bocadinho daquilo que somos. A Guiné sem dúvida que nos marcou!

Viajamos para a Guiné no mês de Julho, mês de chuvas tropicais e grandes trovoadas. A nossa chegada a este país lindo já não foi fácil, nesse mesmo dia deparamo-nos com trovoadas que nenhuma de nós pensaria chegar algum dia a ver, não havia luz, e os mosquitos atacavam por todo o lado. Apesar de tudo isto a comunidade Guineense estava lá para nos receber, tanto no aeroporto como na casa dos voluntários, onde ficámos no chamado “Bairro Militar”. Os abraços que recebemos das crianças nessa noite foi o que nos encheu o coração, o modo como elas nos tocavam, como nos diziam os nomes e nos agarravam…

O primeiro dia na Guiné foi sem dúvida o mais chocante, o sair à rua e ver tudo aquilo que nos rodeava, a pobreza, as condições más em que a maioria das pessoas vivem, a falta de cuidados de saúde, a falta de condições na escola… foi todo um misto de emoções difícil de explicar. Uma coisa é certa, depois daquele momento nunca mais fomos as mesmas pessoas e tudo passou a ter um novo significado para nós.

Aprendemos um novo conceito de felicidade, aliás, abraçámo-lo e vivemo-la todos os dias na Guiné porque abrimos o nosso coração e a deixámos entrar. As nossas melhores lembranças são lindos sorrisos rasgados e abraços calorosos que aquecem a alma.

Os melhores dias foram os mais banais e comuns, são esses que se acabam por tornar nos mais especiais… tardes passadas a falar e a rir, dançar ao som da música dos Calema que eles pediam sempre, sentir o ar fresquinho do fim da tarde enquanto as meninas nos enchiam o cabelo de tranças. Isto sim, levamos da Guiné, levamos de África.

Fomos para lá como professoras, de livros na mão e com a ideia de dar o melhor de nós. Saímos de lá como crianças, de lágrimas na cara e com a certeza que recebemos o melhor deles!

Ao chegar a Portugal só uma palavra fazia sentido: Voltar! Deixámos uma família na Guiné à nossa espera e agora só pensamos em voltar um dia para eles, com o coração apertado de saudades.

Obrigado Guiné por nos ensinares a deixar as coisas acontecer, a ter calma, a saber ouvir e melhor de tudo… a não ter medo de SENTIR!