Márcia, Guiné-Bissau 🇬🇼

Como explicar os dois meses mais incríveis da minha vida? Lembro-me que na semana antes de ir, só pensava que não estava preparada, não queria ir. Mal sabia eu que me estava a preparar para a melhor e mais difícil aventura da minha vida.

É uma realidade completamente diferente da que sempre vivi e isso é que fez com que esta experiência fosse tão rica e muito melhor do que sempre imaginei.

A primeira semana na Guiné foi sem dúvida a mais complicada, tudo era estranho. Muito calor, condições difíceis, mas temos sempre pessoas que nos ajudam na adaptação.

Durante a manhã estávamos na escola, a acompanhar as turmas da primária. Trabalhar na escola é complicado, são turmas com imensos alunos e por vezes as crianças são difíceis de controlar. No entanto era sempre tão gratificante quando percebíamos que eles aprendiam qualquer coisa de novo connosco. Ali, valorizam a presença dos voluntários e o intuito da nossa missão.

À tarde, estávamos com os miúdos do bairro a brincar com eles. Jogamos à bola, ao jogo do lencinho, à macaca, corridas com sacos, cantávamos, tudo o que os miúdos quisessem fazer. E sentia-me sempre tão bem com eles, sentia que estava em casa, que ali era o lugar certo para estar.

Apesar das condições em que vivem, das dificuldades que passam, o povo guineense, e em especial as pessoas do Bairro Militar, estavam sempre com um sorriso na cara, sempre prontos a ajudar-nos no que precisássemos. É um povo generoso, se for preciso partilham o que têm connosco e isto foi das coisas que mais me marcou na Guiné.

Ouvir coisas como “a Márcia agora é guineense” deixavam-me tão feliz, fazia-me sentir que o meu propósito na Guiné estava a ser cumprido, as pessoas do bairro onde vivi já me consideravam como uma deles. Porque era mesmo assim que eu me sentia. Passar na rua do bairro onde estávamos a viver e toda a gente nos cumprimentar, toda a gente saber o nosso nome, faz-nos sentir que estamos em casa, que pertencemos ali.

Passei dois meses na Guiné-Bissau com o intuito de ajudar no que fosse preciso, mas sinto que de certa forma foi a Guiné que me ajudou. Fiz novos amigos, saí da minha zona de conforto, superei os desafios que me foram apresentados, conheci este país incrível, com pessoas ainda mais incríveis, e tão bom que foi!

Fui embora, mas com a certeza de que vou voltar. A Guiné é a minha casa também e as pessoas que me acolheram no bairro são família.